RAÍZES NEGRAS.
Há os que medem beleza. Há os que medem benefício. Há os que medem os dois e os que não medem nenhum. Para todos os medidores, as flores de raízes negras usam de repelir e proteger até a última pétala se desfazer.
Esta fanfic é pós Hogwarts e poucos personagens são meus.
xXx
Capítulo 02 – Negócios à parte.
Durante o caminho até a mansão Malfoy, que era curto, apenas Blaise e Luna conversaram. Ginevra andou lado a lado com Draco, e Asthuri seguiu um pouco atrás.
Passou-se uma hora desde que estavam aconchegados em frente a enorme lareira. Asthuri fazia diversas perguntas, e Blaise se questionava se aquele não era um interrogatório muito descarado. O Zabini fazia questão de deixar Luna e Ginny alheias a conversa dos outros dois homens. Draco estava esquisito demais para alguém que deveria estar confortável, e isso, de certa forma, soava como um alarme.
- Ah, não. – Draco maneou a cabeça, discordando. - Nosso namoro é recente. Tão, que Blaise e Luna nem estão sabendo.
Blaise parou o que estava falando, ajeitando-se melhor no sofá negro. Sorriu, repentinamente interessado pelo assunto.
- Você? Namorando?
Ginevra Weasley quis dar um tapa no próprio rosto. Entortou os lábios, mordendo-os. Estava nervosa. De constrangida, mesmo. Por que sentia que deveria continuar com aquela mentira? Talvez porque o herdeiro do Riddle a estivesse cortejando e porque ela estava sentindo que havia mesmo algo errado.
- Ginevra, conte para eles.
Draco era bom em mandar. Um sorrisinho canalha e uma piscadela graciosa de seus olhos cinzas foram o suficiente para Ginny assentir, engolindo o bolo de saliva.
- É verdade. Escondemos de vocês por...
- Sabia! – Luna falou, apontando para ela como se dissesse que a ruiva era culpada. – Vocês estavam sempre brigando por coisas idiotas. Sabia que era amor. – Com um biquinho, a loira riu junto com Blaise da cara dos dois.
Asthuri permaneceu inexpressivo.
- Não façam essa cara, pombinhos apaixonados.
Ginevra cruzou os braços. Draco, por sua vez, sorriu deliciado. Ele gostava de irritar. E a Weasley percebendo que ele estava gostando de tudo aquilo que ela julgava palhaçada, decidiu irritá-lo também.
- Apaixonados mesmo. Mas Draco não gosta muito de ser descoberto, sabem? – Sem vacilos na voz. Blaise riu, assentindo.
- Tá certo. Ainda estou um pouco surpreso, mas acho que já esperava.
- Fui mais rápido que você, Zabini. – É claro que o loiro não perderia a oportunidade de alfinetar.
Estavam tão entretidos que não perceberam que Asthuri roncava no sofá. Álcool agindo. A primeira a notar fora Luna, que cutucou Blaise e apontou para o homem. Este respirava tranquilamente, completamente disperso. Draco, no entanto, não quis aproveitar a oportunidade e falar o que estava acontecendo por ali para Blaise e Ginny. Se tivesse que despejar os problemas, porque ele tinha certeza que o Riddle era um, que fosse num lugar bem distante. E longe de Luna.
Ele confiava sim nela, mas... Ele não queria metê-la em algo que nem sabia o que era. Ela parecia inocente demais para notar qualquer tipo de malícia.
Como Blaise podia gostar tanto dessa esquisita, afinal?
- Asthuri. – Chamou, tocando-o de leve. Não precisou falar uma segunda vez. Os olhos grandes já estavam a espreita. – Ohha!
A pequenina elfo doméstica apareceu imediatamente.
- Leve-o a um dos quartos de hóspedes no...
- Não é necessário. Ficarei desperto. – O moreno esticou os braços. – Perdão pelo cochilo. – Olhando para a pequena orelhudinha, o moreno sorriu. Um sorriso muito diferente. – Me traz um suco de abóbora, elfo.
Draco gostaria do tom. Se fosse ele a falar.
Asthuri estava mandando em seus pertences. Era isso ou estava ficando preocupado demais. Ele imaginava que os dois. Não podia dar nenhuma liberdade.
- Não fale assim com a Ohha, Asthuri. Ela á apenas um elfo doméstico. – Seu tom de voz era seco e áspero. Draco tinha feições muito sérias. – Que tal alguns doces? – Levantou do sofá, estendendo a mão para a ruiva. Agradeceu mentalmente por ela não ter hesitado. Pequenos deslizes gerariam enormes desconfianças.
Foram todos até a sala de jantar, que estava próxima a sala de estar. Luna sempre acompanhada de Blaise, que estava apreensivo. Ele confiava no relacionamento e na palavra do amigo Malfoy, mas não podia negar que aquela confissão deixara uma sensação esquisita.
Ginny, com as mãos apertadas nas do namorado, finalmente começara a reparar na decoração antiga e cara da casa. Os móveis eram todos de madeira, e a cor estava próxima do tabaco. Muitos quadros davam um ar mais bonito à mansão, mas eles não se mexiam. Quadros trouxas? Estranhou um pouco. O fato é que estar ali, dentro daquele lugar, naquela atmosfera, parecia muito bom. Algo como fazer parte de uma arte. Era tudo tão limpo e belo... Artigos artísticos de primeira!
Alguns retratos eram desenhados. Idênticos. Pai e mãe do menino Malfoy em muitos deles, separados em uma mesa distante de onde olhos afoitos e maravilhados geralmente se postavam. A Wealsey, num relampejo, quis saber se tudo aquilo era algo que ele gostava. Porque se fosse, ele tinha um gosto muito apurado.
Enxergar um Malfoy como algo bom era estranho, mas familiar. Como se Gi quisesse. Como se antes já estivesse convencida, mas não pronta para admitir.
- Está dormindo? – Rugiu, olhando-a bem nos olhos. Estavam parados em frente à mesa. Todos os convidados já sentados. Percebendo que apertar o braço da moça sardenta obviamente não era uma demonstração lá muito carinhosa, aproximou o rosto do dela, roçando os narizes.
Uma grande corrente pareceu eletrizar todas as células de Ginny e ligá-las umas as outras quando a respiração controlada e morna de Draco lhe acariciou a ponta do nariz. Ele tinha um hálito diferente. Um cheiro melhor do que menta. Parecia... Melancia? Uva?
- Ginny! – Luna exclamou, olhando-a diretamente. – Senta logo.
- Agora que contaram a novidade vão ficar se esfregando por todos os cantos? – Blaise perguntou, vendo Ohha aparecer com duas tigelas grandes. Bateu os garfos na mesa. – Tentem não fazer isso enquanto eu estiver comendo. Pode ser? – Olhou para a elfo. – Ohha, essa tigela é minha sobremesa?
- Tente não falar enquanto eu estiver por perto. – Draco rebateu para o amigo, percebendo que Asthuri não gostava muito de quando ele se aproximava de Ginevra.
A elfo ficou sem graça. Sempre que interagia com alguém, era com Blaise. Mas não na frente de Seu Senhor.
- Não, Senhor Blaise. – Sorriu com os olhos, sendo admirada por Ginny e Luna.
- Senhor não, Ohha. Já conversamos sobre isso. Blaise está bom.
- Onde já se viu, tratar uma empregada dessa maneira. – Sem nenhum jeito, Asthuri empurrou seu prato e nem sequer olhou para Ohha, que apenas o serviu.
- Asthuri, nós não somos seu pai. Você mesmo sabe que ele não era dos mais educados, não é? Aqui Ohha tem direito de resposta.
A verdade é que Draco nunca deixara a baixinha responder. Gritara algumas vezes com ela, mas nunca porque ela merecera. Ele sempre estava de cabeça cheia quando a agredia. Já a agrediu. E se arrependeu, mas não falou em voz alta. Deu folga o resto da noite para a coitada, quando na verdade já era madrugada.
Ele tinha outros elfos, mas Ohha era a favorita de seus pais. E a dele. Ela era sempre carinhosa, e por isso todos gostavam dela. No final essa era a carência. Precisavam de atenção. Todos eles.
Luna bocejou, acordando Draco de seus devaneios.
- Vocês dormirão aqui esta noite, não? – Dirigia-se a Blaise e Luna. – Eu gostaria que vocês ficassem. Já está tarde.
Ginevra, no entanto, estava quieta. Ereta ao lado dele. Gostou de como ele defendeu a elfo. E para piorar, cada vez mais percebia que gostava de algo referente a ele. Estendeu seu prato para Ohha.
- Quero o de chocolate. – Falou baixo.
- Você parece estranha, Ginevra.
Ginny olhou para Asthuri bem devagar. Colocou seu prato de sobremesa em frente ao seu corpo quando a elfo terminou de lhe servir, sorrindo logo em seguida. Havia inventado uma boa desculpa.
- Acho que não estou bem do estômago. Não se preocupe.
- Você quer algum chá? – Draco perguntou, virando-se para olhá-la. O cenho franzido. Ginny negou com a cabeça, enchendo a colher de pavê de chocolate. – Acho melhor você não comer isso.
Draco afastou o prato de sobremesa de Ginevra, tirando-o de seu alcance. Luna sorria com a boca cheia de chocolate. Os dentes todos marrons. Sorriso de quem acha algo engraçado, e que com certeza comentará depois sobre.
- Quantos anos você tem, Luna? – Draco perguntou, assistindo sério aos risos da loira, que cada vez mais pareciam avançar para uma gargalhada sem fim.
- Draco, quantas vezes vemos você preocupado com a namoradinha? – Blaise perguntou em defesa da Lovegood, rindo também.
- Ele só está me ajudando. Vocês que são dois idiotas. – Ginny resmungou, mas na realidade estava emburrada por não poder comer doce.
- Obrigado. – O Malfoy concordou.
- Estou satisfeito.
Asthuri era totalmente inconveniente. Todos ao seu redor se calaram enquanto o prato dele era retirado da mesa por Ohha. Ele mesmo desfez o silêncio.
- Blaise, é verdade que você achou um dente de fênix?
Blaise levantou a cabeça de seu prato, exatamente como Ginevra fizera minutos atrás. Puxou uma corrente de seu pescoço, mostrando o dente com um sorrisinho discreto.
- Poxa, que legal. É uma peça e tanto, não? – O Riddle pareceu mais interessado, arrumando-se na cadeira. – Tem mais peças conquistadas?
Agora Draco estava convencido de que Asthuri não estava ali para comprar uma propriedade. Tinha a certeza de que o moreno estava planejando saber mais sobre algo que um deles possuía. O que o estava desconcentrando, era o fato do homem sempre alternar entre ele, Blaise e Ginevra. Estaria o Riddle querendo saber quem era o dono do que ele procurava? Muito provavelmente.
- Até tenho, mas acho melhor nós conversarmos amanhã. Estou com bastante sono. – Visivelmente incomodado, Blaise levantou da cadeira e sorriu para Draco. – Já sei onde devo ir. Boa noite, pessoal.
- Vou com você! – Disseram Luna e Ginny em uníssono.
- Me espere no meu quarto, Ginevra. – Draco falou, alheio aos risinhos dos amigos. Voltou-se para Asthuri. – Você é algum colecionador?
- Sim. E comprador também. – Sorriu para o Malfoy, desviando o olhar para ver Ginny subir as escadas. – Algo a me oferecer?
- Minha namorada certamente que não. – Levantando, o loiro riu e maneou a cabeça. – Lhe levarei ao seu quarto. Negócios à parte, meu caro.
Continua...
N/A: Obrigada a quem leu, embora eu ache que não foram muitos. HAUHAUAHUAHAHU Agradeço à Rafaela pela review. Aí está a pequena continuação. Nada a declarar sobre, já que não há muitas dúvidas pra eu sanar. Espero ver alguém na próxima. Até mais!
