Agradecimentos: À todos que me deixaram reviews, muito, muito obrigado. Foram 7 reviews e mais de 140 acessos ! Eu nunca esperaria! De novo agradeço a minha beta Nin.


Hermione tomava seu café da manhã, olhando de vez quando em direção a mesa da Sonserina. Lá estava Draco Malfoy. Porém não era o mesmo Draco da noite anterior, um Malfoy diferente do que ele costumava ser. A arrogância ainda presente, porém não zombava, não desprezava, não havia sarcasmos. Era apenas um garoto triste, sozinho e apagado, ainda assim sem perder seu ar de nobreza.. E agora ela entendia o porquê de tudo aquilo. Olhando-o, começou a lembrar do ocorrido na noite passada e ainda se perguntava se aquilo não havia passado de um sonho.

flashback

-Malfoy...o que está acontecendo, por que você está assim?

Com um suspiro, ele começou a falar:

-Ah, Granger...tantas coisas...

-Desabafe, guardar isso não lhe fará bem.

-Ok...você acha que pode guardar segredo, não importando o que eu te fale?

-É claro que sim! Se vai começar a me ofender de novo, eu...

-Não, não. Só guarde segredo.

-Tudo bem.

"Tudo começou quando eu ainda era pequeno, Desde criança já tinha contato com as Artes das Trevas. Lucius nunca me tratou como um filho, e sim como um Comensal em treinamento. – a medida que falava seus olhos se enchiam de lágrimas de novo. – Assim eu cresci, e o único carinho que conheci foi o de minha mãe. Isso quando Lucius não a censurava por fazer de mim um fraco."

Hermione já conhecia esses fatos, já que nunca foram segredo para ninguém. O que ela não esperava, era que ele se ressentisse disso, já que sempre se mostrou muito orgulhoso se ser um Malfoy e filho de Comensal da Morte.

-Mas Malfoy, eu sempre achei que...

-Eu também achava Granger. - disse interrompendo-a mais uma vez – Eu não tinha conciência do que era realmente ser um Comensal da Morte, até o quinto ano, quando a guerra explodiu.

"Naquele momento eu percebi que nunca fui e nunca poderia ser um deles. Talvez, como meu pai dizia, minha mãe teria feito de mim um fraco. Eu não poderia me submeter a um mestiço assassino de trouxas, matando por prazer.

Quando me dei conta disso, percebi que só poderia recorrer a uma pessoa: Alvo Dumbledore. Eu, que sempre achei que ele era apenas um velhote biruta."

Ao ouvir isso, Hermione se ofendeu, mas Malfoy não percebeu. Ela já podia ver as lágrimas descendo e a voz se tornando chorosa e cansada novamente.

-Dumbledore passou a me proteger de Voldemort, dos Comensais da Morte e de meu próprio pai. Desde então não vi mais minha mãe. – agora tentava se controlar, inutilmente.

Ele chorava descontroladamente, chegando a soluçar. Hermione que começava a se emocionar, passou um braço pelas costas de Malfoy, afim de conforta-lo.

-Quando tudo aconteceu, eu nem mesmo tinha amigos ao meu lado, Aqueles que andavam comigo eram apenas seguidores descerebrados. A maioria, também protótipos de Comensais, me abandonou ao saber do ocorrido. Então eu fiquei mais sozinho do que era. E o pior...ah, esquece...

-O que? Ah não, se você chegou até aqui vai ter que me contar tudo.

-Eu garanto que você não vai querer saber. – disse o loiro abandonando o tom choroso passando para um tom cínico, porém grave.

-Vamos Malfoy, o que pode ser pior do que tudo que me disse?

-Oh sim, é pior!

Ambos notaram que entre eles começava a se formar um tipo de cumplicidade. Era estranho imaginar um Malfoy amigo de uma nascida trouxa sabe-tudo e grifinória. Porém era o que começava a acontecer agora

-Diga ou vou te azarar! – disse Hermione em tom de brincadeira, tentando anima-lo.

-Oh que medo! – disse Malfoy entrando na brincadeira. – Ok, ok, a questão é que...é que...

-Desembucha Malfoy!

-Tá, ta...é que...euachoqueeuamoopotter... – disse abaixando a cabeça.

-O que? – berrou Hermione meio engasgada, pensando não ter ouvido direito.

-Por favor, não me faça repetir isso Granger... – disse Malfoy, voltando a se sentir miserável.

-Não...não é possível. Ou você está tirando uma com a minha cara ou você está ficando louco! Malfoy, acorda! Vocês se odeiam! Vocês...são garotos!

Hermione dizia tudo fazendo uma expressão de confusão e muita, muita surpresa, Malfoy não se abalara, pois já esperava esse tipo de reação.

-Obrigado Granger, ajudou muito. Minha auto-estima está nas alturas. – disse ele cinicamente.

-Oh, desculpe...não foi minha intenção. Mas...por Deus, como isso foi acontecer? – ela ainda não conseguia esconder seu espanto e confusão.

-Bem, na verdade eu não tenho isso muito claro, pois eu só percebi há algum tempo atrás. – Hermione podia notar que Malfoy enrubescia, parecendo estar muito envergonhado. Mesmo assim ela resolveu perguntar:

-Mas você não tem nem idéia?

-Tenho minhas teorias, mas não sou nenhum psicólogo...

-E...?

-O quê?

-Me conta!

-Ah, sim...

"Como você sabe, desde que derrotou o Lord das Trevas sendo um bebê, Potter ficou famoso no mundo mágico. Cresci ouvindo essas histórias e quando vim para Hogwarts sabia que ele estaria aqui também. Eu criei toda uma expectativa, queria ser amigo do Menino-que-Sobreviveu. Mas como eu nunca soube o que era uma amizade real, o que eu propus a Potter foi uma aliança. Depois ainda destratei aquele amiguinho dele, o Weasel. Como era de se esperar ele rejeito a minha amizade e desde então, eu fiquei obcecado por ele"

Hermione ouvia tudo atentamente começava a compreender o que se passava na mente e no coração de Malfoy.

"Essa obsessão foi crescendo e eu tentava reprimi-la, enfiando na minha cabeça que eu o odiava, humilhando-o, entre outras coisas. E após todo esse tempo e tudo que aconteceu, quando eu tive que repensar toda a minha vida. Foi aí que eu me dei conta: Eu amo Harry Potter."

Hermione pode ver nos olhos de Malfoy o quanto aquilo era verdade. A maneira como ele pronunciou o nome de Harry não era mais carregada de ressentimento e desprezo. Pela primeira vez ela pode sentir que havia amor em Malfoy.

Então Hermione começou a pensar em Harry. Ele simplesmente odiava Malfoy e até onde sabia, Harry gostava de garotas.

-Desculpe ocupar seu tempo Granger – disse Malfoy, parecendo melhor ao se levantar.

Hermione pôs-se de pé e disse:

-Não tem porque se desculpar Draco, amigos são para essas coisas. – disse a menina estendendo a mão a Malfoy.

Surpreso, ele ficou sem reação por alguns instantes, mas logo apertou a mão que a garota lhe oferecia.

-Amigos, então. – disse ele com um meio sorriso nos lábios. – Bom, voltarei ao dormitório, adeus...Hermione.

Ela notou o esforço e a estranheza que causava a Draco pronunciar seu primeiro nome. Sorriu de volta para ele e esperou que saísse para rumar para seu próprio dormitório.

fim do flashback

Hermione acordou de seus devaneios quando Rony a sacudiu "sutilmente" avisando que as aulas iriam começar. Então ela se levantou e foi pra aula ainda com esse assunto na cabeça.