- Ai, que susto!- eu levei a mão ao peito sinalizando meu trauma.

- Desculpa- ele disse mas não saiu da minha frente,.

- Tudo bem...

Eu fui andar pro lado e tropecei e quase cai. Ele me segurou. Pude sentir a proximidade dos nossos corpos e a respiração dele perto da minha. Eu me apoiei nele um pouco e pude sentir o perfume misturado com seu cheiro natural

A minha excitação foi crescendo e a minha respiração foi pegando. Quase não conseguia respirar, mas não podia deixar que ele percebesse. O silencio e a escuridão dominaram o ambiente, quando eu o vi se aproxima um pouco mais de mim, me fazendo ficar contra a parede.

Eu podia ver apenas os olhos dele e pude perceber o desejo que emanava. Eu estava do mesmo jeito e acho que ele percebeu. Eu dei um suspiro profunfo e logo depois senti a boca dele capturando a minha. Em instantes a sua língua estava sobre a minha e o seu gosto invadia todos os meus sentidos. Eu retribiu o beijo e me senti roubada por aquela paixão.

Minhas mãos conscientes iam afastando o corpo dele do meu, mas dessa vez ele não deu a mínima. Eu tinha que relutar até o fim, não queria ceder ainda. As palavras de Susan se misturavam na minha cabeça com as lembranças de David confuso. Eu queria tanto, mas não podia. Ele começou a chupar meu pescoço com força e a única palavra que saía da minha boca era "não...", mesmo com a imensa vontade que eu tinha de falar "mais".

Ele começou a beijar a minha boca e eu comecei a ceder. Ele começou a descer as mãos pelo meu corpo e eu comecei a soltar pequenos gemidos.

- Essa roupa... Está tão linda em você.

Eu tentei afastá-lo de mim, mas ele se peticionava cada vez mais em mim.

Ele tira o meu cabelo dos ombros e começa dar aqueles chupões no meu pescoço que só ele sabia fazer. Eu não consigo me controlar e solto um gemido leve, que se intensifica quando ele arranha minhas costas por fora da blusa, baixando a alça do meu soutien e lambendo meus ombros.

- Shhiiiiu- ele parou e me encarou- não faz barulho que o David tá dormindo- foi então que eu me dei conta de que estávamos no meio do corredor, pertinho da porta do quarto do meu filhinho.

Eu queria afastá-lo de mim e dar um basta naquilo, mas eu não conseguia. Meu corpo pedia por mais daqueles carinhos que eu gostava tanto. Ele tirou minha blusa e começou a explorar meus seios com seus lábios. No começo apenas lambidas, mas que de acordo com os meus sussurros se tornaram chupões. Eu vi ele se esfregar contra mim e pude sentir a sua excitação. Ele desabotoou meu short e e continuou com os chupões no meu pescoço, me acariciando por cima da calcinha, já úmida de excitação.

Ele desceu todo o meu shorts e começava colocar a mão por dentro da minha calcinha quando eu o parei. Era muito cedo para as coisas voltarem nesse ponto. O que eu queria eram só uns "amassos".

Eu coloquei as minhas mãos em cima dos ombros dele, o que fez com que ele fosse par mais perto de mim n parte debaixo. Mesmo dentro d calça eu podia sentir a ereção dele me roçando.

Eu me controlei para não tirar a cueca dele e fazer ele entrar em mim no mesmo momento e me dar um orgasmo maravilhoso, mas a razão ainda me dominava. Ele começou a beijar meu pescoço e com as mãos fazerem pequenos carinhos nos meus seio. Ele está me levando à loucura, ao extremo. Ele desceu a mão pela minha barriga e tirou minha calcinha lentamente. Senti a mão dele me acariciando, mas dessa vez eu estava excitada demais para pará-lo, então apenas joguei meu peso contra a parede e curti as carícias que ele fazia no meio das minhas pernas. Eu delirava a sensação do dedo dele em mim. Dei um suspiro maior quando senti o segundo dedo dele em mim e ele sussurrou no meu ouvido:

- Você está tão linda assim... Você fica tão linda assim excitada,

Minha expressão só era de prazer e eu não conseguia dizer mais nenhuma palavra. Quando ele colocou mais um dedo em mim eu não agüentei e gritei.

- Shiu - ele tapou a minha boca com a outra mão enquanto continuava os movimentos com aquela. Lágrimas vieram nos meus olhos de tanto prazer. Fazia muito tempo que eu não tinha aquilo. Muito mesmo.

Eu estava tão excitada que poderia gozar a qualquer momento, mas ele não parecia se importar com esse tal fato. Ele aumentou os movimentos e eu não consegui agüentar aquilo. Era uma coisa tão boa e eu não tinha a muito tempo. Ele beijou os meus lábios e o meu corpo foi tomado por um orgasmo tão intenso que eu achei que fosse perder os sentidos. Eu fiquei tão mole que ele teve se me segurar pra eu não cair.

- Ei, calminha- ele disse, tirando as dedos de mim, se dando conta do que havia me dado.

Eu ainda tinha um pouco de lágrimas nos olhos pelo orgasmo. Ele as limpou, voltando a me beijar profundamente. Vi que no meio do meio ele foi abaixando um pouco a própria cueca. Eu tinha que para-lo antes que fosse tarde demais.

Ele me beijou novamente de uma forma tão doce e sensual que eu me entreguei logo e senti ele se aproximar mais de mim. Ele me penetrou vagarosamente e eu dei um suspiro profundo. Ele me beijou e começou a se empurrar delicadamente contra mim. Ele era tão bom... Oh Deus... Me enlouquecia...

Eu não posso me controlar. Gememos cdaa vez mais alto e nem a mão dele pode me parar. Quando ele tapa minha boca com força, aos mesmo tempo que acelera os movimentos lá em baixo, eu mordo a mão dele com tanta força que por pouco não arranco um pedaço. Ele para um pouco e começa a me beijar de novo. Quando eu menos espero ele sai de mim e pega nas minhas mãos, fazendo com que eu abaixasse com ele.

- Deita- ele ordeu. Não estou bem certa de que faria aquilo.

Eu não colaborei, mas ele me deitou e depois partiu para cima de mim. Ele me beijou e me penetrou inesperadamente se empurrando delicadamente e me beijando para evitar que eu gemesse, mas era quase impossível. Eu estava cada vez mais louca e excitada.

As minhas mãos agarravam o carpete como se fosse a única coisa que eu podia me segurar. Ele não parecia me poupar em nada.

Eu sentia o carpete arranhar as minhas costas mas isso não me incomodava em nada. Ele me beijava com tanta fome e eu logo pude sentir ele separando as minhas pernas de novo.

Ele me beijou de novo e quando eu menos esperava me penetrou forte e fundo fazendo eu gemer alto, mas ele me calou com um beijo. Eu estava com saudade dele tão entregue a mim que eu já não me importava se a gente estava separado ou não.

Simplesmente deixei ele fazer o que fazia tão bem. Eu comecei a rodar minh cabeça para os lados, sentindo outro orgasmo se aproximar. Ele devia ter algum técnica pra isso. Eu acho que nunca não gozei quando transava com ele. Ele realmente tinha o dom.

Eu estava no paraíso. Ele me deu o que eu tanto queria ha muito tempo. Senti ele se satisfazer momentos depois e me abraçar. Ele sabia me fazer feliz. Ele me levantou e me levou para o quarto. Eu precisava tanto ter ele ali do meu lado agora. Eu estava vulnerável e cansada.

Meus olhos cansados ainda estavam abertos quando ele me colocou na cama de uma forma sutil. Vi que ele foi até o banheiro e fechou a porta. No mesmo instante eu lembrei. Tínhamos transado sem camisinha e isso era a única coisa que me assustava agora. Engoli seco pensando no que poderia fazer. Plano B era a única coisa que vinha na minha cabeça. Nem comentaria nada com ele. Tomaria a pílula no dia seguinte.

Dia Seguinte...

Eu acordo com o sol das primeiras horas da manhã batendo na janela do meu quarto. Eu abro os olhos e olho para o relógio. 6:32 da manhã. Droga! Tinha plantão as 5! Mas depois eu resolveria isso. Olhei para o lado e Carter não estava lá, pelo menos se David chegasse não ficaria confuso. Olhei para o cochonete do lado da cama e ele também não estava... Mais onde ele foi?

Tomei um banho e desci vendo-o assistir tv enquanto comia uma tigela de cereal. Ele olhou pra mim e sorriu. Ele era tão lindo de manhã.

- Oi...- eu disse meio timida. Não era legal quando você acorda com um cara que dormiu por "uma noite".

- Bom dia...- ele já parecia ter prática e não estava nada incomodado com a situação. Eu fui até a pia e percebi que ele tinha acabado com o leite. Bem, tudo bem. Não vamos começar a xingar logo pela manhã.

Eu fiz um pouco de café pra mim e logo depois vi David descer as escadas com uma carinha de sono enrolado no seu cobertor de bichinho.

- Mãe?! - ele disse manhoso. O que será que ele tinha? Ele nunca agia assim de manhã. E nem percebeu o pai ali.

- Oi príncipe... O que você tem?

- Mãe...- a voz dele estava diferente e ele estava meio pálido. Meu coração já começou a ficar miudinho quando ele veio agarrando nas minhas pernas. Peguei ele no colo e ele se esparramou no meu peito. Senti a testinha dele meio quente.

- Ai meu Deus...ele está com febre, não está? - eu fiquei parada encarando o rostinho pequeno dele. Achei melhor ter um a segunda opinião. Carter pulou do sofá e correu até nós, passando também a mão pela testa de David. Ele espantou os olhinhos mas não disse nada sobre a presença de Carter ali.

- Mãe- ele já tinha umas lágrimas nos olhos, o que me deixava cada vez mais desesperada- não consigo respirar...- ele fez uma carinha e eu já passava mal junto com ele.

- Vamos levá-lo pro hospital Abby...

- Sim, sim... - eu estava quase morrendo já. Ele se esparramou mais no meu colo e vi Carter pegar as chaves do carro e indo para a porta de casa indo pra o hospital. - Estamos indo pro médico bebê...

- Ta doendo pra respirar... - Carter me olhava preocupado e ele disse a David - Lá o papai e a mamãe vão cuidar de você e ai você vai ficar bom. Agora por que não descansa no colinho da mamãe e respira bem devagar .

David fez o que ele pediu, mas logo depois abriu os olhinhos.

- To enjoado...

- Calma bebe...não pensa nisso- eu dizia, passando as mãos pelo rostinho dele que cada vez ficava mais pálido. Carter não tirava o pé do acelerador e eu comecei a me assustar. Tanto porque poderíamos bater o carro como ao pensar que se Carter estava nessa velocidade, a coisa poderia ser mais seria do que eu, com meus mínimos 2 anos de experiencia como medica, poderia prever.

Nós chegamos no County sem demora e ele levou David pro Trauma 2. Ele disse pra eu ficar apenas ao lado do menino e eu não recusei, porque do jeito que eu estava eu não conseguiria fazer nada. Depois de alguns minutos Carter me chamou do lado de fora.

- O que ele tem John? - eu o chamei de John, mas que se foda. Estou preocupada com meu filho.

- Abby, calma- pela expressão dele eu vi que a coisa seria séria. Comecei a chorar como quase nunca eu fazia. Ele não precisava dizer mais nada- eu não sei ao certo...tá dificil. Ele tem algo nos pulmões, por isso a respiração dificil. Nos pusemos o aparelho para a juda-lo, mas calma...- eu so conseguia ficar mais e mais desesperada.

- Ele é tão pequenininho...- eu chorei mais ainda e ele me abraçou e eu esqueci que estava zangada com ele.

- Calma ok? Eu vou fazer mais alguns exames e ai eu te digo o que é tá?

- Você sabe não sabe? Você tem 11 anos de profissão... Sabe o que é... Mas não quer me dizer...

- Eu só tenho suspeitas ok? Vou fazer mais alguns exames...

- Que suspeitas?

- Ele tem uma insuficiência respiratória, Abby...isso você já deve ter percebido- na verdade eu não tinha percebido é nada no nervosismo-o sistema respiratório não está mantendo a ventilação e a oxigenação dele...- ei! Agora eu já tinha entendido, ele não precisava me dar aula.

- Eu sei..- eu disse, sem notar o tom grosseiro.

- Só que eu ainda não descobri a causa, Abby...ele pode ter comido algo, tomado algo perigoso...

- Você esta insinuando que eu não cuido dele direito - tomei como uma agressão. Ele já estava me atacando

- Abby, eu não estou dizendo nada... Eu estou dizendo as possibilidades de causa.

- Você parece estar me acusando... E o que está fazendo aqui parado que não vai descobrir o que está acontecendo?

- Eu já fiz tudo que podia... Temos só que esperar...

- Meu filho não consegue respirar e você me manda esperar?

- Abby, calma...por que você não toma alguma coisa? Você tá muito nervosa...- eu tentei ajudar.

- Cala a boca, Carter!- ela gritou, chamando a atenção de algumas enfermeiras que passavam pelo corredor- se você não vai ajudar ele, eu vou!- ela berrou e saiu, entrando no Trauma.

Eu entrei no Trauma vendo meu filho deitado na maca com o respirador. Ele era tão pequenininho... Não podia estar aqui. Eu me espanto ao ver Susan adentrar o Trauma.

- Carter me disse...

- Ele nem está preocupado... Mandou eu esperar...

- Abby... Você já olhou pra Carter?! Ele está desesperado... Já ligou lá pra cima umas 50 vezes para agilizar os exames, mas não há nada mais a fazer no momento a não ser esperar.

- Susan, olha pra ele...- eu comecei a chorar de novo...- meu bebe...

- Eu sei, Abby, mas...você sabe, poxa! Só temos que esperar, mesmo...- ela me abraçou me dando o conforto que eu precisava de outra pessoa.

- Ele me acusou de não cuidar dele direito, Susan...- eu chorei, continuando a passar as mãos pelos cabelinhos de David.

- Não acusou, Abby. Ele só perguntou...você sabe, isso pode ser causado por um intoxicação...ele pode ter ingerido alguma substancia química... não sei...

- Eu jamais daria isso ao meu filho!

- Mas ele pode ter pego sozinho, em outro lugar... - nesse momento Carter adentrou a sala. Ela beijou meu rosto e saiu da sala. - E os exames?

- Nada... Daqui a pouco eu vou lá em cima de novo e obrigo a sair logo ou eu vou quebrar essa merda toda... - ele disse com raiva. Pela primeira vez vi o desespero no olhar dele.

- Desculpe por ter sido grossa com você.

- Tudo bem...estamos nervosos...-ele sorriu e chegou mais perto de mim

- Há algum alguma coisa que eu possa fazer - eu insiti.

- Você sabe que não. Agora faça por você, vai descansar um pouquinho, vai- ele diz daquele jeitinho fofo.

- Não vou conseguir...

- Mas tente... Eu não quero você doente ok - ele falou de um jeito preocupado. Quase o beijei agora - Qualquer coisa eu aviso.

- Tá bem... - eu disse indo a SDM e tirando um cochilo. Eu acordei com Carter me chamando e eu logo perguntei - e os exames

- Estão aqui... Abby... - ele não fez uma cara boa- o problema dele foi causado por Disfunções do sistema neuromuscular.

- Coluna - eu perguntei já prevendo o problema.

- Aham- ele confirmou com a cabeça.

- Puta que pariu!- eu soltei num impulso.

- Escoliose... A postura dele está errada e ai isso causa a dificuldade de respirar.

- E como melhorar a postura dele.

- Usando um imobilizador no pescoço.

- Ele tem 5 anos! Porra!

- Eu sei...mas você quer o que, Abby Que ele fiquie assim - ele me perguntou e eu só conseguia imaginar o meu pequenininhu usandoi aquele negocio.

- Tadinho, Carter...- eu já começava a chorar de novo quando ele me abraçou.

- Estamos juntos nessa, Abby- escutei ele me dizer antes de dar um beijo na minha cabeça.

- Obrigada...

- Daqui a pouco ele acorda e ai é so colocar o imobilizador nele e fazer inalação 3 vezes por dia.

- Tadinho dele... Vou tirar alguns dias de folga...

- Se quiser eu posso ficar com ele também...

- Não... - eu disse calmamente, mas senti um aperto no coração. Ele era o pai... e David amava-o tanto. - Por que não fica lá em casa até ele melhorar - eu também queria ele la.

- Você...- ele fugiu dos meus olhos- tem certeza - eu não tinha coragem de encara-lo também. Apenas afirmei com a cabeça enquanto via David começar a se mover na cama.

- Bebê...- eu me aproximei dele,. passando as mãos pelos cabelinhos. Ele era tão fofo e tão meu. Ele não respondeu. Ficou de olhinhos fechados e eu podia ver sua dificuldade em lidar com o parelho.

- Aqui- ele apontou a cabeça e aqui- disse apontando o peito. Eu olhei pra Carter esperando um explicação. A essa altura, toda a minha faculdade de medicina fora por água baixo e eu não saberia nem sutura-lo.

Carter me olhou como se quisesse que eu respondesse aquilo.

- É normal, Abby...ele está fazendo muita força pra respirar e isso está cansando os músculos e ossos dele. Não esta acostumado a ser assim...Não se preocupe mais...- ele tentou me acalmar. Eu sabia que a minha cara era te desespero.

- Maaaae- ele me chamou dengoso- deixa eu tirar? ele colocou a mão na mascara esperando por minha permissão.

- Não querido... Se tirar vai ficar pior ainda pra respirar e ai meu bebê vai ficar mais dodoi...

Ele acenou e olhou pro pai como se ele pudesse dizer que ele podia tirar a mascara e Carter disse:

- Só mais um tempinho até sua respiração melhorar tá?

- Papai pode voltar pra casa?

- David- ele me olhou nos ollhos- papai vai voltar pra casa até você se recuperar mas isso não quer dizer que...- eu ia dar um longa explicação, mas ele me cortou.

- Tudo bem, já entendi mamãe...- ele disse e eu pude ve-lo piscando para Carter.

Carter sorriu e afagou os cabelos dele.

Ele foi manhoso se esfregando em mim.

- Quero ir pra casa...

- Meu bebê... Não pode...

- Quero tomar sorvete...

Eu comecei a rir negativamente.

- Você não tem jeito mesmo, viu? - ele me sorriu e mais uma olhou para Carter.

- Eiiii- eu resolvi quebrar o gelo e brincar um pouco- vocês estão conspirando contra mim? Eu não deixo você fazer as coisas e o papai deixa, é? Que coisa feia!- eu vi que ele estava sorrindo e isso me tranqüilizou.

- Não... Ele também não deixa... - ele disse sorrindo, mas logo começou a tossir.

Eu olhei chocada para Carter que aumentou o oxigênio da máquina e disse:

- Devagar campeão... Devagar... Respire devagar... - ele começou a respirar como antes.

- Carter você aumentou ooaxigênio e isso não é bom. - eu estava em choque.

- Calma...- ele falava isso toda hora e já estava me irritando.

- Calma nada! - eu comecei a gritar e David já me olhava assustado- eu quero que ele fique bem! Não quero que ele sinta dor!- eu dizia desesperada e vi David se agitar cada vez mais. Ele começou a gemer em dor em um alarme disparou. Me olhos se arregalaram em espanto ao ver Carter chamar Susan correndo.

Eu vi ele perder os sentidos aos poucos e Carter juntamente com Susan o atendeu. Eu não conseguia fazer nada a não ser segurar a mãozinha dele. Ele se estabilizou e eu acordei dos meus devaneios com Carter me chamando...

- Abby...

- Como ele está? - eu estava desesperada. Susan nos deixou sozinhos e eu comecei a chorar e ele me abraçou. Eu precisava tanto dele

- Ele ficou nervoso e piorou...- ele disse sem olhar nos meus olhos.

- Acho que temos que tentar ficar bem na frente dele...Ele fica tão agitado- Carter concordou com a cabeça. Susan vinha entrando de novo e venho falar comigo.

- É isso mesmo, Abby...- ela olhou para John e depois pra mim- vocês precisam se controlar! A separação de vocês está fazendo muito mal a ele...- ela o encarou- que vocês não se entendam, ainda vá lá, mas cuidado com a repercussão disso na criança!

Eu olhei pra baixo pensando. Realmente isso podia ter interferido muito na doença dele. Me senti ainda mais culpada.

- Susan tem razão Carter...

Ele concordou com a cabeça. Eu vi David me chamar.

- Mãããe...

- Oi bebê... Tô aqui...

- Mamãe e papai brigaram... - ele começou a chorar. Ai meu Deus, eu estava me sentindo péssima.

- Não bebe...- eu tentei acalma-lo. Susan e Carter em observavam de longe enquanto conversavam. Me olhavam muito o que pode me fazer concluir que o assunto era eu.

Falava com David mas minha atenção estava nos dois ali atrás. Vi que estavam muito compenetrados na conversa e minha curiosidade era enorme.

- Brigaram sim...

- Bebê fica calminho... Nós estávamos nervosos meu bebê... Mas papai e mamãe estão bem...

- Jura - ele perguntou com olhos brilhando

- Claro meu bebê... Agora fica calminho...

Ele agarrou no meu braço e fechou os olhos. Acho que queria domir. Fiquei zelando o descanso dele ate perceber seu sono profundo.

Cheguei na rodinha de conversa e o assunto parou de repente.

- Por que tudo parou?

- Tudo o que ?

- A conversa... Não sou lerda... O que conversavam.

- Desencana, Abby...-Susan disse, fugindo. Saiu pela porta com o sorrisinho usual de sempre.

Eu fuzilei Carter com os olhos esperando uma resposta.

- E então, me diga. O que tanto falavam de mim - eu cruzei os braços encarando-o.

- Você não é o centro do universo, não estávamos falando de você...- ele resmungou, indo pra perto de David.

- Carter - eu o fuzilei mais uma vez

- O que é Abby ?

- Vocês falavam de mim sim Me diga o que era por favor Não temos mais idade pra essas coisas.

- Concordo...você tá ficando velha mesmo...- ele sorri e eu não pude deixar de faze-lo. Quando eu menos esperava, ele se aproximou mais de mim e veio me dar um beijo. Quando eu estava quase cedendo, algo começou a tocar.

- Droga...meu celular...- ele resmungou, enquanto ia até la fora atender. Vi David se mexer um pouco e acordar com o barulho.

Ele foi lá fora atender e eu pedi para que David voltasse a dormir. Minha curiosidade, porém, queria saber quem era no telefone. Queria saber se aquela piranha ainda procurava por ele, se ele tinha outra. Ele voltou momentos depois e inconscientemente ou talvez consciente demais perguntei:

- Quem era?

Eu percebi ele sorrindo quando eu sai. Depois de comer alguma coisa eu voltei e o encontrei dormindo em uma cadeira.

- Carter... Carter acorda... - eu disse baixinho vendo que ele não acordou. - Carter - eu falei mais alto ai sim ele acordou.

- Hm...

- Você vai reclamar de dor nas costas depois... Levanta...

- To bem aqui- o teimoso retrucou.

- Vai comer alguma coisa...você não comeu nada...Olha- eu estendi 10 dólares a ele, sabia que ele nem carteira tinha pego.

- Obrigada, mas eu não quero.

- Puta merda! Como você é teimoso, meu! Toma logo isso aqui- eu enfiei o dinheiro na mão dele- e vai comer alguma coisa agora!

- Falando desse jeitinho eu vou... - ele disse se levantando.

- Palhaço...

- Não fala assim que eu me apaixono mais ainda Abby...

Eu o fuzilei com os olhos e ele saiu da sala voltando logo depois com Donauts.

- Quer ? Trouxe seus preferidos... Chocolate com avelã.

Minha boca salivou o doce, mas eu não queria dar o braço a torcer.

- Não, obrigada.

- Ok- para a minha surpresa ele não insistiu começou a devorar o doce e as minhas lombrigas começaram a saltar.

Ele comia com tanto gosto, exibindo para mim que eu não me controlei.

- Ah, Carter! Da logo um pedaço aqui, vai...- eu puxei a mão dele e mordi um pedaço generoso.

- Da próxima vez pede logo um donaut inteiro .

Eu sorri ao comentário. Ele tinha um caixa de donaut na mão e ainda era egoísta. Eu peguei mais uma vez a mão dele e mordi de novo o doce.

- Quer um inteiro

- Não, quero o seu.

- Cuidado com o que você deseja.

- Eu não desejo nada demais...- eu sorri. Sabia que ele estava me provocando.

- Não acho isso...não foi o que eu soube...-ele olhou pra cima disfarçando.

- Ah! Sabia que era disso que vocês estavam falando...você e Susan...- eu achei que tivesse descoberto a América.

Ele começou a rir de mim.

- Não, não era mas você se entregou...o que andou falando pra Susan, hein?- agora eu estava numa enrascada.

- Não digo...

Ele pegou mais um doce e começou a comer. Ele estava incrivelmente calmo.

- Quer dizer que você tem tido desejos...

- Não foi isso que eu disse a ela...

- Ah não E o que foi Está com vergonha de mim Abby.

- Eu não - eu o encarei - e não adianta me colocar nessa situação...Não adianta disfarçar, sei que estava falando de mim...- eu disse, pegando mais um pedaço do doce. Ele se aproximou um pouco de mim, ficando com a boca na altura do meu ouvido.

- Sim...é verdade...- ele sussurrou na minha orelha um pouco suficiente para que eu me arrepiasse toda.

- E o que vocês estavam falando sobre mim ?

- Se você pudesse saber falaríamos na sua frente... - ele disse no mesmo tom de antes. Pára com isso...

- Você e ela são dois traíras...

- Nossa você me ofende desse jeito... Eu poderia até contar, mas sei que você vai ficar com raiva, então prefiro ficar calado...

- Não vou, me conta - eu já estava quase morta de curiosidade.

- Eu não...não quero apanhar - ele riu, pegando o fim do meu doce.

- Juro que não bato - eu cruzei os dedos nos lábios como uma menininha, prometendo.

- Eu disse a ela que...- ele olhou pra David...- não esquece...

- Nem pensar! Começou termina!

- Não tenho nada para terminar...

- John Carter!

- Eu!

- Pára de idiotice e diz logo o que é!

- Mas como você é curiosa...

- Sou, sou sim, e daí? - eu assumi já ficando impaciente.

- Eu disse que você esta muito bonita hoje...- ele olhou para o lado contrario ao meu- pronto, satisfeita?

- Sim...- eu disse sorrindo pra mim mesma - e foi só isso?

- Ai ela me falou algumas coisas...

- Que coisas?

- Ah isso pergunte a ela...

- Carter! - eu olhei furiosa pra ele. Ele me repreendeu pelo grito, já que David estava dormindo.

- Você tá muito estressadinha...- ele brincou. Ali naquele momento eu esqueci de tudo que ele tinha feito pra mim. Não lembrava d traição, do que ele disse ou fez. Só lembrava que eu o ama tanto...

- É que eu odeio que falem mal de mim pelas costas!

- E quem foi que disse a você que eu falei mal de você? Primeiro, eu seria incapaz disso e segundo se fosse capaz não falaria para a sua melhor amiga né?!

Eu não pude deixar de sorrir. Coloquei a mão na caixa ainda querendo comer mais alguma coisa e notei que estava vazia.

- Poxa, acabou com tudo - eu perguntei, incrédula.

- Eu?- ele se protegeu- você que comeu mais da metade...

- Eu não comi mais da metade nao .

- Não... Você comeu só 60!

- Quer que eu devolva? - eu disse sorrindo

- Não obrigado...

Ficamos em silencio mais um pouco. Percebia o cansaço dele. Não que eu também não estivesse morta, mas eu tinha medo de que as costas dele começassem a dor novamente.

- Vai pra casa...- eu disse, sabendo que teria de convence-lo a fazer isso.

- Não... Eu to bem...

- Bem mal... Vai pra casa e descansa um pouco e depois você volta... Você está precisando dormir um pouco e depois se você se sobrecarregar tenho medo que suas costas comecem a doer de novo... A sua última crise foi horrível... - eu lembrei da não muito antiga crise dele. - Qualquer coisa eu ligo... Sério... Vá pra casa...

Ele me olhou como nos velhos tempos. Aquele olhar bobo e apaixonado que a gente tinha há alguns anos atrás. Eu o enxerguei como o meu Carter de quando David nem existia ainda. Me lembrei daquele olhar quando eu disse que estava grávida. Tudo aquilo foi passando na minha cabeça enquanto ele se levantava. Eu tive uma enorme vontade de dizer pra ele ir pra casa, pra nossa casa. Mas achei melhor deixar assim. Não queria precipitar as coisas.

Quando ele voltou já era noite e eu já tinha ido pra casa tomar banho e trocar de roupa enquanto Sue ficava com ele. Ele entrou na sala e foi logo dizendo.

- Desculpa... Eu acabei caindo no sono pesado e o despertador do celular não me acordou...

- Tudo bem John... Você estava cansado...

- Você quer ir pra casa? Eu passo a noite com ele...

- Não, não- eu respondi prontamente- vou passar a noite aqui.

- Tem certeza? Você ficou o dia todo aqui...eu posso muito bem passar a noite. O certo seriamos dividir isso...- ele me encarou e eu percebi com felicidade que aquele seu olhar pra mim não tinha ido embora.

- Certo... Eu vou pra casa... Mas me liga se alguma coisa acontecer...

- Claro... Eu ligo sim... Descanse...

O olhar que ele tinha continuava e eu me senti feliz com aquilo. Meu coração apertou quando eu virei as costas já fora da sala e vi que ele fazia pequenos carinhos nos cabelos de David. Quando voltei pela manha David estava acordado, mas pediu silêncio. Olhei pro lado e Carter dormia sentado.

Caminhei até ele. Eu trazia um lanche que fiz em casa para ele comer. Até eu estava enjoada daquele comida que era vendida no hospital...Imagine ele.

Coloquei o sanduíche perto dele e fui dar um beijo em David.

- Bom dia, meu amor...- eu o beijei na testa. Olhei pra Carter que continuava dormindo.

- Bom dia mãe...

- Dormiu direitinho?

- Sim... Mas ainda ta doendo a cabeça e o peito.

- Vai passar logo, logo meu bebê.

- O papai ta dormindo ha um tempão...

- Eu vou acordá-lo.

- Não, mãe - ele me impediu no meio do caminho- deixa ele dormir...

- Por que? - eu perguntei curiosa.

- Ele teve sono agitado, sabe Ficou falando seu nome...se mexendo...sei lá...parece te rum piripaque...- ele riu e eu sorri também.

- Então vamos deixar ele dormir... Eu vou pegar o seu café.

- Quero Waffer! -eu sorri.

- Não pode meu amor... Vai comer algo saudável.

- Ah, manhê- ela começou com a manha usual- vai...só hoje, vai...

- Não ,David- eu tinha de ser um pouco firme com ele- eu vou pegar um danone pra você. Quer de morango ou fambroesa?

Ele fez aquela carinha de decepcionado, mas respondeu, ainda emburrado.

- Morango...

- Então vou pegar... e pode melhorar essa carinha, ok?

- É que eu quero Waffer...

- Não David. Já disse que não - eu falei um pouco mais alto e Carter acordou.

- Acordou o papai... - ele disse bravo.

- Oi...desculpa, John- eu disse, me voltando para Carter.

- Sem problemas...- ele respondeu se levantando e coçando os olhos como David fazia todas as manhãs.

Ele foi até David e pegou não mãozinha dele enquanto eu me sentia meio desconfortável ali. Eu estava sobrando???

- Como meu campeão está hoje?

- Melhor... Quero Waffer, mas a mamãe não quer me dar?

- E nem vai dar... Pode ficar ai quietinho e mudar essa cara.

- Chatos!

- Ei- eu vi Carter olhar duro para ele- olha lá como fala com a gente...- David olhou pra baixo ainda embirrado. Eu tinha dó, afinal ele estava doente. Mas ele sempre se aproveitava de quando ficava doente pra abusar.

Eu sai para pegar o danone para John e quando voltei vi que Dav estava chorando. Eu peguei a mãozinha dele e perguntei:

- O que foi bebê?

- Quero ir pra casa... Mas o papai disse que não posso...

- Ainda não, mas logo, logo nós vamos...- eu tentei acalma-lo passando a mão pelo rostinho dele.

- E o papai vai voltar com a gente? - o rostinho dele se iluminou.

- Sim, sim- eu tinha que explicar tudo a ele- mas você sabe, né? - eu fiz com que ele entendesse do sobre o que eu estava falando.

- Seeeeei, mãe- ele respondeu, como se eu fosse "idiota"

- Certo...

- Eu não vou querer melhorar então...

- O que David? - eu perguntei assustada

- Eu não vou querer melhorar para o papai ficar la em casa pra sempre.

Não diga isso nem de brincadeira - eu o repreendi- se não eu acabo come essa festa já, já, hein ?

- Não- ele disse rindo- to brincando- o humor dele parecia melhor e eu agradecia por isso.