Fechei os olhos por um décimo de segundo. Oh, que Deus me ajudasse. Ele era muito inteligente, mas ainda assim, completamento tolo no que dizia respeito ao senso comum. O homem não tinha a menor ideia de que não se poderia apenas sair discutindo a possibilidade de tocar os mamilos de uma mulher e não esperar que eles enrijecessem. Como estavam os meus agora. O que era ridículo.

Edward estava falando sobre os bicos dos meus seios de uma maneira puramente cientifica. Estava tentando entender a lógica que havia por trás dos inúmeros produtos existentes para aquecer os romances. E eu tinha absoluta certeza de que naquilo não havia realmente nenhuma lógica. E durante aquele tempo, ele tinha, de alguma forma, conseguido me deixar excitada.

Devia ser por causa de todos aqueles produtos afrodisíacos espalhados pela sala de casa. Só podia ser isso.

O poder da sugestão!

Talvez até fosse possível que aquilo tiesse alguma coisa a ver com Edward, cujos cabelos pareciam sempre despenteados. Todavia, com toda certeza, Edward era um sujeito de belissíma aparência. Alguém que, de repente, quando eu não estava prestando atenção, havia espichado para mais de um metro e oitenta de altura e ampliado um bocado para os lados também.

- Na teoria, sim, isso poderia ser divertido, obviamente em uma circunstância adequada- coloquei uma das mãos sobre o estômago, numa tentativa de deter o alarmante calor que brotava no interior do meu corpo. Tentativa inútil.

- E quais seriam essas circunstâncias, por exemplo? – questionou ele.

Estava ficando tão nervosa com aquelas estranhas novas sensações, que mal ouvi a pergunta, permaneci imóvel enquanto o observava abrir a tampa de um pote comprido e tirar de dentro um objeto longo e fino, que parecia um pincel com uma pena na ponta.

Vendo meu silêncio, Edward repetiu a pergunta.

- Então, Bella, quais seriam as circunstâncias adequadas?

- Bem... as circunstâncias... – titubeei, e parei de falar, pigarreei e começei de novo - A circunstância correta seria se duas pessoas estivessem planendo uma noite de amor. Eu não acho que você iria querer levar adiante esse tipo de preliminares.

Os olhos verdes dele atingiram os meus e pareciam muito concentrados, quando ele diminuiu a distância que nos separava.

- Então, se você não quer que eu espalhe o talco sobre os seus seios, que tal começar a experimentar isso nos seus ombros?- sugeriu com a voz levemente rouca, balançando o objeto com a pena na minha frente.

A pena roçou de leve minha pele,e tremi. Ele moveu o estranho objeto gentilmente para frente e para trás sobre meu ombro, enquanto eu tentava encontrar força para me afastar daquela tentação.

Não conseguia entender o que estava acontecendo comigo.

Tentava raciocinar com clareza, mas antes que pudesse encontrar a resposta ou até mesmo pensar em reagir, a língua de Edward estava em minha boca, deslizando em pequenos círculos ao redor dos lábios, antes de beijar de modo ardente e apaixonado.

Um beijo muito rápido, considerando que perdi o equilibrio e quase cai de tão chocada com a atitude repentina dele.

- Edward!

- Não? O ombro não é o lugar mais adequado? - A pena roçou na lateral do meu pescoço, perto da nuca.- Talvez aqui, então?

E por mais incrível que pudesse parecer, ele começou a lamber e beijar também naquele lugar, até que eu estava inteira arrepiada, de pulsos cerrados e afastando a cabeça para trâs. Ele não me tocou em mais nenhum lugar, mas meu corpo começou a reclamar, reivindicar e doer por atenção.

O que era simplesmente errado demais. Na verdade, um total absurdo. Aquele era Edward. Ele, afinal de contas, tinha me visto de aparelho nos dentes, espinhas no rosto e cabelos alvoroçados. Aquele era Edward, que eu amava de um jeito absurdamente fraternal. Edward, o melhor amigo de meu irmão. Eu faria qualquer coisa por ele.

Aparentemente, até mesmo o deixar fazer experiêcias com o meu corpo em prol da ciência sexual. Um gemido trêmulo escapou da minha garganta antes que fosse capaz de detê-lo.

Talvez aquilo fosse apenas algum tipo de carência sexual. Eu não fazia amor com ninguém há oito meses, desde que meu último namorado mudara-se para Chicago, alegando que não poderia perder uma melhor oportunidade de trabalho.

Quando partira, ele não havia sugerido que mantivessemos contato e então a culpa de desmanchar o namoro não tinha sido totalmente minha, afinal, Mike não era o cérebro mais brilhante do mundo, e suas piadas, que no início do namoro haviam abrilhantado nossa relação, com o tempo, tinham se tornado cada vez mais chatas e repetitivas.

Não que eu quisesse namorar alguém superdotado em termos de inteligência. Não. Isso me faria sentir pequena, inferior, inadequada, como vinha me sentido a vida inteira, crescendo ao lado de meu irmão, que possuía um QI fenomenal, muito acima da média, e convivendo com o melhor amigo dele, Edward que também tinha QI bem acima da média. Mas também não queria namorar alguém sem cerebro. Ficaria feliz e satisfeita em encontrar alguém mediano. Acreditava que merecia, pelo menos isso.

Uma vez que Alice, minha melhor amiga, estava noiva, prestes a se casar, e a minha outra, Leah, estava namorando sério. Sabia que elas estavam fazendo amor em bases regulares. Talvez aquela excitação repentina e bizarra que estava sentindo, fosse apenas por causa da inveja que tinha delas em relação a terem suas vidas amororas bem resolvidas uma maneira de meu corpo relembrar que eu estava no auge da maturidade e precisava saciar os desejos primitivos que todo ser humano possuía.

Edward apanhou o talco que estava ali sobre a mesa mais próxima e espalho no meu queixo. Em seguida, lambeu-o. Segurei com força seus braços em busca de apoio, uma vez que estava perdendo o equilibrio de novo, e tentei, sem sucesso, não me excitar.

A barba por fazer roçava contra o meu rosto e os cabelos fizeram cócegas em meu nariz, enquanto a língua dele começou a se movimentar... quente... gostosa... provocando-me uma sensação...

Oh, lá estava eu, no auge da excitação mais uma vez.

Principalmente quando o dedo dele tocou meu lábio inferior depositando talco ali. A fragância de pêssego me provocou e, sem pensar, me vi colocar a ponta da língua pra fora e experimentando um pouco. Aquilo derreteu em minha boca, parecendo o suco mais doce que já provara na vida.

- Não, era eu quem tinha de experimentar isso? - murmurou Edward contra o canto da minha boca.

Então ele estava deslizando a língua pelo meu lábio superior, de um canto até o outro, emitindo pequenos murmúrios de aprovação perante o gosto. Apertei as mãos em volta do tecido das mangas da camisa dele e a respiração, de repente estava ofegante demais.

Não tinha certeza do que estava acontecendo, não sabia ao certo porque estava deixando Edward fazer tudo aquilo... Mas, oh, meu Deus, aquilo estava tão bom, parecia tão certo... e independentemente do quanto alto meu cérebro gritasse para que parasse, meus pés não estavam me levando nem mesmo um milimetro para trás. Meu corpo parecia incapaz de obedecer.

De súbito, ele se moveu, e então estava me beijando de novo. Apenas e simplesmente beijando-me, os lábios colados aos meus e a língua fazendo uma maravilhosa exploração do interior da minha boca. O talco doce de pêssego ainda envolvido na língua de ambos e o enlace era quente, molhado, excitante, repleto de calor e paixão. Poderia dizer que aquele era o beijo mais perfeito que já experimentara na vida

Quando Edward finalmente me liberou, afastando um pouco o rosto, ouvi um delicioso emergir de minha própria boca.

Os olhos de Edward estreitados, o olhar profundo, os lábios brilhantes. Mas ele apenas falou:

- O pêssego é definitivamente melhor que o chocolate.

Me esforcei a liberar as mãoes que se agarravam as mangas da camisa dele e tentei dar um passo atrás. Bati as costa contra a mesa, fazendo os saltos tremerem e bagunçando a arrumanção dos displays dos vibradores.

Virando-me confusa e atordoada, ajeitei os vibradores amarelos, azuis e vermelhos de volta a posição original, enquanto sentia o calor subindo pelo meu rosto fazendo com que eu ficasse cada vez mais quente e corada.

- Então você acha que devo fazer uma boa propaganda do talco de pêssego? - consegui dizer aquilo, esperando que minha voz não tremesse e não traísse o enorme desejo que estava sentindo por ele.

Ora, era fácil entender que ele tinha ficado curioso, pois a curiosidade fazia parte de sua personalidade, contudo tentei entender melhor por quê? Só não compreendia como me deixei envolver por aquela situação.

- Definitivamente – replicou ele num tom de voz cheio de sensualidade.

Então ouvi o ruído de um pacote sendo desembrulhado e me forcei a virar exasperada.

- O que mais você resolveu desembrulhar, agora?Estas coisas são muito caras.

- Mas você vai precisar de alguns produtos abertos para demonstrações, correto? – argumentou.- Mais consumidores vão comprar se puderem experimentar, testar o produto na própria pelo, sentir o gosto, tocar. Acredite em mim, essas loções comestiveis são perfeitas para isso.

Ele ergueu um pequeno frasco que acabara de tirar da caixa.

- Aqui, na embalagem, diz que esta coisa serve para aquecer a pele e fazê-la formigar.

Se ele tentasse levantar a minha blusa e tocar os bicos dos meus seios com aquela loção, iria gritar, decidi. Ele estava começando a me enervar.

Talvez ele fosse tão elevado intelectualmente que poderia isolar o cérebro das outras partes do corpo, mas eu ainda não atingira esse nível espiritual. E duvidava que algum dia fosse conseguir tal proeza . Além disso, ele estava me deixando extremamente excitada, e não podia receber as convidadas naquele estado lastimável.

Uma vez que ele não tinha intenção de fazer amor comigo, eu, não tinha intenção de fazer sexo com o melhor amigo do meu irmão caçula no final da noite.

E independentemente de quanto perversos e criativos fossem os artigos da Festa de Prazeres, nada se aproximava de um homem de verdade, em carne e osso. Nada se comparava a união de dois corpos explorando-se em perfeita harmonia, principalmente se houvesse um pouco de amor entre eles.

Quem sabe até amor fraterno, pensei, e reprimi o pensamento em seguida.

- E essas amostras grátis podem muito bem servir para seu uso pessoal depois – a voz de Edward interrompeu minha linha de pensamentos.

No momento que vi ele levantando o braço em minha direção eu explodi.

- Não!

Mas ele apenas virou meu pulso para cima e espalhou o creme macio sobre a pele no final da palma.

- Não, o quê? - Ele arqueou as sobrancelhas escuras numa expressão interrogativa. Afinal de contas , não estava fazendo nada demais.

- Oh... não derrube na minha saia, por favor.

Estava consciente de que aquilo soara falso, porém meu cérebro parece que tinha parado de funcionar. Nunca, em toda minha existência, havia suspeitado que meu pulso poderia ser uma parte tão sensível. Mas o jeito que o desgraçado estava esfregando ali com a ponta do polegar, em movimentos leves e circulares, era bem... inacreditavelmente sensual.

- E então você sente que a região está ficando quente? Já começou a formigar?- perguntou ele, colocando uma expressão inocente no rosto.

- Sim, muito quente. Tudo está ficando quente e meio anestesiado – sussurrei, com o coração disparado no peito.

Na verdade, todas as partes de meu corpo estavam ficando quentes e anestesiadas. Braços e pernas chegavam a formigar e começei a temer que havia algo de errado comigo.

E... que coisa, ele ia ou não ia me beijar de novo?

Como se tivesse lido meu pensamento, Edward se aproximou como se fosse um felino... um enorme felino, com movimentos lentos e calculados, fazendo-me estremecer de antecipaçao.

Sim, ele ia me beijar, decidi. E estava querendo aquilo mais do que podia admitir para mim mesma.

Naquele exato momento, a campainha tocou.

- Oh... Que pena... Parece que as minhas convidadas começaram a chegar – murmurei sem pensar.

Todavia, por outro lado, sentia-me aliviada, apesar de ainda não estar completamente pronta para minha apresentação.

Mais um décimo de segundo ao lado de Edward, e poderia ter cometido uma grande tolice.


N/A: Sei não... mais acho que a Bella não resiste por mais muito tempo, Edward ta investindo pesado. Eu tinha cedido a muuuuito e vcs?

Poste aqui todo sábado ok? Algumas meninas estavam perguntando...tá respondido. E obrigada a todas que comentaram. Bjs.