Beta: Carol Camui (s2)


Depois de passar um bom tempo conversando com a enfermeira, coletando dados sobre o diretor, Jensen se dirigiu até a sala indicada pela sua nova amiga. Foi atendido por uma senhora baixinha, de óculos e com o cabelo bem preso num coque bem feito, que solicitou que ele aguardasse na sala de espera. Anna, como se chamava a secretária, informou-lhe também, que o garoto que havia brigado com ele ainda não tinha deixado a sala. Isso era uma má notícia. Péssima notícia.

A ideia de que era uma péssima notícia Jared ainda estar naquela sala se concretizou quando o moreno saiu. Sua expressão não poderia ser pior. Jensen não sabia dizer se a cara de Jared era de amedrontado, envergonhado, triste ou de algum animal encurralado. O moreno passou pelo loiro de cabeça baixa e apenas lhe dirigiu um olhar rápido, seguindo seu caminho pelo corredor com passos arrastados.

Uma imagem muito sinistra do diretor começava a se formar na cabeça de Jensen. Já começava a imaginar um homem velho, barrigudo, com uma vida sexual frustrada, que descontava todo o seu descontentamento nos pobres alunos, enquanto fumava algum charuto fedorento. Sua criatividade voava longe, quando ouviu seu nome ser chamado por uma voz grossa e autoritária.

Levantou-se bufando e seguiu para a sala de onde veio a voz. Entrou reparando da decoração com móveis antigos, todos em cor mogno. A organização do local era impecável, tudo parecia ter um lugar planejado.

- Sr. Jensen Ackles...

Jensen foi arrancado de seus devaneios por uma voz grossa e autoritária, que fez cada célula de seu corpo estremecer. Olhou para a direção da voz e viu um homem, de cabelos escuros, alto, ombros largos e olhar intimidador. Seu corpo clamou por oxigênio, caso contrário não teria se lembrado de respirar.

- Jeffrey – O diretor, ainda sério, estendeu a mão para um cumprimento.

Jensen apertou a mão do diretor e sentiu uma corrente elétrica correr por todo o seu corpo. Seu coração parecia querer saltar pela boca.

- Sente-se. - Jeffrey apontou uma cadeira e dirigiu-se para seu lugar, do outro lado da mesa.

Tentando acalmar sua respiração, Jensen sentou-se ainda encarando o diretor. Estava achando tudo muito estranho, em primeiro lugar, porque tinha sérios problemas com autoridade e em segundo lugar, porque não costumava se sentir atraído por homens mais velhos.

- Vejo que a enfermeira já cuidou de você.

- Sim. – Foi a única palavra que conseguiu pronunciar, as demais ficaram perdidas em algum lugar no trajeto até sua boca.

- Ótimo, assim poderemos conversar. Aguarde um momento.

O diretor saiu da sala e Jensen acompanhou cada um de seus movimentos. Voltou em poucos minutos com uma pasta enorme em suas mãos. Jensen tomou um susto quando o diretor soltou a pasta sobre a mesa, fazendo um barulho alto.

- Não sei se fico feliz ou infeliz por te ver tão cedo na minha sala, Jensen.

O mais novo olhou para o rosto do diretor com uma sobrancelha erguida, sem entender o comentário.

- Este é o seu arquivo escolar. – Jeffrey apontou para a pasta sobre a mesa. – Tive a oportunidade de ler seu arquivo antes de aceitá-lo nesta escola. Seu pai e eu estudamos juntos e me pediu que lhe desse uma chance, mais uma chance.

Entendia agora o porquê de seu pai ter lhe pedido, pelo menos umas mil vezes, para não fazer nada de errado nesta escola. O diretor deveria ser um grande amigo de seu pai.

- Hum... – murmurou, Jensen.

- Vamos ver... – Jeffrey abriu a pasta e pegou alguns arquivos. – Você colocou corante na caixa d'água da escola, desrespeitou professores, pintou um monumento histórico, explodiu um experimento de física, brigas... Muito vasto e criativo, o seu arquivo.

Jensen começou a rir. Ele já nem mais se lembrava de alguma destas confusões. O corante na caixa d'água da escola tinha deixado o time de futebol parecendo a Pantera Cor de Rosa. Após discutir com os jogadores do time, Jensen aguardou alguns dias e, enquanto os colegas tomavam banho, colocou corante cor de rosa na caixa d'água. Quando os jogadores notaram, já era tarde demais. O único problema é que o corante se espalhou pelos encanamentos e a água da escola ficou rosa por dias. Foi expulso assim que descobriram o culpado pela brincadeira.

- Muito engraçado mesmo, Sr. Ackles. – O rosto sério de Jeffrey denunciava que a colocação tinha sido irônica. – Pois eu espero que isso termine por aqui. Como eu disse, não sei se é bom ou ruim já ter o Sr. na mina sala. Ruim, pois não faz nem um mês você está nesta escola e já tenho que recebê-lo em minha sala. Bom, porque assim eu já posso lhe deixar bem esclarecido sobre as regras desta escola.

O sorriso sumiu dos lábios do loiro quando o diretor começou a falar em um tom mais alto. Era incrível, mas aquela voz grossa o estava intimidando. Nem percebeu que estava se encolhendo na cadeira perante o diretor.

Jeffrey se levantou, deu a volta na mesa e encostou-se nela em frente ao loiro. Cruzou os braços e continuou a falar, encarando o aluno. – Não sei o que houve entre você e Jared para conseguir tirá-lo do sério. Não me interessa saber o que aconteceu com vocês. O que me interessa é que eu não tolero esse tipo de atitude enquanto estiverem na minha escola. – Enfatizou bem a palavra "minha". - E eu espero não ter que falar com o seu pai tão prematuramente a seu respeito. Regras aqui são seguidas sem distinção. Estamos entendidos?

O loiro apenas concordou com um aceno de cabeça.

- Muito bom. Procure o professor John. Acredito que ele pode ajudar ocupando um pouco o seu tempo, assim você não o desperdiça arrumando confusão. Tenha um bom dia. – Desencostou-se da mesa e caminhou para o outro lado, recolhendo os papéis do arquivo.

Jensen deixou a sala do diretor com uma postura muito parecida com a de Jared. Não estava com vontade de voltar para a sala de aula na última hora. Também não iria para casa, pois sabia que à essa altura seu pai já tinha conhecimento de sua conversa com o diretor. Ficou esperando o encerramento das aulas sentado num banco na lanchonete. Mandou um SMS para Misha, pedindo que o encontrasse no apartamento do moreno, desligando o celular logo em seguida. Nem esperou as aulas acabarem, foi direto para o prédio e aguardou Misha na porta do apartamento. Fez uma nota mental: fazer uma cópia da chave hoje mesmo.


...


Ae! Sei que hoje vocês também estão com preguiça de ler... Admitam! *corre das pedras*

Não digam que eu estou com preguiça de escrever! Estou apenas adiantando um capítulo.

Vocês podem escolher: capítulo longo com atualizações demoradas ou capítulo curto com atualização mais rápidas. (dependente de surtos de criatividade)

Esse capítulo saiu rapidinho! Escrito praticamente em uma tarde. (Y)


Reed Clow! Obrigada pela review. Você fez uma análise completa do personalidade do Jensen! Até fiquei assustada! Outro dia, eu e a Carol estavamos dizendo que o meu Jensen e o meu altergo, mas depois da sua review eu fiquei preocupada hUWUWAhAUHWuAWHu *procurando um psiquiatra*

Fico muito feliz que tenha gostado!

Beijos