Capítulo 7: Preparados? Vão!
Seguiu-se, então, uma conturbada semana de preparativos. Ambos se comprometeram a fazer com que tudo desse certo. Convites, vestido, bolo, festa... Tudo foi arranjado de última hora. Os convites foram feitos verbalmente. O vestido foi feito por uma das servas do Santuário. Era um vestido de verão. Tudo em relação à comida e à festa tinha virado responsabilidade de um buffet chamado Saint Barts, o mais badalado da cidade, o que significou um verdadeiro sacrifício para Saori e Kazumi, que conseguiram reservar um espaço em cima da hora na tão concorrida agenda de festas.
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Era véspera do casamento. Afrodite e Yuki tinham acabado de jantar. Ela sentou-se no sofá um pouco esparramada, visivelmente cansada. Já ele ligou o som em uma estação qualquer. Tocava uma música suave. Logo, ele deitou-se no sofá, pousou a cabeça no colo da amazona, que passou a acariciar seus longos cabelos azuis.
- Também está cansado, amor? – ela perguntou, suave.
- Sim... Mas pelo menos conseguimos organizar tudo, né? – ele sorriu, se sentando ao lado dela e contemplando-na.
- Verdade... – sorriu para ele. – Ah... Ouça... – colocou uma das mãos no ouvido - Parece que é de propósito...
Ele riu.
- Sim... Dança comigo? – levantou-se e ofereceu a ela sua mão direita.
- Claro.
O ritmo sensual e, ao mesmo tempo, romântico combinava completamente com eles. Seus corpos colaram-se e eram tomados pela música.
Eles começaram a se beijar ardentemente. As mãos de ambos começaram a passear pelos corpos um do outro. Beijavam-se até ficarem sem ar. Ambos, com os preparativos, acabaram por não ficar muito tempo juntos durante a semana.
Ele tateou com as mãos para trás até encontrar o sofá e puxá-la, fazendo-na seguí-lo. Eles caíram no sofá e pareciam querer cada vez mais um ao outro.
Ele beijava o pescoço dela e começava a levantar a blusa da amazona.
- Não... – ela conseguiu dizer, num fio de voz, ao mesmo tempo em que o afastava.
Ele suspirou e a soltou, sentando-se de qualquer jeito.
- Sua promessa, não é? – o cavaleiro a questionou, parecendo meio contrariado, mas tentando disfarçar.
Ela concordou com um aceno de cabeça.
- Desculpe... – falou, meio desajeitada.
- Não há do que se envergonhar... Nem se desculpar, muito menos. Uma promessa a uma deusa deve ser cumprida, principalmente, se for por uma armadura. – sorriu, calmo – Mas... Por que justo a castidade até o casamento???
Ela se assustou pela pergunta inesperada, mas sorriu com a expressão de mártir dele.
- Bem... A Hera é a deusa do Casamento... E Afrodite me disse que era a melhor opção que eu tinha... De qualquer jeito... Desculpe-me pela frustração... – acariciou a face dele e o beijou de leve.
- Ainda bem que você pode beijar... – e voltaram a se beijar, mas só.
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O tão esperado dia chegou e ambos os noivos estavam nervosos. O casamento aconteceria à tarde. Afrodite aproveitou para deixar a casa mais arrumada para quando ele e Yuki voltassem. Já a amazona passou o dia num spa da cidade, tudo providenciado, dessa vez, pela deusa do amor. O seu Dia de Noiva teve direito a sauna, banho de chocolate e massagens relaxantes, tudo digno de uma princesa.
Mais tarde, ao se dirigir ao hotel, para se arrumar, resolveu passar no templo da deusa que a regia, afim de agradecer todas as graças concedidas pela mesma, levando junto um buquê de flores.
- Aproveite, Afrodite – colocou as flores junto ao altar.
Dirigiu-se para o hotel, para arrumar-se com a ajuda da irmã e de Miya.
- Onee-chan (1)... – começou Yume, que usava um lindo vestido lilás.
- Fala, Yume – chamou, sentando na cama e amarrando as sandálias.
- Você e o Afrodite já... – corando rapidamente.
- Já o quê?
- Ah, você sabe, quero dizer, vocêsjátransaram? – disse rápido e corou mais ainda.
Yuki riu do constrangimento da irmã mais nova.
- Não, ainda não. Mas hoje... – e ficou rosa, ao pensar no que aconteceria pela noite.
- Sim... – sorriu a outra. – Então? Pronta?
- Aham! Como estou?
Yume observou a irmã. Estava com um vestido que batia um pouco depois dos joelhos e era bordado na barra, como também nas alças. Era branco, branco. Usava uma sandália que subia trançando na perna e os cachos lhe desciam como cascatas.
- Você está parecendo Yuki (2)! - e riu de leve.
- Isso é bom? - a noiva ficou apreensiva com a risada dela.
- Claro! A neve sempre é linda!
- Vamos? – perguntou Miya, abrindo a porta do quarto para vê-las.
A garota de cabelos cor-de-rosa vestia um sari azul claro.
- Sim – responderam as irmãs em coro e sorrindo.
No saguão do hotel, encontraram-se com Kazumi Sayame, que não poupou elogios. Um carro levou-os até o Santuário.
Afrodite estava debaixo da tenda montada nos jardins da décima terceira casa.
- E a Yuki, que não chega? - perguntou, nervoso, enquanto andava de um lado para o outro.
- Calma, Dite. - Aldebaran, que estava por perto, tentou acalmá-lo - Na minha terra é comum as mulheres se atrasarem! Lá no Brasil, toda noiva que ser preza chega atrasada! - deu uns tapinhas nas costas do amigo.
- Pero Yuki não é japonesa? - Shura perguntou, levantando uma das sobrancelhas - Que eu saiba japonesas não se a... - sua boca foi tapada repentinamente por Kamus.
- Não o deixe mais nervoso! - o aquariano sussurrou ao espanhol.
- Claro que japonesas também se atrasam... - Milo disfarçou, rindo, apesar do nervoso.
- Olhem! Tem alguém chegando! - Mu comentou, chamando atenção dos outros e mostrando alguns vultos de longe.
Afrodite, ansioso, rapidamente olhou para a direção para onde Mu apontara.
As garotas, Miya e Yume, foram na frente com Kazumi. Então, apareceu alguém que foi imediatamente notado.
Yuki estava com um brilho na alma. Apesar do vestido poder ser considerado simples, se comparado aos imensos e exagerados vestidos de noivas que desfilam por pelo mundo afora, Yuki estava incrivelmente bela. Afinal, o passado não mais incomodava, tampouco fora esquecido, mas se tornou parte do presente e, agora, também do futuro.
A cerimônia foi realizada civilmente e depois a festa foi à grega. Muita comida, muita bebida e muita música. Os noivos e os convidados se acabaram de tanto dançar. Miya era uma das mais animadas e, apesar de já chamar bastante atenção pela cor dos cabelos, roubou a cena. E foi secretamente notada por dois cavaleiros de ouro, que não sabiam o motivo de tal atração pela garota de sari azul-claro.
No meio da festa, Miya chamou Yume:
- Ei, tive uma idéia! Vem cá! – conduziu-a para longe da pista de dança.
- O quê? Fala!
- Bem... Hoje começa a lua-de-mel dos pombinhos...
- E...?
- Eles vão pra casa de Peixes depois da festa, para terem sua primeira noite juntos... Pensei de a gente deixar a casa bem romântica para os dois.
- Tá, mas a gente tem que descobrir quem está com a chave...
- Qual, essa? – e mostrou uma chave que tirou da bolsa.
- Como você...?
- Como consegui? – Yume concordou com a cabeça – Apenas dancei conforme a música e com o noivo – e riu.
- Danada! Mas... Vamos só nós duas?
- Por quê? Tá pensando em arranjar companhia?
- Não, não era isso – ficou sem graça.
- Eu sei, tava só brincando. Sabia que você ia ficar envergonhada. De qualquer jeito, pensei em chamarmos aqueles dois amigos do Afrodite.
- Quais?
- O Miro e o Kamus, é, acho que são esses os nomes daqueles dois ali – e apontou-os.
A morena agarrou a mão da outra.
- Miya, não seja tão cara de pau! E... O Kamus não é aquele que a Onee-chan(1) não gosta?
- Isso é passado, além do mais ele vai lá como amigo do noivo, e não da noiva.
- Se você diz...
- Aí, Kamus, aquela amiga da Yuki é uma graça!
- A de cabelos rosa? – perguntou, levantando uma das sobrancelhas.
- Essa mesma! Ih... Elas tão apontando pra gente...
- E parecem estar nos chamando. – completou o outro.
- Vai ser mais fácil do que pensei.
- E você, pensa alguma coisa, Miro?
Miro lançou um olhar de ódio mortal ao cavaleiro de Aquário, que apenas riu diante do ato do amigo.
- Vamos logo ver o que elas querem – disse o cavaleiro de Escorpião, indo pra perto das garotas.
Os cavaleiros se aproximaram discretamente.
- Queriam falar conosco? – perguntou Miro, galanteador.
'Ele não tem jeito' – pensou Kamus.
- Aham. É o seguinte... – e contaram o 'plano'.
- Podem contar comigo! – exclamou Miro, entusiasmado.
- Bem, se é pelos noivos, tudo bem – concordou o outro cavaleiro. – Mas e a chave da casa?
- A Miya já pensou nisso – esclareceu Yume, enquanto a outra balançava um chaveiro na frente deles.
- Então vamos! – declarou o homem de cabelos azuis, meio roxos.
Com cuidado, para que ninguém percebesse, os quatro foram saindo um a um. Primeiro Yume, munida da chave, depois Kamus, o que acabou deixando Miya e Miro sozinhos.
- Sabe, eu te achei muito bonita, Miya – comentou, charmoso.
- O mesmo eu posso dizer de você! – e piscou para ele – Mas temos de aprontar a casa de Peixes... – e saiu
- Viu o que não faço por você, Afrodite? – pensou alto e logo seguiu a garota de cabelos cor de rosa.
Miya chegou e notou que a porta estava encostada apenas.
- Yume? Yume? – chamou.
- Aqui! – respondeu, levantando a mão – Nossa! Ou esses dois são arrumados ou o Afrodite deu uma geral hoje...
- Ah, eles são arrumadinhos mesmo! A casa normalmente tá sempre arrumada, mas o Afrodite deve ter dado uma geral hoje, porque não tem nenhuma poeirinha – comentou a passar o dedo sob um dos móveis. – Ué? Cadê o Kamus?
- Ah, ele foi pegar uma legítima champagne e um balde de gelo. – falou Yume .
- E já estou de volta! – intrometeu-se, colocando o balde já cheio de gelo em cima da bancada da cozinha, bem à vista.
- Eu preciso que vocês arranjem velas e umas rosas vermelhas. – ordenou Miya.
- Achei velas! E fósforo! – comemorou Miro.
- Vamos espalhar pela casa. Principalmente pelo corredor, pra fazer uma espécie de trilha... Guiando para o quarto principal. – explicou a garota de cabelos cor de rosa.
- E as rosas? Aonde vamos arranjar? – perguntou Kamus.
- Ué? A casa de Peixes não tem um jardim cheio delas? – questionou Yume.
- Mas o Afrodite não vai ficar... zangado? – Miro completou o pensamento de Kamus.
- Ah, vai ser por uma boa causa, além do que, ele consegue criar rosas com o próprio cosmo. – convenceu-os Miya.
- Se você diz... – e os dois foram até o jardim.
- Miya, tive uma idéia!
- O quê?
- Dizem que depois de se... – e corou – de se... se... depois de se...
- Transar? – perguntou Miro descaradamente, entrando novamente com Kamus e deixando Yume ainda mais sem graça.
- É... É! Dizem que dá fome depois de se fazer isso.
- E como! – exclamou Miro naturalmente, levando um olhar reprovador de Kamus.
- Então... Pensei de a gente fazer algo pra eles comerem depois. O que vocês acham?
- Uma boa idéia. – Kamus contemplou.
Eles ajeitaram tudo e saíram o mais rápido possível. Kamus e Yume se separaram prontamente, mas os outros dois pareciam querer curtir um ao outro.
Quando o fim da festa estava chegando, Yume teve a impressão de que alguém ficou observando o ambiente por algum tempo e depois partiu. A morena, então, foi olhar o lugar de perto e só o que conseguiu ver foi um cabelo loiro saindo de seu campo de visão.
- Eu, hein! – exclamou e voltou para a festa.
Miya, lembrando que ainda estava com a chave, tratou logo de esbarrar "acidentalmente" com o cavaleiro de Peixes e colocou a chave de volta ao bolso dele.
Todos ainda estavam animados quando os noivos saíram de cena e, logo, se dispersaram. Uns ainda foram terminar a festa em outro lugar.
- E aí? Tá a fim de conhecer novos lugares, Miya? – Miro flertou-a.
- Tá, eu até estou, mas fica pra próxima, escorpião! Não é hoje que você me pica! – riu e foi andando. – Tchau!
- Ei, espera aí!
- O que foi?
- Isso – e a beijou, um beijo sedutor e ele sabia disso, pela experiência.
- Nossa, como você é venenoso!
- Obrigada! Mas só te dei o meu cartão de visita. Até mais!
- Ok, então! Até!
Afrodite levou Yuki no colo o caminho todo, inclusive ao entrar na casa. Qual foi a surpresa dos noivos ao encontrarem a casa toda iluminada por velas, enfeitada por pétalas de rosas, que pareciam guiar até o quarto. Em cima do balcão da cozinha, um grande balde de gelo, com uma aparente champagne. O casal ficou maravilhado e percebeu que perto do balde havia um recado.
"Especialmente para vocês, uma ótima e maravilhosa noite! Tem algo no forno para depois da 'noitada'.
Saudações,
Miya, Yume, Kamus e Miro.
P.S.: Aproveitem mesmo!"
- Provavelmente foi a Miya que escreveu, pois Yume é muito tímida e meio sem jeito pra escrever esse tipo de coisa – a amazona comentou e riu
- Mas essa última parte... Esse P.S. tem a cara do Miro! – e juntou-se a amada.
- Concordo, mas por que não seguimos não só os conselhos deles, como também a trilha que eles fizeram, hein?!
- Eu diria que é uma ótima idéia... - ele sorriu, sedutor.
Eles se beijaram e ela foi puxando-no pela camisa meio aberta, enquanto pisavam nas rosas. Ele tirou o smoking tão logo foi possível.
Se eles já tinham achado a sala linda, o quarto, então, lembrava o paraíso. A cama estava desfeita e coberta de pétalas de rosas vermelhas. A iluminação era feita por velas também e o quarto tinha cheiro do que enfeitava a cama, de mais rosas.
As roupas escorregaram por entre os corpos, iluminados à luz de velas. Os corpos de ambos eram lindos e pareciam se encaixar magicamente. Ele a colocou na cama sutilmente e tornou-a sua mulher. Eles se amaram mais e mais, até ficarem cansados em meio a tanta adrenalina que o corpo produzira. Estavam extasiados e dormiram mais abraçados que nunca, ela com a cabeça em cima do peito dele. A nudez do casal era escondida apenas pelo lençol que os cobria.
Acordaram logo, famintos. Foram à cozinha e abriram o forno, dando de cara com uma deliciosa torta de maçã, que estava muito gostosa por sinal.
- Eles realmente pensaram em tudo! – comentou Yuki, sorrindo.
- Concordo! E aposto que foi o Kamus que fez a torta.
- Eu posso não gostar muito dele, mas essa torta... Hmmmm... Tá boa...!
E os dias foram passando, um mais gostoso que o outro. Uns dias depois do casamento, após de conhecerem um pouco mais da cidade de Atenas, Kazumi, Miya e Yume foram embora. O tio das meninas tinha negócios a tratar. Já as garotas, apesar de terem que começar a treinar no Santuário dali a algum tempo, precisavam ajeitar algumas coisas na Índia antes de fazerem tamanha mudança.
FIM... Por enquanto! Até o próximo capítulo!
Ah, sim... Significado:
(1) onee-chan (japonês) – modo carinhoso de chamar a irmã mais velha, no caso, a Yuki.
(2) Yuki (japonês) - Neve, alusão ao nome da irmã.
Queria agradecer todos que lêem a fic, pelo apoio! E bem... Até agora a ação ainda não se revelou, mas em breve, ela vai aparecer mais na fic, ok?!
Beijos para todos, em especial para o meu Beta, who I miss so much! E, que, mesmo longe, não deixou de betar DAD e me dar uns puxões de orelha! XD
Yuki
P.S.: Não esqueçam de deixar uma review... Ela é tão importante! XD
