Sakura Haruno. Era isso que ela era. Apenas Sakura Haruno.
Ela saiu correndo do restaurante, mal enxergando por onde ia por causa das lágrimas, e virou à esquerda na Park Avenue. O que desejava era desaparecer, o que esperava era que um buraco se abrisse sob seus pés e a engolisse para sempre.
Lembranças bombardeavam-lhe o cérebro de todos os lados. Sua mãe, Temari, Hinata e, naturalmente, Ino. O minúsculo apartamento, com sua triste arvorezinha de Natal. As fotografias de Sasuke Uchiha. Malditas fossem aquelas fotografias e as fantasias idiotas que ela cultivara.
De todas as pessoas existentes no planeta, a última diante de quem ela gostaria de se humilhar era Sasuke Uchiha. Sakura sentiu-se arrepiar de horror ao pensar no que havia feito na presença dele. Ficara nua diante de Sasuke! Fizera sexo com ele! Que vergonha, meu Deus, que vergonha!
Ela enxugou os olhos com a costa da mão e atravessou a rua, tentando pensar no que fazer, aonde ir. Devia estar parecendo uma louca, a julgar pelo modo como os transeuntes abriam espaço à sua passagem.
Decidiu esconder-se por algum tempo na entrada de um edifício abandonado, longe da visão de quem passava na rua e, espremendo-se no cantinho do portal, deu finalmente vazão a um pranto convulso. Virando-se para a parede e cobrindo o rosto com as mãos, chorou como jamais chorara na vida.
Aquilo tudo era um pesadelo, a pior coisa que lhe poderia ter acontecido. O que lhe dera na cabeça para pensar que era uma mulher sofisticada e vivida? Só rindo mesmo. O quê, aliás, era o que Sasuke devia estar fazendo naquele momento: rindo dela e de sua inominável estupidez.
Como pudera ser tão idiota? Algo devia ter-lhe acontecido, Sakura não sabia o quê, mas se lembrava de ter sido atendida em um hospital. E também de alguma coisa relacionada a uma estatueta de gesso.
Em relação aos dias anteriores, aquela era a única parte ainda nebulosa em sua mente. Do restante, ela se lembrava de forma dolorosamente nítida: havia beijado Sasuke, o havia seduzido, planejara seu casamento com ele!
Sakura abriu a bolsa, em busca de algo com que enxugar o rosto. Bem, pelo menos um de seus problemas estava resolvido: encontrou um pacotinho de lenços de papel. O que não encontrou foi dinheiro para pegar um táxi ou pelo menos um ônibus. Além dos lencinhos, tudo o que havia em sua bolsa era um cartão telefônico, um batom e duas passagens para o Taiti.
E agora? Ela podia ao menos dar um telefonema, mas para quem? Ino era a única pessoa de sua família que se encontrava na cidade, mas para ela Sakura não queria ligar, que Deus a livrasse. Mesmo porque Ino ou não se encontraria em casa, ou, caso se encontrasse, estaria dormindo. E, se por um milagre Sakura conseguisse encontrá-la, ela a ajudaria com a maior má vontade e depois passaria o resto da vida lembrando-a daquilo o que tivesse feito. Não, não iria ligar para Ino.
E que outra opção lhe restava? Sakura não tinha amigos de verdade. Em seu mundo de fantasia, seus amigos eram personagens literários, astros de cinema e cantores de rock. Ela jamais tivera espaço em sua vida para amigos de carne e osso.
O que fazer? Jamais conseguiria caminhar toda aquela distância até o Harlem, e, ainda por cima, estava tremendo de frio. Na próxima vez em que saísse correndo de um restaurante como uma louca, precisaria se lembrar ao menos de pegar seu casaco.
Completamente desorientada, Sakura apoiou a testa na parede do edifício. Como se não bastasse toda aquela humilhação, ela estava realmente em palpos de aranha: não podia voltar para o trabalho, e tudo o que possuía eram alguns poucos dólares escondidos no apartamento, dentro da lata de farinha. Não tinha parentes a quem pudesse recorrer e não tinha amigos. Como pudera se meter em uma situação daquelas?
- Sakura?
Ela ficou imóvel ao ouvir seu nome ser chamado a pouca distância dali. Era a voz de Sasuke. Ah, não, nem pensar, Sakura não suportaria permitir que ele a visse naquele estado.
Desesperada, espremeu-se ainda mais no cantinho escuro do portal. Sasuke passou na calçada em frente, porém não a viu, trazia alguma coisa na mão, mas Sakura não conseguiu distinguir de que se tratava.
Passados alguns instantes, ela o ouviu gritar novamente o seu nome, em um tom de voz preocupado. Sasuke devia estar com medo de que uma doida como ela fizesse alguma loucura, como se atirar na frente de um táxi ou atravessar o Central Park sozinha à noite.
Sasuke entrou de novo em seu campo de visão e Sakura viu que o que ele segurava na mão era o seu casaco esquecido no restaurante. Mais uma vez ele passou sem a ver e prosseguiu caminhando pela calçada na mesma direção da qual viera antes.
Sakura deixou escapar um suspiro de alívio, graças aos céus conseguira esconder-se dele. Conseguira mais uma vez ficar invisível, ela que fora invisível a vida inteira. A esfuziante Konan não teria conseguido deixar de ser vista, mas ela, a insignificante Sakura, não tivera dificuldade para fingir que não existia.
Pegou o cartão telefônico de dentro da bolsa, saiu de seu esconderijo e recomeçou a caminhar, em busca de um telefone público. Acabara de se lembrar de uma pessoa para quem poderia ligar, uma pessoa que não deixaria de ajudá-la. Naruto. Naruto fora tão bom com ela no decorrer de tudo o que lhe acontecera e com certeza a levaria para casa. Além disso, ele já sabia de toda a verdade e Sakura, que se sentia completamente exausta, não teria de se desgastar ainda mais dando-lhe explicações.
…
Sasuke andava de um lado para outro como um autômato, da cozinha para junto da árvore de Natal e vice-versa. Que fim levara Sakura? Como ele pudera deixar as coisas chegarem àquele ponto?
A pobrezinha estava em algum lugar lá fora, sozinha e apavorada, tremendo de frio sem o casaco. E tudo por causa daquela mania que ele tinha de fazer sempre as mesmas coisas, da mesma maneira, nos mesmos lugares, dias e horários. Tudo por causa daquela maldita rotina que ele tanto valorizava em sua vida.
Sim, porque se ele não tivesse o costume de freqüentar o Charlemagne às terças e sextas desde que assumira a empresa, se não se sentasse sempre à mesma mesa e sempre no mesmo horário, Konan Baskin não o teria encontrado no restaurante.
Como a vida era irônica... No exato instante em que a vira, Sasuke havia finalmente se lembrado do porquê de seu rompimento com ela. Por mais boa moça que fosse, por mais sofisticada, culta e bem informada, Konan era na verdade a criatura mais chata e enjoada que ele já conhecera. A idéia de passar o resto da vida ao lado dela era simplesmente absurda.
Sasuke contemplou a árvore de Natal, de dimensões exageradas. Konan Baskin jamais teria comprado algo daquele tamanho, o máximo trabalho a que se daria seria o de contratar um profissional para, com toda a finesse e bom gosto, encarregar-se da decoração do apartamento para as festas. E jamais lhe passaria pela cabeça a idéia de encher o quarto dele de lampadazinhas coloridas e faiscantes.
Por falar em quarto... Sakura também fizera ali coisas que jamais passariam pela cabeça de Konan.
Konan não teria virado o mundo dele de cabeça para baixo, não teria desviado sua atenção do trabalho. Teria feito tudo certinho: as festas certas, as obras de caridade certas... Sexo no sábado à noite, o Times no domingo de manhã. Não era exatamente isso o que Sasuke queria?
E por quê, então, só de pensar nessas coisas agora, ele sentia um arrepio de horror? Que droga! A verdade era que, no momento em que Sakura saíra correndo do restaurante, o mundo dele havia se paralisado. Sasuke não queria nem imaginar o que significaria perdê-la para sempre.
Chiyo, que tivera o bom senso de se manter a distância do patrão após ter ouvido um breve relato do que ocorrera no restaurante, veio da cozinha com uma xícara na mão.
- Não estou com vontade de tomar nada, obrigado.
- Deixe de conversa, Sr. Uchiha, e beba de uma vez.
Observando a expressão do rosto dela e o tom de sua voz, Sasuke logo viu que seria melhor não discutir. E, tomando um gole do conteúdo da xícara, percebeu que se tratava de café misturado com conhaque.
- Obrigado, Chiyo - disse por fim.
- Diga-me uma coisa, Sr. Uchiha: por que diabo teve de levá-la justamente para aquele restaurante?
- Como é que eu ia saber que Konan iria aparecer lá justamente naquela hora?
A governanta o fitou com um olhar misto de raiva e pena.
- E o que está esperando para ir atrás da pobrezinha?
- Ah, Chiyo, se eu soubesse onde Sakura está, já teria ido há muito tempo.
- Já tentou o apartamento dela?
- Tenho ligado para lá a cada dez minutos.
- Ora, essa! - exclamou a mulher, deixando escapar um suspiro de desânimo e impaciência ao mesmo tempo. - E acha mesmo que ela vai atender, sabendo que é o senhor quem está ligando?
- Ah, meu Deus... Eu não havia pensado nisso.
- Vou mandar Ben tirar o carro da garagem - declarou Chiyo, saindo em direção à cozinha.
O tilintar do telefone, porém, a deteve. Ela olhou para Sasuke, que olhou para ela e finalmente se atirou em direção ao aparelho para atender à chamada.
- Sakura? - perguntou, aflito.
Ninguém respondeu, mas Sasuke ouviu ruídos ao fundo. O som de algo sendo arrastado, um chiado como o de uma chaleira com água fervendo...
- Ah, claro, eu gostaria muito. - Era a voz de Naruto, abafada e distante, mas com certeza a voz de Naruto.
- Alô? Alô? - insistiu Sasuke, mas ainda sem resposta.
- Venha, Sakura, sente-se aqui e termine o que estava me contando.
Sasuke sentiu-se invadido por um enorme alívio. Graças a Deus! Sakura devia ter ligado para Sasuke e os dois estavam em algum lugar, no apartamento dele, ou mais provavelmente no dela. O único mistério era por que Naruto não falava com ele e, pelo que parecia, deixara o telefone ligado de propósito, para que ele ouvisse a conversa.
- Pois é, Naruto - disse Sakura -, não posso acreditar que fui fazer uma coisa dessas logo com ele.
- Como assim, logo com ele?
- É que... É que eu amo Sasuke, Naruto. Amo muito, amo de verdade. Mesmo agora, mesmo depois da bobagem que fiz, daquela idiotice que acabou estragando tudo.
- Mas você o ama sendo Sakura ou sendo Konan?
- Sendo Sakura, é claro. Faz muito tempo que me apaixonei por Sasuke. E ter passado esses dias com ele só fez piorar ainda mais a situação. Malditos sejam aquele anúncio imbecil e a minha imaginação idiota. Sasuke deve pensar que sou louca de pedra. Não tenho o direito de amá-lo!
- E nunca lhe passou pela cabeça a possibilidade de Sasuke também estar apaixonado por você?
- Ah, Naruto, tenha dó. E de mim que estamos falando, não de Konan.
- Mas será que não vê, minha querida? Você é Konan, aquela Konan maravilhosa em que se transformou depois da pancada na cabeça!
- Agora quem parece ter levado uma pancada na cabeça é você. Não sou Konan maravilhosa coisa nenhuma e você sabe disso.
- Ah, garota, como você está enganada... Você sempre foi essa Konan, mas tinha medo de mostrar quem realmente era. E vou lhe dizer mais uma coisa, Sakura: se Sasuke tiver um pingo de cérebro dentro daquela cabeça dura, vai enxergar que você foi a melhor coisa que aconteceu na vida dele. E vai se casar com você.
Sasuke arregalou os olhos ao ouvir as palavras do amigo. Que história era aquela de casamento?
- Ah, Naruto, você e esse seu enorme coração... Eu vi a verdadeira Konan, lembra-se? Não pode haver no mundo duas pessoas mais diferentes do que nós duas.
- Eu sei, e dou graças aos céus por isso. Se você se parecesse com ela, pode acreditar que eu não estaria aqui agora.
Sakura respondeu alguma coisa, mas sua voz parecia estar vindo de outro cômodo e Sasuke não conseguiu entender.
- Sasuke? - A voz de Naruto, nítida e alta assustou-o.
- O quê? Sim, sou eu!
- Venha para cá agora mesmo.
- Mas onde é que você está?
- No apartamento dela, seu idiota.
- Mas...
- Mas o quê? Mas o quê, seu cretino? Será que a sua estupidez é tamanha que vai deixar Sakura sair da sua vida? Pense bem, homem de Deus, imagine-se dormindo toda noite ao lado dela, acordando toda manhã ao lado dela...
Sasuke finalmente entendeu. E imaginou Sakura em sua cama. Sakura revolucionando a rotina ordeira e insípida de sua vida. Sakura tendo os filhos dele
- Naruto, pelo amor de Deus, não a deixe sair daí!
- Vou fazer o que puder, mas acho melhor você se apressar.
Sasuke desligou o telefone e saiu praticamente voando em direção à porta. Chiyo já se achava de prontidão, com o sobretudo dele nas mãos.
- Ben está esperando lá embaixo - declarou ela. - Agora vá até lá e trate de fazer o que é certo, está me ouvindo?
- Vou tentar - murmurou ele.
- Vai tentar coisa nenhuma. Vai fazer, e estamos conversados. Sasuke ficou indeciso por alguns segundos, depois se inclinou e plantou um sonoro beijo na bochecha da governanta.
- Obrigado, Chiyo. Não sei o que seria de mim sem você.
Em meio segundo ele já saíra para o corredor e descia pelo elevador que, também graças a Chiyo, já se encontrava à sua espera.
Sakura, a mulher de sua vida. Quem poderia ter imaginado uma coisa dessas? Deus do céu, a mãe dele iria acabar com o estoque de fogos de artifício da cidade. E as duas juntas, então? Iriam infernizar cada um de seus dias até levá-lo à loucura.
Então, por que diabo ele estava sorrindo com aquela cara de bobo?
Sakura terminou de tomar o chá e contemplou sua lamentável arvorezinha de Natal. A pobre-coitada finalmente entregara os pontos: tendo ficado alguns dias sem ser regada, acabara por secar e morrer. Igualzinho ao que acontecera com os sonhos de sua dona.
A despeito do que Naruto lhe dissera, Sakura não era tola a ponto de esperar um final feliz para a sua patética história de amor. Sua experiência de vida lhe ensinara que não nascera para virar Cinderela à meia-noite, sua tendência era mais para virar abóbora.
Naruto saiu do banheiro e sorriu para ela.
- E então, como está se sentindo?
- Assim, assim - respondeu Sakura, dando de ombros.
- Vamos, garota, aguente firme - disse ele, apertando-lhe afetuosamente a mão.
- Estou tentando, Naruto. Mas fico me lembrando do restaurante, daquela mulher entrando com a revista na mão, de todo mundo em volta olhando para mim, e...
- Escute, Sakura, está na hora de parar com essa idéia fixa.
- Está bem, está bem - rendeu-se ela, com um sorriso. - Não vou pensar mais nisso. Logo, logo estarei melhor, você vai ver. E você não precisa ficar aqui me paparicando, aposto que deve ter um milhão de coisas para fazer.
- O que é, está me mandando embora? Estou perfeitamente bem aqui, tomando esse seu chazinho gostoso.
Ela pegou a bolsa e de lá retirou as passagens de avião.
- Será que poderia devolver estas passagens para Sasuke?
Tenho certeza de que ele vai conseguir a restituição do dinheiro.
Naruto sentou-se ao lado dela e abriu a capa de uma das passagens.
- Ora, vejam só... Taiti!
- Foi sugestão da mãe dele. Ela disse que Sasuke adora esse lugar.
- E adora mesmo - confirmou Naruto. - Mas acho que você deve guardá-las por mais algum tempo - acrescentou, depositando-as sobre a mesa.
- Mas que idéia! Já não basta o tempo que vou ter de trabalhar para devolver a ele o que gastei com aquelas roupas? Uns cem anos, no mínimo. Essas passagens são de primeira classe, Naruto, custaram uma fortuna.
- Sei, sei.
- Sei, sei - arremedou-o ela, em tom irônico. - Aposto que é isso que você diz a todos os seus pacientes antes de enfiá-los em uma camisa-de-força.
- Pronto, lá se vai a minha carreira por água abaixo... Você acaba de descobrir meu maior segredo profissional.
- Engraçadinho. Sei muito bem da sua fama de melhor médico de loucos da cidade.
- Só da cidade? Sou o melhor da galáxia, minha querida...
Sakura caiu na risada. E ela que imaginava que iria passar muito tempo sem ser capaz de rir!
- Naruto, eu...
Sakura foi interrompida por uma batida à porta. Seu coração disparou dentro do peito, ela olhou para Naruto, depois para a porta, depois para Naruto novamente.
- Como é, Sakura? - perguntou ele com a maior calma deste mundo. - Vai ficar sentada aí o dia inteiro ou vai abrir a porta de uma vez?
Ela se levantou, convencida de que não podia ser. Devia ser o senhorio, ou a sra. Erlich do apartamento ao lado. Não podia ser Sasuke. Sasuke, não, é claro que não.
A despeito de sua convicção, Sakura praticamente se atirou sobre a porta. Abriu-a, e sentiu que seu coração iria explodir.
- Sakura... - murmurou ele. E, ao ouvir o tom em que Sasuke dissera aquela única palavra, ao ver a expressão de seu rosto e contemplar o brilho que lhe cintilava nos olhos, ela percebeu que sua história iria, sim, ter um final feliz.
- E então, vocês dois aí? - intrometeu-se Naruto. - Vão ficar muito tempo olhando um para o outro com essas caras de bobos ou vão se beijar?
Sakura nem teve tempo de perceber como, mas quando se deu conta, já se encontrava nos braços de Sasuke, os lábios perdidos nos dele, enchendo os pulmões com o cheiro dele. Sasuke. Sasuke estava ali abraçado com ela, e dessa vez não se tratava de um sonho nem de uma fantasia.
- Nós dois precisamos conversar - sussurrou ele finalmente, com voz rouca.
- Bem - disse Naruto, levantando-se e começando a vestir o casaco -, acho que chegou minha hora de ir cuidar da vida.
- Ah, não, Naruto - protestou Sakura. - Você não precisa ir embora.
- Precisa, sim - observou Sasuke, olhando feio para o amigo.
- Seu mal-agradecido - respondeu Naruto com um suspiro.
- Vá de uma vez, criatura.
Naruto não deu atenção à impaciência de Sasuke e se aproximou calmamente de Sakura, beijando-a no rosto.
- Não poderia ter acontecido a uma pessoa mais merecedora, minha querida - disse-lhe com um sorriso. - Você é incrivelmente especial, sabia disso?
- Não sabia, não. Mas estou começando a acreditar. Obrigada, Naruto.
E dali a alguns instantes, Sakura e Sasuke se encontraram finalmente a sós.
- Desculpe-me, Sakura, por favor - murmurou ele. - Nem sei o que dizer para lhe pedir perdão.
- Pedir perdão a mim? Mas fui eu quem gastou o seu dinheiro como louca e atrapalhou toda a sua vida!
- É verdade. Mas eu não queria que você recuperasse a memória daquela forma tão dolorosa. Nunca imaginei que Konan iria aparecer no restaurante de repente.
- Ah, sim... Konan.
- Vamos, não se preocupe. No momento em que pus os olhos nela, percebi que aquele anúncio tinha sido um tremendo erro.
- É mesmo?
- Sim, é verdade. Só não percebi naquele momento é que já havia outra pessoa na minha vida.
- Outra pessoa?
Sasuke tomou-lhe o rosto entre as mãos e ela fechou os olhos, mal acreditando no que estava acontecendo.
- Sakura?
- Humm?
- Eu amo você, minha querida.
- Eu sei, amor da minha vida. Eu também amo você.
- Sabe, Sakura, estive pensando e tive uma idéia... - disse Sasuke bem devagar, com um brilho maroto nos olhos. E depois acrescentou de um só fôlego: - Por que não nos casamos só no civil, sem festa nem nada, e depois voamos para o Taiti para passar a lua-de-mel?
- Puxa, querido, que idéia original! Como é que conseguiu pensar numa coisa tão criativa?
O sorriso de Sasuke se ampliou e ele a abraçou com toda a ternura.
- Você tem consciência de que fez uma terrível revolução na rotina da minha vida, não tem?
- Tenho, sim - riu Sakura. - E na minha opinião, era exatamente disso que você precisava. - Ouvindo nesse momento uma batida à porta, ela perguntou: - Quem será? Será que Naruto esqueceu alguma coisa?
- Ele não se atreveria a voltar aqui agora - disse Sasuke de cara feia. - Que eu saiba, Naruto tem amor à própria pele.
Sakura abriu a porta, mas não havia ninguém. No chão junto à soleira, porém, estava algo que o jovem psiquiatra lhes deixara de lembrança.
Uma estatueta de gesso, encardida e escalavrada, à qual faltavam os pés e um pedaço da asa. Cupido, o pequeno deus do amor.
Sakura deixou escapar um suspiro, enquanto Sasuke a abraçava pela cintura.
- Eu não lhe disse, meu amor? Foi o destino...
Sasuke sorriu, pegou a estatueta e fechou a porta.
...
...
...
Aaah, gente! Acabou! T.T Vamos ao epílogo!
