Beta: Carol Camui (A Possessiva)


Odiava ser acordado. Gostaria de dormir profundamente e a única coisa que lhe impedia era aquela maldita música. Sua música favorita, mas nesse momento ela era a mais maldita de todas. Queria degolar a pessoa que insistia em ligar. Por fim, resolveu atender, sem nem mesmo abrir os olhos.

- Quem me incomoda? – A voz de Jensen não poderia demonstrar melhor seu mau humor.

Felizmente a pessoa do outro lado da linha já estava acostumada com esse mau humor matinal.

- Lúcifer. Levanta dessa cama e vem me ajudar! – Misha também não estava no seu melhor humor.

- Você vai mesmo visitar Lúcifer, por ter me acordado tão cedo. – respondeu, cobrindo-se ainda mais.

- Anda logo, Jen. Você prometeu que viria. E não é cedo! Já passa do meio dia e eu ainda estou te esperando!

Jensen se assustou com a hora dita e levantou a cabeça para confirmar. Olhou para o despertador e viu que Misha estava certo. Coçou os olhos lentamente, tentando fazer aquele sono passar.

- Estou indo. – Desligou o telefone antes mesmo que Misha pudesse responder.

Tomou um banho demorado e telefonou para um restaurante solicitando que entregassem o almoço no apartamento de Misha; assim chegaria quase na mesma hora que o almoço, pois apostava que o moreno tinha esquecido de comer.

Chegou ao apartamento do moreno por volta das quatorze horas. Bateu na porta e ouviu o grito lhe dizendo para entrar.

O apartamento parecia um campo de batalha. As caixas estavam espalhadas por todos os cantos. Jensen acreditava que Misha tinha pedido que seus pais mandassem a casa inteira, e não somente os seus pertences, devido à grande quantidade de coisas espalhadas.

- Onde você está? – Perguntou, perdido entre o mar de papelão e plástico bolha.

- Aqui! – Misha saiu do meio das caixas e abraçou Jensen por trás, dando-lhe um beijo demorado no pescoço.

- Caramba! Onde você arrumou tanta coisa pra enfiar nesse apartamento? – Falou enquanto virava um pouco mais a cabeça para dar mais acesso à carícia do amigo.

- Não sei. Pedi para enviarem tudo que era meu, mas acho que minha mãe resolveu fazer uma limpeza. – respondeu entre mordidas no pescoço do loiro. – Onde você se enfiou ontem? Fiquei um bom tempo te ligando, mas você não atendia.

- Estava estudando com o Jared. Eu te avisei... – Sorriu travesso ao lembrar de todo o estudo que tivera.

- Você aprontou... Está com cara de que aprontou... – Puxou o rosto de Jensen para poder observar melhor aquele sorriso sacana.

- Na verdade eu não fiz muita coisa. Ou melhor, não pude fazer muita coisa. – Empurrou Misha em uma poltrona que estava desocupada e sentou-se no colo, um pouco de lado, para poder olhar para o moreno. – O lobo saiu da pele do cordeiro. Só faltou me jogar na parede e chamar de lagartixa.

- Como assim? Ele não estava fugindo de você? – Misha tinha ficado curioso com a história.

- Sim, estava. Mas acho que provoquei tanto o garoto que ele se descontrolou. Partiu para cima de mim, arrancou a minha roupa, usou a minha camisa para prender as minhas mãos, me jogou na mesa e me...

- Como é que é essa última parte? – Misha interrompeu o relato de Jensen, impressionado com a situação.

- Isso mesmo que você ouviu. Ele usou a minha camisa para prender minhas mãos para trás, me jogou na mesa da biblioteca e me comeu "deliciosamente gostoso". – Jensen finalizou, pouco se importando com a redundância.

- Quem diria? O garotinho resolveu te pegar de jeito mesmo? – Misha ria imaginando a situação – Estou imaginando como você ficou puto dele ter feito isso. – Começou a gargalhar logo que viu a careta que Jensen fez mediante o comentário.

- Cala a boca! – Falou e depois o fez se calar com um beijo. – Agora me diz uma coisa. Tem algum brinquedinho em alguma dessas caixas? – Sorriu e lambeu os lábios, provocando o moreno.

- Não tem, mas posso comprar uma algema, já que eu vi que você é chegado a esse negócio de S&M... – Gargalhou novamente com mais uma careta do loiro.

- Cretino!

- Puto!

Começaram uma espécie de luta, enquanto as risadas ecoavam entre as caixas. Quando viram, estavam rolando no tapete entre beijos e movimentos bruscos, onde um tentava subjugar o outro. Derrubaram várias caixas e pararam com a brincadeira, ofegantes. Neste exato momento, o interfone tocou. Misha se levantou e atendeu, logo em seguida agradecendo ao amigo por ter se lembrado de pedir comida. Se recompôs da brincadeira nada inocente e foi receber o motoboy.

Comeram lentamente, enquanto Jensen contava mais detalhes dos "estudos" de sexta-feira. Era difícil comer e rir ao mesmo tempo. Ao terminarem, jogaram fora as embalagens e começaram a arrumação.

Por volta das 9 horas da noite, ambos estavam exaustos. Grande parte da "bagunça" estava em seu lugar, mas ainda haviam algumas caixas espalhadas. Jensen foi a primeiro a se jogar no sofá, com o estômago reclamando de fome novamente.

- Vamos pedir alguma coisa para comer? – Jensen falava enquanto Misha desmontava algumas caixas de papelão já vazias.

- Tem uma lista telefônica em algum lugar. Pedi ao porteiro hoje de manhã, sabia que ia ser muito útil.

Jensen encontrou a lista jogada em um canto e pediu uma pizza. Era rápido e ambos gostavam. Em menos de vinte minutos estavam sentados à mesa comendo.

- Então... E agora, como você vai fazer? – Misha perguntava e dava um bela mordida em um pedaço de pizza.

- Fazer o quê? – Jensen lambia um pouco de recheio em seu polegar, se preparando para pegar outro pedaço de pizza.

- Acorda, Jensen. Você está ficando com a Genevieve.

O loiro olhava para Misha como se não visse problema algum. – Eu também fico com você, e daí?

Misha balançava a cabeça de um lado para o outro, em sinal de negativa e ria com a total falta de tato do amigo. Achou melhor nem insistir no assunto, pois não iria chegar a lugar algum mesmo.

Em um movimento súbito, Jensen tirou o celular do bolso, pressionou alguns botões e colocou o aparelho no ouvido, segurando-o com o ombro. Misha o olhava com curiosidade e o loiro apenas sorriu.

- Mãe! Vou ficar aqui no apartamento do Misha. – O moreno sorriu enquanto Jensen fazia uma pausa para ouvir o que sua mãe dizia. – Não, mãe. O Misha não se importa e tem lugar para mim. – Mais uma pausa. – Boa noite, mãe. Beijos. – Encerrou a ligação e jogou o celular em cima da mesa.

- E quem disse que eu não me importo se você ficar? – O moreno fazia uma falsa expressão de contrariado.

- A cara de fome que você está tentando disfarçar me olhando assim. – Jensen rebateu de imediato.

- Acabamos de comer. – Misha tentava desconversar e manter a pose séria, mas estava morrendo de vontade de rir.

- Não é dessa fome que eu estou falando... – O loiro deu uma mordidinha demorada nos lábios, enquanto sua perna fazia uma carícia leve na perna do moreno por baixo da mesa.

Misha empurrou as coisas que estavam sobre a mesa, fazendo grande parte ir ao chão. Debruçou-se sobre ela e beijou Jensen. O loiro segurou Misha pela nuca e aprofundou ainda mais o beijo.

Jensen foi se levantando com dificuldade, sem separar as bocas. Foi andando para o outro lado da mesa e virando o corpo de Misha ao mesmo tempo. Misha encostou-se à mesa e as caricias foram espalhando-se pelo resto dos corpos.

Precisavam respirar, então separaram as bocas e ficaram alguns segundos se encarando. Apenas uma troca de olhares, rostos bem próximos e carícias mais leves. Jensen mordeu o lábio inferior de Misha e ficou segurando, enquanto curvava os lábios em um sorriso que o moreno ainda não conhecia, mas tinha fortes traços de malicia.

O loiro se afastou e retirou a camiseta já parcialmente molhada de Misha, jogando-a longe. Atacou o pescoço do moreno sem piedade, alternando entre mordidas e lambidas. Quando Misha estava totalmente entregue à perícia de Jensen, o loiro segurou o braço do moreno com força e o virou, empurrando-o logo em seguida sobre a mesa.

- O que... – Misha ficou assustado e confuso com a atitude brusca e inesperada, porém sua linha de raciocínio foi interrompida quando Jensen lambeu sua coluna, desde a base, passando por toda e extensão e terminando num beijo demorado em sua nuca.

- Hoje eu estou a fim de ver outra pessoa sobre a mesa... – Jensen falou com a voz mais rouca do que de costume, bem próximo ao ouvido do moreno.

- Jen... – Misha suspirou, enquanto Jensen o mantinha no lugar com o peso do corpo sobre ele.

- Vamos lá, Misha... – O loiro pedia enquanto distribuía beijos sobre o ombro do outro, pressionando ainda mais seu quadril sobre o de Misha, mostrando-lhe o quanto estava excitado.

- Eu não sei, Jen... Eu...

- Eu sei... Mas sou eu... – Jensen tentava passar um pouco de segurança para o moreno. Sabia que ele estava inseguro. – Eu não vou insistir se você não quiser.

Misha refletiu um pouco enquanto Jensen fazia um carinho leve na lateral do seu corpo e já não o pressionava tanto. Em momento nenhum poderia negar que também estava excitado com a situação, mas quem ficava por cima era ele e agora os papéis estavam invertidos.

Quando Jensen já estava disposto a soltar Misha e se levantar, ouviu um "Tudo bem" saindo na forma de um sussurro da boca do moreno. Sorriu e continuou beijando as costas do moreno, esperando que assim ele relaxasse um pouco mais.

Misha estava se acostumando com a ideia e entrou no clima, puxando o quadril de Jensen. O loiro sorriu e distribuiu mais algumas mordidas no dorso do moreno, enquanto se afastava um pouco para tirar sua camiseta, sem perder totalmente o contato com o corpo abaixo do seu.

Jensen se debruçou novamente sobre o moreno, ao mesmo tempo em que ia abrindo a calça demoradamente, aproveitando para tocar o membro desperto do amigo. Misha sentia seu membro pulsando em resposta ao toque gentil e ao mesmo tempo desesperador. Precisava de mais contato ou perderia o juízo em poucos minutos. O loiro estava notando a urgência por contato do amigo, ao mesmo tempo em que notava que ele ainda estava um pouco tenso, então estava aproveitando para fazê-lo perder a cabeça e pedir por ele.

Os gemidos de Misha estavam baixos e desconexos, era um dos sinais que o Jensen esperava. Retirou a calça, junto com a boxer que o moreno usava. Empurrou os tecidos com os pés e tratou de tirar as últimas peças de suas próprias roupas. Tudo isso sem quebrar o contato, o calor da pele sobre a pele.

Os dedos de Jensen foram parar na boca de Misha. O moreno sabia exatamente o que isso significava e aproveitou o momento para provocar também, chupando os dedos do amigo com vontade, passando a língua em movimentos provocativos que arrancaram vários gemidos do loiro. Jensen se esfregava contra o corpo de Misha demonstrando toda a sua vontade enquanto o moreno ainda se deliciava com os dedos de Jensen.

Jensen deu uma mordida mais forte no ombro de Misha e aproveitou o gemido do moreno para retirar os dedos de sua boca, antes que perdesse o rumo de suas ações e ficasse apenas apreciando aquele momento.

O moreno sentiu lambidas intensas em sua nuca e gemeu longa e roucamente, tentando não pensar no que estava por vir. Quando Jensen introduziu o primeiro dedo, seu corpo travou involuntariamente. Era desconfortável, apesar de saber que viria a ser prazeroso.

- Relaxa, Mi... – A voz doce e rouca de Jensen, somada a mordida no lóbulo da orelha, fez Misha relaxar imediatamente. A respiração de Jensen, cadenciada e cheia de desejo, dividindo espaço com leves gemidos, parecia um mantra aos ouvidos do moreno.

Mais um dedo se juntou ao outro e o desconforto ia sumindo. Aos poucos o corpo de Misha ia se acostumando à invasão e seu dono, pedindo por mais. Jensen também não aguentava mais esperar, retirou seus dedos e posicionou seu membro na entrada de Misha. A outra mão continuava acariciando Misha, que acreditava que não aguentaria por muito tempo.

Jensen forçou o corpo para frente, invadindo o corpo de Misha. O moreno gemeu alto de dor com o movimento, e com uma das mãos, segurou o corpo de Jensen, mantendo-o no mesmo lugar.

- Ah! Jen... Isso dói muito... – Misha tentava relaxar, baixando a cabeça e respirando fundo, mas estava difícil.

- Tudo bem... Eu não vou continuar se você não quiser... – Apesar da vontade louca de se lançar sobre o corpo do outro e fodê-lo como gostaria, teve que se controlar.

- Eu estou bem. Apenas faça devagar. – Misha não queria desistir agora, confiava em Jensen e não queria decepcioná-lo.

O loiro se afastou e puxou Misha ao seu encontro, virando-o logo em seguida. Antes que Misha tivesse tempo de questionar, Jensen o envolveu em um beijo avassalador unindo seus corpos. Empurrou Misha de volta em cima da mesa, mas dessa forma poderia beijá-lo melhor e olhar em seus olhos. Colocou-se entre as pernas do amigo, as línguas dançando sensualmente, alternando entre beijos mais calmos e mais vorazes.

Precisaram terminar com aquilo. Jensen voltou a penetrar Misha com cuidado. O moreno passou os dois braços pelo pescoço do loiro e o apertava cada vez que sentia um pouco mais de dor. Jensen entrava com cuidado, nunca se esquecendo da ereção do moreno entre os dois corpos. Após algum tempo, Jensen estava completamente dentro de Misha, esperando que o moreno se acostumasse totalmente. Precisava se movimentar e precisava muito, mas enquanto Misha não lhe demonstrasse que podia, não faria nada.

O bom é que Misha também precisava de movimento. Ainda não estava totalmente acostumado, no entanto seu corpo pedia por mais. Ondulou o corpo pedindo para que Jensen continuasse. Os movimentos começaram contidos. Em poucos minutos estavam em completa sintonia.

A mesa rangia junto a alguns movimentos, fazendo coro com o barulho dos corpos se chocando e dos gemidos incontidos dos amantes. Os vizinhos, provavelmente, estariam ouvindo. Pena que nenhum dos dois se importava.

O misto de movimentos rápidos e lentos, torturavam Misha e, além de satisfazer, divertiam Jensen. Tinha uma visão privilegiada daqueles olhos azuis levemente abertos e a boca tentando buscar mais ar.

O loiro segurou firme na lateral do corpo do moreno, deixado a área avermelhada e intensificou os movimentos, arrancando gemidos desavergonhados de Misha. Jensen sentiu necessidade de capturar cada um daqueles gemidos com sua própria boca. Pele, línguas, saliva e suor se uniam, formando uma sensação incomparável de puro prazer. Nenhuma ciência já descoberta poderia explicar a sinergia daquele ato.

As mãos hábeis de Jensen voltaram a tocar o membro a pouco abandonado de Misha. Cada movimento levava Misha um pouco mais próximo a um abismo diferente do que ele estava habituado. A nova experiência o levava a um estado único e estava se deliciando com isso.

Toda aquela energia se desprendeu dos corpos em forma de jatos quentes que molharam a mão de Jensen e logo em seguida, preencheram Misha, dissipando ondas elétricas por toda a extensão de ambos os corpos. O loiro desabou sobre o moreno.

As respirações permaneceram pesadas por um longo tempo. Jensen se mexeu ainda preguiçoso, abandonando o corpo do moreno enquanto distribuía beijos em sua nuca. Misha permaneceu por mais alguns segundos sobre a mesa, até criar coragem para se levantar. Jensen observava os movimentos preguiçosos de Misha com um sorriso sacana, apoiado em um armário próximo. O moreno se deparou com a aquela boca perfeita curvada naquele sorriso e não conteve seu próprio sorriso.

Permaneceram virados um para o outro, encarando-se e sorrindo com cumplicidade.

- Vou ter problemas com o síndico... – Misha pensou alto.

Jensen começou a gargalhar com o comentário do amigo, que foi contagiado pela risada espontânea. O comentário nem era tão engraçado, mas a endorfina em seus corpos parecia estar fazendo efeito.

- Vem... – Jensen puxou Misha pela mão – Vamos procurar um canto nesse lugar para dormir.

Chegando ao quarto, empurraram para fora da cama algumas caixas esquecidas. Misha jogou um lençol sobre a cama e atirou um travesseiro em Jensen, provocando uma exclamação contrariada. O loiro não estava com clima para uma guerra de travesseiros no momento, caso contrário, Misha pagaria pela ousadia.

O moreno foi o primeiro a se jogar na cama, puxando um edredom leve para cobrir o corpo. Jensen se aconchegou no peito do moreno, recebendo caricias em seus cabelos. O sono veio fácil, em virtude do grande esforço físico do dia e da noite.


Por favor, não me batam!

Várias semanas de atraso... Bons tempos em que eu não estava trabalhando... Mas agora tem os jogos do Brasil! Podem ser úteis para escrever, pelo menos... (Não prometa o que você não pode cumprir AHwuAHWuHWuhA)