Beta: Carolzinha do meu coração
Como Misha já havia previsto, o pai de Jensen esbravejou por alguns minutos, até o loiro o deixar falando sozinho. Não era novidade nenhuma que Jensen não sabia ser contrariado. Além disso, seus pais não se propunham a ficar muito tempo discutindo um mesmo problema e possuíam memória curta. Como Jensen dizia: "Memória de peixe".
No dia seguinte, Misha acordou com uma mensagem que dizia: "Se alguém perguntar por mim, diga que morri! Beijos. Jen". Foi para a escola sem a companhia do amigo. Jensen estava esperando a poeira baixar para voltar à cena. Outra estratégia comum do loiro.
Durante o almoço, Misha comprou três lanches e buscou uma mesa para sentar. Ia se juntar a alguns garotos da sua sala, quando viu Jared sentado em uma mesa, sozinho. Resolveu ir comer com o moreno.
- Posso? – Misha perguntou, apontando para uma das cadeiras em frente à Jared, já colocando a bandeja sobre a mesa.
Viu o mais alto se remexer com certo desconforto – Se você veio aqui para brigar comigo por causa do seu amigo, saiba que tive meus motivos.
Misha sorriu com o comentário, enquanto abria um de seus lanches. – Pois eu acho que ele apanhou pouco. – Comentou, rindo ainda mais, dando uma mordida generosa em seu lanche.
Jared, por sua vez, arqueou uma sobrancelha, refletindo sobre o comentário. Não sabia dizer até que ponto Misha sabia de seu envolvimento com Jensen, mas aquele comentário tinha sido estranho.
- Não ligue para as coisas que o Jensen fala. – Misha acrescentou, entre uma mordida e outra.
Jared ficou ainda mais desconfortável. Esse comentário evidenciava que Misha sabia de muita coisa. Talvez fosse melhor perguntar de uma vez.
- Misha... – Se ajeitou mais uma vez na cadeira e perdeu a coragem de perguntar. Tentou desconversar, buscando outro assunto. – Você está mesmo com fome...
Reparando em sua bandeja, Misha deu mais uma mordida em seu lanche – Sim. – Fez uma pausa para mastigar e engolir, e prosseguiu – Esqueci de jantar ontem. Às vezes eu começo a fazer alguma coisa e esqueço de comer. Quem sempre acaba me lembrando é o Jensen.
A pronúncia do nome do loiro estava deixando Jared nervoso. – Sei que ele é seu amigo, mas ele não deixa de ser um tremendo cretino.
Jared achou que acabaria comprando uma briga com Misha por agredir verbalmente seu amigo, mas o loiro apenas sorriu e balançou a cabeça.
- O Jensen não é tão ruim. Ele apenas não aprendeu alguns valores. E também não sabe ser contrariado, mas ele é uma boa pessoa.
- Me desculpe, mas eu não consigo acreditar no que você está me falando.
- Você não precisa acreditar, só estou lhe falando porque eu conheço o Jensen. Eu sei que ele faz o que quer, sem se importar com as consequências. Esse é o lado inconsequente dele. Mas isso ele faz desde pequeno. – Misha terminava um de seus lanches, limpando a boca no guardanapo e se encostando melhor na cadeira.
- Ele poderia pelo menos se importar um pouco mais com os sentimentos das pessoas.
- Concordo.
- E você, como amigo dele, não fala nada sobre as atitudes dele? – Jared tentava entender como funcionava a amizade dos dois.
- Como se falar alguma coisa para o Jen resolvesse algo... Eu já desisti de falar qualquer coisa. Não adianta... Então eu deixo que natureza cuide.
O moreno mais alto riu com o comentário do outro moreno. Mesmo falando sério, Misha não deixava de ser engraçado.
- O Jensen é imediatista. Ele vive o hoje da forma que lhe é mais interessante. Ou seja, faz sexo com tudo que tenha duas pernas e tenha poucos pelos.
Jared não aguentou e riu abertamente com o comentário de Misha, chamando a atenção de algumas pessoas em volta. Aguardando o ataque de risos de Jared, Misha se empenhou em terminar com mais um lanche.
- E temos que concordar que o cretino é bom nisso!
Jared engasgou com sua risada, depois da última colocação do moreno.
- Quer dizer que... É... Você e o Jensen...? – O queixo de Jared estava quase alcançando o chão.
Misha riu com a expressão assustada de Jared. – Eu sou o mais próximo de um parceiro fixo que o Jensen já teve.
Jared se levantou da cadeira, coçou a cabeça e sentou-se novamente. Seu cérebro não estava conseguindo administrar as informações. No final, estava ficando curioso com toda a situação.
- Eu não... – Jared não conseguia completar um pensamento – Mas você não tem ciúme? Eu não entendo.
- É simples. Nós somos amigos e temos grande afeto um pelo outro. Se nós dormimos juntos é apenas uma demonstração desse afeto. Independente do sexo, nós somos amigos. – Misha falava com toda a naturalidade.
Apoiando os braços sobre a mesa, Jared refletia sobre o que Misha falava. Aqueles dois eram realmente muito estranhos.
- Mas vocês são... – Jared tentava ligar alguns pontos.
- Homens? – Misha adiantou - Isso também não te impediu. – Sorriu malicioso.
Jared recostou-se na cadeira, escondendo o rosto envergonhado. – Você tem razão. Isso tudo é muito novo para mim... Mas eu ainda estou com muita raiva do Jensen.
- Não se preocupe com o Jen. Agora ele vai aquietar um pouco, acho. Ele nunca tinha tomado uma boa pancada, pra ver se coloca as ideias no lugar.
- Vocês dois são muito estranhos!
- Estranhos, não! Pouco convencionais.
Jared olhou no relógio e viu que eles tinham passado muito do tempo de voltar para aula, porém não se preocupou muito. Estava divertido conversar com Misha daquela maneira tão aberta e descontraída.
Passaram o resto do período de aula conversando no mesmo local. Quando o sinal de saída dos alunos tocou, ambos lamentaram o encerramento da conversa. Misha recebeu outro SMS de Jensen e o mostrou para Jared. A mensagem dizia: "Antes de ir para casa, passa num chaveiro e faz uma cópia da chave do seu apartamento. Beijos. Jen."
- Folgado. – Misha murmurou e Jared concordou com um sorriso e um aceno de cabeça.
Despediram-se e Misha foi para casa. Nem se deu ao trabalho de procurar um chaveiro, pois se Jensen queria uma chave, ele que a fizesse.
Durante esse período, Jensen ficou em casa em frente ao computador, ouvindo música e planejando que tipo de confusão poderia arranjar. Não tinha conseguido tirar a imagem do diretor um só minuto de seus pensamentos. Só de se lembrar da voz grave, todos os pelos de sua nuca já se arrepiavam. De pensar em sua presença, seu corpo estremecia. Além de um frio na barriga de vez em quando.
Estava se sentindo estranho. Normalmente, era ele que causava esse tipo de reação nas pessoas, mas aquele diretor era diferente. Já tinha se sentindo atraído por outras pessoas, mas não daquela forma. Tirando Jared, sua última conquista tinha sido o filho do pastor, que havia chamado sua atenção apenas, como dizia, pelo sinal de proibido estampado na sua testa.
Poderia até dizer que o diretor tinha algo de proibido também, todavia não era apenas isso que lhe chamava a atenção. Só não sabia dizer exatamente o que era.
Usou a internet para buscar informações sobre o diretor. Encontrou alguns artigos onde o diretor era referência na administração escolar. Tinha se formado como primeiro na turma, sendo um aluno exemplar. Várias escolas tinham interesse que ele assumisse o controle na administração. Viu também algumas notas sobre o desempenho como professor.
Estava impressionado com a quantidade de referências positivas que encontrou do diretor, mas uma em especial lhe chamou muito a atenção: "...um marido exemplar". Jeffrey era casado.
Um pequeno detalhe que, no momento, fazia pouca diferença.
Curtinho e sem comentários.
Agradeço a todos que comentaram =****
