Capítulo 3

Na manhã seguinte depois que acordaram e tiveram uma grande seção de beijos e lambidas que acabaram por fazer os dois vir com força o suficiente para desmaiar, um chuveiro foi compartilhado (Harry se manteve afastado de Severo alegando que ele tinha toda a intenção de terminar aquele chuveiro nesta mesma manhã), os dois se vestiram e desceram para a cozinha onde Hermione preparava o café da manhã no fogão enquanto Rony brincava com Tedy que agora tinha os cabelos vermelhos Weasley.

_ Merlin, outro Weasley – disse Severo enquanto se aproximava da mesa. Ele reparou que Granger se virou para encarar Harry atrás dele e sua cabeça virou para ver um grande rubor se espalhar pelas bochechas do moleque.

_ Oh, Hermione! Deixe ele em paz – exclamou Weasley, seus dedos tirando os de Tedy de seu nariz.

_ Harry James Potter! – ela disse com ferocidade fingida, suas mãos na sintura e seus lábios pressionados juntos. Agora Severo sabia da onde vinha a contenção do trio de ouro da Grifinória.

Harry arrastou os pés e seus olhos fitavam um ponto acima do ombro direito de Granger. Era óbvio que ele estava envergonhado de ser questionado. _ Bem... Uma despedida de solteiro?

O silêncio reinou absoluto por quase cinco segundos até Rony se dobrar e começar a rir como Harry nunca tinha visto. Hermione se juntou em algum ponto e agora limpava as lágrimas com um pano de enxugar a louça. Até Severo estava rindo. O que ele disse?

Bufando, Harry empurrou Severo para o lado e sem olhar, foi até Rony e lhe deu um tapa no braço antes de arrancar Tedy de seu colo. Resmungando sobre melhores amigos falsos e amantes oportunistas para o riso, ele se dirigiu a geladeira e tirou uma mamadeira para a criança. Tedy agora tinha cabelos negros tão bagunçados como os seus e os olhos verdes que brilhavam alegremente para a garrafa nas mãos de Harry. Se jogando em uma cadeira, Harry lançou um feitiço de aquecimento no leite e ofereceu o bico para o bebê que o pegou ansiosamente.

_ Certo, eu... – Severo lançou um olhar duro para Rony e Hermione que agora tinham os olhos nele -, Oh bem. Eu sinto muito, Harry. É só que eu nunca tinha visto você tão ver... – ele parou com o olhar assassino que Harry lançara por cima de Tedy. _ Desculpe.

Harry sorriu benignamente para ele. Oh... Aquele sorriso deveria ser ilegal em público. Severo puxou uma cadeira ao lado de Harry e se sentou rapidamente antes que os dois vissem o que aquele sorriso fazia para a sua virilha.

_ Então, Harry, você já o enformou sobre sua nova vida? – perguntou Rony, seu garfo só parando por alguns segundos antes de voltar para a boca.

Harry acenou afirmativamente. Estendendo a mão livre ele puxou um prato de bacon frito e enfiou uma fatia em sua boca. Sim, era como ele gostava de seu bacon. Ele sorriu de boca cheia para Hermione.

_ Oh Merlin, você pegou os modos revoltantes de Ronald a mesa. Feche a boca! – exclamou a menina indignada.

Antes que Harry ou alguém pudesse dizer alguma coisa eles ouviram uma batida na janela. Rony se levantou para deixar a coruja familiar entrar. Ela voôu até Harry e deixou cair um envelope branco na mesa a sua frente, faltando por pouco o prato de ovos.

_ É a coruja lá de casa – afirmou Rony acariciando as penas da coruja que pousou em seu ombro.

Neste momento Harry sentou Tedy que tinha acabado sua mamadeira e agora estava olhando para Severo, seus pequenos braços estendidos na direção do homem.

_ Oh Merlin, nunca pensei que as crianças iriam querer o colo de Snape. Quero dizer, normalmente é o contrário! – disse Rony, seu rosto assustado.

_ Cale a boca, Rony – Harry mandou. Ele não estava com humor para as brincadeiras idiotas de seu amigo. Não depois de reconhecer a letra da carta.

Severo aparentemente sentindo que o colo de Harry não era um bom lugar para Tedy, se levantou e tomou o menino nos braços. Tedy se enrolou em seu peito e Severo ficou assustado com o sentimento de protecionismo que ele sentil em direção ao menino contra ele. Tedy aparentemente gostou do aconchego, pois ele enfiou seu polegar em sua pequena boca, deixou suas feições mudarem para ficar idêntico ao homem que o segurava e fechou seus profundos olhos negros. Severo sorriu. Nunca em sua vida ele sonhara que iria gostar de uma criança, ainda mais o filho de Lupin.

"Harry James Potter!"

Ele se assustou. Destraído com Tedy ele não vira Harry abrindo o envelope. Pondo um feitiço silenciador para não acordar a criança, ele se sentou corretamente para ouvir Ginevra Weasley gritar.

"Onde é que você está! Eu estou te esperando a mais de uma hora no Beco Diagonal para que pudéssemos ir comprar as vestes do nosso casamento como um casal comum! E onde é que você está? Claro. Limpando a bunda do pirralho Lupin! Quando eu for para aí, ele irá ter certeza de não querer toda a sua atenção! O pequeno lobisomem. Eu estou te esperando em 10 minutos aqui, vestido e alimentados! Sem o menino!"

O envelope ficou em silêncio e depois pegou fogo na frente de Harry. Este por sinal, estava tremendo e branco como pergaminho.

_ Aquela... Aquela PUTA! – exclamou Rony. Ele estava de pé, seu rosto tão vermelho de raiva quanto seu cabelo. Ele pegou sua xícara de chá e a atirou do outro lado da cozinha, a porcelana se espatifando no azulejo limpo.

_ Rony! – Hermione gritou agarrando seu braço e o forçando a ficar parado, sua outra mão tirando um jarro cheio de café de seu alcance. _ Se acalme!

Rony se soltou de seu aperto e recomeçou a andar. _ Como ela se atreve? Como ela pôde!

_ Rony! – desta vez foi Harry quem berrou. Ele ainda tremia e seus olhos verdes refletiam raiva e medo. _ Pare! Só... Só pare, por favor.

Ele caiu em sua cadeira e pôs a cabeça entre as mãos. Agora como ele iria proteger Tedy de Gina? Ele era só um, pelo amor de Merlin!

Severo se levantou e entregou Tedy para Hermione que tinha parado de tentar fazer Rony se sentar. Ele se agachou na frente de Harry e apoiou as mãos em seu joelho, a outra levantando o rosto de Harry para encará-lo.

_ Vai ficar tudo bem, Harry – ele disse em sua voz profunda e acalmante. _ Você e Tedy vão ficar bem. Eu prometo. Nem que eu tenha que ficar aqui e não ir para Roma.

_ Não! – Harry exclamou. Não era justo com Severo para parar sua vida em razão a Harry. E ele disse isso a ele.

Severo bufou.

_ Pirralho idiota – ele disse, mas faltava a rispidez e o sarcasmo que sempre acompanharam essas palavras. Rony e Hermione podiam jurar que havia mais que um leve toque de carinho na frase. _ Será que você ainda não percebeu que nós somos um só depois que admitimos nossos sentimentos um ao outro? Eu não vou te deixar, assim como você não iria me deixar. Juntos, amor. Vamos passar por isso juntos. Certo?

E Harry acreditou. Depois de muita discussão entre os quatro, Harry estava arrumando uma bolsa para Tedy emquanto secava os olhos. O menino iria com Severo para Roma e assim ficaria a salvo de Gina. Harry ficou com raiva. Até seu filho ela havia tirado dele. Se Gina estivesse na sua frente neste momento, ela não iria durar dois minutos. Ele iria de bom grado passar o resto de sua vida em Azkaban por matá-la. Um par de braços fortes rodearam sua sintura e o puxou de encontro a um peito largo. Era Severo. Só o cheiro do homem já começou o acalmar. Harry queria ficar com raiva porque ele não estava mais com raiva, mas sabia que não iria adiantar nada.

Severo abaixou seu rosto para o cabelo bagunçado de Harry e respirou o cheiro do menino. Era um cheiro de grama e terra, o cheiro de seu Harry. Ele não se arrependeu de levar Tedy com ele; ele faria tudo pela criança e pelo homem que estava em seus braços. Mas ele sofria porque essa decisão fazia seu Harry doer.

_ Eu sinto muito, Harry. Mas ele vai ficar mais seguro longe daqui – disse ele, seus lábios pondo um beijo em uma têmpora.

Harry suspirou e se apoiou em Severo. _ Eu sei, mas isso não faz disso mais fácil. Se fosse qualquer outra pessoa, até mesmo um dos Weasley, eu teria preferido manter Tedy onde eu possa vigiá-lo.

Aquele brilho quente voltou com força total no peito de Severo e seus braços se apertaram na sintura de Harry. Ele amava esse garoto. Na verdade ele começou a amá-lo durante suas seções de Oclumência no quinto ano de Harry. Depois de ver como o menino havia crescido, depois de saber que seu julgamento estava completamente errado, Severo começou a perceber algumas coisas que antes ele não conseguia ver, cegado pelo ódio de James Potter como ele estava. Harry não era nada arrogante, ele não intimidava as outras pessoas – pelo contrário – e era tudo, menos medílcre – como ele sempre disse para quem quisesse ouvir – ele era horrível. Ele não merecia ter Harry. Ele merecia viver sozinho e angustiado pelo resto de sua vida miserável, pagando pelos crimes que ele havia feito.

Harry sentil a mudança no corpo atrás dele e se virou nos braços do homem para poder ver seu rosto. Na verdade Harry pensou que a palavra "derrota" não era o suficiente para expressar o que ele estava vendo na sua frente. Os lábios de Severo tremiam e seus olhos – Merlin, os olhos – estavam cheios de amor, saldade, tristeza e amargura. Seus braços cercaram os ombros magros por conta própria e puxou o corpo alto e magro para mais perto dele. Severo deitou a cabeça no ombro de Harry, sua respiração fazendo cócegas no pescoço do mais jovem.

_ Porquê? – foi sussurrado tão baixo que Harry tinha que se esforçar para ouvir.

Ele não entendia. O que Severo estava perguntando? Oh, oh! Caro Merlin, o que tinha feito para chegar o homem nessas perguntas? Agora Harry sabia que tinha que responder o mais honestamente possível. Uma palavra errada e Severo iria para longe de sua vida.

Harry se soltou e puxou Severo para ficar entre suas pernas enquanto ele sentava na cadeira de balanço de Tedy.

_ Você sempre foi minha âncora – ele começou -, E eu preciso te agradecer por isso. – Severo abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Harry levantou a mão pedindo silêncio. _ Por favor, deixe-me terminar.

Severro acenou e Harry respirou fundo para continuar.

_ Enquanto todos desculpavam minhas escapadas, você me fazia pagar por tudo que eu havia feito. Enquanto todos me punham em um pedestal que chegava quase no teto do Salão Principal, você me rebaixou mais fundo do que as masmorras. Enquanto todos queriam me dar as respostas, você queria que eu aprendesse e as achasse por conta própria – neste ponto Harry ficou horrorizado com as lágrimas que se formavam nos olhos de Severo. Ele puxou o homem mais perto e o fez se sentar em seu colo. Logo o rosto de Severo estava escondido no oco de seu pescoço. Seus braços cercaram o corpo magro e ele continuou. _ Mas isso era o que eu precisava. Eu precisava de regras, eu precisava saber que enquanto todos iam me desculpar com um tapinha na cabeça, você iria até o inferno para fazer eu me arrepender de tudo que eu havia feito até o dia de minha morte. Foi por isso que eu não fiz mais coisas naquele castelo. Foi o saber que eu teria de acertar as contas com você que me parou muitas vezes. Você, Severo Snape, é uma pessoa, de muito poucas pessoas que me veem pelo que eu sou em vez de pelo que eu fiz. Você gosta de Harry, não de Harry Potter, o menino-que-sobreviveu e o-que-derrotou-Voldemort. E é por isso que eu quero você; quero o Mestre de Poções brilhante, quero o homem sarcástico, quero o homem amável e apaixonado, quero o ex-Comensal da Morte, quero o homem frágil e o jovem sensível e companheiro. Eu quero tudo isso, porque tudo isso é você. Todas essas coisas fazem o Severo Snape que eu me apaixonei. E você pode estar certo que eu iria perder qualquer uma dessas coisas. Por isso eu te pesso, nunca mude. Não por mim, não por outra pessoa. Seja você mesmo, pelo menos para mim. Sem se esconder, sem máscaras. Só Severo, somente o meu Severo. – e ele terminou com um beijo em uma bochecha coberta de lágrimas que agora apertava mais contra seu ombro e pescoço.

E Severo fez. Ali, no colo e envolto pelos braços de Harry, o homem forte e inquebrável desmoronou e quebrou em minúsculos pedaços. Ali, protegido de tudo e todos Severo chorou por tudo que acontecera nos útimos anos. Todas as lágrimas e soluços que ele segurou pelos útimos 20 anos, foram liberados e acalmados por Harry, que o segurava com força, seus braços bem apertados no corpo e sua bochecha deitada sobre a cabeça de Severo.

Severus acordou algumas horas mais tarde quente e confortável. Seu peito descançava sobre algo firme e que... Espere, isso é um coração? Ah sim, ele estava deitado com a cabeça sobre o peito de Harry e este som era o coração de Harry. Ele não entendia porque sua cabeça estava se sentindo como algodão e seus olhos doíam. Já fazia uns bons anos que ele bebeu até desmaiar em seu sofá.

Então as imagens começaram a chegar. O café da manhã, pedindo para levar Tedy com ele, sua conversa com Harry... Oh doce Merlin, seu choro! Severo Snape nunca chora! Oh, Harry deveria estar pensando que ele era um fraco, que ele não valia apena amar. O que ele ia fazer agora?

O corpo embaixo dele se mexeu e uma mão entrou em seu campo de visão para acariciar sua bochecha.

_ Pode parar com essa linha de pensamento agora, Severo – veio uma voz de sono a cima dele.

Severo se inclinou no toque de Harry e suspirou.

_ E o que, se posso perguntar, é que eu estou pensando? – respondeu ele um pouco sarcasticamente.

Outro suspiro. Severo já tinha se arrependido de ter falado assim com Harry. Mas uma pessoa não podia mudar do dia para a noite, certo? Nem mesmo por seu amor. Harry teria de ter paciência com ele.

_ Eu sinto muito, amor. Eu vou pensar antes de falar – ele disse, rezando para que isso fosse o suficiente.

A mão de Harry agora estava em seu queixo, pelas maçãs do rosto e finalmente terminando em seus lábios.

_ Está tudo bem, eu sei que no começo será um pouco difícil para você. Mas respondendo sua pergunta, você estava pensando no que aconteceu antes de você dormir. Certo?

Severo acenou, sua cabeça ainda descançando no peito largo. Severo pensou que era um ótimo travesseiro, o melhor que ele já teve.

_ Você não é fraco – afirmou Harry, sua voz forte e calma. _ Todos choramos: eu, Rony, Hermione, Dumbledore, e você não seria uma exceção. Certo? Afinal, você sempre disse que ninguém deveria ter exceção. Sim?

Severo sorriu com suas palavras jogadas de volta para ele. Normalmente ele iria encarar e rosnar para o atrevido, mas para fazer isso ele teria de se levantar e isso era a útima coisa que ele queria fazer neste momento.

Harry riu e deu um tapinha no ombro de Severo.

_ Homem impossível – ele resmungou, mas apertou seus braços em Severo. Ele sabia que tinha que se levantar. Seus dois amigos estavam se despedindo de Tedy no andar de baixo e ele temia a despedida da criança e de Severo. Os dois estariam partindo para Roma em menos de uma hora e ele estaria fazendo compras para o seu maldito casamento.

Harry foi tirado de seus pensamentos por uma cotovelada em suas costelas.

_ Um galeão para seus pensamentos – disse Severo olhando para ele firmemente.

Harry esfregou seu lado e fez uma careta de dor.

_ Isso realmente não era necessário – afirmou seriamente.

Severo sorriu. _ Seu nome não funcionou.

Harry bufou e revirou os olhos. _ Sim, claro.

Os olhos de Severo ainda estavam nele.

_ Certo, estou pensando no longo ano que está vindo pela frente.

_ Sim, eu poderia imaginar – Severo abaixou a cabeça no travesseiro e puxou Harry para o seu lado. _ Porque você não se ocupa?

_ Sim, eu estou pensando em ganhar meu Mestrado em alguma coisa. Isso ocuparia todo o meu dia e me levaria longe de Gina.

Severo estremeceu. _ Por favor, não diga o nome dela em nossa cama.

Harry gargalhou e se abaixou para dar um beijo naqueles lábios deliciosos.

_ Desculpe – disse ele sorrindo para o homem.

Eles ficaram ali deitados conversando, agarrados um ao outropor alguns minutos. De vez em quando um iria acariciar e beijar o outro, até que os beijos se aprofundaram e antes que algo acontecesse, Severo se afastou com pesar e disse que sua primeira vez tinha que ser especial e não algo apressado como iria ser se fosse agora. Harry concordou com ele e se sentil muito feliz pelo homem se expressar.

Eles se levantaram e desceram as escadas para encontrar Tedy terminando uma mamadeira no colo de Hermione.

_ Vocês estão bem? – ela perguntou, seus olhos indo de um para o outro em busca de algum sinal de desconforto.

_ Sim – respondeu Harry, seu olhar fixo no pequeno menino. Se Severo já não solbesse que a criança era a vida de Harry, ele ficaria sabendo ali naquele mesmo momento. O sentimento em seus olhos diziam tudo.

Hermione fez Tedy arrotar e o entregou para Harry que o apertou com força contra seu peito, deitando seu rosto contra o cabelo agora preto e bagunçado do bebê, seus olhos brilhando suspeitosamente com lágrimas e ele os fechou rapidamente não querendo que elas caíssem. O que seria dele sem Tedy para alegrar seus dias? Quem iria jogar todo o café da manhã em suas roupas e em toda a cozinha? Quem iria jogar água por todo o banheiro na hora do banho? Quem iria acordá-lo durante a noite para ser alimentado e trocado? Quem iria sorrir para ele todas as manhãs e falar na linguagem que só os bebês poderiam entender? Quem?

Duas mãos fortes desceram em seus ombros e ele percebeu que por mais que tentara segurar as lágrimas, agora elas caíam por suas bochechas livremente.

_ Ele irá ficar bem, amor – uma voz de veludo sussurrou em seu ouvido. _ Cuidarei de Tedy como se fosse meu próprio filho, eu prometo – Severo deu um beijo em sua bochecha molhada e passou os braços em volta dele.

Harry não poderia dizer que o sentimento de perda absoluta tinha deixado, mas seu coração se sentia mais leve pela promessa de Severo. Ele enfiou a mão em sua manga e retirou a varinha, acenando na direção da escada. Alguns segundos depois uma grande mala veio zunindo para baixo. Harry encolheu a cadeira de alimentar Tedy e a enviou voando para dentro da mala.

Os brinquedos que estavam espalhados pelo andar de baixo veio logo atrás e depois do útimo, – um trêm que fora enfeitiçado para se parecer com o Expresso de Hogwarts – entrou, a mala se fechou e Harry a encolheu e a entregou a Severo, que a pegou e guardou em um bolso do casaco negro.

_ Eu acho que isso é tudo – disse Harry fazendo o melhor de si para que sua voz não tremesse.

_ Acho que você não se esqueceu de nada, companheiro. Agora é melhor eles partirem. Ela estará aqui a qualquer minuto – falou Rony, seu olhar triste preso em Tedy. Ninguém precisava perguntar quem era ela.

Harry ergueu Tedy de seu peito e lhe deu um beijo na testa.

_ Papai irá sentir saldades, meu pequeno leãozinho – disse ele. _ Se comporte está bem? Seja um bom garoto e papai vai te ver em breve – sua voz falhou no final e ele deu mais um beijo em Tedy e o entregou a Severo.

_ Por favor, cuide dele como fizeste a mim durante todos esses anos.

Severo olhou profundamente em seus olhos, seu olhar que poderia enxergar sua alma e disse, em uma voz firme e clara. _ Eu prometo a você. Tedy estará seguro comigo.

Harry deu um pequeno sorriso para ele e se virou. Respirando fundo ele a chamou.

_ Dizy!

Um pop alto e o elfo-doméstico estava parado a sua frente.

_ Mestre Harry, o que Dizy pode fazer pelo Senhor?

Harry puxou Severo para ficar ao seu lado. _ Dizy, este é o Mestre Severo. Você irá leva-lo com você a Roma. Mostre todos os arranjos que fiz para ele. E lêmbresse, na frente dos outros ele é um velho primo distante dos Potter.

Dizy acenou para Harry e olhou para Severo de cima a baixo. Depois de alguns segundos ela sorriu e fez uma reverência para ele.

_ Mestre Severo irá levar meu filho com ele – continuou Harry. _ Lá ele será o pai de Tedy, certo?

Dizy acenou novamente e sorriu para a criança.

_ Dizy, você irá obedecer Severo em quanto eu estiver fora – disse Harry olhando firmemente para o elfo.

Harry se virou e suspirou. _ É melhor vocês irem.

Hermione pegou Tedy do colo de Severo e o levou para se despedir de Rony que estava sentado do outro lado da cozinha.

Depois que a jovem se afastou, Severo puxou Harry contra seu corpo e esmagou seus lábios juntos. O beijo foi frenético e desesperado, suas línguas se enrrolando juntas para saborear o gosto um do outro. Severo se afastou para respirar e seus braços se apertaram em volta do jovem.

_ Meu – ele rosnou, seus lábios a milímetros da orelha de Harry. _ Só meu.

_ Sim – Harry gemeu. _ Só seu. Assim como você é só meu.

Em vez de responder, Severo sorriu e o puxou para outro beijo, esse calmo e cheio de carinho. Harry jurou que podia sentir o calor dos lábios de Severo chegar aos seus dedos dos pés.

Quando se afastaram, foi para um Rony com o rosto vermelho parado ao lado deles com Tedy em seus braços. Ele entregou a criança para o homem e estendeu a mão para ele. Quando Severo a apertou, o ruiivo sorriu.

_ Mesmo que ainda não seja oficial, quero que saiba que você é muito bem-vindo a família. Se é você quem faz Harry feliz, então nós iremos apoiá-lo.

Os cantos dos lábios de Severo se retraíram para cima e seus olhos negros brilharam com a aprovação. O homem puxou o garoto mais novo para perto.

_ Você é um bom amigo para Harry, SR. Weasley...

_ Rony – interrompeu o mais jovem.

Severo piscou. _ Muito bem... Quero que você me prometa que irá manter um olho nele em quanto eu ainda não posso.

O rosto de Rony se transformou imediatamente e ele acenou com a cabeça afirmativamente. _ Eu prometo, Senhor...

_ Severo. Você pode me chamar de Severo – e com um aceno de cabeça para Hermione, ele se virou e caminhou para fora da cozinha.

Harry jogou um olhar na direção de seus amigos e correu atrás do homem. Afinal, Severo era sua prioridade no momento. E quem poderia culpa-lo? S

Eu Severo iria passar um ano inteiro longe dele...