RAÍZES NEGRAS.

Há os que medem beleza. Há os que medem benefício. Há os que medem os dois e os que não medem nenhum. Para todos os medidores, as flores de raízes negras usam de repelir e proteger até a última pétala se desfazer.

Esta fanfic é pós Hogwarts e poucos personagens são meus.

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Capítulo 03 – Morno.

Ginevra fora indicada por Blaise onde o quarto de Draco ficava. Especialmente porque estava desorientada, foi com Luna e o moreno até um dos quartos de hóspedes primeiro.

- Draco está esquisito. – Blaise comentou assim que Luna encostou a porta. Sentou-se na cama de lençóis claros. – Não em relação a vocês, - Olhou para Ginny, referindo-se ao repentino segredo de que a ruiva e o loiro estavam tendo um relacionamento. - mas sim em relação a Asthuri.

- Não gosto dele. E o nome que leva... Ele me deixa arrepiada de medo. – A ruiva segredou, pensando se deveria contar a verdade aos dois ou esperar entender o que Malfoy planejava.

- Não é só você. E mais do que nós, Draco está encanado. Dá pra notar. Provavelmente sabe de algo que não sabemos.

- E como você sabe, Blaise? – Luna ficou de joelhos na cama, ao lado dele. Ele olhou-a, sorrindo sem graça.

- Apenas o conheço por um longo tempo.

E com o olhar de Blaise e a certeza em sua voz, Gi concluiu que esperar entender por Draco o que estava acontecendo em volta deles era o melhor a ser decidido.

Depois de muita conversa deitados na cama, a Weasley percebeu que Blaise e Luna estavam magicamente envolvidos numa bolha separada da dela. Não estava no lugar certo. Ela não fazia parte da cena. Olhou-os.

- Estou saindo.

E para sua surpresa, eles continuaram a conversar.

Abriu a porta e a fechou sem barulhos, andando na ponta dos pés até o quarto de Draco.

- Você está quase dormindo, Luna. – O Zabini deu risada da cara sonolenta da menina. – Sério, vou parar de contar. Melhor você dormir.

- Você pode me contar se quiser. – Ela deu de ombros, encolhendo as pernas e virando para ele. Olharam-se, e logo em seguida ela bocejou. – Ok, eu estou mesmo com sono.

Blaise puxou-a de encontro ao seu peito. Ela não deixou de ficar surpresa, porque não esperava que ele fosse lhe acolher daquela forma. Não imaginava que ele seria tão ousado. Ou repentino. Ainda assim, mesmo vermelha, não se afastou. Estava gostando do contato. Estava gostando da segurança que lhe acometeu.

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Andando por entre diversas portas, Ginny finalmente encontrou o quarto do namorado. Apesar de já ter sido apresentada ao cômodo por Zabini, perdia-se na imensidão do corredor. A porta era de um marrom mais escuro, e por isso sabia onde deveria entrar. Era definitivamente sombria, mas bela. Quando encostou na maçaneta, uma voz familiar brincou com seus frágeis sentidos.

- Meu quarto fica lá para trás.

Os únicos membros a se mexerem de primeira foram seus olhos, arregalados. Começou a tremelicar segundos depois. Havia escutado a voz de Tom Riddle?

- Não seja indelicado com a minha mulher, Asthuri.

Quando o Riddle virou para encarar Draco atrás dele, na ponta da escada, Ginny aproveitou para entrar no quarto "calmamente". Por pouco não bateu a porta com força. O peito subia e descia. Esfregou os olhos e colou as orelhas na madeira. Tudo que ouviu fora um arrogante:

- ... não a incomode mais.

E sentou-se num pequeno e aconchegante sofá no breu do quarto.

Draco entrou como foguete, bateu a porta e bufou. Puxou-a pelo braço até a suíte, retirando sua varinha das vestes. Ela se assustou ainda mais, mas ele a fez ficar quieta com um sinal.

Fez um feitiço abafador.

- Não pergunta. Você precisa ajudar com isso. – Draco sentou na tampa da privada, passando a mão no rosto. – Ele está atrás de algo. Eu não sei o que é, mas tenho certeza que procura por alguma coisa. Alguma coisa que está entre nós quatro. Eu, você, Luna e o Blaise. Preciso te perguntar isso: – Pausou. – De tudo o que você tem, há algo especial, com valor histórico ou econômico?

Soaria como uma piada se a situação não fosse... Peculiar. Talvez perigosa. Provavelmente perigosa.

- Não sei. – Ela o olhou. Encostou-se na porta. – Me perguntando assim, não consigo saber! Tenho prataria de ouro, tenho...

- Não seja imbecil, Ginevra! Eu falo de coisas de valor inestimável, seja que valor for este.

Ginny não se incomodou com seu nome sendo dito espontaneamente. Na realidade não notou. Estava interessada em retrucá-lo.

- Não tenho, Malfoy.

- Nem sei porque perguntei para você. É óbvio que não tem. – O Malfoy a olhou nos olhos, levantando o dedo indicador. – Continuaremos com isso. E ele não pode desconfiar, entendido? Vamos falar amanhã com Blaise e Luna. Preciso descobrir o que ele quer. Se for alguma riqueza da minha família, eu vou matá-lo com as minhas mãos e o sangue dele manchará minha honra. Nada sairá daqui.

Ginny ficou o encarando, notando enfim que ele estava falando realmente sério. Assentiu. Quando pudesse, seria a primeira a abandonar o barco.

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O dia amanheceu nebuloso. O sol fraco não fazia mais que iluminar, e um casal estava sendo privilegiado pelo seu majestoso reinado.

Blaise e Luna não se encostavam, mas quase estavam encaixados. O corpo grande e musculoso de Blaise circundava o menor e esguio de Luna. Ela estava acordada.

Estar tão perto de Blaise lhe mexia com os hormônios, mas inevitavelmente mexia também com seu coração. Era uma sensação diferente. Levantou da cama bem devagar, levando consigo a sua varinha. Nada de escovas. Magia lhe pentearia os cabelos e escovaria seus dentes.

Não demorou para que ele lhe chamasse. A voz estava baixa e séria, como sempre. Mas ela sabia que quando saísse do banheiro o encontraria sorrindo. Assim aconteceu.

- Você sabia que Draco e Gi estavam se pegando?

Ela riu, negando com a cabeça. Encostou-se no batente da porta do banheiro.

- Ginny nem me disse.

- Acho que eles estavam com o orgulho ferido demais pra nos dizer.

Sempre soube que existia uma paixão, porque depois de tanto tempo juntos, ainda assim não se aceitavam e... Sei lá!

- É. Você tem razão.

- Vamos descer? Vou escovar os dentes. Se quiser ir na frente...

- Te espero. Daqui a pouco preciso ir pra casa. Tenho que tomar um banho.

- De Domingos, né? Tinha esquecido que era data especial.

Rindo juntos, sempre juntos, desceram minutos depois para onde alguns arrogantes resmungos eram pronunciados.

- Sirva direito. Dê aleluias que não a mando beijar minhas mãos.

- Coloque na mesa e saia. – Blaise interviu, sentando numa cadeira em frente a Asthuri e vendo a elfo sair rapidamente. Luna sentou ao seu lado. – Você não pode pensar que manda aqui, cara. Draco fica bravo pra caramba com essas coisas.

- Draco nem está aqui. – O outro homem silvou, pigarreando em seguida. – Dormiram bem?

- Eles dormiram muito bem, Asthuri.

Se o Riddle ficou incomodado com Draco descendo as escadas sorrateiramente, não demonstrou. Emendou o assunto rapidamente com um tom de voz bem calmo.

- E Ginny?

- Ginny? – O loiro repetiu, mostrando que chamar sua namorada por apelidos íntimos não era exatamente permitido. – Ginevra está dormindo. – Aproximou-se da mesa. – E você? Dormiu bem?

- Perfeitamente. Muito aconchegante, seu quarto de hóspedes. Não me importaria de dormir ali durante um bom tempo.

Blaise ergueu a sobrancelha, entendendo completamente onde o moreno queria chegar. Olhou para Draco, que apenas exibia um sorriso lateral.

- Sente-se conosco. – Continuou o convidado, ciente de que estava soando cara de pau.

- Depois. Antes vou pegar uma bandeja com café para quando a Ginevra levantar. Sirva-se a vontade.

Deixando os três a sós, Draco rumou para a cozinha definitivamente indeciso. Será que era realmente ele o alvo? Será que ficar ali era uma espécie de estratégia?

Ele mesmo colocou o café na xícara e jogou nada cuidadosamente alguns de seus cookies favoritos num pratinho pequeno. Sua adorável elfo estendeu timidamente outro pratinho. Dentro haviam dois mistos quente. Sem nenhuma palavra agressiva ou um agradecimento, o loiro aceitou e rumou para o quarto mais devagar do que andava habitualmente.

Luna dizia:

- Minha família já foi rica, mas depois que minha mãe faleceu, meu pai desenvolveu algumas doenças e vícios. Não nos sobrou muito.

A consciência de Draco rugiu. Aos poucos o Riddle colocava cada um contra a parede, e não duvidava que dentro de pouco tempo conseguiria pressionar todos o suficiente para encontrar o que tanto buscava.

Subiu as escadas enfim e sumiu no corredor.

Ao abrir a porta, encontrou Ginevra totalmente torta. Estava tomando todo o espaço de sua cama.

Noite passada, quando deitaram juntos, ela lhe pediu e ele alinhou com magia vários travesseiros entre eles. Ela dormiu em minutos, mas ele demorou a pegar no sono. A presença de um Riddle o deixava inquieto.

- Ginevra. – Ele chamou, colocando a bandeja em cima da mesa de madeira. Esta não estava tão perto assim da cama como sempre esteve.

Ela lhe respondeu com um resmungo.

- Ginevra, acorda. Pelas barbas! – Com alguns petelecos ela finalmente abriu os olhos e se espreguiçou, mas ao vê-lo, pulou da cama.

- Que susto, Malfoy! – Agarrou-se ao lençol.

- Eu quem deveria dizer isso. Seu cabelo está em pé. – Apontou a bandeja e a olhou. – Ali está seu café da manhã. Use o chuveiro se quiser. Tenho camisetas na primeira gaveta.

Quando ele saiu do quarto, Ginny observou a bandeja que ele lhe trouxe. Desarrumada. Ela sorriu. Seria muito pedir organização de um homem rude como Malfoy.

Levantou-se e andou até o armário. Era negro. Haviam seis puxadores. Eram seis portas. As três gavetas gigantescas ficavam abaixo. Abrindo a primeira, lá estavam as camisetas.

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Melanie Ross pousou a vassoura em frente à lanchonete de Boss Ricca. Pomposa como sempre foi, bateu o salto e entrou no estabelecimento sorrindo. Encontrou a dona do local antes mesmo de ensaiar um sorriso maior.

- Boss! Que saudades! – Abraçou a amiga dos tempos de escola e sentiu a fragrância doce da moça.

- Mel, como você está bonita! A França te fez muito bem. – Ainda olhando uma para a outra, sorriam como se tivessem sido grandes confidentes.

- Obrigado. Você também está linda com essa barriguinha. Quantos meses?

- Seis. – Boss sorriu apaixonada, massageando a barriga logo depois. Continuou: - Quer saber do Draco, certo? Por isso está aqui.

- Não só por...

- Também por ele. Eu entendo, Mel. – Sentaram-se em volta de uma mesa, numas das cadeiras encantadas, que automaticamente se encheram de plumas protegendo-as do vento desagradável. – Ele está bem. Está mais magro, mais sombrio e mais bonito também. Fala pouco desde você sabe o quê. Anda sempre arrumado e impaciente. Tem um bar que estreou não faz tanto tempo. É o bar-referência daqui. Ainda solteiro, até onde sei. Pretende ir vê-lo?

- Será a segunda coisa que farei. A primeira será tomar café da manhã aqui com você.

Melanie era aparentemente simpática, mas não era muito paciente. Depois que conseguia o que precisava, a satisfação a fazia agir como ela mesma.

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- Asthuri, me diz... Que tipo de imóvel pretende comprar? – Draco tomava seu suco de frutas tropicais calmamente. Blaise o olhava estranho.

- Não muito grande, mas apenas confortável. É bom estar aqui, sabe? O mundo trouxa tem ficado violento ultimamente.

- Não é uma grande novidade. Em todos os meus encontros com trouxas tive problemas.

- Eles são como nós, porém sem magia. – O tom de defesa do Riddle não escapou aos ouvidos de Blaise e Draco. Luna comia devagar, mas não os escutava.

- Eu os acho diferentes, mas não me incomodo muito. – Blaise comentou, dando de ombros e tomando também seu suco.

- Esse suco é de laranja. Laranjas daqui são todas vindas do Brasil. Brasil é um país de trouxas.

- Eu não disse que eles são inúteis. – O Malfoy lembrou, sorrindo logo depois.

Ginevra desceu as escadas assim que seu namorado terminou de falar. O loiro ficou surpreso por vê-la usando uma camiseta branca sua, que ela provavelmente achou em seu armário.

A ruiva andou até o rapaz e colocou uma das mãos no ombro dele, bocejando naturalmente.

- Perdão. Bom dia. – Falou para todos. Passou os braços bem devagar pelo pescoço do loiro até conseguir fechar as mãos em seu peito. Beijou o rosto de Draco sem muita firmeza. Estava um pouco nervosa, mas sentiu que o ato serviu para intimidar um pouco que seja o convidado da casa. Andou para perto de Luna, já que a cadeira vaga perto de Draco estava ao lado de Asthuri. – Como dormiu? – Perguntou para a loira, colocando um pouco de suco num dos copos que estavam na mesa.

- Muito bem, Gi. E você? Dormiu?

A pergunta era pervertida, e foi por isso que a ruiva desviou os olhos e acidentalmente os esbarrou em Asthuri.

- Dormi.

O moreno estava sério, mas os olhos pareciam zombar dela. Instigavam a deixá-la constrangida. O vermelho se instalou em segundos em seu rosto. Blaise teria continuado a mexer com a ruiva junto com Luna se não fosse pelo som da campainha.

A elfo não era quem recebia visitas, mas sim Draco Malfoy. A ordem fora dada por ele mesmo. Bufando, levantou-se e foi a passos bem vagarosos até a porta de madeira. Até ele chegar no portão de fora demoraria muito.

Saiu despreocupado, ainda sentindo o resquício do toque quente de Ginevra acariciar seu pescoço. Sentiu depois, o vento gelado adentrar suas roupas, e seu corpo quente colapsou por segundos. Um arrepio lhe subiu dos pés até a cabeça. Quando estava um pouco mais perto, levantou os olhos. Desejou não ter saído da cama. Melanie Ross e cinco grandes malas flutuando ao seu redor esperavam-no pacientemente.

- Draco! – Ela gritou, sorrindo abertamente. Não tinha pior hora. Naquele momento, naquela situação... Era uma péssima hora.

Continua...

N/A: Agradecida pelas reviews, meninas! Aí está mais uma atualização. Espero que estejam gostando, porque é através do comentário de vocês que arranjo vontade. Um beijo e até a próxima!