Beta: Carol Camui (Ela se faz de malvada, mas nem é... =P)


Aquele sábado tinha amanhecido estranho. Desde a briga com Misha, sentia-se estranho. Tudo bem que tinha prometido que não interferiria na relação do amigo com Jared, mas tinha sido mais forte do que ele. Simplesmente quando estava entre eles vendo toda aquela sintonia, sentia uma onda de ciumes imensa. Mal pensou antes de tomar aquela atitude, apenas não esperava que Misha tivesse uma reação tão explosiva.

Por várias vezes tentou ligar para o amigo, sem sucesso. Se pudesse voltar no tempo teria feria feito diferente. Ou melhor, não teria feito nada.

A pior de parte tudo isso, era não poder falar com Misha para acalmar sua ansiedade. Estava a caminho do compromisso imposto pelo diretor. Não sabia o que esperar. Misha havia feito tantas piadas, dos mais diversos tipos, que ele tinha até medo de imaginar qualquer coisa.

Perdido em um bairro afastado, ele deixou o carro em um estacionamento e foi procurar o endereço andando. Após dez minutos perguntando a algumas pessoas, Jensen encontrou o local. Era um prédio velho e algumas pessoas entravam e saiam pelas portas da frente. Confirmou o endereço com uma dessas pessoas. Estava correto, tinha finalmente encontrado o lugar.

Andando com as mãos nos bolsos e ombros encolhidos, Jensen passou pela porta respirando fundo. Um corredor estendia-se e algumas pessoas passavam carregando caixas. Chegando ao final do corredor, um grande salão abria-se e várias pessoas exerciam alguma atividade.

No meio do salão, no último degrau de uma escada estava Jeffrey. O diretor vestia uma calça jeans muito desbotada, uma camiseta de malha branca com várias manchas de tinta e um tênis esportivo. Em sua mão era possível ver um rolo de pintura e em sua boca uma pequena haste branca. O que era aquilo?

Jensen nem se deu conta de quantos minutos ficou apenas observando o diretor, olhando para aquele palitinho intrigado. Nem percebeu quando uma garotinha puxava-lhe pela blusa. Olhou para baixo, deixando de vagar por seus pensamentos. A garotinha tinha longos cabelos loiros divididos ao meio e presos dos dois lados, com algumas mechas soltas na frente. A criança lhe oferecia uma bolinha avermelhada, enrolada em um plástico e presa a um palitinho branco. Uma onda se espalhou pelo corpo de Jensen quando se deu conta do que era aquilo que estava na boca de Jeffrey. Olhou para a mão da menina novamente e para a boca de Jeffrey, aceitando o presente quase em câmera lenta. A seguir, a garotinha saiu correndo alegre.

Nem nos seus melhores sonhos, Jensen tinha visto Jeffrey tão sexy quanto estava agora com aquele palitinho na boca. Enquanto a saliva quase escorria pelo canto da boca de Jensen, Jeffrey finalmente notou a presença do aluno e abriu um largo sorriso.

As pernas de Jensen até ficaram bambas, fazendo com que tivesse que se escorar em uma pilastra que estava, felizmente, bem próxima a ele.

Jeffrey desceu rapidamente da escada, tirou o pirulito da boca e foi caminhando até o aluno. O loiro pode contar cada um de seus passos, pois a seus olhos, cada um deles demorava uma eternidade.

- Bom dia, Jensen. Seja bem-vindo. – Jeffrey falava animado, talvez ele não acreditasse que Jensen compareceria de verdade, apesar da ameaça. Passou o braço pelo ombro de Jensen amigavelmente, fazendo com que o aluno o acompanhasse. Entretanto, a única coisa que Jensen conseguia acompanhar era o movimento daquela esfera vermelha, brilhante e doce, que rapidamente entrou e saiu da boca do diretor.

Segundos preciosos passaram até que chegassem perto de uma senhora simpática, que sorria francamente enquanto outras crianças corriam ao seu redor.

- Mary! Este é o Jensen, um dos meus alunos que eu lhe disse que viria ajudar. – Jeffrey empurrou o aluno para cumprimentar a doce senhora. O loiro o fez, mesmo com as reações lentas e imprecisas ainda.

- É um grande prazer ver gente jovem por aqui. Fico feliz que tenha vindo. Normalmente, os jovens de hoje em dia não se interessam muito em ajudar o próximo. – Mary? estava muito animada e realmente feliz.

- Mas eu... – Jensen começou a falar e foi interrompido bruscamente.

- O Jensen também está muito feliz em estar aqui, Sra. Mary – Jeffrey interviu colocando Jensen novamente ao seu lado e olhando sério para o aluno, prosseguiu:

- Jensen, a Sra Mary administra uma organização para cuidar de idosos cujas famílias não têm condições de cuidar. É uma grande amiga da minha esposa e por isso me prontifiquei a ajudá-la. Se tudo der certo, essa será uma de suas futuras instalações. Como a instituição sobrevive de doações, organizamos um mutirão para recuperar o prédio. E como eu já te disse, viemos participar da reforma.

O loiro logo entendeu que o diretor provavelmente havia dito que ele viria por vontade própria e não que este era o seu "castigo". Pelos olhares de Jeffrey, achou melhor não contrariar aquele pirulito, quer dizer, não contrariar o diretor. As coisas ainda não faziam muito sentido.

- Vamos. Tem muita coisa que precisa ser feita por aí. – Jeffrey falou autoritário.

Com um aceno de cabeça, Jensen despediu-se da senhora e seguiu Jeffrey que já estava pouco a frente.

Durante todo o período da manhã, Jensen ajudou com todas as atividades designadas por Jeffrey, desde carregar materiais, até distribuir água para as outras pessoas que também estavam trabalhando. Tinha muito o que fazer e durante o processo conheceu muitas pessoas.

Já afastado de Jeffrey, enquanto ajudava algumas senhoras a juntar algumas mesas, começou a conversar com elas. Descobriu que elas moravam na instituição e ouviu as histórias de suas vidas. Todas elas eram muito simpáticas e tinham passado por grandes provações. Eram de família pobre e por pouco não ficaram sem um lar para viver. Se não fossem acolhidas em sua atual casa, não sabiam dizer o que seria delas nesse momento. Jensen sentiu-se muito comovido pelas histórias e pelas outras pessoas que conhecera. Havia netos de alguns homens e mulheres, que corriam fazendo bagunça pelo lugar, mas ninguém se importava. Aquelas crianças faziam os olhos de alguns idosos se iluminarem e traziam mais vida para o lugar.

O almoço foi organizado no próprio local. Apesar de simples, a comida estava muito saborosa. Jensen concluiu que aquele era o verdadeiro sabor de comida de avó. Não tinha conhecido as suas, mas só poderia tirar essa conclusão, pois havia algo muito diferente. Todos almoçavam numa grande mesa e sorriam.

Jeffrey estava satisfeito com a situação. Seu aluno estava trabalhando duro e já tinha tomado toda a liberdade no lugar. Acreditou em algum momento que Jensen não fosse conseguir se enturmar, ou fosse ter algum preconceito em relação àquelas pessoas, mas o que via era bem diferente. Ele era atencioso e trabalhador. Nem parecia aquele garoto problemático que ele sabia que era. Agora, acreditava que tinha acertado, realmente, em castigar Jensen daquela forma.

No período da tarde, Jensen juntou algumas crianças do local e começou a organizar brincadeiras, para que os familiares pudessem trabalhar tranquilamente. Parecia uma criança grande, cantando e correndo com os pequenos. Até mesmo se esquecera que aquilo era um castigo e se pudesse, voltaria muitas vezes para ajudar.

Ao final do dia, exausto, Jensen foi procurar Jeffrey, que estava sobre uma escada pintando um último pedaço do telhado. Sentou-se em uma escadaria próxima e ficou observando o diretor. Cada movimento era apreciado com muita atenção, desde o braço passando pela testa limpando o suor, até um simples movimento com o nariz que estava coçando.

Jeffrey demorou para perceber que o aluno o esperava. Em um momento de descanso, reparou que Jensen estava sentado na escadaria, com os punhos fechados apoiando o queixo. Ele tinha uma aparência cansada, mas não irritada ou desgostosa. Desceu da escada com uma das latas de tinta e sentou-se ao lado do aluno.

Jensen colocou a mão no bolso e retirou um pirulito, oferecendo-o para Jeffrey. Queria ter o prazer de ver novamente a cena de quando chegara. Jeffrey sorriu e aceitou o presente, abrindo-o e colocando na boca, sem dizer nada. Ficaram olhando para o salão vazio por alguns minutos. O loiro apenas se movia um pouco para observar Jeffrey com aquele palitinho na boca e ficava imaginando a língua do diretor brincando com o doce. Poderia ficar ali por horas, apenas apreciando aquele movimento.

Algumas pessoas ainda transitavam pelo local, sem dar atenção aos dois sentados. Estavam praticamente em uma realidade paralela. Cada um perdido em seus pensamentos. O silêncio apenas foi quebrado quando Jensen suspirou.

- Posso vir outro dia? – Jensen perguntou, tirando Jeffrey de seu mundo.

Sem virar-se para o aluno, Jeffrey sorriu. Olhou nos olhos de Jensen e viu uma sinceridade que ele nunca tinha visto antes naquelas órbitas verdes. – Claro que pode. Você pode vir sempre que quiser.

Jensen apenas sorriu. Algumas pessoas passaram despedindo-se, só assim, ambos deram conta de que era hora de ir embora.

- Vamos, Jensen. Por hoje já fizemos o suficiente. – Jeffrey levantou-se, esticando um pouco as costas. – Pegue aquela outra lata de tinta em cima da escada, por favor, enquanto eu recolho as que estão no chão.

Jensen levantou-se e subiu na escada, enquanto Jeffrey colocava as que estavam pelo chão sobre um carrinho próximo. Eles nem viram quando duas crianças passaram correndo e gritando. Apesar de não terem nem encostado na escada, Jensen desequilibrou-se e caiu com a escada, lata, tinta e tudo mais sobre o carrinho com as outras tintas. Várias cores de tintas espalharam-se por todo lado, cobrindo tudo que estava por perto. Por sorte, Jensen já estava no segundo degrau mais baixo da escada, assim não tinha se machucado. Quando olhou para Jeffrey, o diretor estava completamente coberto de tinta e surpreso.

O aluno levantou-se assustado. Tudo que estava perfeito até minutos atrás tinha virado um completo desastre. Aguardava alguma reação de Jeffrey, mas o diretor continuava olhando para o seu estado, de braços abertos e para o estrago em volta deles.

Sem mais nem menos, Jeffrey soltou uma gargalhada estrondosa. O diretor estava tendo um ataque de risos. Vendo o diretor rir com tanta vontade, Jensen acabou sendo contagiado e começou a rir em conjunto. Eles olhavam em volta e riam, riam com vontade.

Algumas pessoas foram correndo até o local, alarmadas pelo barulho e agora pelo barulho das risadas. Jeffrey desculpou-se, contando que tinha sido um acidente e que estava tudo bem. Os colegas de trabalho se solidarizaram e foram ajudar os dois, levando alguns panos para eles se limparem e ajudando a arrumar a bagunça.

- Jensen, você arranja problema mesmo sem querer. – Jeffrey constatou rindo muito.

Jensen fez uma careta e ficou sem graça. Mas Jeffrey estava com razão, tudo estava tão perfeito que não podia ser verdade.

- Vamos, Sr. Problema. Eu te dou uma carona. – Jeffrey apesar de todo colorido, ainda mantinha o bom humor. Nem parecia o diretor rígido e carrancudo que Jensen estava acostumado. – Mas primeiro vamos forrar os bancos do meu carro.

Com a ajuda de alguns sacos plásticos e fita adesiva, os bancos do carro de Jeffrey estavam a salvo. Entraram no carro e foram em silêncio até a casa de Jeffrey, a pouco quarteirões de lá. Jefrrey estacionou o carro na garagem e convidou Jensen para entrar.

- Venha lavar o rosto. Não posso te devolver pra sua família nesse estado. – Jeffrey ia a frente, aguardando que Jensen o acompanhasse.

Foram até a lavanderia. Jeffrey abriu as torneiras dos dois tanques deixando a água cair. Ambos faziam um bom esforço para tirar a tinta do rosto e de parte do cabelo. A barba de Jeffrey dificultava ainda mais o trabalho.

Jensen riu da dificuldade de Jeffrey. – Você vai precisar colocar a barba de molho, literalmente. – Zombou, Jensen.

- Engraçadinho. Isso é tudo culpa sua. – Apesar da acusação, Jeffrey ainda estava de bom humor. Fechou a torneira e se afastou, indo buscar algumas toalhas que estavam no varal.

O loiro também fechou a torneira, esperando que o mais velho voltasse. Estendeu a mão e pegou uma tolha para se secar. Não sabia se tinha sorte ou azar por estar quente, pois a água do tanque tinha aliviado o calor, mas ainda tinha muita tinta grudando no corpo e o suor não ajudava nada.

- Espera, deixa eu te ajudar. Ainda tem tinta no seu rosto. – Jeffrey falou tirando a tolha das mãos do mais novo. Pegou o objeto e começou a passar delicadamente em seu rosto, tirando resquícios de tinta teimosos.

Jensen ficou parado, sentindo o macio da toalha e observando Jeffrey bem de perto. O diretor nem tinha notado que estavam tão próximos.

Limpando suavemente o rosto do loiro, Jeffrey começou a reparar em seus traços. O jovem já tinha um rosto bem definido, com traços bem marcados. Alguns ainda denunciavam sua juventude, mas outros já demonstravam que ele era um homem formado. Havia muitas sardas que ele nunca tinha reparado. Talvez até estivesse tentando tirá-las no começo, confundindo com a tinta. O que mais chamou a sua atenção foram os lábios do garoto. Eram perfeitamente desenhados, como se tivessem sido esculpidos com muito capricho. As linhas seguiam absolutas, até convergirem em um ponto. Nem notou quando seus próprios lábios tomaram a licença de provar aquela arte impecável.

Jensen estava tão perdido apreciando o toque suave que nem racionalizou quando seus lábios foram tocados pelos do diretor. Estava tão entregue que apenas acompanhou o movimento, quase mecanicamente. Uma sensação deliciosa apoderou-se de seu corpo e ele precisava de mais. Colocou uma mão na nuca do diretor, puxando-o para um beijo mais intenso, com mais perícia.

Um abalo soou na mente de Jeffrey e ele afastou-se repentinamente. Jensen era apenas um garoto e era aluno da sua escola. Aquilo não podia acontecer.

- É melhor eu te levar para casa, Jensen. Vamos. – Jeffrey falou com sua antiga voz autoritária. Nem parecia o mesmo que fora durante o dia todo. Jogou a toalha sobre um lugar qualquer e fez o mesmo caminho pelo qual tinham chegado.

Jensen suspirou e acompanhou o diretor. Nem tentou argumentar, sabia que não ia adiantar. Estranhou mais uma coisa. Pouco tinha falado neste dia. Possivelmente era o efeito que Jeffrey tinha sobre ele: roubava-lhe as palavras.

A viagem foi rápida e com poucas palavras. Pararam na casa de Jensen e Jeffrey o acompanhou até entrarem. A mãe de Jensen ficou boquiaberta ao ver os dois naquele estado, entretanto, Jeffrey apressou-se explicando o que acontecera bem formalmente.

Jensen estreitou o olhar, não gostando daquela postura de Jeffrey. O diretor realmente achava que podia beijá-lo e fingir que nada tinha acontecido? Definitivamente, não.

- Até segunda! - Gritou Jensen subindo a escada. Este não era o momento para atacar, o plano agora era retirar-se para planejar. Um bom banho parecia um bom conselheiro.

O diretor foi rápido. Também queria ir para casa tomar um banho e livrar-se de toda aquela tinta. Tinha muito o que pensar e talvez um bom banho clareasse as ideias. Era tudo o que precisava agora.


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Olha eu me redimindo por ficar tanto tempo se postar! Uhul! Dois capítulos em uma semana ;D

Eu achei que a Carol ia me castigar por ter ficado falando o santo nome dela em vão no Twitter, mas quando eu falei que nesse capítulo tinha o Jeffrey ela se animou 8D *Viciadas em Jeffrey*

Preciso escrever uma fic de Dexter para agradar a minha Beta... *Coloca na lista*

Espero que tenham gostado desse capítulo. Muita gente acreditou que o Jeffrey ia castigar o Jensen de forma bem diferente. HAWuhwaUwhauawhAWH Peguei vocês! Aha!


Reviews deslogadas

Reed Clow:

Estou ótima! Nada como ficar desempregada alguns dias para aguçar a criatividade.

Tadinho do meu Jensen... Ele apronta tanto que o povo já está querendo matá-lo com todos os requintes de crueldade imagináveis. Só eu que ainda acredito que o Jensen é apenas incompreendido! Eu e o Jeffrey, neh! HAWuhAWuhWUA

Como a minha fic não é filme de Hollywood, no final tudo termina mal hUAAWHuawhuAHW ;P

Muita calma nessa hora. Depois você me fala se com esse capítulo o Jensen subiu um pouquitinho no seu conceito.

Beijooooos =*

-0-

Afah:

Vai sofrer novamente! Atualização hiper rápida! \o/

Você é uma das poucas pessoas que ainda sentem alguma simpatia pelo Jensen. HAwuwahuHUwhUAWHW

Eu também acho que ele não é tão ruim assim... As pessoas não mudam, mas de vez em quando elas caem na real, ou não hAUWhAWUhwauhwuhwAuhw

Beijooooos =*


Agora... MILHARES DE ABRAÇOS PARA QUEM DEIXOU REVIEW *Sai abraçando tudu mundu!* *Forma de agarradinho*

Só não abraço quem não deixa review... E quer saber! Não peço mais! *Mostra a lingua emburrada* (Sim, EuTenhoProbleminha)

Beijooooooos =****