Capitulo 7

Pov. Edward

Não consegui fazer absolutamente nada desde que sai da casa de Bella.

Se minha vida fosse um desenho animado, haveria um circulo gasto estampado no tapete da sala.

Andara pela casa, pensando e pensando sem parar. Refletindo que finalmente havia chegado a hora de agir, de tomar iniciativa e tentar fazê-la me enxergar como homem.

Não tinha muito a perder, afinal de contas. O máximo que poderia acontecer, seria que ela se negasse a ter qualquer relacionamento comigo, exceto amizade.

E então pelo menos, teria a consciência tranquila que havia tentado.

Naquele momento, estava espreitando através da janela da frente. Parecia que o último dos carros que tinham lotado o quarteirão inteiro, até o caminho asfaltado que levava a porta de entrada da casa, estava indo embora.

O som das risadas, ora maliciosas, ora divertidas, e o ruído dos saltos altos dos sapatos femininos, andando de um lado para outro acima da minha cabeça, haviam finalmente parado.

Aquele abrir e fechar da porta do apartamento de cima também cessara. Tinha quase certeza de que Bella estava sozinha. E eu estava cansado de esperar.

Assistir a televisão e jogar paciência no PC não colaborava para amenizar meu desejo por ela. As três horas passaram em dolorosa antecipação, e tinham me deixado mais ávido do que antes... E transpirando muito.

Meu desejo por Bella parecia crescer a cada instante, principalmente agora que estava disposto a fazer alguma coisa a respeito. Parado na frente da ventilação do ar-condicionado, tentando esfriar os ânimos, telefonei para o apartamento dela.

- Alô? – Bella atendeu ofegante após o quarto toque.

Engoli a seco e me movimentei, de modo de que o ar frio pudesse atingir as partes baixas do meu corpo.

- Olá, Bella, sou eu. Todas as garotas já foram embora? Acabou a reunião?

- Sim, estou só há alguns minutos - ela respondeu e a voz parecia tremula.

- Posso subir? – prendi a respiração e fechei os olhos enquanto esperava a resposta. E fiz uma prece silenciosa, pedindo que ela me recebesse.

- Sim, claro.

Tentei parecer despreocupado em vez de desesperado.

- Ótimo. Estarei ai em cima em um segundo.

- A porta está aberta – Bella avisou.

Desliguei o telefone, e me pus a correr pela casa em velocidade, mudei a chave do chuveiro para "verão". Tirando o calção, tomei um banho de um minuto, só para tirar a transpiração da pele e aliviar a tensão do meu... Não queria colocar todas as cartas na mesa assim que chegasse no apartamento de Bella, tentando seduzi-la de imediato.

Afinal de contas, um cavalheiro como eu não agia de modo selvagem e primitivo.

Além do mais, não tinha certeza se ela seria receptiva aos meus toques. Bella poderia ter pensado durante a festa e concluído que ter qualquer tipo de relacionamento físico comigo estava fora de cogitação. Eu precisava ir devagar, com calma.

Tinha que testa-la.

Dois minutos depois, estava trancando a porta da frente de casa e saindo.

Guardei as chaves no bolso do jeans e olhei para a lata de cerveja em minha mão.

Havia pegara da geladeira para tomar um gole antes de sair e acabara me esquecendo, tarde demais. Não iria gastar mais três segundos para deixa-la dentro de casa, não iria mesmo!

Então subi, sem demora, a escada externa que levava ao apartamento de Bella.

Não estava usando sapatos nem camisa. Fazia um calor abafado, típico das noites de julho, no hemisfério norte e estava muito excitado. Não precisava de roupas adicionais para me fazer transpirar ainda mais.

A porta da frente do apartamento de Bella estava destrancada, conforme ela avisara, provavelmente desde que as convidadas tinham ido embora.

Passei o ferrolho na porta antes de subir a escadinha do hall de entrada. Mesmo consciente de que morávamos num bairro seguro, não gostava da ideia dela estar desprotegida, até mesmo que fosse por alguns poucos minutos.

Aliás, esse tinha sido um dos motivos porque alugara o apartamento de cima, uma vez que seria menos provável que alguém pudesse entrar através das janelas no segundo andar.

Sempre mantinha um olho aberto em Bella, soubesse ela disso ou não. E continuaria fazendo o mesmo, independentemente do resultado daquela noite. Sentia uma forte necessidade de protege-la, de cuidar e certificar que nada de mal lhe aconteceria. E tinha plena consciência de que aquilo estava longe de ser um cuidado do tipo fraternal.

Quando adentrei a sala de estar, há vi de costas, inclinada sobre uma caixa, embalando alguma coisa lá dentro. Ela tinha tirado as sandálias, e os lindos cabelos estavam soltos sobre a blusa branca. Era um cabelo muito sexy, um pouco desalinhado e encaracolado nas pontas de forma natural, formando pequenos cachos, macios e sedosos. Imaginei como seria a aparência daqueles cabelos roçando a pele nua de Bella, em vez do tecido de algodão da blusa.

- Olá. Aqui estou, Bella – levei a lata de cerveja a boca e dei um grande gole.

Pov. Bella

Tinha escutado Edward subindo a escada, mas esperei que ele falasse antes de demonstrar conhecimento da presença masculina.

Sentia-me estranhamente nervosa. Mas no momento que me virei desejei, no fundo do coração, que tivesse apenas capturado lhe o olhar, enquanto ele subia a escada, e lhe dado um aceno amistoso. Porque não estava preparada para a visão que tinha em minha frente.

Edward encontrava-se parado na entrada da sala, usando nada além de um jeans desbotado, estava descalço.

E de peito nu!

"E que peito!".

A visão era fascinante o meu pulso acelerou.

A última vez que realmente parara para prestar atenção em Edward, tinha absoluta certeza de que o peito dele não era amplo daquele jeito. Tudo firme, com músculos fortes e absurdamente sexy.

O que acontecera com ele? Será que vinha frequentando uma academia nos últimos tempos? Ou fazia tempo demais que não reparava no amigo do meu irmão?

Com os cabelos molhados caindo na testa e os músculos dos bíceps que se flexionavam, quando ele levantou o braço para levar a lata de cerveja a boca, ele não mais me lembrava de um modelo adolescente. Estava agora muito mais parecido com um homem sexy que fazia comercial de cerveja ou com um modelo exibindo roupas de baixo estampado em um outdoor.

Olhando para a parte superior do corpo de Edward, nua, e de repente, recordou-me da primeira imagem masculina que invadira a minha consciência, quanto tinha por volta de treze anos, eu me dera conta de que havia alguma coisa diferente nos meninos do colegial, comparado aos garotos magricelas do ginásio.

E agora estava diante do espécime masculino mais maravilhoso que já vira na vida.

- Olá - murmurei, as mãos trêmulas deixando cair o cordão de bolas que segurava.

- Você precisa de ajuda para arrumar a casa? – ofereceu ele, então colocou a lata de cerveja na mesinha de centro da sala e caminhou em minha direção.

- Não, acho que não. Eu apenas preciso jogar essas coisas todas nas caixas e guardá-las no armário. Ainda não consegui pensar de que maneira vou organizar tudo isso – aliás, não tinha conseguido pensar em nada quando acabara a festa, exceto que ele apareceria a qualquer momento.

- Não guarde os produtos ainda. Eu quero verificar alguns deles.

Era exatamente daquilo que estava com medo.

Um medo terrível de que os "brinquedinhos" em minha casa servissem de desculpa para que ele se aproximasse. E, embora estivesse me sentindo muito atraída por ele, não sabia se estava preparada para o que o homem tinha em mente.

- Talvez em outra hora Edward, quando eu não estiver tão cansada, tudo bem?

Depois que tivesse tempo de pensar sobre o porque de estar me sentindo tão atraida por você.

Depois que tivesse tido tempo para convencer a mim mesma que não estava. De que aquilo era loucura e que jamais iria acontecer alguma coisa entre nós.

- É difícil o trabalho de vender esses brinquedos sexuais? - Ele se sentou no sofá e bateu leve no assento a seu lado, convidando a me juntar a ele. - Venha, sente-se um pouco... Procure relaxar, descansar por alguns momentos, Bella. Você ficou em pé e andando a noite inteira naqueles salto, seus pés devem estar doloridos. – ele sorriu docemente antes de acrescentar:- Pode deixar que eu vou empacotar todos os produtos direitinho para você, cada um na sua própria caixa.

Não tinha certeza do motivo que me levara a concordar, mas sentei ao lado dele. Meus ombros doeram de leve quando relaxei contra as almofadas.

- O controle das pessoas é a parte mais terrível, aprendi isso hoje. É preciso manter todo o mundo atento no que você está vendendo, mas as pessoas acabam dispersando, porque as coisas são divertidas e, algumas vezes, até um pouco embaraçosas. Eu quero que as mulheres deem risadas e se divirtam, porém é cansativo demais. Estressante, você entende?

Edward assentiu com um movimento de cabeça.

- E as vendas, foram boas? Ou pelo menos atenderam as suas expectativas? – ele virou –se de lado no sofá, e a mão alcançando-lhe a nuca.

Consegui me conter e não demonstrar a sensação que tive quando os dedos dele tocaram a pele nua do meu pescoço. Mas quando ele começou a massagear meus músculos doloridos, fui incapaz de conter um suspiro.

- Sim, na verdade, as vendas superaram as minhas expectativas, uma vez que apareceu mais gente do que convidei. Amigas das amigas, você sabe como é... – fiz uma breve pausa.- Consegui faturar quinhentos dólares apenas nesta noite.

- Verdade? Isso é uma grande variedade de lingerie comestível.- Edward parecia fascinado.

- Sim, é bastante – concordou ela – todavia, não tenho certeza se, no contesto geral, esse negócio vale a pena, Eu investi dois mil dólares em todos esses produtos e coloquei cinquenta por cento em cima do preço original como lucro, mas agora tenho de fazer novo pedido para repor os produtos que vendi, então será necessário produzir quatro reuniões como esta de hoje para que eu possa recuperar o dinheiro investido. A partir dai conseguirei ganhar alguma coisa.

Suspirei. Já estava começando a ficar com dor de cabeça só de pensar no assunto.

- Ás vezes, paro para pensar e acho que realmente nasci com ausência do gene responsável pelo bom senso financeiro. Eu toco no dinheiro, e ele desaparece. Sou uma tola no que diz respeito a lidar com finanças.

A fatura do cartão de crédito tomou cor e forma em minha mente como um humilhante cartão de pontos. Estava com a conta negativa no valor de quinze mil dólares, além de muitas outras contas atrasadas.

- Aliás, "tola" é um termo muito fraco para mim – desabafei.- Sou pior do que isso. Ou um desastre em termos financeiros. Capaz de arruinar qualquer coisa.

- Ora, Bella, Vamos lá. Não seja tão severa consigo mesma.- falou Edward em tom carinhoso.- Num plano de defeitos, esse não é dos piores. É por exemplo, muito melhor do que se envolver com uma gangue de mau-caráter e embarcar numa onda de crimes e roubos. - ri.

- É essa característica realmente não faz parte do meu caráter.

- Esse seu defeito é totalmente corrigível. Mais três festas como a desta noite e você empata o investimento. Três outras depois, você embolsa mil e quinhentos dólares.

O que não é tão mal assim para quinze horas de trabalho, certo? E você é uma excelente vendedora – ele falou com segurança.- Conhece bem os produtos e usa um grande entusiasmo para falar deles. Você é capaz de vender qualquer coisa, e sabe porque?

- Não tenho a menor ideia.

- Porque você é uma pessoa entusiasmada por natureza, muito carismática também – Edward parou, coçando o queixo e então abaixou o braço.- Aposto como você é capaz de vender qualquer uma dessas coisas que estão sobre a mesa. Vamos lá.

Edward levantou-se do sofá e pegou minha mão.

- Vamos, Bella, mexa-se. Venda alguma coisa para mim para que possamos provar que é mesmo uma boa vendedora, escolha justamente algo que você acha mais difícil vender.

- Edward...- protestei, mas não pude fazer nada, senão sorrir.

Ele estava sendo terrivelmente doce, elogiando e mostrando que acreditava em minha capacidade. Sendo assim, me permiti ser puxada do sofá.

Então ri, quando Edward pegou a caixa com cordões de bolas.

- Isso... serve para quê?- perguntou ele, arqueando as sobrancelhas.

- Essas são bolas de metal que podem ter diversas utilidades. Podem ajudar a desenvolver músculos fortes, como fazem as academias de musculação, mas de um jeito muito mais divertido. E elas também podem ajudar na estimulação sexual, tanto se você estiver sozinho, quanto se estiver com sua parceira.

Comprimi os lábios para evitar uma risada quando Edward franziu o cenho, os olhos com uma expressão interrogativa. Ele, com certeza não estava entendendo bem o funcionamento específico.

-Mas.. o quê...

- Você as enfia na vagina – expliquei sem o menor constrangimento.

-Verdade? - a expressão dele me fez reprimir um sorriso, Edward abaixou-se e recolocou a caixa no chão, cuidadosamente. – Tudo bem, quero dizer, você pode me vender qualquer outra coisa, exceto isso.

Apenas para provoca-lo, falei:

- Mas você disse que eu era capaz de vender qualquer coisa. Imagino então que não seja tão boa vendedora quanto você pensou a princípio.

- Não, não, você é ótima. Vamos lá, qualquer outra coisa – ele pegou uma venda de seda preta.- Pronto, aqui, o que é isso e para que serve?

Sorri, maneando a cabeça.

- Isso é, obviamente, uma venda. E serve para esquentar as preliminares. Ou, se você está sozinho, considere esse produto como a bela máscara que poder ser utilizada naquelas manhãs claras de sábado e domingo, quando você quer dormir até mais tarde e o brilho do sol incomoda seus olhos sensíveis.

- Certo, compreendo. Pronto, vou ficar com essa- Edward colocou a venda de lado.- Viu? Você é ótima nisso. O que mais temos?

- Que tal essas algemas de pele de leopardo sintética? Sinta como são macias. - peguei o jogo de algemas de cima da mesa e deslizei pelos pulsos dele.

Estava impressionada com Edward, também sentindo um grande prazer por perceber que ele se importava comigo o suficiente para tentar arduamente fazer eu me sentir melhor. Na verdade estava começando a me divertir com tudo aquilo.

- Muito bom. Definitivamente vou adquirir um par – ele pegou as algemas e colocou-as junto com a venda a seu lado. – E posso lhe dizer imediatamente que também vou ficar com aqueles chicotes com pena nas pontas.

Edward me encarou profundamente, prendendo-me o olhar.

Engoli a seco e tremi por dentro, mas não deixei transparecer o descontrole emocional. Pelo menos, assim esperava.

- Você vai querer agora?- Indaguei.

- Oh, sim – a expressão de Edward era ilegível, mas os olhos queimavam nos meus, o corpo inclinado em minha direção os braços alcançando-me... alcançando-me...

Então, antes que pudesse perceber ele pegou uma caixa, roçando o cotovelo em meu seio. Prendi a respiração.

Qualquer dúvida que ainda pudesse ter sobre sentir atração por ele, evaporou-se por completo.

Queria Edward, pura e simplesmente, não mais importava por qual razão.

Meu corpo estava quente, quase em chamas, o interior de minhas coxas, úmido; o desejo fazendo o sangue esquentar e correr mais rápida por minhas veias.

- O que é isto?

Olhando para o que ele tinha em mãos, coloquei os cabelos atrás das orelhas e tentei parecer indiferente.

- Hum... isto é .. um anel de pênis – estivera praticando para dizer aquela palavra em voz alta em meu apartamento, mais assim mesmo, o tom saiu um pouco contido quando pronunciei na frente dele, principalmente porque agora tinha um súbito e inesperado interesse naquela palavra em relação a Edward.

Não tinha sido vergonhosamente contido, mas o tom rouco e interessado que pesaram nas minhas palavras, me fez corar mais do que a própria palavra "anel de pênis".

- Um..O que? – Edward rodou o anel azul de silicone na mão.- Para falar a verdade, nunca senti necessidade de enfeitar o meu, mas talvez isso aconteça somente comigo.

Até queria sorrir, mas estava me sentindo excitada demais para fazer qualquer coisa além de emitir um leve som de divertimento.

Coloquei a mão no anel ao lado da dele, pretendendo tira-lo da mão de Edward.

Mas ele segurou a mão efetivamente, e fiquei imóvel, discursando a pesquisa decorada:

- Na verdade, a intenção desse produto é sustentar a ereção por mais tempo, para aumentar o prazer, tanto seu quanto o da sua parceira.

Meu braço estava roçando na pele nua do tórax dele, e permaneci imóvel, temendo me mexer, temendo o que ele poderia fazer.

- Certo – sussurrou ele, a voz baixa, grave, crua de desejo.

Me perguntei o que ele diria em seguida. Obviamente Edward não pretendia comprar nenhum daqueles produtos, mas estava curiosa para ver se o orgulho próprio o faria dizer não ou se ele iria insistir na ideia.

- Está bem. Se é para prazer da mulher que está comigo, então é claro, terei que comprar um desses.

O olhar dele passeou pelos meus lábios demoradamente, depois pelos seios, e pensei que aquela era a coisa mais sexy que já ouvira um homem dizer.


N/A: Desculpa a demora. Capitulo grande pra compensar.