Capítulo 9 – Abruptamente revelado
Era quase meia noite e já fazia mais de uma hora que rolava de um lado para o outro em sua cama, tentando dormir, o que parecia uma tarefa difícil naquele momento. Suspirou enfadado com a situação em que encontrava-se. Gina o deixara na porta de casa, como sempre fazia, e partira depois disso, sem lhe dar nenhuma palavra ou nenhum ato de esperança que fosse. Pelo menos, pensava consigo mesmo, ela não terminara tudo como da última vez.
Sentia-se eufórico. Precisava desabafar com alguém para esvaziar um pouco sua mente. Precisava de um conselho sábio e maduro de como agir daqui para frente com sua amada. Sabia que qualquer passo mais largo seria perigoso e explosivo se tratando dela e não queria perdê-la e afastá-la mais uma vez. Mas como não falar? Como prosseguir sem respostas? Harry pensava, e achava que em toda a sua vida nunca se obrigara tanto em resolver uma incógnita com a qual ele se deparara agora.
Vestiu seu calção de seda do pijama e sentou-se na cama. Olhou para o relógio no celular e sorriu sem humor. Aquela mulher lhe tirava o sono e o sossego. Passou a mão pelo rosto e suspirou. Precisava conversar com alguém. Pensou em ligar para Rony ou Hermione, mas não perturbaria seus amigos àquela hora da noite e mesmo assim, não sentia que os dois lhe dariam conselhos melhores do que ele mesmo estava pensando.
Seu pai... A luz que entrava pela janela iluminava bem o quarto Ele estava a dois cômodos de distância e sempre fora um homem de bom senso. Suspirou mais uma vez e tomou coragem. Levantou abriu a porta do quarto e esgueirou-se até o quarto dos pais. Havia silêncio pela casa e assim que parou em frente a porta do quarto estacou. Será que atrapalharia alguma coisa a esta hora da noite. Bateu de leve na porta e colou seu ouvido a esta. Não havia nenhum ruído sequer além da madeira ao seu ouvido.
Pegou na maçaneta e girou-a. Viu que o pai e a mãe dormiam abraçados, ela sobre seu peito. Harry sorriu consigo mesmo e ficou a olhá-los mais alguns instantes. Ele nunca havia entrado assim no quarto dos pais antes, talvez quando menor, mas não se lembrava direito. Olhou os cabelos quase avermelhados da mãe, espalhados um pouco sobre seu pai e pensou inconscientemente em Gina.
Andou até o lado do pai, que dormia entorpecido, ele sempre tivera o sono muito pesado, segundo Lily dissera. Sem conter-se mais, bateu de leve no braço do pai, torcendo para que ele não fizesse nenhum movimento brusco e acabasse acordando sua mãe, tudo o que menos precisava naquele instante era de uma inquisição. Cutucou de leve mais uma vez e ouviu seu pai murmurar algumas palavras sem sentido e depois seus olhos abriram-se vagarosamente.
— Pai! — Sussurrou Harry e James olhou-o parecendo despertar completamente agora.
— Harry? — Ele perguntou meio sonâmbulo e grogue. — O que foi?
— Preciso falar com você. Vem comigo. — Sussurrou mais uma vez e olhou para a mãe anestesiada no sono. — Cuidado para não acordar a mamãe.
— Tem que ser agora? — James franziu o cenho e olhou para o filho, que parecia meio angustiado. — Ta bem.
Harry afastou-se da cama e foi para a porta enquanto James saía suavemente de debaixo da mulher, colocando o travesseiro para que ela se apoiasse. Lily remexeu-se um pouco, mas felizmente não acordou, aconchegou-se mais ao travesseiro. James seguiu Harry através da porta e os dois foram até seu quarto, quando chegaram lá, ele fechou a porta e acendeu a luz.
— O que aconteceu? — Perguntou James com estranheza e depois bocejou longamente, sentando-se na cama de Harry.
— Não é nada grave. — Disse sentando-se na cama ao lado do pai, sem encará-lo.
— Se não fosse grave não daria insônia em você. — James falou com sua voz grave e apertou seu ombro. — Nem você iria me acordar no meio da noite pra se confessar.
— Você me conhece bem. — Harry falou categórico e sorriu. — Mas não cometi nenhum crime.
— E o que é então?
— Não sei o que fazer. — Suspirou e olhou para as próprias mãos.
— Em relação a quê? — James perguntou desentendido.
— A uma mulher em particular. — Sussurrou Harry.
— Está com problemas com uma garota. — Afirmou James, sua voz com misto de alegria.
— Não é só uma garota, pai. — Falou pensativo. — Ela é uma mulher adulta.
— Adulta? — Falou descrentemente. — Quem é?
— Não posso dizer...
— Olhe para mim, Harry. — Ordenou James. Sua expressão parecia preocupada. — É alguma mulher casada...?
— Não pai, não é isso, é que... — Ele calou-se. Casada? Ele nunca pensara nessa hipótese. Mas não poderia ser. Ela nunca usara aliança... Ela não ousaria!
— O quê?
— É melhor o senhor não dizer nada disso para mamãe. — James ergueu uma sobrancelha e olhou para o filho que tinha uma aparência muito séria e atípica. — Mas ela é o grande motivo do meu atraso na semana passada e hoje.
Ele contou sobre como havia se apaixonado pela professora e quando invadiu a escola á noite. Quando ele a viu lendo o bilhete e quando eles se encontraram no parque. Dos beijos que deram e dos encontros na casa dela, seu atraso, nos últimos dias em que vinha agindo estranhamente, seu desinteresse pela vizinha, sobre os planos com Rony e Hermione e o encontro quente com ela naquela tarde. James ouviu a tudo silencioso e atencioso e ergueu as sobrancelhas de maneira pensativa.
— Eu a quero tanto. — Declarou Harry por fim. — Eu a amo. Antes que o senhor diga que não, assim como ela fez.
— Se você tiver puxado á mim deve estar mesmo apaixonado. — James o olhou e bagunçou seu cabelo. — Eu sei quem é sua professora e...
— O quê? — Perguntou Harry com rapidez.
— Ela é uma mulher muito linda. — James piscou para ele e sorriu, Harry o olhava estupefato. — Deve ter lhe levado á loucura.
— Com certeza. — Admitiu Harry. — Mas não é hora pro senhor brincar, pai. O que eu faço?
— Ora! — James bateu em seu braço. — Pergunte logo de uma vez, filho. Encoste-a na parede, ela não pode ficar enrolando você pra sempre.
— Mas e se ela recuar...
— Não a deixe recuar. Exija a verdade dela. — James falou com convicção. — Sendo uma mulher adulta ela vai entender isso e dizer tudo.
— E o senhor não vai brigar comigo por eu ter me envolvido com a minha professora mais velha de literatura?
— Não. — Respondeu James simplesmente. — Por quê?
— Boa pergunta. — Harry pensou por alguns instantes. — Ela ficou me tapeando com isso. Com essa desculpa esfarrapada.
— Faça o que eu disse. — James pegou no ombro do filho e o olhou. — Não há nada de complicado nisto. Eu sei que tem medo de afastá-la, mas exija saber tudo. Afinal, você não se envolveu com ela sozinho. Ela permitiu.
— Claro! — Disse Harry desanimado. — Então é só isso?
— É só isso sim.
— Amanhã, então, eu vou falar com ela. — A voz de Harry não soou muito confiante.
— Ela disse mesmo que você era bom de cama? — Perguntou o pai de maneira marota. Harry o olhou ressabiado.
— Sim. — Respondeu e olhou para o pai.
— Esse é meu filho. — James disse orgulhoso. — Você já tem um ponto super positivo ao seu favor.
— Quanto á isso não tenho receio. — Falou meio convencido. — Sei que a satisfaço.
— É muito importante para uma mulher se sentir satisfeita no amor. — James tornou a falar. — Mas filho... Você realmente gosta dela, não é? Mulheres gostam de se sentirem seguras.
— Eu já disse que a amo.
— Já tentou analisar a situação de fora?
— Já.
— E a que conclusão chegou?
Os olhos de Harry se encheram levemente de lágrimas e ele falou em um tom de voz apaixonado.
— Que Harry Potter e Gina Weasley foram feitos um para o outro.
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Harry passou a semana inteira sem notícias de Gina. Mal a via durante os intervalos e quando via ela sempre estava acompanhada pelo professor Snape ou pela vice-diretora Minerva MacGonagall. Na quinta feira ele conseguiu alcança-la na entrada da porta do primeiro ano e tentou marcar um encontro entre eles, mas ela olhou para os lados, vendo se ninguém os escutara e o dispensou, prometendo lhe contatar depois.
Finalmente no sábado ás três da tarde(houve aulas extras devido ás provas que estavam para começar) quando o sinal bateu, ele despediu-se de Rony e Hermione e correu até o estacionamento dos professores na tentativa de vê-la e falar com ela. Quando finalmente parou de correr, viu Gina ao longe, retirando a chave da bolsa e dirigindo-se para seu corolla. Observou a massa de estudantes saindo e ninguém parecia estar lhe dando atenção, e discreta e normalmente ele fez caminho até ela, que já colocava a bolsa no banco do carona.
Como o carro estava na última vaga, o lado do passageiro estava para a parede e assim que ele viu as luzes do carro se acenderem para dar a saída, ele olhou mais uma vez para os lados e abaixou-se até que o carro o escondesse. Sorriu com a oportunidade oportuna e bateu na porta do carro, em segundos o vidro foi baixando e Gina o olhou com estranheza, com um leve sorriso ele abriu a porta, agora destravada, e entrou.
— Você é louco! Alguém... — Antes que ela terminasse o sermão, Harry puxou-a pela nuca e a beijou ardentemente, do jeito que ele sabia que ela gostava.
— O que você dizia? — Perguntou com a voz rouca ao seu ouvido.
— Você é louco. — Ela o olhou sem qualquer traço de repreensão nos olhos e sorriu. — Se alguém nos ver.
— Ninguém viu que eu estava vinda pra cá. — Harry passou a mão pelo rosto dela, acalmando-a. — E os vidros do carro são todos pretos, ninguém irá nos ver juntos.
— Isso não é uma boa ideia. — Falou Gina sem muita convicção. — Mas vou lhe dar um desconto só por ter me procurado a semana toda.
— Obrigado! — Falou Harry ironicamente. — Eu sabia que merecia algum tipo de consolação por isso.
— Não seja ríspido, Harry. Minha semana foi corrida.
— Sei. — Harry cruzou os braços sobre o peito e olhou para frente. — Não acha melhor irmos de uma vez?
— Pra minha casa? — Ela perguntou com dúvida na voz.
— Bem... A não ser que você queira tomar os chás da minha mãe enquanto falamos da nossa relação, então podemos ir para a minha.
— Não. — Gina deu a partida no carro e seguiram. — Definitivamente, esta não é uma boa ideia.
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Harry a observou guardar o carro na garagem e enquanto isso retirou o telefone do bolso e ligou rapidamente para seu pai, avisando que estava com Gina, que provavelmente chegaria mais tarde que de costume em casa, e que ele desse alguma desculpa para a mamãe. James o advertiu mais uma vez e depois disse para que ele se divertisse com responsabilidade.
Depois que desligou o telefone, começou a pensar sobre o que seu pai falara. Se divertisse com responsabilidade. Desde que tivera sua primeira vez com Gina ele nunca usara camisinha, esquecera-se completamente daquele detalhe e ela também nunca dissera nada. Tão entretido, não viu quando ela retornou da garagem e o encarou.
— Algum problema? — Ela perguntou, enquanto direcionava-se para a porta de casa.
— Não. — Ele pensou por um ou dois segundos e resolveu falar. — É que não usamos camisinha e...
— O quê? — Ela o encarou com uma ruga entre as sobrancelhas.
— Não deveríamos... Quer dizer, nos divertir com responsabilidade?
Gina passou a mão pelo seu rosto e sorriu brevemente. Depois, uma vez dentro da casa, foi até ele, abraçou-o e beijou-o, ele tomou-a pela cintura e colou a testa á dela.
— Não se preocupe. — O hálito quente dela, tocou-lhe a face adoravelmente. — Eu uso anticoncepcional, Harry. Mas foi muito responsável da sua parte perguntar por isso.
— Precisamos conversar. — Ele lhe disse em tom sério e ela desgrudou suas testas, afastando-se e colocando a bolsa sobre o sofá.
— Posso ao menos tomar banho primeiro? — Questionou um pouco emburrada.
— É claro que pode! — Respondeu e abraçou-a por trás, beijando o canto da sua orelha. Ela sorriu e arrepiou-se.
— Vem comigo?
Ela indagou desejosa, e ele não conseguiu recusar. Segundos depois, os dois tiravam as roupas ferozmente, fazendo o caminho já tão conhecido ao banheiro do quarto dela.
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Gina debruçou-se sobre Harry, seus longos e finos cabelos avermelhados roçando a pele dele suavemente, enquanto seus dedos faziam carinho em seu abdômen. Sorriu com aquele leve toque e olhou-a. Para ele não havia sensação melhor do que quando ela estava em seus braços daquela maneira, frágil, quente e sensualmente nua. Riu mais uma vez da própria sorte e pediu a Deus, mentalmente, que nunca mais o separasse dela.
Com este pensamento, lembrou que ela acabara distraindo-o, da conversa pela qual ele tanto ansiara, com o banho. Suspirou fundo umas duas vezes antes de chamar a atenção dela para si, que o olhou e sorriu. Todavia, seu olhar, mesmo sendo extasiado, adquiriu uma leve preocupação e ele soube que ela percebera em qual rumo a conversa começaria. Alisou seus longos cabelos e tomou coragem.
— O que acontecerá conosco agora?
— O que você quer dizer? — Ela estreitou os olhos em confusão.
— Você sabe muito bem o que eu quis dizer. — Respondeu serio e continuou encarando-a. — Estamos bem ou você vai me afastar mais uma vez?
— Você não sabe...
— Não sei o quê? — Insistiu Harry. — Diga o que você tem pra dizer, Gina.
— Não é tão simples. — Gina sentou-se sobre ele, passando as pernas de cada lado do seu corpo e pressionou-o. Harry gemeu levemente. — Eu não quero estragar o momento.
Ela abaixou-se até o ouvido de Harry e gemeu o seu nome. Ele fechou os olhos e abraçou-a pela cintura com desejo. Era muita tentação, muita paixão. Gina era uma mulher sensual, maravilhosa e quente. Como ele, um coitado rapaz, poderia resistir àquilo? Àquela sensualidade tão feminina? Ele quase não podia resistir a ela. Mas teria que resistir agora, para no futuro tê-la sempre, e fechando os punhos, prendeu a respiração e retesou o corpo. Estava mais do que disposto a arrancar a verdade dela.
Gina percebeu sua mudança repentina e encarou-o rapidamente. Harry cruzou os braços sobre o peito e olhou-a seriamente. Ela suspirou quando ele sentou-se sobre a cama, fazendo-a ficar sentado sobre suas pernas. Os dois se encararam emburrados e permaneceram em silêncio por alguns segundos.
— Diga! — Ordenou Harry. — Seja lá o que for eu vou tentar entender.
— Promete? — Ela perguntou receosa.
— Eu prometo. — Ele falou por fim e pegou em suas mãos. Ela suspirou fundo mais uma vez e olhou para as mãos unidas dos dois.
— Eu quero que saiba que eu tentei, mas você não me deu escolha...
A campainha da casa tocou duas vezes, tirando-os do mundo á parte em que estavam. Gina arregalou os olhos e pareceu assustada. Ela levantou-se de um pulo, deixando-o sozinho e nu na cama, vestiu um roupão azul e disse:
— Fica aqui, faça silêncio e me espere.
— Tudo bem! — Disse Harry, conformista. — Eu sei que você não quer me mostrar pra ninguém.
— Não seja tão dramático. — Respondeu e saiu, fechando a porta do quarto ao passar.
Harry bufou de frustração e impaciência e afundou-se sobre o travesseiro, sentindo o cheiro floral e delicioso dela que permanecera nos lençóis. Fechou os olhos por alguns segundos e tentou escutar com quem ela falava, mas foi inútil, estava muito longe da sala. Quem seria?
Passado alguns minutos começou a observar o quarto amplo de sua amada atentamente. O guarda roupa era preto com marrom e de seis portas, a janela era branca e as cortinas balançavam suavemente com o vento. Havia o tapete marrom no chão e a mesa do notebook, com várias provas perfeitamente empilhadas uma acima das outras. A cama era grande e espaçosa. Sorriu consigo mesmo, ela era muito organizada e ele nem tanto.
— COMO É QUE É?
Harry franziu o cenho quando ouviu o grito enfurecido de um homem na sala. Sentou-se com os pés para fora da cama e esperou pra ter certeza de que havia sido lá. Houve o barulho de algo se partindo e rapidamente, Harry pôs-se de pé, vestiu sua cueca e seus jeans o mais rápido que pode e esgueirou-se pelo corredor, queria apenas dar uma checada e ver se estava tudo bem, quando ouviu Gina gritar enraivecida.
— PARA COM ISSO!
Ele não pode mais se conter e correu até chegar na sala e qual foi a surpresa ao ver as costas de um homem loiro, por cima dela no sofá e no chão, do outro lado da sala, pedaços de um vaso branco que ela tinha. Ele segurava suas mãos e tinha o rosto bem perto do seu. Harry irou-se e foi até ele, pegando na camisa do homem e atirando-o ao chão, para bem longe dela. Pego de surpresa, o loiro rolou pelo chão desnorteado, enquanto Harry ia até ela e perguntava se tudo estava bem, Gina olhou-o chocada.
— Quem é esse? — Perguntou o loiro com desdém na cara ao perceber que Harry estava sem camisa e abraçava Gina. — QUE PORRA É ESSA, GINA?
— NÃO GRITE COM ELA! — Revidou Harry, indo pra cima dele mais uma vez, mas Gina impediu-o, segurando-o pelo pulso.
— Parem. — Pediu Gina amedrontada, seus olhos cheios de lágrimas.
— O quê? — Ele olhou de cara feia para o outro e olhou para Gina— Quem é ele?
— EU SOU O NOIVO DELA, PORRA!
Harry demorou alguns instantes para entender o que o homem acabara de dizer, mas quando a realidade o tomou fora como se milhares de facas o apunhalassem no coração e no estômago. Ele virou-se para Gina, que havia fechado os olhos e chorava.
— Gina. — O loiro chamou. — Quem é esse cara?
— Gina! — Harry chamou-a em choque. — O quê? Não é verdade.
Ela abriu os olhos lentamente e encarou-o com tristeza e arrependimento. Ela balançou a cabeça confirmando e pediu em um sussurro.
— Vai embora Harry. — Sua voz saiu magoada. — Vai!
— É melhor mesmo. — O loiro falou com a voz desdenhosa e empurrou-o. — Quem você pensa que é?
— Não encoste em mim. — Harry disse irado e instintivamente, deu um soco nele.
— NÃO! — Gritou Gina, quando o loiro recompôs-se e correu na direção de Harry, pegando-o pela cintura e tacando-o contra a parede e socando-o no estômago depois. — PARA DRACO!
Gina puxou a mão de Draco e afastou-o de Harry, que estava deitado no chão e com falta de ar. Depois correu até ele e passou a mão em sua face.
— Harry! — Ela chamou-o e o ajudou a ergue-se.
— QUE PORRA ESSE CARA TÁ FAZENDO AQUI? — Draco gritou e apontou para os dois. — VOCÊ ESTÁ ME TRAINDO COM ESSE MOLEQUE?
— PARA DRACO! — Gina gritou de volta, enquanto amparava Harry que ainda se recuperava da falta de ar.
— Seu idiota! Eu não sou um moleque se não ela não ficaria comigo. — Provocou Harry e em questão de segundos, Draco lhe dera um soco no olho.
A dor alastrou-se com uma ardência por sua face e ele viu tudo ficar um breu enquanto voltava a sentir o chão sobre seu corpo dolorido. Gemeu fracamente enquanto Gina voltava a gritar e o amparava.
— Harry! — Ela sussurrou em seu ouvido e abraçou-o. — Desculpe meu amor!
— O quê? — Ele perguntou sem entender e quando abriu os olhos, as imagens estava um pouco fora de foco, principalmente no olho em que levara o soco.
— É melhor você ir. — Ela o ajudou a ficar de pé e guiou-o até a janela. — E você! — Ela apontou para Draco e o puxou pelo corredor.
Em poucos segundos Gina voltava com sua blusa e seus tênis e entregou-os a Harry, ainda um pouco desnorteado e com dor.
— Me diga que é tudo mentira.
— Eu não posso. — Ela respondeu, enquanto vestia a camisa nele, levantando o seu braço, dolorido pela queda, vagarosamente. — Prometo que vou resolver tudo.
— Você me enganou! — Harry disse e desvencilhou-se quando ela tentou abraça-lo.
Ele calçou os tênis e foi em direção a porta, mas antes Gina puxou-o e beijou-o de leve nos lábios.
— Desculpe! — Ela pediu e depois perguntou preocupadamente. — Você tem dinheiro para pegar um táxi?
— Não se preocupe comigo. — Harry lembrou-se de que tinha um nota de vinte e cinco no bolso da calça. Não dava para ir até sua casa, mas podia ir até a parada do ônibus e depois seguir caminho. Saiu da casa dela com raiva, humilhado e machucado.
Amaldiçoou-se por ser tão idiota e cego em relação a ela e andou devagar, devido ao seu estômago e olho que ainda doíam. Mesmo não querendo, perguntou-se se ela ficaria bem sozinha com aquele brutamontes ciumento, mas seguiu. Tinha certeza que seu olho já estava ficando roxo e praguejou. Como explicaria aquilo quando chegasse em casa?
Seu pai tudo bem, mas e sua mãe?
Então aquele era o segredo dela, não tivera tempo para que sua ficha caísse por completo. Sentiu um sentimento de dor e de ilusão amarga e caminhou como o verme que se sentia. Algumas pessoas que passaram caminhando por ele, o olharam de forma esquisita. Era seu olho, tinha certeza disso. Como podia sair de um sonho e entrar de cabeça em um pesadelo como acontecera agora a pouco?
Ele pegou um táxi e pediu para deixá-lo em casa mesmo, lá pegaria dinheiro com a mãe e depois inventaria alguma desculpa. Deitou-se no banco de trás e fechou os olhos, remoendo a revelação abrupta da tarde.
N/A: Não tenho muita coisa a dizer sobre o capítulo.
Sei que demorei muito para atualizar e desculpe a quem está lendo. Espero que gostem do capítulo.
BJS!
