Sinônimo de problema

Por TaXXTi

Disclaimer: Os personagens descritos não existem. Apenas usei seus corpinhos bonitos para entretenimento

Sinopse: Os ares mudam, mas as pessoas não mudam nunca... Jensen era a prova viva disso e com certeza era sinônimo de problema por onde passasse. AU Jensen/?

Shipper: Vários!

Avisos: Fic Slash! Conteúdo adulto! Depois não digam que eu não avisei...

Beta: Anarco Girl


- Você me preocupa.

Jensen ouviu a voz conhecida atrás de si. Virou-se para responder.

- Pensei que você não estivesse falando comigo... – O tom de Jensen era provocativo.

Misha bufou.

– O que posso fazer se eu sou um idiota e ainda me incomodo com a sua irresponsabilidade? Você não tem limites, Jensen. Tenho medo de saber qual o limite da sua criatividade e capacidade. – Apesar da voz serena, era visível a preocupação nas feições do moreno.

- Por que está dizendo isso agora, Collins?

- Simplesmente porque eu conheço o vídeo de sábado e sei que foi você. – o moreno não se deixou levar pela provocação de Jensen chamando-o pelo sobrenome. - Apesar de te conhecer tão bem, ainda me surpreendo com a sua capacidade de arrumar encrenca. E agora eu vejo você voltando sorridente da sala do diretor e não sei o que pensar. – Misha baixava o tom de voz, uma vez que o professor começava a encará-los.

- Fica calmo, Misha. Se você conhece aquele vídeo, então sabe que eu selecionei um trecho muito suave. E não poderia ter terminado melhor. - O sorriso de Jensen era tão escancarado e malicioso que Misha não podia chegar a uma conclusão errada. Ele tinha conquistado o que queria.

- Eu tenho medo de você. Você ultrapassa qualquer limite razoável e não pensa nas conseqüências. Você poderia ter sido expulso! – Misha enfatizou a última parte, chamando mais atenção do que pretendia.

- Sr. Collins e Sr. Ackles, façam uma gentileza e terminem essa conversa fora da minha sala. – O professor falava já com a porta aberta.

- Nós já... – Jensen tentou emendar, mas foi interrompido.

- Agora! – O professor foi categórico.

Jensen e Misha saíram sob os olhos dos outros alunos. O loiro não se importava muito, mas Misha não estava acostumado a ser expulso da sala e saiu com passadas firmes e contrariadas.

- Droga! E eu ainda sou expulso da aula por sua causa! – o moreno reclamou estando do lado de fora.

- Que drama, Mi! Não foi nada e aquela aula estava uma merda.

- Que porra, Jensen! Quando é que você vai entender? – Misha irritou-se, demonstrou andando para o final do corredor. – A aula podia estar uma merda, mas é nossa responsabilidade assistir as aulas. Responsabilidade!

- Ah... Vai se foder, Misha! Você não é meu pai para me falar de responsabilidade! – Jensen elevou o tom de voz após passarem por uma porta, saindo de perto das salas de aula.

- E mesmo se fosse, não ia adiantar! Não é mesmo? Quer saber, foda-se você! – Misha vociferou.

- Volta para o seu novo namoradinho e me deixa em paz! Fodam-se os dois, enquanto eu fodo com quem eu quiser e faço o que eu quiser! – Jensen rebateu no mesmo tom, tomando a frente nas passadas.

- Faça o que quiser! Eu nem sei por que entrei nessa merda de discussão. Só queria lhe avisar que estou voltando para a casa da minha mãe. – Misha falou resignado, parando de andar.

- O quê? Como assim voltar para a casa da sua mãe? – Jensen parou e voltou-se para o amigo. A informação tinha lhe atingido como uma bomba e até mesmo deixou sua irritação de lado.

- É isso mesmo. Estive conversando com ela e vou para casa.

- Calma aí, Misha! Sua casa é aqui, seu lugar é comigo. Você não pode fazer isso. – Jensen abrandou a voz, chegando até a parecer carinhoso.

- É exatamente esse o ponto, Jen. Minha vida não gira ao redor do seu umbigo, mas parece que você nunca vai enxergar isso. – Vendo que não houve reação de Jensen, Misha prosseguiu - Há um segundo você estava mandando eu me foder e agora está me falando para não fazer isso com você? Eu não sei até onde posso me afundar nas suas irresponsabilidades.

- Me desculpe, Misha. – Jensen abaixou a cabeça, não sabendo mais o que dizer.

- Já ouvi isso muitas vezes. Preciso de espaço. Mesmo esses dias que não conversávamos, eu me sentia sufocado por você. Mas você nunca vai entender isso. Faça o que quiser, Jen. Foda com quem quiser! Só pare de me tratar como propriedade, não me deixando viver enquanto você vive! – Misha empurrou Jensen com a ponta do indicador ao dizer as últimas palavras e deu-lhe as costas.

- Hey, "drama queen"! Desde quando você tem essa frescura toda? – Se não funcionava o pedido de desculpas, Jensen tentava a provocação.

Misha virou-se com mais raiva. Ia xingar Jensen, mas parou com a boca aberta, sem pronunciar o que pretendia. Fechou a boca, observando a figura atrás do loiro.

- Algum problema, meninos? – A voz grossa do diretor se fez ouvir e Jensen virou para encará-lo. – Vocês deviam estar na aula.

- Desculpe Sr. Morgan, mas vamos ter que esperar até a próxima aula. – Misha respondeu encabulado por terem sido pegos fora da sala.

- Então acho melhor vocês esperarem na sala da coordenação e não fazendo barulho nos corredores.

Os dois se olharam, trocando farpas entre sussurros e seguindo o caminho ordenado pelo diretor. Poucos passos adiante, Jeffrey ainda chamou Jensen.

- Antes que eu me esqueça. – Retirou um papel de dentro do bolso interno de seu terno. – Você está suspenso. Dois dias.

- Mas você não tem provas de... – Jensen foi interrompido antes de completar sua argumentação.

- Está recebendo uma punição leve. Eu sou o diretor e estou lhe suspendendo, com provas ou sem provas. Ninguém irá me questionar. Agora vá para a sala da coordenação.

Misha que segurava o riso mais adiante, recebeu uma cotovelada de Jensen quando se encontraram.

Passaram o tempo do restante da aula aguardando na sala da coordenadora, como fora imposto pelo diretor. Assim que Jeffrey atravessou a sala, Jensen praticamente o comeu com os olhos. O diretor pigarreou mediante a atitude do garoto e se trancou na sala. Misha não sabia se mantinha o semblante sério, recriminando Jensen pelo ato, ou se ria da situação.

O sinal tocou para o encerramento a aula e Jensen foi o primeiro a se levantar, indo até a porta. Parou com a porta aberta, esperando o moreno.

- Não vou agora. Tenho que conversar com o diretor. – Misha falou impassível.

- Falar o quê com o diretor? – Uma ponta de ciúmes poderia ser sentida na voz de Jensen.

- Não é da sua conta.

Jensen ia abrir a boca quando viu o diretor sair de sua sala.

- O que vocês ainda estão fazendo aqui? Querem ficar mais uma aula por aqui?

- Na verdade, Sr. Morgan, eu gostaria de falar com o Senhor – Misha interveio antes que Jensen dissesse alguma besteira.

- Tudo bem. Você pode ir para a sua aula, Sr. Ackles.

- Sim, Sr. Morgan! – Jensen falou em tom de deboche e deixou a sala, batendo a porta atrás de si.

O diretor balançou a cabeça em negativa, enquanto abria a porta e estendia o braço para que Misha entrasse. O aluno levantou-se de onde estava e entrou um pouco nervoso na sala, observando a decoração para tentar relaxar. Só foi tirado de seus devaneios pela voz grave do diretor:

- Em que posso ajudá-lo, Misha?

- Sr. Morgan... – Hesitou por um momento. – Bom... O feriado está próximo e eu irei para a casa dos meus pais. Estou passando por alguns problemas e eu gostaria de prolongar um pouco mais a minha estada. Sei que não é comum um pedido desses, mas não podia desaparecer da escola sem avisá-lo.

- Quanto tempo pretende ficar por lá? – O diretor perguntou com a mesma calma.

- Não sei... Talvez duas semanas.

- Realmente isso não é comum, Misha. – O diretor parou para pensar. – Serão muitas faltas e, além disso, você perderá muito conteúdo, que é o mais importante. Por mais que esteja com problemas, talvez nós pudéssemos te ajudar de alguma forma, evitando que você perdesse tantos dias de aula. O que acha?

O aluno nada respondeu. Misha apenas encarava um pedacinho do chão a sua frente um pouco desapontado.

- Não sei se me permite perguntar, mas pelo que eu sei, você e o Jensen são muito amigos e estavam discutindo no corredor. Ele tem algo a ver com isso?

Misha encarou o diretor levantando uma sobrancelha. Será que estava tão óbvio assim, ou Jeffrey era apenas um bom observador?

- Não. – Misha respondeu automaticamente. – Eu e o Jensen nos desentendemos de vez em quando mesmo. – Mentiu. - Não há problema algum. Acho que não sei explicar, se é que me entende.

Jeffrey o olhava como se não acreditasse muito. Nem Misha acreditaria em si mesmo, se fosse pensar bem.

- Vejamos, Misha... – Jeffrey ponderou. – Eu não posso lhe impedir de passar alguns dias fora, mas também não posso fazer nada quanto as suas faltas. Não sei quantas faltas você já possui. Deve se lembrar de que número de faltas podem lhe reprovar.

- Eu não tenho faltas desde que comecei aqui, Sr. Morgan, e também não pretendo faltar assim novamente.

- Eu entendo. Mas ainda sim, temos o problema das matérias do período. Não haverá provas nos próximos dias, mas você ficará muito atrasado.

- Se eu puder dar uma sugestão. – Misha fez uma pausa e prosseguiu após receber um aceno positivo de Jeffrey. – Posso conversar com os professores e pedir que me passem alguns trabalhos ou pesquisas sobre as matérias do período. Minhas notas estão boas e acho que posso estudar o conteúdo desses dias por conta própria. Depois, quando retornar, posso pegar as anotações dos meus colegas e estudar mais um pouco.

Jeffrey recostou-se na cadeira, levando a mão ao queixo para pensar. Pelo que havia notado, Misha era realmente um bom aluno e parecia estar sendo sincero quanto à necessidade de ficar alguns dias fora. Talvez fosse melhor ele perder alguns dias, do que arriscar a piorar a sua situação, seja lá qual fosse.

- Tudo bem, Misha. Pode conversar com os professores e dizer que eu estou ciente do caso. Se for necessário, diga para virem falar comigo.

- Obrigada, Senhor

- Não tem de que. Resolva o que tem que resolver e volte o mais rápido possível.

Misha apenas sorriu, levantando-se da cadeira e dirigindo-se até a porta. Antes de sair, acrescentou:

- Hey, Sr. Morgan! Cuide bem do Jensen enquanto eu estiver fora. – Deu uma piscadela e saiu da sala rindo. Não poderia perder a piada, mesmo arriscando-se, e muito.

Jeffrey engoliu seco. Ferrado com todas as letras: esta era a sua situação. Estava se questionando se Jensen havia espalhado o que havia acontecido naquela sala, ou se Misha estava apenas falando aquilo como amigo. Não! Definitivamente, o tom do aluno era de quem sabia alguma coisa. Estava fodido e sem ter com quem contar.

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Documentos para ler e um relatório por fazer. Jeffrey tentava se concentrar, mas as horas passavam e o trabalho não evoluía. O silêncio do escritório em sua casa costumava ser o melhor lugar para trabalhar, sem interrupções e funcionários para lhe incomodar e mesmo assim, não conseguia manter o foco. Já tinha perdido a conta de quantas vezes havia relido aquele documento, sem conseguir gravar uma só palavra.

- Aposto que não é nesta folha de papel que estão os seus pensamentos...

Jeffrey colocou a folha sobre a mesa, sorrindo para a esposa. Nem sequer havia ouvido quando Hilarie entrou na sala. Olhou para o relógio e viu que já passava da uma hora. Sorriu com a aproximação dela.

Hilarie deu a volta da mesa, entregando uma taça de vinho que estava em suas mãos para o marido. Passou as mãos no cabelo dele, observando sua feição séria.

- Realmente... – Confirmou o que não dava para esconder. Sentiu o aroma do vinho e bebeu um gole. – Tenho que terminar esse relatório.

- Você trabalha demais. Deveria tentar desligar um pouco.

Jeffrey virou a cadeira, puxando a esposa para sentar em seu colo, apreciando a carícia em seus cabelos que continuava.

- Olha quem está falando. – O marido disse em tom de deboche.

- Você me fez lembrar que vou viajar esta semana e devo ficar alguns dias fora.

Jeffrey suspirou. Depois era ele que trabalhava demais. Sabia que aqueles "alguns dias" costumavam se transformar em muitos dias, quando Hilarie decidia emendar um trabalho em outro e em outro.

- É um evento importante, Jeff. – Ela completou, ao ver a cara de desagrado do marido.

- Eu sei disso, Hilarie, mas você poderia ficar um pouco mais em casa.

- Nós já conversamos sobre isso, Jeffrey. Mas eu preciso estar presente, acompanhar os detalhes para que tudo saia perfeito. Robert gosta de ver as coisas impecáveis.

O diretor se remexeu na cadeira e levou as mãos ao cabelo, demonstrando o quanto aquele assunto o incomodava. Para falar a verdade, aquele nome o incomodava mais. Sabia bem que Hilarie tinha um papel importante como relações exteriores da empresa. Era um cargo importante e tinha plena confiança de seu chefe. Isso era o que mais lhe incomodava: o chefe. Não havia um dia em que não houvesse ao menos uma ligação ou e-mail importante. Jeffrey não conseguia evitar sentir ciúmes e raiva de vez em quando.

As discussões sobre o assunto já haviam sido inúmeras e talvez nunca acabariam, portanto, Jeffrey preferiu não dizer nada. Quem era ele para ter ciúmes da esposa quando ele mesmo tinha se rendido a um momento de prazer, ou uma insanidade de momento. Cortou esse tipo de pensamento, antes que pudesse pensar que Hilarie já pudesse ter feito o mesmo.

Nem mesmo podia dizer se havia sido uma insanidade de momento, quando não conseguia tirar aquele aluno problemático de seus pensamentos, atrapalhando seu trabalho e correndo o risco de fazer um tremendo estrago em sua vida.

- Tudo bem! Tudo bem. Não vou mais falar sobre isso. Eu preciso terminar esse relatório para uma reunião com o comitê da escola pela manhã e você precisa acordar cedo. Obrigado pelo vinho. – Jeffrey deu um beijo rápido da esposa, fazendo com que ela se levantasse.

Hilarie pensou em dizer alguma coisa, mas se conteve. Há alguns dias Jeffrey estava diferente. O fato de não levar uma discussão adiante a surpreendeu mais ainda, não que quisesse discutir, mas era estranho. Nem mesmo os cuidados especiais que ela preparava pareciam surtir efeito. Mas pelo muito que conhecia, era melhor deixa-lo quieto. Talvez uma hora ele resolvesse se abrir. Acenou para o marido da porta a foi para o quarto.

Jeffrey esfregou o rosto, tentando focar naquilo que precisava ser feito. A noite seria longa e a semana muito mais.


Nota da Anarco (minha beta dodói): Se cuida, Jen! Diz o ditado popular que quem muito quer, tudo perde. Acho que finalmente o Misha entendeu que viver ao lado desse loiro maluco não é bom pra ele...

Parabéns pelo capítulo excelente, TaXXTi!