CAPÍTULO 6: VIDAS NORMAIS, PESSOAS NORMAIS

Rebecca's POV

Então, quando David apareceu terça de manhã da semana seguinte, eu já estava um pouco mais controlada.

– E aí, Jerry? Eu só precisava de uma ajudinha dos homens para arrumar o galpão. – David estava com não sei quem no telefone, provavelmente o tal de Jerry. – Sim, sim. Tchau.

– Oi – falei, o cumprimentando.

– Tudo bom? E aí, Sam? Dean?

– Tranquilo. – Dean sorriu torto lá da mesa.

Sam também sorriu e me abraçou.

– O que trás de novo? – perguntei.

– Hoje já vou começar a ajeitar o bar... Acho que daqui a dois dias já vamos inaugurar – David disse.

– Qual vai ser o nome? – perguntou Sam.

– Road 919. Eu sei, não é muito criativo, mas o público não vai ser o mais especial também. – David torceu os lábios.

– Eu gostei – falei, sinceramente.

– Eu também – concordou Sam.

– Valeu. Bem, tenho que ir. Quando ficar pronto, volto para avisar você, Rebecca. – Ele se despediu e foi embora.

– Já vai começar o trabalho duro – provocou Dean.

– É. Mas prefiro o meu trabalho. A caça. – Sorri para ele, tentando ser normal.

– Até quando você vai trabalhar? – Sam me deu um beijo no rosto e o lugar ficou quente, como sempre acontecia com Sam.

– Até acabar o prazo da nossa estadia aqui – respondi.

– No final do mês?

– No final do mês – repeti, afirmando.

– Então mais uns 20 dias? – indagou Dean.

– É.

– E depois vamos voltar à caça? – Ele se levantou.

– Sim. – Dei de ombros.

– Então vamos fazer um acordo. – Sam me levou para perto de Dean. – Nós três vamos tirar umas férias. Até sairmos daqui, não vamos caçar. Combinado?

– Combinado. – Dean estendeu sua mão.

– Prometido. – Coloquei minha mão por cima da dele, sem saber no que estava me metendo.

– Então prometido – finalizou Sam, colocando sua mão por cima da minha.

Naquela noite Sam foi dormir mais cedo, para o meu pânico. Eu não fui junto só não só porque não estava com sono, mas também porque eu tinha que conversar com Dean.

Eu já tinha adiado demais, esperado demais. Hoje seria para valer.

– Boa noite, meu amor. – Sam me deu um beijo muito gostoso que quase me fez deixar o plano de lado e ir com ele.

Quase.

– Boa noite – falei, sorrindo para ele e começando a guardar as louças. – Eu vou também assim que terminar aqui.

– Tudo bem. – Ele saiu da cozinha.

Soltei a respiração. Era só manter a calma, só isso. Umedeci uma toalhinha e passei no meu rosto, percebendo que ele estava quente demais, fervendo de vergonha.

Terminei rapidamente e apaguei as luzes, parando em frente à porta do quarto de Dean.

Talvez ele estivesse dormindo... Internamente, eu torcia para que ele estivesse. Então bati levemente na porta, com medo de fazer qualquer barulho que acordasse Sam.

Infelizmente, ouvi Dean me mandando entrar. É, ele não estava dormindo.

Abri a porta, botando a cara para dentro.

– Hmm, estou incomodando? – perguntei, dando um sorrisinho de leve.

A TV estava ligada. O quarto estava mais ou menos escuro. E Dean se ajeitou na cama, sorrindo também. Ele estava com uma camiseta cavada e samba canção. Lindo.

Sem distrações, lembrei.

– Não, que isso! Entra.

Entrei e fechei a porta. Não queria correr o risco de Sam ouvir a nossa conversa, com certeza.

– Então... Para que devo essa honra? – falou.

– Precisamos conversar – comecei. – O que aconteceu foi errado. Não devíamos ter feito aquilo com Sam.

Dean assentiu com a cabeça.

– Não foi certo, mas foi bom. Na minha opinião, já justifica.

– Dean! – exclamei, tampando a boca de horror. – Eu amo Sam. O que aconteceu entre você e eu nem se compara, foi só desejo!

– Não foi só desejo para mim – respondeu, visivelmente ofendido. – Você acha que foi só sexo, que não teve sentimento também?

– Acho. – Finquei o pé.

– Então está enganada. – Ele me encarou com aqueles olhos meio esverdeados e só vi sinceridade.

– Mas eu amo Sam – choraminguei, sem saber o que falar, sem saber o que fazer... Eu sabia que ele estava certo. E só isso.

– Mas sente algo por mim – disse, colocando a mão em meu rosto, se aproximando para me beijar. Como já havia acontecido antes, eu comecei a amolecer. Já não sabia se era minha culpa ou dele, mas aquele garoto meio que tinha certo controle sobre mim.

Eu sabia que era errado, de novo, mas não pude evitar me entregar para ele novamente.

[red]– Não precisa ficar tensa. Sam está dormindo. – Dean passava a mão pela minha coxa. Estávamos abraçados, suados e eu me sentia mais leve do que nunca (apesar do peso da culpa) enquanto sentia a textura do cabelo dele.

– Acho que nunca mais vou ficar tranqüila – confessei. – Medo e culpa constantes. É nisso que dá ficar com você enquanto estou com Sam.

– Então termine com ele e fique só comigo – disse.

Soltei uma risadinha no pescoço dele, o que o fez estremecer.

– Boa tentativa. Mas, é sério! Eu me sinto uma cachorra.

Eu acho que você é mesmo uma cachorra. – Ele me deu um tapa na bunda.

– Ei! – esbravejei, mas acabei rindo depois. – Estou falando sério, Dean. Eu nunca mais devia te ver.

– Mas você ama dormir comigo – falou. – Você sabe que a química que rola entre nós é incrível. A mais incrível que eu já tive. E olha que a lista é grande!

Dei um tapa de leve nele.

– Você sabe que concorda comigo – insistiu.

– Sim, nossa química é mesmo incrível, mas você se esqueceu que eu também amo a minha química com Sam.

– Por favor, nada de papo sobre sexo com Sam para mim. Aqui é só com o mestre Dean – murmurou.

– O fato é que ou é um, ou é outro. Não posso ficar com os dois!

– Pode sim. Só você está complicando tudo. Mas pense nisso depois, agora só... esqueça – pediu.

– Hmmm – suspirei, sentindo Dean beijar o meu pescoço. – Dean, tenho que ir.

– Não. – Ele apertou mais na cintura, grudando nossos corpos.

– Dean...

– Tá, mas só se me prometer que você volta outro dia.

Pensei sobre isso. Na próxima vez, eu botaria um fim nesse triângulo amoroso.

– Tá certo.

Se eu pensei que conseguiria terminar com Dean, descobri que estava completamente errada dois dias depois, quando me rendi novamente aos encantos de dormir com ele.

– Você sabe que não vai conseguir me deixar – Dean disse.

– Eu sei. Isso é bem errado.

– Gosto de coisas erradas – murmurou, me dando um último beijo para eu ir para o meu quarto, me deitar ao lado de Sam, como se nada tivesse acontecido.

No dia seguinte, David apareceu.

– O bar está pronto! Não estão a fim de dar uma olhadinha no novo ambiente de trabalho de Rebecca? – ele falou.

– Lógico – respondi.

Puxei Sam comigo. Apesar de estar o traindo, eu o amava. Eu não imaginava minha vida sem ele.

Soltei um som de surpresa ao ficar de frente para o bar. Estava muito lindo, estilo POP, com umas luminárias e mesas rústicas e quadros de ídolos famosos. Não era muito grande, mas era lindo e bem organizado.

– Hoje eu já começo a trabalhar? – perguntei.

– Sim. Hoje é a inauguração, portanto chegue mais cedo. Eu ficarei no caixa.

Trabalhar era realmente entediante. Então, sabe o que eu iria fazer? Trabalhar por 10 dias, recuperando os meus 500 dólares, e pronto.

– Que horas eu tenho que estar aqui? – Fiz a última pergunta.

– Às 18h, eu vou abrir as portas – avisou.

– Ok. Estarei aqui antes das 18h. – Acenei para ele e voltei para a casa com os meus dois Winchesters.

– Com que roupa eu vou? – Analisei as minhas roupas no armário. Sam estava comigo, então soltou uma risadinha.

– Que tal uma calça jeans e uma blusa normal? – sugeriu, fazendo carinho nas minhas costas. Ele estava deitado, todo folgado, na cama. Eu só estava sentada, meio que pensativa.

– Defina sua "blusa normal" – brinquei.

– Hmm, alguma igual àquela. – Ele apontou para uma blusinha vermelha minha.

Eu me levantei e a peguei no guarda-roupa.

– Esta aqui?

– Essa aí mesmo – respondeu.

Tirei a blusa que eu estava vestindo e coloquei a outra, a vermelha.

– Ficou ótimo. – Sam se levantou e me deu um beijo na bochecha. – Agora eu vou me trocar também para ir com você.

Olhei admirada para ele.

– O que foi? – perguntou, percebendo o meu olhar.

– Você é o melhor namorado do mundo. Sou, com certeza, uma garota de sorte. – Dei de ombros.

Você é a melhor namorada do mundo. Eu é quem tem sorte – discordou, me dando um beijo apaixonado.

Ele só falava isso porque não sabia que eu o traía com o irmão dele. Que péssima namorada que eu era!

– Não adianta me olhar com essa cara, porque você é uma boa namorada – insistiu, se levantando. – E eu, como tento ser um bom namorado, vou acompanhá-la. Qual dessas blusas você prefere?

– A cinza. – Dei um suspiro.

– Então tá. – Ele foi colocando a peça de roupa, tampando aquele peitoral lindo dele.

– Sam... – comecei, sem saber como continuar. – Quando Meg me possuiu...

– Sim? – Ele estava visivelmente curioso. Lógico, pois era um assunto totalmente nada a ver.

– Eu quis lhe perguntar uma coisa, mas estava muito confusa... – Respirei fundo. – Se eu fosse uma desconhecida, você e Dean teriam usado The Colt em mim?

The Colt era uma arma muito poderosa, capaz de matar tudo, menos Deus, Anjos, Fantasmas, os quatro Cavaleiros do Apocalipse e Ceifeiros. Samuel Colt foi quem a fez, juntamente com treze balas. Tudo bem que os meninos me contaram que não restaram muitas balas, mas foi só isso o que falaram. Na verdade, Sam era quem havia me contado a história, mas li algo sobre essa arma no diário de John também.

Sam olhou para o outro lado e respirou fundo também, enrolando...

– Provavelmente – respondeu. – Mas não usamos em você do mesmo modo que Dean não usaria em mim e eu não usaria nele. Porque a gente ama você também, Becca. Você faz parte da família.

A sinceridade da declaração me surpreendeu. Parte da família. Fazia quase um ano que meus pais morreram, me deixando sozinha no mundo, sem saber o que era família.

Mas agora eu tinha família de novo e tudo o que eu não queria era perdê-la.

– Eu te amo – disse a Sam, começando a chorar. Eu não sabia o que fazer em relação a Dean, mas sabia que não ia aguentar de modo algum perder Sam.

Ele também foi pego de surpresa pela intensidade da minha emoção, vindo me abraçar.

– Também te amo, Becca. – Sam me apertou forte contra o peito, me passando a segurança que ele sentia. – Vem, deite-se um pouquinho comigo.

– Preciso trabalhar – murmurei, fungando um pouco.

– Não, ainda temos mais uns minutinhos. – Ele se deitou e me colocou ao seu lado, me envolvendo de carinho e amor; sentimentos que só Sam podia me dar sem me colocar em nenhum tipo de risco.

– Eu ficaria a noite toda desse jeito com você – falei, apertando o abraço. – Mas você sabe que agora preciso ir.

Sam soltou um suspiro.

– É. Você precisa trabalhar.

– É. – Eu me levantei, levantando-o comigo depois. – Vamos!

Dean estava sentado na mesa de jantar, bebendo uma cerveja. Me segurei para não revirar os olhos.

– Você não vai? – Sam o perguntou, me poupando da pergunta.

– Vou sim. Mas só mais tarde... Sabem como é... Quando tiver bastante movimento. – Dean piscou para mim. Torci para Sam não ter achado essa atitude muito abusada.

– Quando tiver bastante mulher, você quer dizer. – Sam riu da própria piada. Foi o único.

Estreitei os meus olhos para Dean. Eu não me sentia bem em pensar nele com outras. Isso com certeza não era certo. Eu estava com Sam! Tinha que torcer para Dean ficar com outras e tudo mais.

Não rolou. Continuei achando bem ruim. Estranhamente, percebi que o queria só para mim.

Dean percebeu que fiquei tensa e caiu na risada. Agradeci internamente por Sam pensar que o irmão riu da sua piada – afinal, não seria nada bom explicar para Sam o motivo real.

– Veja como quiser – respondeu Dean, o filho da mãe, me provocando explicitamente.

Me controlei para não torcer o pescoço dele e puxei Sam.

– Vamos logo então – falei, trincando o maxilar.

– Sabe, não estamos assim tão atrasados. – Sam tentou me reconfortar, entendendo errado o meu estresse (ainda bem).

– É, mas quero chegar logo. – Eu com certeza não ia dar maiores explicações para ele.

David me esperava na porta da frente. Parecia ansioso.

– Oi. Desculpe o ligeiro atraso – pedi.

- Tudo bem. Ninguém chegou ainda – respondeu, parecendo ainda mais nervoso.

– Cara, calma. Daqui a pouco, todo mundo começa a chegar – Sam disse, tentando ser legal. (Mais fofo, impossível!)

– É, David. Calma. – Sorri para ele.

Bem, ele estava tenso, mas sorriu de volta, cheio de segundas intenções. Cara, que safado. Eu estava namorando. Tá, tudo bem que eu também estava namorando quando dei um mole explícito para ele, mas era um namoro de mentirinha. Não que ele soubesse disso. E nem ia saber. Suspirei. Ia ter que agüentar ele dando em cima de mim.

Ele saiu para falar com a banda de Rock (OMG) que ele havia contratado para tocar lá naquela noite. Sério, David era um cara muito completo. (Bem que eu gostaria de saber pensar em detalhes como ele.)

– Parece que hoje vai ser muito legal – comentou Sam, sorrindo para mim.

– É. – Eu sorri de volta e o puxei para perto, começando a sentir um tesão do caramba. (Bem que eu gostaria de saber um jeito de voltar para o meu quarto naquele momento, para poder dar loucamente para Sam.)

Ele pareceu sentir que eu estava empolgada (ou seja, bem excitada) e encostou seu corpo no meu, sorrindo maliciosamente para mim. Não que nós fôssemos nos pegar para valer ali, mas acho que um beijinho não faria muito mal.

Eu mordi o lábio e segurei seu cabelo, trazendo seu rosto para baixo, para que eu pudesse lindamente beijar aquela boquinha.

Logicamente, foi o que Sam fez, e adorei vendo-o agarrando minha cintura com força quando aprofundamos o beijo. Sim, eu queria poder transar com ele bem ali mesmo. Queria que David e o resto do pessoal que estava ali fosse pro quinto dos infernos e me deixassem tirar a roupa de Sam.

Eu senti que ele estava querendo abaixar a mão para pegar na minha bunda e soltei um gemido.

Foi até bom (mais ou menos) David ter chegado bem nesse momento, senão eu teria com certeza dado para Sam.

– Bem, aqui é o seu ambiente de trabalho – ele disse com repreensão.

Sam se separou de mim como se tivesse levado um choque, mas eu peguei a gola de sua camisa e o puxei mais perto.

Ficar cheia de tesão me deixava abusada, de modo que eu me virei para olhar bem para a cara de meu novo chefe e nem me importei de parecer uma cachorra das grandes ao falar:

– Um, não começou meu horário de trabalho ainda, e dois, você estava para lá, então achei que poderia conversar com o meu namorado.

David rolou os olhos, murmurando algo que parecia com "como se estivessem só conversando".

– Vem, vou te dar trabalho para fazer – ele disse alto e claro, dessa vez.

Eu o segui para trás do balcão, deixando Sam na frente. Fiquei triste ao ver que o balcão nos separava. Adorava o corpo dele bem pertinho do meu.

– Coloque esse avental e vá memorizando onde fica cada bebida. – ele me passou um tecido dobrado e gesticulou os cinco freezers atrás de nós dois.

– Você está mesmo falando sério? – perguntei, levantando o pedaço de pano. – Avental?

– Sim. – David sorriu e foi se concentrando na sua caixa registradora.

Revirei os olhos e coloquei o avental, onde tinha um logotipo do bar Road 919, na parte posterior. Ao ver a cara de Sam, eu não tinha ficado assim tão mal. Então dei uma olhadinha no meu reflexo na porta de um dos freezers e fiquei surpresa. O avental com certeza não tinha ficado mal. Ele parecia contornar meu corpo e tudo mais.

– Viu? Não é tão ruim assim – David comentou.

– Na verdade, não é nem um pouco ruim – Sam comentou em seguida, sorrindo para mim.

– É, não ficou nada ruim com certeza – concordou o meu chefe.

Sam encarou David, que desviou o olhar, envergonhado. Pelo menos agora ele não daria em cima de mim perto de meu namorado (de verdade).

– Que horas vamos abrir o bar? – perguntei a David, não querendo provocá-lo, só perguntando mesmo.

– Quando as pessoas começarem a chegar – respondeu.

– As pessoas começaram a chegar – afirmou Sam, indicando a porta.

E era verdade. Só dali de onde eu estava, já dava para ver um monte de pessoas se amontoando na porta. Sorri para David, super empolgada, e vi que ele estava ainda mais empolgado que eu.

– Vou lá abrir então. Ei, pessoal, pode começar a tocar ae! – Ele saiu sorrindo todo serelepe (ou seja, todo gay).

Isso foi gay – sussurrou Sam, me fazendo cair na risada.

– Foi o que eu pensei – respondi.

De repente, as luzes se apagaram e a banda começou a tocar. Junto com a música, várias luzes se acenderam deixando um clima de boate. As luzes das mesas de sinuca se acenderam também e eu fiquei muito admirada por tudo estar tão lindo.

David abriu a porta e falou um oi super legal para todos. Depois veio se juntar a mim.

Tá, tinha gente pra caramba, dos mais variados estilos. Apesar disso, todos pareceram aprovar a decoração e até mesmo a banda.

– Tá bom, sei que tenho que começar a ir de mesa em mesa. Isso me assusta – falei para David, tentando não soar nervosa demais.

– Acalme-se. Só deixar uma comanda por pessoa e os servir. Tranquilo. – Ele tentou me fazer não ficar doidona.

Infelizmente, como era inauguração, David fez porções de mini-hamburgueres para dar de cortesia. E, sim, sobrou para mim a função de levar para as mesas.

Basicamente, não foi tão ruim. Ta certo que vários (vários mesmo) caras deram em cima de mim. Alguns pediram meu telefone (diretos). Outros perguntaram quanto eu cobrava (filhos da puta). Uns eram bonitos (não que eu precisasse de mais um cara na minha vida, sabe como é, dois já é complicado demais – principalmente se esses dois eram irmãos).

Uma hora da noite, Dean chegou. Ele fez questão de me fazer servi-lo, exatamente como eu esperava.

– Acho que você deveria usar salto – me disse que quando lhe levei mais uma cerveja.

Ele estava no balcão, sentado bem ao lado de Sam, e (infelizmente) perto do caixa, onde David se encontrava, de modo que este ouviu o comentário.

– Ei, é verdade, Rebecca. Boa observação, Dean. – Meu chefe acenou com a cabeça para o Winchester mais velho, que levantou o copo e sorriu maliciosamente para mim, como se estivesse me fazendo um brinde. Idiota.

– Tá. – Revirei meus olhos e saí para atender três caras que estavam me chamando.

Felizmente, no horário de fechar o bar, todos já haviam ido embora e eu pude limpar as mesas bem tranquila.

– Uau, lucramos bastante! – Os olhos de David quase brilharam. – Estou adorando isso.

– Eu também – falei, pensando no meu salário. David deve ter percebido, porque sorriu e me passou o meu dinheiro.

Sorri também e coloquei no meu bolso traseiro.

– Ei, David. Até amanhã – me despedi, guardando meu avental debaixo do balcão.

– Tá. Até mais! – Ele só acenou, porque ainda estava distraído com o dinheiro.

Sam pegou na minha mão e me levou para o casarão. A noite estava gelada, mas eu não me importava. Adorava a sensação de poder voltar para casa.

Dean não estava conosco, pois havia voltado algumas horas antes. Não que eu estivesse reclamando.

– Você foi incrível – Sam me disse, abrindo a porta do nosso quarto para que eu pudesse entrar. Sempre muito cavalheiro.

– Obrigada. É muito bom você falar isso. Me sinto um caco. – Dei de ombros.

– Ah, que pena. Pensei que podíamos continuar o que começamos lá no bar. – Ele fechou a porta vagarosamente, no mesmo ritmo que seu sorriso.

– Eu me sinto um caco, ou seja, preciso que alguém faça eu me sentir melhor. – Mordi o lábio, adorando sentir o arrepio de desejo por todo o meu corpo.

– Hmm, me voluntario para ajudar você. – Ele também sorriu e se aproximou de mim.

De repente, ele me jogou na cama, se deitando em cima de mim intimamente. Começamos a nos beijar (de um jeito meio frenético) e eu já conseguia sentir a dureza de Sam (mesmo estando completamente vestido) na minha coxa. Era estranho, mas vê-lo excitado me excitava também.

Então, tentando deixá-lo ainda mais com tesão, fiz questão de tirar minha blusa rapidinho. Antes de tirar meu sutiã, tirei a camisa dele (que se dispôs lindamente a me ajudar). Eu estava no fecho da minha lingerie quando ele me parou.

– Eu faço isso – disse sem fôlego.

Ele tirou lentamente meu sutiã, como se isso o excitasse. Depois, começou a beijar minha barriga.

Sam tinha tentado algo novo, o que me deixou empolgada.

– Vem – sugeri, tentando algo novo também. Eu peguei seu rosto e trouxe um pouquinho mais para cima.

Sam soltou um gemido e me encarou com olhos ardentes.

– Você só pode estar brincando – murmurou, olhando para mim cheio de vontade.

Eu ri.

– Não. Você é meu namorado. Não tem que ficar receoso em me tocar – falei, sorrindo diabolicamente. Aproveitei para pegar suas mãos e colocar bem nos meus peitos, o que o fez soltar outro gemido (mas foi um longo gemido, dessa vez).

Sam não precisou de mais incentivo, por começou a se deliciar ali como se quisesse isso há séculos. Depois de acariciar os meus seios de todos os modos possíveis, caiu de boca também (meio que literalmente).

Não pude fazer nada mais digno que segurar seu cabelo e pedir mais. Tá, ia ficar uns chupões nada agradáveis nos meus peitos, mas eu não me importava realmente.

Quando eu não estava mais aguentando, tive que pedir para ele parar. Eu adorava preliminares, mas estava doida de vontade de dar para ele logo.

– O que foi? – me perguntou quando afastei seu rosto de mim.

– Não aguento mais – admiti, tirando a minha calça. Logicamente, ele não perdeu a oportunidade de me ajudar.

Tiramos sua calça também e quase ri por ver que seu membro já estava para fora da cueca de tão ereto. Nunca ia me acostumar por Sam ser tão bem dotado. Na verdade, os dois Winchesters eram, mas eu não ia pensar em Dean agora.

Quando Sam estava vindo para cima de mim, eu o parei.

– O que foi? – repetiu.

– Quero tentar uma posição diferente. Que eu esteja em cima – falei, mordendo o lábio e soando bem vadia (não que eu me importasse).

Sam sorriu para caramba, adorando me ver no controle. Ele parecia cheio de tesão quando eu o coloquei sentado e fui lindamente para cima dele, colocando uma perna de cada lado de seu corpo.

– Hmm, tenho certeza que vou adorar isso – murmurou.

Eu segurei seu rosto e cochichei no ouvido dele:

Você verá como irá pedir por mais. – Aproveitei para dar uma mordida no lóbulo de sua orelha, o que o fez ficar ainda mais doido.

Então, ao invés de me sentar logo nele, fiquei brincando com o seu membro. Sim, eu estava me divertindo para caramba e adorei me divertir com a cara dele.

– Becca – pediu.

Eu ri maliciosamente.

– Se me pedir com jeito – provoquei.

– Ah, Becca – suspirou, colocando uma mão no meio seio e outra nas minhas costas, me puxando. A mão que estava na frente começou a me massagear e percebi que foi o pedido perfeito.

– Você sabe ser persuasivo – falei, começando a cavalgar deliciosamente.

Não era surpresa, mas eu sempre me surpreendia por Sam ser tão incrivelmente fofo depois de gozarmos e tudo mais.

– Você deveria ir por cima mais vezes – comentou, acariciando minhas costas. – Você foi fantástica. Mas isso não é novidade, eu não deveria estranhar... Você é fantástica.

Revirei meus olhos.

Você é fantástico. Sabe usar essas mãos como ninguém. E é muito gostoso. E ainda é o mais fofo.

Ele sorriu.

– E você que não tem defeito? – perguntou retoricamente.

Me remoí internamente, porque eu tinha sim defeitos.

Eu era dissimulada, meio estressada e fraca para homens.

E o pior: Eu mentia.