Capítulo 8

Já tinha se passado dois dias desde quando Rony e Hermione acharam Harry desmaiado em seu escritório. Também fazia dois dias que Severo estava sentado em uma cadeira desconfortável ao lado da cama do jovem.

Quando os três apareceram na enfermaria de Hogwarts Madame Pomfrey quase tivera um infarto. Levou quase uma hora para que juntos, os três explicassem a mulher o que estava acontecendo. Quando tudo foi dito, ela se levantou e apertou Severo em seus braços. O homem ficou tenso mas começou a relaxar quando Madame Pomfrey começou a chorar em suas vestes.

Quando Hermione mostrou o livro para a enfermeira ela o enxotou para uma cama ao lado da de Harry e começou a correr a varinha sobre seu corpo.

_ Estou bem, mulher! – ele tentou exclamar, enviando o seu famoso brilho para ela.

_ Você não faça esse olhar para mim, Severo Snape! – a enfermeira rosnou, continuando a fazer os seus exames.

Depois de um longo tempo ela estava satisfeita com o que achou e o deixou ir. Imediatamente o homem se sentou ao lado de Harry e tomou uma de suas mãos entre as suas.

E é assim que ele estava quando Minerva abriu as grandes portas da enfermaria e caminhou até ele com uma cara séria.

_ Severo – disse ela.

Severo levantou a cabeça e seus olhos se alargaram por uma fração de segundos antes que ele se recompôs.

_ Minerva – disse ele, seu tom grave.

A mulher sorriu e o puxou para um abraço esmagador. O que tinha com essas mulheres?

_ Como você está meu amigo?

Severo fez uma careta para ela. Ele estava muito bem, obrigado!

_ Como tenho certeza de que você pode ver, eu estou bem Minerva – ele respondeu.

A professora ergueu uma sobrancelha e acenou com a cabeça na direção da cama, onde Harry dormia tranquilamente.

Severo suspirou. _ Certo, eu não estou bem. Satisfeita?

_ Claro – disse ela presunçosamente. Ela teria continuado a se gabar se não fosse por um pequeno gemido ao lado.

Severo estava em seus pés e ao lado de Harry em segundos. Seu rosto estava tentando não mostrar a ansiedade e esperança de que Harry iria acordar, mas Minerva podia ver por baixo da fachada do homem.

_ Harry? – Severo sussurrou em seu ouvido. _ Você pode me ouvir?

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Harry estava flutuando em uma névoa maravilhosa. Ele realmente nunca estivera mais relaxado em toda a sua vida; sem preocupação com Voldemort, sem olhar por cima do ombro para não ser pego por Comensais da Morte, sem dever de casa, sem detenção para chegar no horário, sem a briga de seus amigos... Estava ótimo. Harry nunca teria deixado aquele lugar se não fosse...

_ Harry?

O que foi isso? Estavam atrapalhando seu relaxamento! Como ousam? Mas...

_ Você pode me ouvir?

Sim, ele definitivamente conseguia ouvir! Como não podia? A voz estava gritando em seu ouvido. Mas espera... Ele conhecia essa voz... Aquele tom familiar a mais de seis anos. O tom conhecido por "Detenção Potter, e menos 10 pontos para a Grifinória!". Snape! Espera, Snape não era mais Snape... Não, agora Snape era Severo. O seu Severo! Sim, a voz pertencia a Severo!

Ele queria continuar onde estava e ao mesmo tempo ele queria estar com o bruxo mais velho. Harry fez a sua decisão e começou a seguir a voz. A cada segundo ele conseguia escutar o que ela dizia.

_ Vamos lá Harry, acorde... Acorde para mim? – a voz continuou.

Sim, ele iria acordar para ele. Mas como? O jovem fez um esforço e parecia que ele havia conseguido. Seu nariz detectou o cheiro muito familiar de roupas limpas e desinfetante. Ele gemeu. Aparentemente ele fora parar na ala Hospitalar. Mais uma vez.

Harry ouviu dois suspiros e sons de passos se afastando rapidamente para o outro lado. Fazendo força para abrir seus olhos, Harry estremeceu e os fechou rapidamente. Muito claro!

_ Você pode abrir os olhos agora... – o sussurro veio perto de seu ouvido. Agora Harry estremeceu por um motivo muito diferente.

Ele abriu os olhos e primeira coisa que viu foram os brilhantes olhos negros de Severo. Ele sorriu e abriu a boca para falar, mas tudo que saiu foi um coaxar.

_ Beba isso – disse Severo, apoiando sua cabeça para que ele pudesse beber a maravilhosa bebida fria. Ah deus, isso ajudou muito.

_ Oi – disse ele finalmente.

Houve um suspiro, um som de copo quebrando e logo depois braços fortes estavam em volta dele, um rosto pressionado em seu pescoço. A respiração de Severo estava rápida e Harry podia sentir um rastro molhado por sua garganta e caindo para o lençol imaculado a baixo.

O jovem passou os braços em volta do corpo fino e o puxou para mais perto de si mesmo. Como ele sentira falta do homem; o seu cheiro natural misturado com o sabonete, o fumo de poções que Harry não saberia o nome nem se sua vida dependesse disso e o começo de suor.

_ Eu senti sua falta – disse ele baixinho. Parecia que o momento era para falar suavemente em vez de claramente.

Severo jogou uma de suas pernas por cima de as de Harry e apertou seu rosto para mais perto do pescoço do jovem.

_ Eu também senti sua falta – a voz estava abafada mas ele conseguia entender o que o homem dizia.

Uma de suas mãos subiu para brincar com os fios negros do cabelo de Severo. Virando sua cabeça ele depositou um beijo carinhoso na bochecha pálida e limpou as lágrimas das bordas dos olhos negros.

O momento foi quebrado pelo aparecer de Madame Pomfrey e Minerva que caminharam rapidamente para eles. A enfermeira fez uma careta para a cena e fez um gesto para que Severo se levantasse. O homem se enterrou mais para o lado de Harry e não fez menção de obedecer a ordem.

Harry riu e deu um tapinha em seu ombro.

_ Professor Potter, que bom que se juntou aos vivos novamente – disse ela. Aparentemente a mulher resolveu ignorar Severo e começou a fazer seus diagnósticos com sua varinha.

Depois de remexer e cutucar um par de vezes, ela caminhou até o armário e tirou dois frascos de poção e os entregou para Harry. _ Beba tudo.

Quando ele se sentou – depois de vários resmungos de Severo -, ele engoliu as poções e fez uma careta para o gosto. Logo depois um copo d'entregou água fora entregue a ele e bebido com gratidão.

_ Será que não poderia ter um gosto melhor? – ele perguntou, encarando os frascos como se eles o tivessem insultado pessoalmente.

Severo sorriu e o puxou para baixo novamente.

_ Se tiverem um gosto bom, os alunos não se importariam em toma-los – foi a resposta do homem antes que ele enterrou seu rosto no ombro de Harry.

Madame Pomfrey sorriu para eles e saiu para seu escritório com um aviso de "Se precisarem de mim é só chamar". Minerva se aproximou e tocou o rosto de Harry.

_ Você nos deu um susto, professor Potter. Veja se isso não aconteça novamente – disse ela e depois deu-lhe um sorriso. _ Seus alunos mandam melhoras e disseram que iriam se comportar para o professor substituto até a sua volta.

Ele ouviu um bufo ao lado. Harry sorriu para isso. Tinha algumas coisas que apesar de tudo nunca iriam mudar. E era assim que ele queria.

XXXXX

A próxima vez que Harry acordou foi para som de vozes ao seu lado. Ele estava espalhado em sua cama na enfermaria – o que significava que Severo tinha criado coragem para se levantar .

_ Eu trouxe ele para ver Harry – disse uma voz que Harry conhecia bem.

_ Ele ainda não está acordado – respondeu Severo. Pelo som de sua voz ele estava sentado na cadeira de visitantes ao lado de sua cama.

Harry se espreguiçou e abriu os olhos. O sol entrava pelas grandes janelas do outro lado da sala e tinha alguns sons de pássaros do lado de fora do castelo. A sua direita estava Severo e nos pés de sua cama Rony estava parado com Teddy em seu quadril.

Os olhos de Harry se arregalaram. Seu filho havia crescido desde quando ele fora para Roma! Ele estava com uma camisa vermelha com várias cobras deslizando sobre ela. Seu cabelo estava azul celeste e seu sorriso era enorme.

_ Papai! – ele gritou, suas pequenas pernas e braços lutando para sair do aperto de Rony.

Harry sorriu e abriu os braços. Em instantes o pequeno corpo estava se retorcendo entre eles. Harry o apertou contra seu peito e respirou o cheiro de bebê que seu filho tinha. Ah Merlin, o quanto ele perdera esse cheiro. O quanto ele queria ter seu pequeno em seus braços...

Sua respiração parou. Ele se lembrou do por que de tudo isso. Ele olhou para Severo com os olhos arregalados e respirando rapidamente.

_ Gina... O que aconteceu com Gina? – sua voz quebrou no final.

Severo e Rony trocaram olhares preocupados por cima da cabeça de Harry.

_ O Que? – explodiu Harry. Ele odiava quando as pessoas escondiam coisas dele. Isso nunca dera certo em toda a sua vida.

_ Está tudo bem, companheiro – começou Rony.

Harry o cortou. _ Rony, eu te conheço a oito anos! Você realmente acha que consegue me enganar? – ele encarou Severo com o seu brilho mais potente. _ Severo, o que está acontecendo?

Severo suspirou e seus ombros caíram. Harry tinha que saber.

_ Gina entrou em trabalho de parto a dois dias atrás – pronto, ele disse.

Harry piscou. Seu filho nasceu? Ah... Ele realmente não precisava de mais nada.

_ E a criança? – ele tinha que perguntar.

Rony fez uma careta na direção da porta. Porque Hermione não estava presente nas conversas mais difíceis?

_ Harry, companheiro, ah uma coisa que Gina não contou para ninguém antes de se casar com você. – ele revirou os olhos para a sua própria excitação e continuou. _ Harry, quando o bebê nasceu Madame Pomfrey – com as ordens de quase todos presentes – fez o feitiço de paternidade no menino. Desculpe cara, mas você não é o pai do filho da minha irmã.

Harry sentiu cores dançar em seus olhos e o som de Rony ficou cada vez mais longe. O que? Ele não era o pai da criança? Então isso tudo foi para nada. Ele iria matar Gina assim que pudesse se levantar da maldita cama! O jovem sentiu o peso de Teddy ser retirado de seu colo e logo depois o som da porta se fechando. Tudo o que ele poderia pensar era nestes longos meses longe de Severo e seu filho. Tudo isso poderia ter sido evitado se não fosse por aquela... Aquela desgraçada de Gina Weasley!

Ele sentiu braços se apertando em volta de seu peito e o puxando para baixo no colchão. Harry estava com tanta raiva por ter sido enganado, tão triste por ficar longe de seus amores, tão...

_ Durma, amor, tudo vai ficar bem quando acordar.

E o sussurro de Severo foi a última coisa que ele ouviu antes de cair no reino abençoado do sono.