Capítulo 6
Os seus arredores ficaram escuros e o vento começou a soprar mais forte. Nuvens cobriam o céu que a poucos minutos era azul e ensolarado. Vozes começaram a gritar em sua cabeça e Harry começou a correr. Para onde ele não sabia. A poucos passos a sua frente ele avistou um grupo de dementadores que fechavam o cerco em uma figura caída no chão. Com um súbto impulso ele percebeu que a figura era Severo e o que os dementadores iriam fazer com ele.
Ele tentou apressar seus passos, mas parecia que algo o prendia no lugar. O dementador mais próximo da figura se ajoelhou e empurrou seu capuz para trás. Ele não podia ver...
_ Nãão!
Ele acordou com um susto, seu coração disparado e o corpo coberto de suor. Sua respiração vinha em rápidos suspiro e ele tremia todo. Com dificuldade, ele estendeu a mão e apanhou sua varinha na mesa de cabeceira.
_ Lummus – disse ele, sua voz rouca de gritar.
A pequena luz na ponta da varinha se acendeu e Harry a girou em todas as direções só para ter certeza de que estava sozinho. Ele sabia que estava seguro em seus aposentos em Hogwarts, mas a caltela nunca o deixára.
Harry não se preocupava com Gina; afinal, seu feitiço Silenciador funcionava perfeitamente, obrigado. Ele respirou fundo. Seus pesadelos tinham voltado com uma vingança e sempre incluíam Severo ou Tedy neles.
Ainda tremendo um pouco, ele afastou os cobertores e se levantou da cama. Com outra respiração, ele vestiu um roupão verde e dourado e saiu para a sala de estar. Como ele previra ela estava vazia, com um fogo baixo na lareira. Com um gesto de sua varinha o fogo almentou e o quarto começou a ficar mais quente. Ele caminhou até o aparador e derramou um copo de whisky de fogo e se jogou em sua poltrona favorita. Ele tomou um grande gole da bebida e se contentou com a queimadura que descia por sua garganta.
Eles estavam no fim de Junho outra vez. O aniversário de Tedy tinha sido a quase três meses. Claro que ele não pôde estar lá, e isso doía muito. Era o primeiro aniversário de seu filho e ele não pôde estar presente. Um dia depois ele avistou um envelope em sua mesa em seu quarto. Dentro havia uma fotografia que o fez sorrir e seus olhos lacrimejarem. Severo estava em pé atrás de uma mesa com um pequeno bolo e seis ou sete caixas de presentes. Ele segurava Tedy em seus braços e tentava empedir que o menino se jogasse em cima da mesa. Harry riu. A criança estava com o rosto e as pequenas mãozinhas cobertas de chantili e alguns pedaços de chocolate derretiam em seu queixo e nariz. No bolo havia uma vela e as palavras "Feliz aniversário Tedy!".
Harry sorriu com a lembrança. Ele nunca pensou que Severo iria se adaptar a paternidade tão rápido. Quem diria? As vezes ele não acreditava. Terminando de tomar o útimo gole de seu copo, ele o voltou para o aparador, tirou o roupão e jogou suas vestes de ensino por cima do pijama. As duas da manhã ainda podia ter pequenos pestinhas rondando os corredores do castelo – como ele faria – e era seu trabalho para manda-los de volta para a cama.
Tudo estava dando certo em sua vida, ele refletiu enquanto caminhava pelo corredor perto da biblioteca. Gina estava grávida de de quase seis meses e meio. Pelos exames feitos por Madame Ponfrey era um menino saldável. Por algum motivo Harry não estava tão intusiasmado com isso. Ele sabia que a criança não tinha culpa de nada, mas alguma coisa não estava certo. Seu coração não estava nisso. E assim que a criança nascesse ele iria se separar da mulher e correr para seu Severo.
Meia hora, duas detenções e vinte pontos a menos depois, ele voltou para seu quarto e se jogou em sua cama. Ele esperava não ter mais pesadelos esta noite. Afinal, ele precisava acordar em três horas e seu dia estava cheio. Ele realmente precisava de algumas horas de sono.
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_ Bom dia, Harry – disse a professora McGonagall enquanto se sentava ao seu lado. Seu lugar costumava a ser entre a diretora e Benji, o pequeno filho do mestre de poções da escola.
_ Como vai, Minerva? – ele perguntou. Sua mão logo alcançou o bule de café e ele encheu sua segunda xícara.
O olhar de Minerva viajou entre seu rosto e a xícara interrogativamente. Harry deu de ombros e pôs uma garfada de ovos e bacon em sua boca.
_ Noite difícil? – perguntou a diretora. Ela assoprava seu chá enquanto passava manteiga em uma torrada.
Harry sorriu para ela. Minerva sempre sabia quando ele tinha uma noite cansativa.
_ Um pouco, mas eu estou bem. Nada que uma bebida e uma pequena caminhada não ajudasse.
Minerva sorriu. Seu professor favorito sempre disse que a caminhada o ajudava, desde os tempos da escola.
_ Minerva, será que poderíamos começar aquele clube de duelos na próxima semana? – Harry perguntou. Ele não aguentava mais seus alunos lhe perguntando sobre isso. _ Os alunos estão bastante ansiosos para isso.
Minerva acentil. _ Claro, é só marcar um horário e eu vou reajustar o salão para você.
Harry empurrou o prato e se levantou. Ele tinha um grupo de primeiros anos da Grifinória e Sonserina. Ele tinha que se preparar. Ele acenou para Minerva e John, despenteou o cabelo do menino e saiu pela entrada de professores.
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Dois meses haviam se passado. Harry manteve contato com Rony e Hermione. Os dois iriam se casar daqui a alguns meses. Rony finalmente tomara coragem e pedira a Hermione no mês passado em um dos almoços de domingo na Toca. Harry estava feliz por eles. Seus amigos mereciam a felicidade. Rony o escolheu como seu Padrinho e é claro que ele dissera sim. Era um trato que eles tinham desde seu quarto ano. Um iria ser o padrinho de casamento do outro e também de seus futuros filhos. Hermione e Rony eram o padrinho de Tedy depois que ele o adotara.
Harry também estava com vários problemas que ele não queria que ninguém descobrisse. Ele sentia dor no peito, falta de ar, tonturas, dores de estômago e dependendo da manhã, febre. Um dia ele começou a pesquisar na biblioteca e por acaso ele se deparou com um livro de almas-gêmeas. Por curiosidade ele o leu de capa a capa e achou a sua resposta para tudo isso.
O livro dizia que quando um par de almas-gêmeas se encontrassem – admitisse seus pensamentos e sentimentos um ao outro – os dois não poderiam mais ficar separados. Uma separação forçada tinha resultados como os que Harry estava sentindo. Essas dores era o vínculo tentando se concluir e não podia. O livro também dizia que se ficasse separado muito tempo as dores iriam piorar até que seja insuportável e os dois morreriam. Eles tinham um ano e meio no máximo. Ele não contara isso a ninguém, mas um dia ele foi pego.
Era um sábado a tarde e Rony e Hermone iriam jantar com Harry em Hogwarts. Os dois eram para encontrar o amigo em seu escritório para um bate-papo e depois iriam para seus aposentos para o jantar. Quando eles chegaram lá, Hermione bateu e não obteve resposta. Os dois trocaram um olhar e bateram outra vez. Novamente sem resposta.
Rony deu de ombros e girou a maçaneta. A visão que os encontrou tirou sua respiração. Hermione, seu rosto pálido, correu até o amigo e o sacudiu com força. Nada. A respiração de Harry estava fraca, seu corpo quente e seus músculos tremiam. Ele estava segurando um pequeno livro que a menina arrancou de suas mãos enquanto Rony levantava o amigo em seus braços.
Os dois correram para a enfermaria gritando por Madame Ponfrey. O ruivo depositou Harry em uma cama que a enfermeira mandou e deu alguns passos para trás dando espaço para a mulher.
Hermione enquanto isso passava as folhas do livro e a cada palavra que lia seu rosto ficava mais branco. Ela puxou Rony até o canto da ala hospitalar e mostrou o livro a ele.
_ Merlin, Rony! – exclamou a menina baixinho. _ Eles são almas-gêmeas... Como nós não desconfiamos? Madame Ponfrey! – ela correu até a enfermeira e mostrou o livro a ela. _ Harry é Alma-gêmea! Esses são os sintomas da separação...
Madame Ponfrey prendeu a respiração por um minuto e depois saiu correndo para seu escritório. Neste momento a porta se abriu e dois alunos do sétimo ano entraram carregando uma pálida e gritando Gina Weasley.
_ Madame Ponfrey! – chamou um dos meninos. _ A Senhora Potter está em trabalho de parto!
A enfermeira saiu do escritório com várias poções em suas mãos, deu uma rápida olhada nas coisas e mandou um dos meninos chamar um dos curandeiros do St. Mungus para ajudar.
_ Hermione, Rony, eu preciso que vocês tragam a Alma-gêmia de Harry aqui o mais rápido que vocês possam. Isso é urgente!
Os dois amigos saíram correndo da ala hospitalar, desceram as escadas para os terrenos do castelo e Hernione enfiou a mão em sua bolsa e tirou um pequeno frasco de vidro. Ela estendeu a Chave de Portal que Harry lhes dera como emergência e eles foram varidos para a Manssão Potter na Itália.
Os dois pousaram no meio de uma sala de estar luxuosa. Vendo pela janela, a noite caía pelo Fórum Romano. Antes que eles possam se levantar, uma voz veio por trás deles.
_ O que posso fazer por vocês?
Os dois se viraram e deram de cara com um lívido Severo Snape. O homem relaxou depois de ver quem eles eram e sua varinha baixou.
_ Severo! – Hermione exclamou. _ Harry precisa de você urgente!
Severo olhou as espreções dos dois e lhes fez sinal para que o seguissem. Eles correram escada a cima e o homem começou a juntar uma pequena pilha de roupas.
_ O que aconteceu? Ele está bem? – ele perguntou apressadamente. Uma imagem mais terrível que a outra passava pela sua cabeça e ele não poderia se deixar dominar por elas.
_ Harry é a sua Alma-gêmia...
Ela não precisou falar mais nada. O rosto pálido de Severo ficou mais branco ainda e ele correu para o quarto ao lado e correu de volta com Tedy em seus braços. Rony pegou a mala de cima da cama e os três correram para baixo.
_ Depois de hoje todos vão saber que você está vivo – disse Hermione.
Severo deu de ombros.
_ Já era hora, e Harry é mais importante do que qualquer coisa.
_ Além disso – Rony começou desajeitadamente -, A garota resolveu dar a luz hoje.
Severo fez uma careta de desgosto e apertou Tedy ao seu peito para a viagem.
_ Nós vamos lhe dar com isso mais tarde – disse ele firmemente.
Eles agarraram a Chave de Portal e foram transportados diretamente para a Ala Hospitalar.
Madame Ponfrey se virou para o barulho e seus olhos se arregalaram para a terceira pessoa que acompanhava os jovens.
_ Severo!
