Sei que devo explicações, escrevo fanfics, mas acima de tudo, sou leitora também, sei como é irritante e desesperador a demora pra postar novos capítulos. Me perdoem, é tudo que posso pedir! Eu simplesmente não conseguia escrever algo digno, mas enfim, aqui está. (:

Obrigada aos últimos comentários, de verdade.

Capítulo escrito a base de Florence, em especial Never Let Me Go e Seven Devils.


Capítulo 5.

Nunca me deixe partir.

Não se falavam há dias, o silêncio nunca perturbou Arya, agora, tirava-lhe o sono. O Rei do Norte detinha-se a falar com ela somente quando necessário, porém, nem mesmo o fazia mais, pedia para que Tyrion informasse a ela tudo que era preciso saber sobre a guerra, por vezes a garota fingia não se importar, recusava-se a mostrar qualquer fragilidade, porém quando o Sol deixava o horizonte, encolhia-se entre as cobertas e deixava as lágrimas rolarem livremente por sua face. Sabia que pagaria um preço por uma vida, mas não imaginara que seria tão penoso. "Faria tudo de novo se fosse preciso", dizia a si mesma sufocando o grito que ameaçava surgir em sua garganta cada vez que sentia os olhos duros de Jon postos sobre ela. Muitos homens lhe lançavam olhares opressores e temerosos, enquanto outros, a saudavam com admiração, ela por sua vez, fingia estar satisfeita.

A volta para casa não a satisfez, muito menos a morte de Walder Frey, Arya sentia-se perdida e desolada, parecia se encontrar apenas quando estava em um campo de batalha. Passou tudo que passou, fez tudo que fez, para chegar até ali, mas este, era um desejo da pequena Arya Stark, Cara-de-Cavalo, esta, havia se perdido dentro dela há muitos anos atrás. Não sabia mais o que desejava ou onde era seu lugar, decidiu, porém, após a guerra contra os Lannisters, se ainda estivesse viva, voltaria para a estrada, como uma loba solitária.

Passava a maior parte dos dias distante de todos, explorando a área a cavalo, em breve encontrariam-se com os dorneses e colocariam um fim nas flores de Jardim de Cima. Fora em uma dessas voltas que encontrara Daenerys desolada, com lágrimas banhando seu rosto. Desceu do cavalo, aflita, aproximou-se da mulher, a rainha percebeu sua presença e tentou se recompor rapidamente.

-O que aconteceu? –perguntou, esquecendo-se de todas as cordialidades, Daenerys limitou-se a suspirar pesadamente engolindo um pequeno soluço.

-Tudo está perdido, Arya. –murmurou em transe, os olhos violetas refletiam cansaço, assim como todo seu rosto. –Quentyn Martell está morto. –os olhos da garota arregalaram-se em surpresa, sentiu-se abater pela notícia, assim como sua rainha, envolveu-a em um abraço reconfortador e levou-a de volta até onde estavam acampados.

-Os dorneses são uns malditos de sangue quente, decidiram enfrentar os Tyrell sozinhos, seguiram em frente, afrontando as ordens de Jon, estavam em menor número. As Flores amarraram os braços e pernas de Quentyn Martell e retiraram-lhe a pele do corpo, como a uma serpente. – informara-lhe Tyrion, Arya bateu os punhos na mesa em fúria.

-Estúpidos! Como puderam fazer isso? –o anão voltou a lhe fitar intensamente.

-Achei que soubesse, desentendimentos anteriores a guerra, não eram muito cordiais uns com os outros. –ironizou, Arya abaixou os olhos constrangida, afinal, agira imaturamente por vingança também.- Alguns dorneses conseguiram fugir, estão chegando a centenas, feridos e mais raivosos do que antes.

-Onde está Jon? –perguntou apressadamente, Tyrion a encarou surpreso.

-Bem, depois do que aconteceu, não parou até agora de estudar aqueles mapas tentando encontrar alguma solução para a diminuição de nossos homens.

-Acha que há alguma forma de amenizar isso? –perguntou séria.

-As coisas estão ruins, minha senhora. Muito ruins. –respondeu encolhendo os ombros grotescos.

Assim como Tyrion havia previsto, Jon estava analisando os mapas em sua barraca, parecia cansado, a barba por fazer, os olhos fundos e com olheiras. Aproximou-se tentando não chamar atenção, mas ao primeiro passo, a atenção do homem voltou para ela, ele pareceu surpreso e abalado com sua presença.

-Não posso conversar agora, Arya. –avisou friamente, a garota sentou-se do outro lado da mesa, irredutível.

-Sinto muito pelo que aconteceu. –murmurou condolente, um silêncio prosseguiu na sala enquanto ela o analisava intensamente, todos os seus sentimentos pareciam estar emergindo, um por um. –Quer que eu vá embora? –perguntou fulminantemente, os olhos ardiam.

-Sim. –respondeu sem retirar os olhos dos documentos na mesa.

-Você não entendeu, estou perguntando se quer que eu parta desse acampamento, para nunca mais voltar. Eu o farei se assim desejar, não posso suportar isso por muito mais tempo, Jon. Dói muito o ódio que tem por mim. –respirou fundo tentando controlar a voz embargada. –Não fiz o que fiz para atingir você, me perdoe, mas eu não posso mudar o que sou, o que me transformei. Quando minha mãe e Robb morreram, eu estava lá no casamento, com Sandor Clegane, eu ouvi os tambores anunciando suas mortes, vi tantos nortenhos embebedando-se sem fazerem nada. Eu estive tão perto de reencontrá-los, eu desejei tanto, acreditei até o último instante que os veria novamente. Naquele dia, quando a batalha terminou, eu me vi novamente ao ponto inicial, diante daquele castelo, impotente novamente, sem conseguir entrar e pegar o que eu desejava. Eu teria morrido de bom grado com eles, junto a eles, por uma última vez juntos. –os soluços escaparam de sua garganta e ela sentiu todos os seus sentimentos serem cuspidos para fora, raiva, mágoa, dor, saudade, amor. –Se vai continuar a me ignorar, faça logo o que deve ser feito, mas eu não posso sentir mais a frieza das suas palavras quando se direcionam a mim, prefiro ir embora e continuar a pensar que você ainda me ama, que eu sou sua irmã e você está procurando por mim, assim como eu por você.

Jon tinha os olhos fixos nela, as mãos ainda seguravam os mapas, mas tremiam muito, o homem se levantou e sem hesitar, fechou o espaço entre seus corpos em um abraço desesperador, Arya, enfim, desabou, enterrou o rosto no peito do homem tremendo violentamente pelos soluços do choro desenfreado. Ele suspendeu o pequeno corpo dela, envolvendo-a como uma criança, ela apertou os dedos em sua roupa com todas as suas forças, enlaçou as pernas em seu quadril sentindo-se protegida. Jon a deitou na cama calmamente, retirou sua roupa, as calças e a cota levantou-se e despiu-se também. Ela o envolveu com os braços e as pernas delicadas, a cada carícia que corria por sua pele, Arya sentia seus pelos eriçarem-se, sem objeções por parte dele, buscou faminta, os lábios de Jon. Demoraram-se um no outro, redescobrindo cada parte do corpo, voltando a contornar os lugares onde alcançavam prazer. Arya sentiu-se aquecer conforme os beijos de Jon desciam para seu baixo ventre, cruzou as pernas tentando impedir que ele prosseguisse, o homem voltou a fita-la em uma curiosidade divertida, Arya sentiu o rosto aquecer, ele tomou as mãos da garota para si e beijou demoradamente cada centímetro de seus dedos, sentindo-a relaxar novamente, voltou a descer seus beijos até sua intimidade, Arya arqueou as costas surpresa pela resposta de seu corpo, agarrou os cabelos da nuca de Jon com toda sua força ao senti-lo suga-la. Pequenos espasmos atravessaram seu corpo conforme os beijos dele, abriu os olhos em transe, o topor a invadia novamente, um pequeno gemido escapou de seus lábios no instante que seu corpo estremeceu por uma última vez. Jon voltou a encará-la satisfeito, tornou a beijá-la pelo colo até tocar seus lábios, um sorriso travesso formou em suas bocas.

-Pelos Sete, onde aprendeu isso? – perguntou com as sobrancelhas arqueadas, Jon limitou-se a rir.

-O beijo de um Rei, minha senhora. –respondeu envolvendo-a em seus braços. –Você é linda. –sussurrou quase inaudível, Arya sorriu.

-Nunca pensei que fosse dessa forma, tão certo. –confessou fitando-o novamente. –Quero que sinta o que eu senti. –disse deixando um rastro de beijos por todo seu pescoço.

-Arya...-calou-se rapidamente ao senti-la mover-se sobre seu quadril. –Não vou conseguir parar depois...

-Não quero que pare. –disse descendo suas mãos até finalmente tocá-lo, Jon soltou um rosnado rouco. Colocou as mãos sobre a dela mostrando-lhe o ritmo certo, Arya voltou a beijá-lo furiosamente.

-Você é minha e eu sou seu. –finalizou antes de deitá-la e enterrar-se em seu corpo, sentiram-se inteiros pelo restante da noite.

Quando Arya finalmente adormeceu, sonhou estar no meio de uma floresta, corria sobre quatro patas, forte e selvagem, nada podia alcança-la, exceto ele. Encostou o focinho na neve a sua frente, o cheiro intensificava-se, virou-se atenta ao barulho da vegetação em movimento, um par de olhos vermelhos a encaravam, um rosnado de alegria escapou de sua garganta, correu em direção ao outro lobo.


O cheiro de ferrugem parecia infiltrar-se em cada parte do cômodo, sentia-se fraca e cansada, precisava dormir ou nunca conseguiria terminar de fazer o que prometera, estava tão perto de conseguir. O fogo que consumia a vela, oscilava assim como ela, os olhos pesavam, mas temia que a garota fugisse novamente, virou-se para encará-la, dormia profundamente, tão delicada em seu sono, desejou que ela estivesse sonhando com algo melhor do que a realidade em que viviam, havia se afeiçoado a garota.

-Seu curativo está terrível, até mesmo eu posso lhe fazer um melhor. –provocou o homem, ela porém, limitou-se a encolher os ombros e encostar-se na velha poltrona, sempre com a espada apertada entre seus dedos. Por um breve e doce momento, achou que ele havia desistido de aborrecê-la. –Não seja estúpida, me deixe ajuda-la. –assustou-se com sua aproximação repentina, se afastou bruscamente, consciente da resposta de seu corpo ao toque dele.

-Não é necessário, sor. –esbravejou duramente, o homem pareceu se divertir ainda mais.

-Está com medo de um aleijado, senhora?! –sorriu cinicamente. –Não vou tirar-lhe sua intocável e resistente virgindade, apenas quero trocar este maldito curativo ensanguentado. –ironizou puxando bruscamente o braço ferido da mulher.

Ele foi cuidadoso ao limpar a fenda aberta em seu braço, ficou surpresa com sua tranquilidade e delicadeza, por vezes, desviava os olhos azuis dos dele, que a encaravam intensamente.

-Obrigada. –murmurou com sinceridade, desejou que ele se afastasse após terminar, mas não o fez, continuou a fita-la.

-Estou ao seu dispor, Lady Brienne. –o sarcasmo em sua voz, nunca o deixava, mas havia algo a mais que ela não pode decifrar, algo que a fez engolir em seco. O homem por sua vez, afastou-se, irritado ao perceber o incômodo que causava a ela. –Estamos perto do fim, huh? –a tensão a poucos segundos no quarto pareceu evaporar-se com aquela tola pergunta.

-Sim, em breve Lady Stark terá sua filha de volta, como prometido e Podrick será libertado. –os olhos brilhavam como duas safiras, ele nunca entendeu por que ela se preocupava tanto com os outros, exceto ele. Havia se mostrado uma pessoa melhor, arriscara sua própria vida por toda aquela loucura, mesmo assim nunca parecia ser o suficiente para Brienne de Tarth. Admitiu a si mesmo, por fim, que invejava Podrick, invejava o modo como ela se preocupava com ele e como seus olhos criavam vida ao mencioná-lo.

-Deveríamos leva-la diretamente para Winterfell. –replicou, Brienne negou com a cabeça, inquestionável.

-Prometi a Lady Catelyn que ela veria sua filha novamente. Depois Winterfell. – o homem parecia impaciente com sua teimosia.

-Deveria parar de fazer promessas a Lady Stark, da última vez, terminou com uma corda no pescoço. –respondeu irritado.

-Acha que não sou capaz de cumprir minha promessa, Jaime? Se está com medo de perder sua outra mão, parta agora. Serei eternamente grata por sua ajuda até aqui, mas não é preciso que continue se não o deseja fazer. –disse orgulhosa, levantou-se ignorando a dor latente no braço.

-Gostaria que sua mente fosse tão afiada quanto sua espada, minha senhora. –resmungou irritado com o que ela insinuara. Sete Infernos! Estava ali só por causa dela. –Eu me importo com você, Brienne.

A mulher arregalou os olhos em surpresa.

-Nunca pensei que pudesse arriscar meu próprio rabo por outra pessoa, exceto Cersei.

-O que está dizendo? Pare de brincar. –advertiu com a voz falha.

-Me odeia tanto assim? Nem mesmo posso chegar perto de você, tocá-la. –aproximara-se tão rapidamente que já estava com os dedos enterrados nos cabelos curtos da mulher. Um leão prestes a conquistar sua caça. –Ou talvez...-seus narizes esbarraram-se, ele não terminou a frase, suas bocas colidiram-se de forma suave, beijar Brienne era doce, estavam ligados profundamente um no outro, muito além de desejo, Jaime sentiu o desespero atingir-lhe juntamente com ânsia pelos toques inexperientes da mulher. Brienne era tudo que havia de bom nele, naquele instante, esqueceu-se de Cersei, Tyrion, os Starks, Aegon, para se dedicar estritamente a beijar cada sarda do corpo daquela mulher.


Em breve, mais capítulos, comentem! *-*