É isso, estou muito feliz por ter terminado essa estória . Depois de vários problemas e obstáculos finalmente está terminada!
Agradeço a todas as reviews e tenham certeza de que apreciei muito a todas, com certeza são um estímulo para continar escrevendo! Espero que vocês tenham gostado dessa estória e que leiam minha próxima.
Importante: Em itálico são os pensamentos do Naruto e em Negrito é uma lembrança..seria umalembrança da voz da Hinata...ceu ara entender?
Negrito - lembranças
Itálico - pensamentos
"Ah! Se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah!Se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde ainda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tantos as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornastes nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu..."
(Tom Jobim/Chico Buarque)
"Desistir"
Podia sentir o frio das paredes e daquele chão tão branco, pouco a pouco... subindo-lhe pelas pernas. Respirou fundo e remexeu-se mais um pouco. Olhos azuis ansiosos percorriam corredores vazios, buscando alguém que não estaria lá. Um suspiro longo. Inclinou-se para frente e apoiando os cotovelos nas coxas, segurou a cabeça.
"Quanto tempo mais teria que esperar?"
Dedos calejados enroscaram-se em fios loiros.. devagar e com força, arrancando alguns. Ele já não conseguia levantar a cabeça, ele já não podia suportar a pequena e irracional esperança ser esmagada mais uma vez por corredores... corredores tão cruelmente vazios.
Mas ele também não conseguia deixar de ouvir, não podia deixar de apurar os ouvidos para qualquer som... quem sabe passos... Mesmo que, assim como antes, essa esperança ilógica também fosse pisoteada.. por um silêncio absoluto. Tão absoluto que era ofensivo.
"Quanto tempo mais teria que esperar?"
Lembrou-se de um relógio redondo e muito grande que deveria estar em uma parede – tão estupidamente branca – ali perto. Levantou-se devagar, hesitante..
"E se alguém aparecer?"
Mordeu o lábio e devagar andou até o relógio. Os ouvidos atentos... Resistindo àquela vontade de olhar para trás..
"Só para ter certeza..."
Eram três e vinte e cinco. Piscou devagar e retornou ligeiramente mais rápido do que veio... De que adiantava mesmo olhar o relógio? Ele não conseguia mais lembrar da hora que entrara ali. Pareciam muitas horas, dias... anos...
Mesmo que...
Minutos... segundos... Parecia tão pouco tempo.. tão pouco tempo.
Três dias atrás... um abraço demorado, um beijo entre sorrisos... e olhos tão carinhosos...
"Felicidade"
E agora...
Engasgou naquele pensamento. Sentia, assim como quando soube, a boca seca e a voz desaparecida... o coração tão acelerado que não batia de verdade... e aquele tremor nas mãos que ele mal conseguia disfarçar...
Fechou os olhos com força e sentou-se com as mãos no rosto.
Podia sentir... embaixo daquele azulejo gelado, naquelas paredes brancas, naquele maldito corredor vazio. Rachaduras, tremores... tudo estava desmoronando...
Tudo... ele estava perdendo tudo...
Respirou fundo várias vezes, tentando empurrar aquele sentimento urgente, irracional e tão absurdamente forte...
"Pânico."
Ainda lembrava.. sim.. lembrava daquele vestido branco de flores amarelas. Não pôde evitar o sorriso saudoso. Podia ver uma garota tão bonita e tão... gentil... sorrindo o sorriso mais aconchegante que ele já viu. Só para ele. Podia ver os raios de sol que as folhas das árvores falhavam em prender... dançando na pele branca...
Respirou fundo... quase podia sentir o perfume daquele cabelo negro e sedoso. Aquele fora um dia tão... imperfeito.
Com um piquenique atacado por formigas assassinas - ele jurava que eram mais inteligentes que pareciam – por poças d'água inconvenientes – ainda sentia o embaraço das calças molhadas – e uma chuva que surgira do nada.
Mas quando lembrava daquilo... não podia deixar de sorrir, fora um dia tão divertido e tão... talvez ele fosse muito otimista..talvez ele fosse mesmo muito inocente... talvez fosse a companhia.
Mas aquele fora um dos melhores dias da vida dele.
Mesmo que ele tenha comido bolinhos de arroz no formato do rosto dele... bem.. eles eram gostosos... Mesmo que ele tenha se atrapalhado um pouco... Mesmo que ele nunca tivesse imaginado aquilo alguns anos atrás...
Tantos dias bons...imperfeitos e cheios de tropeços e alguns desmaios... mas tão preciosos.
Entretanto... entretanto eles não foram suficientes. Ele queria mais... só um pouco mais. Porque eles tiveram tão pouco tempoe mesmo que ele soubesse que ele nunca acharia que seria o bastante...
Deus, ele já não tinha sofrido o suficiente? Ele já não tinha lutado por tudo? Por cada segundo da vida dele... Por que por isso também? Por que mais esse sofrimento?
Pressão... podia sentir os ombros caindo.. e as mãos deixando marcas vermelhas zangadas no rosto.
Era tão injusto! Tão injusto! Por que ele e não outra pessoa? Eles tinham lutado tanto..tanto... só para perder tudo no final.
"Naruto-kun... "
Passos
Podia ouvir passos... podia mesmo? Já não confiava em si mesmo.. queria tanto..tanto.. Mas levantou-se mesmo assim. E mesmo que uma parte dele quisesse correr e esconder-se, e nunca saber... porque saber só torna tudo real... e tão absolutamente definitivo.
Mordeu o lábio. A médica vinha pelo corredor, ela não estava sorrindo. Ela estava com uma cara tão triste...
"Não..."
"Não..."
"NÃO...NÃO...NÃO..".
"Por favor... não"
"Por favor..."
Engoliu a apreensão que o sufocava e encarou os olhos castanhos. Diante do olhar triste e quebrado. Podia sentir... as mãos suando.. e os olhos se abrindo muito...
"Não.."
"Naruto..."
E durante aquele discurso vazio, cheio de tratamentos, ferimentos e tanta culpa. Ele só podia ouvir o sussurro de uma voz tão assustada e irracional... que não podia ser a dele..
"Não..."
"A situação é muito grave..." - Não - "... fizemos tudo que podíamos" - Não..- "O coração foi severamente danificado e.." - Não... - " ...foi reparado...mas" - pare...por favor.. - " ... não responde a nenhum tratamento..." - por favor... - " eu sinto muito.. você tem vinte minutos."
Fechou os olhos, sentia náusea o invadir. Enquanto sentimentos e pensamentos... e o medo - tanto medo - o dilaceravam... de dentro para fora.
"Naruto... você tem pouco tempo"
"Tão pouco tempo..."
"Venha comigo.. você pode entrar agora"
Sentiu o corpo mover-se, os pés levando-o por corredores frios e brancos... por portas e cheiros de éter , álcool... sangue... e morte.
Engoliu seco os nós na garganta...
Uma porta, curiosamente negra, o separava dela... pôde sentir os olhos nele. E uma mão apertar-lhe o ombro e gentilmente lhe empurrar pela porta. Assim que entrou, fechou os olhos.
"Só mais um segundo... antes que... como tudo era até três dias atrás..."
Olhos azuis observaram o quarto vazio, com aparelhos espalhados e bandagens ensangüentadas. Teimosamente ainda evitando aquela cama tão metálica no meio dele. Não havia mais ninguém lá..somente uma respiração muita fraca e difícil além da dele... e o bip de um aparelho.. tão monótono e invasivo.
Devagar ele desistiu da fuga, ergueu os olhos.
Ela estava descalça, tinha uma roupa estranha de hospital nela.. e aqueles cabelos tão lindos se espalhavam naquela mesa feia e dura..
Passos hesitantes o levaram à cama. Uma mão trêmula segurou uma pálida. E lábios entreabertos e trêmulos beijaram a mesma mão...
"Hinata-chan"
Um murmúrio tão suave e desesperado. E antes que percebesse já tinha a outra mão nos cabelos dela... e o rosto enterrado no ombro pequeno.
"Naruto-kun... eu.. "
Podia sentir o calor que vinha dos olhos.. mas ele não podia. Não podia... Respirou fundo e com delicadeza retirou fios negros do rosto tão branco.
"Hi- Hinata-chan..." até aos ouvidos dele a voz dele soou quebrada " eu... eu sei... Tsunade vovozinha... ela..."
Engasgou nas palavras ... engasgou nos sentimentos... e nos pedidos desesperados que queria fazer... Mas não podia.. não podia
"Hinata – chan... eu... Tsunade vovozinha me contou, ela me contou o que aconteceu. Ela me contou dos... dos... de como você está machucada..."
Respirou fundo, podia sentir as mãos tremeram em medo... antecipação.. desespero...
"Ela me contou... e eu sei, Hinata-chan.. eu sei que você está sofrendo... sei que está doendo...muito"
Piscou várias vezes e tentou engolir, sem sucesso. Sua voz saiu rouca.. seca...
"Hinata-chan... eu sei que sempre disse que você devia lutar.. que devia lutar até o fim... mas... eu não quero que você sofra. Você já sentiu tanta dor...por tanto tempo. Eu.. eu quero dizer..que está bem desistir... que eu entendo... eu não vou pensar mal de você..."
"Por favor... fique"
" Você lembra? Lembra do nosso piquenique? E de quando eu caí no mar? Aqueles foram dias maravilhosos... cada um deles... por que você estava lá... Eu.. queria mais dias assim Hinata-chan... muitos mais...Eu quero... Hinata-chan eu quero mais tempo.."
"Não..."
"Mas.." a voz falhou e ele teve que respirar fundo. Apertou a mão dela com força " mesmo que tenha sido tão pouco tempo.. eu... eu ainda estou muito feliz porque eu os tive..."
"Naruto-kun... eu.. "
Olhos úmidos percorreram o rosto dela com cuidado... memorizando...guardando.. Segurava uma das mãos dela com força, enquanto a outra gentilmente brincava com os cabelos longos.
"Por favor... não me deixe sozinho"
'Hinata-chan.. eu... eu não sei... não sei o que vou fazer... mas eu sempre...eu nunca vou esquecer... Nem um dia... nenhum deles..."
"... eu quero mais tempo..."
"Hinata-chan.. eu.. eu sei que é difícil ir embora, sei que vamos ter saudade.. mas está tudo bem.. eu... eu um dia vou te encontrar... e..."
Encostou a testa na dela, sentindo a respiração fraca misturar-se a dele. Beijou o rosto dela, pálpebras, bochechas – era tão estranho beijar bochechas brancas e não vermelhinhas - testa e lábios.
"Você pode ir Hinata ... eu vou... vou esperar para te ver de novo... Hinata ... eu amo você..eu..."
"Eu não quero que você vá"
Nada.. nada... ele não sentia mais força alguma no corpo. Ele não sabia quanto tempo ele ficou ali...quanto tempo eles ainda tinham... Mas ele não conseguia se afastar... não conseguia separar as mãos deles...não conseguia dizer... aquela palavra... ele não podia ainda... talvez ele nunca pudesse...
E... já fora tão difícil... tão difícil engolir cada pedido.. cada palavra que implorava... implorava que ela ficasse... que não o deixasse...que ...
" por favor.. só mais um dia...mais dia.."
Mas todas as orações improvisadas de memórias borradas não puderam parar o tempo. E logo uma presença conhecida surgiu. Ficou ali parada observando aquele homem tão poderoso agarrar-se tão forte... desesperadamente... a alguém... que estava desaparecendo.
Naruto sentiu as lágrimas encherem os olhos... ele não podia. Não podia abrir mão dela! Não podia! Ela tinha que viver!
" Por favor.. qualquer coisa... por favor..."
Tsunade desviou os olhos, ela tentara tanto...tanto.. Mas não havia sido o suficiente. Em um momento tão importante, talvez o mais importante... Ela no fim não pudera fazer nada.
Tão nova e bonita... com uma determinação tão forte. Alguém mais fraco teria morrido antes mesmo de chegar ao hospital. Mas determinação sozinha não fazia nada. Ela tinha tantos ferimentos...ferimentos demais. Ela sabia.. sabia que as chances eram mínimas, que seria menos doloroso deixá-la morrer em paz. Mas olhos brancos e sérios, mesmo que mal pudessem ver, e uma voz engasgada e fraca lhe disse.
"Eu quero viver.. por mim.. pelo Naruto-kun.."
Então horas de cirurgias dolorosas se seguiram. Assim que terminavam com uma injúria, outras já necessitavam de atenção urgente. E por mais que tentasse.. por mais rápido que fosse... não era o suficiente...
" Naruto.."
"Não..."
"Naruto..."
"Por favor... só mais um pouco"
A médica não reconheceu a voz... aquela não era a voz de Naruto..não do Naruto orgulhoso, barulhento, otimista e forte que ela conhecia. Aquela voz.. essa nova voz.. estava tão baixa.. fraca..e vazia.. ele estava implorando.. Para ela? Para Deus? Ela não podia saber.
"Naruto-kun... eu..não.. "
Olhos azuis e profundos estavam entreabertos, mãos calejadas percorriam um caminho já conhecido. A respiração dele era lenta. Estava se despedindo, cada parte dele estava se despedindo... de cada parte dela.
Das mãos pequenas e gentis, que faziam ótimos curativos e o melhor ramen do mundo... Dos olhos tão brancos e sinceros... que tinham tanto... tanto amor neles...
Passou um dedo lentamente pelos lábios muito pálidos...
E da risada que como ela mesma, era doce e tímida... guardando aquela beleza... para poucos... e muitas vezes... para ele e mais ninguém... Daquele rosto tão bonito... dos cabelos tão sedosos... da voz tão suave.. tão... forte.. e.. do amor.. daquele amor tão profundo...
Engoliu e respirou fundo... e depois de um momento um sorriso doce, dolorosamente triste e pequeno enfeitou o rosto dele. Ainda podia sentir o cheiro dela embaixo de todo aquele cheiro de sangue, suor, éter e desespero que a cobria. Ele ainda podia sentir o cheiro dela... inalou novamente... ainda..ainda...
"Naruto-kun... eu.. não..."
Tsunade piscou várias vezes contendo as lágrimas. Não queria, não queria que ele passasse por aquilo. E não sabia... se um dia ele poderia se recuperar. Observou com um desespero profundo, alguém tão querido sentir uma dor que ela conhecia... Queria tanto evitar aquilo. Tomar aquela dor e afastá-la.. senti-la por ele...
Naruto não ouviu Tsunade sair novamente, dando-lhe uma permissão hesitante.. de ficar.. de testemunhar... e de perder da forma mais completa que alguém poderia. Ele estaria lá... quando a respiração dela piorasse.. e quando o coração dela começasse a falhar.. ele estaria lá...até.. tudo terminar.
"Naruto-kun, eu não vou... "
Ouviu o primeiro bip falhar, e assim que o bip falhou pôde sentir o próprio coração parar uma batida.
"Por favor... por favor..."
Ela estava sorrindo, os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo, uma camisa dele que alcançava os joelhos dela... e o sorriso mais bonito que ele já tinha visto...
"Por favor... por favor..."
Ela estava posicionada para atacar, olhos sérios e determinados... manifestando aquela força sublime e silenciosa...
"Por favor... por favor..."
Ela dormia, respirando lentamente enquanto cabelos negros se misturavam aos dele.. tão bonitinha e absolutamente abraçavel.. beijável também agora que ele parava para pensar...
" Por favor...ainda não...ainda não.."
Estava deitado ao lado dela naquela cama tão gelada, as pernas dele a enlaçavam, os braços dele a prendiam.. em um abraço apertado e cuidadoso. Enquanto olhos azuis úmidos percorriam o rosto dela lentamente.
Ele não conseguia... ele prendia a respiração e rezava cada vez que aquele maldito bip falhava. Rezando... pedindo... só mais um... só mais um... quem sabe eles conseguiam ficar assim para sempre? Ou pelo menos.. mais um dia.. uma hora... mais um bip...
"Naruto-kun, eu não vou a.."
Entretanto, os bips estavam falhando mais e mais.. e mesmo que ele desejasse e rezasse.. eles continuavam falhando...até que não surgiram mais...
"O aparelho vai parar de fornecer o que ela precisa... e quando o coração dela parar... não vai voltar a bater..Naruto.. ela está sofrendo muito..."
Fechou os olhos com força, podia sentir o tremor no corpo todo... podia sentir os olhos arderem.. podia sentir o pânico e o desespero tão profundos que não podiam.. acabar só nele. Soluços o sacudiam, enquanto lágrimas não mais podiam ser contidas e molhavam as bochechas dela.
Ele perdera tudo...perdera a sua Hinata-chan... e.. por Deus... aquilo doía demais. Doía demais... E quando a falta dos bips ficou insuportável ele acertou com força a máquina irritante,ao mesmo tempo que alguma coisa dentro dele simplesmente...
"Naruto-kun eu não vou a lugar nenhum."
... partiu.
Ele não conseguia mais, ele tentara.. tentara com todas as forças dele mas ele não podia. Ele queria deixá-la ir, libertá-la e protegê-la da dor...mas... ele não conseguia desistir. E com uma voz rouca, barulhenta e desesperada ele implorou.
"Hinata-chan! Por Favor... por favor... você prometeu! Você me disse que não ia a lugar nenhum!
Sentia os soluços tão arduamente contidos.. escaparem com força e tomarem o quarto gelado...
" Você prometeu! Você disse para mim! Eu acreditei! Você não pode!NÃO PODE!"
Ele sabia... sabia que era inútil.. sabia que estava sendo egoísta.. pedindo dela algo que a machucava.. que ela não podia fazer... Mas ela também pedia dele... algo que ele não podia... ele jamais poderia dizer adeus.
" Por favor..."
"Hinata-chan!Por favor... por favor.. eu amo você... por favor não me deixe.."
E o que começou como um a exigência raivosa em um desespero infantil... tornou-se um murmúrio magoado...
"Não me deixe.. por favor.. não deixe.. eu amo você.. não me deixe..'
Ele repetia como um mantra.. segurando próximo dele o corpo inerte. Uzumaki Naruto o eterno alegre, animado e orgulhoso ninja de Konoha.. estava implorando.
Implorando...
Em um mantra triste e desesperançado que só foi interrompido pelo som tímido e gritante de um bip.
Olhos azuis enormes e temerosos – da perda, da esperança.. e de tudo aquilo que fica ao redor do desespero – fitavam a máquina caída ansiosamente. Prendeu a respiração e contou os segundos.
Bip
Apertou – a contra ele com mais força, dividido entre o alívio e o medo.. de sentir-se aliviado. Mas quando o segundo e o terceiro bip vieram, ele como sempre, perdeu qualquer prudência. E gritou desesperado por alguém... porque ela não havia desistido ainda.
Rapidamente vários médicos invadiam o quarto, verificando aparelhos, murmurando espantados... espantando-o para fora da sala de cirurgia. E somente o rosto sério de Tsunade e aquela quase promessa de que ela tinha uma chance... o tiraram de lá.
Entretanto o mais distante que conseguira ir, fora o lado de fora daquela porta preta.. ajoelhado ele rezava para um Deus e para todos os deuses... Implorava, barganhava...
Com olhos grandes e úmidos... com lábios trêmulos e esperança... uma esperança tão imprudente e bonita.
Horas passaram... horas terríveis e incertas.. e ele já não sabia se queria que alguém saísse da porta .. ou se temia... ver Tsunade com aquele olhar novamente...
Aproximadamente doze horas depois, os médicos se afastaram da cama em que ela estava. Saindo lentamente pela porta...
Naruto prendeu a respiração e procurou freneticamente por respostas nos rostos exaustos, levantando-se devagar do chão duro e gelado. Até que a última médica saísse da sala, Tsunade.
Olhos azuis muito grandes a fitaram intensamente, procurando pela verdade.. temendo.. esperando...
Tsunade caminhou lentamente até ele, e com uma voz suave e cansada.. só conseguiu dizer o nome dele.. antes que o menor e mais cansado sorriso tomasse conta do rosto dela.
Logo ele corria para dentro da sala de cirurgia.. puxando o ar com surpresa quando viu Hinata.
Os pés sentiam como chumbo, enquanto um medo paranóico de que se a tocasse aquele sonho se desfaria.. de que ele acordaria ainda ajoelhado do lado de fora daquela sala.
As mãos dele moveram-se incertas, apertando com delicadeza o pulso... pairando sobre os lábios... até que ele descansou a cabeça no peito dela... e só naquele instante..
Quando ele ouviu o som reconfortante e assegurador das batidas constantes do coração dela... foi que ele se permitiu chorar .
Chorar de desespero e tristeza... e daquele alívio tão absurdo e imenso, chorar daquela alegria tão intensa que ele mal conseguia respirar.
Um beijo delicado e um sorriso enorme depois.. ele deitou ao lado dela... sussurrando bobagens... e agradecendo..agradecendo...
Agradecendo Buda.. Deus.. Alá...
Agradecendo aos amigos...
Agradecendo aos médicos
E ao fato inegável... de que Uzumakis nunca desistem...
Então?
Bem esse foi o fim, espero que tenham gostado e que me digam o que pensaram. Foi dramático? Ou só a Ichigo-Dono que é muito sensível?
Para ser sincera esse texto foi dos que escrevi, um dos meu prediletos. Ah! foi também a primeira parte dessa estória que eu escrevi! Então obrigado por terem lido e acompanhado minha estória, fiquei muito feliz em receber reviews de gente que lembro do primeiro cápítulo e até de minha primeira fic! Muitíssimo Obrigado!
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