VII- Luxúria
O clima na ilha costumava ser quente, mas naquela manhã a quentura atingira proporções absurdas. O calor tornava insuportável ficar dentro das barracas, e uma vez fora delas os sobreviventes buscavam a sombra das árvores numa tentativa de se livrar da fúria do sol.
Para a maioria, o calor escaldante era convidativo para passar o dia imerso em um refrescante banho de mar ou na cachoeira, e foi com essa intenção que Sawyer entrou empolgado em sua barraca, para convidar Ana-Lucia a juntar-se a ele num demorado banho. Ela estava sentada, dentro da barraca, suando como nunca, conferindo suas peças de roupa.
- Querida, cheguei!- Sawyer anunciou assim que entrou na barraca.
Ana-Lucia levantou o rosto para olhar para ele, com uma expressão zangada:
- Não me chame de querida, me faz sentir uma dona de casa entediada!
- De mau humor, baby? Pois seu cowboy está aqui e vai curar todo o seu mau humor, pode apostar!
Ela não deu atenção a ele e continuou de cara amarrada, voltando a se concentrar em suas roupas.
- Que ótimo, quatro blusas, uma bermuda, uma calça jeans, um par de meias e cinco calcinhas, nenhum sutiã...
Sawyer deu uma risada:
- Está aborrecida por causa da quantidade de roupas que tem? Benzinho, o que você queria, o closet da Lindsay Lohan? Eu acho que pra uma ilha deserta, seus modelitos estão adequados.
- Cale a boca!- Ana disse num tom firme, porém baixo.
Ele pegou uma das calcinhas dela de cima da pequena pilha de roupa que ela havia organizado:
- E você ainda chama esse pedaço de pano de calcinha? Querida, o tamanho dessa peça só não perde para a da Kate, a calcinha dela consegue ser ainda menor que a sua...- Sawyer comentou despretensioso, sem pensar nenhum minuto nas conseqüências de suas palavras.
- Some da minha frente!- Ana-Lucia bradou, o rosto vermelho de raiva.
Foi quando Sawyer se deu conta do que tinha dito.
- Não baby, eu não quis...deixa eu te explicar!
- Some da minha frente!- ela repetiu, erguendo um pouco o tom de voz.
- Ana-Lucia, por favor! Foi besteira eu ter dito isso, não teve nada a ver. Me desculpe, amor! Não tenho nada com a Kate, nunca tive realmente, eu só disse isso porque uma vez...
Mas ela não queria saber de desculpas, estava com um humor péssimo aquela amanhã e a esta altura, como ele se recusava a deixar a barraca, Ana-Lucia começou a enchê-lo de tapas, muito zangada.
- Sai daqui, Sawyer!- Ana disse, mais uma vez, empurrando-o para fora da barraca.
- Dammit, mas essa barraca é minha também!- ele reclamou, já do lado de fora.
- Que seja!- ela gritou lá de dentro, e não disse mais nada.
Naquele momento, vários pares de olhos observavam a discussão dos dois, e muito zangado, Sawyer gritou para eles: - Caramba, vocês não tem o que fazer não! Cuidem das suas vidas!- depois disso, ele saiu resmungando consigo mesmo para dentro da floresta.
- Só pode ser tpm, só pode!
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- O casal 20 estava brigando hoje cedo!- comentou Hurley com Jack, assim que o viu chegar na praia algumas horas mais tarde.
Jack deu uma risadinha:
- Casal 20? Está se referindo ao Sawyer e Ana-Lucia?
- Yeah, dude. E a coisa me pareceu muito feia porque a Ana botou ele pra fora da própria barraca nos tapas.
- Deixa pra lá Hurley, eles que se resolvam!- disse Jack. – Mas por que tanto interesse nisso? Ambos tem o gênio muito forte, acho até natural que esses desentendimentos aconteçam.
- Não é interesse não, dude. Só estou jogando conversa fora contigo. Sabe, eu acho muito legal o teu lance com a Kate!
- Lance?- divertiu-se Jack. – È, pode ser isso!
- Jack!- acenou Kate, saindo do mar, já estava tomando banho há algum tempo, na tentativa de fazer passar o calor insuportável, e para a surpresa de Jack vestia um sumário biquíni.
Ele não conseguiu conter um olhar malicioso ao vê-la caminhando até ele, usando aquele biquíni branco com estampas de flores vermelhas. Kate notou o olhar dele, e sorriu, indagando assim que ele se aproximou dela na beira da praia:
- Você gostou? Eu o encontrei em uma mala que ainda não havia sido vasculhada.
- Oh yeah!- Jack limitou-se em responder, medindo-a dos pés à cabeça.
- Para!- ela pediu, embaraçada, dando um tapinha no ombro dele. – Fico sem graça quando você me olha assim!
- Que nada, você gosta!- retorquiu Jack, de modo sedutor, em voz baixa.
- Dudes, o calor tá pegando, eu vou cair na água!- anunciou Hurley passando por eles em direção à água.
Jack e Kate sorriram para ele, e assim que ele se afastou, Jack perguntou:
- E então, onde é que nós estávamos mesmo?
Kate revirou os olhos, a covinha de seu rosto se acentuou em um largo sorriso. Jack envolveu as mãos na cintura dela.
- Eu dizia que você gosta quando eu te olho assim.- ele voltou a fazer o olhar.
Kate começou a achar que o clima estava começando a ficar ainda mais quente, mas não era por causa do calor.
- Para com isso, Jack!- ela pediu novamente, mas não estava falando sério, aquele era um joguinho íntimo deles desde a primeira vez em que ficaram juntos. Jack adorava as negativas dela, ficava ainda mais empolgado.
- Eu estou com sede, e o sol está muito quente!- Jack disse, soltando-a de seus braços. – Por que não vamos até a barraca pra relaxar um pouco?
- Relaxar? Mudou de nome agora?- ela gracejou.
- Então tá!- falou Jack, sorrindo, antes de sussurrar no ouvido dela: - Por que a gente não vai pra barraca fazer amor?
- Jack!
Ele começou a rir, e a tomou em seus braços.
- Jack, me põe no chão, as pessoas estão olhando!
- Eu não ligo!- ele respondeu. – Quero você agora!
As pessoas estavam mesmo olhando, mas Jack realmente não se importou, sentia um inexplicável desejo libidinoso de tê-la naquele momento e levou-a para sua barraca. Chegando lá, a depositou cuidadosamente na cama de almofadas. Kate estava muito excitada com aquela situação, por causa do calor, os olhares de Jack, e principalmente pelo fato de saber que estava cheio de gente lá fora, era como se estivessem fazendo algo escuso, proibido, libertino.
- Jack, o que está acontecendo com a gente? Será esse lugar?- Kate indagou fechando os olhos quando sentiu Jack roçando o nariz pelo ventre dela.
- Eu não sei Kate...só sei que preciso ter você agora!- ele respondeu, desfazendo o laço da parte de baixo do biquíni dela.
- Jack, tá cheio de gente lá fora, e se alguém vier nos chamar...
- Eles não virão, sabem o que viemos fazer!
E sem dar mais chances para novas negativas, Jack fez amor com ela, a manhã inteira na barraca. Ninguém ousou incomodá-los.
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- Dammit!- exclamou Sawyer quando uma farpa do tronco de bambu que estava cortando machucou sua mão. Ele jogou o pesado machado para um lado e o bambu para o outro, levando o dedo ferido à boca, instintivamente. Nesse momento, se deu conta de que estava sendo observado. Franziu o cenho, irritado, e disse:
- O que você quer? Tô sem paciência pra falar com você agora!
- Vim te trazer água!- Ana-Lucia respondeu, sem emoção.
Sawyer fez cara de "pouco caso", mas pegou a garrafa de água das mãos dela.
- Obrigado!
Começou a beber avidamente, no gargalo da garrafa. Parte da água escorreu por seu peito nu, bronzeado pelo sol, misturando-se ao seu suor, traçando uma linha quase invisível por seu corpo até cair no umbigo. Ao ver aquela cena, Ana-Lucia lambeu os lábios, Sawyer era mesmo delicioso, não importava se ela estava com raiva dele. Aliás, por que estava com raiva mesmo? Nem ela sabia, ultimamente estava uma pilha de hormônios e não sabia por que. Tinha horas em que era uma felicidade só, noutras ficava extremamente zangada para no momento seguinte desabar no choro. Mas ali, naquele exato minuto, sua mente divagava para os recônditos mais secretos de sua alma, o local onde guardava todos os seus desejos mais íntimos a sete chaves.
Sawyer terminou de beber a água e viu que ela o estava olhando de um modo diferente. Ergueu uma sobrancelha, e indagou:
- Mas o que raios você quer me olhando desse jeito, hã?
Ela mordeu os lábios e caminhou sensualmente até ele, sem dizer nada. Sawyer ficou estático, esperando para ver o que ela iria fazer. Ana-Lucia chegou bem perto dele, tão perto que seus corpos quase se tocavam. Sawyer começou a sentir uma grande quantidade de sangue indo parar na parte mais viril de sua anatomia.
- Por Deus, mulher!- murmurou. – O que está acontecendo?
Ele podia sentir o quanto ela estava excitada pelo cheiro de sua pele, pelo olhar intenso e os bicos dos seios rígidos sob a camiseta branca. De repente, como se tivesse vontade própria, sua mão foi parar nos cabelos dela, envolvendo-os, acarinhando-lhe a nuca. Ana-Lucia deu um pequeno gemido, e os pêlos finos de seu braço se arrepiaram. Ela roçou seu corpo no dele, provocando-o. O coração de Sawyer saltou pela boca, como era possível ainda sentir tanto desejo por uma mulher que já havia amado tantas vezes? Mas ele sentia que nunca era o suficiente, ela sempre o fazia ansiar por mais.
Ana-Lucia o puxou pelo braço, para a sombra. Era um lugar arriscado, poderiam ser pegos a qualquer momento por alguém que estivesse dando um simples passeio, mas isso tornava o momento mais excitante. Ela o encostou numa árvore e começou a beijar e lamber o peito suado dele, sentindo o gosto salgado da pele dele em seus lábios. Sawyer começou a respirar mais rápido quando a sentiu descendo as carícias para seu umbigo. Sua calça já estava mais do que apertada, e seu membro doía de ansiedade.
- Vamos brincar um pouco, cowboy?
- Eita, Ana, você andou bebendo da minha garrafa de Muccuteon, baby?
Ela não respondeu, seus dedos já trabalhavam na deliciosa tarefa de despi-lo. Abriu o botão da calça jeans e desceu o zíper devagar, colocando suas mãos dentro da cueca dele e expondo sua parte mais íntima. Assim que o vislumbrou, primeiramente ficou apreciando-o com olhares maliciosos, Sawyer suava como nunca. Em seguida, pôs suas mãos nele, acariciando-o, sentindo toda a virilidade dele entre seus dedos.
Arfando, Sawyer a puxou pela nuca e enfiou a língua em sua boca com violência, os dentes acabaram raspando um no outro acidentalmente. Mas não se importaram com isso, estavam com fome um do outro, queriam se devorar mutuamente. Ela começou a intensificar as carícias nele, levando-o às alturas, e de repente, Sawyer sentiu que a vista ficava turva ao ter os lábios dela em sua intimidade.
- Jesus, Ana!- exclamou mordendo os lábios.
E ela trabalhou avidamente pelo prazer dele, e quando não estava mais agüentando, sabendo que o clímax estava próximo, Sawyer disse, tremendo:
- Baby, é melhor parar agora, estou avisando!
Ela parou e ergueu seus olhos para ele, com um sorriso safado. Sawyer porém, estava em ponto de bala e ao vê-la sorrindo daquele jeito empurrou-a na grama, fazendo-a dar um suspiro de surpresa. As mãos dele mergulharam urgentemente embaixo da saia que ela usava, arrancando sua calcinha. Mas para sua infelicidade, quando tentou penetrá-la, ela trancou as pernas impedindo que ele o fizesse.
- Não!
- O quê?- ele indagou com o rosto afogueado, prestes a ter um ataque cardíaco.
- Eu disse não!- ela repetiu cínica, estava brincando com ele, queria vê-lo violento, irritado, disposto a qualquer coisa só para tê-la.
Trocaram olhares furiosos e ele a segurou com força no chão. Ana se debateu, como no dia em que fizeram amor pela primeira vez, aquela sensação de estar sendo pega à força estava levando sua excitação ao limite. Sabia que ele não a machucaria, mas sabia também que ele a possuiria, de qualquer jeito.
- Não quero saber se você não quer!- ele gritou. – Você veio aqui me excitar e agora quer ir embora, não vai embora, querida, não mesmo!
- Me solta, Sawyer!- ela gritou.
Mas ele não a soltou e quase rasgou a camiseta branca dela, tirando-a. Abocanhou seu seios e sugou-os com força, causando-lhe um pouco de dor. Ana-Lucia gemeu e sem perceber esfregava uma perna na outra, querendo aumentar a intensidade de seu prazer. As mãos de Sawyer a tocaram por debaixo da saia, violentamente, dedos invasivos, que brincavam com sua intimidade, tocando nos pontos mais sensíveis. Ela gritou de prazer e murmurou para ele, obscena, totalmente tomada pela luxúria:
- Mi amor, vem pra dentro de mim, mi hombre!
- Ah, agora você quer?- ele gracejou, sorrindo, enquanto escarranchava as pernas dela ao redor do corpo dele.
Suas intimidades se tocaram, mas ele não a possuiu de imediato. Queria brincar com ela.
- Sawyer!- ela apertou as pernas ao redor do corpo dele.
Mas ele apenas roçou seu corpo no dela, provocando-lhe espasmos, sem tomá-la. Ele a faria implorar mais um pouco. Percebendo o que ele queria fazer, Ana remexeu os quadris embaixo dele, forçando para que ele a possuísse. Os movimentos dela o estavam enlouquecendo, mas ele não daria o braço a torcer. Ela teria que implorar por ele dessa vez, nem tudo era como ela queria, pensava Sawyer.
- Ah eu não agüento, Sawyer!- ela murmurou.
- Então implore!
- Não!- ela respondeu com a respiração entrecortada.
Ele se posicionou, possuindo-a parcialmente, o que a fez dar um grito selvagem.
- Se você quer, tem que me pedir Ana! È só o que tem o de fazer, Dammit eu te amo, me ama também como eu te amo, me diz o que você quer, me diz do que você gosta...- ele sussurrou no ouvido dela em tom imperativo, queria quebrar de uma vez por todas qualquer barreira que ainda existisse entre eles.
- Não!.- ela disse mais uma vez, relutando em se abrir com ele.
Aquele era um momento crucial na relação dos dois, poderia uni-los ou separá-los para sempre, tudo dependia de como seria o final. Ela tinha que confiar nele, se entregar, mas era algo muito difícil para ela fazer isso.
- Eu estou louco de desejo agora, mas se não me disser o que quer, baby, eu vou te deixar aqui e isso não vai mais acontecer entre nós! Por favor, peça, me peça o que você quiser e eu te dou. Diga o que quer baby, diga!
Ela já não estava mais agüentando de excitação, se ela relutava em se entregar, seu corpo tinha outra opinião sobre isso, porque as simples palavras de Sawyer a estavam fazendo subir pelas paredes, e Ana-Lucia sentia o corpo inteiro estremecer em antecipação ao prazer.
- Eu só quero te dar prazer, baby...
- Yeah!- ela disse por fim, baixando a guarda, tentando se entregar. – Eu quero sentir você dentro de mim, Dios, como eu gosto de senti-lo! È tão gostoso! Vem Sawyer, te quiero! Te quiero...
Ela mal terminou de pronunciar essas palavras e Sawyer a tomou de jeito, se movimentando dentro dela. Ana buscou por ar e se mexeu junto com ele, sincronizando aquela dança primitiva.
- Ai, como eu te amo!- ela gemeu, sentindo-o mover duramente nela.
Era um momento extremamente intenso, carregado de erotismo, mas também de sentimentos fortes. Antes que alcançassem o clímax, Ana sussurrou no ouvido dele:
- Agora me ama de outro jeito!
- Como?- ele indagou arfando.
Ela mordeu o lóbulo da orelha dele e cochichou palavras obscenas que quase fizeram com que ele terminasse tudo naquele instante. Mas Sawyer conteve-se, atenderia o desejo dela. Saiu de cima de Ana-Lucia e ajudou-a levantar-se, suas pernas estavam bambas e ele teve que segurá-la para não cair. Ela escorou-se em uma árvore, e virou de costas pra ele. Sawyer a imprensou contra a árvore e ergueu a saia dela, tocou-a momentaneamente, sentindo a excitação dela, e em seguida envolveu ambas as mãos em seus seios, penetrando-a mais uma vez.
- Assim, é assim que eu quero!- ela gemeu deixando que ele assumisse o controle de tudo.
E ele a amou, ali no meio da floresta, escorado à uma árvore. Ana-Lucia gemia palavras desconexas, enquanto ele a abraçava, tocava seus seios, mordia seu ombro levando-a ao máximo do prazer.
- Baby, você é tão gostosa, não me canso de te amar...
Ana-Lucia envolveu seus braços nos ombros dele ao ouvi-lo dizer essas palavras, sorria de satisfação, de plenitude, de amor correspondido. Jamais sentira sensações tão intensas quanto aquelas em toda a sua vida. O prazer veio lento, da intimidade se expandido para todos os pontos de seu corpo aos pouquinhos, e ela se sentiu flutuando acima das nuvens.
- Ah como eu te amo, Sawyer!- ela gritou quando o gozo a varreu da face da Terra, levando-a para um lugar que ela pensava nem existir.
Logo em seguida, Sawyer derramava seu prazer nela, tão cego de paixão quanto ela. Depois disso ficaram parados por alguns instantes, até que Sawyer a virou de frente para ele e a abraçou notando que ela tremia muito e lágrimas escapavam de seus olhos.
- Você é a mulher da vida, por que nunca te encontrei antes, meu dengo?
Ela se aninhou no peito dele, seus seios apertados contra o tórax forte. Ergueu os olhos para ele, mas nada disse, deixou-se ficar lá aconchegada com seu amor, curtindo aquele momento maravilhoso. Jamais se esqueceria desse dia.
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Algumas semanas se passaram, e era mais uma noite comum na ilha. Não se ouvia mais falar de resgate, Outros ou monstros, as pessoas viviam em paz e harmonia, dentro do possível. Paulo tocava no violão de Charlie mostrando a todos em volta da fogueira, o seu lado artístico.
- I got blues, I got blues, I got blues...- ele cantarolava.
- Você só sabe isso, fala sério, cara!- exclamou Charlie rindo muito. – Dá aqui o meu violão que eu vou mostrar como é que se toca de verdade.
- Aêeeeee!- fizeram alguns, batendo palmas.
Charlie falou: - Esse é um sucesso de uma das minhas bandas preferidas, acredito que todo mundo conheça essa música. "Today is gonna be the day that..."
Enquanto todos estavam na roda ouvindo Charlie cantar "Wonderwall" do Oasis, Sawyer se aproximou da mesa da despensa e se serviu de porco e arroz branco, menu do jantar daquela noite. Kate comia quieta sentada no banco de madeira corrido, Jack estava resfriado aqueles dias e por isso fora dormir cedo em sua barraca. Depois de terminar de jantar, Kate levaria um pouco de canja de galinha Dharma para ele.
Ao ver Sawyer se servindo e sentando-se à mesa, Kate sorriu para ele amigavelmente.
- Hey, Sawyer. Eu estou com saudades. Desde que você se casou não conversamos mais.- ela gracejou.
Ele riu: - Mas você se amarrou também, sardenta, por isso não me critique!
- E onde está a sua adorável esposa?- indagou Kate.
Charlie continuava cantando ao longe:
- I say maybe, you gonna be the one like saves me..."
- Está indisposta hoje. – Sawyer respondeu. – Acho que pegou a virose do doutor.
Kate levou mais uma colherada de arroz à sua boca quando notou que Sawyer olhava insistentemente para os seios dela. Incomodada, não hesitou em perguntar:
- Meus peitos estão mais interessantes hoje?
Sawyer deu uma gargalhada:
- Sardenta, seus peitos devem ser interessantes todos os dias. Mas não é por esse motivo que estou olhando para eles.
- Então está mesmo olhando para eles, hã?
- Na verdade estou, porque queria saber que tamanho de sutiã você usa?
- O quê?
- È melhor eu explicar antes que você me dê um tapa na cara! A Ana estava se queixando um dia desses que não tinha nenhum sutiã, então pensei se você tivesse algum sobrando, poderia me dar para que eu dê de presente a ela?
Kate abriu um largo sorriso:
- Hum, que bonitinho!
- O que é bonitinho?- ele perguntou, sem graça.
- Você querendo dar presentes pra Ana, eu estou surpresa.
- Mas não fique!-ele pediu, sério. – Você tem o sutiã ou não? Eu ia pedir à Rose, mas achei que há uma incompatibilidade de tamanho entre elas.
Kate caiu na risada: - Eu tenho sim, e vou te dar já que é por uma causa tão nobre, afinal que mulher sobrevive ao efeito da gravidade sem um sutiã?
Vinte minutos depois, Sawyer entrava na barraca onde Ana já dormia munido com o sutiã, sorrindo de orelha a orelha, só de imaginar o quanto ela ficaria feliz com o presente. Ana-Lucia tinha o sono leve, conseqüência de muitos anos de vigília policial, e assim que Sawyer entrou na barraca, ela despertou.
- Hey baby, como está?- ele perguntou acariciando o cabelo dela.
- Enjoada!- ela respondeu.
- Mas vai melhorar, olha só o que eu trouxe pra você!
Ana sentou-se na cama e pegou o sutiã das mãos dele, sorrindo.
- Onde conseguiu isso?
- Bom, digamos que eu conheço um cara, que conhece outro cara, enfim...
- Sawyer, e por acaso existem travestis nessa ilha pra você ter conseguido esse sutiã com um cara?
- Bom...
Ela sentiu o enjôo aumentar e saiu correndo da barraca para vomitar. Sawyer a seguiu: - Mas o que foi?
Ana-Lucia vomitou todo o jantar, estava muito pálida. Sawyer trouxe água para ela, que bebeu aos poucos, aos golinhos.
- Quer que eu vá chamar o Jack? Você está tão pálida?
- Não, vai ficar tudo bem, vamos dormir. Vem!- ela disse, pegando na mão dele e voltando para a barraca.
Continua...
