A primeira coisa que Sasuke viu foi a árvore. E se sentiu imediatamente transportado para os tempos de sua infância, para a alegria e ansiedade que precediam a chegada do Natal. Sua mãe enfeitava tudo em que conseguisse pôr as mãos, até a casinha do cachorro, já seu pai se limitava a participar, de má vontade, da ceia e da abertura dos presentes.
Sim, o Natal já tivera significado na vida de Sasuke. Ele se lembrava da comida deliciosa, da música que brotava de todos os cantos da casa... Os presentes começavam a aparecer uma semana antes do dia em que deveriam ser abertos, a manhã do dia de Natal, e, dentre os muitos a ele destinados, Sasuke jamais deixava de encontrar algo de muito especial, como uma bicicleta ou um telescópio. Lembrava-se também da voz de sua mãe na hora da ceia, em meio a toda aquela alegria, dizendo à família: "Que bom que estamos aqui tão felizes e contentes, mas não vamos nos esquecer de brindar ao aniversariante"...
Fazia muito tempo que Sasuke não se lembrava de nenhuma dessas coisas. Igualzinho ao pai, à medida que fora ficando mais velho, perdera cada vez mais o interesse pelas festas de fim de ano.
O apartamento estava silencioso, e isso o deixou apreensivo. Chiyo evidentemente já fora para casa e, observando a sala com mais atenção, Sasuke viu as lampadazinhas penduradas em volta dos batentes das portas e das esquadrias das janelas. É, pelo jeito Sakura havia tido um bocado de trabalho.
Sasuke entrou pelo corredor e, ao se aproximar do quarto, sentiu uma ansiedade, uma pressa... de ver Sakura. Não havia como negar: seu coração disparava só de pensar em estar de novo na presença dela. Descobrira muita coisa a respeito de Sakura naquela tarde, só não descobrira mais porque, quando se dera conta de estar lendo algo tão particular quanto um diário íntimo, fechara-o e o pusera de lado. O que já havia lido, porém, deixara-o atônito.
Fazia muito tempo que Sakura se apaixonara por ele, na verdade, desde o primeiro dia em que fora trabalhar na empresa. Do motivo, Sasuke não fazia a mínima idéia, pois jamais fora gentil nem atencioso com ela.
Havia algo ainda mais estranho no que Sakura escrevera no diário a respeito dele. O homem que ela descrevera era mais bondoso, mais inteligente, mais forte e mais bonito do que Sasuke jamais seria. E, apesar disso, outras das observações dela sobre ele eram absolutamente verdadeiras, frutos de uma percepção tão acurada que o deixara de boca aberta.
Sakura não era alguém que se pudesse deixar de levar a sério. Era uma jovem inteligente, dona de uma profunda sabedoria e capaz de fazer observações muito precisas, isso tudo sem falar em seu extraordinário senso de humor. Mas, a despeito de todas essas qualidades, ela se havia ocultado sob o manto de uma pessoa comum, que mal era notada.
Sasuke tinha quase certeza de que os problemas de Sakura eram decorrentes do fato de ser irmã de Hinata, Temari e Ino. A pobre sucumbira sob a pesada carga de ser considerada a única da família a não ter obtido sucesso e fama internacionais.
O golpe que levara na cabeça com a estatueta de Cupido havia feito vir à tona a verdadeira Sakura, a Sakura que ela poderia ter sido, caso não se subestimasse daquela maneira.
Caminhando pelo corredor, Sasuke viu que a porta de sua suíte estava fechada. O que encontraria à sua espera lá dentro? Tomando coragem, girou a maçaneta e abriu a porta.
Seu queixo caiu diante da miríade de pequenas luzes, a maioria delas piscando em azul, vermelho, verde e lilás, todas faiscando no quarto que, se não fosse por elas, estaria às escuras.
Sakura não se achava ali, será que estaria brincando de esconde-esconde? Sasuke foi até o closet, abriu-o e não encontrou ninguém. Como não acreditava que ela tivesse ido embora, foi procurar no último lugar que restava: o banheiro.
- Sasuke? - soou a voz dela lá de dentro, assim que ele bateu à porta.
- Sim, sou eu.
- Pode entrar, a porta não está trancada.
- Você está decente?
- Claro que estou. Entre, vamos.
Ele girou a maçaneta devagar e entrou. Ali dentro a lâmpada também estava apagada, mas o ambiente se mostrava fracamente iluminado pela luz de velas.
Uma música clássica soava bem baixinho.
E, como se tudo isso não bastasse, um delicioso aroma de rosas se espalhava pelo ar.
Foi então que Sasuke a viu deitada na banheira. Não lhe foi surpresa perceber que Sakura não estava decente coisa nenhuma, ela não havia se preocupado sequer em semi-ocultar o próprio corpo com espuma de sabão ou com as bolhas provocadas pelos jatos da hidro.
Jazia ali diante dos olhos dele, deitada sob a água cristalina, nua, linda, convidativa... Seus cabelos rosas caíam em torno de uma almofada transparente que Sasuke não se lembrava de já ter visto, e sua mão direita pendia languidamente da beirada da banheira.
Dizer que ele ficou excitadíssimo seria passar a anos-luz de distância da verdade. Sasuke sentiu que a braguilha da sua calça estava a ponto de explodir. Esse fato, somado ao vapor da água que começava a lhe umedecer as roupas, provocou-lhe uma vontade quase irresistível de tirá-las.
- E então? O que acha? - perguntou Sakura em tom provocante. Como Sasuke não foi capaz de oferecer resposta melhor do que um balbucio ininteligível, ela sorriu e acrescentou: - Ah, entendi.
- É que você está... está...
- Estou tomando banho, ora. O que tem isso demais?
- Mas...
- Ah, Sasuke, deixe de ficar aí gaguejando como um bobo e venha até aqui.
Ele deu um passo hesitante em direção à banheira, incapaz de afastar os olhos da pele lisa do rosto e dos ombros de Sakura, recoberta de gotículas de vapor.
Ela ergueu a mão direita e, com o indicador, fez sinal para que Sasuke se aproximasse mais.
- Mas, Konan, eu...
- Mais perto, Sasuke, mais perto.
Ele deu mais um passo, que o levou quase junto à lateral da banheira. Agora conseguia enxergar melhor a esplêndida nudez de Sakura, sobre cuja pele a luz das velas dançava e bruxuleava. O melhor seria sair correndo logo daquele banheiro, antes que acontecesse uma catástrofe.
- Konan, acho que...
- Venha até aqui, vamos. Bem pertinho de mim.
Sasuke se inclinou para ela, e, vendo-a erguer a cabeça em sua direção, percebeu que o que Sakura queria era um beijo. Ah, ótimo. Um simples beijo ele seria capaz de lhe dar sem perder a cabeça e acabar cometendo alguma tolice.
Acontece que, em vez de um beijo na boca, o que recebeu de Sakura foi um firme puxão na gravata.
Ela podia ser uma pequenina e Sasuke podia ser capaz de vencê-la em uma queda-de-braço com as duas mãos amarradas às costas, mas ele caiu. Caiu dentro da banheira espadanando água para todos os lados, assim como estava, de terno, gravata e sapatos. Caiu na água morna e nos braços de Sakura.
Mas, depois de finalmente receber o beijo que ela lhe deu, depois de Sakura ter puxado a mão dele para seu seio molhado e macio, Sasuke se esqueceu do tombo que levara.
Isso até se lembrar do perigo que significava estar dentro da hidro junto com aquela irresistível nudez feminina.
- M-mas que diabo você pe-pensa que está fa-fazendo? - gaguejou ele por fim, tentando se livrar dos braços dela.
- Ora, querido, foi sem querer...
- Sem querer? Minha roupa está arruinada, sabia disso?
- E quem está se importando com essa porcaria de roupa?
- Pois fique sabendo que os meus sapatos são italianos, feitos a mão por um velhinho que mora na Toscana!
- Para mim, seus sapatos poderiam ter sido feitos até pelo Gepeto - retorquiu Sakura. - São apenas sapatos. E você, vai me beijar ou vamos os dois ficar conversando sobre a alta moda italiana?
Sasuke se apossou dos lábios dela. E acabou se rendendo.
Como não se renderia se Sakura introduziu a língua em sua boca, provocando-o com movimentos sinuosos como o de uma serpente? Como não se renderia, sentindo o bico do seio dela enrijecer-se de encontro à palma de sua mão?
De repente Sakura se afastou dele, fitando-o com um sorriso maroto.
- O que foi? - estranhou Sasuke.
- Fique de pé, vamos.
- O quê?
- Fique de pé, estou dizendo - insistiu ela. - Eu ajudo. Segure-se nas beiradas da banheira e ponha os pés um a cada lado de mim. - Inexplicavelmente ele conseguiu se levantar, as roupas escorrendo água, Sakura também se levantou e ficou de pé diante dele. Sasuke ia levar as mãos à sua cintura, mas ela o impediu.
- Fique aí quietinho, até eu mandar você se mexer.
Sakura então fez um movimento circular com o indicador, ordenando-lhe que se virasse de costas, ele obedeceu. Ela lhe tirou o paletó encharcado, atirou-o no chão ao lado da hidro e fez com que Sasuke se virasse novamente de frente para lhe tirar a gravata. Depois foi a vez da gotejante camisa de seda, que teve o mesmo destino do paletó.
As mãos de Sakura se apoderaram da fivela do cinto dele, e Sasuke deixou escapar um gemido ao sentir que ela a abrira. E, com a cabeça inclinada para trás e os olhos fechados, gemeu ainda mais longamente ao perceber que a Haruno começava a lhe descer o zíper da calça.
De repente, como quem acorda de um sonho, ele se deu conta do que estava acontecendo. E, baixando a cabeça para fitar o rosto de Sakura, segurou-a pelos braços e a impediu de continuar.
Jamais sentira tanta dificuldade para dizer alguma coisa, mas aquelas palavras tinham de ser ditas.
- Por favor, Konan, essa não é uma boa idéia. É melhor você sair deste banheiro.
- Mas logo agora? Por quê?
- Não importa por quê. Saia, Konan, por favor.
- Mas eu não quero sair, estou adorando isto aqui. Além do mais, não terminei o que estava fazendo.
- Deus do céu, Sakura, será que não entende? - a voz de Sasuke tinha um tom de desespero. - Se você me tocar de novo, não vou ser capaz de resistir! Você entende isso?
- Entendo, sim.
- Então por que não sai daqui de uma vez?
- Bem, porque, para começar - declarou Sakura com a maior calma deste mundo -, você está me segurando com tanta força que vai deixar manchas roxas nos meus braços. E, em segundo lugar, porque quero ver você.
- Mas não está me vendo? - perguntou Sasuke, largando dos braços dela. - Estou bem aqui na sua frente.
- Quero ver você nu.
- O quê? Mas não, Konan, eu...
Sakura fingiu que não ouvia e voltou a se ocupar com o zíper da calça dele, abrindo-o até o fim. Depois se abaixou, ficando de joelhos dentro da água, segurou a calça de Sasuke pelos dois lados do cós e puxou-a para baixo.
Ele sentiu que sua masculinidade rígida e quente ficara, finalmente, livre da incômoda restrição da roupa apertada e molhada.
- Minha nossa... - disse Sakura baixinho em tom de admiração. Jamais, na história da humanidade, duas palavras tão curtas haviam elevado o ego de um homem a tamanhas alturas. - E você queria esperar pela noite de núpcias... Que bobagem foi essa?
- Se-sei lá - balbuciou Sasuke, imóvel e com a respiração suspensa.
Sakura terminou de puxar a calça dele até embaixo, sob a superfície da água, e Sasuke ponderou que nunca se vira em uma situação mais ridícula do que aquela. Quem poderia imaginar um sujeito sério como ele, paralisado dentro de uma banheira com água pelos joelhos e a calça pelos tornozelos? Um homem rico e poderoso como ele, completamente dominado por uma garota com jeito de adolescente e a quem, pelo menos no momento, faltava um parafuso?
Sakura segurou o membro dele com a mão direita, e Sasuke voltou a pender a cabeça para trás e fechar os olhos. Ela lhe acariciou a carne ardente e pulsante com a ponta da língua, e ele teve de se segurar no suporte de toalhas.
Ela então lhe envolveu o membro com os lábios.
E Sasuke descobriu o significado da palavra paraíso.
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KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Nada a declarar!
