Capítulo 11 - Amor em vários graus

Aquela sexta feira amanhecera estranhamente nublada e chuvosa. Devido ao leve calor do dia anterior ninguém esperava que naquele dia estivesse chovendo friamente como se fosse inverno. Então, quando Harry acordou-se com Lily sacudindo-o carrancudamente da cama, ele não quis sair. Fazia um frio tão bom que a preguiça atingiu-o em cheio. Porém, devido às falas de repreensão da mãe, forçou-se a deixar sua cama quentinha e entrar debaixo do chuveiro para mais um dia de aula.

A semana estava sendo exaustiva. Lily o estava tratando de maneira hostil. Estava ressentida e brava pela cena dele e de Gina se beijando em sua sala de piano. A mãe o perturbara querendo saber o que estava acontecendo, dizendo que era errado. Harry teve de pedir ajuda ao pai para conte-la. Depois da conversa com James, ela não falara mais nada com, e ele perguntava-se se o pai havia contado tudo para ela.

Preparava-se mentalmente, enquanto se arrumava, para encarar sua paixão mais um dia. Gina. Já havia se passado duas semanas desde que tivera aquela conversa com ela e, sinceramente, ele sentia-se inflamado e desesperadamente doente por ela. Ver seus olhares desejosos de expectativa sempre que o fitava, mesmo que tentasse disfarçar na frente dos outros alunos, não o estava ajudando em nada. Ele não estava certo se conseguiria agüentar mais tempo longe dela. Ele não queria isso, mas também não queria parecer tão fácil. Queria mostrar para ela o quanto ficara ressentido com sua omissão.

Quando o carro parou, ele observou alguns outros alunos chegando de ônibus, em carros e outros de guarda chuva ou em capas de chuva. Pode ver pelos portões que o estacionamento hoje estava lotado, e todos estavam com seus casacos. O gramado da frente da escola, geralmente tão lotado pelos alunos sentados nele, hoje estava molhado e espaçoso. Não podia mentir que até gostava dos dias de chuva. Olhou para o pai e perguntou.

— O que você disse pra mãe?

— A verdade, Harry. — James o olhou nos olhos e sorriu. — Ela foi forte o bastante para saber a verdade.

— Isso é porque o senhor não viu a expressão dela quando viu nós nos beijando. — Declarou baixinho e suspirou.

— O que você vai fazer?

— Eu quero ir correndo até ela para ficarmos juntos. Mas não quero parecer um fraco.

— Nada se tem de fraco ao assumir o amor, filho. — James pôs a mão sobre seu ombro, como sempre fazia. — Ela errou é claro. Mas não prive a si mesmo da felicidade por orgulho. Ela assumiu o que sentia. Terminou com o tal noivo e se declarou pra você. Pense com clareza se você realmente a perdoa.

— O senhor não deveria mandar eu me afastar dela por causa de tudo o que ela fez, todas as mentiras? —Harry perguntou confuso.

— Não, eu não deveria. Eu estou lhe dando conselhos como um bom amigo e pai. Você sabe o que é certo e errado. Essa mulher mexe demais com você. É visível, e eu sei que não posso impedir você de ficar com ela. Sua mãe, talvez. No entanto, ela sabe o que é estar apaixonada. Não controlamos os sentimentos. Sei que muitos pais devem dizer isso aos seus filhos, mas eu só quero que você seja feliz.

Harry o olhou por algum tempo, sentindo o peso do conselho lhe inundar e resolveu que já era hora de ir. Despediu-se do pai e correu para dentro da coberta da escola, tomando o cuidado para não escorregar na grama.

Na hora do intervalo ele sentou-se no pátio e ficou olhando de longe a sala dos professores. Não viu Gina e sentiu-se agoniado e aliviado. Ele precisava acertar aquela situação entre os dois. Achava que não agüentaria mais os olhares de anseio que ela lhe lançava discretamente. Precisava falar com ela.

Andou decidido até a direção e abriu a porta de vidro. O Sr. Filch estava lá, revirando algumas documentações com MacGonagal.

— Com licença. — Disse Harry, educadamente. — Professora, como eu poderia falar com a professora Weasley?

— Ela não está aqui hoje, Potter. — A mulher respondeu seriamente. — O que quer com ela?

— Bem... — Harry ficou sem saber o que responder por um momento e obrigou-se a pensar rápido. — É que ela me pediu pra fazer um favor para ela e disse que eu avisasse quando terminasse. O problema é que eu não peguei nenhum número dela e ela me disse que estava precisando pra esse final de semana.

— Se ela está precisando com certeza vai procurar por você. — A professora lhe lançou um olhar desconfiado. — Não acha?

— É, eu sei, mas eu esqueci de pegar o número. Ela pediu para que eu ligasse...

— Espere um momento Potter. — Ela levantou-se da cadeira e abriu uma porta do grande armário de arquivos que preenchia toda a parede de trás. Vasculhou alguns papéis e pegou um pedaço de papel e anotou algo. Depois caminhou em sua direção e o entregou por cima do balcão. — Eu não dou o número dos professores para os alunos, Potter. Mas farei uma exceção para você.

— Muito obrigado, Professora. — Harry respondeu contente e saiu da sala.

Harry correu até a cabine telefônica que ficava ao lado da secretaria, colocou uma moeda e discou o número que Minerva o entregara. Rezou mentalmente para que ela estivesse em casa e que atendesse. O telefone tocou diversas vezes e quando Harry achou que fosse cair a ligação, a voz doce de Gina respondeu do outro lado da linha. Ele não conseguiu falar por alguns segundos e suspirou fortemente enquanto ela continuava a perguntar quem era.

— Oi. — Respondeu em voz grave. Gina parou de falar de imediato e ele conseguiu ouvir quando ela soltou um longo suspiro.

— Oi.

Ele suspirava junto de Gina no outro lado da linha. Não sabia o que dizer, não queria se render ao jeito delicado e feminino. Porém, não mais conseguia ficar longe dela, de sua boca, de seu calor, seu cheiro, seu cabelo... Ele precisava desesperadamente dela, era uma necessidade, um desejo incontrolável. No entanto, era difícil admitir. Nunca vira a si mesmo como um ser particularmente orgulhoso demais a ponta de privar a si mesmo de ter algo que queria muito, assim como o pai lhe falara. Porém, devia admitir que estava agindo como se fosse um, mas com certeza ele não era tanto quanto gostaria de ser. Seus raciocínios viravam pó perante as lembranças da professora ao seu lado.

— Você vai sair? — A voz saiu rouca e pesada, quase desesperada.

— Não. Passei o dia corrigindo trabalhos e elaborando as provas. — Ah! Harry quase podia visualizá-la com seus cabelos presos, um de seus vestidos informais... Ela poderia até estar mordendo o lábio inferior de ansiedade. — Algum problema?

— Não. Quer dizer... Eu não sei...

— Eu estou esperando. — A voz dela lhe causou um aperto no coração e baixo ventre. — Você vem aqui depois da aula?

— Eu não sei. Eu não deveria... — A sirene tocou avisando o fim do intervalo, Harry passou a mão pelo pescoço, e um trovão anunciou-se ao longe. — Eu tenho que ir agora.

— Espera. Só me diga se vem ou não.

— Eu não sei, Gina.

Ele desligou o telefone abruptamente e assanhou os cabelos ainda mais. Olhou ao longe, chovia fraco e obrigou-se a regular a respiração, e as batidas de seu coração. Será que conseguiria resistir e não ir? Pensou consigo mesmo. A voz dela ao telefone estava quase tão desesperada quanto a sua própria. Não seria de todo ruim, afinal, ela parecia estar afetando-se naquele caso ardente tanto quanto ele agora. Sua voz tinha um quê de necessidade e desejo, saudades. Forçou-se a voltar para a sala de aula antes que ficasse de fora e levasse uma advertência.

A aula passou rápido apesar de seu anseio. Era história, uma matéria que Harry adorava. Ainda estava indeciso sobre ir ou não. Quer dizer, ele sabia que ia, mas não queria admitir para si mesmo. Que loucura. Tudo o que ele tinha a fazer era conversar com ela. Duvidava que fossem apenas conversar, apesar de tudo.

Quando a sirene tocou, Harry caminhou normalmente ao lado de Rony e Hermione até a saída, e quando os amigos se despediram dele com um aceno, logo pegou o celular e ligou para a mãe, avisando que iria casa de Dino para fazerem um trabalho e que terminaria tarde. Andou até encontrar um táxi disponível. A neblina já estava ficando mais forte e ele já estava quase todo molhado. Deu o endereço da rua e esperou impaciente a todos os sinais de trânsito que atrasavam ainda mais por causa da chuva.

Enfim, começaram a adentrar um pouco mais ao norte da cidade, e as paisagens começaram a ficar um pouco mais arborizadas, daí, ele soube que já estava se aproximando do bairro. Mais alguns minutos depois, ele reconheceu a casa mais a frente. Pagou o táxi, e correu até a coberta da garagem, mas acabou ensopado devido à chuva que caía. Enquanto observava o carro afastando-se, sentiu um rebuliço em seu estômago e constatou que estava parado em frente à casa dela.

Parou em frente a porta, e sem pensar mais um instante, apertou a campainha. Ele ouviu os passos apressados do lado de dentro, e alguns segundos depois a porta abriu abruptamente. Por dez segundos os dois se olharam atentamente, sem nada dizer, apreciando o momento e observando um ao outro.

Harry a agarrou pela cintura enquanto batia o pé na porta, fechando-a. Ela passou os braços pelo pescoço dele e juntou suas bocas de maneira voraz e desejosa, quase desesperada, ou totalmente. As línguas se tocaram com intensidade e paixão, seus corpos ardiam e se roçavam prazerosamente. Harry a pegou com mais força nos braços e a fez rodear a sua cintura com as pernas. A base do vestido dela subiu e ele acariciou a coxa com uma de suas mãos, fazendo-a arfar. Tentou seguir até o quarto dela.

Levou seus lábios até seu colo alvo; ela fazia carinhos em sua nuca que estavam lhe despertando, rápido e furiosamente. Os dois soltavam gemidos e suspiros desesperados. Harry sentiu sua ereção apertar dolorosamente dentro da cueca. Gina também o sentiu e suspirou ainda mais de prazer e desejo, apertando-o mais firmemente contra si. Harry não conseguiu ir muito mais longe, precisava dela urgente e com força, e assim que chegaram ao pequeno corredor, ele depositou-a no chão e começou a despi-la de seu vestido floral rapidamente.

— Gina... — Ele tentou dizer alguma coisa em meio ao gemido e sua respiração arfante, ao senti-la acariciar freneticamente o seu membro por cima da calça jeans. — Eu quero...

— Eu quero você! — Ela murmurou em seus lábios e o beijou intensamente mais uma vez, enquanto retirava seu casaco azul escuro e sua camisa preta de uma vez.

— Eu também... — Ele não conseguia dizer muita coisa, estava mais interessado em lamber os seios intumescidos e quentes dela. Ele começou a abrir o zíper de sua calça e logo livrou-se desta junto da cueca.

Harry estava mesmo desesperado por ela, e grunhiu quando ela o tomou duro com a mão delicada e ágil, e em alguns segundos ele estava sentindo os espasmos do orgasmo se intensificando. Gina sorria satisfeita ao ver o prazer que lhe proporcionava, e beijou-lhe famintamente, mordendo e chupando sua boca como se jamais fosse voltar a experimentar aquilo outra vez. Neste segundo ele começou a acariciá-la, fazendo-a contorcer-se e oferecer-se ainda mais pelo assoalho e gemer com prazer.

Aquilo era um vício sem fim para Harry. Vê-la contorcendo-se de prazer pelo chão, gemendo o seu nome com agonia. Ele não conseguiria ficar longe dela. Nunca mais. Nem queria isso. Aquele perfume floral dela o atingia e sentiu ficar duro novamente. Beijou-a sofregamente e depois de mais alguns segundos de tortura, ele penetrou-a forte e desesperadamente, amando-a e possuindo-a como jamais fizera das outras vezes.

Aquelas lamúrias eram diferentes e mais luxuriosas, mais livres. As sensações eram intensas enquanto ele arremetia cada vez mais fundo e rápido. Tão selvagem e carinhoso ao mesmo tempo, não conseguia pensar. Era delirante. Gina pôs as mãos em seu peito e o empurrou para o lado. Ele ficou sem entender, e sorriu de prazer quando ela apenas trocou de posição, ficando por cima com rapidez.

Harry passou a mão por suas nádegas e o ritmo ficou mais intenso. Gina remexia e pulava sobre ele intensamente. Jogou a cabeça para trás e fechou os olhos, apurando todas as sensações. Ele gemia como nunca, e ao vê-la quase revirando os olhos sentiu o coração apertar de paixão, amor, desejo. Os seus seios balançando levemente. Levou uma mão até eles, enquanto a outra ainda permanecia em seu traseiro, e os apertou com vontade e carinho, pressionando os mamilos. Isso a fez gemer mais.

Gina abaixou-se sobre ele, enquanto lhe dava investidas frenéticas, e quase não conseguiu grunhir baixinho em seu ouvido devido a tanto prazer.

— Eu amo você. — E depois lambeu e mordeu sua orelha e mandíbula.

Harry soltou um palavrão e pegou em suas nádegas novamente, movendo-a para cima e para baixo, elevando o quadril de encontro ao dela. O som constante do atrito de pele contra pele ainda mais forte. Sentia o prazer aumentando e não conseguiu ficar com os olhos abertos. Não queria que acabasse, mas não conseguia se conter mais. Então, com um grito de prazer, libertou-se nela, gozando tanto o quanto fosse possível para um homem fazê-lo. E logo depois foi ela, acompanhando-o com tanto, ou mais, prazer. E depois, seus corpos banhados em suor quase desfaleceram sobre o assoalho, com ela toda estirada por sobre seu corpo exausto. As respirações ruidosas tão descompassadas como se o ar não conseguisse entrar em seus pulmões. As sensações diminuindo devagar. Gina passou a mão por seu peito e aconchegou-se mais em seus braços.

— Eu senti tanta falta disso. De você. — Declarou ela, com um suspiro de contentamento. Os dois se olharam, e ela retirou a franja suada dele da testa. — De nós dois assim.

— Eu também. — Confessou ele, passando a mão pelas mexas suadas de seu cabelo. — E não quero ficar sem isso novamente. Eu também te amo.

Gina levantou-se e sentou ao seu lado, olhando bem para sua expressão. Um sorriso espalhou-se por sua face, atingindo seus olhos cor de chocolate. Ao vê-la daquela maneira, completamente nua, suada, saciada e linda, com os olhos brilhando de expectativa, seu coração disparou novamente e ele riu.

— Hey! — Exclamou, sentando-se também e lhe abraçando. — Eu sou o adolescente deslumbrado aqui.

Ela riu com vontade, recostando o seu corpo nele. Ele sentiu arrepios e mais desejo.

— Você é mais do que isso para mim. — Ela segurou a mão dele que acariciava sua coxa e entrelaçou seus dedos. — Sabe disso, não sabe?

— Como é que a gente vai fazer isso funcionar? — Harry acariciou sua face e a beijou levemente. — Não quero mais namorar escondido.

— Eu sei. — Ela olhou para baixo e sorriu ao ver seu membro avolumando-se. — Você estava mesmo com saudades de mim, não estava?

— Você sabe. Olha só pro meu amigo aqui. — Harry foi levantando-se e estendeu a mão para ela. — Ele mal estava cabendo nas minhas calças esses dias.

— Muito apropriado.

Respondeu ela, beijando-o enquanto eles iam para a cama. A chuva estava tão forte lá fora, agora, que quase parecia inverno novamente. Era um clima perfeito para os amantes.

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— Mãe, por favor, me escuta. — Harry repetiu para Lily do outro lado da linha, enquanto Gina, aflita, assistia a cena. — Mãe...

— Me deixa falar com ela. — Pediu Gina. Harry a olhou como se ela tivesse três cabeças.

— Tá doida? — Harry abafou o telefone com a mão, enquanto falava. — É a minha mãe.

— Eu sei Harry. — Gina se endireitou na cama e estendeu a mão pedindo o telefone. — Me dá.

— Você vai se arrepender. — Avisou, passando-lhe o telefone.

— Não vou. — Ela encostou o telefone no ouvido. — Sra Potter? — Lily que berrava do outro lado da linha, calou-se instantaneamente.

— O que você quer? — Lily perguntou furiosamente do outro lado da linha. — O que você está fazendo com o meu filho?

— Eu não estou fazendo nada com ele, senhora. — Gina falou pacientemente e suspirou. — Ele está seguro. Eu não quero levá-lo nesse tempo. Pode ser perigoso.

— Mas... — Aparentemente ela ficou sem fala. — Tudo bem. Pode ser perigoso mesmo. Não pensei nisso. Mas amanhã bem cedo eu o quero aqui.

— Tudo bem, Sra. Potter. — Replicou Gina. — Eu entendo.

— Deixe-me falar com ele novamente.

— Claro. Tenha uma boa noite.

Gina largou logo o celular para Harry, não gostaria de ouvir nada de desagradável naquele momento. Harry recebeu o celular e voltou a falar com a mãe. Gina deitou-se novamente na cama e olhou para o relógio no outro lado da parede. Já era quase dez da noite. Eles haviam perdido a noção do tempo e esqueceram de ligar para os pais dele. No entanto, ela teria que ficar mais responsável com ele, não podia esquecer que ele era menor de idade, afinal, devia ser um bom exemplo e tornar-se uma pessoa confiável para os pais dele, embora, achasse que fosse tarde demais.

Ela não quis pensar nisso. Quando Harry desligou o celular com olhares especulativos, os dois se deitaram e se abraçaram cansados, e logo o sono chegou, levando ambos para um mundo irreal de sonhos bons.


N/A: Bem. Este foi mais um capítulo. Espero que gostem dele, eu adorei escrevê-lo, principalmente o reencontro dos dois.

BJS!