Capítulo 13 - Alívio

Harry havia acabado de sair pelos portões da escola e andava distraidamente pela calçada com suas passadas largas. Ele não vira Gina na escola hoje, pois eram as provas finais e ela deveria estar em outra sala. Mas só sabia de uma coisa: estava com muitas saudades dela!

Já fazia um mês desde que o jantar formal com seus pais havia acontecido e desde então, eles só haviam se encontrado a sós para fazer amor uma única vez. Gina estava frequentando a casa de Harry por algumas noites da semana, para mostrar aos pais dele que ela era uma mulher responsável, e somente como um namoro normal deveria ser. E depois, com essas provas finais, ela estava totalmente cheia de provas e trabalhos de última hora para corrigir.

No geral estava sendo um bom mês. Nada acontecera de muito especial, o que Harry agradecia mentalmente a Deus, pois já fazia algum tempo que algo sempre vinha ter que estragar a felicidade dele e de sua amada. Mas fora um pensamento muito prematuro. Afinal, quando Harry dobrou a esquina e levantou os olhos para atravessar a rua, Draco Malfoy estava lá. Escorado em um carro, de braços cruzados e, ao que parecia, esperava por ele, pois ele descruzou os braços e abriu os lábios de leve.

Harry parou no ato e o encarou. Estufou o peito, ajeitou a postura e andou com calma até onde ele estava. Fazendo de tudo para controlar o seus ciúmes ao lembrar de que ele fora um namorado de longa data de sua ruiva.

- Será que poderíamos conversar um minuto? – O homem loiro perguntou com sua voz quase rude.

- Sobre o quê? – Perguntou Harry com indiferença.

- Você sabe muito bem.

- Eu não quero mais confusão, cara...

- Eu também não. – Draco ergueu as mãos em um gesto de rendição. – Será que podemos conversar mais em particular? – e apontou para uma lanchonete que havia mais adiante.

Harry o olhou desconfiado, porém assentiu. Eles caminharam em silêncio até o estabelecimento e procuraram por uma mesa vazia. Logo que sentaram a garçonete os atendeu e depois de alguns segundos de um silêncio desconfortável. Draco inclinou-se sobre a mesa e encarou Harry seriamente.

- O que você quer com a Gina, rapaz?

- O que eu quero? - Harry perguntou espantado e arquiando a sobrancelha. – O que você quer dizer com isso?

- Estou querendo saber suas intenções com ela. – Repetiu ele sem rodeios.

- As mais sérias possíveis. – Declarou Harry em um rompante. – Por que está me perguntando isso?

- Escuta aqui, Harry. – O loiro apontou um dedo para Harry. – Eu e ela conversamos muito a respeito disso. Ela me contou tudo o que aconteceu.

- Mesmo? – Perguntou com indiferença, tentado disfarçar sua curiosidade.

- Sim. – Draco olhou pela janela e sua expressão parecia distante. – Eu e a Gina namoramos por quase toda a nossa vida. Desde que éramos adolescentes. Eu a pedi em casamento e ela me largou por você. Um aluno, um garoto de dezessete anos. Eu fiquei com mais raiva disso do que se ela tivesse me trocado por um homem mais velho, ou sei lá.

Harry respirou profundamente e continuou a encarar Draco. Aparentemente ele realmente não queria confusão mesmo, nem nada do tipo, por isso apenas deu de ombros e escutou. Antes que ele começasse a falar novamente e garçonete trouxe um café com pães de queijo e os dois se serviram.

- Mulheres gostam de segurança muitas das vezes, rapaz. – Draco declarou sabiamente. – A Gina não está fora disso. Mas se ela me largou por você é porque ela deve estar muito apaixonada. Muito mesmo. Eu briguei com ela. E devo admitir que até pensei em procurar você e lhe dar uma bela surra, mas agora... – Ele engoliu em seco e balançou a cabeça. – Eu compreendi que devo apenas acolher a decisão que ela tomou e só queria deixar claro que eu não vou ser uma sombra permanente no relacionamento de vocês.

- Fico muito grato por ouvir isso.

- Mas eu quero que saiba que eu não deixei de gostar dela. E que se você a magoar, se isso tudo for só um jogo pra você. Você vai se ver comigo, cara. E não se esqueça que ela tem mais cinco irmãos mais velhos e ciumentos.

- Olha Draco. – começou Harry com a voz tranquila, mesmo que estivesse com sentimentos embargados. – Eu fico feliz que tenha aceitado tudo e por sua preocupação com a Gina, embora não seja necessário. Mas depois do que eu passei pra ficar com ela não foi apenas um jogo. E eu não vou ter medo dos irmãos dela ou de você porque eu não tenho intenção de magoá-la. Nunca. Só não queria que todo mundo viesse com essa conversa pela minha idade, que, aliás, está muito bem comprovada que não vem ao caso.

- Eu sei, mas...

- Sabe não. Se eu fosse apenas um adolescente idiota, ela nem teria olhado para mim pra começo de conversa. Depois, a relação é só entre nós dois e eu não deixaria nada de fora se intrometer entre nós. Eu agradeço o seu conselho, mas acho que eu já sei muito disso tudo.

Draco franziu o cenho e o observou por alguns segundos, um leve sorriso se espalhando por sua face.

- Tudo bem, Harry. – Falou por fim. – Já vi que realmente não foi preciso tudo isso. Você realmente parece ser um cara decente.

Harry riu sarcasticamente e revirou os olhos.

- Obrigado!

- Bem... – Draco esticou a mão para ele. Harry olhou por alguns segundo e resolveu apertá-la. – Era só isso. Eu tenho que ir trabalhar agora.

Ele tirou uma nota de cinco libras do bolso e pôs sobre a mesa e com mais um aceno de cabeça, partiu. Calculando que aquele era o preço do lanche, Harry o observou sair e logo depois, sem avisar, saiu também. Disparado em direção a sua casa. Os pensamentos a mil, e louco para falar com Gina. Ligaria para ela assim que chegasse em casa.

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Gina estacionou o corolla em frente a casa de Harry. Já estava ficando acostumada a estacionar ali, entre a grande lata de lixo e o fim da calçada para a grama. Desceu, travou o carro e quando olhou para cima, Harry estava lá fora, sentado no banco e olhando para ela. Gina sorriu e caminhou até ele. Ela tinha uma expressão cansada quando fechou os olhos para beijá-lo.

- O que aconteceu? – Perguntou preocupada e sentou-se ao seu lado.

- Draco me procurou hoje. – Declarou, olhando as íris se encherem de medo.

- O quê? – Sua voz saiu mais aguda que o normal. - O que ele fez?

- Ele estava me esperando na saída do colégio. E não se preocupe ele não fez nada. Apenas conversamos.

Harry pôs-se a contar tudo e Gina quase não acreditou naquilo que ele dizia.

- Draco não é o tipo de cara que aceita assim as coisas, por isso estou surpresa. Ele fez a maior confusão quando eu fui terminar com ele.

- Eu também fiquei surpreso. Mas ele confessou que pensou muito a respeito e de que quase me procurou para me dar uma surra.

Gina riu de leve com o tom de humor que ele usou. Assim, rindo com ela no banco da varanda de sua casa, sentiu-se feliz como nunca se sentira na vida, e ponderou que tudo o que havia acontecido para poder estar ali com ela valera muito a pena e que, se precisasse, faria tudo outra vez. Desde de pular o muro da escola a ser esmurrado pelo seu noivo grosseiro.

Percebendo o olhar pensativo dele, Gina cutucou o seu braço, trazendo-o de volta a realidade e lhe sorrindo mais uma vez. Ela inclinou-se para beijá-lo ardentemente e ele retribuiu de bom grado. Porém, a porta abriu-se abruptamente e os dois se afastaram com uma rapidez incrível. Quando olharam para o lado, Lily estava ali, em pé, com as mãos na cintura e os encarava atentamente.

- Sim, mãe? – Harry falou em fio de voz.

- Boa noite, Lily. – Gina levantou-se e sorriu para ela com simpatia.

- Boa noite, Gina. – Lily saudou de volta e com um sorriso na cara, deixou o caminho da porta livre e falou: - Venham. James já está pronto e o jantar servido.

Ela virou-se e entrou. Gina olhou para Harry, e este suspirou e revirou os olhos com a idiotice da mãe. Com aquele sorrisinho presunçoso, ela sabia que havia interrompido algo. Afinal, aquela era Lily, era apenas o jeito dela e ponto final. Levantando-se, Harry passou um braço pela cintura curvilínea de Gina e a beijou na sua nuca.

- Não aguento mais ficar longe de você, minha ruiva. – ela sorriu e olhou-o.

- Eu também não, meu amor. – Gina mordiscou o lábio dele. – Logo, logo a gente vai poder passar a tarde juntos de novo.

- Argh! - rosnou ele. – Espero que essas provas terminem logo. Não aguento mais.

Então, sorrindo bobamente os dois foram para a sala de jantar e sentaram-se a mesa. A refeição correu maravilhosamente bem, com James contando sobre suas palhaçadas adolescentes e Lily confessando quando se deu por vencida e, enfim, aceitou sair com ele.

Ás nove horas, Gina estava indo em direção ao seu carro e, como sempre, Harry a acompanhou ansioso por um amasso de despedida. Quando se separaram, ambos estavam corados e ofegantes. Harry fungou em seu pescoço.

- Boa noite, minha amada, amada professora. – Ele mordiscou o lábio inferior dela. – Se você não for agora, não te deixarei mais ir.

- Eu não quero ir, meu adolescente apaixonado. – Gina penteou o cabelo dele com os dedos, afastando seus cabelos rebeldes de sua testa levemente suada e deu um beijo casto lá. – Até amanhã.

- Até amanhã. – Ele a prensou mais em seus braços e a beijou uma última vez, antes de soltá-la e observá-la entrar no carro, acender os faróis, dar a partida, buzinar e depois partir até virar na esquina.

Sentindo um tesão incontrolável, Harry pôs-se subir as escadas novamente e quando chegou a varanda, sentou-se no banco novamente e ficou a observar a rua deserta com as pequenas árvores plantadas nos jardins da frente das casas. Ao olhar para o lado, viu Cho abraçada a um rapaz alto na porta de sua casa e ela o beijava intensamente.

Harry sorriu para si mesmo e ficou feliz que ela finalmente tivesse encontrado uma pessoa da qual gostasse. Respirando fundo mais uma vez, Harry levantou-se e foi para dentro de casa. Despediu-se dos pais e subiu as escadas lentamente, os olhos meio embaçados pelo sono. Quando deitou-se finalmente, seu celular apitou e quando ele olhou para a tela, viu que era uma mensagem de Gina.

" Feche os olhos agora e finja que eu estou deitada ao seu lado, sussurrando em seu ouvido. Finja que me beija e sinta todo o meu amor e desejo. Sonhe, sonhe comigo e nada mais"

Te amo, Gina.

E sorrindo mais do que nunca, Harry virou-se para o lado e adormeceu tranquilamente.

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- Agora vamos aos formandos do ensino médio. – Disse o diretor Dumbledore no microfone da quadra.

A cerimônia estava sendo linda até agora. Neste momento a oradora da turma subiu ao palco e pôs-se a ler o espirituoso discurso, fazendo todos sorrirem com algumas frases engraçadas. Harry sentado de onde estava, olhava para Gina ao lado de Lupin no palco. Ela estava graciosa em um vestido azul escuro e usando sapatos pretos. Ela tinha orgulho estampado na face ao escutar o discurso e no final, aplaudiu a todos fervorosamente.

Todos os alunos que estavam ali, ainda em suas becas azuis, se amontoaram uns perto dos outros para tirar uma foto e logo depois disso, fizeram uma contagem regressiva para atirar as boinas para cima. Na contagem do três, Harry já estava pronto para arrancar o seu chapéu quando sentiu alguém lhe abraçar com força por trás e girá-lo.

Era Gina. Ela tinha uma expressão marota na face e sorriu para ele. Na hora em que todos arremessaram os seus chapéus e os vivas e abraços começaram no meio daquela euforia, ela mesma retirou o chapéu dele e o jogou para longe, enquanto o beijava ardentemente na frente de todos. Harry ficou surpreso com aquilo, mas logo começou a beijá-la de volta, e seu coração se encheu de alegria e amor por aquela mulher maravilhosa.

Os dois não queriam quebrar o beijo, mas devido a falta de ar tiveram que fazê-lo e quando olharam ao redor, encontraram alguns pares de olhos os encarando com surpresa e alguns alegremente.

- Srta. Weasley! – Exclamou MacGonagal em seu tom severo de repreensão. – O que pensa que está fazendo? Ele é seu aluno.

- Não professora! – Replicou ela. Voltou a olhá-lo e o abraçou pelo pescoço ainda sustentando aquele lindo sorriso nos lábios. – Ele não é meu aluno. Ele é o meu homem.

O coração de Harry deu uma cambalhota no peito e algumas lágrimas escaparam de seus olhos, enquanto unia os lábios aos dela novamente e com vontade, deixando uma MacGonagal resignada e estupefata ao lado.

Fim...


N/A: Sim. Infelizmente este é o fim. Não me matem. Sei que não ficou muito bom, mas foi o que eu consegui.

Estou feliz por ter terminado essa história. Ufa! Depois de tanto tempo, finalmente eu consegui. rsrsrsrsrs

Bem, é isso. Espero que gostem.

Bjs!