Retratação – Vide capítulo 1
N.T: Obigada à Nay (PHOENIX) pela review, e perdão pela demora em atualizar. Espero q vc continue lendo e gostando!
Abraçados
Capítulo 2 – Nigel
"Sydney precisa começar a prender os cabelos para dormir" – pensava Nigel, enquanto com certa irritação tirava uma mecha dos cabelos dela de seu rosto e franzia o nariz, sentindo cócegas.
Um movimento suave do corpo coberto por uma camisola de seda ao seu lado o acordou num instante, e ele quase deixou escapar um palavrão ao notar que acontecera outra vez.
Pela quarta noite consecutiva ele acordava e notava que estavam abraçados. Não importa o quão distantes deitavam-se um do outro à noite, ao acordar estavam tão próximos um do outro quanto fosse possível estar.
Não seria tão ruim se fosse apenas nas últimas quatro noites, ele culparia o stress dessa viagem ou algo assim, mas na verdade aquilo estava acontecendo há pelo menos sete ou oito meses. Sempre que precisavam dividir uma cama, algo que estava acontecendo com muita freqüência, eles acabavam acordando numa daquelas posições.
Ou eles estariam deitados de lado, com o corpo de Nigel envolvendo o de Sydney, ou então ele estaria deitado de costas, com Sydney praticamente deitada sobre ele, com a cabeça encaixada na curva de seu pescoço, um braço sobre seu peito e as pernas enroscadas nas dele.
Um braço de Nigel estava envolvendo os ombros de Sydney, enquanto o outro estava sobre o quadril envolvido pela camisola de seda, fato que só percebera agora quando, cheio de culpa, removia a mão fazendo uma prece silenciosa para que ela não acordasse. A resposta dela foi um suspiro e afundar ainda mais a cabeça no pescoço de Nigel, o que o fez suspirar aliviado.
Ele olhou ao redor e percebeu que os cobertores caíram no chão em algum ponto durante o sono, e pôde deleitar-se na visão de Sydney apenas numa camisola de seda. Desde seu primeiro dia juntos, percebera que ela era uma mulher que se sentia muito confortável com seu corpo e sua sexualidade, nunca tendo problemas em andar pelo quarto de hotel em que estavam apenas em roupas íntimas ou camisolas sensuais como esta. Da mesma forma que apreciava a visão, Nigel às vezes pensava em dar-lhe de presente um pijama de flanela, apenas para não precisar ver a bela Sydney desfilando em seda e renda.
Olhando para o relógio na mesa de cabeceira, Nigel notou que eram apenas três da manhã, ou seja, muito cedo para se levantar, tomar um banho bem frio e tentar não pensar nos efeitos mais do que óbvios que estar abraçado com uma bela mulher causavam em seu corpo.
Gentilmente o rapaz tentava evitar uma situação potencialmente embaraçosa, mas parece que a mulher estava bem confortável como estava, pois não se movia. De fato quando ele tentou se desvencilhar dela, Sydney o agarrou pela camisa e se aconchegou ainda mais.
Suspirando, decidiu tentar um outro meio de escapar sem acabar morto no processo. Graças a uma noite regada a cervejas alguns meses atrás, Nigel descobrira que o melhor jeito de fazer Sydney relaxar era acariciar-lhe os cabelos. Só esperava que agora isso fizesse efeito e, quando ela relaxasse, ele conseguisse sair da cama.
Ele apenas não contava com o efeito que este ato teria nele mesmo. A sensação dos fios sedosos entre seus dedos era a coisa mais sensual que ele podia imaginar, e o aroma do xampu o intoxicava de tal forma que seria impossível perceber se Sydney acordasse.
Ela ficou deitava por alguns minutos apenas imaginando que raios Nigel estava fazendo, mas decidiu que não era importante, desde que ele continuasse fazendo. Quando acidentalmente os dedos dele tocaram sua nuca, Sydney precisou de toda a força de vontade dentro de si para não gemer. Ela sabia que precisava parar com aquilo antes que as coisas fugissem ao controle e ela fizesse exatamente aquilo que estava querendo fazer, ou seja, joga-lo sobre a cama e mostrar como podia ser divertido dormir juntos; se bem que suspeitava que Nigel podia lhe ensinar algumas coisas também.
"Nigel – finalmente ela o chamou – o que está fazendo?"
Nigel deixou escapar um som de surpresa e se afastou tão depressa que qualquer pessoa pensaria que Sydney estivesse queimando. Ela o deixou ir, se virou de lado, apoiando a cabeça sobre a mão e o observou, praticamente do outro lado do quarto, o mais distante possível da cama.
Sydney manteve-se calada por um instante, apenas olhando enquanto ele andava de um lado para o outro pelo quarto, sussurrando palavras ininteligíveis durante todo o tempo. Percebendo que ele não ia parar, Sydney fez o que achava que devia fazer.
"Nigel – disse com firmeza – pare de ficar andando de um lado para o outro e volte para a cama!"
Ouvi-la dizer 'volte para a cama' fez com que Nigel ficasse tão vermelho quanto o letreiro do hotel onde estavam hospedados. Finalmente ele se voltou para encara-la.
"Me desculpe, Syd. Mas você estava deitada sobre mim e... eu estava apenas tentando te acordar, assim eu poderia me afastar um pouco. Eu não queria me aproveitar de você ou coisa assim..." – ele se desculpou.
Sydney suspirou e relaxou a postura e expressão.
"Fique calmo, Nigel – disse com um sorriso – Eu sei que você jamais faria isso. Mas quando duas pessoas dividem uma cama tão freqüentemente, certas coisas acontecem. Agora, será que você poderia fazer o favor de voltar para a cama, aí a gente pode dormir mais um pouco?"
"Eu... – começou Nigel – acho que vou dormir no sofá, Syd, assim você pode dormir melhor."
"Nigel – Sydney chamou, suspirando novamente – Esse sofá é muito pequeno, e foi exatamente por isso que concordamos em dividir a cama, lembra-se? Agora está tarde, eu estou cansada e, se você não puser esse seu traseiro nesta cama imediatamente, eu vou até aí te buscar!"
Nigel assentiu, enquanto com hesitação atravessou o quarto e sentou-se bem na beirada do colchão. Com certa irritação, Sydney se moveu, pegou os cobertores que estavam no chão e praticamente puxou Nigel e o obrigou a deitar-se.
"Olha só – disse ela, deitando-se sobre Nigel novamente – Se isso te faz sentir-se melhor, amanhã bem cedo a gente pode discutir isso, mas exatamente agora, tudo o que eu quero é voltar a dormir. Então, feche os olhos, relaxa e, antes mesmo que você perceba, nós estaremos no meio da conversa mais embaraçosa de nossas vidas."
Nigel não pôde suprimir o riso, e Sydney sorriu, sabendo que, se Nigel estava rindo, ela vencera a batalha. Ela se acomodou sobre ele e sentiu-lhe o braço envolver seus ombros instintivamente. Com um sorriso, ela se deixou levar pelo sono.
Nigel pensava que não havia meios de voltar a dormir, mas o som da respiração de Sydney deitada sobre ele o tranqüilizou de tal forma que dormiu quase imediatamente.
Na escuridão do quarto, Sydney sorriu e se aconchegou ainda mais quando sentiu Nigel relaxar sob seu corpo. Seu último pensamento antes de ser levada pelo sono, envolvida nos braços de seu melhor amigo, foi de que a manhã que se aproximava seria muito interessante.
Continua...
