Capítulo 10 – You played so well...
Harry observava os transeuntes passeando despreocupados e sorridentes pelo parque naquela tarde de domingo. Sentado e solitário com seus próprios pensamentos e reflexões, as pernas cruzadas, e os fones nos ouvidos escutando The Stone Roses, pensava em quantas lembranças aquele lugar lhe repuxava. Tinha em seu âmago a impressão de que, a qualquer momento, um corolla preto surgiria em sua visão periférica. Bufou duas ou três vezes, recriminando a si mesmo por não parar de pensar nela.
Depois de uma semana a raiva que sentia não se abrandara tanto o quanto pensara. Ele sentia-se tratado com descaso por ela; como uma aventura que dera errado, sentia-se humilhado e usado por aquela que ele havia amado um dia. Amado... "Humpf!" Bufou. Sabia que ainda continuava amando-a, mesmo que esse amor tivesse lhe machucado. É claro que ela não correspondia aos seus sentimentos, caso contrário, já o teria procurado e implorado por seu perdão. Ou, melhor ainda, ela nem teria mentido para começo de conversa.
Tanto que ele lhe pedira a verdade. Porém, mesmo com toda a sua insistência para que ela o aceitasse, não entendia o porquê de ela ter lhe dado esperanças se já era uma mulher comprometida, noiva de outro cara. As imagens do vaso de flores quebrado em sua sala e da forma como aquele loiro brutamonte a tratara, lhe perturbavam internamente. Sentia-se preocupado com ela, mas ao mesmo tempo, lembrava-se da mentira e da forma como se sentira usado. Era raiva, muita raiva que quase o deixava cego.
Quando chegara em casa naquele dia infeliz, encontrou a mãe dando aulas de piano para Cho. As duas ficaram alarmadas quando viram o estado meio preocupante em que se encontrava. Lily correra para buscar uma compressa de gelo enquanto a vizinha o fazia sentar-se no banco e perguntava o que havia acontecido. Ele deu de ombros e fez-se de afetado, alegando ter sofrido um assalto quando vinha da escola.
No entanto, apenas com a chegada da noite, ele chamara o pai até seu quarto e contara toda a situação. Seus olhos encheram-se de lágrimas por duas vezes quando a dor em seu peito o fez perder o ar ao lembrar-se do papel de idiota que fizera ao tentar protegê-la do próprio noivo desconhecido.
— Eu não sei bem o que lhe dizer meu filho. — Declarou James, por fim, quando Harry dera o último suspiro de desabafo. — Estou tão pasmo quanto você.
— Não tanto quanto eu. — Harry olhou para o pai e balançou a cabeça. — Com certeza não.
— Mas mesmo assim, você ainda deve esclarecer tudo. E depois tentar superar e deixá-la...
Deixá-la... Pensava nas palavras do pai e temia que isso, de fato, acontecesse. Sabia que era o certo a fazer, pelo menos, depois de tudo o que ela o fizera passar. Noiva... Não entendia porque ela omitira aquilo. Sua vontade era de nunca mais olhar na cara fingida dela, o que lhe doeu no coração. Naquela tarde que passaram juntos antes do incidente, ele conseguia ver verdade e carinho no jeito com o qual ela o fitava quando se movimentava por cima de seu corpo. Entretanto, só conseguiria prosseguir sem dúvidas quando conversasse com ela.
Quando seu traseiro começou a ficar dormente pelo frio e pelo o tanto de tempo em
que estava sentado na mesma posição, ele despertou de seus enfados e obrigou-se a caminhar de volta para casa, com a mão nos bolsos, amuado e de cabeça e ombros baixos. Sentia-se traído, traído e usado. Usado...
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Quando Harry chegou a escola naquela segunda feira, bateu a porta do carro e acenou para o pai. Caminhava com decisão agora, mas gastara boa parte de seu domingo pensando se deveria ou não ir para a aula e encarar sua professora. Hoje a primeira aula seria a dela e sabia que não estava preparado para encará-la tão cedo. Queria, no mínimo, uma semana para por os pensamentos em ordem e pensar no que iria falar. Contudo, sabia que quanto mais cedo esclarecesse tudo melhor o seria para ambos.
Ele logo localizou Rony e Hermione, que vieram solidários ao seu encontro. Ele havia conversado pelo celular com os amigos, pois não estava a fim de visitas no dia anterior. Sempre que via a imagem do hematoma no olho refletida em algum espelho ou em uma superfície plana e sólida que fosse, seu péssimo humor voltava dez vezes pior. Lily, coitada, por não saber da verdade, andou pisando em ovos com o filho no final de semana.
— E aí cara? — Rony perguntou apertando sua mão.
— Bom dia! — Saldou Hermione e encarou seu olho. — Você está péssimo.
— Nem tanto assim, Mi. — Ponderou Rony.
— Obrigado, Mione. — Falou sarcasticamente e cruzou os braços. — Não sabe o quanto me fez sentir melhor.
— Desculpe. — Falou arrependida e o olhou. — Achei que não viria hoje.
— Eu também não. — Respondeu, enquanto seguiam conversando cautelosamente para dentro da escola, em direção ao corredor. — Mas pra que fugir. Quero acabar com isso logo.
— Acabar? — Perguntou Rony desentendido. — Já não acabou?
— Não definitivamente, imagino. — Disse Hermione, apoiando-se na porta do seu armário e lançando um olhar inquisitivo a Harry — Não é?
— Eu soube que ela era noiva, mas... Ainda quero algumas satisfações. — Harry passou a mão pelos cabelos e olhou para os amigos. — Papai disse que eu tentasse esclarecer tudo, sabe? Pra poder seguir em frente.
— Vendo por esse ângulo. — Rony passou a mão pelo queixo e pensou por poucos segundos, enquanto os outros abriam seus armários. — Será melhor mesmo.
A sirene tocou naquele instante e o coração de Harry falhou uma batida. A encararia muito em breve, já sentia seu coração doer com a simples constatação. Fechou a porta com um pouco mais de força e olhou para os outros dois. Hermione chegou perto e segurou no braço de Rony.
— Eu espero que você consiga, Harry. — A amiga falou com ar de sabe-tudo. — Mas acho que vai ser bem difícil superar e seguir logo em frente. Não se você realmente a ama.
— Eu sei que não vai ser fácil, Hermione. — Falou frustrado enquanto dobravam o corredor para a sala. — Mas tenho que tentar. Ela não quer nada comigo.
— Quem disse isso? — Perguntou a amiga, com estranheza. Harry e Rony a olharam com surpresa.
— Ninguém precisa dizer nada. — Harry falou e parou quase em frente a porta, todos os alunos já estavam dentro da sala muito silenciosa. — Os atos dela já me mostraram.
— Não estou querendo dar explicação para o que ela fez, nem diminuir a culpa. Mas se ela mentiu e continuou com você é porque ela não era totalmente indiferente.
Depois disso, a amiga entrou na sala, deixando Harry e Rony abobados. Quando ele entrou na sala também, segurando a respiração, soltou-a levemente após alguns segundos ao ver que Gina não estava em pé na sala, mas sim a vice-diretora Minerva McGonagall. Franziu o cenho enquanto pegava uma cadeira e sentava-se nela. Olhou para os lados procurando os olhares dos amigos e estes o devolveram com certo temor.
— Bem... — Começou a vice-diretora. — Acho que todos já estão aqui agora. — Ela pigarreou e pegou alguns papéis em cima do birô. — A professora Weasley está com alguns problemas pessoais, então ela vai ausentar-se por esta semana, mas deixou alguns exercícios de revisão para as provas e alguns textos para que vocês lessem e resolvessem depois.
— Senhora? — Dino Thomas levantou a mão com receio. McGonagall olhou para ele e balançou a cabeça levemente, dando a permissão para que ele falasse. — É algo grave?
O tom curioso e preocupado na voz de Dino não agradou nem um pouco a Harry que sentiu-se enciumado. Já havia percebido o quão gentil e prestativo ele se tornava perto da professora e sempre a elogiava com a escolha dos livros ou sua opinião em determinados assuntos. Mas apesar de ciúme ele bem que sentiu-se interessado na resposta que a vice-diretora daria.
— Bem... — Ela ajeitou os óculos sobre o nariz e olhou para toda a turma. — Ela disse que não era nada muito grave, no entanto, inadiável.
— Nossa! — Respondeu o garoto aliviado. — Ainda bem.
— Ainda bem mesmo. — Disse Lilá Brown. — Eu gosto da professora Gin. Não gostaria que nada acontecesse a ela.
— É verdade. — Concordou Hermione baixinho e Harry olhou para ela, dando de ombros.
— Muito bom. Ainda bem que todos adoram a professora Weasley.
A vice-diretora entregou algumas cópias do dever de classe a Romilda Vane, líder da classe, para que ela distribuísse para toda a turma. Depois continuou a observar a todos fazerem seus deveres com aquele olhar severo, não permitindo qualquer pio que não fosse a respeito de literatura.
Enquanto fazia sua tarefa com facilidade, soltou um suspiro cansado e preocupado. O que será que havia acontecido com ela? Ela estava realmente abalada, já que ela quase nunca faltava, nem quando estava doente ou algo assim. Uma ideia apoderou-se de sua mente. Teve vontade de ir até a casa dela e tirar toda aquela história a limpo. Mas talvez ela não estivesse lá. Quem sabe se não estaria com seu noivo brutamontes. Passou o resto do dia emburrado, pensando se algo mais havia acontecido a ela.
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A semana estava se passando com rapidez. Logo a sexta feira chegou e com ela algumas surpresas. Harry chegara um pouco mais cedo da escola em casa. Passou algum tempo ajeitando algumas coisas no quarto e tomou banho e quando desceu as escadas, lá pelas seis e meia da noite, a mãe lhe chamou. Ela não tinha nenhuma aula hoje e estava sozinha na sala de piano. Harry entrou e sentou-se ao seu lado no banco.
— Como está meu menino hoje? — Ela perguntou enquanto passava a mão pelo rosto ainda levemente roxo do filho.
— Estou bem, mãe. — Respondeu, dedilhando algumas teclas do piano e sorrindo. Já fazia algum tempo que não tocava. — E o papai?
— Ele já vai chegar. — Observou os dedos do filho ao tocarem as teclas. — Quer tocar um pouco?
— Acho que sim. — Ajeitou a postura e olhou para a mãe que sorria.
— Eu vou preparar o jantar para você. — Lily levantou-se do banco. — Quer?
— Na verdade sim. — Passou a mão na barriga e fez uma leve careta. — Agora que eu percebi que estou com fome.
Lily sorriu do filho e saiu pela porta, trancando-a para que o som não se espalhasse por toda a casa. As paredes da sala eram um pouco a prova de som. Ideia de James. Ele sabia que a mulher iria querer tem um piano em casa e que tocaria muito neste.
Harry olhou para as teclas a baixo e começou a dedilhá-las suavemente em algumas notas melódicas e tristes, assim como seu humor estava. Tão concentrado, havia esquecido da sensação ao sentir a melodia preencher em seus tímpanos. Gostava de inventar músicas aleatórias, calmas e com tom melancólico. Perdeu-se naquilo enquanto a mãe não o chamava.
Lily havia acabado de colocar o bacon no fogo para torrá-lo quando a campainha tocou. Levantou a cabeça e olhou para a passagem ao longe. Será que era James? Ele vivia esquecendo as chaves no escritório. Baixou o fogo e encaminhou-se até a sala sentindo o cheiro da comida levemente por todo o cômodo. Observou pelo olho mágico quem estava lá fora e, ao fazer isso, deparou-se com uma mulher de costas mostrando longos cabelos ruivos.
Abriu a porta para a pessoa que virou-se rapidamente para encara-la. Era uma bela mulher, mas não conheceu quem era. No entanto, seu rosto não lhe era totalmente estranho ou desconhecido. A ruiva lhe deu um leve sorriso.
— Pois não? — Perguntou Lily com interesse.
— Sra. Potter! — Exclamou Gina, observando os olhos verdes tão iguais aos do filho. — Boa noite! O Harry está?
— Está sim. — Respondeu um pouco desolada. — Quem gostaria?
— Ah! — A ruiva levou a mão a boca e sorriu-lhe gentilmente, estendendo-lhe a mão. — Eu me chamo Gina Weasley.
— Gina Weasley? — Lily limpou a mão no avental e apertou a mão de Gina de volta. Onde que a havia visto mesmo? Tentava lembrar-se. Oh, sim. Ela era professora de Harry. — Você é uma das professoras do Harry, não é?
— Bem... — Lily percebeu quando as bochechas da jovem coraram levemente. — Sou sim. Poderia chamá-lo, por favor?
— Por quê? — Lily pareceu um pouco alarmada. — Ele fez alguma coisa errada na escola?
— Não, não... — Gina negou prontamente, tranqüilizando-a. — Eu só gostaria muito de falar com ele.
— Pode entrar. — Lily convidou-a para entrar saindo da frente da porta e lhe dando passagem. — Venha!
— Eu posso esperar aqui fora. — Falou Gina, educada e simplesmente. — Não tem problema.
Lily estava um pouco enciumada. O que a professora de Harry tinha para falar com ele, ás seis meia da noite que não poderia esperar até a segunda feira? E, a não ser que fosse impressão sua, ela parecia estar nervosa e com uma expressão um pouco culpada por trás da gentileza e educação. Mas mesmo assim Lily insistiu para que ela entrasse.
— Não se acanhe. Ele está tocando piano.
— Não diga! — A ruiva falou. Lily sorriu da luz repentina de empolgação que viu nos olhos dela quando lhe disse isso. — Deixe-me vê-lo.
— Claro! — Respondeu animada e caminhou sala adentro. — É por aqui.
As duas passaram pelo curto corredor entre a cozinha e a sala de música. Só agora podia-se ouvir o dedilhar fraco da melodia. Gina suspirou pesadamente, gostava de ouvi-lo e vê-lo tocar. Havia algo poético e excitante, que ela sempre tinha que disfarçar para que ninguém percebesse, quando o via ao piano na escola. Lily abriu a porta para o espaço médio da sala. Ela sentiu o cheiro do bacon e voltou-se para Gina.
— Se importaria se eu a deixasse? É que eu deixei alguns bacons fritando e...
— Não se incomode comigo. — Gina sorriu fracamente e olhou para a mulher. — Pode ir. Estou em boa companhia agora.
— Claro! — Lily respondeu de volta. — Prepararei alguns sanduíches.
Mas Gina já havia embrenhado-se no cômodo. Quase ao final da sala, de frente para a grande janela aberta e de costas para ela, Harry estava sentado e tocava indiferente a sua presença ali. Observou-o até que tocasse a última nota e bateu palmas levemente. Ela parecia como que enfeitiçada pela melodia, tanto que nem ficou sem jeito por estar ali.
Harry olhou por cima do ombro, esperando ver a própria mãe ali, batendo palmas orgulhosamente. Mas qual foi sua surpresa ao ver a mulher de sua vida parada ali, parecendo mais um anjo do que uma reles mortal. Arregalou os olhos em surpresa e logo passou a perna pelo banco, ficando em pé e encarando-a com surpresa, saudade e raiva. Sua respiração tornou-se ofegante e pesada.
Passaram algum tempo se encarando em silêncio. A expressão beatificada que ela tinha em seu rosto alguns segundos antes, sumira completamente ao lembrar-se do porque de estar ali e logo a culpa alastrou-se por sua face branca e perfeita.
— O que aconteceu com você? — Perguntou ele grosseiramente quando ela tencionou aproximar-se mais. — Por que passou a semana toda longe?
— Eu tive de resolver a situação com Draco. — Ela falou pesarosamente e tentou aproximar-se de Harry que afastou-se para perto do piano.
— Resolver o quê? — Tentou ser irônico. — A data do casamento.
— Não. — Respondeu ela e dessa vez quando tentou aproximar-se não deixou-o recuar. — Eu terminei tudo com o Draco. Eu só...
— Pare com mais mentiras. — Exaltou-se Harry, retirando as mãos dela de seu rosto. — Por que mentiu para mim? Diga a verdade.
— Eu vim aqui para isso, Harry. — Ela pôs uma mão sobre seu peito e ele arrepiou-se com seu toque quente. — E não estou mentindo. Eu realmente terminei com ele.
— Por quê? Depois de tudo o que aconteceu. — Harry abriu os braços. — Já não cansou de mim o bastante?
— Eu jamais me cansaria de você. — A expressão de Gina era magoada e irritada. — Eu me apaixonei por você.
Se Harry havia ficado surpreso com a sua visita, agora, então, ele nem conseguia mover-se. Sua mente e seu coração gritavam coisas totalmente opostas. Enquanto um dava vivas de alegria o outro dizia que era tudo uma mentira deslavada, afinal, ela já mentira uma vez. Mas mesmo assim, Harry sabia que havia uma luz e uma esperança em seus olhos que ela facilmente poderia enxergar nele, o que lhe deixaria ainda mais frágil na presença dela.
— Ah! Vamos lá Harry. — Ela passou um braço por seu pescoço e quase colou os lábios aos dele. Sentia-se insegura quanto a suaedd atitude, mas sabia que ele não resistiria a ela. — Acredite em mim, meu amor.
— Meu amor...?
Ele repetiu e, definitivamente, tomou os lábios dela nos seus com uma fome que jamais sentira na vida. Gina suspirou e abraçou-o possessivamente, lhe dando de boa vontade tudo que ele lhe dava no beijo. Harry a beijava com vontade, mas recriminava-se por ser tão fraco e fácil. Ah! Ele simplesmente não tinha escolha quando o assunto era Gina Weasley. Maldito amor que habitava em seu coração vulnerável. Para o inferno... Se não estivesse na sala de piano de sua mãe, ou em sua casa, já teria jogado-a ao chão e retirado todas as suas roupas. A raiva não existia ali, enquanto estava agarrado a ela.
Gina também recriminava-se por não conseguir ficar com as mãos longe dele ou longe de suas carícias. Quando fora até sua casa para esclarecer tudo, deixara bem claro para si mesma que contaria tudo e depois o deixaria livre para que escolhesse e não iria ficar distraindo-o com seu sex appeal. Não desejava deixa-lo ainda mais confuso. Ambos tinham que retomar a realidade, estava na casa dele, onde sua mãe poderia entrar e os flagrar a qualquer momento.
— Calma. — Falo Gina, separando os seus lábios dos dele, porém, não teve força de vontade de sair de seus braços. — Ta tudo bem.
— É claro que não está. — Harry sussurrou de volta em seus lábios. Seus olhos fechados. — Não faz isso comigo.
— Fazer o que?
— Me iludir. — Harry olhou-a nos olhos e esperou.
— Eu já disse que estou contando a verdade, Harry. — A voz dela saiu aborrecida.
— Por que você não me contou que era noiva?
Gina separou-se dele e sentou-se no banco. Ele via como sua expressão estava desconsolada e abatida. Ela pôs as mãos sobre o colo e olhou-as por algum tempo. Ela parecia não saber o que dizer primeiro. Ela o olhou por algum tempo e suspirou pesadamente.
— Nada do que eu disser pode mudar o que eu fiz. Nem diminuir a sua raiva.
— Ainda bem que você sabe. — Harry cruzou os braços e continuou ouvindo.
— Quando eu li o bilhete, fiquei em dúvida se eu ia ou não. — Gina parecia lembrar-se de cada detalhe ao falar, seus pensamentos longe. — Mas decidi ir. Sabia que só podia ser um estudante. Eu só ia esclarecer a situação. Mas quando eu vi que era você...
— O que é que tem? — Perguntou curioso.
— Eu sempre tive uma espécie de atração por você. — Gina o olhou nos olhos. — Eu não sei explicar. Era o seu jeito sério. Às vezes eu ficava olhando você tocar piano pela porta de vidro da sala de música.
— Sério? — Harry estava surpreso e alegre ao mesmo tempo.
— Sim. Mas eu nunca deixei ninguém perceber. Era só uma admiração, eu pensava. E quando você me beijou lá no carro. — Gina voltou a olhar para as próprias mãos. — Eu não resisti. Eu precisava daquilo.
— E quanto ao seu noivo? — O coração de Harry deu uma leve pontada.
— Eu já namorava sim com o Draco. Por quase toda a minha vida. — Gina levantou-se e foi até a janela. Harry seguiu-a com o olhar. — Eu não sei bem. Ele é daquele jeito que você viu. Meio ignorante e...
— Brutamontes? — Falou com raiva. Não conseguiu resistir.
— Mais ou menos isso. — Ela escorou-se na janela.
— Como você conseguiu ficar com ele por tanto tempo?
— Eu... Começamos a namorar eu tinha quinze anos. Ele e a família dele sempre foram muito próximas da minha. — Gina deu uma leve risadinha. — Todo mundo ficava tentando nos aproximar aí, aconteceu.
Após mais alguns minutos de silêncio. Ela continuou.
— Ele sempre teve aquele jeito, mas ele gostava de mim de verdade. Era fácil ficar com ele. Estamos juntos desde então.
— Você o amava?
— Há algum tempo atrás eu achava que sim. — Gina caminhou até Harry e abraçou-o trpela cintura. — Agora eu sei que não.
— Não...
Harry não conseguiu se conter e beijou-a ardentemente mais uma vez. Passou uma mão por seu pescoço e pediu passagem para a sua língua e de boa vontade ela cedeu. Gina passou os braços pelo seu pescoço e ficou na ponta dos sapatos cor de marfim. Harry sentiu sua respiração descompassar. Agarrou-a pela cintura acentuando o contado dela nele. Ela sugou sua língua com vontade. Não conseguia pensar em mais nada, quando ouviu a porta ser aberta sem cerimônia.
— Mas o que é isso? — A voz surpresa de Lily tirou-os da realidade. Ela quase derrubara os sanduíches, tamanho era o seu espanto — O que é que está acontecendo aqui?
— Mãe. — Exclamou Harry. Gina ainda estava agarrada em sua cintura. — Por favor, nos deixe a sós.
— Mas... Você é aluno dela.
— Mãe! — Falou Harry mais uma vez. — Por favor...
— Sra. Potter. — Gina falou com a voz mais educada e gentil do mundo. — Eu sei o que a senhora deve estar pensando, mas...
— Mas... Você é professora dele. — Lily cuspiu as palavras. Harry suspirou de raiva e Gina encolheu os ombros com a constatação de Lily. — Como pode?
— Só me deixe terminar de falar com ele, depois vou embora.
— Venha! — Harry agarrou-a levemente pelo pulso e direcionou-a pela passagem da porta. — Me deixe passar mãe.
— Harry!
— MÃE, POR FAVOR. — Gritou Harry. Gina tremeu levemente ao seu lado e Lily encarou-o com certo remorso.
— Você já é bem grandinho pra tomar suas próprias decisões. — Declarou por fim, magoada, saindo de volta com a bandeja para a cozinha.
Os dois caminharam até a porta. Harry saiu e cruzou os braços, recostando-se na madeira da pequena varanda. Gina o abraçou por trás e beijou seu pescoço.
— Não me distraia Gina. — Harry desvencilhou-se. — Você não me disse por que mentiu para mim.
— Até aquela noite, depois do parque. — Começou a falar lentamente e com a voz meio chorosa. — Eu só namorava com o Draco. Daí, quando marcamos de nos encontrar no sábado... — Gina o olhou. — Lembra que eu estava meio estressada?
— Lembro sim. — Harry acenou de leve com a cabeça. — Naquela manhã ele tinha me pedido em noivado.
— O que você disse?
— Que eu ia pensar. — Uma lágrima caiu dos olhos de Gina. — Eu queria dizer não. Eu não estava apaixonada por ele. Eu quis dizer não na hora, mas já estávamos juntos há tantos anos. Não queria ser indelicada com ele.
Harry escutava com surpresa a confissão dela. Ele sentou-se, pasmo, no bando de madeira e encarou a rua tranqüila. A brisa do vento soprando nas árvores.
— Eu pensava em você e eu queria estar com você. Queria terminar tudo com o Draco. — Gina sentou-se ao seu lado e enxugou as lágrimas com os punhos. — Só que eu lembrava também que você só tinha dezessete e era meu aluno. Seus pais nunca concordariam...
— Me poupe com isso, Gina. — Harry voltou a cruzar os braços e olhou para o lado oposto.
— É verdade, Harry. Eu tenho 26 anos e você dezessete. Um garoto... — Gina passou a mão por sua face e ele a olhou. — Mas quando estávamos juntos você era tão incrível. Eu simplesmente não conseguia. Então, nesse combate interno o medo acabou vencendo. Por isso eu terminei tudo com você, mesmo que minha vontade fosse te ter.
— Está mesmo falando a verdade? — Perguntou Harry, olhando em seus olhos.
— Estou. — Ela respondeu sem hesitação e continuo fitando-o. — Eu estou apaixonada por você. Acredite.
— Eu quero acreditar, Gina. — Harry aproximou o rosto do dela. — Mas meu coração tem medo de ser magoado.
— Eu decidi que lhe contaria tudo e depois eu deixaria você pensar. — Gina levantou-se e foi caminhando para as escadas. — E é o que eu estou fazendo agora. Pode me procurar a hora que você quiser. Vou ficar esperando.
Contudo, antes de partir, olhou para trás mais uma vez e sustentou o olhar que ele lhe lançava, sorriu um pouco cansada e foi-se. Harry olhou-a até que ela chegasse ao carro e entrasse neste. Depois mirou o automóvel em movimento o quanto ele dobrou na esquina. Ficou sozinho com pensamentos confusos, não desejando entrar em casa e encarar o interrogatório de sua mãe. Contudo, com um suspiro cansado e contrariado, foi isso o que ele fez, tentando submergir do torpor em que se encontrava.
N/A: Olá. Acho que não demorei muito. Não tanto quanto antes pelo menos. Espero que gostem desse capítulo. OBS: Por algum motivo, eu queria falar sobre a nomeação do capítulo. Acho que todos sabem o que significa play em Inglês, que no caso pode ser, tocar, jogar... Então eu o nomeei assim para que tivesse uma espécie de duplo sentido. O primeiro, era o fato de Harry sentir-se enganado e usado por Gina, como se ela estivesse jogando com a cara dele; já o segundo ponto, refere-se a quando ela entrou na sala e o viu tocar. Acho que nunca deixei muito claro, mas ela adora ver o Harry tocar no piano. Esse é um dos fatores que a fizeram se interessar ainda mais por ele.
Obrigada pelas reviews e a todos que leem.
Bjs!
