Beta: Anarco Girl


Esta capítulo é um presente para uma pessoa muito especial. Uma pessoa talentosa, amorosa e digna de muitos outros predicados. As fanfictions me presentearam com a possibilidade de conhecer essa pessoa tão especial, então nada mais justo do que presentear de volta com uma fanfic. O universo conspirou nessa data e eu fui assolada por uma inspiração relâmpago e zaz! Aí está! Capítulo 23 de Sinônimo de Problema, ou SDP para os íntimos.

Parabéns, Emptyspaces11, meu grande amor!

Muita saúde, felicidade e nos veremos muito em breve, quando eu te afofarei muito! Amo você!

Presente atrasado com muito carinho e amor.


Sinônimo de Problema - Capítulo 23

- O que diabos você está fazendo aqui com uma chuva dessas, Jensen? - Jeffrey perguntou irritado, tentando se proteger inutilmente da chuva, que apesar da pequena varanda, avançava empurrada pelo vento, molhando por tudo.

- Eu saí para correr e não pensei que o tempo fosse ficar tão ruim. - Falou se encolhendo - A casa mais próxima de onde eu estava era a sua, então corri até aqui. - Sacudiu um pouco as roupas molhadas.

- Por favor, Jensen! O dia está horrível desde que amanheceu! Quanta merda você tem nessa cabeça?

- Será que você pode continuar o sermão quando eu estiver fora dessa chuva?

Só então Jeffrey percebeu que o loiro ainda estava parado na chuva, com os cabelos pingando e encolhendo-se um pouco de frio.

- Eu deveria fazer você voltar correndo para cara... - Resmungou enquanto abria a porta e dava passagem para o loiro. - Espere aqui! Eu vou pegar uma toalha para você se secar um pouco e não molhar a casa inteira, depois vemos o que dá para fazer com você.

Jensen tentava descolar as roupas molhadas do corpo, sem muito sucesso, pois elas tornavam a grudar assim que ele as soltava. Riu baixinho se lembrando das últimas palavras de Jeffrey. Tão autoritário e mal humorado daquele jeito logo pela manhã. Teve que disfarçar o riso quando viu Jeffrey voltando com a tolha nas mãos e cara de poucos amigos.

- Toma - Estendeu a toalha para o loiro tentando não encarar aqueles olhos travessos.

- Obrigado.

Era impressionante o efeito que eles tinham sobre si. Como se um olhar o fizesse incendiar, digno de histórias de magia negra, ou de romance de folhetins. Repudiou-se ainda mais quando chegou à conclusão de que se encaixava mais a segunda opção.

Jensen pegou a toalha felpuda com o cuidado de tocar os dedos do diretor no trajeto. Secou os cabelos com calma, notando o desconforto evidente de seu anfitrião. Era divertido observar tudo aquilo de perto.

- Você não pode ficar com essa roupa molhada. Vou tentar encontrar algo que te sirva. - Trincou os dentes de raiva quando percebeu que até mesmo avaliar o tamanho de Jensen para as roupas era uma tarefa torturante.

Jeffrey olhou pela janela e suspirou ao constatar que com aquela tempestade do lado de fora seria maluquice até mesmo tirar o carro da garagem para despachar o garoto. O universo conspirava contra ele, no mínimo.

O máximo que a tolha poderia fazer pela umidade no corpo de Jensen já tinha sido alcançado. Viu a caneca com café deixada sobre a mesinha e notou que ainda estava quente. Apertou-a entre as mãos sentido o calor brando lhe aquecer as palmas, com os ombros encolhidos. Deu um gole no café, fazendo careta ao sentir o amargo.

- Isso é café ou veneno? - Reclamou.

- Infelizmente é café - Retalhou o mais velho, rindo ao ver a cara de desagrado do outro. - Quando você virar gente, talvez entenda que o bom do café é o sabor do café e não do açúcar.

- Prefiro o açúcar. - Devolveu a caneca para Jeffrey.

- Aqui tem um moletom. Deve ser maior que você, mas dá para ajustar... Você também não vai a um baile de gala mesmo, então por hora deve servir. Tire essa roupa molhada que eu vou colocar na secadora, em pouco tempo ela deve estar seca.

- Tudo bem.

Jensen pegou a roupa seca e começou a tirar o agasalho esportivo.

- No banheiro! Pelo amor de Deus, Jensen!

- Tá! Não precisa ter um infarto por causa disso! Eu vou para o banheiro. - Jensen saiu apressado, não tanto pela urgência em si, mas porque não estava conseguindo conter a vontade de rir.

Sim, um infarto seria muito bem vindo, Jeffrey pensou. Mais uma vez olhou para o café frio na sua xícara, lamentando ter que despejar novamente. Jogou o café na pia e encheu a caneca pela segunda vez. Bebeu o líquido, já não tão fresco como esperava, mas suficiente para animá-lo um pouco.

- Pronto, Sr. Diretor. Não vou para o Oscar, mas realmente serviu. - Jensen falou levantando os braços um pouco para mostrar como ficou a roupa.

- Ótimo para quem é.

- Você é sempre mal humorado assim, ou é só comigo?

- É só com você. Quer outro café? - Perguntou recostando-se na pia.

- Não, obrigado. Sua dose de amargura já está sendo suficiente para mim. - Alfinetou de volta.

- Engraçadinho. Agora, me diz o que te deu para sair com um tempo desses? - Jeffrey mudou de assunto tentando se acalmar.

- Como eu disse, achei que o tempo não fosse ficar tão ruim.

- Sim, claro. Mesmo com todos os jornais avisando sobre essa tempestade há dias. Quer comer alguma coisa? - Tentou mudar o assunto novamente.

- A mulher do tempo sempre erra. Não, estou bem. Tomei café antes de sair de casa. Onde está sua esposa?

- Viajando com o chefe dela, a trabalho. - Enfatizou a última parte.

Jensen riu.

- Sim, porque se você não me dissesse que era a trabalho, eu provavelmente pensaria que ela estava viajando de lua de mel com o chefe dela. Você é ciumento, Jeff?

- Eu não sou ciumento! E não me chame de Jeff, nós não temos essa intimidade.

- Sabe o que minha mãe diz? Ela sempre diz que os ciumentos são assim porque tem coragem de fazer exatamente aquilo que eles temem. - Jensen começou a andar em direção ao mais velho.

- Que bobagem… - Jeffrey olhou para o outro lado, reagindo a aproximação do loiro, como se a geladeira fosse muito interessante.

- Realmente. Minha mãe não sabe o que diz. - Jensen levantou xícara das mãos do diretor, sem retirá-la, dando outro gole no café amargo. - Se você pensar bem, até que o amargo não é tão ruim.

- Ruim mesmo é você e esse cinismo na minha vida.

- Agora é você que está dizendo bobagens. - Deslizou os dedos a partir da xícara pelos braços do moreno.

- Por favor, Jensen. Não faça isso. - Jeffrey fechou os olhos sentindo aquele toque sobre sua pele. Eletricidade em forma de gente, pecado em forma de corpo, luxúria personificada.

- Você não parece muito decidido hoje. - Jensen continou se aproximando, até encostar o quadril no de Jeffrey, deixando apenas a xícara entre eles enquanto continuava a explorar o corpo do outro com os dedos.

- Estou cansado dessa brincadeira, para falar a verdade. - Falou sério, encarando aqueles citados olhos verdes.

- Cansado? Mas nós nem começamos! Você está ficando velho, Jeff.

Farto daquela petulância e tomado pelas reações de seu corpo, Jeffrey puxou Jensen para um beijo agressivo.

- Você quer brincar? Então vamos brincar como gente grande - o diretor respondeu, puxando Jensen através do cômodo, esbarrando nos móveis enquanto arrancava aquele moletom largo do corpo do mais novo.

A história parecia se repetir em looping. Provocação, provocação, tensão, insanidade, sexo e reflexão, mas não dessa vez. Dessa vez Jeffrey estava consciente de seus atos, sob controle de suas reações e de tudo que estava fazendo.

As roupas ficaram pelo caminho, em um longo rastro até o quarto.

Jeffrey empurrou Jensen sobre a cama. - Fique aí! - Jeffrey ordenou.

Ofegante, Jensen obedeceu, observando Jeffrey procurar algo no armário.

- Achei!

O loiro arqueou as sobrancelhas ouvindo o tilintar metálico.

- Quem diria, Sr. Diretor! Cheio dos fetiches! - O aluno debochou ao ver as algemas metálicas nas mãos do outro.

- Coisas da Hilarie. Agora cala essa boca.

- Sim, senhor.

Teve que engolir o riso após se sufocado por mais um beijo avassalador. Jensen sentiu um arrepio subindo pela espinha causado pelo jeito autoritário de Jeffrey, especialmente hoje que o outro lhe revelava o par de algemas.

Jeffrey puxou Jensen até o topo da cama, atando prontamente as mãos do loiro ao móvel, sem deixá-lo protestar, jogando a chave sobre o criado, na lateral da cama. Esfregou-se no mais novo, demonstrando o quanto estava excitado com tudo aquilo. O loiro ainda puxou levemente as mãos, testando a funcionalidade daquele acessório e viu que era real. Vendo a reação, Jeffrey ainda levou as mãos até o local, apertando a pequena corrente para demonstrar que Jensen não iria a lugar algum.

O mais novo gemeu alto quando sentiu seu pescoço ser beijado, chupado e mordido, sem nenhum cuidado. Com certeza ficaria marcado, mas quem se importava, já que aquilo era delicioso de um jeito completamente estranho?

Uma parte da pele avermelhada contrastava com a brancura de outra parte que estava sendo apertada naquele exato momento, em um revezamento que cobria grande parte do corpo e que Jensen sequer podia retribuir.

O primeiro gemido nem se comparava com o que Jensen deixou escapar quanto teve seu membro abocanhado pelo diretor. Gemeu e se contorceu como podia quando sentiu aquela boca brincando, subindo e descendo lenta a torturante.

- Jeff…

A súplica contida naquele chamado não fez com que Jeffrey mudasse o que estava fazendo. Continuou com a mesma lentidão e precisão de movimentos, até sentir que o outro estava em seu limite, para então abandoná-lo.

- Ainda não… - Jeffrey sussurrou provocante no ouvido de Jensen.

- Filho da pu…

Jeffrey tapou a boca do loiro, antes que ele proferisse todo o palavrão.

- Se sua mãe não te deu educação, então eu vou te dar.

Com um movimento brusco, Jeffrey virou o loiro na cama, fazendo com que suas mãos ficassem sobrepostas, quase cruzadas.

Repetidamente, Jensen gemia. Um seguido do outro, com entonações diferentes, desconexos e acompanhados de um só nome: o nome do homem que lhe mordia as costas e esfregava o membro duro entre suas pernas. A barba arranhando de certa forma sua pele, eriçando todos os pelos de seu corpo. Sentiu o corpo do outro se afastar, para então sentir o puxão que o fez se apoiar sobre os joelhos.

Do mesmo criado que sustentava as chaves, Jeffrey tirou um tubo de lubrificante da gaveta. Abriu a tampa com a boca e despejou uma grande quantidade sobre a mão. Sem esperar que o gel aquecesse sobre a palma de sua mão, lambuzou dois dedos e levou até a entrada do mais novo.

-Caralho! Gelado!

- Gelado - Jeffrey repetiu com desdém.

Entre o vai e vem dos dedos, Jeffrey aqueceu e espalhou o restante do gel em seu membro. Um pouco mais de paciência, um pouco mais de fogo, que enlouquecia o loiro, para então os dedos cederem seu lugar.

Jensen sentiu seu corpo ser preenchido aos poucos, mas com firmeza. Faltava-lhe o ar em tentar conciliar a dor que lhe era causada e o prazer que estava sentindo. Seus cotovelos cediam um pouco, por conta da posição pouco estável de suas mãos, mas era um mero detalhe.

Jeffrey alternava entre estocadas rápidas e lentas, entre carícias e apertões no corpo do outro, entre abraços com beijos e se afastar para segurar firmemente na cintura do outro. Não havia regras e sintonia de movimentos. Os gemidos não eram sincronizados. Os corpos muitas vezes eram direcionados opostamente. A única coincidência era o prazer de ambos.

Quando estavam próximos do ápice, Jeffrey abaixou-se, envolvendo o corpo do outro com os braços, diminuindo o ritmo das estocadas e acariciando lentamente o membro do mais novo.

- Sabe como as coisas funcionam, Jensen?

- O que? - Jensen teve que se esforçar para entender o que Jeffrey estava falando em seu ouvido.

- Eu perguntei se você sabe como as coisas funcionam... Não importa, você vai aprender. A lição de hoje é: menino mau não goza.

Jensen não teve tempo de protestar. Sentiu Jeffrey apertar a base de seu membro enquanto aumentava novamente o ritmo das estocadas, acertando-o bem fundo, naquele ponto preciso.

Grunhiu de dor, se debatendo, o que não fez com que Jeffrey se compadecesse. O ritmo se mantinha, a pressão também, até que o mais velho atingiu o ponto máximo de seu prazer, derramando-se dentro de Jensen e deixando o corpo pender para frente, com a respiração entrecortada.

Não havia nada que Jensen pudesse fazer, além de deixar o corpo apoiar-se completamente pelo lençol, com sua própria dor e frustração.

Passados alguns minutos, recuperado, Jeffrey pegou a chave e soltou o mais novo.

- Isso não teve graça, Jeffrey. - Jensen foi o primeiro a falar, alisando os pulsos marcados.

- Ah, não teve? Então me diga, de quantas das suas brincadeiras eu achei graça?

Jensen cerrou os olhos, expressando que não estava entendendo muita coisa, até que por fim entendeu. Levantou-se apressado, querendo sair de lá de uma vez.

O mais velho também se levantou, colocando-se a frente de Jensen e puxando-o pelo braço.

- Você não vai a lugar algum até terminamos isso!

- Tá bom, Jeffrey. Eu já entendi e nós já terminamos por aqui. - Jensen tentou se desvencilhar inutilmente.

- Não terminamos, não. Não até esclarecermos tudo.

- Eu não preciso dos seus sermões. Eu faço o que eu bem quiser, quando eu quiser.

- E o que você ganha com isso? Me diga. Quantas amizades você conseguiu nos últimos tempos? Ou melhorando a pergunta, quantas inimizades você conseguiu nos últimos tempos? - Jeffrey questionou apertando mais o braço do loiro.

- Vai para o inferno! - Jensen vociferou.

- O que você espera se envolvendo com um homem muito mais velho que você, casado, com uma carreira estável? O que você espera vindo até a casa dele num sábado, como se tudo fosse absolutamente normal?

- Não te...

- Cala a boca! Agora sou eu que vou falar. - Jeffrey empurrou o loiro para trás, o fazendo cair sentado. Você parece uma criança mimada, presa em um corpo bonito e refém de sua própria sexualidade que você não sabe controlar. Quer brincar de fazer sexo com todo mundo, sem pensar nas consequências e se escondendo atrás dos seus pais ausentes e superprotetores, que acreditam em tudo que você diz!

Jensen apenas virou a cabeça, contrariado, mas sem poder sair daquela situação que ele mesmo havia criado.

- Onde está o seu melhor amigo? - O mais velho continuou. - Depois que o Misha me pediu para ficar alguns dias fora, eu não vi você conversando com quase ninguém. O que aconteceu? Você não quer conversar com mais ninguém ou ninguém está muito a fim de conversar com você?

O loiro apenas mordeu o lábio inferior em resposta. Não queria mais ouvir aquilo.

- Até quando você vai conseguir sustentar essa brincadeira? Até quando as consequências serão brandas o suficiente para você sair ileso delas?

- Até quando eu quiser! - Jensen retrucou por fim.

- Você gosta de brincar com relacionamentos, mas se esquece que relacionamentos são feitos de pessoas, que pessoas tem sentimentos e que com sentimentos não se brincam. A menos que comecem a brincar com os seus, você não vai entender o que isso quer dizer. Eu não gostaria de entrar nesse jogo, não tenho mais idade para esse tipo de brincadeira, mas se você insistir, saiba que terá um oponente que lhe fará perder.


Nota da Anarco: Oooohhh! Acho que o jogo vai virar, Jen... Já diz o ditado: tudo que vai, volta. E já passou da hora de você receber o castigo que merece (mesmo que esse castigo venha acompanhado de um delicioso sexo de punição. Hahaha) Capítulo FODA!

Empty... lamento pelo atraso do presente da Taxxti. Pra variar, a culpa do atraso é minha. Demorei demais pra betar. :( De qualquer forma, feliz aniversário atrasado! E obrigada por servir de inspiração pra Taxxti voltar a escrever.

Aos leitores: espero que a gente se encontre no próximo capítulo (daqui a dois anos, aproximadamente).

Nota da Autora: Para quem ainda tiver coragem de acompanhar.

Beijos =***