Voltando a Viver
Joanne Salgado


Cap 6 – Verdades

Já fazia quase três meses que estavam morando juntos, nessa necessidade em estar junto, mas ninguém falando sobre isso, quando Draco tirou alguns dias de folga. Queria continuar a conversa que teve havia uma semana com o moreno e que, desde então, estava sendo evitada. Tinha sido um dia muito ruim. Harry chegou em casa bêbado, no meio da noite. Draco escutara alguém chorando e o encontrou agarrado a foto de Ginevra sentado no sofá da sala.

- Potter? – perguntou baixo. Nunca tinha visto o moreno agir desse jeito. Quando se aproximara sentiu o cheiro da bebida.

Foi pra cozinha pegar um pouco d'água e um pedaço de bolo, açúcar lhe faria bem. Voltou em silêncio, sentou ao seu lado e largou o prato e copo na sua frente. Harry não falou nada nem deu indicações de que pegaria qualquer um dos dois.

- Sabe... – ele começou a falar – faz seis anos hoje desde que Ginny morreu. Nós íamos nos casar. Planejávamos ter pelo menos três filhos. Sabe como é... Ela vem de uma família grande e queria continuar e eu faria qualquer coisa por ela. – Ele falou soltando um sorriso triste – Ainda sinto o sangue dela escorrendo nos meus braços enquanto ela falava. Na época eu não sabia, mas da maneira dela, Ginny estava se despedindo. – Então ele soltou um soluço, mas não foi interrompido – Eu me senti impotente, a vida dela estava escorrendo entre os meus dedos e não tinha nada que eu pudesse fazer, eu só a abraçava e ficava olhando aqueles olhos castanhos brilhosos que eu conhecia tão bem irem perdendo a vida aos poucos.

Ele parou de falar e só continuou a chorar abraçado à foto. Finalmente Draco entendia o que Hermione lhe falava tanto. Harry estava preso naquele dia ainda, ele estava preso no acidente, e desde então parara de viver, e ficava revivendo aquela dor.

Com muita calma para não assustar o moreno, Draco passou o braço em volta de seus ombros para lhe dar apoio e aos poucos Harry se deixou consolar, chorando mais.

- Foi minha culpa... – Ele falou baixinho, quando os soluços diminuíram – Se eu não tivesse distraído a Ginny talvez ela ainda estivesse aqui... Foi minha culpa.

Aos poucos a bebedeira e a dor fizeram com que Harry adormecesse nos braços de Draco e acabaram os dois dormindo juntos na sala.

Quando acordara e se vira abraçado a Draco, Harry chegou a sorrir, então se lembrou de tudo que havia falado para o loiro e ficou rígido. Levantou e desde então estava evitando entrar em conversa sobre o que aconteceu.

Sentou no sofá e ficou esperando. Já era muito tarde quando Harry apareceu em casa.

- Potter, acho que precisamos ter uma conversa. Aquele dia...

- Não sei do que esta falando Malfoy. Agora se me da licença eu tive um dia muito complicado e quero tomar um banho e dormir.

Sem esperar resposta, Harry começou a se dirigir para seu quarto e foi interrompido pela voz do loiro.

- Tudo bem, eu espero. Mas acho que você precisa conversar.

Harry estava chateado, um de seus empregados fizera besteira em um trabalho, teve briga no trabalho e ele e Ron precisaram se meter, levara um soco e naquele momento toda raiva que estava sentindo saiu, mesmo que tenha sido contra a pessoa errada.

- QUEM VOCÊ PENSA QUE É PRA VIR SE INTROMETER NA MINHA VIDA MALFOY? FIQUE FORA DO MEU CAMINHO!

Gritava, não estava nem um pouco preocupado se alguém iria lhe escutar, estava cansado, confuso e não tinha que dar satisfações pra ninguém.

- NÃO PODE CONTINUAR VIVENDO ASSIM – gritou Draco de volta – ISSO NÃO É VIDA!

- Você não sabe como é, ok? Não sabe o que é ver a pessoa que você ama morrendo nos seus braços sem poder fazer nada, então não vem me dar sermão sobre como eu devo viver a minha vida ou o que eu devo fazer ou não.

Então Draco o olhou com raiva e Harry ficou confuso, ele nunca lhe olhou assim antes.

- Não sei? Você não sabe nada da minha vida Potter, então não vem me dizer o que eu sei ou não sei. Você está sentindo dor e se culpando por algo que não teve nada a ver com você, foi um acidente, não tinha como prever o que iria acontecer ou deixar de acontecer. Você não pode viver se culpando por algo que estava fora do seu controle.

- É FÁCIL FALAR QUANDO NÃO É COM VOCÊ! – berrou

- Fácil? – a raiva borbulhava dentro de Draco – E por acaso você me conhece, Potter?

- Eu..

- Ah não! CALE A BOCA! – falou ameaçadoramente – Acha que pode falar o que quiser e ninguém vai falar nada? Então escolheu a pessoa errada para brigar.

Um brilho gelado que ainda não tinha visto nos olhos do loiro apareceu e fez com que Harry ficasse em silêncio.

- Eu vi minha mãe morrer aos poucos por causa do câncer, eu a vi sentindo dor e não pude fazer nada sobre isso. Ela definhou na minha frente Potter, eu vi minha mãe morrendo e sofrendo todos os dias. Até que ela não aguentou mais e pediu que a deixássemos morrer. Você sabe o que é isso Potter? Você ter que deixar a sua própria mãe morrer porque você simplesmente não aguenta mais? Você se sentir um fraco porque prefere que ela morra logo a continuar assistindo sua mãe sofrer dia após dia?

Uma lágrima escorreu na tez clara, mas Draco não tinha terminado.

- Então você vê seu pai morrendo junto, porque ele também não aguenta mais, e sabe que na hora que um se for o outro vai junto? E não havia nada que eu pudesse fazer. Meu pai era um homem forte, Potter. Era o tipo de homem que faria qualquer coisa pela família, e eu vi aquele homem quebrar. Você sabe o que é isso? Perdi minha mãe e meu pai no mesmo dia. Eu estava segurando a mão de minha mãe no momento que ela morreu. Meu pai saiu do quarto e antes que eu pudesse fazer algo escutei uma arma. Meu pai se matou no quarto ao lado. Você consegue imaginar o que é isso?

Harry estava de olhos arregalados olhando o loiro parado na sua frente.

- Você é um fraco Potter, eu achava que tinha algo que valia a pena em você, mas o que quer que seja que existia aí, morreu a muito tempo.

Sem falar mais nada, Draco levantou, e entrou no seu quarto. Harry foi pro seu e chorou. Algumas horas depois, já tinha tomado banho e resolveu pedir desculpas para o loiro, quando foi procurar, ele já havia ido embora. Ao lado do telefone estava a chave da casa e o crachá do carro.

Naquele momento, Harry sentiu que tinha quebrado algo que poderia ser muito importante para ele.


N/A: Ok, mais um hoje. Foi um pouco difícil esses dois caps, pois eles eram um só.

Minha beta me puxou a orelha falando que faltava coisa. Achei melhor separar e aumentar um pouco falando um pouco mais do que eu tinha na cabeça. Ela fala que eu esqueço de colocar no papel o que eu penso rsrs, efim, espero que tenha ficado claro. Beta gostou hehe.

Não se preocupem, não vou demorar com os próximos.