Obrigada por betar, Marck Evans.
Muito obrigada pelas reviews!!!!!!!!!! Desculpem a demora.
Capítulo 4 – Perfeição
O Salão Comunal estava praticamente vazio. Será que era tão tarde assim? Encontrou Remus sentado em um canto afastado, completamente sozinho. Aproximou-se, sem saber direito como seria recebido.
-Moony...
Remus olhou um tempo para ele, dolorosamente sério. A opressão em seu peito aumentou.
-Moony, eu... –Mas não sabia muito bem o que dizer.
-Você perdeu o jantar.
Sirius sorriu de leve e sentou-se ao lado do amigo.
-É. Estou sem fome. Cadê os outros?
Remus deu de ombros.
-Namorando, eu acho.
-A sala comunal está vazia demais.
-Já passa das 10. O pessoal está um pouco estressado com tantas provas e exercícios e resolveu deitar mais cedo. – Pausa. – Você está cheirando a cerveja amanteigada.
Sirius riu.
-É, acabei com as que trouxemos do Três Vassouras.
Remus não disse mais nada e fez menção de levantar-se. Sirius tentou, desesperado:
-Mas tenho uma garrafa de firewhisky. O que me diz?
Remus concordou e fez um feitiço para impedir que fossem incomodados. À medida que bebiam, o salão comunal foi se esvaziando. Sirius estava nervoso, sem saber direito como agir ou falar. Remus não tocou na briga que tiveram a tarde, mas parecia chateado.
Assim, acabou bebendo muito e a mistura de cerveja amanteigada e firewhisky, fazendo efeito rapidamente. Começou a rir e falar besteiras, ficando cada vez mais feliz ao perceber que Moony estava mais relaxado. Até o amigo falar:
-Você é um babaca, Padfoot. Por que precisa ser tão idiota?
Sirius estava alto, mas ainda não estava tão bêbado assim a ponto de não saber sobre o que Remus falava. Poderia fingir, mas tinha medo de não ter outra oportunidade de conversarem sobre isso.
-Eu sei. Mas acho que não sabia e ainda não sei como agir.
Remus jogou a cabeça para trás, apoiando-a no encosto do sofá.
-Tudo bem. Não foi fácil para o Prongs também.
-Ele sabe? –Sirius virou-se abruptamente para olhar para o amigo.
-Aham.
-E aquele traidor não me contou nada!
-Eu pedi a ele para não falar nada. Achei melhor contar pessoalmente. Além disso, você teve sorte. - Remus começou a rir. –Não esqueço a cara que ele fez quando me viu com o cara.
Sirius engasgou com o firewhisky ao imaginar o que James viu e fez uma careta. Quando parou de tossir e lacrimejar, percebeu que Remus o encarava, pensativo.
-Deve ter sido engraçado. –Tentou dizer.
-Foi constrangedor, para ser bem honesto. Mas agora eu já consigo achar alguma graça.
Voltaram a beber, em silêncio. Quando Sirius achou que passaria mal se bebesse mais uma gota, respirou fundo, tomando coragem para esclarecer uma dúvida.
-Moony?
-Oi?
-Por que você ficou com um cara?
Remus suspirou, respondendo com voz desolada.
-Porque eu não tenho sucesso com as mulheres.
-Sério? Se for esse o problema, eu posso te ajudar. Eu...
Mas foi interrompido pela risada de Remus.
-Eu estava brincando! Acredite ou não, esse jeitinho aluado faz muito sucesso. Sua pergunta não merecia uma resposta séria, não é?
Ficaram calados de novo um tempo, sem saber direito o que dizer. Sirius tentou mais uma vez:
-Como... como é ficar com um cara?
Remus virou-se para ele, sorrindo de leve.
-Você nunca quis ficar com outro cara?
Sirius tentou pensar sobre isso, mas as coisas estavam um pouco confusas na sua cabeça.
-Não. –Fez uma careta. –Não vejo graça nenhuma. As mulheres são muito melhores.
Remus riu.
-Então, não faz diferença o que eu responder, não é?
Sirius encarou o amigo, confuso.
-O que está querendo dizer? Não é melhor?
-Depende, Padfoot. Depende.
Sirius disse, contrariado.
-Aposto que não é. Não tem como ser, Moony. É impossível.
-Sirius, deixa de ser infantil. Não vou ficar discutindo quem é melhor ou pior. É questão de preferência.
Sirius pensou e pensou um tempo.
-Por que não prova que é melhor?
-Não.
-Mas eu poderia entender se fosse melhor. Te entender. –Sussurrou a última frase.
Remus parou de rir, ficando sério agora.
-Não tem graça.
-Não é para ter. Por que não prova que estou errado?
Remus tomou mais um gole de bebida e riu. Sirius o acompanhou nas risadas, e ambos ficaram calados em seguida. Até ele insistir:
-E então?
-Então o quê, Padfoot?
-Não vai provar?
-Sirius, isso não é um jogo.
-Por que não? Do que tem medo, Moony? Não está nem parecendo um Grifinório.
-Está me desafiando, Sirius Black? –Fez uma expressão de fingida seriedade antes de cair na risada.
-Estou, Remus Lupin. Coloco em xeque sua coragem grifinória. –Sirius estragou o efeito da frase rindo também.
Remus pareceu pensar um tempo, antes de responder simplesmente.
-Ok.
E beijou Sirius. Não um beijo daqueles melosos com os quais o animago estava acostumado. Mas um beijo quente. Remus mordeu o lábio de Sirius, passando a língua de leve até arrancar um gemido em resposta. Dos beijos para os amassos, foi um pulo. Não demorou a estarem deitados um ao lado do outro.
Quando estavam ofegantes, com as roupas entreabertas, Sirius gemeu ao sentir um chupão mais forte no pescoço.
Remus afastou-se, só o suficiente para olhar o amigo.
-Acho que aqui não é um bom lugar para ficarmos, Sirius. –Conferiu as horas. - Já é quase meia-noite, e os outros não demoram a chegar. Vamos para o dormitório?
Sirius riu e assentiu. Sorte que a sala comunal estava vazia, porque eles não foram nem um pouco discretos. Além de cambalearem bastante para subirem até o quarto, Sirius não parava de rir e beijá-lo. Remus teve que fazer um feitiço para disfarçar o barulho todo.
Guiou Sirius até a cama dele, caindo junto com ele ao ser puxado para baixo. Ainda beijaram-se mais uma vez até Remus afastar-se de vez.
-Ei, aonde vai?
-Para minha cama, Sirius. –murmurou - Cara, se você lembrar disso amanhã, vai ficar muito puto comigo.
Remus afastou-se e não ouviu quando Sirius disse, baixinho, pouco antes de adormecer.
-Por favor, me desculpa, Moony. Por tudo.
São as pequenas coisas que valem mais
É tão bom estarmos juntos
E tão simples: um dia perfeito¹
- Fim -
1 – Um dia perfeito, Legião Urbana.
