- Marlene! Lene! – ela ouviu alguém chamando seu nome. Por um momento pensou ser Lily, mas aos poucos sua consciência voltou e ela lembrou-se que a amiga estava morta. Sentiu uma pontada forte de dor na cabeça e abriu os olhos, dando de cara com o rosto desfocado de Sirius, muito próximo ao seu.
- Ah! – ela gritou, afastando-se – O que aconteceu?
- E-eu... Te ataquei sem querer.
- Foi você? – a morena exclamou, chocada.
- Foi... Desculpe, não sabia que era você. Eu me antecipei... – ele deu de ombros, sem graça.
- Onde se meteu, mais cedo? – ela fez menção de se levantar.
- Não, fique bem quietinha aí e ponha isso de volta na cabeça – ele falou, autoritário, e entregou uma compressa de gelo – Como você não acordava, fui até o povoado novamente investigar.
- Não acredito que fez isso sem mim! Como lidou com as pessoas?
- Na verdade, não falei com ninguém. Apenas fiquei andando e observando.
- E descobriu alguma coisa?
- Não, mas quando estava voltando ouvi uns barulhos estranhos vindos da floresta e fui investigar...
- Foi quando me nocauteou – ela completou.
- Bem... sim.
- Que horas são? – ela perguntou, estranhando a luz pálida que entrava no quarto através da janela.
- Nove da manhã. Você desmaiou ontem.
- Fiquei tanto tempo assim desacordada? Por sua causa? – a voz da moça saiu aguda.
- Já pedi desculpas! Erro de cálculo...
- Tudo bem, tudo bem – ela fez um gesto vago – Já estou melhor, de qualquer jeito. E morrendo de fome – ela quis levantar-se novamente.
- Você fica aqui, eu trago algo para comer – ele empurrou-a de volta e saiu do quarto.
Alguns minutos depois, Sirius voltou com uma bandeja com torradas, ovos mexidos com salsicha, panquecas e suco.
- Você fez isso? – Marlene perguntou.
- Sim... Por que?
- Nada, obrigada - ela balançou a cabeça, tentando esquecer o que pensara e começou a comer – O que pretende fazer hoje? – ela perguntou, em meio a mordidas.
- Não planejei nada... Os sinais não são muito promissores, a única pista que temos é um monte de arbustos chamuscados – ele recostou-se à cadeira em que sentara, rolando os olhos – Além do mais, você não parece bem. Se deixá-la sozinha é capaz de fazer algo estúpido.
- Eu não sou do tipo de pessoa que sai por aí fazendo coisas estúpidas, Black.
- Ah, não? Você parecia bem perdida naquela clareira.
- E houve tempo para reparar que eu parecia perdida, mas não para perceber que quem estava ali era sua parceira e não um comensal? – ela ergueu uma sobrancelha.
- Eu só vi uma pessoa de costas, parecendo confusa, vestida com um sobretudo preto! Foi um reflexo, e já pedi desculpas.
- E eu já disse que está tudo bem – ela falou, seca.
Um silêncio incômodo se instalou entre os dois, e por vários minutos tudo o que se ouvia era o tilintar dos talheres que Marlene usava para comer seu café da manhã. De repente, Sirius levantou-se e saiu do quarto, batendo a porta.
Marlene revirou os olhos e terminou de comer, em seguida levantando-se e saindo do quarto com a bandeja. A morena deixou a louça na cozinha e procurou Sirius pela casa, e achou-o na varanda, sentado ao balanço.
Ela sentou-se ao seu lado e ficou observando-o, mas ele nem ao menos se mexeu.
- Ah, tudo bem – ela falou, após muito tempo – Me desculpe por desconfiar de você – aparentemente falar aquilo requeria um esforço enorme.
Ele virou-se para ela e a encarou. Marlene assustou-se, pois seu olhar era muito intenso, e parecia prender o seu próprio. Sirius ficou encarando-a nos olhos por um bom tempo, antes de falar.
- Tudo bem – disse simplesmente.
- O que foi? – ela estranhou.
- Nada, é só que... Sinto falta de Amber.
- Ah. Não é o único, estou sentindo muita falta de Andrew também – ela falou, mas de alguma forma aquilo deixou-o ainda mais sério.
- Ei... Você está bem? – ela perguntou, tentando arrumar os cabelos que só no momento ela percebera que estavam desgrenhados – i O que é isso/i – ela perguntou alto, ao sentir algo estranho em sua testa.
- Err... Você ainda não tinha percebido?
- Percebido o quê? Sirius Black, o que houve com a minha testa?
- Ela está... Machucada – ele encolheu-se, entregando a ela um pequeno espelho de bolso.
- Um espelho de bolso? Incomum para um homem... – ela comentou - SIRIUS BLACK! – Marlene gritou, após olhar seu reflexo.
Havia um corte enorme e profundo, ligeiramente esverdeado, que ia desde sua orelha direita até o meio de sua testa, acabando próximo ao seu cabelo.
- O que você fez comigo? – ela perguntou, desesperada.
- Nada! Olha, na hora de te lançar o feitiço sem querer eu me descontrolei, aí aconteceu isso... Mas eu usei um feitiço cicatrizante e já está quase bom!
- Tirando que ainda sinto dor na cabeça e que ele está infeccionado, não é?
- Como sabe que está infeccionado?
- Black, isto aqui está VERDE! – ela apontou para a própria testa.
Ele apenas encolheu os ombros, sem olhar para ela.
Marlene bufou, com raiva, e entrou em casa batendo a porta com força.
- Aquele idiota... Nem ao menos para me avisar sobre o meu estado deplorável! – a morena resmungava, em frente ao espelho do banheiro, com a varinha apontada para a própria testa – Como era mesmo o feitiço que minha mãe me ensinou quando era criança? – ela tentava se lembrar.
Marlene saiu do banheiro, e ninguém poderia dizer que há alguns minutos ela estava com um enorme machucado na testa. Ela foi até a cozinha e começou a preparar algo, já que não comia nada desde o café da manhã, e já estava tarde.
- Que cheiro é esse? – Sirius apareceu à porta algum tempo depois.
- Meu jantar.
- Parece ótimo, pode me avisar quando ficar pronto?
- Acho que você não entendeu... Eu falei meu jantar, não nosso – ela falou friamente.
Sirius ergueu as mãos na defensiva e saiu rapidamente. A morena revirou os olhos e serviu-se, indo em seguida para a sala.
Marlene sentou-se a uma poltrona exatamente à frente da que Sirius estava. Ele ficou assistindo enquanto ela comia, parecendo esfomeado.
- Escute, desculpe por não ter te avisado sobre... – ele começou, apontando para a testa dela.
- Sirius, eu não vou cozinhar para você também – ela respondeu, sem levantar a cabeça.
- Eu não estou falando por isso. As desculpas são sinceras.
- Certo – ela falou, com ironia.
- Não acha que já chega de infantilidades? Estamos parecendo duas crianças teimosas.
Ela deu de ombros e continuou comendo. Não entendia porque estava com tanta raiva assim dele por uma coisa que já fora resolvida, mas não queria desculpá-lo assim tão rápido.
Sirius suspirou alto e levantou-se, passando a mão pelos cabelos. Ele foi até o fim do corredor e desapareceu na cozinha.
Ela apenas continuou comendo, imaginando o que ele faria em seguida. Divertiu-se ao imaginá-lo fazendo a própria comida; Sirius cozinhava muito mal. Marlene terminou de comer e foi também até a cozinha.
- Sirius, eu... – ela começou, mas então percebeu que a cozinha estava vazia – Sirius? – ela tinha certeza que ele entrara ali! E teria visto se ele tivesse saído...
- Ai! – Marlene exclamou. Já era muito tarde e ela estivera dormindo – Black! O que te levou a me derrubar da cama?
- Não foi de propósito, minhas intenções eram boas, ok? – ele passou a mão pelos cabelos, nervoso – Quando eu cheguei, você estava aí na cama jogada, toda torta e descoberta, aí eu queria pelo menos te deixar mais confortável – ele deu de ombros.
Marlene apenas ficou em silêncio, encarando-o sem saber o que dizer.
- E... Não sei, trouxe essas flores para me desculpar, mas acho que não é uma boa hora – Sirius virou-se para sair, mostrando sem querer o buquê de orquídeas que tinha na mão.
Ela mordeu o lábio, em dúvida. O que faria agora?
- Er... Sirius? – ele virou-se – Eu te desculpo, e obrigada pelas flores... – ela falou.
Ele virou-se para ela com um sorriso maroto no rosto.
- Ahá! Sabia que não resistiria... Nenhuma mulher resiste a um belo buquê de flores! – ele foi até ela, triunfante, e entregou as flores com uma mesura.
- É... Eu não resisto... – ela sorriu amarelo, mantendo-as longe do rosto.
- O que foi? Comprei orquídeas justamente por cheirarem bem!
- Não é isso, é... – ela começou, mas ao ver a expressão que ele exibia, aproximou-se das flores e cheirou-as. O cheiro realmente era ótimo, mas no segundo seguinte ela estava espirrando terrivelmente.
Marlene espirrava várias vezes seguidas, e não conseguia respirar. Sirius ficou simplesmente sem reação, e a morena já estava começando a ficar vermelha. Sem pensar, ele jogou as flores pela janela e correu para a cozinha, para procurar algo que pudesse ajudar. Voltou em questão de segundos com uma embalagem de álcool na mão. Marlene inspirou o líquido profundamente, e imediatamente os espirros cessaram.
- Como você sabia que eu só precisava de álcool? – ela perguntou, sugando várias lufadas de ar.
- Álcool em qualquer forma é a solução para a maioria dos problemas – ele piscou – Porque diabos você não me avisou que era alérgica a flores?
- Porque... Ah, o seu gesto foi tão maduro pros seus padrões! Não queria estragar isso – ela revirou os olhos.
- E vale a pena você quase morrer pra isso?
Ela deu de ombros e o encarou. Sirius olhou-a nos olhos e sentiu-se preso por aquele azul intenso. Ele via naqueles olhos o mesmo sofrimento por que passara, quando perdeu seus amigos. Eles mostravam toda a determinação que ela tinha, sua vontade de fazer justiça. Por um momento ele sentiu que havia um forte elo entre eles, por isso e por outras coisas que ele não pôde decifrar. Ele sentiu vontade de beijá-la, abraçá-la, consolá-la, mostrar que entendia, que compartilhavam os mesmos sentimentos. Mas não o fez. Controlou seu impulso; o novo Sirius era diferente, nunca agia por impulso, era frio e distante com as pessoas.
Marlene não conseguia desviar o olhar. Estava hipnotizada pelos olhos cinzentos que só vira de perto havia muito tempo. Aqueles olhos melancólicos diziam que ele e ela eram mais parecidos do que aparentavam. Ambos eram de famílias bruxas tradicionais e antigas, e apesar dos McKinnon diferirem em muito dos Black, foram criados sob condições muito parecidas, e possuíam valores parecidos. Contavam também que haviam passado pelas mesmas coisas, que sentiam o mesmo. Por alguns segundos, ela teve a impressão de que ele fosse abraçá-la, mas ao invés disso ele apenas levantou-se e saiu do quarto, repetindo uma cena que estava começando a ficar muito freqüente.
O que estaria acontecendo? Por que eles haviam se olhado daquele modo? Afinal, Sirius não dizia estar tão apaixonado pela tal Amber? E Marlene sabia que amava Andrew de verdade... Ou pelo menos achava. Ela nunca soubera de verdade o que é o amor, e tinha medo de que um dia acontecesse exatamente isso: ela não saber dizer se estava amando alguém ou não.
Marlene deitou-se novamente, e, cheia de pensamentos na cabeça, caiu em um sono inquieto.
- Carta para você – Sirius jogou um envelope branco em cima da mesa da cozinha, à hora do café da manhã.
- Obrigada... – ela virou o envelope, e leu o nome de Andrew no verso – Vou ler depois – Marlene não sabia por que, mas não queria ler a carta de seu noivo naquele momento. Ao menos não na frente de Sirius. Aliás, não sentia vontade de ler a carta nem quando estivesse sozinha.
Ela terminou de comer e subiu para guardar a carta, deixando-a dentro de sua mala.
- Vamos? – ela chamou, quando já estava de volta à cozinha.
Sirius bebeu o último gole de café e desencostou-se do balcão da cozinha, seguindo Marlene ao mesmo tempo em que vestia o casaco.
- Pegou sua varinha? – perguntou, antes de fechar a porta atrás de si.
- Claro que sim, que tipo de bruxa pensa que sou, Black? – ele deu de ombros.
Eles ficaram calados, andando pela orla da floresta por alguns minutos. Tudo o que podiam ouvir era o farfalhar das árvores, o canto de alguns pássaros, e o som distante de crianças brincando, provavelmente na vila.
- Acho que era mais ou menos aqui... – Sirius murmurou, mais para si mesmo que para Marlene. Ela assentiu.
Apertando mais os casacos contra os corpos, para que não se arranhassem com os galhos dos pinheiros, os dois entraram na floresta. Eles andaram entre as árvores, no estreito espaço entre elas, até que, após alguns minutos, estas começaram a se afastar. Exatamente como previram que ia acontecer, chegaram à mesma clareira do outro dia, quando Sirius atacara Marlene por acidente.
- E agora? – ela murmurou, com um arrepio. Sentia como se estivessem sendo observados.
- Espera... – ele ergueu a mão, e ficou imóvel, apenas ouvindo com atenção.
Após alguns minutos que para Marlene pareceram horas, ele se abaixou e analisou com cuidado os arbustos chamuscados da clareira.
- Sirius? – ela chamou, quando ouviu um barulho estranho vindo das árvores ao norte.
- Shh – ele pediu silêncio, tocando as plantas com a ponta da varinha.
- Não deveríamos observar em silêncio e de longe? – ela lembrou, ao ver que ele parecia indeciso com alguma coisa.
- Claro, claro... Vamos – ele se ergueu e puxou-a pela mão para o meio dos pinheiros, em uma direção diferente da que haviam usado para chegar. Eles se embrenharam um pouco na floresta, de modo que eles pudessem ver o que acontecia na clareira, mas quem ou o que quer que estivesse lá não pudesse vê-los. Eles se acomodaram como puderam sobre a grama.
- Só vamos observar... – Sirius murmurou, os olhos vidrados na clareira.
Ele estava encostado a uma árvore e Marlene em outra, exatamente de frente para ele. Isso fazia com que suas pernas se encostassem de vez em quando, e Marlene sentia-se incomodada com isso. Mas ele nem se mexia, parecia não reparar.
Ela se pegou observando-o, quando já estava cansada de vigiar. Ela reparou como a brechinha de sol que conseguia chegar até eles fazia seu cabelo parecer multicor. Se ela mexesse a cabeça, os cabelos negros podiam parecer castanhos, cor-de-mel, e até ruivos, surpreendentemente. A mesma luz batia nos olhos atentos dele, e estes ficavam quase transparentes, cor de gelo. Ela se perguntou mais uma vez se realmente amava Andrew, e lembrou-se da carta que não lera mais cedo.
Chegou à conclusão de que ela podia não amar Andrew, mas definitivamente também não amava o homem à sua frente. Balançando a cabeça, ela se virou, tentando se concentrar no trabalho.
Por quanto tempo ficaram lá, parados e em silêncio, apenas a observar, Marlene não sabia dizer, mas uma coisa sabia: ela estava com muita fome. Pela altura do sol, ela calculava que já eram quase quatro da tarde, e eles haviam saído bem cedo, pela manhã.
- Preciso comer – ela gemeu, enquanto andavam para casa.
- Pode ir para casa, eu já vou – Sirius falou, e saiu andando na direção oposta com uma atitude muito misteriosa.
Ela deu de ombros, estranhando, e entrou em casa, começando a preparar algo para acalmar seu estômago, que reclamava.
Marlene abriu os olhos, sentindo-se muito tonta. Ela estava deitada de mau jeito em um pequeno pufe na sala, segurando uma garrafa que percebeu, com espanto, ser de i firewhisky /i na mão. Engraçado, fazia anos que ela não tomava porre de i firewhisky /i . Ela se sentia tonta e enjoada, porém estranhamente leve.
A moça não conseguia se lembrar porque começara a beber, em primeiro lugar. O álcool costuma impede as pessoas de pensarem direito ou se lembrarem do que fazem. Tudo o que lembrava era que estava na cozinha, comendo, quando viu uma fotografia. Nem ao menos recordava o que a foto mostrava. Ela se sentou. Olhou pela janela e viu que já era noite, mas Sirius parecia ainda estar fora.
Marlene decidiu que precisava sair daquele estado o mais rápido possível, com o pouco de lucidez que lhe restava. Ela se ergueu da poltrona lentamente, e foi caminhando trôpega na direção da escada. Não estava disposta a fazer mais uma vez papel de fraca na frente de Black. Passando pela porta da cozinha, ela viu uma foto em cima da bancada. Foi até lá, e viu que era uma foto dela com Andrew. Será que apenas aquilo a fizera embebedar-se? Ela ergueu uma sobrancelha.
Ouviu um barulho vindo da porta da frente e tentou chegar rapidamente à escada, deixando cair a imagem no chão. Mas ela mal conseguia andar direito, e acabou caindo ao pé da escada.
- Estou em casa! – Sirius gritou, sem vê-la na escada.
- Demorou por que? – ela perguntou, com a melhor voz que conseguiu fazer.
- Marlene? – ele franziu o cenho, quando a viu, sentada na escada – O que faz aí?
- Nada, estou só sentada – estava entediada, e já li bastante por hoje – ela apontou para a parede ao lado, que dava para o corredor oculto.
- Ah... Você bebeu? – ele chegou mais perto, olhando nos olhos dela.
- Eu? N-não, por que faria isso? – ela tentou disfarçar.
- Você está bêbada! Marlene, por que bebeu? – ele parecia preocupado.
- Porque deu vontade! Já sou maior de idade, certo? Posso beber quando quiser... – ela deu de ombros.
- Não pode, porque você está de serviço – o moreno falou.
- Dane-se esse serviço, não estamos descobrindo nada mesmo – ela fez um gesto de pouco caso – Isso tudo só está servindo para eu me... – ela começou, mas parou ao olhar para ele.
- Para você se...?
- Nada, esqueça... Vou tomar um banho - Ela se levantou, agarrada ao corrimão, e começou a subir a escada.
Mas quando ela já havia subido uns três degraus, ela se desequilibrou e caiu para trás. Foi Sirius quem a segurou, impedindo-a de cair no chão com força e de se machucar. Agora eles estavam tão próximos que podiam sentir a respiração do outro, Marlene agarrada ao pescoço dele. Ela olhou-o, e então, lentamente, por efeito do álcool, aproximou-se e beijou-o. Por alguns segundos eles ficaram assim, lábios colados, até que Sirius os separou.
- Marlene, você está muito bêbada! O que está fazendo, vai acabar se arrependendo!
- Não, não vou me arrepender, Sirius. Porque estou me apaixonando por você, e sou uma idiota por isso – ela se desvencilhou dos braços dele e se afastou.
- Você não é nenhuma idiota, está confusa, por estar longe de Andrew – Sirius parecia chateado, e falara o nome do outro quase com inveja. Ou seria apenas a imaginação de Marlene, unida ao estado em que se encontrava?
- Não, eu sou uma idiota sim – ela soluçou, não de tristeza, mas por causa do i firewhisky /i – E agora com licença, antes que eu vomite em cima de você e me humilhe ainda mais, se é que é possível – e então ela subiu a escada, segurando-se com força no corrimão.
A morena ligou o chuveiro com a água no frio e entrou, molhando os cabelos. Ela ficou muito tempo lá, apenas sentindo a água fria em contato com a sua pele quente, e sentindo a sensação de embriaguez diminuir lentamente.
Quando saiu, secou-se e saiu apenas enrolada na toalha. Sirius já estava dormindo, deitado na cama ainda com as roupas que estava usando antes. Ela balançou a cabeça. Agora ela não se lembrava era do que havia feito enquanto estava sob o efeito da bebida. Estava odiando sentir-se o tempo todo assim: não conseguia lembrar-se o que fizera ou dissera. Ela saiu do quarto e desceu até a cozinha.
Apanhou uma enorme caneca e começou a fazer café. Sempre ouvira falar que café curava ressaca, e agora era a sua oportunidade de comprovar ou não isso. Ela sentia uma dor de cabeça muito forte e o corpo cansado. Ela terminou de fazer o café, e bebeu sem açúcar mesmo, como gostava. Em seguida, lembrou-se que precisava de glicose, e apanhou o pote de açúcar, adicionando algumas colheres ao líquido escuro.
Após algum tempo tentando se lembrar, sem sucesso, do que dissera a Sirius, ela decidiu ir dormir. Quando passou o olhar pela cozinha para ver se não deixara nada muito bagunçado, ela viu um pequeno papel branco no chão. Abaixou-se para pegá-lo, e viu uma foto sua com Andrew, os dois estavam abraçados, com os cabelos ao vento no topo do prédio dele. Ambos vestiam casacos grossos e o céu atrás estava cinzento. Marlene tentou não voltar a pensar em Andrew e ela, pois sentia que sua dor de cabeça voltaria com isso, então apagou a luz e subiu as escadas, deitando-se com cuidado ao lado de Sirius.
N/A: Ayame, Marina Morena (tô brincaaaaando, não fique brava xD), espero que esteja gostando da fic! Obrigada por continuar lendo-a, mesmo que você seja a única... uahauhauhauha
Litxa
