Capítulo 2

"Severo,

Como você está?

Eu continuo na mesma. Tedy (o filho de Remo e Tonks, que meu afilhado) está morando comigo agora. Devo admitir que cuidar de um bebê de sete meses de idade 24 horas por dia é cansativo, mas eu não trocaria isso por nada. Teddy me faz sorrir e ocupa meus pensamentos. Isso é bom, eu acho. Pelo menos não estou pensando em meu "casamento feliz" que irá acontecer daqui a uma semana. Emocionante, não é?

Mas em fim, eu já tomei providências quanto as minhas posses. Me diga, Severo, o que você acha de passar uma temporada em Roma? Para ser sincero, eu realmente acho que Cassius Bentivolho não é conhecido lá ou aqui.

O gerente das minhas contas trabalhou muito na útima semana. Eu preciso te ver, Severo. Por favor?

Se você quiser ir a Roma, mantenha Martin com você. Se não, o mande de volta com uma resposta. Eu prometo que você estará seguro lá.

Me encontre a meia-noite na frente do Olivaras, no Beco Diagonal em três dias.

Até breve,

Harry."

Harry tinha chamado Rony e Hermione para ficar com Tedy naquela noite. Eles iriam chegar a qualquer minuto e Harry sairia assim que eles chegassem. Ele estava com tanto medo de Severo dizer não a sua proposta, que ele não podia ouvir um pássaro e já imaginavaMartin trazendo uma carta escrita em uma linha: "Potter, absolutamente não."

A batida soou e Harry se levantou para abrir a porta. Passando pela lareira ele reparou que faltava cinco para as dez. Certo, mais duas horas, Harry. Controle.

_ Vamos lá, companheiro! Está frio aqui, se você sabe o que quero dizer! – ele ouviu a voz de Rony, seguido por um ruído que se poderia se passar por um tapa.

_ Não grite na rua, Ronald – disse Hermione gravemente.

Harry riu e abriu a porta.

_ Vamos lá, vocês dois. Chega de brigar na rua feito dois trouxas comuns.

Hermione lhe fez uma careta e empurrou passado para entrar no clima quente da casa. Ainda não tinha neve, mas o vento estava cortante e gelado.

_ Hoje ela está impossível, Harry! – sussurrou Rony agarrando seu braço para impedílo de entrar na sala. _ Sinto muito, cara. Como você está? E Snape, você tem notícias dele?

Harry sorriu e Rony bufou.

_ Eu ainda acho que você foi infeitiçado. Snape! Onde esse mundo vai parar? – disse ele indignado.

Harry bateu em seu braço. _ Cala a boca, Rony.

_ Deixe ele em paz, Rony. Harry, me conte o que você arranjou para Severo?

Harry sentou no sofá e os mostrou a nova identidade de Severo. Hermione ficou satisfeita. Segundo ela, "Ninguém, idiota ou não, irá descobrir que isso é falso".

_ Eu não sabia que Gringots fazia isso – comentou Rony. Ele estava segurando a carteira profissional de um Mestre de Poções.

Hermione bufou. _ Claro que você não sabia. Isso é suposto a ser secreto, a não ser que o Ministério queira milhões de identidades falsas espalhadas por toda a Inglaterra.

_ Certo – disse Rony. _ Harry, onde está Tedy?

Ele os levou para cima e para o quarto da criança, onde ele dormia em seu berço. Harry lhes mostrou onde tudo estava guardado e quando ele iria acordar com fome. Quarenta minutos depois, Harry prendeu sua capa em seu pescoço e se despediu de seus amigos. Saindo para o jardim dos fundos, ele aparatou silenciosamente para os fundos do Caldeirão Furado.

A rua de paralelepípedos estava vazia e totalmente deserta. As pessoas não saem a esta hora e neste frio dos infernos, Harry! Ele se bateu mentalmente. Tremendo de frio, ele caminhou rapidamente passando por janelas escuras e enevoadas pela geada da noite e se dirigiu as grandes portas da livraria que ficava ao lado da pequena loja de varinhas.

Em seu relógio faltavam cinco para a meia-noite e ele já tremia de frio e ansiedade como se um dementador estivesse por perto. Pondo a mala no chão ele se sentou em cima dela. Jamais que ele iria congelar sua bunda naquele degrau frio.

Ele ouviu um barulho a sua direita e pôs a mão perto da varinha por precalção. Olhando para o lado, ele avistou um movimento pelo canto do olho. Será que era Severo? O homem não era um espião para nada. O maldito era um sorrateiro. Outro barulho e um peso depois, ele sentiu Martin pousar em seu ombro. O coitado quase caiu de tanto que Harry tremia.

_ Onde ele está, Martin?

_ Siga em frente, Harry – respondeu o pássaro, se agarrando mais firmemente a capa de Harry.

Dez passos depois ele esbarrou em alguma coisa... alguma coisa que tremia. _ Severo?

Uma mão gelada apertou seu braço e uma voz rouca falou. _ Sim...

Harry pensou. Seu coração estava disparado e ele queria se jogar nos braços do homem, mas primeiro ele tinha que ter certeza.

_ Porque nossas aulas de oclumência terminaram em meu quinto ano?

Ele ouviu uma respiração trêmula ao lado e a mão apertou em seu braço. _ Minhas memórias, a pen-penceira na mesa.

Harry se virou e segurando a mão que estava em seu braço ele puxou o corpo tremendo em seus braços. O Merlin, Severo estava congelando! Com uma camisa de algodão e uma calça jeans que já tinha visto melhores dias, Severo estava quase duro de tanto frio. O homem aninhou seu rosto no oco do pescoço de Harry e sua respiração estava alta no ouvido do jovem. Os braços de Severo rodearam sua sintura e a apertou como se nunca mais iria soltar. Mas era extremamente importante que ele colocasse algumas roupas quentes em Severo.

_ Aqui – disse ele soltando o corpo a sua frente, mas os braços apertaram. _ Está tudo bem, você vai se sentir quente em pouco tempo.

_ Eu me si-sinto que nunca vou f-ficar quente n-novamente – disse a voz. Era tão baixo que Harry tinha que se esforçar para ouvir, mas os braços afrouxaram.

Ele se abaixou para a mala e retirou uma camisa mais grossa do que a que o homem vestia. _ Vamos lá, Severo, vamos te fazer quente novamente.

Ele retirou a camiseta imunda que o homem usava – Severo tremeu mais -, e colocou a outra rapidamente. Se abaixando novamente, ele tirou um suéter de lã grossa e pôs por cima da cabeça de Severo.

_ Roma terá que esperar até amanhã – disse Harry preocupado, um par de luvas saindo do bolso e colocando nas mãos congeladas de Severo. _ Você não tem condições de viajar nesse estado. Vamos lá para casa.

Ele passou os braços no corpo que tremia menos e aparatou de distância, só uma camisa velha deixando pistas de seu encontro na rua deserta.

A casa estava quente e silenciosa quando Harry puxou Severo pela porta da frente. A sua direita, Rony roncava baixinho ao lado de Hermione que lia um livro. Assim que eles passaram por sua cama improvisada, ela se mecheu e ergueu os olhos.

_ O que aconteceu, Harry?

Severo se assustou e foi um pouco mais perto de Harry. Ele pensou que a menina Granger estava dormindo.

_ Amanhã, Hermione – Harry sussurrou. _ Você pode esquentar uma tigela daquele cozido de carne que eu fiz para o jantar em meia-hora?

_ Claro. É bom te ver novamente, senhor – ela acrescentou, sorrindo para Severo.

_ Igualme-mente, Srta. Granger – respondeu Severo.

Harry puchou a mão do homem e o conduziu subindo as escadas. Indo até a porta no fim do corredor, ele levou Severo para seu quarto e direto para o banheiro.

_ Você precisa de um banho. Vai te esquentar mais rápido – disse ele, se abaixando para abrir as torneiras.

Severo estava com muito frio para fazer objeções. Enquanto ele estava quente, ele não iria reclamar. Antes dessa noite ele imaginou como esse encontro com Harry seria, mas tudo isso que aconteceu – essa preocupação do menino (não, o homem) -, nunca passara pela sua mente. Ele se assustou quando um par de mãos retiraram suas roupas.

_ O quê?

Harry sorriu para ele.

_ O banho, Severo – disse ele, apontando para uma banheira cheia de água fumegante.

Acenando com a cabeça, ele ajudou Harry a terminar de tirar suas roupas e entrou na banheira. Olhando para o homem mais jovem ele notou que ele estava fazendo um grande esforço para não olhar em sua direção. Severo sintil um calor quente se espalhar em seu peito, como ele começou a descongelar o gelo em seu coração.

_ Eu vou pegar algumas roupas para você – disse Harry, sua voz tremendo. Ele tirou as mãos de Severo – o homem mais velho se sentindo inexplicavelmente sozinho novamente -, e saiu do banheiro. Sim, Harry Potter foi uma grande surpresa para ele.

Severo nunca se atreveu imaginar que o jovem pudesse retornar seus sentimentos para ele. Afinal, ele não passava de um velho ex-Comensal da Morte, o homem que entregou a profecia para o Lord das Trevas e o mesmo homem que fez sua vida um inferno em Hogwarts. Severo tremeu ao se lembrar de todos os insultos e provocações que ele fez ao garoto – na frente de uma classe cheia! -, e o arrependimento lhe bateu. Harry não merecia a metade das detenções que ele tinha dado. Claro que Harry era um pirralho – o seu pirralho, sua mente forneceu prestativamente -, mas ele não merecia tudo aquilo.

E agora a pirralha Weasley queria tirar isso dele. Maldita a menina! Neste momento Severo chegou a conclusão que ele nunca odiou uma pessoa como ele odiava Gina Weasley agora. Bem, ecéto o Lord das Trevas, é claro. Mas ele não contava mais, certo? Ele sorriu.

A porta se abriu e um Harry pálido entrou segurando um par de pijamas de franela e os depositou em cima do vaso sanitário. O que tinha acontecido com o moleque agora? Ele estava bem?

_ Você está bem? – ele perguntou, seu rosto mostrando alguma emoção pela primeira vez na frente de Harry. Severo não se importava. Ele amava Harry, e ele não iria mais esconder suas emoções do homem. Não se ele quisesse construir um relacionamento. E sim, isso é o que ele mais queria na vida.

Harry fez uma pausa no caminho para fora do banheiro e se virou para encarar Severo. Seu rosto mostrava desgosto e raiva. Severo se encolheu. Era ele que causou essas emoções em Harry? Como ele pôde ser tão idiota? Harry não o queria de volta.

_ Não! – Harry gritou e se ajoelhou na frente da banheira, estendeu o braço e puxou Severo para mais perto dele. _ Não – ele repetiu mais baixo, mas com firmesa. _ Eu não estou com raiva ou desgostoso de você, Severo. Nunca de você.

Harry passou as pontas dos dedos no rosto com barba de Severo e o homem, mesmo que inconscientemente, se inclinou para o toque. _ Então porque? – sua voz estava tremendo e Severo não conseguia se importar o suficiente.

Harry respirou fundo. _ Você já terminou o banho?

Severo assentiu.

_ Então se troque e enquanto você come eu vou lhe contar.

Quando Severo saiu do banheiro Harry estava sentado nos pés da cama, ao lado de uma pequena mesa com uma tigela fumegante de sopa. O cheiro estava divino e seu estômago rosnou. A muito tempo que ele não tinha uma refeição quente em seu estômago.

_ Eu me atrevo? – ele perguntou apontando para a bandeja. Sua tentativa de humor foi apreciada.

Harry ergueu a cabeça e deu um pequeno sorriso para ele. _ Eu prometo que está melhor do que qualquer poção que eu fiz em sala de aula.

Severo ergueu uma sobrancelha cética. O sorriso de Harry alargou.

_ Oh, Merlin, como é bom te ver novamente... Mas senta, você deve estar com fome.

Severo lhe presenteou com um de seus raros sorrisos e se sentou. Ele apanhou a colher e a mergulhou na tigela. Levândo-a até a boca, ele fechou os olhos de prazer. Seus olhos negros se arregalaram quando ele olhou para Harry, e apesar de não sorrir, seus olhos geralmente frios agora estavam quentes e reverentes. Harry queria manter esse olhar naquele rosto sisudo e o queria para ele, mas seu casamento com Gina o proibia.

O casamento; a idéia bateu em casa pela primeira vez. Parecia que ele tinha levado um soco no estômago. Sua respiração engatou e ele desviou o olhar de Severo. Harry não queria que o homem pensasse que ele era fraco. Ele não poderia suportar o esgar de Severo.

O homem deve ter percebido seu olhar angustiado, pois no segundo seguinte Harry ouviu a colher batendo na tigela e a cama afundando ao lado dele.

Severo suspirou. Ele não poderia ajudar Harry se o jovem não o deixava. Estendendo a mão com caltela, ele a colocou em um ombro magro e largo. _ O que está acontecendo?

Harry suspirou. _ Eu não quero me casar, Severo. Eu não quero me casar com uma pessoa que eu não amo. Não quero compartilhar minha casa, minha cama; Merlin, eu não quero ter um filho com a maldita! Quero dizer, não é como se eu não amasse ninguém!

O sentimento quente no peito de Severo ficou um pouquinho mais largo; mais gelo derretia e a esperança e o amor o substituía. Ele deslisou uma mão pelo rosto de Harry e levantou seu queixo para olhar em seus olhos verdes. O olhar triste que o recebeu era um dos que ele nunca mais queria ver naquele rosto belo e jovem.

Severo sorriu para ele. _ Você... Nós vamos passar por isso juntos, Harry. Eu prometo a você. E quando isso terminar, vamos ficar juntos. Você, Tedy, o bebê e eu. Os quatro de nós. – ele se aproximou um pouco mais de Harry, fazendo seus rostos ficarem a polegadas de distância.

Severo olhou em seus olhos procurando alguma coisa; o que quer que fosse parecia que o homem a encontrou, pois segundos depois seus lábios estavam sobre os de Harry. No começo foi um beijo casto e superficial. Parecia que os dois queriam decorar o formato e o gosto do outro. Os lábios de Harry se abriram e Severo aprofundou seu beijo. Sua língua deslisou por entre os doces lábios de Harry e ele gemeu com o gosto do jovem. Beijar Harry era como matar a sede em um deserto quente. Ele tinha certeza que depois dessa vez, ele ficaria viciado nestes beijos. Os braços de Harry vieram para abraçar seus ombros e os seus cercaram a sintura magra que se arrastara para mais perto dele.

Suas línguas duelaram para ganhar o domínio do beijo, até que os dois concordaram para abrir mão da liderança e só aproveitar. Harry arrastou sua língua para a boca de Severo e logo sentiu a doce escuridão do homem. Não era grande, mas era o suficiente para fazer todo o sangue de Harry viajar para o sul. Ele se arrastou para o colo de Severo, que havia quebrado o beijo e agora arrastava seus lábios em pequenos beliscões em sua mandíbula e queixo. Harry respirou fundo e sentiu o cheiro de Severo. Uma mistura de fumo de poções, ervas e o próprio cheiro de Severo. O cheiro rico, masculino e excitante de Severo.

Sem saber como e quando os dois se encontraram deitado de lado no meio da cama, braços e pernas emaranhados tão apertados que eles não sabiam onde um terminava e outro começava, o ar lhes faltavam em seus pulmões e suas bocas se separaram, suas respirações ofegantes. Os braços de Harry apertaram Severo e um beijo foi posto em sua têmpora.

_ Espere – sussurrou ele, sua mão correndo para baixo e para cima nas costas de Severo. _ Eu não quero que você pense que eu te quero só para o sexo.

O aperto de Severo também almentou. _ Eu sei – disse ele ainda ofegante. _ Eu sei que é muito mais do que isso.

Harry sorriu. Era isso que ele queria que Severo solbece. Ele o amava; de todas as formas. _ Sim – disse ele baixinho. _ É muito mais que isso.

Depois de um bom tempo em que eles continuaram abraçados na cama, Harry deu um beijo no queixo de Severo e se afastou do abraço. _ Vamos lá, você tem que comer. Eu aposto que faltou comida quente em seu magnífico cardápio nesses útimos meses.

E foi assim, um Harry alegre puxando um Severo resmungando para fora da cama, que a tigela de sopa foi totalmente esvaziada de seu conteúdo. Depois, quando estavam deitado novamente – de baixo das cobertas desta vez – Harry quase Havia caído no sono com sua cabeça deitada no peito de Severo, que um sussurro fraco veio de cima dele.

_ Eu espero que você seja forte por tudo isso e não me deixe. Eu acho que eu não podia aguentar isso, Harry.

Harry, seus olhos se arregalando, ergueu a cabeça para o travesseiro ao lado do homem e puxou Severo em seus braços envertendo a posição em que estavam. Severo, assustado com a intensidade dos olhos de Harry, só esfregou seu rosto naquele peito quente e deixou seus olhos se fecharem.

_ Nunca, Severo – Harry disse em seu ouvido – Eu nunca vou te deixar a menos que você queira assim.

Severo sorriu e se afundou mais para dentro dos braços fortes que o seguravam com tanto carinho. As ondas de amor e proteção saíam de Harry por todos os lados e era bom se sentir cuidado e protegido pela primeira vez em sua vida. Nem com sua mãe ele se sentiu como ele se sentia agora. Ele pressionou um beijo suave para o peito onde sua bochecha descançava e deixou o sono o puxar para suas profundesas escuras. A útima coisa que ouviu foi a voz profunda de Harry em seu ouvido.

_ Durma bem, amor. Eu estarei aqui quando acordar.

E Severo fez. Harry se sentia no céu. Ele nunca queria deixar esse homem ir. Ele puxou Severo para mais perto e respirou fundo inalando o cheiro dos cabelos do homem dormindo acima dele. Ali naquele momento ele jurou que Gina nunca iria destruir sua felicidade. Por mais que ela tentasse – e ele sabia que ela ia – o amor que ele tinha para Severo jamais ia se acabar.