N/A: Disclaimer: Veja o capítulo1.
Capítulo 2
Por que nós amamos?
Por Random1377
Traduzido por Mina Harker
Rei deitou-se em sua cama, imóvel… numa figura de extrema calma. Mas uma observação mais atenta revelaria que seus pensamentos eram tudo menos calmos. Seus olhos continuavam alternando-se entre o teto e a porta, como se ela esperasse um visitante a qualquer minuto.
-Onde ele está?- Ela pensou, mais próxima da irritação como ela jamais esteve. -Eu preciso falar com ele…-
Fazia dois dias desde que ela beijara Asuka, e conseqüentemente fugira. Ela ainda estava incerta quanto ao que causara essa reação nela, mas estava disposta a descobrir. Faltara à escola naquele dia e no anterior, temendo o que ela pudesse a ver nos olhos de Asuka. Isso levara Shinji a tenfonar para ela, perguntando se havia algo errado. Rei respondeu que estava bem, para então um surto atingi-la. 'Ikari... Eu preciso falar com você. Você poderia vir aqui depois da escola?'
'Claro…' Ele respondeu, parecendo nervoso. 'Sobre o que você quer converser?'
Ela simplesmente repetiu o pedido, desligando o telefone logo em seguida. Agora, depois de algum tempo desde de o fim da aula, ela estava ficando vagamente frustada. "Ikari... ele vai saber." Ela disse para si calmamente. O porquê dela achar que o rapaz traria a resposta para suas dúvidas, ela não sabia... Mas ela sabia que ele traria.
Finalmente, ela ouviu uma batida suave à porta. "Entre." Ela disse, pondo-se de pé.
"Ayanami? Você queria falar comigo?" Shinji entrou no apartamento cuidadosamente. Ele não havia estado lá desde que Touji fora internado.
Rei ficou em silêncio por alguns instantes. "Sim. Ikari, o que você sabe sobre relacionamentos?"
"R-Relacionamentos?" Ele gaguejou. "Eu… huh?"
Ela propôs-lhe para que ele entrasse e indicou-lhe a cadeira solitária. "Sim." Ela disse, enquanto ele sentava e deixava sua mochila sobre o piso. "Relecionamentos entre mulheres e…" Ela pausou. "Homens." Completou de maneira estranha.
Shinji pareceu nervoso. "Hmm… Eu… Não muito, eu temo…" Ele confessou-lhe. Ele soltou uma gargalhada curta, mas irascível. "Essa é uma questão bastante ampla, Ayanami… Não daria para ser mais específica?"
Ela ponderou seu pedido cuidadosamente. "Como uma pessoa sabe se gosta de outra pessoa o suficiente para iniciar um relacionamento?" Ela perguntou-lhe.
Ele encarou o piso. "Se você estiver me perguntando se eu quer-"
"Eu não estou te pedindo para namorar comigo, Ikari…" Ela o cortou rapidamente.
Estranhamente, isso pareceu ter aliviado o rapaz. "Oh... está bem. Hmm… Eu diria que você sente que está tudo certo com você mesmo, então, você pergunta à outra pessoa se ela gostaria de estar com você, e depois... Eu..." Ele parou. "Eu acho que não sei realmente..."
Rei franziu suas sobrancelhas. –Isso não me ajuda em nada...- Ela pensou, um pouco irritada. "Muito bem." Ela disse, continuando o assunto. "Como você sabe se você ama alguém?"
Ele congelou. "Eu… não sei..." Ele respondeu, parecendo incomodado.
Ela esperou alguns instantes antes de prosseguir. "Quem você ama, Ikari?"
Ele levantou-se. "Eu... tenho de ir…" Seu rosto estava colorido com um vermelho suave.
Assim que ele se aproximou da porta, Rei perguntou-lhe. "Ikari... Se você não quer me contar que você ama, você poderia contar-me ao menos por que você ama?"
A voz do garoto saiu baixinho. "Eu… amo mais de uma pessoa, Rei… Para explicar por que eu amo eles seria… difícil... porque eu não sei se eles me amam..."
Ela se aproximou. "Sua resposta não faz o menor sentido, Ikari… Eu perguntei o porque você os ama... não porque eles amam você. O amor não precisa ser correspondido, certo?"
"Sim..." Ele sussurrou, recusando-se a olhá-la. "Ele pode não ser..."
Ele retomou seu rumo em direção à saída, mas ela o impediu de prosseguir segurando seu braço, só então tendo dimensão do desconforto dele. "Ikari... por favor... Por que você ama se você não sabe se eles correspondem seu sentimento?"
"Eu... Não sei, Rei…" Ele suspirou. "Talvez lá no fundo, eles percebam que eu os amo, e então eles me correspondam… Eu espero…" Ele voltou-se para ela, um sorriso melancólico em seus lábios. "Mas eu não acho que isso seja possível, então eu tenho de ir à escola… e pilotar o EVA… e acreditar." Gentilmente, ele quebrou o toque que os unia e saiu pelo corredor, deixando-a ponderar a respeito de suas palavras.
Asuka se levantou calmamente de sua cama, incapaz de conseguir dormer. Shinji tinha chegado horas antes, parecendo que haviam matado seu cachorrinho, e se isolara em seu quarto, não dizendo nada nem a ela, nem a Misato.
"Eu gosto de garotos..." Ela sussurrou provavelmente pela milésima vez naquela noite, enquanto ela media seus passos em seu quarto. No entanto, a verdade da afirmação não a fazia se sentir nem um pouco melhor: a imagem do rosto de Rei, ainda corada e abalada por ter lhe beijado a bochecha, continuava surgindo diante de sua visão.
"Verdammung!" Ela choramingou, frustada. "Qual é o problema comigo?? Eu não deveriaficar pensando nela, eu deveria pensar no Kaji, ou até no retardado na porta ao lado, mas não em uma garota! Deixe de pensar NELA! AAARGGGHHHH!!!!"
Um batida à sua porta se fez presente. "Asuka? Você está bem? Eu escutei seu berro…" Asuka escutou uma pausa vinda de Misato, seguida um riso amarelado. "Ou Shinji está aí com você?"
Asuka colocou suas mãos ao lado de sua cabeça. "Isso não pode estar acontecendo…" Ela resmungou. "Eu preciso de um conselho e tudo o que me resta é essa Der Uber-bêbada do lado de fora do meu quarto…" Ela suspirou profundamente e caminhou até a porta, abrindo-a e permitindo que uma muito embriagada Misato entrasse em seu quarto.
Misato, que estava escorada contra porta, cambaleou para dentro da peça. Asuka, que SABIA que a major estaria apoiada contra a porta, postou-se ao seu lado e a afirmou, segurando o braço de sua guardiã com seu próprio, evitando que a mesma caísse com tudo contra o piso. –Estou aliviada por ela estar preocupada com meu bem-estar, mas dois dias de bebedeira?- Ela suspirou. –Ela não vai me ajudar em nada estando inconsciente…- Ela notou o sorriso largo e a face corada de Misato. –É claro que ela também não me ajudará nesse estado...-
Esperando que a mulher não se lembrasse de nada no dia seguinte, Asuka foi direta ao assunto. "Misato, você já beijou outra mulher?"
Misato encarou a ruiva por um instante, antes de começar a gargalhar. "Por quê? Você está interessada em mim, Segunda Criança?" Ela disse numa voz baixa e sedutora (pelos menos baixa para ela… levando em consideração que ela estava praticamente berrando).
"Merda, Misato! Eu estou falando sério!" A Ruiva soltou o braço da mulher mais velha, deixando que ela caísse finalemente contra o piso.
A Major bateu contra o piso numa batida satisfatória (bem, pelo menos para a ruiva era, não necessariamente para Misato). "Oww..." Ela disse, esfregando seu traseiro de um jeito estranho. "Eu estava apenas brincando, Asuka..." Ela olhou a piloto com seus olhos levemente desfocados. "Sim, eu beijei algumas garotas na faculdade… Eu não gostei, macio de mais." Ela sorriu e soluçou. "Eu gosto da força de um homem e amo uma barba rala." Ela deu um sorriso amarelo. "Como…" Ela pareceu ficar levemente sóbria. "…como Kaji."
Ela se levantou e colocou sua mão sobre a cabeça da ruiva, livre de sua embriaguez subitamente. "Por que você está me perguntando isso, Asuka?" Ela disse, sua voz agora parecia cansada. "Você sabe o que eu sentia-SINTO por Kaji…"
Asuka franziu suas sobrancelhas com o comentário, mas deixou estar. –Ela realmente está bêbada.- "Esquece, você está muito bêbada para me ajudar." Ela começou a guiar a mulher mais velha para fora de seu quarto.
"Não, espere..." Misato teimou quando seus pés tocaram os trilhos da porta, sacudindo sua cabeça para espantar a embriaguez. "Sério, Asuka... Por que você quer saber?"
Asuka ficou tensa. –No que eu estava pensando quando a convidei para entrar? Eu não POSSO contar para ela!- "Eu… Quero saber como você sabe que ama Kaji ao invés de uma mulher..." Ela encolheu-se involuntariamente. –Por que eu disse isso??-
"Por que eu amo…?" Misato sussurrou, olhando o chão. "O jeito que eu me sinto com Kaji... Eu nunca senti ficando com outra mulher." Sua voz pareceu distante. "Quando ele me aperta contra si, eu me sinto segura... Como se nada pudesse me machucar..." A mulher de cabelos púrpura não percebeu quando Asuka pousou sua mão sobre sua boca, escondendo sua surpresa ao notar que Misato descrevera exatamente o que ela havia sentido quando Rei a abraçara.
Misato observou Asuka, os olhos da menina desfocados. "Eu... uma vez... dormi com uma mulher..." Ela disse, corando com a confissão. "Ela foi… muito gentil." Ela sacudiu sua cabeça . "Gentil de mais, eu acho… Eu gosto demais do toque de um homem." Uma lágrima solitária escorreu pela sua bochecha. "Mais tarde, eu fui… muito má com ela."
A major abraçou Asuka, ainda embriagada, assustando a garota mais nova. "Asuka... prometa que você não fará as mesmas burradas que eu fiz." Ela choramingou. "Não seja má com quem tenta ser gentil com você… pelo menos, diga 'não' gentilmente…" A voz dela se tornou mais grave. "Não quebre o coração de alguém por que você está com vergonha…"
Asuka afastou Misato firmemente. "Misato, vá para cama… Você está muito bêbada." Ela disse, severa. "Eu não preciso saber a respeito da sua vida sexual! DEUS!"
Misato acenou. "Desculpe… Eu… Sinto muito…" Ela tropeçou para fora do quarto da menina, indo na direção do seu próprio. Ela caiu no sono pensando em na garota que ela havia rejeitado friamente depois de ter sido tão intensamente perseguida. –Eu... precisava saber como... era...- Ela disse a si mesma... –Eu nunca... quis que ela me amasse...- enquanto ela finalmente cruzava a barreira da consciência. Ela sabia que o que ela havia feito era errado... e ela agradeceu no dia seguinte por não ter sonhado com a garota.
Depois de Misato ter saído, Asuka sentou-se novamente em sua cama, suspirando. "Segura..." Ela disse tranqüilamente, erguendo sua mão até sua bochecha inconscientemente. –Eu deveria ter sabido melhor, antes de perguntá-la, a amiga sexual, sobre isso…-
"Isso é ridículo!" Ela sussurrou forçadamente. A ruiva abriu sua porta silenciosamente, escutando os roncos de Misato, e então dirigiu-se com determinação para o quarto de Shinji...
Continua...
Nota da Tradutora:
Bom, está aí mais um capítulo...
bate palmas, animadérrima!
E aí, gostaram? Ficou muito diferente do texto original? Tem erros?
Eu aceito qualquer review, desde que não seja para criticar o gênero da fic...
-Tenho verdadeiro horror a homofóbicos!! XD-
Assim que possível, eu mando o reply!
;D
