Capítulo 9

Harry andava a passos largos pelos corredores do castelo. Ele havia acabado de ter sido solto por Madame Ponfrey da Ala Hospitalar; bem, na verdade ele a tinha quase ameaçado para que a mulher o liberasse. Dizer que ele foi mal sucedido seria pouco: "Olhe aqui, Harry James Potter, eu o conheço a oito anos e sei, muito além de qualquer pessoa, os seus pontos fracos. Se você abrir essa boca mais uma vez, o seu natal será nesta enfermaria!" e tudo tinha sido resolvido na mesma hora. Harry bufou indignado. Ele era um professor e ainda tinha medo da enfermeira...

Harry virou uma esquina rapidamente e seu ombro foi agarrado por trás. Antes que ele soubesse sua varinha estava pressionada contra o pulso na garganta da pessoa que o agarrara. Dando um suspiro de alívio, Harry guardou a varinha e fez uma careta para o homem.

_ Você tem noção do que eu poderia ter feito a sua elegante pessoa? Não, você não tem – ele se virou e continuou andando para os seus aposentos, no final do corredor.

Ele foi agarrado outra vez. _ Harry, espere...

Ele se virou. Seus olhos verdes ardiam de raiva e seu corpo tremia com o poder reprimido... Ah, como ele queria abrir mão de seu poder... Soltar ele só um pouquinho... Harry foi sacudido de seu tranze novamente.

_ Harry! Preste atenção em mim... Escute a minha voz... Tente seguir a minha respiração... Isso, respire comigo... Agora abra os seus belos olhos... Isso mesmo, vamos lá...

Harry deu mais um suspiro e abriu os olhos. Severo estava parado a sua frente, suas mãos pousadas em seus ombros e os olhos fixos nele. Harry se sentiu envergonhado; ele não deveria ter tirado a sua raiva no homem, quanto mais deixa-la o consumir. Graças a Merlin Severo sabia o que fazer.

_ Sinto muito, Severo – ele começou. _ Eu estou nervoso, com raiva... Até mesmo magoado... Bem, eu só quero acabar com tudo isso de uma vez e dormir uma noite tranquila, entende?

Severo sorriu para ele e ergueu uma mão para empurrar uma mecha de seu cabelo para fora de sua testa.

_ Eu sei, Harry... Você não tem que se descupar. Vamos?

Ele estendeu a mão para Harry e juntos os dois caminharam para o final do corredor... Somente para encontrar os pais Weasleys e Gina parada a sua porta.

O aperto de Severo na mão de Harry se intensificou e o jovem respiru profundamente. "Vamos lá, vamos acabar com tudo isso e ter uma noite de sono.".

Arthur e Molly acenaram com a cabeça para eles e Harry sorriu para eles. Apesar de tudo que aconteceu, ele não poderia deixar de amar os dois; deixar de amar toda a família Weasley.

Bem, menos uma. Pensando em Gina, ele deu a senha ao retrato e entrou em seu quarto sendo seguido rapidamente por Severo e seus convidados.

_ Você sabe o que fazer – disse Harry, fixando seu olhar frio em Gina. A garota balançou a cabeça e seguiu na direção de seu quarto. Molly pôs o pacote em seus braços em um canto protegido do sofá e seguiu atrás de sua filha para ajudar a fazer as malas.

_ Arthur, vamos precisar de você aqui, por favor – ela jogou por cima do ombro.

Arthur sorriu para eles e entrou no quarto, fechando a porta atrás de si.

Harry foi até um armário perto da lareira e olhou fixamente para uma velha garrafa de conhaque; um presente de agradecimento da família Malfoy por ele ter tirado Draco de Azkaban.

_ Eu espero que você não está pensando em beber a essa hora da manhã – disse uma voz arrastada atrás dele.

Harry se virou e passou os braços em volta da cintura de Severo, deixando sua testa cair no ombro do homem.

_ Parece muito bom – ele replicou, mas sua voz não carregava nenhuma raiva, só cansaço.

Severo passou a mão em seus cabelos indisciplinados e deu um beijo em sua testa.

_ Tudo vai ficar bem, você vai ver.

Harry sorriu para ele e caminhou até o bebê no sofá. Ajoelhando-se, ele estendeu a mão e afastou o cobertor para que pudesse dar uma olhada na criança. Sim, ela era bonita; não sua filha, mas bonita. Seus cabelos vermelhos eram todo Weasley e seus olhos eram azuis. Harry não sabia se era de algum dos irmãos ou do pai da bebê.

A porta do quarto se abriu e Gina saiu levitando seu malão e seus pais atrás dela. Ela parou perto de Harry e olhou para baixo na direção do bebê. Seu rosto fez uma careta.

_ Eu não a quero – disse ela fortemente.

Harry endureceu. Como ela poderia dizer isso? Como uma mãe poderia abandonar o seu próprio filho? Harry chegou a conclusão que este era o fim de Gina; a menina tinha ficado completamente louca.

Um barulho acima da cabeça chamou sua atenção. Só dera tempo de ver a mão da Sra. Weasley se afastando da face de Gina. Ele se levantou devagar e fitou a garota nos olhos.

_ Você tem exatamente um minuto para recolher as suas coisas e sair dos meus aposentos e da minha vista – disse ele calmamente. _ Eu não quero ver a sua cara nunca mais na minha vida. Tente se aproximar de mim e você irá estabelecer residência permanente em Azkaban. Fui claro?

Gina lhe lançou um olhar de desdém.

_ Cristal – disse ela. Lançamdo um feitiço de levitação em suas coisas, ela olhou mais uma vez para seus pais e saiu da sala.

Assim que a porta se fechou um soluço foi ouvido e Molly caiu em prantos nos braços de Arthur. Era claro que o homem também precisava de ajuda. Harry viu pelo canto de olho Severo retirar dois frascos de seu bolso e se aproximar de Arthur.

_ Aqui – ele estendeu um frasco cheio de líquido claro. _ Poção calmante – complementou ao ver o ponto de interrogação no rosto do homem. Arthur levou o frasco até os lábios da mulher e a persuadiu a beber. Quando Molly se acalmou, ele encolheu os itens do bebê e os enfiou no bolso. Quando ele fez menção de se abaixar para pegar o bebê, Harry se curvou e apanhou a pequena em seus braços.

_ Eu lhe ajudo – ofereceu Severo, percebendo que o homem não poderia levar Molly e a criança de uma vez. Indo até Harry, ele pegou a bebê em seus braços e caminhou até a lareira. Apanhando uma pitada de Pó de Flu, ele atirou no fogo e deu um passo para dentro das chamas gritando " A Toca".

Arthur sorriu para ele e ajeitou a esposa para entrar na lareira. Harry sorriu de volta para ele. Arthur iria ter um tempo difícil com ajudar Molly e a si mesmo com a perda de Gina.

_ Eu sinto muito, Harry. Sinto muito que ela tenha te enganado...

Harry ergueu uma mão para que ele parace. Ele estava cançado e o homem não tinha nada para se descupar; a única que o tinha traído era Gina, e agora isso tinha acabado.

_ Você não tem nada para se descupar, Sr. Weasley – ele sorriu.

Arthur parecia entender o que ele disse e acenou com a cabeça. Jogando um pouco de Pó de Flu no fogo, ele gritou o endereço e uma explosão verde marido e mulher desapareceram.

Harry suspirou profundamente. Tinha acabado. Toda a tristeza e solidão tinha acabado. Ele sorriu. Seus pés lhe levaram até o quarto de Gina; estava vaziu de todos os objetos que poderiam lhe lembrar dela. Com um aceno de varinha, as paredes retornaram a sua cor original – branco – e ele bateu a porta atrás de si.

Não resistindo, o jovem encheu um copo do líquido âmbar e se jogou no sofá, esticando suas pernas e apoiando os pés na mesa de café. Sua vida estava prestes a entrar nos eixos.

O fogo voltou a vida e Severo deu um passo para fora da lareira, fazendo Harry sentir inveja.

_ Eu te odeio – declarou ele sorrindo.

Severo ergueu uma sobrancelha; Harry não sabia se era pela declaração ou pelo copo cheio até a metade em suas mãos. Ele decidiu que era pelos dois.

_ Como você pode entrar e sair das lareiras sem um fio de cabelo fora do lugar? Eu não consigo me equilibrar e sempre caio do outro lado; sem contar quase morrer sufocado por aspirar as cinzas...

Severo riu alto. Ele foi até o armário e encheu um copo para ele mesmo. Caminhando até o sofá, ele deu um beijo nos lábios de Harry e se sentou ao seu lado.

_ Isso, meu amor, é somente para aqueles que tem perfeito equilíbrio no chão, o que evidentemente, não é o seu caso.