Obrigada por betar, Marck Evans.

Obrigada pelas reviews e desculpem a demora.


Capítulo 3 - Conflitos

Sirius viu James antes dos outros e percebeu o sinal de 'tudo certo'. O plano para ajudar Lily a relaxar era bem simples: um piquenique na beira do lago. Para desespero de Sirius, nem seria algo romântico, pois Prongs insistira em contar com a presença dos amigos. Depois de experimentar as delícias que Peter conseguiu nas cozinhas, as guloseimas da Dedosdemel e rir até passar mal das besteiras que ele e os outros diziam, tinha de admitir que fora uma excelente idéia.

Passaram boa parte da tarde ali. O dia estava fantástico, com uma brisa agradável que deixava o calor suportável. Estava deitado debaixo da árvore, observando James correr atrás da Lily e Peter brincando na beira do lago. Como dormiu pouco, estava com tanta preguiça que seria capaz de adormecer ali mesmo. Estava quase cochilando quando Remus sentou-se ao seu lado.

Pela primeira vez no dia, Sirius percebeu que estavam sozinhos, os outros amigos bem afastados.

-Vai acabar dormindo. – Moony disse simplesmente.

-Acho que essa árvore tem algum poder sonífero.

Remus apenas sorriu e permaneceu calado, observando os demais. Depois de uns minutos, ele quebrou o silêncio tão agradável.

-Pretende ficar muito tempo fingindo que eu não disse que estou ficando com um cara?

Aquela frase, dita com tanta calma, teve o poder de estragar toda perfeição do dia. Sirius achou que era hora de ter uma conversa séria com o amigo.

-Pra ser honesto, ia fingir mesmo que você não me disse essa besteira.

Remus virou-se para olhá-lo, a expressão ligeiramente surpresa.

-Besteira? Por quê?

Sirius fez um gesto impaciente.

-Ora, Moony, por favor. Você não é... –Mas não conseguiu completar.

-Não sou o quê? Gay? - Remus estreitou os olhos ao perceber a careta de Sirius e continuou, a voz mais baixa. – É esse o problema, Sirius? Merlin, eu nunca pensei que você, de todas as pessoas, fosse ter esse tipo de preconceito. – concluiu, desgostoso.

-Eu não sou preconceituoso! –Sirius sentou-se rapidamente.

-Não? –Remus deu um riso amargo. – Eu já vivi tempo demais o preconceito das pessoas para não reconhecer quando vejo. Por favor, Sirius, você nem mesmo consegue falar que sou gay!

-Você não é gay, caramba! Só está confuso. Não consegue perceber isso?

Remus afastou-se um pouco, a expressão interrogativa.

-Confuso com o quê?

-Entenda, Moony, de repente, deve ter aparecido esse cara, com certeza com alguma má intenção e você se deixou levar...

Remus respondeu, irado, mas sem elevar o tom de voz.

-Porra, Sirius, tá me confundindo com essas garotas idiotas que caem na conversa de qualquer um? Algum tipo de donzela indefesa que não sabe o que quer?

-Ei, não é isso. Mas você não parece gay. Você continua... você.

-Mesmo? – Remus disse irônico. – Que brilhante conclusão, Sirius. Pensou que eu deveria me tornar o quê? Uma aberração ou algo do tipo?

-Merda, não, Monny. – Sirius passou a mão pelo cabelo, desesperado. – Não tem nada a ver. Só que... Droga! Você não parece gostar de homens.

Remus deu um suspiro exasperado e olhou para cima, a expressão de quem pedia por paciência. Sirius continuou:

-Eu sei que tenho razão. Por exemplo, você nunca demonstrou interesse por mim. – Ficou inseguro por um minuto. – Ou já?

Remus o olhou, nitidamente abismado.

-Sirius, eu sou gay. Mas não sou burro. Por que iria me interessar por um cara que é meu amigo, é o maior galinha da escola e hétero?

-Ora, mas se você fosse gay mesmo, não teria resistido a mim. – concluiu, convencido. –Ninguém resiste a mim.

-Sirius, acorda. –Remus estalou os dedos na frente do rosto do amigo. – Só não resiste a você as crédulas ou burras demais para não perceber a fria que você é. E eu não me enquadro em nenhuma dessas categorias.

-O quê? – Sirius estava indignado.

-Não estou te entendo, Padfoot. Está me deixando confuso. Você está com raiva por que eu sou gay ou por que nunca me interessei por você?

A maneira como Remus disse aquilo, ele ter cogitado a possibilidade de Sirius também ser... Levantou-se, furioso.

-Você está me ofendendo ao dizer que acha que eu sou ... isso. –A última palavra saiu com mais desprezo do que ele desejava, mas o estrago já estava feito.

Remus também se levantou e encarou-o, decepcionado.

-Foda-se, Black. – E foi embora.

Sirius ficou parado, furioso demais para reagir. Viu os outros três amigos conversando e brincando no lago. De repente, não via mais tanta beleza naquele dia.

Afastou-se dali sem falar nada com os outros. Ficou um tempo sozinho, andando de um lado para o outro. Sirius não era exatamente uma pessoa contemplativa. Depois de vagar por uns minutos, desistiu de tentar entender a situação e foi atrás de alguma garota.

Mas parecia estar numa maré de azar. Só encontrava garota chata e não estava com paciência para elas hoje. Estava irritado demais para agüentar tanta frescura.

Seu mau humor aumentou consideravelmente depois que viu Remus conversando com um sujeitinho na porta da biblioteca. Os dois pareciam íntimos demais para o gosto de Sirius. Será que aquela traça de livro era o tal cara com o qual Moony saía?

Deu um olhar crítico ao garoto. Ele parecia tão pequeno e franzino. Com certeza não era o tipo do Moony. Sirius quase se estapeou ao perceber que estava divagando sobre as preferências do amigo! Até a pouco não aceitava que ele fosse gay (não que já tivesse admitido isso!), e agora estava especulando sobre que tipo de cara ele gostava? Devia estar com algum problema muito sério.

E Remus não parecia nem um pouco preocupado em procurá-lo para conversarem. Foi para uma das salas abandonadas do castelo e transfigurou uma cadeira em sofá. Jogou-se nele, pegando uma garrafa de cerveja amanteigada que trouxera do Três Vassouras. Fez o feitiço para aumentar a garrafa e bebeu o conteúdo no gargalo mesmo.

Perdeu a hora do jantar, perdido em autocomiseração. Mas à medida que a noite avançava, sentia o peito oprimido. Uma sensação ruim de que deveria sair logo dali e ir atrás de Remus. Estava mais confuso, sem saber como agir. Sentindo-se um traidor. Decidido, voltou para o salão da Grifinória.