Beta: Carol Camui
Na manhã seguinte aos "estudos", Misha acordou com uma terrível dor de cabeça. Praguejou desde o momento em que abriu os olhos e durante todo o percurso para a escola. Maldita prova! Se não fosse por ela poderia ficar em casa dormindo o dia todo até que a dor, que considerava infernal, passasse.
Sentado no gramado sob uma árvore estava Jensen, aguardando a chegada de Misha. Ter sido dispensado na noite anterior por Misha havia lhe tirado o sono. Não conseguia aceitar o fato de Misha estar na companhia de outra pessoa e não ele.
Misha viu sua dor de cabeça aumentar consideravelmente quando foi interceptado por Jensen, próximo à entrada do prédio. Já estava preparado para um show por parte do loiro.
- Misha. – Jensen segurou o moreno pelo braço.
- O que é, Jensen? – O moreno respondeu desanimado e sem nenhuma paciência.
Notando a fisionomia de Misha, Jensen recuou um pouco para observá-lo – O que foi? Você está bem? – Perguntou preocupado.
- Não é nada, só estou com dor de cabeça. – Falou massageando as têmporas.
- E por que não ficou em casa? Não deveria ter saído assim. Quer o meu óculos de sol? – Jensen estava verdadeiramente preocupado, até mesmo esquecendo-se da noite anterior.
- Esqueceu que temos prova hoje? - A expressão de surpresa de Jensen foi tão grande que fez o moreno rir. – Isso mostra que você esqueceu. E já estamos quase dentro do prédio.
- Droga! Estou ferrado! Pelo menos, a prova é na primeira aula e depois eu posso te levar para casa.
- Ah claro, bom samaritano. Tudo o que você precisa é uma desculpa para matar aula.
- Está certo, então. Pode ir para casa sozinho, "Sr. Eu não preciso de nada" – Jensen saiu andando fazendo bico.
Misha massageou as suas têmporas. Por mais que estivesse zangado com Jensen, ele ainda era seu melhor amigo e estava sempre disposto a lhe ajudar. Tinha que admitir, que por mais defeitos que Jensen tivesse, estava ao seu lado em qualquer situação.
- Tudo bem, Jen. – Falou um pouco mais alto para Jensen ouvi-lo. – Me leva para casa depois da prova?
Ainda de costas para Misha, Jensen abriu um sorriso vitorioso, que se fosse visto por Misha, com certeza o teria deixado zangado. Ficou sério novamente, virou-se para Misha e deu-lhe uma piscadela.
Misha o alcançou rindo da cara de pau do amigo. Todas aquelas encenações um dia lhe valeriam um Oscar, tinha certeza disso.
As horas seguintes foram um verdadeiro tormento. Misha quase não conseguia pensar de tanto que sua cabeça latejava, e ainda precisava se preocupar em passar algumas respostas para Jensen sem que o professor notasse. Estava realizando uma tarefa que seria difícil em dias normais, mas se sobrevivesse a esse dia, seria uma grande evolução. Por fim, o pesadelo terminou com o toque do final da aula. Agora estava livre para dormir o dia inteiro.
Saindo da sala avistou Jared, que também acabara de entregar sua prova. Deu um breve aceno para o colega e trocaram apenas algumas palavras sobre a dor e disse que estava indo embora. Pediu que Jared fizesse algumas anotações das aulas seguintes para que ele pudesse copiar outro dia, assim não perderia tanto conteúdo. O moreno mais alto se prontificou a ajudar.
A conversa só foi interrompida quando Jensen chegou. O clima entre Jensen e Jared parecia uma tempestade, onde Misha quase podia ver raios saindo dos olhos dos dois. Encerraram o assunto e Misha puxou Jensen para irem para casa.
O caminho foi feito em silêncio. Por mais que Jensen quisesse bombardear Misha de perguntas, notou que o moreno realmente não estava se sentindo bem, era melhor deixar para outra hora.
Misha entrou em casa e foi tirando os sapatos e a camisa pelo caminho. Nem mesmo se importou em fechar a porta do apartamento, deixou que Jensen o fizesse. Só queria mesmo se jogar na cama em um local bem escuro e silencioso.
Jensen trancou a porta e saiu recolhendo a bagunça de Misha, que era o organizado da dupla, mas nesse caso sabia que quando o moreno acordasse iria ficar incomodado com a bagunça, então resolveu ajudar. Juntou as roupas e sapatos levando-os para o quarto. Colocou os sapatos na sapateira e depositou as roupas sobre uma poltrona que ficava em um dos cantos do quarto. Parou para observar Misha deitado sobre a cama. O moreno estava apenas com uma boxer branca, costas a mostra e abraçava forte um travesseiro.
O loiro deixou o moreno quieto enquanto saiu para comprar um remédio. A farmácia não era muito longe, então o trajeto foi percorrido bem rápido, estando de volta em menos de 15 minutos. Pegou um copo d'água e levou o comprimido para Misha. O moreno ainda não tinha adormecido, mas permanecia na mesma posição. Jensen puxou-o para que ele pudesse tomar o remédio. Aproveitou esse meio tempo e tirou o tênis. Jensen sentou-se apoiando as costas na cabeceira da cama. Misha substituiu o travesseiro pelas pernas do loiro e adormeceu sentindo uma leve caricia em seus cabelos.
Com o passar do tempo, Jensen também adormeceu na companhia do moreno. Acordou poucas horas mais tarde. Misha ainda dormia, talvez pela quantidade de remédios que havia tomado.
O loiro levantou-se com cuidado, colocando um travesseiro para ocupar o lugar que antes era seu. Foi até a cozinha procurar alguma coisa para comer. Abriu todos os armários e a geladeira e não encontrou nada que o agradasse. Tinha dúvidas se tinha realmente alguma coisa comestível ali. Dava para chegar a conclusão de que Misha vivia de luz. A solução era sair para comprar alguma coisa.
Em menos de uma hora foi ao mercado e voltou, encontrando a casa no mesmo silêncio. Pelo menos tinha tempo de fazer o jantar sem o moreno importunando pela bagunça.
Misha acordou atraído pelo cheiro de comida. A dor de cabeça tinha sumido, sendo substituída por uma fome fora do comum. Olhou para o relógio e viu que já passava das 18 horas. Tinha dormido como uma criança. Só precisava de um banho e estaria novo e com sorte ainda teria alguma coisa boa para comer.
Jensen colocava a mesa quando o moreno entrou e se sentou. Sua aparência tinha mudado completamente, agora sim parecia o Misha de verdade.
- Você tem pratos, pelo menos? – Jensen perguntou debochado.
- Serve descartável? E o que você está fazendo aí? Pensei que tivesse comprado comida. – Fez uma pausa para tentar identificar pelo cheiro. – Não me diga que é o que eu estou pensando...
- Claro que é! É a única coisa que eu sei fazer.
- Yakisoba! Eu amo o seu yakisoba! – Misha levantou-se e abraçou Jensen por trás, sentindo o cheiro da comida por cima do ombro do loiro.
- Põe os pratos na mesa porque já está pronto.
O moreno parecia um raio, correndo para pegar pratos, copos e talheres. Jensen apenas observava e ria da situação. Sentaram-se à mesa e serviram-se. Misha comia como se sua última refeição tivesse sido há anos.
Comeram em silêncio. Não havia muito tempo para falar entre as rápidas e generosas garfadas de Misha. Jensen apenas ria da situação hora ou outra.
- Ah... Estou satisfeito! – Misha empurrou o prato e se jogou na cadeira, alisando a barriga.
- Satisfeito? Nem vou chegar muito perto de você. Tenho medo que você exploda. – Jensen levantou-se, recolhendo os pratos e ouvindo uma gostosa gargalhada de Misha.
- Seu humor melhorou – Comentou Misha, ficando sério logo em seguida.
- Eu sei... Tenho estado muito chato nos últimos dias, mesmo. – Deixou os pratos na pia e voltou a sentar-se de frente com o moreno. – Eu lhe devo desculpas mais uma vez.
- Depois desse yakisoba, eu aceito quantas desculpas você quiser pedir. – Misha suspirou. Realmente tinha comido muito.
- Eu não sei o que está acontecendo. Cada vez que eu penso naquele diretor me dá uma coisa estranha. – Jensen levantou-se e começou a andar de um lado para o outro - Eu passo a noite esperando ir pra escola para poder ver aquele desgraçado e quando o vejo, ele me ignora! Isso me deixa irado!
Ouvindo tais palavras, Misha apoiou os cotovelos na mesa e escondeu o rosto com as mãos. Não queria acreditar na conclusão que estava chegando. Era melhor nem dizer o que estava pensando para Jensen, ou ele iria surtar de vez. Precisava tirar Jensen dessa encrenca antes que algo realmente ruim acontecesse. Ele realmente precisava fazer alguma coisa.
Pensando nisso, levantou-se e interrompeu o trajeto repetitivo de Jensen, abraçando-o por trás.
- Esquece isso... O cara é bem mais velho, casado e é diretor de uma escola. Ele não deve ter tempo nem pra respirar, quanto mais para notar um aluno entre tantos.
Jensen suspirou. – E eu acabo descontando a minha frustração em todo mundo. Meu pai já está quase me expulsando de casa.
- Melhor você não provocar o velho, pois se ele te expulsar de casa por chatice, não vou ser eu que vou te acolher. – Misha sorriu, apertando Jensen ainda mais.
- Muito obrigado! É bom saber que posso contar com você.
- Se nem o seu pai, que te colocou no mundo e te aguentou até hoje, te quer, eu vou ter que querer? – O moreno passou a distribuir leves beijos no pescoço do loiro, provocando-o.
- Hunf... – Bufou contrariado.
- Por que você não dorme aqui hoje? – Misha parecia um gatinho manhoso.
- Hoje você quer a minha companhia? – Era a brecha que Jensen esperava.
Misha nem se preocupou em responder, continuava a abraçar o loiro e roçar em suas costas.
- Por que não quer me dizer com quem estava ontem? – Jensen desvencilhou-se dos braços de Misha, virando para encará-lo.
- Não é isso... Eu só não lhe disse ontem porque estava irritado com você.
- Sei... – Jensen encostou-se na pia e cruzou os braços, esperando que Misha continuasse.
O moreno suspirou profundamente – Estava com o Jared, estudando.
- Vocês estão ficando? – Perguntou Jensen, levantando uma sobrancelha.
- Não é nada demais, Jen.
- Está tudo bem, Misha. Eu não sou seu dono. Se você quiser ter alguma coisa com alguém, tem todo o direito. Não irei interferir. – Jensen encarava o chão.
Misha estava perplexo. Estava esperando que Jensen fizesse um inferno e o loiro estava aceitando bem aquela ideia. Melhor do que esperava. Jensen estava estranho, muito estranho.
- Eu vou pra casa, Misha. Nos vemos amanhã. – Foi em direção do moreno, deu-lhe um selinho e saiu pela porta sem esperar.
Misha até gostaria de ter falado alguma coisa para Jensen, mas as palavras ficaram perdidas em algum lugar. Nem mesmo impedir que Jensen fosse embora ele conseguiu. Precisava digerir essas novas informações. Era uma boa hora para voltar para cama e esperar o dia seguinte chegar, mesmo que fosse acordado.
Ae! Eu demorei séculos pra postar esse capítulo. Falei que ia colocar a culpa na minha Beta (amada), mas não posso fazer isso com ela. A culpa é toda minha e do meu cérebro travado. Entretanto, agora vocês sabem que eu pelo menos estou viva.
Até o próximo! =* Beijoooos
