CAPÍTULO 5- DESCONHECIDO

Sam's POV

O quarto estava muito iluminado e eu tive certeza que não era cedo ainda.

Onde estavam os outros dois, Dean e Rebecca? Eu me sentei na cama, deixando o cobertor cair no meu colo mostrando que eu estava sem camisa e olhei pra minha esquerda, para a direção da cama de solteiro. Um montante comprido estava lá e eu percebi que era Dean. Ótimo, pelo menos um dos dois estavam lá. Mas, se meu irmão estava aqui, onde estava Rebecca?

Examinei o quarto, com uma cara assustada, e parei quando vi outro montante ao meu lado, um montante menor, menos volumoso, de costas para mim. De onde eu estava dava para ver o relance de seu rosto, os seus cabelos, e a pude ver enrolada em um lençol, provavelmente sem roupa, pois sua clavícula estava exposta, assim como alças de um provável sutiã. Eu enruguei meu cenho.

O que Rebecca estava fazendo deitada na mesma cama do que eu sem blusa? Será que, quando ela foi me fazer massagem e eu dormi, ela apagou também? Será que Dean viu a gente desse jeito? Eu seria por muito tempo motivos de piadas.

Mas, e se eu tivesse feito algo com ela e não estivesse me lembrando? Engoli em seco. Nada aconteceu. Nada aconteceu, repeti mentalmente.

Suspirei e me levantei, sentindo um vazio enorme no estômago e vestindo minha camisa.

Na cama de casal, no lado da Rebecca, jogado no chão, eu vi uma calça jeans e uma blusa roxa. Dei uma risadinha, vendo que eu estava certo, e foi bem no momento em que Rebecca se sentou na cama. Ela deu um suspiro e esfregou os olhos, os abrindo e olhando para mim. Rebecca sorriu para mim.

– Sam! Você acordou – cochichou. Ela segurou o lençol contra o corpo e levantou, pegando suas roupas no chão. – Espera!

Ela entrou no banheiro e ficou lá por menos de um minuto. Saiu de lá vestida e tacou o lençol por cima da cama.

– Que horas são? – perguntou.

Olhei no meu celular.

– 16h17min – respondi.

– Está com fome? – falou. – Você não comeu nada o dia todo. Dean e eu já comemos um lanche que eu comprei... Quer o seu?

– Claro – eu disse imediatamente. – Eu estou mesmo com fome. Mas, espera. Por que você estava sem roupa?

Ela sorriu recatadamente.

– Aquela blusa é cara demais para eu acabar rasgando-a enquanto dormia e dormir de calça jeans dá estrias – justificou.

Eu levantei as sobrancelhas. Era só pegar uma roupa mais confortável.

– Bem, já volto.

Ela pegou uma sacola e saiu correndo do quarto. No mesmo instante, Dean sentou-se na cama e deu uma gargalhada.

– Sammy, ela está louca por você!

– O que você está falando, Dean? – murmurei nervosamente.

– Oras, não se faça de desentendido. – Dean deu um sorriso torto, maliciosamente. – Você viu que ela dormiu sem roupa na mesma cama que você e ela foi preparar seu lanche correndo quando viu que você deveria estar com fome. Você é um bobo, deveria ter aproveitado. Ela dormiu ao seu lado a noite inteira sem roupa e você nem tirou casquinha.

– Ela é educada – defendi.

– Sei... Protegendo a namorada.

A voz de Dean mostrava deboche e ciúmes? Enruguei o cenho. Talvez ele não quisesse que Rebecca tivesse alguma preferência masculina que não fosse ele. Eu ri baixinho.

– Dormimos 10 horas! – exclamou ele. – Aposto que podemos passar a noite investigando tudo.

– Investigando o quê? – perguntei. – Nem temos nada o que investigar. A mulher que Rebecca conversou não sabia de nada!

Dean deu o mesmo sorriso malicioso de antes.

– Oras, você acha que eu conversei com a recepcionista só para jogar um charme? – desdenhou, ofendido. – Ela tinha muitas informações.

– Quais? – falei.

– Bem, ela disse que acharam Karine no chão da sala, bem despedaçada e sem o coração. Disse que a porta estava aberta, a janela da sala também e que acharam uma gota de um sangue na sacada que era de DNA desconhecido. Você sabe que isso significa, né? Que é uma pessoa.

Eu assenti.

– E a cena do crime? – questionei.

– Bem, Angelina disse que a cena continua do mesmo jeito, mas está guardada por policiais. Rebecca teve uma ideia.

Estreitei meus olhos.

– Que ideia? – murmurei.

– Ela vai distrair os homens e a gente entra – explicou.

– Como ela vai distraí-los? – Fiz uma careta.

– Distraindo... Como uma garota distrai um homem? Jogando charme, é óbvio.

Eu não gostei do plano.

– Certo. Eu não concordo, mas aceito.

Dean deu um sorriso, mostrando os dentes.

– Vamos esperar ela voltar para discutirmos mais sobre isso e tomarmos algumas decisões.

Eu concordei com a cabeça, imaginando como Rebecca pareceria conquistadora seduzindo os caras. Suspirei, sem saber por que isso não me agradava. Era como se ela fosse minha irmã e eu estivesse pouco à vontade para deixá-la livre.


Dean's POV

Eu me levantei da cama e me espreguicei.

– Larga de ser otário, Sammy. Está meio que na cara que vocês se amam – provoquei. Rebecca parecia mesmo na dele.

– Cara, cala a boca – mandou, de cara fechada.

– Ela é uma gata, você sabe disso – comentei. Eu pisquei para ele e lhe dei duas cotoveladas na costela, sorrindo maliciosamente. Ele revirou os olhos.

– Eu a considero da família – disse. Eu enruguei o cenho e depois continuei o sorriso.

– Case-se com ela, aí ela será oficialmente da família... Uma Winchester.

Ele revirou os olhos, de novo.

– Ela é realmente como uma prima para mim – explicou.

Foi a minha vez de revirar os olhos.

– Qual é? Vocês não se conhecem nem a 24 horas – falei.

– Por isso mesmo. Como você sabe que ela simplesmente me quer se não passamos nem um dia juntos?

– Vejo nos olhos dela.

Eu fui ao banheiro lavar meu rosto e percebi que Sam não falaria mais sobre isso. Bufei, Sam era um estúpido! Se fosse comigo, eu aproveitava a chance.

Mas, logicamente, não parei por ali.

– Olha, eu posso deixá-los sozinhos uns minutos, se você quiser... – comecei, mas vi que a porta estava se abrindo e Rebecca estava entrando. Só aí eu me calei.

Ela entrou com um prato e um copo de Coca, sorrindo para Sam.

– Pronto. – Ela entregou tudo a ele. Sam estava sem-graça, evitando olhar diretamente para os olhos dela.

– Obrigado – agradeceu ele.

Minha barriga reclamou.

– E o que eu vou comer? – perguntei. – Faz mais de 10 horas que eu não como.

Ela sorriu para mim e veio para meu lado.

– Coitadinho... – murmurou. – Angelina vai servir o jantar às 8h, aí nós três jantaremos com ela. Acho que você aguenta até lá.

Prestativa, de fato.

– Bem, o que iremos fazer para invadir a casa então? Temos que combinar tudo... Mas, antes, preciso de um álibi! – exclamou ela, com os olhos brilhantes. Para uma garota que não sabia de nada sobre o mundo sobrenatural há um dia atrás, ela estava bem animada.


Rebecca's POV

Será que Dean já tinha contado tudo, o que Angelina disse, para Sam? Pela cara deles, sim. Eu sorri.

– Sam, posso usar seu notebook? – perguntei amavelmente.

– Claro.

Eu sorri e peguei sua maleta, ligando o eletrônico. Abri o 'Internet Explorer' e fui digitar um link, mas o histórico mostrava outros sites. Eu ri.

Então Sam vê conteúdos pornográficos? – comentei.

Sam fez uma careta e olhou com raiva para Dean.

– Por quê? – perguntou.

– Porque metade dos links tem 'sex' – expliquei.

Sam olhou novamente para Dean.

– Mas eu não entro nesses sites. Dean, você pegou meu computador de novo?

Dean olhou para outro lado, confirmando.

– Não acredito! – arfei. – Dean, você entra no site da Sexcetera?

Ele fez uma cara de inocente e Sam estreitou os olhos para ele.

– Os programas da TV são muito chatos – falei. – Não passa nada de interessante no Sexcetera.

Dean sorriu. Não um sorriso malicioso, mas um sorriso de alegria.

– Ah, passa um monte de curiosidades... – defendeu.

– A única reportagem que eu achei relevante foi de uma mulher ensinando como dançar e fazer um stip-tease decente – continuei.

– Eu vi isso no site. Mas também teve um dia que mostrava amarrando as mulheres na hora H...

– Mas é chato. Eu não gostaria de ser amarrada.

– Esse programa, ou site, tanto faz, agrada mais ao público masculino.

– Exatamente! – exclamei. – Dá a impressão que só homens assistem a programas pornográficos.

Nós rimos, nos encarando. Ele deu o mesmo sorriso de alegria. Era como se ele tivesse descoberto algo em comum entre a gente, como se ele tivesse encontrado alguém que compartilhasse esse interesse com ele. Sam estava petrificado, com o lanche em suas mãos e eu o ignorei.

– Agora me deixe procurar o que eu quero – falei, ainda sorrindo, ao digitar o site do Google.

– E o que você quer? – perguntou ele.

– Espere e veja.

Na chave de pesquisa, digitei "Karine Holmes". Apareceu bastantes páginas de internet, de jornais falando do caso, de páginas policiais. Abri outra guia e digitei o mesmo nome, mas em 'imagens'.

– Ela era bonitona – exclamou Dean quando apareceram fotos da vítima. Ela era loira e eu confesso que era bonita.

Eu ri e mudei de guia, indo para a página do Google de pesquisa.

– É exatamente isso o que eu preciso! – gritei, abrindo o segundo link da página.

Outra página se abriu. Era a página oficial da revista Worth. O álibi que eu queria. Dean sentou-se ao meu lado direito e Sam estava sentado ao meu lado esquerdo. Eu decidi ser boazinha e explicar para eles.

– Vocês não são de usar álibis, quero dizer, vocês são mais do tipo 'prefiro falsidade ideológica'. Eu não, eu prefiro imitar alguém. Revestir-me dessa pessoa. E adivinha quem eu vou ser essa noite? – brinquei.

Eles ficaram com uma cara de: (?)

– A escritora da matéria sobre a morte de Karine Holmes se chama Melissa Watson. Eu vou ser ela. – Eu sorri e digitei Melissa Watson na chave de pesquisa de imagens do Google. A segunda foto que apareceu era ela. A jornalista era morena, alta, não aparentava passar dos 25 anos. Eu sorri – PERFEITO!

– Vocês duas não são assim tão diferentes – comentou Dean.

Eu levantei uma sobrancelha.

– Certo. Eu sou Melissa Watson, tenho 25 anos e trabalho para a revista Worth. Meu e-mail de contato é melson – falei, sorrindo. Dean riu e fez um toquinho comigo.

– Foi inteligente isso.

– Bem, ela é mais peituda do que eu – falei, fazendo um biquinho. – Mas tudo depende do sutiã certo. Já sei até qual vou usar!

Dean sorriu.

– O problema é que ela se veste bastante formal, né – disse Sam fazendo uma careta.

Eu ri.

– Vocês acham que eu trouxe três malas enormes à toa? – ironizei. – A mala com chaveiro roxo é a mala com trajes de festa. Eu já sei o que vestir.

Eu corri até a mala e a abri, pegando um vestido curto verde com um laço na cintura. O decote em 'V' era bem sinuoso.

Dean levantou as sobrancelhas para o vestido.

– Ele é meio... curto, né? – perguntou.

– Você tem os seus meios de conquistar uma garota, eu tenho os meus de conquistar garotos – provoquei.

Ele riu.

– Agora temos fila para tomar banho – comentou Sam.

– Quem foi o primeiro? – questionou Dean. – Rebecca?

– Sim, fui eu. Depois você e por último Sam. Bem, eu vou tomar banho e vou me trocar.

Eu peguei minha toalha e saltitei até o banheiro.


Sam's POV

Eu examinei a roupa, carrancudo.

– Eu não entendi esse plano ainda – murmurei quando Rebecca se trancou no banheiro.

Dean olhou minha cara e riu.

– Depois você fala que não gosta dela...

– O que tem a ver? – questionei.

Ele riu.

– Ela vai distrair o policial.

Eu preferi não entrar em detalhes. Eu sabia que quando mulher distrai homens sempre rola algo a mais...

– Eu sou o próximo, então vou arrumar uma roupa – comentou Dean enquanto abria a sua mala. – É lógico que eu teria que cobrir todos os meus músculos do braço com uma jaqueta para parecer discreto, mas o calor é de matar, então anseio que Rebecca terá que suportar me ver de camiseta.

Ele deu um sorrisinho. Coitado, achava que era garanhão e bonitão. Revirei meus olhos.

– E eu vou arrumar nossa mochila – falei. Abri a 'mochila', que na verdade era uma sacola com os utensílios que precisaríamos , coloquei lá lanterna, arma, caixinha com balas de prata – caso tivéssemos uma visitinha inesperada do nosso 'amigo' lobisomem –, aparelho para captar energia, facas, distintivos, cartões falsos etc e tal.

Rebecca saiu do banheiro – finalmente – enrolada em uma toalha. Seu cabelo estava preso em um coque, mas alguns fios escapavam e caiam ao lado de sua face. A clavícula estava exposta e metade da coxa para baixo também. A pele de seu rosto estava corada, ou pelo calor do vapor, ou pelo motivo que Dean e eu a encarávamos no mesmo instante, com a mesma expressão de hipnose. Seus lábios se curvaram em um sorriso tímido.

– Credo. Eu sou assim tão repugnante que vocês me encaram desse modo? – ela falou.

Eu desviei meu olhar, envergonhado, mas Dean continuou a observar. Ele sorriu maliciosamente.

– Repugnante... – disse, ironizando. – Até demais.

Ela abaixou o olhar e avançou para o quarto.

– Rápido, Dean. Senão vai ficar muito tarde e perderemos o jantar – ela avisou.

Ele olhou para mim, mexeu rapidamente as sobrancelhas, assentiu com aquela cara de safado, jogou a toalha sobre os ombros e se trancou no banheiro.

Rebecca segurou a toalha mais forte e deu um sorrisinho para mim. Eu também sorri, desviando o olhar rapidamente. Soltei a respiração.

– Hmm. Pode olhar para lá para eu me trocar? – pediu.

Eu tenho certeza que corei mais e me virei de frente para a parede.

– Sem trapacear – mandou.

Eu arregalei os olhos para a parede e fiz uma careta.

– Ei! – exclamei. – Eu não sou assim.

– Não que seja algo contra você, mas você é homem. E homem é homem – explicou.

Eu ri.

– Você tem experiência com muitos homens? – perguntei despreocupadamente.

Ela não respondeu e eu ri mais.

– Tudo bem, não preciso de uma resposta – murmurei.

– Obrigada. Não sei o que você diria caso eu respondesse.

Eu pensei um pouco, controlando a voz na minha cabeça que dizia para eu dar uma espiada nela.

– É muita experiência? – falei.

– Para mim, pelo menos, sim.

– Uns 10 namorados?

– Não! – negou. – Foram 6 namorados e 23 ficantes.

– Eu acho normal... – murmurei.

– Porque você é homem – completou. – Homens ficam com quinhentas mesmo.

Eu ri, deixando essa provocação passar.


Rebecca's POV

Lógico que eu confiava mais em Sam nesse aspecto do que em Dean, afinal, o Winchester mais velho havia provado que era um safado e o mais novo não deu motivos para isso. Eu provoquei Sam com algumas piadinhas feministas e comecei a me trocar.

Coloquei o meu sutiã preto que juntava os peitos e uma calcinha da mesma cor. Eu vesti o vestido antes dos acessórios porque eu corria risco de Dean tomar um banho rápido e abrir a porta antes de eu ter me vestido. Ficar de calcinha e sutiã na frente dele não era algo que eu pedia todo dia a algum santo pagão desconhecido. Seria bem vergonhoso.

– Pode olhar, Sam – falei.

Ele virou-se em um ângulo de 180° e sorriu timidamente. Ele sentou-se na cama de casal, de frente para mim, tentando não me olhar, pelo que percebi. Não que desse muito certo...

Não sei se foi transmissão de pensamento, coincidência, puro destino ou acaso, mas Dean saiu do banheiro no momento exato que eu calcei o ultimo pé do sapato.

Ele saiu de lá novamente sem camisa e eu novamente tive que desviar o olhar para não passar um vexame. Ele estava provocando muito para meu gosto.

Sam pareceu extremamente aliviado pelo o irmão ter desocupado o banheiro, pois se levantou correndo, pegou sua toalha e foi tomar banho assim que Dean saiu de lá.


Dean's POV

Quando eu saí do banheiro, a primeira coisa que eu vi foi Sammy sentado ao lado de Rebecca como um otário, olhando pelo canto do olho as pernas que o vestido deixava expostas. Ao invés de ter atitude, ele estava apenas olhando... Quase na defensiva. Revirei meus olhos.

E depois meus olhos se abriram para novas perspectivas, eu encarei as coxas de Rebecca por um instante e depois enxuguei meu cabelo com a toalha.

Um pensamento me invadiu, quase que por desconforto. Eu estava sem camisa na frente de Rebecca e ela nem parecia se incomodar. As garotas de Sammy normalmente também me achavam bonito, o que eu, de fato, sou, mas ela... Rebecca era totalmente contrária a tudo. Ela não se abalava na frente de Sam, nem na minha frente. Mesmo me estivéssemos sem camisa. Enruguei meu cenho. Garotas [i]normais[/i] se abalavam por homens como nós, os Winchesters.

E talvez ela preferisse outros. Trinquei meus dentes com a ideia e parei de pensar por um minuto.


Rebecca's POV

Coloquei-me de pé enquanto Dean procurava uma camisa. Eu sequei meu cabelo com a toalha, procurando a tomada mais próxima.

– Barulho te incomoda? – perguntei a Dean.

– Depende – disse, com o rosto indicando confusão.

Eu sorri, pegando meu secador, e o coloquei na tomada.

– Então se acostume – falei, ligando o aparelho.

O barulho não incomodava a mim, mas Dean fez uma careta. Eu ri, sacudindo o vento quente pelos meus cabelos.

– Que barulheira – reclamou ele. – Eu vou até mesmo levar o copo e o prato de Sam lá para baixo.

Dei de ombros.

Ele riu de mim (não sei porque) e saiu do quarto.

Não demorou muito para eu acabar de me arrumar, então fiquei lá, pensando em tudo e em nada.

Eu me perguntei quando os irmãos teriam confiança o bastante em mim para me darem alguma arma, mesmo que fosse uma faca, e não cheguei a uma conclusão possível.

Sam não demorou para sair do banheiro, mas ele saiu de lá com camisa, para minha decepção.

– Você está... surpreendente – murmurou ele assim que me viu.

– Obrigada – falei, sorrindo.

Dean entrou no quarto ao mesmo tempo, fechando a porta, e parou por lá.

– Aposto que você conseguirá distrair o policial – disse. Eu ri.

– Bem, Rebecca, como você vai se passar como uma jornalista de Nova Iorque? – perguntou Sam.

– Eu preciso de um gravador – falei. Pensei um pouco. – Nem de um gravador, de um celular hiper moderno que tem um gravador.

Eu tirei o meu da bolsa e o observei. Não parecia digno de uma jornalista como Melissa Watson.

– Eu preciso de um celular decente. – Observei o que estava na mão de Sam. – O seu é perfeito, Sam!

Eu peguei o aparelho da mão dele e coloquei na minha bolsa.

– Eu juro que não quebrarei nem usarei seus créditos para ligar para minhas amigas, priminho – brinquei, apertando a bochecha dele. Dean riu.

– Tudo pronto? – questionou.

– Na verdade, não – falei.

– O que foi agora? – retrucou.

– Duas coisas. Primeiro: Eu tenho uma coisinha para vocês dois. – Eu peguei duas luvas na minha bolsa. – Percebi que vocês não são do estilo 'vou proteger-me', então, por favor, coloquem a luva para não deixarem digitais na casa da Karine. Não precisamos de ninguém aqui preso.

Dean fez uma careta, mas Sam pegou a luva deles.

– É uma boa ideia, que nunca tivemos, Dean – disse ele.

Eu sorri.

– E a segunda coisa? – Dean estreitou os olhos e eu mordi meu lábio inferior.

– Eu acho – comecei. – que seria bom eu ter uma arma, né? Por segurança...

Eles ficaram imóveis pelo choque.

– Tudo bem se só vocês podem ficar protegidos... – falei.

– Eu nem sei se você consegue atirar – explicou Dean.

– Eu, de fato, sei atirar, mas se me dar uma arma é muita coisa, me deixem com uma faca então. Ou vocês acham que eu não sou capacitada de levantá-la? – brinquei.

Dean revirou os olhos e me tacou uma. Ela estava com uma capa de couro. Eu a tirei por um minuto para examiná-la.

– Bonita. É de quê? – perguntei.

– Ferro puro – respondeu Sam. – É bom para afastar fantasmas.

Eu assenti e coloquei dentro de minha bolsa.

– Estamos prontos agora? – resmungou Dean.

– A gente deveria acertar os pormenores primeiro – comentei.

– Tem mais pormenores a serem acertados? – escandalizou o Winchester mais velho. Revirei meus olhos.

– Lógico. Como eu vou saber quando posso parar de distrair o policial? – falei.

Sam sorriu.

– Ela tem razão. A gente te liga e avisa onde nos pegar.

– Tudo bem. Agora a gente pode ir – avisei.

Dean suspirou e nós três saímos do quarto.

O som do meu Scarpin era o único que ecoava pelo corredor e mais adiante, pelas escadas. O lado de fora da pensão estava escuro e o próprio edifício era iluminado por lâmpadas. Devia ser 18h, mais ou menos. O horário exato.

Tentei pensar em algumas perguntas que eu teria que fazer para o policial, mas nenhuma me veio na cabeça. Eu sabia que teria que improvisar. Eu não sabia exatamente se isso era bom ou ruim.

A recepção estava vazia e eu tinha quase certeza que esse fato se dava por que Angelina estava cozinhando. Para o seu querido Dean. Suspirei baixinho.

Dean foi o primeiro a entrar no carro. Como um cavalheiro, Sam abriu a porta para mim.

– Obrigada – murmurei, quando ele fechou a porta e se acomodou em seu banco.

– Não há de quê – respondeu, sorrindo. Pelo retrovisor, vi Dean revirar os olhos.

– É, Dean, e você novamente terá que me emprestar seu carro – comentei.

Seu rosto se retorceu em pavor.

– Por quê?

– Você pretende estacionar o carro na frente da casa de Karine antes de invadir a casa dela, ou você prefere deixá-lo na rua de trás e fazer com que eu chegue a pé para entrevistar o policial? Eu até diria: "Oi, eu não sou uma prostituta que anda por aí a pé com um vestido mega curto, um decote em V profundo e um Scarpin caro, eu sou uma jornalista, mas não tenho carro porque o deixei com os moços que estão invadindo a casa de Karine nesse momento!" – falei.

– Tudo bem – grunhiu Dean. – Mas toma cuidado com ele.

– Eu sei, eu sei – falei. – Tratem de colocar as luvas e, por favor, não esbarrem em nada. E só me liguem quando estiverem bem longe.

Sam assentiu pelos dois.

– Estamos na rua de trás. Essa – ele apontou para uma casa. – é a casa de Karine. Rebecca, eu vou trocar as placas por segurança.

– Tudo bem – sussurrei.

Dean parou o carro e nós três descemos dele.

Os irmãos colocaram uma placa diferente sobre a verdadeira e se afastaram, Sam carregando uma mochila.

– Não tenha pressa – disse ele, antes de se virar de costas.

Eu suspirei, entrando no carro. Coloquei o meu batom e dei a partida. Era a minha primeira missão e eu não podia falhar.


Sam's POV

Dean seguia com o olhar o seu carro virar a esquina. Eu ri, balançando a cabeça.

– Não confia o bastante nela para ficar despreocupado com o carro? – perguntei.

Ele me ignorou.

– Tomara que ela não resolva distrair o cara dentro do meu carro – reclamou.

Enruguei meu cenho enquanto o via pular o muro. O segui logo depois.

– Como ela vai exatamente distrair os policiais, ou o policial? – eu disse.

Dean deu um sorrisinho.

– Ela vai conversar com ele, fazer perguntas, jogar charme e, se precisar, dar uns amassos.

Eu olhei para ele.

– Você não acha isso errado? – falei.

Ele levantou as mãos.

– A ideia não foi minha, foi dela.

Ele olhou para cima.

– A casa tem dois andares? Mas o primeiro andar não tem janelas! – começou. – Como a vítima entrou diretamente na sala?

Eu revirei meus olhos.

– A arquitetura é diferente. O térreo é a garagem e o segundo andar é a casa – expliquei. – Na área da frente, tem uma escada que dá direto para o segundo andar.

Dean me encarou.

– Seu NERD.


Rebecca's POV

Virei a primeira rua a esquerda, depois a primeira a esquerda novamente e parei na frente de uma casa cercada com uma fita amarela em que estava escrito 'Mantenha distância'. Agradeci a Deus quando vi que só tinha um policial. Seria bem mais fácil.

Ele mudou a posição – ficou mais ereto, mais atento – quando eu desliguei o motor e joguei a chave dentro da bolsa. Abri a porta calmamente e coloquei somente uma perna do lado de fora, como nos filmes. A luz do poste da rua iluminou-a e o policial se aproximou. Eu me virei e coloquei a outra de fora também, logo em seguida me levantei do carro e fechei a porta, me virando de frente para o policial.

E ele era... incrivelmente bonito.

Primeiramente fiquei pasma. Eu esperava encontrar um baixinho moreno e gordo com um bigode malfeito, mas acabei encontrando um loiro alto musculoso. Eu suspirei e sorri para ele.

Ele me examinou de cima abaixo e sorriu para mim também.

– O que a mocinha faz aqui? – perguntou.

Eu dei uma mexida no cabelo, acentuando o sorriso.

– Eu sou jornalista da revista Worth de Nova Iorque – respondi.

Ele sorriu.

– Está bem longe de casa.

– Estou sim. Na verdade, vim aproveitar a minha folga por essas cidades da região. Eu amo o Texas! Mas eu estou encarregada de fazer uma matéria sobre o caso de Karine Holmes, então eu parei por aqui por um instante.

Ele olhou novamente para minha roupa.

– Está vestida bem formalmente para quem veio trabalhar.

Eu sorri.

– Na verdade, eu estava a caminho para uma festa, mas eu me vi perto daqui e aproveitei para fazer tudo de uma vez só. Você é o policial que está de vigia em frente à casa da vítima, não é?

Ele mexeu em seu cabelo.

– Sim. Meu nome é Hugh Dancy.

– Prazer, Hugh. – Eu apertei a mão dele. – Meu nome é Melissa Watson. Eu tenho 25 anos e você?

Ele sorriu.

– 26.

Eu fingi analisá-lo.

– Então você é o corajoso policial que protege a cena do crime. Tem que ter muita resistência para ficar acordado à noite – comentei.

Ele assentiu e pareceu gostar do meu 'elogio'.

– Sim, é bem tedioso e cansativo. Mas eu estou prontificado para receber pessoas como você nesse período. Cheguei há poucos minutos atrás e só irei embora quando o dia raiar.