Eu ajudava David com um desenho quando tocaram na porta. Era ele mais uma vez. As visitas eram constantes. Ele queria se reaproximar de David a qualquer custo.
- Oi- ele mal me cumprimentou e foi andando pra dentro de casa. Pude perceber que havia alguém esperando no carro, só podia ser ela.
- Sua amiga não quer entrar?- eu fui cordialmente gentil.
- Ela não é minha amiga, é minha namorada- ele fez questão de deixar claro.
Ok- eu virei os olhos- sua namorada não quer entrar?- eu vi David me olhar em reprovação.
- Acho que ela prefere ficar no carro mesmo.
- Tudo bem então.
- Ei garotão - ele disse para David.
- Oi pai. - ele disse continuando frio com Carter.
- Que tal mais um passeio, heim? A Kem quer conhecer mais um pouco da cidade...quer me ajudar a mostrar a ela?- ele fazia uma cara muito forçada, tentando conquistar o menino, que só lhe retribuía com um sorriso amarelo.
- Não, obrigada...vou ficar com a mamãe hoje- ai! Não me coloque no meio!
- Mas David- ele queria porque queria. Eu já podia ver o rostinho triste dele. Eu não queria isso.
- Não insiste, Carter- ele me olhou feio mais uma vez.
- Desculpe, mas eu só estou querendo sair com o meu filho.
- E eu nao estou proibindo!
- Não é o que parece.
- Mas ele simplesmente não quer!
- Por que você disse para ele não querer?
- Por Deus, Carter.,...quantos anos você tem?
- Menos o que você- ele me provocou. Agora ele estava me chamando de velha?
- Quer saber, vocês que se decidam ai...- eu tive que deixar meu filho sozinho e fui pra cozinha, não agüentava aquele clima. De lá eu pude escutar a conversa dos dois.
- Eu não gosto dela.
- Da Kem?! - eu pude perceber a cara de espanto dele.
- É...
Eu fiquei mais atenta, porque se ele engrossasse com meu filho, iria apanhar de mim.
- Mas por que?
- Pai- ele começou a chorar do nada- eu quero que você volte pra casa. Quero você junto da mamãe! Você gosta da mamãe, eu sei disso. Ela não combina com você, pai. Ela só- ele olhou pra trás, me procurando- fica agarrando você em todo lugar. A mamãe não faz assim. Ela ama você, mas não precisa fazer isso pra demonstrar.
Eu criei um gênio. Meu filho dizendo uma coisa tão sábia como essa?
- Por que não, pai?- ele tentava enxugar as lágrimas do rostinho. A uma hora dessas, eu já estava me matando de chorar.
- David, sua mãe foi a coisa mais linda que aconteceu na minha vida. Foi a mulher que eu mais amei na vida...- David o interrompeu.
- E não ama mais?- ele encarou Carter, deixando- perdido e confuso.
- As coisas não são assim, filho. Nem só de amor vive um casamento- que merda é
essa que ele esta falando por meu filho? Amo? Existe algo que posso importar mais do que amo????
- Vive do que então?
- Meu querido... Vive de coisas que eu e sua mãe fomos perdendo com o tempo.
- Mas você ama a mamãe ainda?
Eu fiquei mais atenta.
- Não querido, não.
- Por que não?
- Difícil explicar.
Eu senti meu coração indo definhando aos poucos. Como ele, de uma hora para a outra, já não me amava???
- Como assim...me explica..eu vou entender- David insistia com ele. Eu podia ver na cara dele que o que ele queria era fugir do assunto.
- É complicado, David... A sua mãe foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida. Ela só não foi melhor do que você. Mas eu vou ser eternamente grato a ela por ter me dado você, que é a coisa que eu mais amo hoje. Ela é uma pessoa maravilhosa, que me ajudou quando eu precisei e sempre esteve me dando apoio. A sua mãe é a melhor amiga que eu já tive e que vou ter em toda a minha vida.
Eu senti os olhos de David me procurarem de novo.
- Entendeu David? - John perguntou esperando que finalmente o menino entendesse.
- Sim, sim... - o menino disse exausto. Acho que ele desistiu
Eu achei que era um bom momento pra entrar. Cortar o sofrimento do meu pequenininho o mais rápido possível, e de alguma forma, o meu também. Tentei limpar as minhas lágrimas o mais rápido possível e fui entrando na sala.
O menino se levantou e pediu colo.
- Se resolveram?
- Sim. - Carter disse sentando-se no sofá.
- Bom David... Por que não vai com seu pai dar uma volta? Ele deve passar bastante tempo com você, está com saudades.
Ele agarrou o meu pescoço e ficou calado. Carter me deu um olhar calmo, sinalizando que eu não deveria forçar.
- Eu vou indo, obrigada...- ele foi indo em direção a porta.
- De nada- eu abri a porta pra ele, e o vi indo em direção ao carro. Fiquei observando até entrar no carro. Eu o queria tanto...
- David, você precisa se relacionar bem com o seu pai.
- Mas eu não gosto daquela chata!
- Mas ele é seu pai e isso nao muda. Não precisa gostar dela - não queria isso mesmo- mas precisa gostar do seu pai.
Eu permanecia com ele no colo, enquanto subia as escadas. Achei melhor deixar ele no quarto comigo, ele estava tão manhoso...
- A mamãe precisa trabalhar...você vai pra creche, né?- eu perguntei, olhando - esparramado no minha cama, enquanto eu separava a roupa pra ir trabalhar.
- Deixa eu ir com você?- ele olhou pra mim, alisando um pedaço do lençol.
- David, você sabe que eu não posso...- me partia o coração, mas eu não podia leva-lo.
- Por Favor... Eu fico desenhando naquela sala grande!
Ele fez uma cara de pidão igual a do pai. Eu não resisti.
- Tá bem, mas só poderá ficar na SDM desenhando!
- Juro que só fico lá!!!
- Ótimo... Então vamos nos trocar.
Eu o ajudei a se vestir antes de tomar um banho rápido e me trocar também. Saímos em cima da hora e quando cheguei no hospital, pra minha "sorte" dei de cara com Kerry.
- Oi, tia- David foi logo cumprimentando e Kerry deu um sorriso amarelo. estava escrito em sua testa que ela não tinha gostado de vê por ali.
Graças a Deus Susan apareceu.
- Hei David! Como vai meu afilhado preferido?
- Oi Tia Susan! - ele disse abraçando-a.
- Vamos desenhar na SDM enquanto sua mãe conversa com a Tia Kerry?
- Sim! - ele disse seguindo Susan.
Eu ia começar meu argumento ensaiado quando ela veio amena.
- Eu vou dar um desconto, não deve estar sendo fácil pra ele...- ela disse e eu fiquei abismada. Desde quando ela era não compreensiva?
- Obrigada... Ele realmente ainda não aceitou e eu estou tentando fazer ele voltar a falar com Carter, mas está sendo difícil..
- Tudo bem...
Eu sorri e me virei para sair dali e encontrei Carter bem na minha frente.
- Ele está aqui?
- Sim, algum problema?
- Isso não é lugar para um garoto de 5 anos.
Eu virei os olhos e sai. Não queria discutir. Nem ali nem em nenhum outro lugar.
- Vai me deixar falando sozinho agora?- ele me disse, me fazendo virar pra ele.
- Vou...e se de por satisfeito de que não vou fazer isso deixando uma criança pra você cuidar...- eu apelei.
Ele me olhou com dó. Eu não queria a pena dele. Me virei e segui o caminho que devia ter feito antes.
- Abby...
- O que?
- Nós precisamos conversar melhor... Desde que eu cheguei que não conversamos. Os únicos diálogos que temos são brigas.
- Para mim você já disse tudo que devia ser dito, ou não?
- Não - eu o vi olhar pro chão. Nós estávamos em frente a porta SDM e bem quando parecia que ele ia falar, Susan saiu.
- Ops, desculpa- ela passou, mas virou na minha direção- ele está com fome.
- Quem?- eu estava perdida. Acho que se perguntassem meu nome, não saberia dizer.
- David!
- Ah sim! Já vou lá.
Susan acenou.
- Depois conversamos...
- Ok... Eu te procuro depois.
- Sim...
Eu fui saindo de fininho. Não tinha mais clima. Eu achei que ele deixaria passar também. Ele ficou me olhando enquanto eu ia pelo corredor. Quando eu estava quase entrando numa porta, ele falou pra que eu ouvisse.
- Mais tarde a gente conversa...
Eu não tive nenhum tipo de reação entrei na sala e chorei por uns 10 minutos. Desabei tudo o que tinha agüentado até ali.
Mais Tarde...
Eu tinha acabado de colocar David para dormir quando alguém bate na porta. Eu achava que fosse o meu jantar, mas me enganei. Era Carter.
- Ele acabou de dormir...
- Não vim falar com ele, mas sim com você. Eu disse que mais tarde conversaríamos.
- Sim, sim... Entre.
Ele entrou e se sentou no sofá. Eu me sentei ao seu lado.
- Promete que não vamos brigar?- ele perguntou, me encarando. Eu fugi dos olhos ele. Não queria começar a chorar tão cedo.
- Ei- ele colocou a mão no meu rosto e eu estremeci. Era ridículo, ele era meu marido!
- Carter, vamos conversar...Só que meio rapidinho, tenho que trabalhar amanhã cedo.
- Certo...
- Pra mim eu achava que você tinha me dito tudo, mas você disse que não... então...
- É que eu não expliquei a história toda a você.
- Hum... Mas eu já entendi o principal...
- Abby... - ele disse me repreendendo.
- Desculpe, pode começar.
- As coisas não aconteceram simplesmente de uma hora para outra. - disso eu já sabia! Nada acontece de repente. - Eu estava lá confuso, precisava pensar. Aí em uma noite eu bebi demais e ela apareceu e rolou.
Ah cafajeste! Eu fiquei calada olhando pra ele. Queria saber ate onde ia aquilo.
- Eu...eu estava confuso...perturbado e fiz aquilo num ato impensado...- eu já ia começar a argumentar com ele, mas ele não me deu chance- mas agora eu vejo- ele não conseguia mais olhar pra mim- que talvez foi o melhor a fazer...
- Melhor?- eu segurava ao meu choro.
- Sim, melhor.
- Realmente eu gostaria de saber o porquê.
- Bom, é complicado dizer.
- Hum... E por que não me explica? Já que estamos aqui para resolver tudo, vamos logo resolver!
- Abby- ele me olhou, mas não consegui permanecer me encarando- é difícil, eu também não sei bem...
- Ah, você não sabe?- eu soltei aquele "ar" de indignação- eu acho que eu sei...
- Sabe? Não, não sabe não...- finalmente ele mergulhou nos meus olhos...
- Sei, sim- eu aumentei o meu tom de voz- eu era boa, enquanto era sua namorada... A gente saia, ficava junto, transava...Ai no outro dia brigava, ficava tempo sem se falar...você se divertia...quando tava cansado, a gente voltava e nós transávamos do jeito que você gosta... Foi sempre isso, né, Carter? Eu não sei onde tava com a cabeça quando me aceitei casar com você...sabia que ia ser isso, que o meu amor não era o suficiente pra agüentar essa relação- nessa hora, eu já não segurava mais nada. Chorava como um bebê.
- Não disse isso, Abby.
- Realmente você não disse, mas negue que não foi por isso!
- Não foi por isso!
- Então me explique por quê? Onde foi que eu errei? Que nós erramos? Por que você não conversou comigo? Seria bem mais fácil! Não me daria esperanças falsas! Não me iludiria!
- Calma!- ele gritou, vendo o meu desespero. Eu me sentia mal. Minha cabeça rodava com tantas informações.
Eu não sabia se chorava, se o deixava falando sozinho, se mandava ele embora ou...não sei. Sentia meu corpo tremer...ódio, raiva e tristeza se misturavam com o amor que eu sentia por ele.
- Eu não sabia se você me perdoaria... - ele disse olhando nos meus olhos.
- Pela traição?- eu perguntei, querendo ter a confirmação.
- É- ele deixou de me encarar de novo.
- Eu já te perdoei por outras coisas, Carter...- eu pensei alto, vendo-o olhar pra janela.
- Desculpa- ele foi indo em porta- preciso ir, depois nos falamos- eu vi que talvez ele pudesse estar chorando, ou fosse coisa da minha imaginação, não sei.
Eu sentei no sofá e comecei a chorar compulsivamente até que adormeci ali mesmo.
Dia Seguinte...
Eu estava na recepção quando percebi os novos atendentes chegarem. Susan chegou perto de mim e falou:
- Olha que gatos!
- E não é!
Ela me olhou pela primeira vez naquele dia, percebendo meus olhos.
- Por favor, me digam que esses olhos são de sono...- eu sorri amarelo pra ela. Não dava pra mentir pra minha melhor amiga.
- Abby, Abby...acho que nós estamos precisando sentar pra conversar direito- eu vi a preocupação nos olhos dela.
- Não esquenta, Susan..- eu fui saindo pele corredor.
- Hei Abby... - ela me chamou de volta.
- Susan eu to bem, sério... Só foi umas coisas que me disseram ontem.
- Ele disse?
- Sim, mas depois eu te falo o que foi.
- Tá, mas de hoje não passa.
Eu finalmente me pus a trabalhar. Trabalhar e me entregar aos pacientes me dava um calma incrível, que fazia com que por um instante eu esquecesse dos meus muitos problemas.
Algum Tempo Depois...
Já fazem alguns meses que eu e Carter nos "separamos". Graças a Deus a relação dele com o David melhorou muito, mas ele continua odiando aquela mulher, aliás eu também. Já comigo ele ficou mais tranqüilo, mas ainda discutíamos muito por causa da criação de David.
Desde que ele foi pra África e voltou com ela eu não vi ninguém. Não sai com ninguém. Primeiro porque não tinha vontade e depois que pensava muito na reação de David. Não queria que ele sofresse por mim, o que sofreu por Carter. Mas em contra-partida eu estava sozinha. Sozinha e carente. Quase um ano sem um beijo na boca muito menos "o resto". Susan sempre brincava comigo que eu estava subindo pelas paredes.
Eu sabia que devia pensar mais em mim, mas tinha medo de magoar David. Susan vivia dizendo que eu podia me relacionar as escondidas e que isso seria bem emocionante. Realmente eu teria que concorda com ela, seria emocionante.
Meus pensamentos foram cortados por Ray, o novo residente.
- Bom dia Dra. Lockhart
- Bom dia- eu simplesmente respondi. Susan tinha me alertado sobre ele. Que era um cara interessante. Eu tinha que admitir, era mesmo. Com toda aquela arrogância e chatice, ele chamava a minha atenção de algum jeito.
Ele já tinha me convidado "indiretamente" pra sair, mas eu tinha que me comportar. Quem mais me chamava a atenção ali não era ele, e sim meu "med-studant". Algo mais proibido impossível. Urbanus, esse era o nome dele. Coisinha mais fofa. Esse já era mais direto, me convidava insistentemente para sair e eu sempre dava o fora.
Falando nele, lá estava ele, entrando no hospital com aquela carinha fofa e aquele corpo de suspirar. Acho que Susan tinha razão, eu estava subindo pelas paredes. Não podia negar que ainda amava Carter, mas eu me sentia muito atraída por Urbannus e estou pensando na grande possibilidade de aceitar um dos convites dele qualquer dia.
Ele entrou e deu um "bom dia" geral. Eu estava arrumando as fichas e ele se postou na minha frente com uma caneta na mão e um papel. Olhou pra mim sorrindo antes que eu pudesse ler "como está a médica mais linda de Chicago?" no papel que ele discretamente me mostrou.
Eu sorri para ele e disse baixinho:
- Bem, obrigada. E você?
- Muito melhor agora... Com você aqui a minha manhã fica mil vezes melhor.
- Você me deixa sem jeito assim... É melhor irmos trabalhar.
Eu fui atender logo um paciente que estava chegando. Não via Carter há pelo menos dois dias, mas nem me dei ao trabalho de perguntar a alguém o porquê de sua ausência.
Eu estava na recepção fazendo alguns relatórios e Susan bebia um café ao meu lado.
- Vocês estão avançando é?
- Vocês quem?
- Urbannus e você Abby! - eu ouvi ela dizendo e na mesma hora eu vi Carter virar e me fuzilar com os olhos.
- Susan- eu sinalizei Carter a ela, pedi silencio. Ela veio mais perto de mim.
- Abby, pelo amor de Deus!- ela se certificou de que Carter não estava olhando-esquece esse homem, Abby!- ela disse num tom mais alto e eu a chamei a atenão mais uma vez.
Ela continuou:
- Que se dane!
Eu sorri.
- Sim, evoluimos...
- Ah... Sabia! Olhares, bilhetinhos... Humm...
- Susan... - eu disse olhando para ela que viu Carter que não disfarçava mais.
- Escuta- ele já vinha impondo seu jeito- só quero avisar uma coisa- eu virei os meus olhos e olhei Susan.
- O que, Carter?- Susan tomou as frentes.
- Meu papo é com ela, Susan- ele disse, encarando Susan que olhou chocada.
- Isso é muito anti-ético, sabia?- ele me olhou com descaso.
- O que?- eu olhei, não acreditando no que ele estava falando.
- Você e o seu estudante!
- Ah e quem é você para me falar do que é ético? Quem é você?
- Isso é errado!
- E você é o dono da razão né?
- Escuta...- ele permanecia naquele tom, então eu subi o meu. Vi Susan olhar em volta, vendo todos olharem para o nosso pequeno "barraco".
- Não fala comigo nesse tom, Carter!- eu apontei pra ele.
- Tenho que falar...eu não vou permitir que o meu filho presencie certo tipo de coisa, viu? Ainda mais você e esse pirralho...ele já saiu das fraldas?- ele perguntou irônico.
- Primeiro não grite comigo e segundo está com medo de levar chifre é? Por que? Eu levei e não reclamei!
- Não tenho medo de nada!! Só quero que a mãe do meu filho se dê valor!
- O pai não se deu mesmo!
- É, mas só não quero que venha relamar porque vai ser chamada de puta, vou dar total razão a quem falar.
Eu dei um tapa na cara dele. Ele colocou a mão no rosto. Mais de charme do que de dor, isso eu sabia, nem tinha doído. Eu estava com tanta raiva que não tinha força. Senti uma sensação estranha. Dar um tapa na cara de um homem não era a melhor coisa do mundo. E isso só piora quando se trata do homem que você ama. A única vez que eu fiz isso na vida, foi com Richard. Mas com eles os motivos foram bem piores e o meu casamento já estava acabando.
Ele me olhou nos olhos, sem saber o que fazer. Susan olhava incrédula para a situação e começou a dispersar os olhares incrédulos que o povo jogava em nós.
- E vou logo te avisando! Da próxima vez que se intrometer na minha vida e me xingar não vai ser na cara o tapa!
Eu virei as costas e continuei meu trabalho. Ele disse:
- Em casa a gente conversa.
- Não tenho nada a falar com você, agora deixa eu trabalhar querido!
Eu virei eu fui indo rapidamente pra uma sala. Não queria escutar mais nada! estava farta das colocações dele! Só de raiva, a minha única vontade era finalmente aceitar o convite do Urbanus.
Logo senti a presença de alguém comigo na sala.
- Que barraco...você está louca?- Susan perguntou, enquanto me ajudava a ajeitar o paciente.
- Você está do lado dele? Eu não acredito!- ele a olhei chocada.
- Não estou do lado dele! Mas foi demais!
- Foi é?
- Sim...
- Pois ele que não se meta comigo... A coisa virou pessoal...
- Vou adorar isso... E ele está puto com você... Muito... E o Urbannus babando.
- É? eu perguntei, vendo seu olhar crescer ao meu.
- Aham- ela disse, maliciosa.
- Então acho que chegou a hora de dar uma oportunidade a ele...- eu terminei com o paciente e fui abrindo a porta.
- Uma oportunidade a ele ou o troco a Carter?- ela perguntou, quando saimos no corredor,
- Os dois... Você acha errado?
- Eu já teria feito isso a séculos.
Eu sorri.
- Vai lá e arrase!
- Que medo!- eu sorri.
- Pára com isso, menina! Vai lá!- ela me empurrou um pouco e eu quase cai, fiando em frente a recepção e consequentemente a Urbanus.
- Oi- eu disse, sem graça quando ele me viu diante dele.
- Oi- ele sorri maravilhosamente pra mim.
- Será que a gente podia conversar?- eu disse, depois de averiguar se não tinha ninguém ouvindo.
- Claro Abby... Fale...
- Bom, é que você me convidou ontem para dançar e eu te daria a resposta hoje lembra?
- Mas acho que sei a resposta...
- Sabe?
- É não certo?
- Quem disse? Eu ia aceitar.
- Que ótimo! Aceite e nós vamos.
- Aceito... Pronto...
- E seu filho?
- Eu cuido dele! - ouvi Susan dizer.
Eu olhei a ela e sorri, vendo que ela sorria para nós dois também.
- Podemos ir depois do nosso plantão?- ele perguntou, com um sorriso de ponta-a-ponta do rosto.
- Sim, mas eu preciso tomar um banho antes...- eu falei. Não queria as coisas na pressa.
- Você me dá seu endereço e eu te pego- ele disse naturalmente e teve minha recusa imediata.
- Não!- eu quase gritei no ouvido dele e ele deve ter se assutado- quer dizer, a gente se encontra em algum lugar...é mais fácil...- eu tentei explicar, sorrindo, vendo Carter se aproximar de nós.
- Tudo bem... Hoje a que horas?
- A susan vai pegar meu filho as 8:30, então as 11 te espero.
- Onde nos encontramos?
- Na Star está bom pra você?
- Adoro lá.
- Eu também. Me espere na porta. - eu disse a ele que concordou e saiu
Meu coração saia pela boca. Havia muito tempo que eu não tinha um encontro. O meu último havia sido...bem, tirando o tempo do chove-não-molha com Carter...o último foi com um bombeiro há uns...5 anos atrás.
Nervosismo me assolou. Aquele friozinho na barriga. E o pior, meu maior medo: Carter. Eu não queria que David soubesse, e tinha medo que Carter armasse alguma pra mim.
Bom, mas eu tinha que pensar em mim agora. Combinei tudo com Susan e fui para casa onde encontrei meu príncipe com a babá dele. Eles se davam tão bem que eu me sentia muito segura quando ele estava em companhia dela.
- Mamãe! - ele disse pulando no meu colo enquanto eu pagava a baba.
- Meu príncipe!
- Vamos brincar...
- Hum.. Hoje mamãe tem que trabalhar a noite... Quer ir para casa da tia Sue?
- Sim!
- Ótimo... Vamos pegar as coisas que ela está vindo...
Eu arrumei tudo com ele e logo depois Susan chegou. Eu me despedi demoradamente do meu filho e fui me arrumar. Quando estava indo tomar banho a campainha toca. O que Susan esqueceu meu Deus?!
Eu me enrolei na toalha e e fui até a porta. Nem me dei ao trabalho de ver no olho-mágico. Sabia que era a Susan. Abri a porta já xingando a peste quando dei de cara com ele na minha frente.
- Carter???- eu me escondi atrás da porta.
