More Than a Forbidden Love
Capítulo 10 - The Beautiful Ending
Naruto estacionou o seu carro em frente à mansão Uchiha. Sasuke parecia ligeiramente consternado, não era algo que fosse realmente detectável, mas quem o conhecia bem percebia. Ele levantou-se e foi ao banco detrás retirar a bebé que adormecera durante a viagem até ali. Eles tinham passado o dia todo em compras e modificações em casa. A principio Aimi era para dividir o quarto com Masao, mas agora que eles sabiam que Aimi era uma menina eles não podia fazer mais nada senão fazer um quarto próprio para ela. Era assim que os antigos faziam era assim que eles tencionavam fazer também.
O moreno retirou-a da cadeira de segurança e encostou-a contra ao seu corpo. Como fora um dia preenchido a menina estava cansada e não despertou ao ser mexida, enroscou-se apenas mais contra Sasuke e manteve-se calmamente adormecida. Eles tinham combinado com o resto da família apresentar o novo membro nessa noite, ao jantar, mas teriam que esperar até a pequena acordar.
– PAPÁ! – Masao veio imediatamente a correr, aquele miúdo parecia que tinha o magnetismo de saber onde estava o seu pai louro. Atirou-se para os braços de Naruto que teve que lhe dizer para falar mais baixo. O pequeno Uchiha fora um dos mais entusiastas ao receber a notícia de que havia mais um membro desconhecido na família. Por isso os seus olhos azuis brilharam ao reparar que Sasuke carregava uma pequena criatura nos braços. – É o primo?
– É… mais ou menos… - Mas antes que pudesse revelar mais algum pormenor Mikoto aproximou-se também com um sorriso de deleite.
– É o meu netinho? – Questionou olhando para o filho mais novo. – Oh que fofura… - Disse enquanto observava a carinha adormecida de Aimi sobre o ombro de Sasuke. - Vem, vamos todos para dentro. Vamos pôr o Aimi na caminha e vocês vão-me contar tudo!
– Eu prefiro deixá-la no meu colo a dormir. Ela não conhece a casa e se acordar e não vir ninguém é capaz de se assustar. - Sussurrou Sasuke ajustado o corpo da filha mais contra si. Do lado de fora, Naruto apenas teve a ideia de que ele não se queria afastar da criança.
– "Ela"? - Questionou Mikoto, sendo bastante perspicaz na análise das palavras usadas pelo filho. Mas Sasuke não lhe respondeu, em vez disso, entrou dentro de casa dando a entender com os olhos que explicaria o que se passava no interior.
Alojaram-se confortavelmente na sala grande da mansão Uchiha. Um dos empregados trouxe chá numa pequena bandeja que depositou numa mesa pequena rodeada de sofás. Sasuke estava sentado com Aimi ao colo e Naruto com Masao, em sofás separados, e por fim Mikoto.
– Onde está Itachi? - Questionou Naruto ao estranhar a ausência do ex-marido.
– O pai não se tem andado a sentir bem. - Falou Masao preocupado, olhando para Naruto. A cabeça de Naruto vieram as suas recordações de um Itachi. Também reparara que ultimamente o moreno mais velho andava com um aspecto cansado.
– O Masao tem razão. Primeiro era tristeza e cansaço, mas depois reparei que a isso se juntou vómitos. - Contou Mikoto. - Ele esteve todo o dia no quarto. Tentei fazê-lo comer. Tentei falar com ele. Quis chamar o médico, mas vocês conhecem-no. Ele disse que ficaria bem, que não tinha que me preocupar, que era apenas um mal estar passageiro. Ele não quer que nos preocupemos.
– Ok, eu vou falar com ele. - Decidiu Naruto suspirando profundamente. Tinha estado casado os anos suficientes com Itachi para saber algumas técnicas que colocariam o irmão de Sasuke a falar. Masao saltou do colo do louro para o chão no exacto momento, esperando impaciente que Naruto se despachasse.
– Não é preciso. Eu já aqui estou. - A voz de Itachi surpreendeu todos. Ele estava com os longos cabelos soltos. Vestia o pijama e um fino roupão. A sua tez estava pálida, no entanto, os seus lábios tinham um fino sorriso. Um sorriso cansado. - Eu estou apenas com um pequeno mal-estar não é preciso fazer uma tempestade por causa disso. Naruto?
O louro tinha-se erguido do sofá, avançara sobre Itachi e pousara uma mão sobre a testa deste.
– Bem, febre não tens. Na realidade, estás gelado demais. Tu já comeste alguma coisa hoje?
– Já. - Respondeu Itachi.
– Mentiroso. - Retorquiu Mikoto. - Não olhes assim para mim. Sou o dono desta casa, sei o que se faz dentro de todas as divisões desta mansão. Além de que és meu filho, conheço-te melhor que ninguém, sei perfeitamente que estás a mentir.
– É o meu sobrinho? - Perguntou Itachi esquivando-se de Naruto para se aproximar de Sasuke, que continuava sentado com Aimi, e o olhava de forma reprovadora.
– Se estás doente, não te posso deixar aproximar-te de Aimi. - Chantageou Sasuke. Não é que não quisesse deixar Itachi ver a sua filha, apenas queria arranjar uma forma para que Itachi fosse cuidar de si mesmo. Mas algo preocupava Sasuke. Itachi andava triste desde que se separara de Naruto. Sasuke sabia o quanto o irmão amava Naruto. Estaria ele a entrar numa especie de depressão por causa da separação?
– Eu não tenho nada contagioso. - Defendeu-se. - Estou apenas com dores de estômago.
– Finalmente, consegues dizer o que tens. - Mikoto levantou-se do sofá e puxou o filho mais velho para se sentar no lugar onde antes tivera. - Fica aqui quietinho enquanto mando vir comida apropriada da cozinha. Naruto, será que podes servir um chá a este cabeça dura?
– Claro, Mikoto. - Aceitou Naruto ajoelhando-se ao pé da mesa do centro e servindo o chá, enquanto o homem mãe saia para ir dar instruções à criadagem. - Também queres Sasuke?
– Sim, por favor.
– Tu és sempre assim. Nunca queres que os outros se preocupem contigo, mas acabas por levar as doenças a ficarem pior e depois preocupas ainda mais as pessoas. - Resmungou Naruto para Itachi, ao entregar-lhe a chávena de chá. - E nada de açúcar! Não queremos furar o teu estômago de vez. Tens comido como deve ser?
– Ultimamente tudo o que como vem fora. - Pronunciou-se Itachi de uma forma demasiado normal, era como se nada se estivesse a passar.
– E quando é que estavas a pensar ir ao médico?
– Não estava. - Respondeu. A chávena rodava entre as suas mãos. Naruto entregou outra chávena de chá para as mão de Sasuke. Aimi estava apoiada sobre o antebraço esquerdo do moreno, logo ele tinha as mãos livres. - Não é nada de grave. Não vou morrer por causas de dores de estômago.
– Não sabes disso, pois não? - Contradisse-o Naruto, cruzando os braços , com a cara de poucos amigos encarando Itachi. - Não sabes sequer o que está a originar as dores de estômago...
– Eu não quero que o pai morra! - Chorou Masao atirando-se para cima de Itachi de olhos lacrimosos.
– Eu não vou morrer... - Tentou falar Itachi para acalmar o filho.
– Papá! Chama um médico! - Pediu Masao olhando para Naruto enquanto abraçava o pescoço de Itachi.
– Mas...
– Tu ouviste o teu filho, não ouviste Itachi? Eu vou ligar para o médico. - Naruto saiu da grande sala para fazer a chamado num lugar mais calmo.
– Isto é um complô contra mim! - Resmungou Itachi.
– Pois é! - Falaram Sasuke e Masao ao mesmo tempo com sorrisos vitoriosos e arrogantes nas faces. Tinham conseguido aquilo que queriam.
oOo
– Pode vestir-se, senhor Uchiha. - Pediu o médico. Era um médico velho. Acompanhara o crescimento de Mikoto. Fizera os partos de Itachi e Sasuke. Acompanhava a família Uchiha à muitos, muitos anos. Conhecia a saúde dos corpos dos morenos melhor que ninguém. - Eu já temia que isto poderia acontecer... Eu avisei o seu paizinho que isto poderia suceder... Mas ele não me quis ouvir...
No quarto de Itachi, estavam apenas este, o médico, e Naruto, que fora o único que Itachi permitira que assistisse à consulta. Primeiro porque agora era um seme, e depois porque fora companheiro do moreno, não era como se existissem segredos entre eles, muito menos pudores.
O Uchiha estava completamente desorientado. Vestiu-se mecanicamente, enquanto no seu rosto demonstrava uma perfeita descrença sobre o que acabara de saber. Na realidade, acabara de saber duas coisas. A primeira que o seu pai lhe mentira a vida toda, não sabia se devia ficar desiludido ou surpreendido com isso; segundo, já sabia a causa de todo o seu mal estar.
– Vai ter de tomar duas gotas desde frasco de duas em duas horas, ao mesmo tempo que come. Eu farei um tabela sobre a sua dieta, daqui em diante terá de ter cuidado com aquilo que come e com aquilo que faz. Quero vê-lo mais vezes. Daqui um mês, pode ser? - Itachi concordou com a cabeça quase sem saber muito bem com o que estava a concordar. - Irei enviar-lhe a tabela da sua dieta para o e-mail. Até o receber aconselho a comer apenas sopa. Mas sopas de legumes, nada de sopas de caldas e cozidos! Também pode comer papás de cereais, mas a água ou o leite tem de ser quentes. Não abuse nem no sal, nem no açúcar. Agora vou andando que tenho mais pacientes para ver. Qualquer coisa, dúvidas ou problemas, pode ligar-me.
Depois de apertar a mão a Naruto e a Itachi, ambos espantados e confusos, ainda a associarem ideias, o médico saiu. O moreno sentou-se na cama enquanto enrolava os cabelos com os dedos, um gesto claro de nervosismo. O ex-marido aproximou-se dele. Algumas perguntas pairavam sobre a sua cabeça.
– Agora... o que é que eu vou fazer? - Questionou Itachi, sem sequer olhar para Naruto. Não era vergonha, era talvez falta de coragem.
– Levar a vida para a frente... - Naruto sentou-se ao lado de Itachi, compreendia-a que não devia estar a ser fácil de digerir as novas informações para ele.
– O meu pai mentiu-me a vida inteira, apenas... porquê?
– Tu ouviste o médico. Para primeiro filho Fugaku queria um orgulhoso seme e não um degenerado uke. - Relembrou-o Naruto. No seu âmago rugia uma fúria avassaladora. Novamente o preconceito tinha feito uma vitima.
– Eu vivi a vida toda numa mentira... - Murmurou Itachi baixando a cabeça encaixando-a entre as suas mãos. Os seus longos cabeços escorregaram formando um cortina impossibilitando Naruto de ver as emoções no rosto do ex-marido. - A minha vida foi sempre algo forjado...
– Itachi... A nossa vida pode ter sido forçada, forjada, alterada por outros com mentiras ou actos impiedosos, mas... - A mão de Naruto pousou sobre o ombro de Itachi, o que o fez elevar a cara e encarar o louro. A outra mão do Uzumaki foi à barriga do moreno. - Mas este bebé não foi forçado por ninguém, ao que parece está a ser apenas forjado por ti.
Itachi espantou-se com as palavras de Naruto. Os seus olhos ficaram sintonizados com as pérolas azuis do louro e no sorriso terno que brotava dos lábios do mesmo. Ele tinha razão. Aquela era só mais uma fase da sua vida. E daquela vez a culpa não era de mais ninguém a não ser dos seus próprios actos. Sorriu para Naruto.
– Obrigado, Naruto.
– O que é que se passa aqui? - Os dois sobressaltaram-se quando a porta do quarto de Itachi bateu contra a parede. Por ela tinha entrado Shisui, o seu rosto estava contorcido em rugas que Naruto conhecia perfeitamente – ciúmes.
– Shisui... - Itachi levantou-se alarmado. Reparando que a posição em que ele e Naruto estavam podia ser subentendida.
– Desculpa-me se interrompi alguma coisa. - O tom de Shisui não era agradável. - Eu vim apenas ver se estavas melhor, Mikoto, disse que estavas a ser visto pelo médico. Mas pelo vistos estás muito bem. Com licença. - O moreno mais alto deu as costas e saiu.
– Shisui... não é nada disso... espera! - Gritou Itachi, correndo atrás do outro, mas chegando à porta sentiu-se tonto e parou.
– Eu vou atrás dele. - Disse Naruto passando por Itachi a correr.
O louro correu como um louco pelo corredor. Encontrou Shisui a descer a escadaria em passos furiosos.
– Shisui-san. Pára! - Berrou o louro em plenos pulmões. Mas o moreno não queria ouvir.
Continuou a descer a escadaria, pronto para fugir dali para fora. Estava furioso. Sabia que não tinha hipóteses contra o grande amor da vida de Itachi. Sabia que fora ele mesmo que forçara os seus próprios sentimentos egoistas em Itachi. Aproveitara a fragilidade da separação. Mas por um momento imaginara que poderia ser feliz ao lado do herdeiro Uchiha, alguém que sempre amara. Mas talvez tudo o que se tinha passado entre eles fosse apenas uma miragem. Uma forma de Itachi esquecer Naruto. A culpa era sua... criara miragens falsas...
– Papá! - Um grito profundo fez Shisui parar quase no fundo da escadaria, quando Sasuke e Aimi, já acordada, lhe apareceram à frente. Então, por fim, Naruto agarrou em Shisui pelo braço. Enquanto a pequena Aimi se entusiasmava ao ver o pai louro. - Papá, papá, papá!
– Olá querida! - Cumprimentou Naruto, com um sorriso meio forçado, enquanto agarrava Shisui com força, para que este não fugisse, mas o moreno estava parado a olhar para a pequena Aimi. - O papá já fala contigo...
– Eu pensava que o pai era Orochimaru... - O rapaz estava chocado. Os olhos de Aimi diziam mais do que qualquer outra coisa quem era o verdadeiro pai. - Ukes podem engravidar de ukes?
– Pelos vistos podem. Shisui. Dá meia volta e vai falar com o Itachi-nii. - Pediu Naruto, e então a expressão furiosa voltou ao rosto de Shisui.
– Para quê? Não estás aqui tu para usares ambos os Uchihas? - Nesse momento Naruto espetou-lhe um tabefe. Aimi gritou e saltou para o colo de Sasuke assustada.
– Naruto... - Censurou-o Sasuke, pois era desnecessário a menina ver violência.
– Volta já para o pé de Itachi. - Rugiu Naruto empurrando um Shisui aparvalhado pelas escadas acima. - O Itachi precisa bastante de ti agora... Aquilo que viste foi apenas um mal-entendido. Eu apenas amo de alma, coração e corpo o Sasuke. Por favor, volta para o pé de Itachi... Ele precisa realmente muito de ti...
– É isso mesmo. O Naruto é só meu. Por isso, volta lá para o meu irmão. - Sasuke tinha-se aproximado com a filha nos braços. Não sabia o que se passava, apenas via que Naruto tentava convencer Shisui a regressar para o pé de Itachi, e se ele estava a fazer isso é por que tinha bons motivos, então, tinha que o apoiar. Shisui ficou estático a olhar para os dois, os seus olhos estavam mergulhados em duvidas. - Estás à espera do quê? De levar um pontapé entre as pernas para te mexeres?
Shisui mordeu os lábios e deu meia volta. Antes de correr questionou:
– Ele está muito doente?
– Pergunta-lhe tu mesmo! - Um sorriso indiscreto cresceu no rosto de Naruto, sorriso este que Shisui não viu e que alarmado pelas palavras do Uzumaki correu pela escadaria acima. Estaria o seu amado assim tão doente? Estaria a morrer?
– Desculpa, Aimi, o papá assustou-te... - Falou para a filha, enquanto esta estendia os braços para que ele a segurasse. - Foi apenas para fazer o tio Shisui mexer-se para que ele fosse ter com o tio Itachi...
– Tio... tio... - Repetiu a pequena timidamente, apenas um pouco assustada.
– Tio Shisui? - Inquiriu Sasuke olhando para Naruto. O louro abriu um sorriso resplandecente. - Oh estou a ver...
Mas Sasuke não estava realmente a ver tudo...
oOo
Itachi estava estendido e quieto em cima da cama, tentara ir atrás de Shisui e Naruto, mas um vómito sem precedentes fizera-o ir à casa de banho despejar o que tinha do estômago da sopa que Mikoto mais cedo lhe tinha dado. Ultimamente era assim com tudo, mas agora sabia o motivo. Estava cansado e a sua cabeça andava à roda. Não só pelas novas noticias, mas principalmente por causa de Shisui. Ele com certeza que tinha percebido tudo mal. Então alguém entrou no quarto.
– Shisui... - Reparou Itachi vendo o outro entrar ligeiramente embaraçado. Naruto conseguira fazê-lo voltar. Ficou aliviado por vê-lo ali.
– Itachi... - Murmurou Shisui ao sentar-se na beirada da cama ao lado de Itachi, que se sentara sobre as suas almofadas.
– Voltaste... - Constatou com um sorriso gentil.
– O Naruto deu-me um tabefe... Itachi... - Shisui encarou Itachi de frente e sem se conseguir conter elevou os seus dedos à face do outro para lhe retirar os cabelos da frente dos olhos e para lhe acariciar o rosto. - Eu amo-te... e não te quero perder... eu estava a pensar que se calhar me tinhas usado para esquecer Naruto...
– Shisui... achas que se eu não estivesse a sério contigo, que te tinha deixado tocar-me? Achas que se não fosses verdadeiramente importante eu tinha permitido isso? Nunca, eu nunca teria permitido! Foste o meu primeiro e serás o meu único. Nem a Naruto eu dei tal permissão... compreendes?
– Sim. Desculpa. Mas é que eu amo-te tanto, tanto, que tenho medo de te perder. Medo que não seja o suficiente para ti...
– Eu também te amo, Shisui. Não é a primeira vez que digo isto. Por favor, acredita em mim desta vez. - Pediu Itachi, pequenas lágrimas começaram a formar-se nos seus olhos. O que assustou Shisui, pois o outro nunca fora de chorar. Em desespero abraçou-o fortemente.
– Eu acredito. Eu juro que acredito. Itachi tu estás muito doente, não é?
– Doente?
– Sim, o Naruto disse que estavas gravemente doente. - Não tinha dito, mas fora o que Shusui entendera.
– Mas eu não estou doente. - Negou Itachi.
– Mas o Naruto disse que irias precisar muito de mim. - Itachi riu-se, enquanto envolvia com os braços os ombros de Shisui, e deixava a sua cabeça descansar sobre o ombro direito do mesmo, encostando a sua testa à curva do pescoço do mais velho. Estava tão perto que ouvia as batidas ruidosas do coração de Shisui.
– Sim, eu vou precisar muito de ti. - Confirmou Itachi soltando um suspiro entre o nervoso e o deliciado, deixando-se relaxar fazendo todo o seu peso ficar em cima de Shisui, que não se queixou, muito pelo contrario gosto daquele gesto, era sinal de entrega pela pessoa amada.
– Do que precisas de mim? O que é que te posso dar além do meu amor? Diz-me! Eu tentarei dar-te tudo.
– É disso mesmo que preciso. Todo o teu amor, carinho e atenção... tudo isso concentrado em mim.
– Sempre, sempre. - Jurou Shisui, apertado Itachi nos seus braços, sentindo o seu corpo e desejando ficar colado a ele para sempre.
– Mas se tu não estás doente, então... o que é que tens?
– Shisui... gostavas de ser pai?
– Claro. Não agora, claro... mas só se quiseres... afinal podemos usar a tecnologia antiga de fazer engravidar homens, não é? Não sabia que também tinhas pensado nessas coisas...
– Não tinha. Nós namoramos à cerca de 5 meses... era cedo demais para pensar em filhos. Mas, Shisui, e se fossemos pais já?
– Isso é uma coisa que tem que ser pensada com calma Itachi.
– Er... Mas e se não desse para pensar com calma? - Itachi mordeu os lábios, voltou a sair dos braços de Shisui e preferiu encarar o namorado.
– Eu não estou a perceber onde queres chegar com esta conversa. Tu queres ter um filho? Agora? Neste momento?
– Não é como se eu quisesse ter... quer dizer, agora já quero, mas antes não queria, mas então aconteceu e agora eu quero... - Balbuciou o mais novo ligeiramente nervoso.
– Itachi, não estou a perceber nada do que estás a dizer...
– Shisui... - De repente Itachi segurou nas mãos do outro moreno com força, olhando-o directamente nos olhos. - O meu pai mentiu sobre o meu nascimento. Eu não nasci Seme! E nunca soube disso até hoje!
– Hã?
– Quer dizer que sou um Uke! - Concluiu Itachi, pensando assim que o outro chegaria a onde queria chegar, de certa forma.
– O quê? O teu pai mentiu-te sobre o teu próprio nascimento? O tio Fugaku sempre foi realmente doentio... - Então parou de falar, piscou os olhos e sorriu abertamente. Itachi pensou que finalmente ele tinha chegado, onde eles tinham que chegar mas... - Isso quer dizer que nós vamos poder casar? Como qualquer outro casal?
– Bem, não... eu não quero mudar o meu estatuto de seme por causa da administração dos hotéis. Infelizmente ser "Seme" dá-me o estatuto que preciso.
– Oh... - Desanimou Shisui. Ficaram então uns instantes calados, enquanto Itachi observava o belo rosto do namorado. Sabia que ele estava a reflectir sobre as palavras que tinham trocado. - Ah... então sendo que tu és na realidade um uke, nós vamos poder ter filhos sem recorrer a um tratamento médico, não é?
– Tu não podes estar assim tão lerdo, pois não? É o amor que te está a comer os neurónios? - Exasperou-se Itachi. Shusui arregalou mais uma vez os seus olhos fixados sobre as linhas do rosto do outro.
– Se és um Uke... se nós fizemos sem protecção... quer dizer que tu podes... - Racionava Shisui olhando para o sorriso que se ia formando no rosto de Itachi. - Tu não podes... tu já estás!
– Sim, eu estou à espera de um bebé. - Pronunciou Itachi ligeiramente embaraçado, mas tremendamente feliz, agora que estava ao lado de Shisui. Sentia que ele era a pessoa certa para si, a pessoa ideal.
– Nós vamos ser pais?
– Sim.
– Tu estás à espera de um filho meu?
– Sim! - Confirmou. Os olhos de Shisui iam-se enchendo de água, perante toda a emoção de que o seu corpo, coração e espírito estavam a ser vitimas.
– Itachi... eu... Itachi... eu...
– Shisui...
– Eu estou TÃO feliz... - E rebentou em pranto, enquanto se agarrava a Itachi, que gargalhava alegre por causa daquela demonstração de felicidade ao receber a tão inesperada noticia.
oOo
– UMA MENINA? - Mikoto agarrou a camisa sobre o peito com a mão. Primeiro o seu filho mais velho dizia que estava gravido, que Fugaku tinha mentido sobre a sua "forma" e agora, além de saber que Aimi era filho de Naruto sabia que não era um filho, mas uma filha! - Vocês tem a certeza?
– Aimi é uma nina... nina! - Berrou Aimi completamente feliz.
– Uau! - Impressionou-se Masao que desde que tinha conhecido Aimi andava com ela ao colo de um lado para o outro. - Isso explica porque é que a pele dela é suave e porque tem um cheiro diferente das outras crianças?
– Cheiro diferente? Pele suave? - Questionou Sasuke. - Bem isso deve ser porque ela ainda é bebé!
– Não, não, tio Sasuke! Ela é diferente, muito diferente. É como... como... eu não... não sei... sei que é apenas muito diferente... é algo... como os cães e as cadelas! - Tentou explicar a criança.
– Os cães e as cadelas? - Chocou-se o resto da família com a invulgar comparação.
– Sim, tio Sasuke. As cadelas e os cães são parecidos por fora, mas muito diferentes na sua forma.
– Nina! - Gargalhava Aimi apontando para si mesma. - Nino! - E apontava para o irmão. - Nina! Nino! Nina! Nino!
– O que o Masao está a falar é de uma coisa que nós perdemos à muito tempo. - Esclareceu Naruto o resto da família. Encontravam-se presentes na sala, ocupando todos os lugares dos sofás: Itachi e Shisui, mais Naruto, Sasuke, as crianças e Mikoto.
– E o que é isso que nós perdemos?
– O instinto! A nossa parte animal. - Falou o louro. - É essa parte que nos faz apaixonar, amar seja por quem for. É essa parte que nos faz perceber coisas que apenas o raciocínio não permite. Masao sabe que Aimi é uma menina por instinto... Na nossa sociedade criada a partir de ciência o instinto foi praticamente anulado.
– Compreendo. - Pronunciou-se Sasuke. - E como Masao ainda é muito novo, ainda não está tão "humanizado" na nossa sociedade como nós. Dai ele ver coisas que nós provavelmente não conseguimos, porque os instintos estão mais activos que os nossos. É isso, não é?
– Sim.
– Então uke com uke sempre dá filhos... - Mikoto parecia ainda muito assombrado com aquilo tudo. - E Fugaku sabia disso tudo... Eu devia ter-lhe arrancado as partes baixas quando pude...
– Mãe... ele já está a pagar por tudo o que fez, não precisamos de pensar mais nesse homem. - Pediu nas entrelinhas Itachi enquanto se recostava contra Shisui.
– Eu devo ser o único rapaz do mundo que tem uma irmã, não é? - Perguntou Masao divertido com a perspectiva de ter alguma coisa "diferente" e que mais ninguém tinha.
– Não sei. - Pensou em voz alta Naruto. - Mas é uma bela questão, não é? Terei de investigar tudo.
– Cuidado. - Avisou Itachi. - Naruto está a entrar no seu modo detective-historiador... - E todos riram perante a piada.
oOo
"Nos marginalizados Ukes estava a resposta para o renascer das fêmeas da espécie humana. O genoma modificado dos Ukes permitia a solidificação do cromossoma XX e o nascimento de meninas que eram completamente imunes ao antigo vírus que dizimara as mulheres.
Já os semes estavam condenados a apenas fazerem nascer meninos, pois dos seus cromossomas apenas revigoravam o XK e o XY, os que davam origens a meninos Semes e Ukes. Ao que se veio constatar mais tarde, é que os meninos nascidos de dois Ukes possuíam aquilo que era naturalmente humano os cromossomas XX e XY.
Aimi foi a primeira de muitas meninas a nascer na Terra, depois de muitas décadas, mas Masao foi também dos primeiros meninos a nascer com os cromossomas naturais, ou seja, dele poderiam vir a nascer meninas e meninos. Depois do caso de Aimi e Masao ser exposto ao mundo, o desejo de retornar à normalidade nasceu na nossa sociedade evoluída e hipócrita. Foi abolido o sistema de Uke e Seme para que assim, Ukes e Ukes se pudessem casar, constituir família e dar vazo ao retorno das mulheres na vida humana."
– NARUTO! - Chamou Sasuke batendo com a porta do escritório, onde Naruto estava descansadamente a terminar as últimas linhas do seu livro.
– Ela saiu novamente com aquele uke ranhoso! - O moreno estava vermelho de raiva. - Faz alguma coisa!
"Este é um dos problemas da nova concepção da realidade." Pensou Naruto sem saber muito bem o que dizer ao marido. "Por ser menina, tanto Ukes como Semes, ou seja, rapazes, apaixonam-se por ela!"
– Mas o Masao e o Fuji não foram com ter com eles? - Fuji era o adorável esposo de Masao. Tinham casado recentemente e voltado à pouco de uma lua de mel pelo planeta todo.
Sobre a secretária do louro viam-se imensas fotos. Principalmente fotos de família. Onde crianças cresciam e passavam a adolescentes, onde jovens adultos passavam a adultos maduros. O tempo, independentemente de existirem humanos, passava implacável, não parava, nem nunca seria controlado, quisessem os seres ou não, a biologia era igual para todos, nascer, crescer, envelhecer e falecer.
– O Masao foi ter com eles, mas mesmo assim... - Sasuke foi calado quando Naruto puxou por ele e lhe tomou os lábios.
– A nossa filha já tem 20 anos , Sasuke! Tens de deixar de ser tão possessivo.
"E tão desligado da realidade. A tua filha já não é nenhuma virgem!" Concluiu Naruto mentalmente sem coragem de dizer aquilo em voz alta, pois se o fizesse provavelmente o moreno teria um ataque de nervos e proibiria Aimi de ver o próprio namorado.
– Ela é a minha única filha, eu vou estar sempre preocupado com ela!
– Sasuke... Ainda é cedo para ir buscar Eri ao colégio, não é? - Questionou. Não tinha relógio naquela divisão da casa, por isso, não sabia que horas seriam.
– Sim, são. - Conferiu Sasuke vendo no relógio de pulso que não era hora de irem buscar o filho mais novo.
– Óptimo! - Disse Naruto girando na cadeira giratória onde estava sentado, com Sasuke sobre si, e fazendo este ultimo se sentar na secretária sobre o monte de papeis escritos. - Vamos aproveitar enquanto não está ninguém em casa pode ser?
– Hunf... - Resmungou Sasuke, enquanto um sorriso maroto se estendia lentamente pelos seus lábios. Resignou-se, por momentos, esqueceu-se que a sua filha estava a ser raptada por um dos muitos homens existentes naquele mundo, agora quase completamente ainda só de homens. Naruto tinha aquele poder, sempre tivera, de o levar para lugares que só dois verdadeiros apaixonados conheciam.
Os seus lábios chocaram. Os seus corpos envolveram-se e eles entrelaçaram-se. Mas entrelaçados já eles estavam desde sempre. Na vida e no destino. Eles tinham decido lutar por cima de um amor mais que proibido, contra a sociedade, e eles tinham conseguido vencer. Assim como glorificariam a eternidade, para o sempre, pois as almas não se extinguem apenas se prolongam no infinito.
FIM
