Capitulo 6

Começei a transpirar.

"Mas que absurdo!"

Edward estava apenas analisando o chicote. Nada além disso, tinha certeza. Ele ficara fitando o chicote e, em seguida, erguera a cabeça em minha direção, olhando-me com uma intensidade que nunca notara antes. Quase podia jurar que ele estava imaginando como usar o chicote... em mim.

"Oh, Deus! Seria possível uma coisa dessas? Ou eu estou enxergando coisas que não existiam, e eram apenas fruto da minha imaginação?"

Não movi um centimetro até que tivesse escutado uma batida na porta lá de baixo se fechando. Então acomodoi-me na poltrona azul-celeste. Havia transpiração até mesmo no interior de minhas coxas. Suor! Talvez o ar-condicionado de casa estivesse realmente quebrado.

- Está muito quente aqui, você não acha, Alice?

- Não, não acho. Aliás, está bem mais fresquinho do que lá fora. - Alice balançou a caixa de lingerie comestível e então a devolveu ao chão.- A menos que você esteja se referindo á tensão sexual entre você e Edward. Minha nossa, foi tão forte que chegou a aquecer o ar do ambiente! Foi quente o bastane para derreter uma barra inteira de chocolate.

Alice pegou a tampa de uma das caixas de papelão e começou a se abanar freneticamente.

- O que está falando? – perguntei, fingindo-me de inocente.- Não há nenhuma tensão sexual entre Edwrad e eu! Ele é o melhor amigo do meu irmão caçula. Meu caçulinha que, aliás é um gênio. E Edward é seu amigo gênio. Além do mais, ele tem apenas vinte e cinco anos. Mesmo que estivesse interessada nele, o que não está acontecendo de jeito nenhum, ele é jovem demais para mim, inteligente demais para mim.

Eu estava protestando de maneira exagerada, e franzi o cenho, fechando os olhos quando me dei conta disso. Alice levantou as sobrancelhas.

- Oh, minha pobre amiga querida! Você está sofrendo de tensão sexual. Agora resolveu começar a se enganar...

Parei um minuto para pensar. "Será que estava mesmo sofrendo daquilo?" Certamente estava um pouco estranha. Como se tivesse sonhando uma vida inteira com aquele beijo erótico que havíamos compartilhado.

- Permita-me apenas um conselho como amiga que gosta realmente de você. – Alice continuou – Por que você não dá abertura a isso e deixa que as coisas acontençam. Você gosta de Edward, não gosta?

- Como pessoa, sim, é claro que gosto muito. Nós crescemos juntos. Conheço Edward desde que éramos crianças ele é uma pessoa doce, sensivel. Também é honesto bom caráter. Eu o amo como a um irmão... – o que fazia os meus sentimentos mais recentes pareceram doentes e incestuosos.

- Talvez haja sentimentos diferentes nessa história,que você não esteja percebendo. Você não é do tipo que vai para a cima com alguém só pelo prazer do ato, e Edward também não, talvéz então realmente haja alguma coisa especial nessa história que de repente, seria válido que você explorasse. E- acrescentara ela -, essa coisa de idade não tem nada a ver. Três ou quatro anos de diferença não significam nada. Há casais com uma difernça de idade muito maior, que vivem felizes durante a vida inteira.

Como se estivesse cheia de razão, Alice pegou um vibrador de cima da mesa, balançou-o sugestivamente e falou:

- Sinceramente, não acredito que Edward esteja tão interessado assim nesses brinquedos. Acho que ele está mesmo é interessado em você. É por esse motivo, e só por esse que ele vai voltar aqui esta noite,depois que todas nós formos embora.

- Oh, meu Deus! - se ele ia voltar depois da festa. O que faria? Não sabia ao certo como me sentia a esse respeito, no mínimo , bastante nervosa.- Sabe, Alice, o problema com nossas amigas que estão prestes a se casar, é que elas pensam que sabem tudo a respeito de relacionamentos. Só porque você e Jasper estão felizes, aconchegados em casa com um poodle de estimação, não significa que o resto do mundo esteja procurando alguém para viver esse mesmo tipo de experiência.

Alice riu.

- Isso até pode ser verdade. Mas se o amor e o casamento batessem a sua porta, você não diria "não"a eles, diria?

Não, supunha que realmente não diria não. Mas o pensamento de amor e casamento, era uma coisa distânte da minha mente, em relação a Edward, então... bem... tal idéia me provocava urticária. Literalmente começava a me coçar e sentir vontade de sair de dentro da própria pele.

- E não venha me dizer que não está bastante preocupada e distraida pensando em Edward, porque você ainda nem mesmo mencionou o quanto está detestando meus trajes, o que normalmente é a primeira coisa que faz quando me vê. Bem, agora que Alice mencionara aquilo...

- Esse seu short parece um pouco antiquado, Alice. Eles batem praticamente na altura dos seus joelhos. Na verdade isto é uma bermuda, e acho que você está muito nova para abrir mão de algo mais curto.

- Meu noivo não parece se importar com minhas roupas. – ela riu, bem-humorada – para falar a verdade, ele prefere que eu esteja sem roupa nenhuma. E dado ao olhar no rosto de Edward, aposto que ele adoraria ver você nua, também.

Estremeci com a idéia. A campanhia tocou de novo e me levantei aliviada em poder escapar daquela conversa que falava sobre amor, nudez e Edward, tudo na mesma sentença.

- Algumas vezes é melhor deixar as coisas continuarem sendo um mistério. - Alice pigarreou, um sorriso malicioso estampado no rosto.- E algumas vezes viver o momento junto do homem que povoa suas fantasias e melhor que qualquer brinquedo sexual.

Não poderia retrucar tão sábia colocação. Concordava plenamente com Alice. Não tinha o menor interesse em brinquedos sexuais, no entanto, Edward...minha mente reprimiu o pensamento.

- Eu não estou discuntindo com você, Alice, mas antes que eu possa até mesmo levar em consideração o fato de me apaixonar e começar a planejar meu próprio casamento, necessito vender alguns brinquedos desses aqui e saldar a divída do meu cartão de crédito ou, pelo menos, reduzi-la para três digitos, E mesmo se eu me apaixonasse e resolvesse me casar um dia, com certeza, não seria com Edward.

Achava que não. Isso seria altamente improvável e nada razoável. Até mesmo se, por acaso, já estivesse apaixonada por Edward aquilo não era amor. Ou era? O pensamento me fez disparar em direção a porta com uma rapidez que quase tropecei e cai no degrau. Cheguei ao meu destino e abri amplamente a porta. Era a hora de pensar em minha conta bancária.

- Olá! Muito obrigada por ter vindo. - Com um largo sorriso no rosto, cumprimentei as duas primeiras mulheres que haviam chegado juntas, e que deveriam ter sido indicadas por alguém, uma vez que nunca as vira antes...- Vamos entrar – convidei, educadamente.

Os próximos dez minutos foram usados para abrir a porta e receber as convidadas. Mas pessoas do que convidei tinham aparecido, e isso era excelente, um sinal de que as vendas superariam minhas expectativas. Então dei inicio a demonstração dos produtos, falando sobre eles e fazendo com que os frascos de loção passassem de mão em mão entre o grupo de mulheres, a fim de que elas sentissem o perfume. Aquilo deveria ter sido o suficiente para afastar a imagem de Edward da mente. No entanto so serviu para torná-lo mais presente em meus pensamentos. A cada risada, cada brincadeira que alguém fazia, com cada comentário ousado, cada produto que pegava, pensava em Edward e em seu comportamento estranho e excitante. Não ajudou em nada o fato de Rose, a namorada de Emmet, estar presente a festa, mostrando uma atenção desmedida, inacreditável e inapropriada a cada produto que entrava em pauta. Cada comentário íntimo de Rose, feito com tanta naturalidade, fazia sentir-me inadequada, quase com vergonha de descobrir como era a vida amorosa do meu irmão. Minha vontade era dizer: "Ei, olha aqui, a irmã do seu namorado". De repente percebi que não era o fato de ter descoberto a intimidade de Emm que me deixava daquela maneira. Eram as imagens eróticas que os comentários de Rose despertavam na minha mente. Claro que convidei a garota, mas havia pensado que Rose apenas iria, a fim de dar um certo apoio e comprasse um ou outro item, talvez uma espuma de banho mais como um ato de caridade, ou solidariedade. Rose era estudante de medicina e seu maior projeto era se tornar cirurgiã. Ela usava óculos. Assim nunca esperara vê-la cobiçando um livro de posições sexuais . As aparências enganavam muito mesmo, decidi, observando a garota, que de pura, não tinha nada,outra amiga, Tânia, estava folheando o livro junto com Rose.

-Oh! Essa é muito boa! –comentou com uma risada.

- Tem razão, e posso afirmar por experiência própria. Você já praticou nessa posição? – perguntou Rose.

Senti um gosto amargo na boca. Nunca tinha parado para pensar em meu irmão nesta ou naquela posição sexual. Incomodada com o assunto virei rapidamente e peguei uma taça de vinho.

- É a parte cientista do Emm – continuou Rose em tom animado – Ele gosta de tentar desafiar as leis da gravidade.

Oh! Por Deus!

Não queria saber tantas coisas a respeito do meu irmão. Além disso, o assunto me lembrava Edward de quem estava tentando esquecer, sem sucesso, por alguns minutos. Será que aquilo sinificava que Edward seria do mesmo jeito que Emm? Procurando posições que desafiassem as leis da gravidade? Uau! Parecia loucura, mas... ao pensar em Edward, a configuração da imagem agora era outra e muito sexy.

- Então você apenas tem de esperar parado assim, com o seu...

- Rose! - Gritei em tom crítico, quando perdi a paciência.- IEE, ou seja, Informação Em Excesso. Por favor, é do meu irmãozinho caçula que você está falando.

Rose pestanejou aqueles inocentes olhos azuis por trás das lentes grossas dos óculos. E riu.

- Oh, Bella, desculpe-me.

Sua prima Jane, parou de cheirar a loção comestivel de morando e anunciou:

- Já quero deixar reservada uma dessas para mim. Acho que não poderia continuar a vida sem essa loção maravilhosa – brincou.- E agora, Bella querida, apresente-nos os vibradores e outros brinquedos. Nós queremos ver as coisas realmente boas.

Coloquei um sorriso no rosto, pequei um dos vibradores cor-de-rosa e fiz meu pequeno discurso sobre o produto, suas características, inclusive explicando que era a prova de água. Todas as convidadas tinham em mãoes uma lista de pedidos que havia distribuido logo na entrada, de modo que pudessem fazer seus pedidos, escrevendo o nome dos produtos que bem quisessem, sem que isso se tornasse público. Todo o mundo tinha começado a escrever depois da apresentação do vibrador cor de-rosa, exceto Tânia e sua amiga, Kate, que pareciam boquiabertas e sem palavras.

- Você não vai pedir um desses?- perguntou Rose a Kate.- Parece ser dos bons e o preço está excelente.

Kate engoliu a seco e maneou a cabeça.

- Acho que nem saberia como usar uma coisa dessas. – comentou em voz baixa, parecendo bastante envergonhada.

Ri, embora tivesse o pressentimento de que não esava brincando. Conhecia o último namorado de Kate. Aparentemente doce e amável, mas no fundo um cafajaste. Caracteristicas que resumiam todos os namorados que Kate teve. Rose virou para Tânia.

- Bem, e você? Não gostou desse brinquedo? - Dei uma olhada para o copo de vinho de Rose, vazio. Claro fazia total sentido estar vazio. Tinha a impressão que minha "cunhadinha" estava embriagada , ou ao menos esperava que estivesse, assim poderia justificar tal comportamento exagerado. Caso contrário, pretendia ter uma pequena conversa com Emmet.

- Eu não uso vibradores,Rose –respondeu Tânia com um sorriso orgulhoso.

-Mesmo? E por que não? –Rose parecia genuinamente incrédula e desapontada. Tânia enfiou o lápis atrás da orelha, prendendo parte de seus cabelos curtos. - Porque vocês todas têm namorado, e usar uma coisa como essa é só um divertimento extra, um incentivo adicional. Meu caso é diferente. Sou solteira e estou sozinha. Então, se vou comprar um vibrador, isso será tudo o que terei. A menos que Bella me apresente seu lindo vizinho – murmurou ela.- E eu não quero me tornar dependente de vibradores, como conheço inumeros casos de mulheres com as quais aconteceu exatamente a mesma coisa. Na falta de um parceiro, compra-se um vibrador e então fica-se viciada nessa coisa.

A sala inteira caiu na risada. E eu arregalei os olhos. Apresentar Edward? Dependente de vibrador?

- Não posso acreditar.

- Sim, já ouvi falar que certas mulheres ficam tão dependentes, que não conseguem nunca mais atingir o orgasmo sem um deles por perto- respondeu Tânia com segurança. –algumas têm até de fazer tratamento com psicólogo para se desacostumar dos objetos. Eu, definitivamente, não quero ir por esse caminho.

Três mulheres riscaram o vibrador cor-de-rosa da lista. Dei uma olhada mortal para Tânia. Até podia entender a colocação dela e acreditar que ela realmente escutara falar a respeito da dependência,mas será que não percebia que eu estava tentando ganhar um dinheiro rápido aqui? Será que não via que estava influênciando as outras e, dessa forma, prejudicando os meus negócios? Estava decida a pagar minhas contas e parar de comprar roupas que estivesse além de minhas posses. Mas, antes de qualquer coisa, necessitava "empurrar"alguns produtos para tantas pessoas quantas pudesse. Tânia me enviou um olhar sem graça e balbuciou um "desculpe-me" sem som. De repente a voz dela aumentou um tom, mostrando-se entusiasmada:

- Mas eu definitivamente vou comprar uma caixa daqueles preservativos coloridos. Uma mulher solteira precisa ter preservativos á mão. Nunca se sabe quando se vai conhecer um vizinho gostoso.

Kate deu alguns tapinhas na perna de Tânia.

- Boa saída – murmurou em tom baixo.

Estava começando a achar que iria conhecer mais sobre a vida sexual de minhas amigas e familiares naquela reunião do que sequer imaginara.

E que eu não gostava em nada de uma concorrência...

Não via a hora dessa reunião acabar e poder quem sabe conhecer sobre a vida de outro amigo em especial... Esperava que ele viesse, devo admitir, mais esperava que ele viesse depois que todas, incluindo Tânia, já tivesse ido embora...