Capítulo 3 – O encontro

Parou em frente ao espelho. Pela primeira vez na vida Harry tentava arrumar os seus cabelos rebeldes. Prendeu o fôlego, fechou os olhos e tomou coragem. Agora que já havia feito teria de encarar. Além do mais, o que poderia acontecer além de ele levar um não? Calçou o tênis, passou o perfume, pegou três bombons de menta que havia comprado na hora do intervalo e os pôs no bolso. Saiu de casa a pé, pois estava indo quase uma hora adiantado e sentindo-se um verdadeiro débil por isso.

Que mulher recebia um bilhete de um desconhecido, marcando um horário de encontro e iria? Balançou a cabeça empertigado, tentando afastar os pensamentos ruins da mente. Na verdade, este, em particular, o deixava decepcionado e ao mesmo tempo aliviado.

Chegou ao parque e sentou-se perto do rio. Eram cinco e meia, havia chegado trinta minutos antes da hora marcada. Suas mãos tremiam geladas e ele tentou se convencer de que não havia nenhum motivo para que ficasse tão nervoso. Era só um encontro. E depois. Já havia ficado com várias garotas, e ate ido para a cama com algumas. Mesmo tendo dezessete anos de idade, Harry não era de todo mal. Tinha um bom corpo por causa da natação e a prática de futebol e isso o ajudava na aparência. E mais um ponto que poderia ter ao seu favor ao falar de Ginny era que ela adorava o fato de ele saber tocar piano.

Um carro baixo e preto de quatro portas parou do outro lado do parque. A respiração de Harry aumentou. Era ela. Observou-a descer do carro elegantemente e fechar a porta do carro. Ela ficou parada observando o parque, parecia esperar que algo acontecesse. Caminhou um pouco e depois de um tempo, olhou em sua direção. Ela pareceu surpresa em vê-lo ali, mas logo caminhou até ele com um sorriso nos lábios.

— Olá Harry. — Ela o cumprimentou, quando chegou mais perto. — O que faz por aqui.

— Oi Ginny. — O nome dela saiu de um jeito doce de sua boca. — Quer sentar?

— Ah! Obrigada. — Ela sentou-se ao eu lado. Harry fitou-a profundamente, os olhos perdidos nos dela e em sua boca.

— O que houve? — Ele a ouviu perguntar.

— Eu achei que você não viria. — Ele disse simplesmente. Ginny levantou-se de um salto, fazendo Harry sobressaltar-se.

— Então foi você? — Ela perguntou com a voz mais fina que o habitual, e retirando do bolso da calça jeans, o bilhete dele.

— Sim. — Ele também se levantou e tentou se aproximar.

— Essa é uma brincadeira de muito mau gosto Harry. — Ela afastou-se, quando ele tentou colocar a mão em seu ombro. — Não esperava isso logo de você.

— Eu não estou brincando. — Harry conseguiu pegar em seus braços. — Eu gosto de você Ginny.

Por vários segundos os dois apenas se encararam intensamente. Ginny ficou parada, tentando aceitar o que Harry acabara de falar.

— Ah Harry! — Foi o que ela disse, lhe lançando um olhar de dó, continuou. — Você não sabe o que está dizendo...

— Eu sei sim, Ginnny. — Ele pegou uma de suas mãos, guiando-a até seu coração descompassado. — Só você já me fez sentir assim.

— Harry...

— Por favor, acredite em mim. — Ele falou desesperado.

— Isso não está certo...

— Escuta! — Harry disse. — Eu sei que é minha professora, mas... Ano que vem não vai mais ser.

— Você não entende.

Harry olhou-a nos olhos. Um silêncio recaiu sobre os dois. Ginny titubeou e Harry deu de ombros. Ele achou que seria horrível qualquer recusa por parte dela, no entanto, ela só atiçava cada vez mais as entranhas de Harry, e agora conquista-la parecia ser uma questão de honra. Agora que nadara tanto, não poderia morrer na praia.

— Eu sei muito bem o que sinto por você. — Harry retomou. — Eu não sou nenhum imaturo como deve estar pensando

— É melhor eu ir embora...

— Ginny por favor! — Harry correu atrás dela quando ela começou a andar. — Sei que tudo o que faz é muito sutil, mas se está me dando um fora eu quero que diga com todas as letras.

Ginny corou pela segunda vez no dia para ele. O único pensamento de Harry era o de que ela ficava perfeita daquela maneira.

— Eu não sei o que lhe dizer Harry...

— Então não é um fora? — Harry perguntou esperançoso.

— Eu não sei. — E falando isso, recomeçou a caminhar de volta para o carro. Harry ficou observando o jeito de ela andar e achou que não havia nada mais lindo no mundo. Só quando ela entrou no carro, foi que ele obrigou-se a ir atrás dela. Correu como um desesperado, e quando o motor do carro deu o ronco ele conseguiu abrir a porta, que não estava trancada.

Ginny o olhou surpresa, e Harry não sabia se por impulso ou euforia, mas acabou por abaixar-se até ela e beija-la de um jeito ardente, sensual e maduro, pegando-a totalmente de surpresa, até ele estava. Ginny logo passava a retribuir o beijo, se não com intensidade igual, era muito mais que ele próprio. Harry agarrou-a pela cintura, apertando-a contra si, enquanto ela puxava-o pelo colarinho da blusa. Ela ofegava alto e cravou as unhas em suas costas. Harry soltou um leve gemido e apertou-a mais ainda.

Harry sabia que era difícil pensar naquilo, mas se não parasse logo, perderia o controle. Não havia nenhuma indiferença no modo como ela o beijava, o que fez Harry ficar emocionado. Após uma imensa falta de ar, os dois se separaram ofegantes, mas permaneceram abraçados. Harry direcionou a boca para o colo de Ginny, que se desvencilhou e o largou.

— Harry. — Ela exclamou sobressaltando-se. — Aqui não.

— Aqui não? — Perguntou esperançoso. — Onde então?

— Eu não sei. Temos que conversar direito.

— Então saia do carro e vamos conversar. — Ele levantou-se, dando passagem a ela. — Venha!

— Não aqui. — Ginny respondeu outra vez. — Venha comigo.

— Pra onde? — Harry perguntou surpreso.

— Só entre no carro. — Ela respondeu e sorriu provocativamente, fechando a porta.

Harry correu para o lado do passageiro e entrou. Ginny o olhava de uma maneira indecifrável. Harry sustentou seu olhar, decorando sua face rosada e limpa. Ela acabou sorrindo para ele com um certo carinho e ele sorriu de volta.