More Than a Forbidden Love

Capítulo 3 – Ten Years Later

Kushino correu pelo salão Uchiha, tinha recebido uma chamada urgente de Mikoto, o seu filho estava de volta a Konoha, e dessa vez, ele iria fazer de tudo para o ver. Mais uma primavera tinha chegado, as árvores de cereja estavam em flor, dando ao ambiente uma rosácea distinta.

Quantas primaveras tinham passado desde que vira Naruto pela última vez no aeroporto? Ele já contava dez primaveras. Desde que o filho se casara nunca mais voltara a viver na cidade que o vira nascer. E quanto viera a Konoha nunca se quisera encontrar com o seu homem mãe, apenas com o seu pai Minato. Mas daquela vez Kushino ia fazer de tudo para ver o loirinho.

– Kushino! – Chamou Mikoto correndo ao encontro do amigo.

– Onde é que ele está? – Questionou o ruivo com uma expressão de pânico e aflição.

– Tem calma querido. Ele saiu já há algum tempo, foi a um entrevista de emprego, e ainda não voltou. – Lamentou.

– Uma entrevista de emprego? – Escandalizou-se Kushino. Desde quando é que Naruto precisava de trabalhar quando tinha um marido tão rico como Itachi? E que recentemente se tinha tornado no Presidente dos hotéis Uchihas substituindo o pai, que resolvera reformar-se.

Não ficara totalmente sem notícias; afinal, Minato contava-lhe coisas, era verdade que sabia que Naruto continuara os estudos e que até entrara na faculdade, mas nunca pensara que Itachi o fosse deixar trabalhar. Uma coisa eram estudos outra era trabalhar. Que tempo tinha Naruto para a família?

– Sim, uma entrevista de emprego. Podes ficar aqui até ele voltar. – Disponibilizou-se Mikoto vendo o amigo em completo estado de nervos. A verdade é que também ele não compreendia como é que o seu filho Itachi deixava o seu Uke estudar, até lhe pagara os estudos, e como é que o deixava trabalhar. Era totalmente contra qualquer tradição de família. Desde os tempos dos antepassados que os Ukes se deviam dedicar totalmente aos filhos e ao lar. Certa forma podia começar a ser visto como uma desonra na comunidade.

Nesse momento, outra porta do salão, aquela que dava para o resto da mansão Uchiha, abriu-se. Um rapazinho apareceu, juntamente com o mais velho dos irmãos Uchihas. Teria os seus nove anos, os seus olhos eram como safiras azuladas e os cabelos de um negro azulão muito brilhante, mas de maneira diferente do homem que o seguia, que tinha cabelos cumpridos, a criança tinha os cabelos tão selvagens, que parecia que tinha acabado de se levantar.

– Avó Mikoto! – Foi de encontro aos braços de Mikoto, com energia de criança, beijando o seu parente com um calmo sorriso na face.

– Masao! – Sorriu Mikoto. – Finalmente chegaram!

– É verdade. Naruto veio mais cedo por causa da entrevista, mas eu não queria acordar Masao tão cedo, por isso decidimos vir mais tarde. – Explicou Itachi que se aproximou calmamente do homem mãe.

– Eu sei querido, o Naruto passou por cá mais cedo para deixar as malas. Meu deus, eu até me assustei, o que dás aquele rapaz? Está enorme. – Falava de Naruto. – E tu também estás enorme e pesado. - Comentou Mikoto com Masao ao colo, rindo feliz, enquanto se esquecia que nas suas costas estava Kushino com os olhos cheios de lágrimas, que incapaz de as conter as deixou escorregar pela face.

– Vovó, este senhor está a chorar. – Reparou Masao apontando para Kushino.

O ruivo estava em profundo choque. Se soubera que tinha um neto? Sim, mas Naruto tinha proibido a família de arranjar um esquema de aproximar Kushino de Masao, tinha deixado claro que não queria o espírito daquela pessoa por perto do seu bebé. A família tinha questionado o porquê daquela demanda, mas a palavra suficientemente forte de Naruto, apoiada por Itachi, tinha sido bastante para que os outros elementos, todos eles em volta de Kushino, aceitassem o que ele ordenava, ou de outra forma se viriam privados da companhia do pequeno Masao. Tinha sido chantagem? Talvez, mas pelo menos tinha surtido efeito. Masao não conhecia de todo Kushino, nem ouvira de forma clara que ele era o seu homem avó.

– Não se aponta Masao, isso é má educação. – Corrigiu-o Itachi. Este era outra personagem que estava diferente, afinal casara-se com 19 anos e agora beirava os trinta anos, já era um jovem homem muito maduro. Era mais alto que os homens comuns, mas esguio, um protótipo de homem de escritório e não de campo. As suas linhas faciais eram finas e de pura elegância, que completavam com os seus olhos estreitos de pestanas alongadas. O seu cabelo caia fino em cachos sobre os ombros, seguro num nó pouco preso. Era uma personificação de beleza requintada.

– Desculpa, pai. – Pediu Masao descendo do colo do homem avó e indo entrelaçar a sua pequena mão à do pai.

– Nós vamos a casa de Sasuke. – Informou Itachi, falando exclusivamente para Mikoto e tentando não dar atenção a Kushino, que se mantinha em silêncio por causa do choque; afinal, estava a presenciar o seu neto pela primeira vez, e este já tinha 9 anos.

– Vamos a casa do tio? Fixe! – Guinchou a voz de criança, não em euforia, mas de boa medida de alegria.

– Vocês afastaram-me de tudo isto! Como puderam? – Reagiu Kushino, chorando e não escondendo os seus tremores.

– Podemos! – Cortou Itachi de voz forte, porém não aumentando o seu som. – Vamos, indo Masao? – O pequeno maneou a cabeça concordando, percebia que estava um clima tenso, e como não gostava de discussões queria sair dali rapidamente. – Até logo, mãe. – Virou as costas à mãe e ao amigo da mãe, preparando-se para sair com Masao do salão, onde fazia apenas minutos que tinham chegado.

– Por quê!? – Gritou Kushino em desespero.

Itachi não se virou completamente para encarar de frente o ruivo, em vez disso apenas girou um pouco a sua cabeça de maneira a ver Kushino pelo canto do olho, e respondeu:

– Eu sei o que fez ao Naruto. – Respondeu calmamente, mas num tom profundo e sombrio. – Sei que as marcas que ele tem ainda hoje sobre a face não foram provocadas por Sasuke, embora o meu irmão tenha arrecadado as culpas.

– Então Naruto contou-te? – Questionou Mikoto, surpreendido.

– Sim. – Confirmou.

– E será que te contou tudo? – Atiçou Kushino, sem se conseguir conter. Itachi sabia que Naruto era mais parecido com Kushino do que ele queria pensar, a começar pela impulsividade de ambos, abeirava a insanidade. - Sabes por que é que eu lhe fiz aquelas marcas?

– Sim, eu sei de tudo. – Contou de maneira séria e grave, por momentos os seus olhos fixaram-se no chão, Kushino pensou ver um momento de dor, só não sabia quanta dor estava contida dentro daquele coração. Tal dor não passou despercebida também a Mikoto, que se agarrou ao peito, cheio de dor maternal para com o seu adorado filho. Mas depois Itachi voltou a encarar Kushino de forma dura. – Eu nunca o vou perdoar por magoar duas das pessoas que mais amo neste mundo.

Mais uma vez Kushino estava sem palavras, mais uma vez não compreendia o que se passava no seu mundo. Não sabia como dois Ukes podiam gostar um do outro, e agora não percebia com um Seme como Itachi, sabendo o que se passara, e tendo um filho em conjunto com Naruto, poderia aceitar o que se passara entre Sasuke e Naruto. Talvez o verdadeiro amor estivesse para lá da sua compreensão…

– Vocês vêm jantar, não vêm? – Questionou Mikoto antes que o filho atravessasse a porta e desaparecesse.

– Não sei … - Respondeu olhando para Kushino.

– O Shisui vem cá jantar. – Contou Mikoto, sabendo que o quanto o seu filho era ligado ao primo e tendo esperança que isso o alegrasse um pouco, principalmente depois de o ver tão sofredor ao pensar em Naruto e Sasuke. E não se enganou, ao ouvir mencionar o nome de Shisui e ao pensar nele, Itachi sorriu docemente.

– Então voltaremos para jantar. – Prometeu, deu um aceno e saiu definitivamente com Masao.

O*O*O*O*O*O*O*O*O

Um jovem homem de 24 anos, de envergadura mediana, mas de claros movimentos desportivos, saiu com um sorriso deslumbrante dos lábios, do prédio de vários andares do Museu de História Antiga da cidade. Era um prédio tão alto que tocava as nuvens e fazia sombra com a luz amarela do sol, de uma cor muito idêntica aos cabelos rebeldes do jovem. Este suspirou alegremente, pois finalmente conseguira o emprego que tanto almejara.

Algo, um aparelho pequeno inserido no ouvido direito, soltou um pequeno "pi" e uma voz eletrónica identificou: "Itachi". Atendeu rapidamente a chamada.

– Estou. – Falou.

– Naruto?

– Quem mais havia de ser? Não foi o meu número que discaste? – Perguntou fazendo brincadeira, estava de bom humor.

– O Kushino está na Mansão.

– O quê? E o Masao? – Afligiu-se Naruto.

– Ora ele está comigo, claro. Nós cruzámo-nos com o teu progenitor, mas já saímos, vamos a casa de Sasuke. Faz um tempo que não vejo o meu otouto e quero saber como ele está. – O coração de Naruto ao ouvir falar de Sasuke bateu com força e de maneira insuportavelmente dolorosa. – E ai, como correu a entrevista?

– Como é que achas que correu? Obviamente muito bem. – Gabou-se. – Fiquei com o emprego, começo na próxima segunda.

– Parabéns.

– Vou ter contigo a casa de Sasuke.

– Tens a certeza?

– Claro! Meto-me de carro na estrada aérea 3 e estou lá num instante. – Riu-se o louro.

– Tu percebeste que não fui isso que eu perguntei! Tu não vês o Sasuke há mais de quatro anos. Por causa da faculdade não pudeste vir a Konoha, e quando cá vinhas ele recusava-se a ver-te…

– É por isso mesmo que agora eu vou vê-lo sem que ele saiba, para que não possa recusar ver-me.

Continua…