RAÍZES NEGRAS.
Há os que medem beleza. Há os que medem benefício. Há os que medem os dois e os que não medem nenhum. Para todos os medidores, as flores de raízes negras usam de repelir e proteger até a última pétala se desfazer.
Esta fanfic é pós Hogwarts e poucos personagens são meus.
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Capítulo 01 – The Bad Rock.
Mais uma vez seu nome lhe causou constrangimento. Asthuri Riddle não ligava realmente para isso, mas ficava levemente aborrecido em ter que explicar que era Asthuri, e não Tom. No final das contas nunca explicava, afinal, os documentos deixavam claro quem era ele.
Procurava uma forma de chegar à Nova Godric's Hollow, e perguntou a transeuntes pontos de referência. O único efetivo fora uma recomendação de um mendigo com poucos dentes. Ainda se lembrava da voz saindo num sopro:
"Há uma bifurcação. Se seguir reto encontrará um bar. A partir do bar você já está dentro da Nova Godric's Hollow. Moedas?"
Achou no mínimo estranho. Para quem vestia tantos trapos, o homem sabia bem como falar com as pessoas.
O fato era que estava diante desta bifurcação, e já conseguia distinguir um dos sons: Música. Pensando que o bar era o responsável pelo som alto, continuou a andar. Sentia-se certo. Talvez nem precisasse ter pedido ajuda. O colar em seu pescoço parecia ansioso, quase tremelicava.
Passado o pequeno túnel, The Bad Rock foi a primeira coisa que viu. Letras encantadas com neon, claro. E muita gente. O bar era enorme.
Desprendeu-se do pensamento e sentiu que deveria entrar. Não se arrependeu.
Encontrou alguém que podia lhe ajudar, e deixar-se levar pelas sensações que estava tendo era quase como se pudesse confiar em seus instintos. A diferença é que os instintos não eram próprios, mas sim do medalhão escondido embaixo de suas roupas.
- Asthuri! – Blaise o viu. O Riddle foi na direção do moreno imediatamente.
- Bom te ver, cara. – A voz era sossegada. Irritante. Asthuri falava muito devagar. – Já faz um tempo, não?
Pensando em agir com educação, descolou os olhos do Zabini para cumprimentar o restante da mesa.
- Pansy, olá. E você é...?
- Luna.
O colar em seu pescoço pulsou. Parecia inquieto.
- Luna Lovegood.
Pulsou uma segunda vez, como se quisesse dar-lhe um alerta. Internamente o Riddle estava aquecido. Luna Lovegood parecia ter ligação com o colar. Talvez quem sabe, Lovegood poderia ser até a verdadeira proprietária do outro acessório. Sorriu.
- É um prazer. – Silvou, beijando os nós de seus dedos exageradamente. Blaise pigarreou um pouco incomodado.
- O que faz por aqui, Asth?
- Pra falar a verdade, estava pensando em comprar uma propriedade.
O sorriso de Blaise pareceu vacilar, no entanto, o moreno foi extremamente agradável quando prosseguiu:
- Tem lugares melhores, mas dentro de algum tempo aqui será uma zona de elite, se já não é.
Luna e Pansy continuaram a conversar. Não ligaram realmente para o assunto dos dois, uma vez que estavam entretidas criticando a nova coleção de Jaline Owell.
Depois de alguns minutos de bate papo desinteressante, Asthuri olhou ao redor em busca de alguém. Blaise já podia imaginar quem.
- E Draco? Pensei que vocês ficariam grudados para sempre.
O Zabini franziu o cenho, guardando a vontade de ser rude.
- Ainda somos muito amigos. – Deu um gole em seu uísque de fogo, sorrindo logo depois. Os dentes de Blaise eram perfeitos. – Draco está vindo. Anda muito ocupado com o trabalho.
- Entendo. Será que posso me sentar com vocês? – Asthuri lançou um sorriso diferente do que Blaise conhecia. O moreno então, mostrando que estava com uma pequenina pulga remexendo em sua orelha, passou a língua nos lábios antes de gesticular positivamente com a cabeça.
- É claro que pode. Vamos esperá-lo juntos.
E então os minutos converteram-se em horas de espera. Asthuri estava remexendo as pernas embaixo da mesa, de tão impaciente. Bebia um coquetel de uma fruta tropical e exótica quando algo em seu pescoço pulsou repetidamente. Chegou a machucá-lo no peito.
- Ginny! Que bom que você veio. – O Riddle estava alheio à voz repentinamente animada de Luna Lovegood. O medalhão estava querendo prendê-lo àquela mulher ruiva, exatamente como um imã faria.
Numa fração de segundos, o artefato relaxou. Simplesmente parou de enviar correntes, para depois apenas eletrocutar cada célula de seu corpo.
- Draco, estávamos te esperando faz tempo. Tem algum motivo para você e a Weasley chegarem juntos?
Pansy estava ligeiramente mais engraçada depois que começou a treinar quadribol. Até Rita Skeeter estava curiosa diante do bom humor da Parkinson.
- Nenhum. – O loiro resmungou muito sério. Apesar de ele e a ruiva Ginevra Weasley estarem sempre no mesmo ambiente, não costumavam conversar diretamente. Eram sempre o alvo das gracinhas dos amigos. – Asthuri? O que faz aqui?
Asthuri estava paralisado. Os olhos estavam colados em Ginny, mas não pareciam filmá-la. Estavam deslocados, quase envoltos em outro mundo. Outra memória longínqua.
Com um leve tapa de Blaise nas costas, tudo voltou a funcionar. Era como se estivesse desligado.
Olhou ao redor tentando reconhecer o lugar, até encontrar Blaise e Draco lado a lado. A lembrança veio com um impacto maior do que ele esperava, e então estava em pé, dando as mãos para o colega Malfoy.
- Estou aqui para comprar uma casa. – Respondeu automaticamente, sendo observado de esguelha pelo Zabini. – E você, como está?
Draco o olhou um pouco torto. Ele percebeu, mas ignorou.
- Muito bem.
O loiro então se sentou perto de Luna. Foi só estalar os dedos que uma garçonete apareceu. Com um sorriso um pouco curto, atendeu a ele e a todos mais uma vez.
Já era tarde quando o assunto começou a ficar um pouco interessante.
- Então quer dizer que você voltou da Romênia fazem três dias? Lá estava bom? O tempo, eu digo. – Asthuri tentava falar com Ginevra de todas as formas. O colar sequer pulsava perto de Luna mais. Agora ele vibrava, e algo dizia ao Riddle que era por causa da Weasley.
- Sim. O tempo estava bom. – Ginny foi seca. Algo naquele homem não a agradava, e ela nem desconfiava do sobrenome que o tal carregava.
Blaise agradeceu mentalmente pela reação negativa da amiga. De repente não se sentia mais tão a vontade. Era como se, em segredo, estivesse sufocando.
- Blaise, você está bem? – Luna olhou-o com ternura. – Você está tão quieto... E meio sem cor. Vamos lá fora?
- Vamos.
Draco estava mais do que controlado. A situação o colocava num patamar de provação que ele não descansaria enquanto não ultrapassasse. Respirou bem fundo quando fitou todas as reações de Asthuri e de Ginevra.
Pansy apenas bebia ao seu lado.
- Asthuri, há algo em especial que o traz aqui?
O Riddle desviou lentamente o olhar de Ginny para o Malfoy. Um brilho estranho perolou no verde de suas orbes e o silêncio reinou por poucos segundos.
- Não exatamente. – Cuidadoso com as palavras, sentenciou: - Na verdade, nada que não seja uma boa casa para mim.
Um sorriso surgiu no canto dos lábios de Draco. O menino de fios loiros parecia guardar uma boa piada para aquela resposta, e Asthuri não se sentiu mais tão cheio de si quando viu a expressão relaxada do antigo amigo. Draco sabia de alguma coisa.
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- Acho que estou trabalhando muito. – Confidenciou à Luna, escondendo o real motivo de tanta estranheza. Ele mesmo não entendia a agitação que sentia. – Tenho ficado muito tempo em lugares fechados.
- Não sei como é. Vivo viajando. – A loira sorriu, admirando o tom de voz perdido do Zabini. A simplicidade do garoto a deixava muito a vontade. Juntou os braços em sinal de frio quando cruzou a porta de entrada do bar. – Vamos sentar naquela mesinha?
- Vamos. Acho que preciso conversar reservadamente com alguém que me compreenda. – Sorriu, vendo-a brilhar nos olhos. Sempre graciosa. – Não tenho uma blusa para te emprestar, mas pode sentar do meu lado.
Luna e Blaise sempre trocavam frases carinhosas. Eram o tipo de casal perfeito que ainda não se encontrou na própria obviedade das situações que enfrentavam. Sentaram-se lado a lado.
- Quem é...?
- Ele? Asthuri? Ninguém importante. – A postura do moreno pareceu ligeiramente mais rígida. Chamou um garçom com os braços enquanto tentava suavizar a grosseria. – Quer dizer... Prefiro que você não se meta com ele.
- Por que, Blaise?
- Não sei, Lu. Só sei que não fico contente em imaginá-la com ele. – Pausou o assunto propositalmente. – Uma porção de ovos de cobra, por favor.
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Finalmente sob o efeito do álcool, Asthuri começou a investir em Ginevra de forma exposta. Draco, completamente sóbrio, tinha uma ideia fixa na cabeça, e ela quase parecia com um aviso. O Riddle não estava ali por nada. Uma casa em Godric's Hollow, sendo Asthuri um Riddle, não significava muita coisa. E também... Precisava proteger suas posses. Se por um acaso perdesse bens preciosos para o sangue-sujo que o herdeiro de Tom era, Merlin não seria capaz de pará-los. Nem ele mesmo, sendo um Malfoy vingativo, nem o novo possuidor de suas relíquias.
A verdade ao redor de sua vida é que não queria se embrenhar em seu lado negro mais uma vez. Isso custaria sacrificar muitas das coisas que conseguiu sendo apenas Draco, e estas coisas virariam meios para o mal crescer em sua mente. Tinha a consciência de que cada artefato escondido em seus domínios tinham a capacidade de tomar-lhe cada pensamento bom, e estes pensamentos... Valem por qualquer dinheiro que já ganhou sendo um bruxo negro.
Diante de tantos motivos para descobrir o que Asthuri queria, tirar a Weasley da reta seria um dos últimos.
Não queria ser o novo Harry Potter. Queria apenas ser Draco Malfoy, com todos os altos e baixos que foi fadado a combater.
- E você mora aqui mesmo? Estou curioso para conhecê-la melhor.
Ginny se mexeu. Estava muito incomodada, e cada vez mais a cadeira do moreno parecia se aproximar da sua. Pansy já não estava mais lá fazia um tempo, mas ninguém notou sua falta. Draco porém, pensava em apelar. Muito provavelmente Ginevra se sentiria repelida pelo que ele ia falar.
- Eu? Sim, eu moro, mas...
- Asthuri Riddle... Sempre muito conquistador. – Draco sorriu de lado, provando da expressão da moça ruiva, que mudou na hora em que mencionou o nome idêntico ao do falecido bruxo Voldemort. – Eu ainda não... Onde vai, Weasley?
Gostava de seu cinismo.
E também gostou da atitude dela. Quanto mais cedo ela repelisse o cara, mais limpo o caminho ficava para ele pesquisar o verdadeiro motivo de Asthuri na cidade.
- Eu... – Mais uma vez ela gaguejou. – Eu vou embora. Estou muito cansada, sabe?
- Vou com você! – Asthuri levantou num pulo desengonçado. Apreensivo, Draco levantou-se também. Em duas passadas já estava ao lado da Weasley e a segurava pelo braço. Observou o sorriso distraído do outro, levemente carregado pela bebida.
- Minha namorada vai para a minha casa hoje, Asthuri. Não quer ir para lá? – Com um olhar de esguelha e um pequeno aperto mais forte na pele da ruiva, o loiro continuou: - Conversaremos lá. Mais aconchegante, entende?
Embora o sorriso tenha se dissipado, Asthuri aceitou no mesmo momento. Os olhos verdes escuros estavam analisando as mãos quase dadas do casal com um quê de desconfiança, mas ainda assim pareciam guardar uma surpresa. Esse fator mistério instigava o Malfoy, que cada vez mais entortava os lábios em sinal de desagrado.
Ginny por sua vez, continuou empedrada. Algo na voz de Draco denunciava que ele a estava intimando a prosseguir com aquela... Cena.
- Mas Mal... Draco! – Corrigiu-se. – Preciso ir para a minha casa.
- Não quero que fique longe de mim esta noite. – Nenhuma palavra era dita com um tom diferente. Sempre o singular som arrastado e sério. Desceu as mãos pelo braço da ruiva até encaixar a mão dele e a dela. Vendo que a moça estava enfrentando um dilema interno, inclinou-se na direção de seu rosto e sussurrou, disfarçando com um beijo em sua bochecha. - Vamos, Weasley!
E o pedido tão estranho e aparentemente necessitado de Malfoy foi aceito. O cheiro dele definitivamente ajudava. Perfume gostoso. Ginny encarou-o nos olhos até notar que havia algo esquisito. Como pode perceber apenas agora quando o loiro precisou de uma ceninha para arrastar um Riddle para sua casa? Será que os dois...?
Não queria entrar num ninho de cobras. Mas... Ela se lembrava! Blaise lhe garantiu que Draco sequer tocava no assunto "Magia Negra". Lhe garantiu também que ele não era mais o mesmo. Será que...?
- Você mora perto daqui? – O moreno de olhos verdes perguntou, sorrindo discretamente.
Draco negou com a cabeça, sentenciando logo depois:
- Vamos andando. Fica atrás do bar. – Virou-se para Ginevra. – Ginny, será que você pode chamar o Blaise e a Luna e avisá-los que estamos indo? Pansy provavelmente está curtindo algum mochileiro.
O olhar dele estava inquebrável. Completamente ameaçador. O calafrio estranho que a dominou quando ele a olhou e soltou a sua mão foi o elemento determinante para ela assentir assustada, saindo do ambiente primeiro que os dois homens. Não ouviu o que Asthuri disse antes de todos andarem até os domínios de Draco Malfoy.
- Gostosa. Se deu bem, hein?
- É.
Continua...
N/A: Obrigada a quem leu. Eu realmente gosto de receber criticas e opiniões para me empenhar mais.
Srta. Mandy Malfoy: Agradeço por isso. (= Espero que você curta este começo. :/
Miakah: Então espero que esse começo te satisfaça. Até a próxima!
