Os personagens pertencem a Kishimoto M.
Novo Começo
- Por HarunoX7
- Temari-san. - me curvei em respeito, mas sorrindo cúmplice.
- Sem formalidade, Sakura-chan. - ela disse sorrindo e me abraçando, depois de cumprimentar os garotos. - Como foi a viagem?
- Calma. - subíamos escadas escuras. - Sem imprevistos.
- E seca. - Naruto disse procurando algo na sua mochila.
- Sinto muito, Naruto. - Temari sorriu. - Esta ai um fato meio impossível de se resolver.
- Relaxa, Temari-san. - Kakashi-sensei disse batendo sutilmente o livrinho laranja na nuca de Naruto. - Ele esta assim porque teve de deixar Sasuke em Konoha.
- Ainda não sei por que a Tsunade-baa-chan não deixou o teme vir conosco.
- Fique quieto, Naruto.
Temari me olhou sorrindo.
- Fui informada a poucas semanas do veredito do concelho de Konoha. - ela disse abrindo uma porta que nos levava as mais escadas. - Fico feliz pela volta do Uchiha, feliz por vocês.
- Obrigada, Temari-chan.
Subimos mais alguns degraus até chegarmos a longos corredores cheios de grande janelas seguidas, os corredores iluminados pelo sol da tarde que banhava a cidade de Sunagakure.
Dali era possível ver Suna em todo seu esplendor e areia.
Era um belo local para se apreciar a cidade e seu deserto maravilhoso. Suas casas muito próximas e em cores terrosas, suas grandes muralhas naturais e se você olhasse com um pouco de atenção consegui ver por entre a entrada principal seus grandes desertos se movimentando de acordo as areias.
- Sakura-chan?
Quando desviei minha atenção das grandes janelas mirando Temari foi que percebi minha desatenção. Kakashi-sensei e Naruto já tinha sumido entre os corredores que acompanhavam o formato arredondado da Torre principal, enquanto eu continuava encarando a vila lá fora.
- Me desculpe, Temari-chan. Mas.. - sorri envergonhada voltando o olhar pra vila. - É tão lindo.
- Engraçado. - ela falou curiosa. - Você é a primeira estrangeira que acha Suna 'linda'.
- Pra mim é tudo tão lindo e maravilhoso. É incrível existir um mundo tão incontrolável e imprevisível. Me traz tanta paz.- falei tocando os vidro da janela. - Tal vez seja isso, as pessoas não entendem que esse mudo não deve ser controlado ou transformado, apenas amado. Do jeito que ele é.
Ouvi Temari fungar ao meu lado e olhei rapidamente para ela, encontrando seus olhos vermelhos.
- Tema-chan. - corri lhe abraçando. - Esta tudo bem?
- Gomenasai, Sakura-chan. Você falando assim me fez lembrar de algumas coisas. Eu sou uma besta. - ela falou ainda me abraçando forte. - Vamos. O Gaara já deve estar nos esperando.
Continuamos andando e em poucos minutos estávamos em frente a uma grande porta de vidro, que separava o corredor que estávamos e suas bifurcações de uma sala pequena com uma simples mesa e poltronas, onde Naruto e Kakashi nos aguardavam.
Temari empurrou a porta com leveza e seguiu em direção a outra porta de madeira logo em frente.
- Temari-san. - falou um rapaz de cabelos castanhos e olhos amarelados, quase uma cor de ouro. - O Kazekage-sama esta em reunião.
- Reunião? Com quem? - ela perguntou indo em direção a mesa do rapaz. - Ele não tinha nada marcado para hoje.
- Foi uma reunião marcada de ultima hora.- ele disse folheando uma agenda de capa escura. - Eles apareceram de ultima hora.
Só eu estava perdida no meio dessa conversa(?)
- Entendo. - Temari ainda tinha o rosto confuso. - Sakura-chan este é Masaichi, secretário de Gaara. Esta é Haruno Sakura.
- É um prazer, Haruno-san. Seja bem vinda.
- Obrigada, Masaichi.
Olhei para Kakashi-sensei que lia seu livrinho educativo e Naruto que ainda mexia em sua bolsa, mas eu sabia bem que eles ainda estavam ouvindo a conversa estavam tão perdidos quanto eu.
Você não é a única perdida.
- Sinto muito..- Temari disse se sentando na ponta da mesa de madeira. - Teremos que esperar alguns minutos.
Temari mau terminou de fechar a boca e a porta se abriu quase em silencio se não fosse um sorriso estridente e contagioso.
De lá de dentro saíram duas pessoas, um homem e uma mulher, ambos de idade mais avançada, mas mesmo assim com grande potencial de chakra, pude sentir. Ambos com rostos já marcados pela idade e cabelos cinzas saíram sem dizer uma palavras, apenas com cumprimentos de cabeça e pequenos sorrisos.
- Quem são eles? - Naruto perguntou tentando olhar alem do vidro.
- Antigos conselheiros da vila, Chyo-baa e Ebizo-san. - Temari disse se ajeitando e indo em direção a porta de madeira, ainda aberta. - Vamos.
Nos despedimos de Masaichi rapidamente, seguindo Temari que entrara na sala do Kazekage sem bater. Irmão acima de Kazekage. Entramos em uma sala redonda rodeada de janelas, poucas plantas, uma mesa de madeira lotada de papeis e pastas e uma sofá azul celeste no canto.
- O que Chyo-baa e Ebizo-san queriam, Gaara?
- Não seja curiosa, Temari.
E mais uma vez aquele arrepio estranho.
O Sabaku No estava sentado em uma cadeira de madeira atrás da mesa, folheando algumas pastas quando Temari entrou lhe tirando a atenção dos papeis. Com o rosto baixo e focado nos papeis eu mau conseguia ver seus olhos, apenas um ângulo de seu nariz e sua boca desenhada acompanhado seu seus ombros cobertos por uma capa branca.
- Estava aguardando vocês.
Seu rosto se ergueu e de repente ele olhava em meus olhos.
Aquela mistura tão incrível entre o azul e o verde, uma cor tão profunda que se aproximava a cor do mar do País das Águas Termais me hipnotizava, da mesma forma que o mar.
Límpido e calmo.
Mas ao mesmo tempo tão indecifrável.
- Só estamos esperando suas ordens, Kazekage-sama. - Kakashi-sensei disse ereto.
- Minhas ordens não são exatamente para vocês. - ele falou ajeitando uma pilha de papeis. - Mas para a Haruno.
Todos na sala me olharam, mas eu não conseguia desviar o olhar do Kazekage.
- Tsunade-shishou já me informou sobre algumas coisas, Kazekage-sama. Mas não se aprofundou no assunto, disse que o senhor me colocaria a par de tudo.
- O senhor? Pff. - Naruto disse balançando a mão em frente ao meu rosto, enquanto Temari concordava balançando a cabeça. - Faz o Gaara parecer tão velho, Sakura-chan.
- Fique quieto, Naruto.
- Continuando, Kazekage-sama. - falei um pouco vermelha. - Tsunade-sama me informou que terei de treinar o hospital de Sunagakure. Apenas isso.
- Basicamente é isso que vai fazer, Haruno. Não há muito a ser dito. - ele disse simplesmente. - Quero que você treine e coordene o hospital de Sunagakure. Quero que ensine a disciplina, responsabilidade e conhecimento que vi em Konoha. Não gosto de missões com tempo indeterminado, mas é você que vai saber e determinar o fim desta.
Falado dessa maneira parecia tudo muito simples.
- Preciso conhecer seu hospital e sua equipe, estudar e observar seu conhecimento e habilidade. E só ai poderei dizer o que posso fazer pelo senhor e quanto tempo isso vai durar.
- Hai. - disse pensativo. - Temari vai lhe mostrar o hospital, lhe apresentar aos funcionários e auxiliar em tudo que for necessário.
Temari me lançou um sorriso, seria bom ter alguém conhecido por perto.
- Faremos isso pela manhã. - ela falou vindo em minha direção. - Agora vamos indo. Preciso acomodar vocês.
- Estão dispensados, Temari. - o Kazekage disse para a irmã, que não deu a mínima e continuou a me puxar pelo braço.
- Este é o seu quarto, Sakura-chan. - Temari disse abrindo a porta de madeira escura. - A porta em frente é o meu quarto.
- Já disse que não é necessário nos hospedar, Temari-chan. - disse sem graça. - Podemos muito bem ficar em alguma pousada.
- Deixe de besteira. - falou abrindo a porta para a varanda. - Uma casa tão grande assim cabe vocês tranquilamente. E ter você aqui vai ser ótimo.
- Tudo bem.
- Descanse um pouco, Sakura-chan. - Ela falou fechando a porta. - O jantar sai em uma hora.
Abri a porta do banheiro já abrindo meu colete e colocando minha pequena mochila em cima da bancada do espelho, quando fixei o olhar na banheira branca no centro do banheiro.
Arigato, Kami.
Retirei minha roupa rapidamente enquanto enchia a banheira, fazendo uma mistura entra água quente e fria. Coloquei meus pés aos poucos, medindo a temperatura da água e joguei minha calcinha em cima do resto das roupas.
Me afundei na água quente deixando apenas meu rosto emoldurado por uma coque para fora, acariciando e massageando os músculos tensos da viagem de mais cedo.
Suspirei aproveitando a calmaria e fechei os olhos por alguns segundos, tentando não pensar em nada. Só no barulho do vento lá fora.
- Finalmente, Sakura-chan. - Falou Naruto emburrado. - Já estava para morrer de fome.
- Exagerado você, Naruto. - sorri me sentando ao seu lado. - Não precisava ter me esperado.
- Claro que não, Sakura-chan. - disse Temari sentada no lado direito da mesa. - Você merecia um tempo de descanso.
- Nem me fale. - suspirei.
Ouvimos uma porta se fechar no andar de cima e em seguida passos na escada. Logo em seguida Kankuro pareceu no vão da porta, sem as marcas no rosto e com uma roupa que se assemelhava a um pijama.
- Sakura.
- Olá Kankuro. - falei sorrindo. - Como esta?
- Muito bem, obrigada. - ele disse se sentando ao lado de Temari. - Me desculpem a demora. Podemos começar.
- Itadakimasu. - disse Temari para logo em seguida começar a servir seu jantar.
Todos os outros repetiram o agradecimento e eu iria fazer o mesmo, quando olhei para a ponta da mesa, encontrando a cadeira vazia.
- Sakura? - Kankuro perguntou com um sashimi em direção a boca. - Não vai comer?
Senti minhas bochechas quentes.
- Não vamos esperar o Kazekage?
Temari me olhou ainda mastigando, enquanto Kankuro sorria.
- Gaara costuma ficar até tarde no prédio central. - ele disse brincando com os hashis. - Temari sempre deixa um prato para quando ele chega.
- Não se preocupe, Sakura-chan. - Temari disse sorrindo. - Pode comer.
- Não estou preocupada, só.. - falei ainda envergonhada, não sabia direito por que tinha perguntado sobre o Sabaku no. - Itadakimasu.
- Sakura-chan? - ouvi Temari me chamando de fora do banheiro enquanto trocava de roupa. - Estou entrando.
- Já estou indo, Temari-chan.
Sai do banheiro ainda passando o creme aveludado no antebraço, já tinha passado no resto do corpo e colocado meu pijama de cetim. Procurei meu roupão, mas me lembrei que tinha deixado-o em cima da poltrona.
- Bela camisola.
Vestia uma camisola de cetim branca de comprimento longo e partes de renda estratégicas na cintura e no busto.
- Obrigada. - falei girando o corpo, parque Temari a olhasse direito. - Esta tudo bem?
- Oh sim, claro. - falou se sentando na minha cama e batendo a mão ao seu lado, para que eu sentasse também. - Quero apenas conversar sobre sua missão.
- Sobre a missão? - estranhei. - Existe algum problema?
- Não um problema..- Temari disse escolhendo palavras. - Talvez uma pequena dificuldade.
- Temari? - me sentei ao seu lado, ajeitando a camisola ao sentar. - Ainda não entendi o que você esta tentando me dizer.
Ela suspirou soltando a respiração que eu não percebi que ela tinha prendido.
- Eu não sei se você sabe.. - falou olhando para a colcha da cama. - Mas o Quarto e o Quinto Kazekage foram assassinados. Ter seus principais e mais fortes líderes mortos deixou Suna em alerta total. Temos uma segurança invejável, mas mesmo assim pouco tempo depois da posse de Gaara o Som nos atacou, tivemos algumas baixas. Principalmente no hospital.
Ela pegou minha mão.
- O que eu estou tentando dizer é que..- ela olhou em meus olhos, e pude ver uma chama de dor. - Você vai ter mais trabalho do que esperava ter.
Eu sorri alto lhe puxando para um abraço torto.
- Não precisa preocupar, Temari-chan. - falei afagando seus cabelos loiros. - Foi exatamente pra isso que eu vim. Para trabalhar.
- Certo. Certo.
Sorrimos juntas.
Eu já tinha ouvido sobre as deficiências de Suna, de suas emergências demoradas e venenos mal resolvidos, por causa das poucas plantas no local, mas nada que não pudesse ser resolvido com algum trabalho pesado.
- Fiquei um pouco preocupada quando Gaara decidiu lhe chamar para ajudar no Hospital Geral. Até tentei conversar com ele, para que esperasse o hospital estar melhor para lhe chamar. - falou sorrindo envergonhada. - Mas ele estava apaixonado demais pelo hospital de Konoha para me ouvir.
- Apaixonado?
Sorri achando graça da expressão usada por Temari.
- Ele chegou um pouco diferente, sabe? - ela disse já se levantando. - Querendo mudar e melhorar.
Ele se levantou me dando um beijo rápido.
- Boa noite, Sakura-chan.
- Boa noite, Temari-chan.
Suspirei me jogando na cama abaixo de mim. Saber que o hospital me daria um pouco mais de trabalho me dava uma excitação boa, mas também um pequeno receio.
Eu não sabia o que esperar.
E foi pensando no trabalho do dia seguinte que adormeci.
Acordei tremendo de frio. Apoiada nos meus cotovelos procurei a causa de tanto frio e encontrei a porta da varanda do meu quarto aberta. As cortinas balançavam fortemente seguindo o curso do vento gelado e davam um ar sombrio para o quarto iluminado apenas pela luz da lua.
Levantei sentindo minhas pernas tremerem com o contato como chão ainda mais gelado e fui em direção a varanda, fechando-a rapidamente e ajeitando as cortinas.
Passei as mãos pelos braços tentando me aquecer com meu próprio calor, mas não parecia funcionar muito, pois ainda tremia minimamente. Me sentei na cama e encontrei o roupão na poltrona ao lado, logo em seguida colocando-o no corpo.
Abri a porta com cuidado para não acordar ninguém, já passava da meia noite. Desci rapidamente pensando se os irmãos Sabaku no não se importariam de eu estar furtando a geladeira assim, mas ignorei minha questão interna quando encontrei a jarra de leite.
Peguei a mesma da geladeira, reclamando baixinho por causa da temperatura do alumínio contra minha mão e coloquei em cima no fogão, ligando-o logo em seguida.
O fogo que saia do fogão aos poucos me aquecia também, principalmente minhas mãos que eu colocava acima da jarra de leite. Eu já sentia aquele aroma doce do leite quente quando comecei a procurar a canela pela cozinha.
- Canela.. Canela..
- Na porta a sua direita.
Travei.
- Não estou assaltando a geladeira. - falei sorrindo e girando meu corpo.
Kankuro olhou para a jarra de leite em cima do fogão e depois para mim, com uma sobrancelha erguida.
- Só um pouco de leite.
- Relaxa, Sakura. - ele falou se sentando na bancada no meio da cozinha. - Você esta em casa.
- Obrigada, Kankuro. - peguei a canela e joguei poucas pitadas no leite, deixando que ela se misturasse sozinha. - Leite quente com canela. Quer?
- Não, obrigado. - disse mexendo em alguns potes de biscoitos. - Não sou muito chegado em leite. O bezerro daqui é o Gaara.
Me lembrei da madrugada em que Gaara estivera em minha casa e da caneca vazia no dia seguinte.
- Ele já chegou? - perguntei curiosa.
- Já sim. - falou com metade do biscoito na boca, causando uma diferença na fala. - Me desculpe. Chegou tem umas duas horas.
- Sem problemas.
Por alguns minutos nos concentramos cada um em seus alimentos. Quando me lembrei do que Temari tinha me dito mais cedo, sobre o hospital.
- Kankuro.
Ele fechou o pote rapidamente, ainda com umas cinco bolachas na mão e uma presa na boca.
- Sim?
- Temari mais cedo veio conversar comigo.
- Sobre Gaara? - ele disse rapidamente, sem me dar tempo para continuar minha fala.
- Sobre Gaara? - falei um pouco alto e rápido, sem entender. - Não. Não.
Pude perceber por um segundo o alivio de Kankuro e depois sua vergonha, como uma criança pega em traquinagens.
Abri a boca apara perguntar o porque e o que Temari teria para conversar comigo sobre o caçula dos Sabaku no, mas Kankuro foi mais rápido.
- Então sobre o que Temari foi conversar com você?
- Ela foi falar sobre as dificuldades que vocês já passaram..- falei sutil. - E as que ainda passam. Sobre os Kages e o Som. E sobre a situação do hospital. Não precisa me contar tudo que aconteceu aqui, sei que é meio pessoal. Só queria ter uma idéia do que vou encontrar amanhã.
- Entendo.
Ele suspirou colocando os biscoitos em um prato a sua frente.
- Quando você é um estrangeiro em Suna e ouve qualquer um de nós falando sobre o que passamos, acha que tudo é uma grande exagero. Só um de nós pode entender, Sakura. Nós lutamos para superar a dor de perder o Quarto, e o Quinto. Nos reerguemos, ou ao menos tentamos. Mas quando fomos atacados pelo Som ficamos perdidos.
Kankuro suspirou abrindo o pote novamente, recolocando os biscoitos lá.
- Quando eles passaram da barreira foi estranho. Você sabia que eles estavam procurando alguma coisa, dava pra sentir. Eles não atacavam, não matavam, apenas procuravam. E quando eles acharam, era tarde demais. O hospital foi ao chão. Com todos os ninjas e civis que estavam lá dentro, todas as mulheres e crianças. Tudo se foi, Sakura.
Suas mãos apertavam a tampa do pote e eu pensei que a qualquer minutos fosse quebrar.
- Depois eles foram embora. Como mágica. E só sobrou poeira e dezenas de corpos. - ele suspirou pesado. - Você vai encontrar um hospital novo, totalmente reformado. Aparelhos novos, salas novas. Mas dores velhas, sentimentos antigos e principalmente, pessoas despreparadas. Sinto dizer isso, mas é a verdade. Durante a invasão grande maioria dos ninjas médicos e enfermeiras de Suna estavam no hospital, todos morreram. Poucos estavam em campo. E são esses que você vai treinar.
- Eu sinto muito, Kankuro.
E eu sentia de verdade.
- Obrigada. - ele colocou o pote de vidro de lado, brincando com a própria não. - Acordamos todos os dias com medo de ser atacados e não termos forças para salvar nosso povo, Sakura. Sabemos que nunca vamos esquecer a dor daqueles que se foram, mas garantir a segurança dos que sobreviveram nos faz respirar mais aliviado. Faz Gaara querer respirar.
- Não entendi.
Ele abaixou os olhos, se arrependendo pelo que disse.
- Gaara se culpa pelo que aconteceu. Ele nunca vai se perdoar.
- Ele não tem culpa.
Falei rapidamente, com um pouco de raiva na voz. Kankuro arregalou os olhos com minha fala repentina, mas ficou calado esperando que eu continuasse.
- Ele é um Kage, não um Deus. Ele esta ali para dar o melhor de si pela vila, para defende-la e honrá-la. Para lutar por seu desenvolvimento e crescimento. - falei um pouco nervosa. - Eu não estava aqui quando a guerra aconteceu e posso não conhecer o Kazekage como vocês conhecem, Kankuro. Mas se eu tenho uma certeza, é que ele ama essa vila e deu o melhor de si, fez tudo que existia de possível para salvar aquelas pessoas. E se ele não conseguiu, é por que não podia ser feito. É por que era pra acontecer.
Durante o meu discurso eu foquei meu olhar no leite já gelado a minha frente, com vergonha de encarar Kankuro. Era um pouco estranho e vergonhoso estar defendendo seu irmão com unhas e dentes quando eu era apenas ninja de uma vila amiga e ele o Kazekage.
Na verdade, eu também não entendia o porque de estar defendendo-o, mas lá no fundo eu só consegui ver Tsunade-shishou quase dando sua vida por Konoha na Grande Guerra. Por causa da minha shishou eu entendia o quão grande era o amor de um Kage por sua vila e todas as loucuras que eles eram capazes por seu lar. Entendia que não existia um limite para que todos estivessem a salvo e felizes.
Quando olhei novamente para Kankuro ele olhava com um sorriso singelo para minhas costa e logo depois, quando me calei por poucos segundo, para mim.
- Me desculpe.
- Não se desculpe. - ele falou pegando minhas mãos. - Obrigado. Boa noite, Sakura.
Kankuro se levantou, deixando o pote de biscoito no lugar onde ele estava antes.
- Obrigada pelo o que? - perguntei sem entender. - Não fiz nada ainda.
- Fez sim. - ele sorriu. - Você só não percebeu ainda.
Observei Kankuro sair da cozinha com um sorriso ainda no rosto. Enquanto eu ainda não tinha assimilado a nossa conversa e tudo que eu tinha descoberto sobre a Vila da Areia.
Por um lado eu sentia uma dor no peito por tudo que Suna passara, mas por outro eu ficava feliz por poder ajudar, e se mais cedo eu estava receosa quanto ao o que eu iria achar amanhã agora eu só queria que a noite passasse mais rápido.
Coloquei a caneca na pia, lavando-a e voltando para meu quarto.
Rezando para que eu pegasse no sono em poucos minutos.
