Dias Depois...
Depois de David estar completamente fora de perigo e ter colocado o imobilizador nas costas, que o deixou mais manhoso ainda, eu, Carter e ele voltamos para casa.
Já era de noite quando entramos pela porta da frente. David pedia colo, mas devido ao aparelho, colo era a última coisa que eu podia dar a ele. Ele estava muito manhoso, como nunca tinha visto meu filho.
Fui subindo as escadas com ele e Carter fechou a casa. Estávamos terrivelmente cansados e tudo o que queríamos era uma cama. Entrei no quarto de David e o ajudei a se trocar. Ajudei-o a tirar o imobilizador. Era o primeiro dia que ele usava e eu já podia prever a guerra que seria para recoloca-lo na manha seguinte.
Coloquei-o na cama e dei um beijo de boa noite. Quando eu estava saindo do quarto, Carter entrou e fez o mesmo.
Ele me encontrou do lado de fora do quarto.
- Eu vou pro sofá da sala, qualquer coisa me chama lá.
- Você tá ficando louco?
- Eu não... Por que?
- Pelo simples fato de que amanhã o senhor nem andar mais vai por causa das costas.
- Não exagera... Não tenho crise ha meses...
- A última eu me lembro muito bem... Deixe de besteira...
- É que eu quero evitar umas coisas Abby... Toda vez que a gente fica assim próximos a gente tem recaída e você me odeia cada vez mais... Não quero te magoar mais então vou evitar isso...
- Fica tranquilo- eu entrei no nosso quarto e ele me segui- nada vai acontecer, eu garanto. Nós estamos conscientes agora, é o melhor pra nós três...- eu sorri amigavelmente a ele, ajeitando o travesseiro e o edredom na cama- você pode dormir ai, eu vou lá com o David.
- Até parece...- ele sorriu pequeno- ou dormimos os dois confortáveis, ou eu vou pro sofá...- ele me encarou seriamente. Eu não dormir no mesmo quarto que ele. Apensar de saber que era errado, eu não podia controlar o que sentia. Eu amava Carter e isso nunca mudaria.
- Mas...
- Não vou te atacar juro... - ele disse sorrindo, mas o problema era eu atacá-lo.
- Eu sei que não...
- Você não sabe, mas confie em mim. - ele sorriu mais ainda.
- Tá bom, mas se comporte...
- A senhora também...
Eu me senti meio envergonhada com o comentário dele. Ele sabia que eu era quem estava louquinha e o perigo era eu também. Fiquei com o pensamento fixo em NÃO FAZER nada. Peguei minha camisola e uma troca de roupa de baixo e fui tomar um banho enquanto ele também se colocava a vontade. Sai do banho vendo-a sentado na cama. Percebi que ele estava tão desconfortável com a situação como eu, mas nós tínhamos um propósito. Ajudar nosso filho, e isso era mais importante do que qualquer coisa.
- Posso tomar um banho também?- ele perguntou, assim eu saí já vestida do banheiro.
- Claro- eu quis deixa-lo o mais a vontade possível- você quer comer alguma coisa?- eu quis também ser agradável, afinal ele era uma "visita" ali.
- Não, obrigada- ele disse seriamente e entrou no banheiro.
Ele saiu do banheiro momentos depois vestindo uma bermuda e camiseta. Nada demais se não fosse pelo fato de que eu estava quase pra atacar ele ali.
- Tudo bem? - ele perguntou preocupado.
- Sim, só estou cansada e sem fome...
- Mas vai comer... Pelo menos uma fruta... Vou buscar pra você...
- Não precisa... Vou dormir e amanhã como.
- Não senhora, vai comer e já! - ele saiu so quarto e voltou momentos depois com uma bandeja cheia de coisa.
- Pronto... Coma tudo.
Eu olhei pra ele em suspeita. Era impressão minha ou ele tentava me agradar a todo custo? Era tão boa essa sensação de que alguém se preocupava com você. Sem interesse financeiro, sexual ou coisa que o valha.
Olhei a bandeja repleta de frutas e algo escondido: chocolate!!!! Sorri iluminadamente e fui logo pegar a barrinha.
-Nada disso! - ele disse, dando um tapinha na minha mão- só depois de comer alguma coisa saudável. Que coisa feia, fica falando coisas e coisas pro David sobre alimentação e da mal exemplo???- ele disse rindo, tirando algum uvas pra eu comer.
- Mas ele não esta vendo...- eu choraminguei, tentando pegar o chocolate mais uma vez.
- Mas EU estou- ele pegou uma uva, estendendo pra que eu mordesse. Eu comi a uva e fui pegando a barrinha, mas ele tirou ela dali.
- Não!
- Ah já comi coisas saudáveis!
Vai comer várias depois eu dou o chocolate.
- Ah...
- Então eu como o chocolate...
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!!!
- Nossa que desespero por um chocolate...
- Eu amo chocolate!
- Eu sei... eu te conheço muito bem...
Eu sorri meio tímida. Isso era verdade, bem verdade. Ninguém me conhecia como ele, talvez nem eu mesma. Eu comi mais um pedaço de maçã e um gomo de laranja para que ele ficasse satisfeito.
- Pronto...- eu disse, mastigando o ultimo pedaço.
- Agora, sim...- ele quebrou a barra ao meio- toma- e me entregou metade.
- Só meia?- eu perguntei indignada- eu quero toda!- eu tentei arrancar das mãos dele, em vão.
- Lógico- ele pos o chocolate na boca- a resto é meu- ele mastigou a barra, com um sorriso lindo.
- Cachorro!
- Eu estou evitando que você coma metade das calorias de um chocolate e você me chama de cachorro?
- A força do hábito...
- Hum... Então não é primeira vez?
- Claro que não... - eu sorri - Mas se serve de consolo você não é o único.
Eu desviei um pouco olhar. O clima estava pegando e ele percebeu.
- Vou levar a bandeja já em baixo- ele pegou e foi descendo as escadas. Eu queria me dar um soco pra ver se dormia antes que ele voltasse. Seria um perigo ele me pegar ainda acordada. Deitei de lado, de costas para a porta, e fiz de tudo para ter sono. Nada. Em menos de 5 minutos ele estava de volta, e eu de olhos abertos. Ouvi ele entrar no quarto e seguir até o banheiro.
Hoje era o dia em que eu não conseguiria dormir ou pelo menos demoraria para que isso acontecesse. Ele saiu do banheiro e tirou a camiseta que ele vestia. Ele queria me matar ou algo parecido? Senti ele deitar ao meu lado e o perfume dele invadiu os meus poros. Ah Carter, eu te odeio por isso... Odeio.
Vi que ele se deitou de costas pra mim, fazendo apenas com que nossas costas ficassem próximas. Senti minha respiração pegar mas ele parecia bem calmo e tranqüilo. Olhei de leve pra trás, e vi que ele não dava nenhum sinal de que estava incomodado com a minha presença ali. Estávamos um de costas para o outro e isso não parecia que ia mudar...Pelo menos no que dependesse dele.
E eu realmente queria que dependesse apenas dele e não de mim. Eu estava louca por ele. Eu sentia tanta falta dele e não podia negar isso. Ele se virou e ficou de encontro com as minhas costas. Ai eu tinha que evitar e não virar para que eu ficasse de frente a frente com ele. Isso seria o fim de todo o pouco controle que eu tinha.
Senti a respiração dele invadir minha nuca. Eu me arrepiava a cada respiração dele. Olhei pro teto, impaciente. Eu não ia conseguir dormir mesmo. Me arrastei da cama devagar. Talvez ela já estivesse dormindo e eu não queria acorda-lo. Deslizei cuidadosamente até sair da cama. Eu sentia um calor insuportável. Fui até o banheiro e molhei a minha nunca, me encarando no espelho. Eu estava péssima. Fui ao quarto novamente e o encarei de bruços na cama. Apenas com aquele shorts, com aquela bunda maravilhosa olhando pra mim. Parei de pensar naquilo antes que eu pulasse em cima dele. Fui indo até a porta do quarto e quando estava quase no corredor escutei ele me chamar.
- Onde você pensa que vai?- eu gelei na hora. Não sabia se voltava e falava com ele ou fingia que não tinha escutado.
Eu resolvi voltar e falar com ele.
- Estava indo beber água...
- Está tudo bem?
- Está sim... Por que?
- Você parece estranha...
- Não... Só estou sem sono e preocupada com David...
- Não se preocupe com ele... Ele está bem... Eu já fui vê-lo. Volte pra cama...
Eu gelei de novo. Não queria, alias, não podia voltar pra lá.
- Eu...- eu me pensei em algo rapido- vou comer alguma coisa...- será que resolveria?
- Ué...- ele levantou a cabeça- você não tava com sede?- ops. Resposta errada.
- É...os dois...- eu tentei consertar.
Eu viro para trás e vejo ele atrás de mim. Seria conspiração contra mim. Ou seria a favor. Eu respiro fundo e os olhos dele encontram os meus. Eu quase tenho um treco nessa hora.
- Está tudo bem ? - ele fala fazendo um carinho na minha bochecha.
- Está... Está...
- Eu sei que não... Fale pra mim
- Carter...eu...- eu precisava falar, antes que as coisas saíssem do meu controle- eu acho que vou dormir com o David, ok ?- eu digo, já saindo do quarto.
- Ei, volta aqui- ele pegou no meu braço-por que isso agora? - ele disse no meio do escuro.
- Eu não to me sentindo bem aqui, Carter...- eu dei uma desculpa menos pior.
- Ei peraí... - ele disse me segurando.- Se o problema aqui sou eu, sou eu que tenho que sair.
- Não John...
- Não se preocupe quanto a isso... Vou dormir com David...
Ele pegou o travesseiro e ia saindo.
- Não Já disse que quem sai sou eu - eu segurei as mãos dele, impedindo-o de sair.
- Nada disso- ele insistiu em passar-e u vou sair- ele me empurrou mais forte e eu resisti. No encontro nossos rostos ficaram bem próximos.
Ele olhou nos meus olhos, mas logo depois desviou o olhar. Quando ele ia passar pelo meu lado eu não deixei e pela primeira vez desde que nos separamos, ou melhor, desde que ele foi pra África, eu peguei o rosto dele entre as mãos e o beijei de uma forma profunda e apaixonante.
Ele pareceu surpreso com a minha atitude. Eu estava tão sensível a tudo aquilo que conforme eu fui aprofundando o beijo, comecei a chorar baixinho. Ele notou mas não interrompeu o beijo. Tomou o controle da situação, me abraçando forte. Ele me entendia. Entendia que eu o amava, mas tinha muita magoa. Mas acima de tudo, ele sabia que eu não conseguia viver sem ele.
Ele separou nosso beijo e me abraçou fortemente. Nós nos beijamos mais uma vez.
- Fica... - eu disse para ele. - Eu...
- Shhiii... Fala nada não...
- Eu preciso de você aqui...
Eu o abracei agora. Queria tanto que nós voltássemos como antes. Felizes como antes.
Ele me puxou pra mais um beijo quando eu ouvi um barulho.
- David - eu gritei e sai correndo par ao quarto do nosso filho.
Eu corri para o quarto dele sendo seguida por Carter. Quando cheguei la ele estava sentado na cama.
- Hei meu príncipe... O que aconteceu Que barulho foi esse?
- Nada...
- Hum... Ta doendo em algum lugar?
- Não...-ele respondeu com a mesma expressão, olhando para o chão.
- Então que houve ?- eu esta sendo chata?
- Nada, mãe - ele falou um pouco alto.
- Então por que você está desse jeitinho ?
- Nada - ele gritou.
- David... - Carter falou rígido - Não fale desse jeito com sua mãe.
Ele voltou a olhar pro chão emburrado. Ele estava mal. E eu também, por vê assim. Isso não estava no programa. David ficar doente era ao pior que podia me acontecer. Faria eu precisar mais de John, tudo o que eu não queria agora.
- Volte a dormir, vai...- eu toquei nele pra coloca-lo de novo na cama.
- Não- ele gritou mais uma vez. Eu já estava ficando preocupada.
- Que foi, filho?- eu perguntei, dessa vez mais calma.
- Já disse que não é nada- ele continuava naquele tom agressivo. A qualquer momento eu ia perder a paciência. Ele nunca fora tão manhoso.
- Se você não contar pra mamãe, eu não vou poder ajudar...- eu usava toda a minha experiência. Mais como enfermeira do que a de mãe. Eram anos de enfermagem contra apenas alguns no papel de mãe. Carter olhava de cima enquanto eu estava ajoelhada flaando com ele.
- Não quero ajuda...
- Ah bebê mas pedir ajuda é bom, porque assim você aprende com as outras pessoas coisas muito importantes para a sua vida inteirinha...
- Não sei...
- Se não quiser falar tudo bem... Mamãe vai embora.
Eu ia me levantar, mas ele me segurou
- Fica aqui...- ele se pendurou no meu braço- fica aqui comigo- Eu voltei imediatamente, abraçando-o. Carter olha mais aliviado e vai saindo de manso quando David o chama- pai...- Carter volta e olha pra ele- fica aqui também...
Carter volta e senta na cama, do outro lado de David.
- Posso dormir com vocês?- ele olha pra mim, que olho pra Carter que olha pra mim de novo.
- Claro David... - Carter fala docemente e ele se abraça ao pai.
- Volta...
- Que ? - ele perguntou.
- Volta pra casa pai... Pra sempre... Por Favor.
Eu fiquei calada e nem olhava mais pra cima. Como estava, permaneci. Olhando par ao chão, ajoelhada. Deixaria um pouquinho da missão difícil para Carter agora.
- Filho, nós já conversamos sobre isso...- até parece que ele não conhecia o filho que tinha. Até parece que ele não sabia que ele era a minha cópia escrita. Quando encasquetava com uma coisa, ia até o fim.
- Por favor, pai... Eu sinto a sua falta, a mamãe também sente... A gente pode voltar a ser feliz de novo! Por favor!!!!
- Filho, vamos deixar as coisas como estão por um tempinho ta?
- Mas volta... Por favor...
- Veremos... Agora vamos dormir com o papai e a mamãe?
- Sim! - ele parecia animadinho.
Carter pegou-o no colo e eu peguei o travesseiro dele. Fui indo atrás deles até o nosso quarto.
David esfregava os olhos insistentemente. Ele estava caindo de sono, só não queria admitir. Carter o colocou no meio da cama e olhou pra mim. Ótimo, o que faríamos agora?
Ele se deitou ao lado de David e eu deitei do outro. Pelo menos agora eu conseguiria dormir, porque eu já estava a certa distancia dele. Eu não demorei muito a cair no sono e acho que nem ele. No dia seguinte quando eu acordei. Vi que ele dormia calmamente. Me espantei ao ver David em pé do lado da cama, mas não briguei com ele.
- Que houve, tá passando bem?- eu disse já preocupada com a volta da expressão chateada e aborrecida dele.
- Sim...- ele se limitou a dizer, indo até seu quarto. Olhei mais uma vez para Carter, que ainda dormia. Resolvi deixa-lo lá e seguir Dave.
- E que carinha é essa?
- Nada...
- Bebê, o que nós conversamos ontem a noite ?
- Que mamãe e o papai vão sempre me ajudar.
- Justamente... E por que você não fala o que está te chateando ?
- Vocês estão me chateado...- ele disse, e virou de costas para mim.
- David, olha pra mim- aquilo já estava me magoando. Eu ia perder a paciência com ele. Mas por outro lado, tinha que compreender. Ele estava mexido com a separação. Muito mexido, talvez mais do que eu mesma. Ou Carter.
- O que? - ele disse já sem paciência.
- Olha meu bebê... Em que estamos te chateando ?
- Eu queria que vocês voltassem Todo mundo tem pais juntos! Menos eu!
- David, as coisas não são assim. As coisas nem sempre acontecem como nos planejamos, querido- eu passava as mãos pelo rostinho dele- quando eu e seu pai casamos, achamos que era pra sempre. Assim como quando você veio, achamos que seríamos sempre os três felizes, juntos- eu tinha de me controlar para não chorar- só que agora vamos ter que viver separados, mas ainda sim felizes, certo?- eu tentei ao máximo para que ele me compreendesse.
- São sim, mãe- ele começou a chorar cada vez mais forte. Eu já estava desesperada. Tanto pelo sofrimento dele, como pelas conseqüências que esse nervosismo poderia trazer pra respiração dele.
- Olha...eu sei o que você tá sentindo- eu lembrei de toda a minha infância. Cheguei até a lembrar do meu pai, nos seus poucos momentos de sanidade dele.
- Não sabe, mãe- ele começou a soluçar de tanto chorar- eu amo vocês, juntos. Não quero ver vocês separados, nunca!- ele gritava e chorava manhoso. A respiração cada vez pior. Eu comecei a ficar desesperada. Ele tinha de parar.
- Hei pare David... Sua respiração vai piorar meu bebê... - eu disse secando as lágrimas dele.
- Eu só queria ter uma família como antes...
- Oh não chore meu bebê... Você vai ter... Um dia ou eu ou seu pai vamos formar uma família nova.
- Eu não quero uma nova! Quero essa!
Ele começou a tossir e agarrar a mãos na minha. Fechava os olhos pesadamente e sua expressão era de plena dor. Eu comecei a tremer de nervosismo. Não sabia se corria chamar o Carter ou ficava ali com ele.
- Dave, respira...- eu peguei nas mãos dele e tentei acalma-lo.
- Ta doendo...
- Fica calminho e respira... Devagar... Mamãe vai pegar o nebulizador...
Eu fui pegar o aparelho e quando voltei ele tentava respirar com dificuldade. Eu ajeitei o aparelho nele e ele voltou a respirar melhor.
- Bebê fica calminho... Deita na cama... Deita... - eu ajudei ele a deitar e Carter chegou naquele momento.
- O que aconteceu?
Eu nem escutei direito a pergunta dele. Continuei a olhar para David, ajoelhada ao lado da cama.
- Que houve?- ele disse mais alto e eu me irritei.
- O que acha? Tá vendo alguém aqui tomando sorvete?Ele tá tento outra crise, oras!- eu disse, alternando meu olhar entre David e ele.
Ele ignorou meu comentário e se dirigiu a David.
- Ficou nervoso de novo campeão ? Você sabe que não pode se chatear... Respire devagar ok ? - ele acenou e eu olhei pra Carter que acariciava os cabelos de David.
- Desculpe por ter sido grossa quando você entrou... Eu estou desesperada.
- Eu sei... Tudo bem... Não tem problema...
Ele me sorriu e foi até David de novo.
- Consegue levantar?- ele continuava a passar a mãos pelo cabelinhos dele molhados pelo suor da difícil respiração- David acenou positivamente- temos que por o colete, ok?- ele disse e rapidamente voltou a deitar.
- Não, não e não!- ele cruzou os braços emburrado mais uma vez. Ia começar tudo de novo!
- É ruim eu sei, mas se você não colocar vai ser ruim pra respirar David.
- Não quero...
- Hei campeão... Eu prometo que se você fizer o tratamento direitinho você fica menos tempo com o colete, mas agora coloque.
Ele finalmente deixou Carter colocar o colete.
- Eu vou ficar com ele aqui...- eu disse, virando para ele- você avisa a Kerry?- ele acenou e foi indo pra porta
- Vou tomar um banho, qualquer coisa você me chama, ok?- eu acenei. Sério? Ele realmente achou que eu entraria no banheiro com ele tomando banho? Bem, talvez se meu filho estivesse entre a vida e a morte. E somente por isso.
David logo caiu no sono e eu fiquei ali do lado dele. Ele estava sofrendo tanto com a situação que eu já estava com o coração na mão. Me espantei quando Carter já estava de volta no quarto e completamente cheiroso.
- Ele dormiu?
- Sim... Acho que ele está cansado tadinho.
- Vai ser bom ele descansar, pelo menos não se altera de novo...- ele disse, dando um beijo no menino.
- Você já vai?- eu perguntei, quebrando um pouco o gelo.
- Sim, já estou saindo...- ele estava indo pra porta do quarto quando olhou pra mim de novo- volto pra cá a noite?- eu gelei. O que eu ia falar? Se ao menos David estivesse acordado e pedisse a ele, não ficaria tão evidente e minha vontade.
- Não sei...o que você acha melhor?- eu disse, sem encará-lo.
- Eu não sei... Não quero te deixar numa situação ruim, mas não quero deixar meu filho sozinho.
Eu quase chorei com aquilo. Ele pensava em mim? Em como eu me sentia?
- Vem... Ele vai reclamar se você não vier - ou era eu que queria que ele viesse.
- Depois do meu plantão eu venho.
- Vem pro jantar ainda ou não?
- Se você quiser...- ele disse, andando mais ainda pra porta.
- Sim, eu faço um jantarzinho gostoso pra nós...quem sabe ele não se anime- eu disse, olhando pra David. Na verdade, que mal haveria agrada-lo um pouco???
- Sim sim... Eu venho então.
- Ok.
Eu estava tão feliz por ele vir ao jantar. Não sei, mas a proximidade que a gente teve na noite anterior me fez pensar um pouco melhor dele, mas eu ainda tinha raiva e mágoa de tudo e ele sabia disso.
Aproveitei que David permanecia dormindo e fui o jantar. Nada muito sofisticado, mas a altura. Algo rápido que logo estaria pronto. Acho que nunca fiz uma comida com tanto amor e carinho como naquela tarde.
David acordou no final da tarde. Eu dei um banho nele e coloquei-o na sala para ver tv. Ele olhou pra um lado, olhou pro outro e perguntou quase chorando:
- Cadê o papai, já foi?
- Foi trabalhar, mas volta a noite.
- Eba!
- Agora fique direitinho aqui na sala enquanto eu vou tomar um banho ta?
- Tá...
- Não abra a porta para estranhos e qualquer coisa grita.
Eu tomei o meu banho o mais rápido possivel. Não queria deixa-lo muito tempo sozinho. Ele estava tão manhoso que eu tinha até medo do que poderia acontecer. Sai do banho enrolada na toalha. Ele estava muito quietinho e como dizia minha mãe 'criança em silencio é sinal de encrenca". Eu fui até o corredor e dei uma espiada na sala. Ele permanecia sentadinho no sofá vendo TV. Meu filho era um santinho.
Eu me arrumei e voltei pra sala. David estava quietinho na sala. Eu me sentei ao lado dele e o puxei e o abracei docemente.
-Mãããe...
- Oi bebê...
- Posso comer sorvete depois da janta? Posso?
- David...- eu o censurei- já conversamos sobre isso...
- Ah, manhê...- ele começou com manha de novo.
- Fala com o seu pai a hora que ele chegar...- pronto. Ia dar um pouco mais de responsabilidade a ele também.
Ele correu pros braços de Carter que o pegou no colo. Eu sorri aos dois e David logo cochicho algo no ouvido dele. Carter sorriu a mim e começou a acenar negativamente.
- Você é safaaaado, moleque!- Carter disse, colocando-o no chão.
- O que ele disse?
- Nem te digo...
- Ah confabulando contra mim...
- Não é contra você!
- A não!?
- Não... É a favor, mas eu não vou contar... Apesar de concordar com ele, não vou falar nada...
- Vocês dois... Eu, hein?
- Paaaaaiiiiiiiii!
- Oi...
- Deixa eu comer sorvete?
- Tá louco menino?- Carter diz num tom gozado- que historia é essa?
- To com muuuuuita vontade, pai!- ele diz sorrindo, tentando convencer Carter. Minha expressão era clara. Minhas sobrancelhas levantadas mostrando a minha indoignação com o pedido dele.
- David, vem até aqui- Carter chamou e o foi até ele. Pegou-o no colo e apontou pra mim- tá vendo aquela mulher ali?
David começou a rir e finalmente respondeu.
- Lógico, pai...é a mamãe...- ele continuava rindo e Carter continuava a apontar pra mim.
- Agora olha pra ela...tá vendo a carinha dela?- David olhou pra mim e acenou positivamente.
- Sim...
- Então preste atenção no que eu vou te dizer e não esquece nunca mais, ok?- o menino permanecia sorrido, olhando pra mim e acenando- NUNCA contrarie sua mãe quando ela estiver com essas sobrancelhas levantadas, ok- Carter esperou a reposta.
- Falou, pai! Valeu pela dica!- ele piscou o olhinho e estalou as mãos com Carter.
- De nada... Mas preste bem atenção ok?
- Pode deixar... - ele se aproximou de Carter e disse no ouvido dele- É por isso que eu não posso tomar sorvete?
- É... - Carter sorriu - Mas também porque você ainda está dodói.
- Ah... Mas convence ela... ela diz que quando eu faço uma carinha igual a sua ela deixa.
Carter sorriu de novo.
- Hum... Mas hoje não tá Que do jeito que ela está nem eu consigo convencê-la.
- Poxa pai...
- Mas da próxima vez eu te ajudo...
- Tá...
- Vocês dois vão ficar de segredinhos a noite toda? - eu disse já irritada. Eu odiava que falassem de mim pelas costas.
- Não, mamãe...- David disse piscando para Carter.
- Então vamos jantar, vai...- eu disse, terminando de colocar a mesa. Carter foi até o lavabo e lavou as mãos de David e as próprias. Eu fiz isso na pia mesma e sentei na mesa antes deles chegarem.
- Coisa feia Abby, ia jantar sem a gente. - ele disse se sentando com David a mesa. Eu já não estava de bom humor e ele ainda fazia brincadeiras.
- Muito engraçado Carter.
- A mamãe ta brava.
- Normal... Se ela tivesse de bom humor eu estranharia.
- Carter!- eu olhei emburrada pra ele que sorria com David.
- Sem bagunça, gritaria ou manha, viu, David? Se não você ainda apanha hoje...- eles continuavam rindo de mim. E eu ficava cada vez mais p. d vida.
- É verdade pai...
Eu continuei calada.
- Ela está muito calada... Mal sinal...
- Você que vai apanhar hoje Carter e se bobear sai morto daqui!
- Viu?! To dizendo... Cuidado David...
- Pára!- eu gritei e ele continuou rindo. Eu estava ficando muito, muito, muito irritada.
- Tá de TPM?- ele me perguntou irônico, excluindo David da conversa, que nem sabia o que era isso.
- Estou, por que? Algum problema com isso? - eu já quase chorava de raiva.
- Calma Abby... Estamos brincando com você... Não precisa ficar nervosinha não.
- Nervosinha é a sua mãe Carter...
- Tenho que concordar.
- Páaaara!- eu gritei de raiva e vi David me olhar meio assustado- pronto! Viu o que você fez?- eu disse, gritando com Carter. Sai rápido da mesa, fui pro quarto e bati a porta.
- David vai pro quarto que eu vou falar com a sua mãe,vai...
- Tá pai.
Eu ouvi alguém bater na porta e abri-la logo depois.
- Hei Abby... Sou eu...
Eu continuei deitada na cama de costas para a porta e não movi um fio de cabelo com a presença dele ali.
Senti ele se aproximando, mas não vindo até a minha frente.
- Você tá bem?- eu continuei calada. Tava com muita raiva- Abby, você tá muito estranha...eu só tava brincando...
Ele se sentou na cama e as mãos dele passaram pelos meus cabelos.
- Me deixa...
- Não... Agora me preocupei... Para você ta assim, isso não é de hoje.
- Não se preocupe então...ok?- eu disse levantando o rosto só um pouco para gritar com ele.
- Ei, pára com isso!- ele me olhou diferente...- você tá tão manhosa quanto o David...
- Vai se ferrar, Carter! Some daqui!- eu disse, jogando um travesseiro nele- some!
- Abby...- eu comecei achorar e a gritar com ele...Deus! Eu odiava minha TPM, ficava irreconhecível.
- Eu já tava com saudades dessa sua TPM... - ele sorriu.
- Já mandei você se ferrar não já ?
- Já, mas sou chato e não saio daqui sem antes você falar.
- Por favor, vai...- eu disse, sempre enxugando as lágrimas. A carinha dele de preocupado comigo me matava.
- Com ou sem favor...vamos conversar, vai...- ele sentou na cama de novo, bem perto de mim- que tá havendo?
- O que tá havendo?- eu repeti, chorando um pouco mais- será que é tão difícil de perceber, porra! Meu marido me traiu, eu to sofrendo, meu filho ta doente, sofrendo, não consegue entender a minha separação...- eu desabei a chorar feito louca- e ainda tem você que fica me provocando e me irritando...
Ele me encarou de repente.
- Foi o maior erro que eu cometi em toda minha vida... Te ver sofrer é o que eu não quero então por favor não chore por mim e David ta melhorando bastante e prometo não te encher mais...
Eu fiquei calada e ele foi indo pra porta do quarto. Minh vontade era ir pra lah e abraçar ele forte, dizendo que eu o perdoava. Mas eu tinha orgulho proprio. Pensei que assim me humilharia mais ainda. Eu o deixaria ir...perderia o homem da minha vida.Mais uma vez.
Eu desmoronei chorando por isso também até velo voltar ate mim.
- Mas eu não vou fazer isso de novo. Errar uma vez é humano, errar duas é burrice. E eu não vou te deixar mais uma vez, ouviu bem?- ele ditava pra mim, a emoção explodindo nos olhos. Eu não me movia. Só chorava feito um bebe olhando falar.
Ele se sentou ao meu lado mais uma vez.
- O que eu preciso fazer pra que você acredite que eu te amo Que eu sou nada sem você - ele enxugou as minhas lágrimas - Eu não as mereço, portanto não as chore.
Eu fiquei calada olhando pro chão, sem dizer nada. Ele me entendeu, como sempre fazia. Tocou a minha mão de levinho e saio do quarto sem dizer mais nada. Eu voltei a deitar na cama. Eu já tinha me acalmado bem.
Passei não sei bem ao certo quando tempo lá dentro. Não escutava nada, nem mesmo os gritos de David que já estava tão acostumada.
Sai do quarto e fui até a sala vendo-a vazia. Fui até o quarto de David e vi Carter com ele no colo dormindo. Fui até os dois e vi um filme de ação passando.
- Não é bom que ele veja essas coisas.
- Eu sei, mas ele já tava dormido quando eu coloquei.
- Vou colocar ele na cama...essa posição pode prejudicar ele...- por que eu sempre insista em ir contra Carter?
- Ai, pelo amor de Deus! Como você tá chata!- ele gritou baixo. É, o efeito romântico tinha passado.
- Não é chatice, caramba! Não quero que o menino passe mal de novo, só isso, po!- eu disse num tom mais alto, vendo David acordar em seguida.
- Mãe
- Oi bebê...
- O que está acontecendo?
- Nada não querido... Nada...
Ele voltou a se aconchegar no colo de Carter.
- Vai dormir na cama, David- eu disse vendo Carter me olhar em reprovação.
- Deixa eu aqui, mãe...tá gostoso...
- Agora, David!- eu mandei vendo-o se emburrar de novo e ir pra cama. Cobri ele mesmo sentindo um pouco de calor e vi os olhos de Carter me condenando de novo. Ele saiu do quarto e logo eu também o fiz.
- Meu Deus...você tá insuportável!- ele disse arregalando os olhos enquanto ia até a cozinha.
- Puta que pariu! Você me bota dois chifres, mora na minha casa e ainda se acha no direito de me achar insuportável????- eu gritei indignada com a atitude dele.
- Abby! Sabe d que você tá precisando?- ele disse, com um tom raivoso.
- Do que?- eu perguntei, peitando ele.
- Você tá precisando de um homem para fuder com você... Isso é falta de sexo.
- Não diga - eu disse irritada - Você virou adivinho?
- Muito engraçado... - ele disse irônico.
- Você se acha o ultimo biscoito do pacote... Você mal sabe o que faço da minha vida... Você deve achar que a última que eu dei foi para você né? Triste sua ilusão...
Ele riu da minha cara.
- Você, Abby? Eu sei que não é por falta de oportunidade, eu sei que a minha mulher é gostosa e que todo mundo daquele hospital queria dar uma experimentada, mas você é minha...entendeu?- ele dizia, enquanto arrumava um papeis dentro da mala. Que arrogante!
Eu tinha que tocar num ponto delicado para fazê-lo acreditar.
- Pois você sabe aquele fim de semana que eu deixei o David com você?
- Sim... - ele disse já interessado.
- Você conhece o Jake?
- Sim...
- Pois então... Eu sai com ele e bem o resto você ja sabe.
- Ok. Abby- certo, ele nunca acreditaria nisso. Se eu nem sai com Jake, ele nunca acreditaria que eu tinha dormido com ele.
- Acredite se quiser...- eu disse, num tom neutro.
- Eu não quero e sei que não é verdade!- ele disse. Tá, ia ficar ridículo se eu insistisse naquilo.
- Tá, eu não sai com ele, mas tive vontade, tá?- eu disse, parecendo uma risadinha dele.
- Tá...e agora, vai parar com esse mau humor?- ele foi se aproximando.
- Não to de mau humor...
- Imagina...
- Não tô não.
Ele se aproximou de mim.
- Você está muito puta... Eu sei...
- Puta?- eu arqueei as sobrancelhas- desde quando você fala tanto palavrão... Puta, foder...
- É...- ele foi mais perto de mim e eu comecei recuar...- você quer que eu use as duas numa frase só? - ele perguntou, indo mais próximo de mim.
- Lógico...- ia deixar ele falar pra depois dar o troco.
- Minha Abby vai foder hoje ...que nem uma - eu fiquei abismada, ele ia falar- uma puta..- eu me recuperei do susto e meu o troco.
- Posso fazer uma também?- eu pergunto, recuando mais um pouco dele.
- Claro...- ele disse, tentando me roubar um beijo.
- O Carter tá parecendo uma puta e eu vou mandar ele se foder- eu disse com uma cara de satisfeita- e ai, gostou?
- Vou me foder não... Vou foder com você... - ele disse tentando me beijar.
- Não vai não...
- Vou sim. - ele disse me segurando com força e me jogando contra a parede.
- Pára!- eu tentei dar um tapa na cara dele, mas ele segurou meu braço com força- você tá me machucando...- eu disse, encarando-o fixamente.
- E vou machucar muito mais...- ele disse, meio exitado. Deus, dai-me forças pra resistir!
- Carter! Eu não quero!- eu disse, sentindo ele apertar meu pulsos com força.
- Quer sim que eu sei- eu disse, rindo e roçando minha boca na orelha
dela.
- Carter me solta!
- Não solto não... Você é minha... - ele me beijou fundo. Adorava quando ele me tratava assim.
- Não sou! - eu me fiz de difícil.
- Pára de resistir, Abby...que saco!- ele não parva de me apertar contra a parede e lamber minha nuca e beijar minha boca.
- Você é mesmo um filho da...- ele quebrou minha fla com um beijo mais fundo.Eu continuava imóvel e minha boca não estava diferente. ELE estava ME beijando.
Ele terminou de ME beijar e me olhou irritado.
- Você adora isso... Adora resistir durante um tempinho, mas depois se entrega pra mim... Vamos parar de bancar a difícil vai... Você está louquinha por isso... - ele disse beijando meu pescoço.
- Não é nada disso, Carter!- Deus, e como era!- você não me conhece mais...- eu disse, negando com a cabeça, fugindo dos beijos dele.
- Aí é que você se engana...- ele parou um pouquinho e me olhou- conheço como a palma da minha mão...Muito bem!- ele me encarou mais um pouco...- conheço aqui...- ele apontou a mão pra minha cabeça- aqui...- agora apontou pra minha boca- aqui, muito bem...- apontou pro meu coraçãoa- e melhor do que ninguém aqui- ele apontou pra...bom...pra um pouco abaixo da linha do meu umbigo. Ele riu e eu continuei séria, me controlando ao máximo.
- Não é disso que eu estou falando...
- Ah não?
- Não! Estou falando que você não conhece minhas necessidades!
- Conheço muito bem! Quando você começa a ficar de mau humor é que você precisa URGENTEMENTE fazer sexo.
Eu fechei os olhos pesadamente, tentando deixar entendido que não era aquilo. Que ele estava me irritando e tudo mais. Ms era difícil. Ele sabia exatamente do que eu precisava. E como...
- Você não sabe de nada...- eu finalmente consegui me soltar e fui por outro laod da cozinha.
- Sei sim... Tanto sei que você está fugindo de mim.
- Não to fugindo de ninguém...
- Sei...
- Olha quer parar!?
- Na verdade- ele coçou a cabeça com aquele olhar malandro- não. Você poderia facilitar meu trabalho e deixar eu tirar a sua roupa na boa?- ele fez um bico duvidoso- ou eu vou ter que partir pra algo mais...- ele pensou- agressivo?- Deus! Faça com que ele pare! Eu estava subindo pelas paredes e ele ainda me falava isso...
- Olha...tira se cavalinho da chuva...- eu fui indo pra sala- eu não vou fazer nadinha com você, entendeu?
- Das outras vezes você disse isso e fez alguma coisa, então isso significa que você vai fazer algo.
- Não vou fazer N-A-D-A!
Ele suspirou profundamente. Teria desistido?
- Cansei de ser bonzinho.
Ele veio pra cima de mim como eu nunca tinha visto. Eu estava no meio da sala, nosso filho dormindo há poucos metros dali.
- Pára Carter!- eu nunca tinha visto ele assim. Nada como uma boa falta de sexo não fosse capaz de fazer. Então os efeitos não eram só comigo.
Ele não parou. Então resolvi fazer ele parar.
- Acho que quem esta precisando de sexo e você e não eu.
- Estou precisando mesmo... Estou a muito tempo sem... - ele disse me beijando mais fundo, e o meu plano deu errado.
- Então vai lá pedir pra...- eu tentei lembrar o nome dela. Kem, claro! Como poderia esquecer?- Kem dar uma com você...por eu não vou!- eu cruzei os braços, mas ele me abraçou e me jogou no sofá.
- Fica quieta!-ele continuou a me beijar. Deus! Eu tinha que para-lo.
- Não... não vou me calar...
Ele já estava nervoso.
- Ah Abby quer saber? Cansei... Não vou te forçar mais não...
Ops! Longe demais? Talvez...quem sabe fosse melhor assim? Ah, mas...Nossa...
Desperdiçar aquele homem querendo fazer amor comigo soava como um crime. Mas eu me sentia culpada, não podia fazer aquilo. Sentei no sofá e ele voltou pra cozinha. Não estando na minha vista parecia mais fácil tirar aquilo do meu pensamento.
Ele saiu da cozinha e foi até a porta.
- Você já vai?
- Vou... Se David perguntar por mim diga que eu fui trabalhar... Não vou ficar com você com esse mal humor todo... Capaz de você me matar daqui a pouco.
- Não vou matar... Essa fase já passou...
Ele sorriu e pareceu recuar um pouco da porta. Joguinho safado! ele sabia exatamente o que fazer pra eu entrar na dele.
- Certeza? Em que fase estamos agora?- ele riu, já vindo na minha direção de novo.
Em pensei um pouco, vendo-o se aproximar mais e mais...
- Na fase que eu mando você se foder, alivio meu estress e já me preparo pra outra enchessão de saco...- eu digo sorrindo.
- Ah...e eu, posso te falar na qual estou?- ele pergunta, sentando no braço do sofá.
- Pode...
- Eu estou na fase de fazer de tudo pra que você fique comigo e seja feliz.
- Tem tido progresso?
- Não... Você está se tornando difícil demais pra mim... Esta ficando boa demais para uma pessoa como eu... Mereço alguém pior...
- Que bom que você reconhece...- eu disse sorrindo, ligando a Tv, vendo-o escorregar pro meu lado no sofá.
- Sim...sim...reconheço- ele olhava pra a Tv - será que eu não mereço uma recompensa por isso?- eu não sei por que, mas eu tive que fazer aquilo.Não me controlei. Fui tomada por uma vontade imensa e nada podia me parar. Virei o rosto e estalei meu lábios contra os dele, rapidamente. Ele me olhou surpreso.
- Adorei essa recompensa. Vou querer mais...
