More Than a Forbidden Love
Capítulo 4 – I Still Love You
A propriedade de Orochimaru, conhecido por "Lord Cobra Branca", era de uma enormidade desmensurada. A mansão era rodeada de grandes jardins, perfeitamente arranjados, arrepiava de tão simétricos que eram. Por entre árvores e restante vegetação ao comando de um pequeno carro voador, procurava a rampa de descida. Mal avistara a propriedade ao longe o seu coração disparara como um louco. As suas mãos agora suavam devido ao nervosismo. Iria ver Sasuke…
Por fim, avistou as luzes da rampa de aterragem, com um som pelo ar, fez a dianteira do carro descer. As rodas saíram do lugar e estenderam-se para fora. E então chegaram à rampa e ao piso térreo. Os motores aerodinâmicos desligaram-se e o motor de carro roncou, as asas contraíram-se, como um pássaro, e as rodas distendidas encolheram-se. O carro voador que antes parecera um pequeno avião tinha agora a aparência de um carro. Desceu então calmamente a rampa e procurou um lugar para estacionar o veículo. Encontrou um mesmo ao lado da porta.
Rapidamente um empregado, que o tinha visto chegou, se acercou de Naruto.
– O meu nome é Uchiha Naruto. – Apresentou-se com um sorriso. – Sou o esposo de Uchiha Itachi e cunhado de Sasuke, eles estão à minha espera.
O empregado apresentou-se um pouco surpreendido. Nunca vira Naruto, nem mais gordo, nem mais magro, nem novo, nem velho. Tinha ordens para não deixar ninguém entrar, e o referido Itachi assim como um dos senhores da casa, Sasuke, não lhe tinha dito que aquele personagem chegaria. Mas ele dizia ser o esposo de Uchiha Itachi…
O servente analisou rapidamente o louro. Não tinha ar de Uke, era forte e desportivo demais para um elegante e delgado Uke. E vestia um smoking de trabalhador, coisa totalmente descabida dentro da alta sociedade, apenas os ukes da plebe é que trabalhavam. Portanto, aquele ser só podia estar a mentir, era o que a mente deste homem, tão ligada às tradições, deduzia.
– Por favor, senhor vá-se embora, tenho ordens para não deixar ninguém entrar. – Pediu o empregado.
– Mas… - Naruto ia a responder, mas naquele momento uma bola saltou de entre de uns arbustos do lado lateral da mansão para o meio dos dois homens. O empregado e Naruto olhavam espantados para o objeto redondo quando ouviram passos de correria. Pouco depois, Masao aparecia, e com ele o mordomo da casa.
– Papá! – Gritou o pequeno correndo para os braços abertos de Naruto, que o recebeu com beijos de muitas saudades.
– Senhor Naruto. – Reconheceu o mordomo que já trabalhava há muitos anos para Orochimaru e conhecia o louro, ao contrário do empregado.
– Olá Kabuto. – Cumprimentou Naruto, segurando o filho com um braço e estendendo a mão do outro braço para cumprimentar o mordomo, um homem de longos cabelos prateados e uns óculos arredondados com uns olhinhos inteligentes por detrás das lentes. – Onde está o meu marido?
– Lá em cima no quarto do senhor Sasuke. – Respondeu Kabuto polidamente.
– Então eu vou lá dar uma olhadela. – Decidiu o louro. Já não punha os pés naquela casa há mais de quatro anos, desde a festa onde vira pela última vez Sasuke. Nunca se iria esquecer desse dia tão trágico. O dia em que quebrara o pobre coração de Sasuke de forma tão abrupta e horrível. Assim como também não se esquecia de como era aquela mansão tão fria e despromovida de sentimentos.
– O tio Sasuke está doente. – Falou Masao informando o pai. – Está na cama.
– O que se passou? – Questionou Naruto encarando Kabuto, terrivelmente desconfiado.
– Apenas um pequeno acidente ontem à noite.
– Acidente… - Cuspiu Naruto, ele sabia perfeitamente que tipo de "acidente" seria. Deixou o filho no jardim ao lado de Kabuto, provavelmente a conversa e aquilo que veria no andar acima daquele em que estava a entrar, não seriam para uma criança de 9 anos ver e ouvir. Correu pela escadaria, correu pelos corredores e chegou ao quarto principal dos senhores da casa. Por muito medo que sentisse, a sua raiva era maior e apagava os seus receios. Bateu de leve na porta e entrou.
Havia pouca luz no grande quarto, apenas um pequeno fio de luz solar que entrava por entre umas das cortinas da janela entreabertas. O ar ali era quase irrespirável, Naruto não sabia dizer se era por estar tudo fechado, portas e janelas, se era pelo claro clima de aflição e tensão dentro daquelas paredes. Encontrou Itachi sentado na beira da grande cama. Este quando o viu levantou-se e foi até ao louro, compreendendo que o tinha que o acalmar antes de o deixar aproximar de Sasuke.
– O que diabo se passou? – Perguntou, enquanto era seguro por Itachi, e impossibilitado de avançar mais.
– Acalma-te e fala baixo. Ele acabou de adormecer. – Pediu Itachi de voz firme, fazendo entrar um pouco de bom senso na cabeça impulsiva de Naruto.
– O que é que se passou?
– Lembra-te do que me prometeste.
– Mas…
– Naruto!
– Tudo bem, tudo bem. – Concordou, respirando fundo e tentando controlar a sua raiva. – Conta-me o que se passou.
– Ele sofreu um aborto. – As palavras curtas atingiram Naruto como uma tempestade que quase o fez cair, felizmente estava ali Itachi para o manter equilibrado. O seu coração parecia que já não podia bater mais depressa, mas batia, receava que viesse a parar devido ao ritmo excessivo. Mesmo não querendo as suas emoções, talvez o seu estado como Uke, ou simplesmente por saber o que era ter um filho, fez as lágrimas chegarem como uma enchente aos olhos de Naruto. O que, acima de tudo, ele sabia que aquelas lágrimas eram de profunda culpa.
Deixou Itachi onde estava e aproximou-se a tremer da cama de Sasuke. Este tinha uma fina coberta branca sobre si. O seu sono parecia tranquilo, pois ele estava muito quieto, deitado de costas sobre o colchão, uma mão estendida para o lado direito, e a esquerda pousada sobre o próprio corpo. No entanto, ele sabia que a sua mente era povoada por sonhos, os olhos estavam irrequietos sobre as pálpebras. Agarrou-lhe na mão direita. Estava fria, tentou aquecê-la entre os seus dedos, e depois beijou-a.
Na belíssima face de Sasuke viam-se duas marcas roxas, uma que envolvia o olho esquerdo, e outra no canto do lábio. O estomago de Naruto revirou, mas ele teve que fazer um esforço para engolir aquilo tudo. Ainda com a mão perto dos seus lábios, agarrando Sasuke com toda a força da sua alma, ele pensou:
"Perdoa-me, meu amor! Perdoa-me por todas estas cicatrizes e sofrimentos. Por favor, perdoa-me por ser tão fraco e não conseguir ser mais rápido. Perdoa-me as mentiras. Eu ainda te amo. Eu continuo a amar-te, eu amo-te demais. Sempre te amarei, mais do que a minha própria vida."
Enquanto falava em silêncio para Sasuke com a sua mente, não reparou que Itachi se mexia rapidamente. Este agarrara numa mala e agora enchia essa mala com roupas e sapatos que tirava de uma enorme closet. Ainda encheu mais duas malas com roupas e acessórios pertencentes a Sasuke, e mesmo assim a maior parte das coisas ficaram no local.
– Agarra em Sasuke. – Ouviu Itachi ordenar, fazendo Naruto sair da sua auto penitência silenciosa. – Já falei com a minha mãe. Ela espera-nos.
– Queres dizer que…
– Sim. Vamos levar Sasuke daqui para fora. – Confirmou Itachi.
Rapidamente Naruto agarrou no moreno do seu coração, reparando que este estava abaixo do peso normal para uma pessoa com a sua estatura. Será que além de levar porrada do seu nefasto marido também passava fome? Sasuke não acordou nunca, enquanto era transportado com urgência para o carro de Naruto.
Continua…
