Capítulo 7 – Rompimentos.
Harry acordou-se aquela manhã gelada de abril com um leve sorriso no rosto. Havia sonhado com Gina quase toda a noite. Não eram bem sonhos inusitados, mas sim, lembranças e flashes de momentos íntimos que os dois já haviam compartilhado juntos na casa e na cama dela. Com preguiça, remexeu-se de um lado para outro, debaixo das cobertas quentes, macias e recém lavadas. Nada como uma boa noite de sono para voltar a escola depois de um fim de semana meio agitado e confuso.
A porta de seu quarto foi aberta e Lily entrou batendo as mãos e encaminhando-se para as janelas, abrindo-as de uma sóos e encaminhando-se para as janelas, abrindo-as de uma scobertas quentes e macias e rec vez e fazendo com que a claridade repentina batesse incômoda nos olhos de Harry, que doeram um pouco. Aquilo o fez despertar por completo e o fez se revirar na cama, espreguiçando-se e bocejando fortemente.
— Vamos lá mocinho. — Lily sentou-se na beirada da cama de Harry e mexeu com carinho no cabelo assanhado do filho. — Está na hora de se levantar.
— Eu sei. — Harry respondeu desanimado. A ideia de sair da cama não lhe era nada agradável. — Só mais dois minutos...
— Dois minutos que nada. — Lily levantou da cama e puxou as cobertas, revelando-o apenas vestido em uma cueca velha. — Seu pai já está tomando o café da manhã.
— Mãe. — Harry recriminou-a. — Eu estou só de cueca.
— Como se eu nunca o tivesse visto pelado. — Ela falou categoricamente e pôs as mãos na cintura. — Levante logo, ou vai perder a carona.
— Ta bem.
Ele levantou-se meio a contragosto da sua cama e quando se sentou, espreguiçou-se mais uma vez, coçando a barriga e olhando para os próprios pés. Depois de um minuto naquela posição, resolveu ir ao banheiro, onde foi para baixo do chuveiro e tomou um belo banho com a água morna que caía. Harry sempre gostou do vapor da água espalhando-se pelo banheiro quando ele tomava banho, mas não sabia explicar exatamente o porquê. Depois de enrolar-se na toalha ele foi até a pia e começou a escovar os dentes vagarosamente, e reparando se não precisava fazer a barba rala que estava começando a aparecer aos poucos.
Como já havia preparado sua mochila no dia anterior. Harry apenas vestiu sua roupa, calçou as meias e os tênis e fechou a porta do quarto e desceu as escadas apressadamente, entrando na cozinha abruptamente e fazendo com que James, que lia jornal distraidamente, desse um leve sobressalto de susto e Lily que torrava as panquecas, olhasse para trás desaprovadoramente.
— Qualquer dia ele vai demolir a casa nessa pressa exagerada. — James falou severamente, mas Harry não se intimidou, sabia que o pai só estava se fazendo de durão.
— Desculpe pai. — Ele respondeu educado e sentou-se a mesa, colocando seu café na xícara. — Bom dia!
— Bom dia! — James olhou para ele por cima do jornal e lhe deu um sorriso. — Dormiu bem?
— Sim. — Harry estranhou a pergunta, pois, a voz do pai lhe pareceu um tanto quanto sugestiva. — Por quê?
— Por nada. — James deu mais um sorriso sugestivo e voltou a folhear o jornal.
Harry devorou o lanche assim que Lily colocou as panquecas sobre o prato dele. James, que já havia terminado, levantou-se da mesa, dizendo que o estaria esperando na sala. Lily o seguiu, deixando Harry á sós com seus pensamentos. Com certeza a mãe já dissera para o pai que o viu aos beijos com Cho no dia anterior. Por mais que Harry tenha evitado conversar com ela, Lily sempre arranjava um jeito de puxar o assunto, o que lhe deixou bastante desconfortável.
Quando chegou a sala, viu o pai e a mãe trocarem um beijo rápido de despedida e depois olharem para Harry meio desconfiados. Lily deu um abraço em Harry antes que ele saísse. Assim que viu-se sozinho com James dentro do carro, ele logo perguntou:
— Mamãe disse algo sobre mim para o senhor? — Harry o encarou, esperando uma resposta.
— Hum. — O pai sorriu e coçou o queixo. — Ela me contou sobre a vizinha.
— Droga! — Harry encolheu-se no banco do carona e fechou o carro. — Ela não vai mais esquecer isso.
— Tenha paciência com ela filho. — James falou paternal. — Isso é uma situação nova para ela. O único filho já está namorando...
— Espera aí. — Harry ajeitou-se no banco. — Eu não estou namorando a Cho.
— Não? — O pai o encarou com o cenho levemente franzido. — Então vocês estavam só "ficando" como os jovens dizem por aí hoje em dia?
— Não foi bem isso. — Harry falou triste. — Ela que me beijou. Eu nunca sequer dei esperanças para ela.
— E o que exatamente aconteceu?
— Ela me pediu umas aulas de reforço em matemática e eu aceitei ajudar. Só que aí ela começou a falar do ex namorado que morreu e disse que gostava de mim.
— Assim do nada. — James arqueou a sobrancelha e o olhou confuso.
— Eu fiquei muito surpreso. — Harry disse. — Ela nunca veio falar nada pra mim. Mas vamos, se não vou me atrasar.
Logo Harry chegou ao colégio e antes de descer do carro ele se despediu de James. Assim que caminhou um pouco, encontrou Rony e Hermione junto de Simas, Dino e Parvati, conversavam sentados na grama divertidamente. Harry jogou-se de leve por cima dos dois e saldou aos outros.
— E aí sumido? — Hermione perguntou. — Você sumiu na velocidade de uma bala na sexta e nem ligou depois. Por onde você andava?
— Nos céus. — Ele respondeu, fechando os olhos e rolando pela grama, fazendo os outros sorrirem, mas logo ele endireitou-se. — Desculpe não ter ligado. Eu andei ocupado.
— E por que você saiu sem se despedir da gente direito na sexta? — Rony perguntou curioso, depois da deixa de Hermione.
— Alguém estava me esperando. — Falou simplesmente.
— Quem? — Os amigos perguntaram surpresos e em coro.
— Não posso contar ainda. — Harry respondeu pensativo.
"Não diga nada a ninguém" Foi o que Gina pediu, e ele cumpriria isso até o dia que fosse preciso.
— Por quê? — Hermione o fitou profundamente, em um daqueles olhares profundos da amiga, que sempre lhe arrancavam as verdades.
— Eu falo depois. — Desconversou. Afinal, Dino, Simas e Parvati, começaram a prestar muita atenção na conversa dos dois.
— Está bem. — Ela ponderou e olhou para os outros.
Neste momento a sirene tocou e a multidão que se concentrava ali, foi lentamente direcionando-se para dentro da escola. Harry, Rony e Hermione permaneceram mais alguns instantes do lado de fora, esperando que os corredores ficassem menos cheios e abafados. Assim que poucos alunos restaram lá fora, eles resolveram entrar. Nesse espaço de tempo Harry ponderava se deveria contar ou não sobre seu caso com a professora. Ele nunca escondera nada dos amigos. Já estavam se encaminhando para a aula de francês quando Hermione o chamou.
— Você está bem mesmo?
— Estou.
— Não parece. — Rony começou a andar a seu lado e passou um braço por seu ombro. — Você está escondendo algo de nós.
— Está mesmo. — Hermione confirmou. — O que é?
— Eu digo depois. — Harry falou exasperado devido a pressão que estava recebendo. — Aqui tem muita gente.
— É algum problema entre os seus pais? — Rony perguntou preocupado.
— Não. — Harry disse depressa. — Não tem nada a ver com eles, é comigo mesmo.
— Podemos marcar de nos encontrar mais tarde se quiser. — Hermione disse solidária. — Aí você pode nos contar tudo.
— Por mim tudo bem. — Rony disse indiferente.
— Certo. — Harry agradeceu mentalmente quando avistou a porta da sala e os três entraram em silêncio.
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Harry passou o resto das aulas bastante pensativo. "Contava ou não?" Rony e Hermione eram seus melhores amigos desde a infância, e era neles em que Harry mais confiava no mundo. Gina pedira para que ele não contasse a ninguém, mas ele não conseguia esconder nada dos amigos. No intervalo, ele procurou Gina com o olhar, porém não conseguiu localiza-la. Sentou-se em frente a sala dos professores, como já era de seu costume e esperou a sirene tocar mais uma vez, enquanto comia seu lanche. Mas Gina não saiu de lá como os outros professores, o que o decepcionou um pouco.
Naquela segunda feira era dia de revisão de matemática e Harry obrigou-se a parar de pensar em Gina e se concentrar na matéria, no entanto, ao fazer isso, lembrou-se do dia anterior, quando Cho pediu algumas aulas de reforço e depois o beijou. Estranho que somente agora ele voltasse a lembrar disso, ele também não lembrava de ter visto Cho, nem ao menos de longe; talvez ela estivesse com vergonha de encará-lo mais uma vez, levando em conta o comportamento dela depois do beijo em que ela praticamente saíra correndo pela porta e não olhou para trás. Bufou consigo mesmo, as mulheres eram maravilhosas, mas ás vezes o deixava louco.
Harry virou na esquina da rua de sua casa e continuou a caminhar lentamente, até que um carro o abordou do lado. Ele deu um leve sobressalto, mas assim que reconheceu o corolla preto, sorriu de ponta a ponta e deu a volta para a porta do passageiro, abrindo-a e sentando-se apressado. Assim que a fechou, ela travou os vidros e os dois se encararam. Harry sorriu feliz e ela sorriu de volta.
— Olá. — Ele falou com simplicidade e a puxou para um beijo quente e ardente.
Aquilo foi o suficiente para fazê-lo esquecer de tudo o mais que se passava em sua mente. Rony, Hermione, Cho... Nada mais tinha importância. Estar nos braços dela era o mais importante no momento e aproveitou o beijo o tanto que seu fôlego o permitiu. Ela o abraçava com tanta força que Harry sentia-se sufocado de desejo. Começou a passar a mão pelos seios dela, mas Gina apenas suspirou e o afastou.
— O que foi? — Ele perguntou confuso.
— Nada. — Ela parecia triste. — Você não fez nada.
— Me desculpe! — Ele passou a mão pelos cabelos macios dela e a fitou profundamente. — Você está muito estranha esses últimos dias. O que está acontecendo?
— Eu não sei como lhe dizer isso Harry. — Ela fitou as próprias mãos. — Mas esse é o caminho mais certo á seguir.
— Do que você está falando? — Harry perguntou com a voz meio rouca. Ele não estava com um pressentimento muito bom sobre o que ela falaria.
— Eu nunca deveria ter dado esperanças a você. — Ela o encarou com os olhos levemente cheios de lágrimas. — Nós não podemos ficar mais juntos.
— O quê? — A sua voz não passou de um sussurro e um leve aperto perpassou por entre suas entranhas. — Por que está dizendo isso?
— Nós nunca daríamos certo Harry. — Ela tocou em seu rosto. — Desde sábado que eu deveria ter lhe contado, mas eu não tive coragem.
— Por favor Gina... — Ele começou, mas ela pôs o dedo sobre seus lábios.
— Por favor, digo eu Harry. Apenas aceite este fato.
— Aceitar? — A voz dele foi de incredulidade. — Depois de tudo...
— Tudo? — Ela o encarou séria. — Nós só ficamos duas vezes...
— Não foram suficientes para você? — Harry perguntou indignado. — Pois para mim foi. Você acha que eu vou simplesmente esquecer as horas que passamos juntos?
— Não estou pedindo que esqueça. — Ela falou com a voz embargada e limpou os olhos com a mão. — Eu não vou esquecer. Eu só espero que se conforme.
— Conformar? — Ele a olhou estático. — Você espera que eu me conforme?
— A nossa aventura não pode passar disso Harry. — Ela declarou em voz firme e olhou para a frente. — Sinto muito, mas não posso fazer isso.
— Não faça isso Gina... — Harry pediu angustiado. — Nós podemos dar um jeito...
— Não, nós não podemos. — Ela voltou a encará-lo. — Só aceite isso. Não podemos mais nos ver.
— Vai ao menos dizer o motivo?
— Não acha que já existem motivos o suficiente?
— Como...
— Eu sou mais velha, você é meu aluno de dezessete anos, o que é totalmente antiético.
— Só por isso. — Harry disse indiferente. — Mas você não parecia lembrar de nada disso cada vez que fizemos amor.
— Amor? — Ela o olhou surpresa. — Não existe amor entre nós.
— Claro que existe. — Harry respondeu simplesmente. — Pelo menos da minha parte existe.
— Você não sabe o que está dizendo. — Ela balançou a cabeça e o fitou tristemente. — Me desculpe, Harry. Mas você é um rapaz muito bom e merece alguém que o faça feliz.
— E quem seria?
— Eu não sei. — Ela sorriu leve e tristemente. — Mas se não encontrou, logo encontrará.
— Pensei que já tivesse encontrado. — Harry despenteou os cabelos, frustrado e olhou para o lado, vendo as pessoas passearem pela rua. — Está certa disso?
— Sim.
Ele balançou a cabeça levemente e a olhou de lado, lembrando de cada momento íntimo que tiveram juntos. Em um momento súbito de contrariedade ele a puxou para si e beijou uma última vez. E ela não conferiu nenhuma resistência, apenas o beijou de volta com o mesmo ardor de sempre e abraçando-o fortemente, trazendo-o para si. Quando não suportava mais a falta de ar, saiu do carro rapidamente, a última coisa que queria era olhar para ela. Começou a andar e percebeu quando o carro deu uma ré, e foi para o lado totalmente oposto ao seu. Enquanto chegava a porta de casa, duas lágrimas solitárias teimaram em cair por seu rosto.
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Harry ainda estava com a mente anuviada quando começou a sentir pequenas vibrações de baixo de sua barriga. Ele ainda estava de cuecas e meias desde que chegara do colégio. Estava deitado de bruços e sua cabeça latejava um pouco devido as poucas lágrimas que derrubou antes de dormir. A sensação incômoda de algo remexendo embaixo de si ainda continuava. Com grande esforço ele levou a mão até aquela região e sentiu algo sólido por entre seus dedos. Era o seu celular que tocava. E na tela, ele viu o nome de Hermione, piscando vagarosamente, enquanto o aparelho voltava a tocar.
— Alô?
— Harry? — Ela perguntou preocupada. — Por que não estava atendendo ao telefone?
— Eu cochilei. — Admitiu, levantando da cama um tanto quanto sonâmbulo. — O que é?
— Rony e eu estamos indo até a sua casa.
— Agora? — Perguntou descontente.
— Sim. Algum problema?
— Não. Nenhum. — Ele coçou a cabeça e bocejou. — Vou ficar esperando.
— Tudo bem. Chegaremos logo.
Tudo parecia muito confuso na mente de Harry. Ele parecia estar doente, febril. Nada parecia fazer muito sentido desde que ela dissera aquelas palavras para ele no carro. "Como pode tudo acabar de repente?" Era a pergunta que lhe vinha o tempo todo na lembrança. "O quê?" "Por quê?". Ele não sabia. Não havia durado quase nada. Não conseguia conformar-se. Ela parecia estar tão envolvida naquilo quanto ele.
Decidiu ir ao banheiro enquanto os amigos não chegavam. Não poderia aparecer com aquela expressão chorosa e perturbada. Durante o banho, ele pensou se deveria ou não contar sobre sua breve aventura com a professora. Afinal, ele pediria a ajuda dos amigos para descobrir algo sobre o comportamento superficial dela. Harry tinha completa confiança de que os dois não contariam nada para ninguém. Se havia duas pessoas em que ele mais confiaria no mundo esses eram Rony e Hermione.
Quando desligou o chuveiro, ele ouviu o som da campainha tocar e apressou-se a se enxugar bem com a toalha e se vestir. Foi até a mesa e ligou o computador, somente para dizer que estava fazendo alguma coisa e ficou a esperar que eles chegassem. Houve batidas na porta e Harry mandou entrar. E qual foi sua surpresa ao ver que não eram Rony e Hermione, mas sim Cho. Ela parou na porta do quarto e ficou a fita-lo com a mão na maçaneta, indecisa se deveria entrar ou não.
— Cho! — Harry não pode evitar o tom de espanto em sua voz. — O que faz aqui?
— Eu... Eu não deveria ter vindo. — Ela começou a fechar a porta, mas Harry correu até ela e a segurou pelo pulso, obrigando-a a entrar e fechando a porta em seguida.
— Não estou dizendo que sua presença é ruim. — Ele a olhou bem nos olhos. — Diga que tem para dizer.
— Eu só queria pedir desculpas por aquele dia.
— Sem problemas, Cho. — Harry a acalmou. — Sério!
— Eu geralmente não faço aquele tipo de coisa.
— Escuta! — Harry pegou a ponta do seu queixo. — Eu entendo. Eu vi o quanto você sofreu depois do Cedrico. — Neste momento uma lágrima solitária cortou seu rosto. — Eu fico lisonjeado em saber que você gosta de mim, Cho.
— Sério? — Ela ergueu os olhos sonhadores para ele.
— Sim. Mas infelizmente eu não sinto o mesmo.
— Oh! — A expressão dela se quebrou e ela fitou as mãos depois disso. — Você gosta de outra?
— Sim.
— Tudo bem. — Ela passou a mão pelo rosto, limpando o vestígio de lágrima e o olhando novamente. — Pelo menos você está sendo sincero.
— Gosto de ser sincero. — Ele segurou sua mão. — Você está bem?
— Estou sim, obrigada. — Ela forçou um sorriso.
— Que bom.
Um silêncio constrangido se abateu sobre os dois e Cho ficou a olhar pela janela, tentando disfarçar o mal estar que sentia.
— Acho que eu já vou, então...
— Claro. — Harry passou a mão pelos cabelos, desconcertado. — Estou esperando o Rony e a Hermione.
— Nos vemos depois. — Ela fez um leve aceno com a mão e saiu.
— Nos vemos depois. — Ele repetiu para si mesmo e voltou a sentar-se na cadeira.
A campainha voltou a tocar e continuou a jogar no computador, até que sua porta abriu-se mais uma vez e os amigos entraram.
— Demoramos? — Hermione perguntou enquanto tirava o casaco e o jogava na cama de Harry. Rony acompanhou o seu gesto.
— E aí cara?
— Oi. — Harry os fitou. — Não demoraram, não.
— Ei... Nós vimos a Cho sair daqui agorinha mesmo. — Rony sentou-se na cadeira próxima de Harry. — Ela está tendo aulas com a sua mãe?
— Está sim. — Disse Harry, omitindo o motivo real de ela ter ido até a sua casa.
— Eu tenho pena da Cho. — Hermione declarou pensativa.
— Pena? — Rony levantou a sobrancelha e a encarou. — Por quê?
— É que ela parece ser uma pessoa tão solitária. Desde a morte do Cedrico que ela não é mais a mesma.
— É verdade. — Concordou Harry.
— Agora que você falou... Ela está meio esquisita mesmo.
— Ela é uma pessoa legal. — Harry disse melancólico.
— Já aconteceu algo entre vocês? — Hermione perguntou séria, deixando Harry surpreso.
— Por que está perguntando isso?
— Então é por causa dela que você está todo esquisito esses dias...
— Ei... — Harry a interrompeu. — Não está acontecendo nada entre nós.
— E o que exatamente está acontecendo com você?
Finalmente Hermione havia chegado no ponto em que Harry temia. No entanto, se ela seguisse em frente com o interrogatório, ele não mentiria nada sobre o fim do seu caso com a professora.
— Cara... — Rony começou a falar. — Você pode confiar em nós.
— Eu sei. — Harry passou a mão pelo rosto. — E eu confio...
— Então nos conte de uma vez.
— Eu vou contar.
Ele contou desde que entrara na escola, do encontro no parque, quando ela o levou para sua casa, omitindo certos detalhes, e sobre o rompimento com ele naquela tarde. Os dois agora olhavam para ele surpresos, desconfiados e com um leve sentimento de pena. Hermione foi a primeira a falar.
— Eu entendo porque ela acabou tudo.
— Entende? — Harry perguntou surpreso.
— Claro, Harry. — Ela balançou a cabeça com descrença. — Ela estava certa. É antiético para ela namorar com um aluno de dezessete...
— Ah não, Hermione. Poderíamos superar isso facilmente. — Declarou Harry, exasperado. — Eu já vou fazer dezoito e já vou pra faculdade. Só teríamos que esperar um pouco mais.
— Você tem razão. — Rony que permaneceu calado por muito tempo, finalmente falou. — Se ela aceitou e vocês chegaram a transar é porque ela queria. Não tem esse papainho de antiético.
— Vocês são dois idiotas. — Hermione falou. — A professora Weasley está certa.
— Pelo amor de Deus, Hermione. — Harry passou a mão pelos cabelos. — Ela está escondendo alguma coisa, eu sei.
— Tipo o quê? — Perguntou descrente e pôs as mãos na cintura.
— Eu não sei. — Ele respondeu. — Mas não foi só isso. E eu quero que vocês me ajudem a descobrir o que é?
— E como é que nós vamos fazer isso? — Rony voltou a perguntar.
— Eu não sei. Mas vocês são meus melhores amigos. Estou contando com vocês. .
— Não sei não, Harry. — Hermione falou receosa. — Se o motivo realmente não foi esse, ou ela não queria mais ou então ela só não quis ti contar. Ela não terminaria assim se não tivesse bons motivos.
— É devem ser realmente bons motivos para ela querer se desfazer de mim...
— Eu não quis dizer isso, Harry. Mas ela é uma mulher mais velha, vai ver, ela só não viu futuro nisso de vocês dois.
— Qual é? — Harry ficou em pé e quase gritou de raiva, encarando a amiga nos olhos profundamente. — Ela chorou quando estava terminando comigo, Hermione. Quando uma pessoa não gosta da outra e quer terminar, ela geralmente não chora. E se chora é por que ainda gosta, mas algo a impede.
— E o que ti faz pensar que os motivos que ela alegou não são verdadeiros? — Ela também se levantou e foi até onde ele estava, colocando a mão sobre seu ombro. — Olha, Harry. Talvez ela até goste mesmo de você, mas sabe que é errado e resolveu terminar logo de uma vez.
— Eu preciso falar com ela mais uma vez. — Ele se afastou da amiga e ficou olhando pela janela. — Só mais uma vez.
— E o que podemos fazer isso? — A voz de Rony saiu meio aflita e descrente.
— Vamos pensar em algo. — Hermione respondeu, enquanto Harry só balançou a cabeça em concordância às palavras dela.
N/A: Demorei, mas postei. Espero que gostem.
BJS!
