- Oi- eu pude notar que ele buscava o meu corpo- posso entrar?- ele parecia "manso".

- Pode... Deixa eu só vestir algo descente.

Eu fui até o quarto e coloquei um roupão, voltando em seguida vendo-o sentado no sofá.

- Cadê David? - eu o vi perguntar virando para mim.

- Ele vai passar a noite na Susan... Vou sair daqui a pouco...

- Sair?- vi a expressão dele mudar subitamente. A mudança de humor era clara.

- É- simplesmente respondi. Não queria confusão.

- Um encontro?- eu não podia mentir, mas também não queria provocar.

- Quem sabe?- eu lhe dei um sorriso amigável.

- Você não perde tempo...

- Nem você perdeu...

- É com o crianção?

- Com o Urbannus? - eu perguntei e respondi de imediato - Sim...

- Você merece mais, Abby- ele olhou para o lado da janela.

- Mais? Alguém que me traia por exemplo? Que me deixe esperando, com um filho pra criar?- eu disse rapidamente e ele me encarou.

- Eu não vim aqui pra brigar...- ele disse, manso novamente.

- Veio pra que então?- eu cruzei os braços e ele levantou, ficando a poucos centímetros de mim.

- Estava com saudades...- ele tirou o cabelo do meu rosto.

- Você está me saindo um canalha...pior do que eu imaginei, Carter- eu disse, me afastando um pouco dele, mas ele insistiu e veio até mim novamente.

- Eu sou... Sou um canalha que aprendeu a lição...

- Saia daqui...

- Não posso...

- Por que?

- Porque- ele aproximou mais de mim- eu estou com uma tremenda vontade- ele foi colocando a cabeça perto da minha e eu dava passos pra trás- de fazer isso- ele me segurou forte pela cintura e me tacou um beijo.

Eu resisti ao beijo, mas ele me pegou com força e me prensou na parede. Eu tentava me afastar, mas ele me beijava como nunca. Eu fiquei sem ar, mas finalmente consegui me livrar dele.

- Pára!!!- eu gritei, e ele me olhava com aquele sorriso safado. - Não faça isso de novo!

- Por que? Eu sou seu marido...

- Devia ter pensado nisso antes! Saia daqui agora!

- É minha casa também!

- Sai, Carter!- eu gritei, apontando pra porta.

- Não, vem aqui...- ele veio pra cima de mim de novo, me afogando em outro beijo.

Eu tentei resistir ao máximo, tentava tira-lo de cima de mim, mas eu não conseguia. Além de mais forte, depois de alguns segundos eu fui recuperando o gosto dele em mim. Era tão bom...eu o amava tanto, tinha tantas saudades. O beijo foi ficando maior e eu comecei a chorar sem perceber.

Quando a minha lágrima tocou o olho dele ele parou de me beijar e me olhou.

- Eu te amo tanto...- ele disse, me beijando mais uma vez e foi colocando a mãos no laço do meu hobbie. Era hora de parar.

- Vai embora, Carter- eu disse, beijo ao beijo.

- Não... Eu preciso muito de você.

- Por que você fez tudo isso?

- Não sei... Eu estava confuso Abby... Eu só sei que te amo.

- Eu odeio você- eu disse, enquanto aceitava outro beijo dele.O beijo foi crescendo, se tornando mais urgente e quando eu vi, ele estava novamente com a mão no laço do hobbie.

Eu o afastei.

- Não faça isso! Não tem o direito de depois de tudo chegar aqui e fazer isso! Não sou seu objeto não Carter! Se quiser uma mulher assim pague uma! Você tem dinheiro para isso! E tem outra em casa também!

- Ei- ele se aproximou de mim mais uma vez- você sabe que não é isso- ele colocou a mão na minha cintura e me prensou na parede novamente, agora de uma maneira doce- você sabe que eu te amo- ele beijava a minha boca rapidamente, enquanto falava.

- Não sei de nada... - eu disse lutando contra os beijos dele, mas eu não estava mais resistindo. Eu sentia falta desse canalha, dos beijos e dos carinhos dele. Ele me beijou mais uma vez com força e eu não resisti, me entregando ao beijo e vendo as mãos dele sobre o laço do meu robby.

Ele foi se empurrando contra o meu corpo, aumentando o intensidade do beijo. De repente, ele colocou a mão na minha nuca e me virou, fazendo com que nós dois caíssemos no sofá. Ele veio por cima de mim, e eu ainda tentava arrumar forças para que ele não conseguisse abrir a minha roupa.

- Deixa, bebe- ele sussurrou no meu ouvido- eu sei que você quer também...- ele ainda dizia, mas eu segurava as mãos dele no laço do hobbie, ainda no nosso beijo.

Eu não podia deixá-lo fazer isso. Eu ia sofrer muito, mas estava difícil impedi-lo. Suas mãos corriam meu corpo de uma forma vagarosa e excitante. Ele me beijava sem parar e eu não conseguia evitar.

- Eu te amo Abby... Nunca deixei de te amar...

- Pára, Carter- eu repelia as mãos dele do meu corpo. Meus olhos marejados por impedir uma coisa que eu queria.

Ele parou de me beijar. Achei que finalmente tinha conseguido. Um arrependimento me assolou.

Ele se levantou e eu me pus de pé também.

- Obrigada- eu disse, sem encara-lo.

- Obrigada?- ele me olhou nos olhos- eu ainda não acabei- e lá foi ele pra cima de mim de novo. Dessa vez ele não tinha nenhum vestígio de ser carinhoso e doce.

Eu tentei me desvencilhar dele, mas não consegui. Ele me colocou contra a parede mais uma vez e eu parecia um animalzinho preso quando ele segurou meus braços contra a parede. Senti ele me beijar mais uma vez e as mãos dele desataram finalmente o laço do meu hobby. Eu tentei pará-lo, mas já não conseguia e nem queria.

As mãos dele foram entrando pelo pano, passando a mão pelo meu corpo demoradamente como ele costumava fazer. Eu tinha tanta saudade daquele toque, daquele beijo...da maneira como nós transávamos. Era tão..."nosso". Ele me abraçou forte e foi me levando até o meu quarto. Desabotoou a camisa e a calça, ainda me beijando.

- Eu te amo... - ele disse em meu ouvido enquanto beijava meu pescoço. Aquelas três palavras fizeram com que toda mágoa e rancor fossem esquecidos, fazendo eu me entregar por completo. Ele me beijava sempre, sendo muito carinhoso e doce, porém de uma forma intensa e marcante. Eu o ajudei a tirar sua ultima peça de roupa admirando seu físico. Como ele era lindo... Seu corpo me enlouquecia.

Ele me puxou para mais um beijo e nós caímos na cama. Por um momento eu pensei no meu encontro e no meu atraso. Olhei para o meu despertador vendo que eu estava mais do que atrasada. Nunca daria tempo, mesmo que eu quisesse parar agora. Parei de pensar nisso. Quando você está numa cama com Carter, você esquece de tudo. E foi isso que eu fiz.

Ele tirou totalmente o meu hobby e me abraçou bem forte. O quarto escuro só me deixa ver os olhos dele brilhando. Depois de tanta briga...finalmente ele estava ali, comigo, só meu.

Ele acariciava meu corpo de uma forma demorada e delicada, prolongando o nosso contato. Consumimos o ato de uma forma delicada, porém inesquecível. A saudade estava presente em nossos corações e nós sabíamos que por mais inesquecível e marcante fosse essa, não conseguiríamos matar a saudade.

Ele deitou do meu lado, me beijou a testa, com a respiração ainda ofegante. Eu não podia negar que aquela tinha sido uma das melhores da minha vida. Um orgasmo que há muito anos eu não tinha. Eu olhei pra ele. Ele estava com uma cara de safado, de cachorro...ou era a minha cabeça que esta subestimada mesmo.

- Acho melhor você ir embora... - eu disse a ele que se ajeitou na cama e me olhou.

- Não podemos ficar assim? A gente se ama...

- Carter, eu não vou voltar pra você... Não depois do que você me fez...

- Abby...

- Não Carter!

- Eu não vou sair daqui!- ele voltou com o tom áspero de antes.

- Some, Carter! Esquece do que aconteceu aqui! Volta pra ela, pro seu mundinho e deixa eu viver a minha vida com o David em paz!!!- eu disse, chorando, me cobrindo com o lençol..

- Eu não vou...

- Acho bom você ir! Eu não quero me magoar mais ainda. Você fez a sua escolha e me perdeu, agora saia daqui! Desse jeito a separação vai ser conturbada e eu não quero isso!

- Separação!? Quem disse que eu vou me separar de você?

Eu soltei uma gargalhada irônica.

- Você acha que eu vou passar a vida esperando por você?

- Você não me ama?- ele perguntou me encarando.

- Não é isso! É que a coisa não pode ser como você quer!

- Se você me ama e eu te amo o que há de errado?

- Pára de complicar, Abby- ele subiu em mim de novo e eu já previa tudo.

- Complicar????- eu saia dos beijos que ele ma dava- não fui eu quem foi viajar, fiquei fora uma eternidade e voltei com outro!!!!

- Eu já disse que errei Abby!

- Problema seu! Eu não posso simplesmente dizer que está tudo bem e que com uma noite eu vou te perdoar! Você é um cachorro sabia? Se você me amasse, não teria vindo aqui, não teria transado comigo!

- Ah! Agora a culpa é minha?- ele parecia indignado e foi se levantando- eu não te obriguei a nada!- ele alterou o tom de voz- você transou comigo porque quis!

Eu olhava incrédula para ele. Não era o mesmo Carter, ele estava outra pessoa. Ele nunca falaria comigo assim. Bem, o meu Carter nunca me trairia para começar.

- SAIA DA MINHA CASA! - eu disse alterada.

- É a minha casa também!

- Seu monstro! No que você se transformou? Você não é a mesma pessoa!

- Olha quem fala- ele disse com descaso.

- Some, Carter!- eu disse, de pé, coberta por um lençol, apontando a porta do quarto.

Ele finalmente entendeu e colocou as roupas rapidamente, saindo batendo a porta. O som da porta foi o suficiente pra que eu caísse na cama chorando, como nunca tinha feito.

Mais Tarde...

Eu atendi a porta vendo meu filho adormecido no colo de Susan.

- Não quis acordar...

- Ótimo... Preciso mesmo falar com você...

Ela me olhou com "aquela cara" e me desencorajou. Eu já tinha sofrido demais naquela noite, não queria ouvir mais sermão.

- Bom, amanhã eu falo...to com sono...quero por o David pra dormir- eu praticamente a expulsei de casa. Com David no colo, eu fui a encaminhando para a porta.

- Ei- ela me parou- que está acontecendo? Calma- ela passou a mão no meu rosto, me trazendo conforto- que foi, está com uma carinha,...Andou chorando de novo?

- Amanha nós conversamos, Susan, por favor- eu não tinha condição de falar agora.

- Ok, até amanhã...qualquer coisa me ligue...fique bem...- ela me deu um abraço confortante e se foi. Eu coloquei David na cama e voltei para o meu quarto onde eu chorei até dormir. Acho que estava cansada demais para pensar em alguma coisa mais útil.

Dia Seguinte...

A pior coisa depois de uma recaída com seu marido é saber que vai ter que vê-lo no dia seguinte. Ele entrou na SDM onde eu e Susan, apesar de caladas, íamos começar a conversar.

- Bom dia- ele disse o mais seco possível.

- Oi, mocinho!!!- ela disse efusiva. Eu nem me dei ao trabalho olhar pra cima. Fiquei encarando as mãos. Quando eles terminaram de se cumprimentar ele saiu, falando apenas um "ate mais " geral.

- Eu não acredito que vocês transaram!!!!- o grito baixo dela foi quase imediato. Como ela sabia? Ele havia contado pra ela? Não, impossível!

- Quem te contou????- eu disse pasma.

- E precisa lá contar? A gente sabe quando vocês ficaram juntos de longe, amiga!- Susan contava empolgada

- Não sei porque essa empolgação...

- Por que? Você ainda pergunta!?

- Olha , eu descobri que Carter e eu nunca deveríamos ter começado algo.

- Que? Como?

- Ele é um monstro... Eu não o reconheço.

- Por que? Você sabe que não...

- E Susan- nesse momento eu já chorava um cachoeira novamente- eu o odeio...

- Você sabe que não, Abby...- ela me deu um abraço.

- Ele... ele... agiu como um cachorro...

- Talvez porque você pense que é um...

- Ele me tratou com uma qualquer... Achou que com uma noite tudo voltava a ser como antes...

- Abby... Ele te ama...

- Não, não ama.

- Não vou discutir isso com você, ele sabe o que sente por você e você por ele...Erros foram cometidos, mas o amor que vocês tem um pelo outro não muda assim...

- Quem sabe??- eu a olhei esperançosa e eu continuei- eu vou tirar ele da minha cabeça...

- Você sabe que vai ser difícil...

- Sei, mas não é impossível!

- Olha eu aposto como vocês ainda vão ficar juntos... Eu conheço vocês dois... Todos aqui torcem por vocês... Tem ate banco de apostas...

- Minha vida nao é assim, Susan. Não é a torcida de vocês que vai melhorá-la ou fazer dela pior...- eu só me sentia mais pra baixo.

- Abby, você entendeu muito bem o que eu quis dizer. Não é por isso que vocês vão ficar juntos, vocês vão ficar juntos porque se amam, só que são tão complicadinhos- ela me deu um cascudo na cabeça- que MEU DEUS!

- Complicadinhos?! Eu não sou complicada!

- Olha a única coisa que eu sei é que ele fez isso tudo porque queria impedir você de sair com Urbannus e conseguiu...

- Eu devia tê-lo parado...

- Devia, mas não quis e tenho certeza que você também tava louca por isso.

Meu silêncio disse mais do que eu poderia ter falado.

- Então...você está arrependida?- ela me perguntou, me encarando.

Mais uma vez o silêncio fez o meu papel.

- Então haja naturalmente Abby... Deixe que a vida e o tempo se encarreguem do que vai acontecer... É claro que ele vai sofrer muito ainda para aprender, mas não tente fazer as coisas por si só...

- Você está o defendendo?! - eu perguntei incrédula.

- Não... Apenas dando um conselho para ver se a minha melhor amiga não sofre mais

Eu sorri amigavelmente. Sabia que ela só queria ajudar.

Eu ia começar a falar pra conseguir sair dali e parar de pensar nisso quando ela colocou mais lenha na fogueira.

- Mas- ela verificou a porta pra ver se ninguém estava vinda- já que rolou...- ela sorriu maliciosa- me conta como foi.

- Susan você não presta! - eu disse sorrindo.

- Eu também te amo, mas agora me conta!

- Foi bom, muito bom... Uma das melhores nesses anos todos que eu me relacionei com Carter.

- A saudade é a culpada... - ela disse sorrindo.- Mas falando de outra coisa... O que você vai falar pro Urbannus...

- Que meu filho adoeceu e eu não pude ligar...

- Desculpinha esfarrapada, hein?? -ela sorriu- ele chegou com a pior das caras hoje, deu muita dó.

- Então o que eu faço?

- Por que não conta a verdade?

- A verdade??

- É, a verdade...

- Magina, vou machuca-lo, Susan...- eu me vi na defensiva.

- Mais? Acho que não...nada como a verdade!- ela tentou me convencer.

-Vamos ver...preciso estar preparada psicologicamente pra isso- eu sorri com ela.

- Eu sei... Mas pense bem...

- Eu vou...

- Ótimo... Agora eu vou trabalhar...

- Tudo bem.. Te vejo depois...

Quando ela saiu Carter entrou

Eu pensei em não cumprimentá-lo e sair sem olhar mas achei muito horrível fazer isso. Seria dar esse gostinho pra ele.

- Oi e até mais- eu disse indo logo pra porta não dando nem tempo dele me responder.

Eu sai da SDM e dei de cara com Urbannus. Não era meu dia.

- Oi Abby... - ele disse triste.

- Hei podemos conversar?

- Sim, claro...

- Podemos ir para o Ilke's?

- Sim, sim...

Nós caminhamos fora do hospital. Nem ousei olhar pra trás pra ver se alguém estava me observando. Eu não podia mais falhar com Urbanus, iria ser sincera agora.

Nós chegamos e não havia quase nenhuma mesa. Achamos uma bem no fundo, apenas para dois.

Pedimos um café e eu disse:

- Preciso te dizer o porque não fui no encontro ontem...

- Sei... Pode falar e por favor seja sincera...

- Desculpa eu ter mentido, estou realmente envergonhada por isso. Eu, com essa idade, essa vida, me afugentando dessa maneira...- eu não conseguia encara-lo- mas, acredite, as coisas são complicados do que você pode imaginar- ele olhav fixamente pra mim-eu não queria te chatear, eu juro...Só que- ele me interrompeu, segurando na minha mão docemente.

- Não precisa falar, eu sei o que houve. Eu te entendo. Sei que você quis me dar uma chance acima de tudo, TE dar uma chance...mas - ele detraiu um pouco o olhar, podia ver a emoção dele transbordar seus olhos- você o ama- eu fiquei surpresa. Ele realmente sabia que eu tinha estado com Carter.

- Urbannus...

- Quer minha opnião?

- Fale... - eu disse com medo.

- Por que vocês não se dão uma chance? Ele também te ama... ta na cara.

- Que?- eu fiquei tão impressionada com o que ele disse que quase engasguei com o café. Ele apenas me sorrio.

- É sério, Abby...você se amam, eu sei que mesmo que você me de uma chance, você nunca vai me amar. Porque você ama o Carter e nunca vai deixar de ser assim.

- Depois de tudo o que aconteceu...

- Olha eu não devia dizer isso, mas porque vocês não conversam?

- Num dá... sério... Estou magoada

- O que ele é fez foi errado, muito. Mas não há como negar que vocês se ama, e isso é maior que tudo, Abby- ele parecia meu melhor migo.

- Mas é difícil...

- Sim, eu sei...

- E depois de tudo que ele me disse, fez e agiu! Não, não dá mesmo!!

- Olha, porque você não dá uma chance para ele se redimir?

- Por que você está me falando isso? - eu tive que perguntar! Não fazia sentido algum!

- Em primeiro lugar porque eu gosto de você, gosto porque você é especial...é uma pessoa muito linda e muito boa e eu quero o melhor pra você, te quero feliz e percebi que você só pode ser feliz com ele...- eu não acreditava no que ela falava- e depois, o amor de vocês é bonito. Eu não conheço muito bem, mas tenho ouvidos muito bons. O pessoal do County não mente. É cheio de inconstância e erros, mas é verdadeiro- ele me olhava nos olhos, quase tão perfeitamente quanto Carter fazia.

- Eu... eu.. queria poder deixar de gostar dele e poder me interessar por alguém como você, mas eu não consigo.

- Olha o coração manda na gente e não a gente manda nele.

- Eu sei... Um dia você encontrara alguém que te mereça...

- Obrigado...

Não havia mais clima. Tratamos logo de sair daquele lugar. Pelo menos queria continuar sendo amiga dele, que realmente era um amor de pessoa. Voltamos ao County sob o olhar de todos.

- E ai? Como foi?- Susan foi logo me interrogando.

- Nós conversamos... Ele me disse que eu deveria voltar com o Carter e nós nos tornamos amigos.

- Ele disse isso?

- Com todas as letras, mas de uma coisa eu estou certa. Não vou voltar pro Carter... De jeito nenhum...

- Mas Abby...

- Susan me desculpe pelo que eu vou dizer, mas no dia que seu marido sair de casa, voltar com outra e depois ir na sua casa transar com você e achar que ta tudo bem você me fala o que fazer.

- Ele nunca faria isso...- ela pareceu confabular consigo mesma...- eu já ia cair matando com mais todos os meus argumentos. Estava disposta a isso, se não fosse... Se não fosse eu ver em Susan uma expressão que eu poderia jurar nunca ter visto antes. Um rosto triste e meio amargurado que nunca se pode se quer imaginar ver em Susan. Se eu olhasse bem, poderia ver até os olhos dela começarem a ficar marejados- mas também nunca me amaria do jeito que Carter te ama...- ela deu um longo suspiro- aquele amor, Abby...- ela de perdeu nas próprias palavras- aquele amor- ela procurou bem os meus olhos e os encarou- aquele amor é coisa de louco, nunca vi coisa igual. É amor de filme, amor de novela. Daqueles que a gente tem certeza que acaba com final feliz - ela me deu um sorriso entre as lágrimas - e você- ela apontou o dedo pra mim, como se fosse minha mãe me dando uma ordem- você deveria enxergar mais isso. Não apenas lembrar da traição e da indiferença que ele APARENTA sentir hoje, mas sim lembrar de todo amor e apoio que ele te deu, desde o comecinho...Lembrar de quando vocês casaram, de quando vocês brigaram... De quando você quase morreu quando Eric sumiu, lembrar de que homem ele foi quando Eric moreu - eu já sentia as lágrimas também em mim, ainda mais agora que ela estava falando do meu irmão- lembrar de como ele te tratrou quando David nasceu...- ela agora parecia mais concentrada do que nunca. Enxugou as lágrimas e foi dar o "gran-finale" naquela lição de moral- lembra de tudo isso e vê se, somado a esse amor que você tem por ele, que eu tenho certeza que é igualmente grande, não é maior do que tudo isso que vocês vivem hoje...

- Sue... Eu o amo, mas não posso negar que dói muito quando eu lembro o dia que ele chegou aqui e eu o vi beijando aquela vagabunda, não posso negar que eu me senti a pior das mulheres ao ligar para ele para pedir ajuda com David perceber que ele estava transando com ela! Meu amigo, meu marido, meu homem! Senti nojo e repulsa ao ver que quando meu filho chegou depois de um dia com o pai ele chorava de raiva dizendo que aquela mulher enfiava a língua na boca do pai dele! Senti um punhal cravado no meu coração já ferido e cansado de lutar quando ele falou a David que não me amava e que não podia viver conosco. Me senti usada e confusa quando ele chegou no meu apartamento... - eu já chorava sem parar e tentava me controlar - e disse que me amava e começou a me beijar. Senti nojo de mim mesma quando gostei dos beijos e das carícias dele. Me senti uma fraca quando me rendi a isso e transei com ele mesmo sabendo que isso era errado. Você acha que quem ama tanto do jeito que ele diz Susan, se ele me ama tanto por que tanta coisa dita para machucar! Não é pela traição que eu sofro, mas pelas palavras e ações dele. Meu coração ta muito ferido e não pode se recuperar assim... Como você quer que eu acredite nele depois disso tudo? Como você quer que eu esqueça tudo que ele me fez do dia pra noite? Me diz como! Eu quero para de sofrer e não consigo!

Susan ficou calada. Nós percebemos que não havia mais nada a ser dito. Agora seria eu e a minha consciência. Eu e ele. Eu e o meu amor por ele.

Ela piscou pra mim e saiu. Nenhuma de nós tinha condição de dizer mais nada. Eu acho que a tinha contagiado. Contagiado com o meu ódio e amor por ele.

Eu não sabia o que fazer para melhorar minha situação, mas decidi não pensar nisso agora e ir para casa curtir o meu filho. Pedi para Susan ficar para mim nos minutinhos que faltavam e ela concordou. Acho que agora a nossa amizade ficou mais forte. Depois dessa conversa que tivemos tudo é possível. Quando eu chego em casa ao invés de encontrar a babá e meu filho brincando vejo Carter e David.

Era o que faltava.

- Oi- eu disse, na educação- também não queria que David notasse qualquer coisa.

- Oi mãe!- meu filho disse vindo me dar um abraço- olha o que o papai me trouxe!!!!- ele disse trazendo uma caixa de chocolates- ele disse que era pra eu dividir com você.

Eu não tinha coragem de olhar pra Carter. David desembrulhou um chocolate e enfiou na minha boca.

- Depois a mamãe come, bebê- eu disse, tentando me livrar do chocolate e daquea situação.

- Não, mamis, agora- ele disse, empurrando aquele delicia da minha boca. Eu mordi e senti o gosto do licor e os pedacinhos de cereja. Meu chocolate preferido...

Eu engoli o chocolate e David me ofereceu outro e eu comi.

- Agora chega bebe... Depois a mamãe come mais...

- Ta... - ele colocou a caixa em cima do sofá e pulou no meu colo. Eu me sentei no sofá e pela primeira vez meu olhar encontrou o de Carter. Eu tratei logo de desviar e disse para David:

-Se comportou direitinho ?

- Sim!

- Eu vou tomar banho- eu disse pra David mas queria que Carter escutasse- se comporta e não dá trabalho, ok?- eu pisquei pra ele e fui em direção ao meu quarto. Tirei a roupa e entrei no chuveiro, deixando sair com a água todo o meu cansaço e stress.

Ela me deixou sozinho com David. Ela está fugindo de mim, mas se pensa que vai ser assim tão fácil está muito enganada. Eu nunca desisto fácil e não vai ser agora que vou desistir. Eu deixo David brincando na sala e vou até o quarto. Ouço o barulho do chuveiro e vou até a porta aberta do banheiro. Lá está ela, linda, maravilhosa e nua. Essa mulher me deixa louco. Eu não sei como pude magoá-la tanto. Sou um idiota mesmo. Me perco em meus pensamentos e quando percebo ela me viu ali e estava uma arara.

- O que você está fazendo aqui?

- Calma- eu tentei dizer algo mas, só entrava mais e mais no banheiro.

- Sai daqui, Carter!- ela puxou a toalha e se cobriu.

- Ei, calma também, né?- eu virei de costas mas não sai- não tem nada ai que eu não conheça como a palma da minha mão.

-Idiota - ela disse me empurrando para fora do banheiro.

- Hei Abby... Vamos conversar como adultos... Esses ataques infantis não vão resolver.

- Infantil?! E você é o que?! Maduro?!

- Para com isso, Abby. Da pra me escutar um minuto?- eu insisto.

- Nem meio!- ela grita e bate a porta na minha cara.

Eu girei a maçaneta e a porta se abriu. Eu adentrei o banheiro e vi ela chorando.

- Eu não quero que você chore. - eu me sentei ao lado dela na beirada da banheira.

- Não me toca !!

- Por Deus, Abby, me escuta!- eu peguei o braço dela com força.

- Me solta!- ela gritou e eu escutei um barulho na porta. Era David.

- Está tudo bem? - ele perguntou assustado.

- Sim querido, mas agora volte para a sala. Eu só vou falar dois minutinhos com seu pai.

- Está bem...

Ele saiu e eu disse:

- Não quero falar com você.

- Mas vai...

- Você não vai me obrigar!- ele pegou nos meus pulsos e me encurralou contra a parede.

- Me escuta!

- Me solta se não eu grito- ele permaneceu irredutível e quando eu abri a boca pra gritar ele me beijou.

Eu respondi ao beijo. Ele era tão bom, beijava tão bem. Eu me separei dele e ele disse:

- Vai me escutar ou não?!

- Não e...

Ele me beijou de novo.

- Vai me escutar ou não vai?!

- Vou...- eu sentei na beirada da banheira, me escondendo dele com a toalha. Ele sentou no chão do banheiro.

- Adianta eu pedir desculpas? Não! Adianta eu falar que errei? Não! Adianta eu dizer então que eu te amo, como sempre?- ele estava desesperado.

- Não!- eu permaneci no tom dele.

- Então eu vou fazer uma pergunta a você...

- Faça...

- O que eu devo fazer para você voltar para mim ?! Me responde pelo amor de Deus!!

- Nada, Carter- eu já estava chorando de novo! Como eu sou fraca! - eu ouvi da sua boca que você não me ama mais...nada pode apagar isso...nada.

- Você entende o quanto é difícil explicar a uma criança que se está afim de esfriar a cabeça, ter uma ilusão e sexo selvagem sem compromisso?

- Se era isso que você queria, foi isso que você teve...e vai continuar tendo...- eu olhava pro chão, imóvel.

- Eu quero você!

- A desculpe desiludir você, mas a idiota aqui não vai voltar para você.

- Você não é idiota!

- Ah não sou?! Sou coisa pior... Agora com licença...

- Ainda não acabei. - ele disse me prendendo na parede

- Escuta, Carter! Eu não sou seu brinquedinho. Se você quer sexo gostoso, pega o seu KAMA SUTRA e corre pra aquela lá, vai! - eu sentia a respiração dele colar com a minha e ele me apertar mais.

- Eu te amo...- ela sussurrava no meu ouvido

- Lindas palavras, mas pode repetir isso um milhão de vezes... Não vou acreditar.

- Vou repetir um milhão e uma.

- Ah Carter quer saber?! Vá se fuder!- ele começou a rir timidamente.

- Qual é, tá rindo da minha cara?- eu perguntei indignada.

- Não - ele pegou meu cabelos e beijou meu pescoço- mas tive uma idéia melhor do que me fuder...

- Então vá fuder a outra, porque euzinha querido só em outra vida ...

- Não fale isso!

- Você acha que eu vou cair na sua de novo? Não mesmo! Você acha que é de ouro, é?

- Não, Abby, não...- ele parecia perder a cabeça com a minha insistência.

- Sai de cima de mim, agora, Carter!- eu gritei mas o efeito foi contrário. Ele me pressionou mais ainda e bem "pegou de jeito" como as vezes ele falava. Começou a beijar a minha boca e o meu pescoço. Me deu um chupão tão forte no pescoço e eu já podia prever a marca. Eu tentei para-lo mas sabia que nunca conseguiria.

- Mãe? Pai?- escutou a voz de David e quando paramos, assistimos ao sorriso iluminado dele.