4º Capítulo: Conversas à parte...

Alguns meses se passaram desde a noite no Salão do Mestre.

Hyoga e Yuki estavam andando pelo jardim. Apesar de que a última estava com a cabeça longe, longe.

- O que foi, Yuki? Você anda tão... Tão distante esses meses... Desde o jantar.

- Ahn, meu amor, não é nada. Estava só pensando – respondeu sorrindo.

- 'Tá, se você diz... Mas vai ficar pensando ou vai me deixar beijá-la?

- Eu não... Se você quiser vai ter que me pegar! – saiu correndo

Hyoga e Yuki namoraram por um tempo e então ele decidiu descansar e ela resolveu tomar banho e relaxar.

Yuki acabara de se vestir e já batera um papo com Saori, mas voltou para o quarto para acabar de se arrumar. Estava colocando um perfume quando notou que alguém entrava. E ela conhecia muito bem a presença que se anunciava...

Decidira tomar uma atitude naquele dia, depois de tanto tempo. Falou com Saori e a mesma avisou que Yuki estava acabando de se arrumar, mas que ele podia subir.

Chegando no quarto, foi abrindo a porta devagar, quando um cheiro de rosas vermelhas invadiu seus sentidos.

Yuki virou-se e encontrou ali, encarando-a, seu mestre.

- O que você faz aqui?

- Por que você ainda usa esse perfume?

- O quê?

- Esse perfume... Por que você ainda o usa?

- Eu... Sinceramente, não sei...

- Yuki, por que você foge de mim?

- Por quê? Porque coisas que não deveriam aconteceram.

- Por que não deveriam?

- Por causa das leis que nos regem.

- Leis podem ser quebradas.

- Mas não foi só isso... Ambos fomos avisados para não nos envolvermos...

- Como você sabe?

- Naquele dia, na manhã depois da minha festa de 12 anos, eu ouvi a sua conversa com aquele seu amigo idiota, o tal de Kamus!

- Então também ouviu quando eu confessei que te amava?

- O quê? Você não disse isso! Aliás, você só ficou ouvindo aquele panaca falar!

- Disse sim, eu disse que te amava pouco antes de você sair batendo a porta...

- Você... Disse mesmo?

- Por que eu mentiria para você?

- Eu não sei, mas... – senta na cama

- Na verdade, eu não te amava, – senta na cama, pegando nas mãos dela – eu ainda te amo!

- Eu, eu... – tira as mãos das dele – Não, não, Afrodite. Não diga isso – fala se afastando

- Yuki, não fuja mais uma vez... – e a abraça

- Afrodite – começa uma Yuki, apesar de não saber o que fazer e muito menos falar naquele momento – eu...

Ele levanta a cabeça, eles se olham nos olhos profundamente.

- Sh... – tocou o lábio dela para que se calasse

Afrodite delicadamente faz com que a distância entre seus lábios diminuísse até que os mesmos se encontrassem. Suas bocas deliciaram-se com o conhecido sabor uma da outra. Até que o juízo imperasse na mente dela.

- Não, não – falou se separando

- Por que não? – perguntou ele, que ainda a segurava

- Não posso, não posso fazer isso com o Hyoga... Não depois de tudo que ele já sofreu e da confiança que me deu. – e virou-se de costas para o mestre.

- Yuki, concordo com você, - começou, sentando na cama - por mais que eu não goste daquele pivete, não poderia fazer algo como isso com ele. Afinal, ele também é um cavaleiro de Athena. Mas, você não o ama, eu pude sentir isso...

- Você não entende... O Hyoga, ele me deu carinho, ele cuidou de mim, tratou das minhas feridas, enquanto eu fazia o mesmo com ele. Se hoje eu estou aqui com você, isso se deve a ele. Ele me re-ensinou a amar.

- Se você gosta tanto dele, seja honesta. No momento é o que você pode fazer por ele.

- Eu, eu preciso pensar. Até mais, Frô... Afrodite – pegou o casaco dela e saiu do quarto.

Afrodite ficou ali mais um tempo, pensando no significado daquele singelo "Frô", afinal ela não o chamava assim há algum tempo.

Yuki sabia que precisava desabafar com alguém. AIORIA! Aquele nome veio na velocidade da luz e logo, ela estava na 6ª casa zodiacal, a de Leão.

- Oi, Marin! – disse, cumprimentando a amazona que estava subindo a escada na saída da casa.

- Olá, Yuki!

Adentrou e logo viu Aioria.

- Estava babando ou o quê?

- O quê?

- Eu vi a Marin, 'tá? Como vão as coisas entre vocês?

- Bem... – começa, ficando vermelho – normais. Continuamos grandes amigos... Mas, pela sua cara, hoje você não veio falar sobre o meu relacionamento com a Marin, veio?

- Tão pouco tempo e você me conhece perfeitamente! Não, não vim falar sobre você ou a Marin, nem para fazer você tomar uma iniciativa, sabe, mas eu precisava conversar com alguém...

- Antes, vamos nos sentar!

Entraram no apartamento e se dirigiram à sala. Sentaram no sofá que ali havia.

- Diga-me, amazona, o que a aflige tanto?

- Afrodite, Afrodite e eu, bem... Nós nos beijamos...

Aioria olhou-a intrigado.

- Você e o seu mestre? Yuki, é por isso que você estava chorando no dia da festa? Você e o seu mestre têm um caso?

- É... Nós tivemos um caso, que, na verdade, só durou um dia. Mas causou muitos outros dias de amargura. É uma longa história, mas se você estiver disposto a escutar eu conto...

- Você está pronta? Mesmo?

- Sim, se eu não desabafar agora, vou explodir.

Flashback

Eu fui aprendiz do Afrodite desde os 7 anos, quando ele tinha 14, devido à enorme confiança que o mestre possuía nele, por sua grande responsabilidade e maturidade e desde já o achava lindo. Treinei duro com ele durante 3 anos, ou seja, até eu completar 10 anos. Conquistei a minha armadura e voltei para completar meu treinamento e me aperfeiçoar com meu Mestre. Eu o amava desde aquela época e ele também, apesar de que só fui saber disso alguns anos depois. Porém, nós dois sabíamos que esse amor não poderia existir, pelo estreito código do Santuário, além do Mestre Dohko ter pedido que eu não me aproximasse muito de ninguém daqui, já que ele desconfiava do Mestre Ares.

Quando foi no meu décimo segundo aniversário, decidi comemorar só com o Afrodite, ao invés de sairmos como sempre. Ele preparou um bolo e nós dois fizemos pipoca e brigadeiro e eu coloquei um som.

Estavam tocando músicas muito agitadas, e eu já estava ficando empolgada. Lá pelas tantas, tocou uma música mais lenta, romântica. Nós começamos a nos aproximar um do outro, tomados pela música... Nossos lábios se encontram ardentemente, posso dizer que tanto eu quanto ele nos sentimos realizados, pois há muito tempo almejávamos por aquele gesto singular, que significava muito, para ambos.

Passamos a noite namorando, sem pensar no dia seguinte , até que, na hora de dormir, quando eu estava indo na direção do meu quarto, ele me segurou pelo braço. Me virei para olhá-lo.

- Aonde você vai? – ele perguntou

- Dormir, oras.

- No seu quarto? – fazendo cara de triste

- É... Talvez...

- Vai deixar esse cavaleiro aqui dormindo sozinho e com frio, é?

Eu ri e lhe disse:

- Claro que não, neném! Não vou deixar o meu belo cavaleiro sozinho e sem mim! Só vou pegar a minha camisola... – e ri de novo

No dia seguinte.

Acordo me sentindo muito feliz, mas percebo que Afrodite não mais estava deitado. Ri pensando se ele me serviria o café na cama, do jeito que era, provavelmente sim. Me levanto e logo ouço Afrodite conversando com alguém. Ponho meu robe e assim que chego perto, reconheço a voz do cavaleiro de Aquário. Parecia estar interrogando mais uma vez o meu mestre.

- Você e a sua aprendiz se envolveram mais do que o mestre te disse para ser, não é, Afrodite?

- É...

- Homem, tome cuidado, você já foi alertado pelo mestre. Não deixem os seus desejos te fazerem esquecer de uma ordem. Você foi avisado pessoalmente pelo mestre, ela não é confiável, Afrodite.

- Mas... Eu... O mestre...

- Admita para si mesmo que errou, cedendo aos seus desejos, Yuki realmente é bonita, eu concordo, mas o mestre não confia nela, ela mantém contato com Dohko, alguém que vem se opondo ao mestre.

- Kamus... Você não...

Não ouvi mais nada. Corri dali rapidamente, escapando pela saída que dava para a passagem para as casas zodiacais. E também como poderia, depois de tudo aquilo que o Kamus falou e ele não me defendeu em nenhum minuto. Além de tudo, eu também havia recebido um aviso de Dohko para não me envolver com ninguém do Santuário. Não parei até chegar à frente das 12 casas. Só voltei para a 12ª casa na manhã do dia seguinte.

Naquele dia e em todos até hoje, eu passei a tratá-lo como se nada tivesse acontecido entre nós, como se nunca tivéssemos nos beijado. Ignorei meus sentimentos e os dele também, isso é, se ele já sentiu alguma coisa por mim...

Ele ainda tentou lutar antes de se render, mas eu não permiti. Houve um dia, logo depois do nosso treino, em que ele tentou me pressionar, mas eu fui evasiva...

- Yuki, pare de ser cínica! Por que você não me responde logo de uma vez o que te fez ficar assim? Por que você age como se nada tivesse acontecido no seu aniversário? – perguntou me segurando

- Afrodite (ultimamente eu raramente o chamava assim), aquilo não era para ter acontecido. Nunca. Foi um desvaneio nosso. Não teve nada a ver com sentimentos... – lágrimas começaram a rolar rapidamente pela minha face.

- COMO VOCÊ PODE DIZER ISSO? POR MINHA PARTE HOUVE SENTIMENTOS SIM. E DA SUA?

Não o encarei. Não me restava coragem para fazê-lo.

- Me solta, ME SOLTA! – e acabei me soltando sozinha

Corri pro quarto e tranquei a porta, ficando encostada na mesma.

- Por que você faz isso? – ele falou se encostando no outro lado da porta.

Pensei na resposta mais lógica, porque eu o amava. Mas o que falei, não foi nada parecido com isso.

- Afrodite... Isso não... é certo. Esse sentimento não deveria... existir – cada negação me doía mais – Eu sou sua aprendiz, aprendiz...

- Mas esse sentimento existe e não vou ignorá-lo!

- Ele vai contra os nossos códigos de honra!

- Que se danem eles! EU TE AMO, VOCÊ NÃO ENTENDE? Eu te... Amo!

Não tive resposta para aquilo, a única coisa que me restou foi chorar e eu o fiz a noite inteira e me prometi a não fazê-lo de novo. E a ele restou se render, por enquanto.

A partir daquele dia, Afrodite não mais me pressionou, me deu uma trégua.

Fim do Flashback

Yuki chorou ao contar cada parte, exceto no início, que foi quando lembrou da inocência, que havia sido (e ainda era) a essência daquele amor.

- Agora, amigo, você entende? – perguntou ela, apesar de estar tão melancólica, ainda assim era bela.

Aioria a abraçou. Ele ficara meio abalado com aquela história, afinal, ele já era cavaleiro nessa época, mas nunca soube de nada do tipo. Apesar disso, tentava não demonstrar, afina, não era qualquer um, era um cavaleiro de Ouro, e, mais ainda, era o cavaleiro de Leão, orgulhoso mais do que qualquer outro. Porém, ele nem mesmo sabia o que falar.

- Bem, acho que foi sábio da sua parte termos sentado – riu ela, imersa a lágrimas

- Estou com uma cara tão assustada assim? – perguntou, o orgulho subindo à cabeça.

- Não, mas posso dizer que te conheço e te digo que ficaria em semelhante situação, se me contassem uma história assim, desconcertante – outra risada

- Bom, pelo menos te faço sorrir – diz maroto, se levantando

- Só você mesmo – disse o abraçando

- Mas... Você tá bem, mesmo? – falou olhando para a cara dela

- Sim, com toda certeza sim. Sinto como se tivesse tirado um peso de meus ombros. Mas ainda não sei o que fazer...

- Acho que você deve conversar com o Hyoga... Não?

- Eu sei que devo, mas isso não me deixa com menos medo de fazê-lo.

- E você tem medo do que? – sentou-se novamente e indicou para ela fazer o mesmo

- Da reação dele, do que ele vai pensar, se eu vou machucá-lo... Pois apesar de não saber exatamente o que sinto por ele, sei que gosto muito dele.

- Pense também, que você pode estar enganando-o, iludindo-o. E, principalmente, pense em você. Acho que você deveria tomar um tempo para pensar nisso, mas antes, acho que deveria ser sincera com o Pato...

- Rs... Se ele te ouvir te mata... Mas, pode deixar que eu vou me cuidar. Acho que vou viajar um pouco, o que você acha?

- Seria bom, viajar para um lugar diferente ajuda a espairecer... Pense bem antes de agir, para não fazer a escolha errada. Confio em você! – abriu um sorriso e a abraçou

- Obrigada, Aioria! – sorriu também – Acho melhor eu ir, tá! – disse o beijando na bochecha

- Tá – beijando-a também – Até a próxima! Não esquece de mim – acompanhando-a até a porta

- Não fala besteira! Nunca me esquecerei de você, amigo! – e foi embora

Logo depois que saiu dali, Yuki foi falar com Hyoga, precisava aproveitar seu surto de coragem.

Quando terminou de contar a história, Hyoga parecia não acreditar

- Mas... Como?

- Como, eu mesma não sei...

- E... Você já... Já se decidiu? – perguntou com a voz falhando

- Ainda não e eu queria te dizer que eu vou viajar, depois volto.

- Viajar? Para onde?

- Não sei, vou vagar por aí..

- E você volta quando?

- Quando eu tiver me decidido...

Não havia mais nada a ser dito, Yuki relaxou os ombros e ia embora, quando Hyoga virou-a para si e a abraçou.

- Obrigado por me contar a verdade. Não se culpe pela sua dúvida – e a beijou, como se o mundo fosse acabar e ele não mais pudesse prendê-la entre seus lábios.

FIM DO CAPÍTULO...

Apesar de ter demorado, postei logo dois capítulos (um de bônus)... hauauhauhauha... Um obrigada especial ao meu Beta, BART SIMPSONNNNNN... ih... errei! Bart Chavessssssss! Hauhauah Ele vai me odiar quando ler isso.. U.U E também à Petit-chan, que foi a segunda a ler a fic (senão a primeira)... Bart demorou a ler por causa do trabalho, mas tudo bem... Vamos às respostas!

Lexas: Valeu! Gostei bastante e concordo, Afrodite (a deusa) nunca deixaria a Yuki numa prisão qualquer, e nem Ares ousaria tanto... rs... E bem, Yuki até tinha uma boa situação sócio-econômica antes de ir treinar, mas ela não era tãaao mimada... U.U

Petit: Que bom que você gostou! Sabe que você que aprova meus capítulos junto com o meu Beta, né! Mas tá faltando a Srta. atualizar "Ressureição"...

Rachel: Quem que dera se ele me beijasse também, se bem que prefiro o Dite... Faz parte! Se você quiser eu te envio um dos que voce mencionou por e-mail, é só falar! Acho que aumentei, sem querer, o tamanho da fic e os diálogos... ¬¬' Não repara não! Também tô com saudades, ok! Apareça! Vê se não demora muito tempo pra atualizar a sua fic também! A Yuki é especial porque ela tem uma parte do espírito da deusa Afrodite e se tiver outras razões... Depois se descobre! Beijos!

Gemini: Obrigada pelo elogio! Bem, desejo boa sorte com a fic, valeu! Espero que dê tudo certo! Ó, se precisar... Tô eu aqui! Té!

Vou indo! Beijos para todos e espero que tenham gostado!