Eu juro que não tinha a menor intenção de lamber o braço da Bella. Não premeditei tal atitude. Verdade. Normalmente, eu não era considerado uma pessoa impulsiva, porém,eu estava curioso demais para saber se a loção teria um sabor diferente na pele dela do que tivera na minha. Usando o raciocinio lógico, como sempre, imaginava que a loção era designada para reagir conforme a temperatura de cada corpo. Isso sem mencionar que cada pessoa agregava diferentes quantidades de transpiração. Ademais, a oprtunidade de saborear a pele de Bella era muito tentadora para que eu deixasse passar.
Irresistivel, na verdade. Portanto , eu lambi. E seria impossível negar que, na pele dela, a loção comestivel tinha um gosto infinitamente melhor do que na minha. Era de fato deliciosa. Como uma rica musse de chocolate, cremoso e fresquinha em uma colher quente.
-Hum, muito gostoso – comentei, passando a língua pelos lábios, com prazer da sensação na boca.- Você já experimentou? – deslizei a língua pelo pulso úmido feminino mais uma vez, para tirar o restinho de loção.
Os olhos chocolates brilhantes estavam bem abertos. A respiração um pouco mais acelerada do que o normal.
Eu reconhecia que estava pateticamente apaixonado por aquela mulher. Aquela era a única explicação do porque havia alugado o apartamento para ela por quase a metade do valor de mercado e também por que nunca conseguia me envolver com uma mulher além de simples encontros casuais. Isso explicava inclusive os motivos pelos quais tinha vontade de estrangular cada sujeiro tolo com que Bella havia namorado... e olhe que não tinham sido poucos.
Eu estava apaixonado por ela e queria que, pelo menos uma vez na vida ela me visse como alguém mais do que o melhor amigo de seu irmão. Queria que ela me visse como homem.
E, com esse objetivo, levei a parte do braço delicado que estava com o resto do creme até os lábios de Bella.
- Prove - farei
Ela maneou a cabeça com veemencia.
- Hum... bem... Não, eu acabei de jantar.
Não resisti a ri da desculpa esfarrapada.
- A intenção não é que isso encha seu estomago, Bella, a loção serve apenas para deixa-la mais quente.
Ela deu um passo atrás, puxando o braço da minha mão, parecendo de súbito, bastante pertubada.
- Bem, eu sei disso. Afinal de contas, a consultora da Festa de Prazeres, sou eu.
Eu tinha certeza de que ela daria uma excelente consultora daquela empresa. Bella tinha boas habilidades em lidar com as pessoas, uma qualidade que eu não possuía e não podia reclamar, e o entusiasmo dela poderia provavelmente vender uma tonelada daqueles vibradores, e não apenas doze. Entretanto, ela parecia estar sempre se subestimando, fazendo comentários sobre si mesma a respeito de nunca ser capaz de esperar mais do que o emprego razoável que tinha numa empresa de computação gráfica. Aquilo realmente me incomodava , o que era mais uma evidência de que estava irracionalmente apaixonado por ela.
- Que tipo de treinamento você recebeu da empresa? – quis saber. – Para faciliar as vendas, acho que você deveria querer experimentar pessoalmente tantos produtos quanto possível.
Meus olhos foram imediatamente atraídos para o chicote que eu mesmo deixara sobre a mesa. "Ela havia usado aquele?"
Por um lado, o pensamento mexeu severamente com meu orgão masculino, comprimindo-o a ponto de provocar certa dor, mas, por outro lado, a idéia de que algum sujeito... algum tolo de QI baixo, algum ignorante ou aproveitador, algum vendedor de carros calvo, tivesse aplicado aquele chicote na pele nua de Bella, me deixava tão furioso que o ambiente chegou a ficar cheio de pontinhos vermelhos, enquanto meu sangue corria veloz pelas minhas veias.
Ela secou o braço molhado em sua saia listrada de rosa e branco. Era de um tecido macio e tinha um dos lados mais curto do que o outro. A blusa era de seda, sem mangas brancas com uma flor cor de rosa estilizada aplicada sobre o peito. Era, na verdade, um pouco exagerada e estranha, mas conhecendo Bella sabia que a tal blusa só podia ser de grife e devia ter custado bem caro. Afinal, ela era obcecada por roupas de grife. Nos pés ela usava sandálias de salto, não muito alto, porém fino demais, que parecia, aos olhos, doloroso na melhor das hipoteses, e letal, na pior. Por um momento imaginei como as belas pernas de salto ficariam ao redor do meu corpo.
- Edward, eu não tenho tempo para isso agora, ainda nem terminei de arrumar os produtos, e as pessoas estarão aqui em, no máximo, trinta minutos – ela rasgou um dos sacos plásticos cor de rosas com purpurina e tirou o vibrador de dentro. Balançando a peça em riste disse: - Ou você me ajuda a desembalar essas coisas ou, pelo amor de Deus, volte para sua casa e procure uma ocupação.
Eu poderia honestamente dizer que ser repreendido por um vibrador cor de rosa choque era uma experiência um tanto estranha. Me senti como se tivesse voltado a meus treze anos e tivesse sido pego pelo meu pai lendo uma revista Playboy dentro do banheiro. Envergonhado e levemente sujo. Abaixei a cabeça tentado contra vontade de interromper numa gargalhada por causa do ridiculo da situação. Apenas me abaixei e peguei uma caixa a colocando sobre a mesa. Bella se afastou, encontrando um lugar minúsculo em uma outra mesa, antes que começasse a vasculhar algumas pastas, folhetos e encartes.
Já que ela queria ajuda então vamos lá. Organizei os óleos para massagens, as loções comestíveis e cremes de barbear sobre a mesa, numa impressionante disposição. Quem não me conhecesse e entrasse ali naquele instante, diria que eu tinha aquilo como profissão. Olhando para todos os sabores e texturas das loções e talcos e lendo todas as belas palavras, como, por exemplo, "eróginas", "eroticos", "máximo prazer"e "estimulante", começei a me sentir um pouco desconfortável.
- Está ficando mais quente aqui dentro? – perguntei – O ar condicionado está funcionando direito?
- Sim, está – Bella tinha um patinho de borracha na mão. Olhei para a mão dela, franziu o cenho, sem entender a razão daquele objeto infantil. Aquilo não poderia ter nada haver com a sua festinha poderia?
- Você vende patos de borracha? Isso tem alguma coisa a ver com o mercado de objetos sexuais? - Ela riu e tirou uma tampa falsa do pato.
- Tem um ovo vibratório escondido aqui dentro.- Ela puxou um pequeno ovo macio e o torceu. A peça começou a trepidar. – É um brinquedo de banheira.
- Oh... Então fica dentro de um pato, assim ninguém sabe que está lá?
- Sim, isso mesmo – confirmou distraida.
- Mas.. por que um adulto teria um patinho para brincar na banheira? As pessoas não achariam que isso é um pouco estranho? E se você tem filhos na sua casa, por exemplo, obviamente eles serão os primeiros a querer brincar com ele. E se por acidente, conseguirem destampar a tampa? Este ovo não seria um objeto perigoso? Uma criança pequena, que tem mania de pôr tudo na boca, poderá sufocar-se com ele, concorda? - O olhar que ela me lançou sugeriu que Bella não sabia a resposta.
-Você não tem nada mais importante para fazer? Nenhum lugar para ir no momento? Não estou atrapalhando nenhum compromisso seu, prendendo-o aqui?
Certo, entendi perfeitamente que ela queria que eu fosse embora dali, só que ainda não estava pronto para separar-me dela. Não eram muito frequentes as chances de estar perto dela, sem que o irmão dela ou uma de suas muitas amigas estivesse presente. Era uma chance única e eu pretendia aproveitar da melhor forma possível.
- Não – respondi então, de forma casual, como se não tivesse entendido a vontade dela de que partisse.
Enfiando a mão na caixa, tirei alguns preservativos do tipo que brilha no escuro.
- E isso aqui? Qual a intenção? – estava realmente confuso agora.- Quero dizer, eles não brilham até que estejam tirados do pacote, então não servem para guiar você até a mesinha de cabeceira. Na verdade, acho que ver um pênis cor de rosa fosforecente, de repente no escuro, deixaria a maioria das mulheres apavoradas, estou enganado? – perguntei, olhando-a.
- Vou fazer de conta que esta é uma pergunta teórica. - Bella respondeu e desapareceu para a cozinha.
- Bem, você já usou alguma vez?- perguntei.
- Não – a voz dela soou de longe, aliás e carregando um tom de veemência.
Com os produtos organizados para minha satisfação dobrei as abas da caixa de papelão e a coloquei embaixo da mesa e, em seguida, começei a averiguação detalhada.
- Por que alguém iria querer uma lingerie comestível? – aproximei a embalagem do rosto e inalei o aroma com curiosidade. – Quero dizer, não é como se você fosse usar uma coisa dessas o dia inteiro, ou todos os dias. Você só o vestiria no calor do momento, mas, será que isso não tiraria a espontaneidade da coisa toda? Aqui sugere que o homem pode comer a lingerie enquanto remove do corpo da mulher-continuei discursando sobre as possibilidade.- E como pode ser que esse tal "tamanho único" sirva para todas as mulheres? Isso não faz o menor sentido.
Bella irrompeu de volta na sala, trazendo uma bandeja com uma cesta de torradinhas com patê e outra com pães de queijo,colocou-as sobre a mesinha do centro.
- Edward Cullen, algumas coisas na vida não fazem realmente sentido, sabia? Simplismente não fazem e pronto. Ponto final. Você e essa sua mania de racionalizar tudo, de querer explicar tudo- murmurou ela com um suspiro.- Pessoas as utilizam por divertimento, porque é engraçado. Entendeu? Por que é gostoso, sexy e excitante fazer alguma loucura, e talves até mesmo alguma tolice quando você está se sentindo atraido por alguém- o tom dela era bastante irritado.- Será que você não consegue entender isso?
"Oh!", pensei. "Claro que sim!", claro que podia compreender tais atitudes. Principalmente porque estava me sentindo extremamente atraído por ela e prestes a fazer alguma loucura e até mesmo, quem sabe, uma grande tolice...
- Então, se eu levantasse sua blusa de repente e aplicasse esse talco de pêssego nos bicos de seus seios, isso seria divertido?
N/A: Sim Edward. Isso seria muito divertido. Rs.
E as coisas continuam a esquentar...Até quando vcs acham que a Bella vai aquentar as provocações do Edward?
