Disclaimer: Inuyasha não me pertence. Esse fanfic tem o único objetivo de divertir.
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TUDO PELA HERANÇA
Por: Madam Spooky.
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Capítulo 8 - Shikon No Tama
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Hum... Gosto de chocolate na boca. Ela podia sentir aquele sabor maravilhoso tomando conta de todo seu paladar enquanto os outros sentidos, igualmente satisfeitos, estavam ocupados assimilando o aroma de rosas, a suavidade do lençol de seda e a música romântica que tocava de algum lugar do quarto.
Era um sonho, não havia outra explicação.
A visão, único sentido que permanecera livre de sensações até o momento, começou a captar uma luz pálida atingindo algum ponto bem à frente de sua cabeça. Ela franziu a testa começando a desconfiar de que havia algo errado. A luz de seu quarto não costumava ser fraca daquele jeito. Ela costumava atingir seu rosto em toda sua glória, pronto o sol nascia, despertando-a. Nem mesmo quando as cortinas de tecido claro estavam fechadas a luz se escondia como estava acontecendo agora.
E o que dizer dos lençóis de seda?
O cobertor de retalhos, o último feito por sua avó antes de sofrer o enfarte que a levou para sempre, não era de seda. Era levemente áspero. Uma aspereza agradável, como eram as mãos daquela que o fez. Ela podia se lembrar, e quase sentir, as mãos de sua avó acariciando-lhe a testa quando acordava sobre aquele cobertor todas as manhãs. A sensação era única e maravilhosa e ela estava sentindo falta de sua maneira especial de acordar. Onde estava o cobertor da vovó? De onde tinha saído aquele lençol de seda?
Um beliscão e está tudo acabado, ela pensou, imediatamente sentindo o corpo dar um sobressalto em resposta. Quando foi que alguém pensara em se beliscar quando estava realmente sonhando? Sonhos eram estranhos por natureza, mas seguros. Não havia necessidade de tentar acordar quando sua mente sabia que podia, melhor, que aconteceria, mais cedo ou mais tarde. Ela tinha certeza de que era um sonho? Não. Havia algo estranho, mas ela não tinha certeza e não tendo certeza o mais provável era que...
Ah, Kami, seria possível que estivesse realmente acordada?
As rosas pareceram tornar o indício de sua presença mais forte e ela sentiu as narinas dilatarem-se em reação. A música também ficou mais alta e ela reconheceu imediatamente como a voz dos Bee Gees, o grupo favorito de seu pai.
How deep is your love, how deep is your love
Quão profundo é o seu
amor, quão profundo é o seu amor,
I really mean to learn
Eu
realmente preciso saber.
'Cause we're living in a world of
fools
Pois estamos vivendo num mundo de tolos
Breaking us
down
Que vivem nos magoando.
When they all should let us
be,
Quando eles todos deviam nos deixar em paz,
We belong to you
and me
Pois pertencemos um ao outro.
Ele tinha todos os antigos LPs do grupo e devia estar tocando-os na sala, para Souta e Shippo escutarem, assim como fazia quando ela era uma garotinha. Um sorriso tomou conta de seus lábios e ela se levantou pensando em descer as escadas e se juntar a eles. Seria como antes, a família toda reunida festejando mais um dia de felicidade. O sorriso, junto à idéia radiante, persistiu até que seu pé tocou o chão frio e a sensação gelada subiu por sua perna até o último fio de cabelo, provando o que ela já sabia: que não estava sonhando. E se não estava sonhando...
Seu pai não estava ouvindo LPs dos Bee Gees porque ele já estava morto. Ele tinha ido embora como sua avó fizera, deixando-a cada vez mais sozinha.
Lágrimas substituíram o sorriso de antes e ela saltou de volta na cama encolhendo-se tão rapidamente, que seus joelhos bateram com violência em algo sólido junto a ela.
- O que é? - uma voz que não soava tão estranha grunhiu próxima a seu ouvido. - Não vê que ainda é cedo? O sol ainda nem nasceu...!
O salto que ela deu desta vez foi bem maior que o outro e acabou aterrissando de joelhos sobre o colchão, com os olhos muito abertos, tentando identificar cada detalhe daquele lugar estranho.
Aquela não era sua cama, definitivamente, assim como aquele também não era seu quarto. Do lado ela podia ver uma porta do que deveria ser um guarda-roupa embutido na parede, ao lado de uma pequena janela coberta por pesadas cortinas de cor escura - azul ou verde escuro, era difícil ter certeza com a pouca luz. Havia também no quarto um pequeno frigobar e uma mesinha onde repousavam um vaso de flores onde se refletiam as sombras que percorriam o cômodo, uma garrafa de champanhe ou vinho e um pedaço de papel que estava longe demais para que desse para ler seu conteúdo.
Ela olhou para baixo e percebeu a camisola branca que vestia corando furiosamente. Quando desviou o olhar cheio de vergonha para o dono da voz, viu que ele a fitava, igualmente chocado, com uma mão sobre a testa e outra sob o queixo, aparentemente faltando-lhe as palavras.
- O que aconteceu aqui? - ele perguntou e puxou o lençol acima do tórax nu.
- Eu... - ela começou a falar, mas estava envergonhada demais para isso.
- Kagome, como nós viemos parar aqui?
Ele passou os olhos pelo quarto até para-los no rosto muito vermelho dela.
Kagome balançou a cabeça negativamente. Como fora parar em um lugar desconhecido, trocara de roupa, ligara o som e quem sabe quantas outras coisas mais e não conseguia lembrar-se de nada?
- Inuyasha...? - ela pronunciou o nome dele, suplicante.
Em resposta, apenas o som repetindo o mesmo refrão:
'Cause we're living in a world of fools
Pois estamos vivendo num
mundo de tolos
Breaking us down
Que vivem nos magoando
When
they all should let us be
Quando todos deviam nos deixar em paz,
We
belong to you and me
Pois pertencemos um ao outro.
~*~*~*~
- Calma! Vamos manter a calma.
Inuyasha caminhava de um lado para o outro vestido apenas com as calças de algodão com as quais acordara. Kagome e ele já sabiam que estavam em um hotel no centro e que tinham chegado ali a noite passada, em um estado de espírito que o homem que atendera na recepção descrevera como "transbordando de felicidade". Agora Kagome tinha o papel que encontraram na mesinha entre as mãos e olhava para ele com um olhar neutro que seria engraçado se não fosse também assustador. As lembranças do que acontecera na noite anterior começavam a voltar pouco a pouco e à medida que surgiam com maior intensidade, os dois jovens ficavam mais e mais assustados.
- Eu estou calma. - disse Kagome. As mãos dela tremiam assim como seus lábios fazendo parecer que ela desmancharia em prantos a qualquer momento.
- Nós não podemos ter feito o que eu acho que fizemos. - continuou Inuyasha tentando ser racional. - Quero dizer, ninguém aceitaria nos ajudar com algo assim tão sério sem que estivéssemos em pleno uso de nossas faculdades mentais, não acha?
Ele perguntou e ele mesmo teria que se convencer da validade seu pensamento. Kagome estava chocada demais para dar uma resposta e, apesar dele parecer estar pensando que aquele papel sumiria de suas mãos a qualquer momento, ele estava bem sólido lá, presente demais para que fosse um simples pesadelo.
- Shikon No Tama, Inuyasha. - Kagome disse finalmente - Pessoas comuns fazem isso lá o tempo todo e que eu saiba em lugares assim não tem importância se elas então ou não em seu juízo perfeito.
Inuyasha tinha que concordar que o que ela dizia era verdade. Não importava o quanto eles tivessem bebido, segundo aquele papel, tinham feito a bobagem e, bom ou mal, teriam que dar um jeito.
- Kagome, temos que nos acalmar. Não é tão ruim quanto parece. - ele notou o olhar furioso que ela lhe lançou e deu um passo para trás. - Ok, é tão ruim quanto parece, mas nós não podemos ficar aqui parados lamentando. Temos que rever o que fizemos e tentar resolver isso como as duas pessoas adultas e sensatas que somos.
- Duas pessoas adultas e sensatas... Estamos falando do casal de imbecis que estão com o nome nessa maldita folha de papel? - ela respondeu alterada.
- Olha lá, Kagome! Ontem você foi ao meu apartamento, me consolou, disse que gostava de mim e isso mudou agora por causa de uma mísera assinatura?
- Mísera assinatura? - aquele olhar assassino desconhecido nos olhos dela e o qual Inuyasha preferia não ter conhecido voltou a aparecer. - MÍSERA ASSINATURA? - ela gritou. - Acha mesmo que é uma coisa sem importância, Inuyasha? Você sabe o quanto isso vai marcar as nossas vidas?
Ele não respondeu. Abaixou a cabeça e encarou o chão sem saber o que dizer. Nunca fora segredo nem para ele nem para pessoa alguma que Inuyasha Arada era um tremendo idiota, mas dessa vez ele quebrara todos os recordes. Talvez ele e Kagome estivessem destinados a ficar juntos. Talvez o destino estivesse conspirando para liga-los a força, independente dos planos dele. Afinal, ele era um idiota e ela uma crédula beirando o fanatismo, poderia ser mais perfeito?
- Por que você não se veste e nós saímos para tomar um ar?
- Porque eu já procurei as minhas roupas e não as encontro em parte alguma. - respondeu Kagome, irritada ao mesmo tempo em que fazia aquele olhar assustador evoluir para um "comente isso e eu darei um jeito de que você nunca possa ter filhos".
- OK... - Inuyasha se sentou na beira da cama, tomando cuidado para não chegar muito perto dela. Kagome parecia ter uma natureza dócil, mas agora que a vira zangada, achava que seria mais seguro não arriscar. - O que, exatamente, você lembra de ter feito ontem?
- Depois que saímos do seu apartamento? - ela perguntou parecendo muito mais calma.
- Depois que saímos do meu apartamento.
Um minuto se passou reinando o silêncio. O barulho das buzinas de carros lá embaixo era a única coisa audível. Finalmente, Kagome respondeu:
- Não muito. Algumas coisas isoladas. Você?
- O mesmo.
Os dois se encararam nervosos e Inuyasha perguntou:
- O quão longe você acha que fomos? Digo, Você acha que nós...
- Não! - Kagome quase gritou.
- Você tem certeza que não fizemos nada?
- Claro que eu tenho certeza, eu me lembraria se tivéssemos feito algo assim!
- E você pode garantir com cem por cento de certeza?
- Eu sei muito bem o que eu faria e o que eu não faria!
- Mas nós não estávamos em pleno uso de nossas faculdades, etc, etc, sem falar que havia bebida envolvida.
Kagome não respondeu e Inuyasha apressou-se a mudar de assunto de maneira a não transtorna-la. Se os dois iam resolver aquela situação conversando, o melhor era que ela estivesse o mais calma possível.
- Talvez se eu contasse a minha versão e você contasse a sua... - ele começou a sugerir.
- Não! - interrompeu Kagome. - Acho melhor você falar e eu interromper quando achar que lembro de algo.
- Se você prefere assim...
Eles olharam para o papel, ainda nas mãos de Kagome, mais uma vez. Ainda não podiam acreditar no que tinham feito. Como tinham podido ser tão irresponsáveis?
Respirando fundo, torcendo para que aquele fosse apenas o sonho mais real que já tiveram, o casal de amigos, agora muito mais que isso, começou a relembrar a noite passada. Lá fora, um Miroku esperava por desculpas, uma Sango esperava para dizer o que descobrira e um Kouga irritado esperava um telefonema. Não importava, o mundo lá fora esperaria o tempo que fosse preciso.
~*~*~*~
FLASH BACK
DOZE HORAS ANTES
Ele não saberia de quem foi à idéia se alguém perguntasse mais tarde, mas no final do dia, depois de horas gastas entre o cinema, shopping, lanchonetes baratas e caminhadas silenciosas pelo centro da cidade, Inuyasha se viu segurando a mão de Kagome, parado na calçada em frente ao imponente cassino Shikon No Tama.
Estivera ali apenas duas vezes em sua vida. A primeira quando completara dezoito anos e o pai quis lhe dar um presente de aniversário que o fizesse sentir que era finalmente um homem. Eles estiveram no salão de jogos durante toda uma noite e perderam mais dinheiro do que na verdade poderiam gastar, mas fora um presente inesquecível.
Tão inesquecível quanto fora sua segunda visita ao lugar.
Podia se lembrar dos olhos radiantes de Kikyou contemplando a luz da placa que adornava a frente do edifício. Ele sabia que ela, com seu gosto por lugares glamourosos, ia apreciar imensamente a visita. Os dois passaram bons momentos ali, divertindo-se como dois amigos. Uma das únicas vezes em que esqueceram de que eram a prima rica e o parente não exatamente apreciado que não tinha onde cair morto.
Teria sido perfeito se não fosse por ele ter bebido demais e saído com aquelas duas mulheres, abandonando a prima sozinha no lugar...
De qualquer maneira, na sua opinião, o Shikon No Tama tinha algo de mágico. E, por algum motivo que ele mesmo desconhecia - ou preferia desconhecer -, agora que se via ali tão perto, queria passar algum tempo lá dentro com Kagome. O dia não fora o que ele chamaria de um sucesso com relação a sua idéia original de esquecer os problemas e viver um pouco, mas a noite ainda era uma criança e eles ainda tinham algum tempo.
- Então... Você não quer entrar comigo? - perguntou Inuyasha ainda fitando o cassino saudosamente. - Seria o fim de noite perfeito. Esse lugar é especial para mim.
- Cassino Shikon No Tama... - ela estreitou os olhos. - Meus pais gostavam de vir aqui de vez em quando, mas eu nunca estive lá dentro.
- Então, quer conhecer? Nós não temos muito dinheiro para jogos, mas eu tenho algumas moedas e podemos tentar o caça-níqueis.
Kagome sorriu aprovando a idéia e soltou a mão dele dando um passo à frente, empolgada como uma criança em sua primeira vez no parque de diversões.
- Vamos, Inuyasha!
Ele caminhou até estar do lado dela e os dois entraram juntos, sorrindo, cada um por um motivo diferente.
~*~*~*~
Inuyasha olhou para as poucas fichas que conseguira comprar e franziu o cenho contrariado.
- Eu não me lembrava dessas fichinhas serem assim tão caras...
Kagome não prestou atenção. Continuou olhando ao redor abobada. Eles caminhavam pela seção de caça-níqueis, mas ao lado, em grandes mesas redondas, homens e mulheres apostavam alto nas cartas, comemorando quando venciam e xingando alto quando obtinham um resultado desfavorável. Ela podia ouvir os gritos felizes de um grupo que jogava dados bem mais afastados e alguns homens apostando na roleta do outro lado do salão, friccionando as mãos nervosamente enquanto esperavam a máquina parar.
- Isso é tão interessante! - ela disse parecendo ainda mais empolgada que antes. - Todas essas pessoas se divertindo nas máquinas... Elas devem ter muito dinheiro para bancar esse tipo de passatempo.
- Nem sempre. - respondeu Inuyasha. - Esse lugar é divertido sim, mas se você souber se controlar. A maioria das pessoas não consegue parar de jogar uma vez que começam e acabam perdendo mais do que podem gastar.
- O que acontece com elas?
- Ficam devendo ao cassino... Perdem tudo... E se não puderem pagar depois de venderem todos os seus bens são encontradas jogadas em um beco por aí, mortas "acidentalmente".
- Que horror! - Kagome cobriu a boca com as mãos e olhou para ele chocada. - Está falando sério?
- Eu vi isso em um filme do Al Pacino. Era assim no cassino do filme e isso também é um cassino...
- Inuyasha, não me assuste dessa maneira. - ela parou, apoiando a mão esquerda em uma das máquinas enquanto depositava a direita sobre o peito. - Está tentando me fazer morrer do coração?
Inuyasha riu.
- Não seja boba, Kagome. Nós não temos dinheiro nem para tomar um ônibus. Eu só pude comprar meia dúzia de fichinhas que você vai colocar em uma dessas máquinas e perder uma por uma até que não tenhamos mais nada e só pudermos sair por aquela porta pensando o quão bom teria sido vencer ao menos uma vez e prometendo a nós mesmos, interiormente, que um dia voltaremos e venceremos.
Kagome sorriu, divertida.
- Você já esteve muitas vezes aqui?
- Ora, esqueça isso e perca logo as fichas. Não é bom prolongar sofrimento de espécie alguma.
~*~*~*~
Uma hora depois, as seis fichinhas já tinham se convertido em pelo menos vinte vezes isso. Kagome parecia ter um talento natural para o caça-níqueis. Talento natural ou uma tremenda sorte.
- Kagome... - disse Inuyasha, boquiaberto. - Você sabe quais a probabilidades de alguém ganhar assim tantas vezes seguidas? Essa máquina só pode estar com algum defeito!
- Não seja chato, Inuyasha. Eu estou ganhando e você só foi capaz de perder uma dúzia dos meus lucros. Sua mãe não te ensinou que a inveja é um sentimento destrutivo?
- Se você tiver tanta sorte nas cartas quanto tem nessas maquininhas, nós estamos feitos.
- Nós? - ela gargalhou debochadamente.
- Ora, Kagome, você não deixaria seu sócio e amigo na rua da amargura depois de te-la apresentado ao lugar onde você pode utilizar seu verdadeiro dom, não é? Pense só, quanta gente desmoralizada por esses malditos caça-níqueis não se sentirá vingada em saber que uma garota conseguiu acabar com a invulnerabilidade dessas máquinas cretinas.
- Sei... Será tudo uma ação completamente altruísta. - ela segurou o riso.
- Exato! - disse Inuyasha com um sorriso radiante. - Se por acaso ficarmos ricos, isso será apenas uma recompensa pelos muitos ânimos que levantaremos por aí. Pense quantos egos nós poderemos salvar!
Kagome não conseguiu se controlar e começou a rir ao mesmo tempo em que puxava mais uma vez a alavanca da máquina.
- Você é ótimo, Inuyasha. - ela disse entre o riso. - Não precisa da minha sorte, basta um palco e um microfone.
- Ah, não. Eu tenho medo de falar em público.
Ela riu ainda mais. Nesse instante, a máquina parou, ela tinha ganhado mais uma vez.
- O que foi que eu disse? Você é uma bruxa, Kagome!
Dessa vez, ao invés de mais fichas comuns, um objeto redondo, dourado, semelhante a uma moeda, apareceu. Kagome o pegou e começou a examina-lo.
- Hum... parece que ganhamos um vale-brinde especial.
- Eu estou começando a ficar com medo de você. - disse Inuyasha enquanto se inclinava para ver o prêmio mais de perto.
- O que vamos fazer? Continuar jogando?
- Não... Vamos levar isso para o caixa e ver o que ganhamos.
Ele a puxou pela mão e os dois saíram apressados em direção ao caixa. Um indiscutível sorriso de felicidade desenhado no rosto de ambos.
~*~*~*~
Inuyasha e Kagome não passaram mais de cinco minutos conversando com o rapaz alto e gentil que trocava as fichas. Foi uma questão simples: receber o prêmio e ir embora. O problema, agora que tinham a chave que ganharam entre as mãos, era o que fariam com ela. Os dois, ela muito vermelha e ele olhando para baixo sem ter certeza se deveria falar ou ficar quieto, apenas encaravam o objeto brilhante sem tomar atitude alguma.
- Uma chave... - disse Inuyasha, declarando o obvio.
- Uma chave. - confirmou Kagome sorrindo sem graça.
- Desde quando eles dão esse tipo de prêmio no caça-níqueis? - perguntou Inuyasha e começou a tagarelar sobre todas as outras vezes em que estivera no Shikon No Tama como se sua vida dependesse dele continuar falando.
- Inuyasha?
Ele continuou falando cada vez mais rápido.
- Inuyasha?
Palavras e mais palavras que não faziam lá muito sentido.
- Inuyasha?
Mais um pouco e ela saberia até a trajetória dos proprietários do lugar.
- Inuyasha!!!!!!!
O grito ecoou pelo salão chamando a atenção dos homens que trabalhavam no caixa, de alguns sentados em um pequeno bar do outro lado e também das pessoas que passavam.
Kagome sorriu sem graça para elas, porém feliz por finalmente ter feito seu acompanhante calar a boca.
- Você não precisa gritar, Kagome. - disse Inuyasha irritado. - Acha que sou surdo, por acaso? Agora todas essas pessoas sabem o meu nome!! Por que não procura um alto-falante se está tão interessada em espalhar que está comigo?
- Eu não respondo isso porque...
- Tá, tá, não vamos nos estender nessa conversa. Você vem comigo ou não vem?
Ele deu um passo na direção do corredor que levava aos elevadores.
- Se eu vou ou não vou para onde? - Kagome perguntou olhando para todos os lados, meio desesperada por já saber exatamente a resposta.
- Não seja tonta, Kagome. Você não acha realmente que eu vou perder uma noite hospedado em um quarto de luxo nesse lugar somente porque você está com vergonha de entrar lá sozinha comigo, acha?
Ela não respondeu, apenas abaixou a cabeça.
- Ótimo. - ele exibiu a chave, balançando-a na frente dos olhos dela. - Vamos lá. Se você não quiser ficar, eu te levo para casa. Só não me peça para fazer isso antes de saquear aquele frigobar ou eu nunca vou te perdoar.
Kagome sorriu diante do tom brincalhão que ele colocou na última frese. Eles apenas dariam uma olhada no quarto. O que podia acontecer de errado?
~*~*~*~
TEMPO PRESENTE
- O que podia acontecer de errado, não é mesmo? - disse Inuyasha debochadamente.
- Como é que eu ia adivinhar até que ponto ia a sua tara por frigobares?
Inuyasha ergueu as sobrancelhas parecendo surpreso.
- Você realmente andou bebendo, Kagome. A garota que eu conhecia até a noite passada não falaria assim, nem nos meus piores pesadelos.
- Ah, então para você é um pesadelo eu cometer um erro? - ela contra atacou furiosa. - Mas eu tenho algo a te dizer, senhor inocente, algo que parece que você ainda não entendeu: Para colocar dois nomes juntos nesse papelzinho, é preciso duas pessoas dizendo 'sim'!!!
Os dois olharam para o papel em cima da mesa com expressões angustiadas. Ele entendia a revolta dela e não a culpava por isso, ainda mais quando ele mesmo estava tão revoltado consigo próprio.
- Desculpe. - ele disse aborrecido. - O que você lembra depois que entramos no quarto?
- Diga primeiro você. Estava mais ansioso em aproveitar o prêmio do que eu.
- Pois muito bem...
~*~*~*~
FLASH BACK
O quarto era o lugar mais bonito onde os dois já tinham pisado. A cama de madeira e os lençóis de seda, as cortinas escuras sobre a janela, a mesinha, o guarda-roupa e o tão sonhado frigobar, todos dispostos harmoniosamente, em um ambiente perfeitamente decorado com quadros e esculturas que davam ao lugar uma aparência exótica, valorizando a arte.
- Não é maravilhoso, Inuyasha? - perguntou Kagome encantada.
- É, é maravilhoso.
Ele respondeu já agachado em frente ao frigobar tirando de lá quantas garrafas de bebida conseguia carregar.
- Inuyasha!!
- O que?
- O que pensa que vai fazer com toda essa bebida?
- Uma festinha particular?
- Você e quem?
Ele olhou para o lado e depois novamente para ela.
- Você está vendo mais alguém aqui dentro, além de você e eu?
Kagome devolveu um olhar chocado e Inuyasha continuou:
- Não seja boba, Kagome! Você queria que eu esquecesse os problemas, não queria? Pois bem, eu não esqueci. Eu só quero passar uns bons momentos aqui, eu e toda essa bebida, mas foi você quem conseguiu aquele vale, então eu acho que não seria educado deixa-la de fora.
- Então não faz diferença se eu fico ou não? - ela perguntou indignada.
- Eu não quero ficar sozinho. - Inuyasha abriu uma garrafa e olhou para Kagome fazendo beiço. - Me acompanha em pelo menos uma, vai... - ele abriu outra garrafa e estendeu para ela.
- Está se comportando como um menino mimado, Inuyasha.
- Eu sou um menino mimado. Se você disser que não, vou fazer birra até ouvir o contrário.
- Eu não costumo beber.
- Eu nunca tenho dinheiro para beber.
Ela começou a desfazer a expressão irritada e olhou para a garrafa que continuava na mão dele, estendida em sua direção, com interesse.
- E isso, o que seria?
- Vinho... - Inuyasha respondeu lendo o rótulo. - Eu acho. Está escrito em algum idioma ocidental ininteligível. - ele bebeu um gole de sua própria garrafa e sorriu para ela. - O gosto é bom.
- Você espera que eu beba com você de uma garrafa que encontrou no frigobar de um quarto de hotel, que fica em cima de um cassino, sem que eu faça a menor idéia do que seja?
- Não seja chata, Kagome, você nunca quis viver perigosamente? Aqui está sua chance. - ele apontou com a cabeça para a garrafa. - Pode parar de bancar a certinha na minha frente, eu prometo que não conto a ninguém.
Ela pegou a garrafa.
~*~*~*~
O quarto estaria completamente escuro se não fossem pelos raios da lua que entravam pela janela iluminando toda a cama. Em cima delas, dois pares de pernas esticadas moviam-se de um lado para o outro ao som da música que tocava de um pequeno micro system dentro do guarda roupa.
I finally found someone, that knocks me off my feet
Eu finalmente
encontrei alguém que me deixa impressionada
I finally found the one, that
makes me feel complete
Eu finalmente encontrei aquela que me faz sentir
completo.
It started over coffee, we started out as friends
Começou
durante o café, nós começamos como amigos.
It's funny how from simple
things, the best things begin
É engraçado como, a partir de coisas
simples, as melhores coisas começam...
As frases foram pronunciadas por um casal de cantores desconhecidos a ambos e Inuyasha riu às palavras.
- Quem diria... - ele disse com a voz soando arrastada e difícil de entender. - Quem diria que acabaríamos a noite em um quarto luxuoso de hotel, brincando de casal apaixonado...
A seu lado, Kagome bebeu o último gole de uma das pequenas garrafas que encontraram no frigobar e a largou no chão assistindo-a rolar e juntar-se a meia dúzia de outras igualmente vazias.
- Eu adoro essa música... Inuyasha, dança comigo?
Ele abriu uma nova garrafa e bebeu boa parte de seu conteúdo antes de entregar a ela.
- Não mesmo. - disse ele. - De onde tirou a idéia absurda de que eu saberia dançar?
Kagome riu ruidosamente e levou a garrafa aos lábios tragando o líquido semitransparente tão rápido que acabou por perder o fôlego e derramar parte dele em cima dos próprios lábios e pescoço.
- Você não sabe dançar, eu não sei cantar. Todos nós somos ignorantes em alguma coisa.
- Se continuar assim você vai apagar bem depressa. - ele disse, apontando a garrafa, na tentativa de mudar a atenção dela para outro assunto.
- Você vai dançar comigo?
- Já disse que não!
- Vamos! Prometo não contar a ninguém se você errar o passo ou pisar no meu pé.
- Não!
- Ninguém vai saber...
- Você vai saber. Pior: eu vou saber e ficarei envergonhado por isso.
Kagome suspirou e jogou a garrafa quase vazia no solo, junto às outras. Ela apoiou os pés descalços no chão e se levantou, caminhando, cambaleante, até estar de frente para a cama.
- Venha dançar comigo. - ela disse como se estivesse pedindo pela primeira vez, esticando os braços convidativamente na direção dele. - Venha ou eu vou começar a cantar e você não sabe os acidentes com coisas quebráveis que eu causo quando canto.
- Está me ameaçando? Isso é coisa de bêbado...
Inuyasha olhou para o chão procurando pelos sapatos e quando não os encontrou, suspirou resignado e saltou para o chão descalço como estava.
- Vou sujar os meus pés e vou pisar nos seus com meus solados sujos, cheios de micróbios, potencial... potencial... 'potentemente' contaminados...
- Potencialmente! Viu? Está mais bêbado do que eu.
Ele sorriu e a tomou nos braços ficando os dois parados no meio do quarto em posição de quem apenas esperava a música para dançar.
- Eu estou dançando com você. Não há dúvidas de que estou bêbado.
This is it, oh, I finally found someone
É isto, eu finalmente
encontrei alguém,
Someone to share my life
Alguém para dividir
minha vida.
I finally found the one, to be with every night
Eu
encontrei a pessoa, para estar toda noite,
'Cause whatever I do, it's just
got to be you
Pois, o que quer que eu faça, apenas tem de ser
você.
My life has just begun
Minha vida apenas começou,
I
finally found someone,
Eu finalmente encontrei alguém,
I finally
found someone,
Eu finalmente encontrei alguém.
- Não seja chato. Apenas siga a música.
Ele começou a guia-la pelo pouco espaço do quarto, ambos parecendo que iam desabar a qualquer momento por cima dos móveis.
- Por que vocês mulheres gostam tanto de dançar?
- E por que vocês homens costumam abominar a idéia?
Did I keep you waiting? - I didn't mind
Eu te deixei esperando? -
Eu não me importo...
I apologize - baby, that's fine
Eu peço
desculpas - Baby, está ótimo,
I would wait forever just to know you were
mine
Eu esperaria eternamente apenas para saber que você era minha.
- Os homens dançam por uma boa desculpa para ter uma mulher em seus braços. - disse Inuyasha.
Kagome riu, os olhos meio fechados, como se estivesse a ponto de adormecer.
- E por que você acha que as mulheres dançam?
Os dois ficaram em silêncio apenas ouvindo a música e se balançando de um lado para o outro, como se estivessem apenas semidespertos.
You know, I love your hair - are you sure it looks right?
Sabe, eu
adoro seu cabelo - você tem certeza que ele parece bom?
I love what you
wear - isn't it too tight?
Eu adoro o que você veste - não está apertado
demais?
You're exceptional,
Você é excepcional,
I can't wait
for the rest of my life
Eu nem consigo esperar pelo resto da minha
vida...
- Kagome...? - Inuyasha falou primeiro.
- Sim?
- Foi por isso que você quis dançar comigo? Queria uma desculpa para me ter nos seus braços?
Ela não respondeu imediatamente.
- Talvez.
- Ou...
- Talvez eu só quisesse medir quanto tempo ficaríamos rodando um nos braços do outros, antes de cair por cima de alguma coisa e danificar propriedade do hotel.
- E talvez esteja disposta a medir também quanto tempo levaríamos para escapar sem ser vistos do hotel, porque eu não tenho dinheiro para pagar o conserto de nenhum desses móveis caros.
Ele esperou que ela risse e respondesse com alguma tirada sarcástica, mas Kagome não disse uma palavra sequer. Ela apenas parou de dançar e ficou ali detida, com o rosto encostado ao ombro dele e os olhos fechados. Permaneceu assim por tanto tempo que ele estava prestes a deita-la na cama, convencido de que ela adormecera, quando a escutou dizer:
- Inuyasha, você não é como eu pensei no início, nem como Sango pensou, nem como eu também cheguei a pensar depois que saímos do escritório daquele advogado. Eu não conheço você tão bem, mas gosto de você assim mesmo. É uma coisa estranha de se dizer, mas eu me sinto em casa quando estamos juntos. E, sim, eu queria saber como seria estar nos seus braços. Ter certeza de que eu não estava fantasiando coisas que eu não sinto de verdade.
- E o que você descobriu?
- Eu não estou na melhor forma das minhas faculdades mentais, mas eu posso dizer que você não é o homem perfeito que eu sempre desejei para mim. Mas eu continuo gostando de você e continuo sentindo que é aqui que eu deveria estar.
Ele ficou em silêncio e ela se moveu de modo a olhar no rosto dele.
- Não vai dizer nada?
- Se você acha que eu não sou perfeito, então tem razão sobre não estar na melhor forma de suas faculdades mentais.
Kagome riu, mas continuou esperando por uma resposta.
Whatever I do, it's just got to be you
O que quer que eu faça,
apenas tem de ser você.
My life has just begun
Minha vida apenas
começou...
I finally found someone
Eu finalmente encontrei
alguém...
- Esta é a nossa noite. - disse Inuyasha. - Nós combinamos que esqueceríamos que há um mundo lá fora, lembra? Você concordou em seguir o Inuyasha que eu criei só para hoje...
- E o que vai acontecer amanhã? Quando esse Inuyasha desaparecer?
- Você pensa demais no futuro. É o mal das mulheres... - ele respondeu muito sério, olhando para cima como se estivesse ponderando alguma coisa.
- Sim, eu sei, a escolha foi minha, mas eu ainda quero uma resposta.
Inuyasha olhou nos olhos cheios de expectativa de Kagome, querendo dizer que o rapaz divertido com quem ela estivera aquela noite sobreviveria à manhã seguinte, que o jovem intratável que planejara roubar uma certa herança e envolve-la no plano tinha tirado férias permanentes, mas ele sabia que não era verdade e pela primeira vez sentiu-se incapaz de mentir tão descaradamente. À noite ainda era jovem e preferia não pensar nisso mais que o necessário, só queria que tudo continuasse o mais agradável possível antes de ter que acabar.
- Inuyasha...?
Sem prévio aviso, ele cobriu os lábios dela com os dele e deslizou as mãos pelas costas dela cuidadosamente, avançando aos poucos como se temesse ser rechaçado. Por um momento eles ficaram parados, ele tocando-a com suavidade e ela estática, tensa, ainda assimilando o gesto inesperado.
Inuyasha estava preste a se afastar e se desculpar, alegando que a bebida o levara aquele impulso, quando sentiu os braços dela lhe envolverem a cintura e seus lábios se moverem aceitando aquele beijo com uma intensidade que ele nunca atribuiria a uma jovem tão ingênua quanto Kagome parecia ser. O corpo dela relaxou contra o dele e ele a envolveu ainda mais, agarrando-se aquele momento com todas as suas forças, beijando-a como se fosse a última vez em um casal de antigos amantes.
A música continuou tocando, a lua lá fora os iluminando como se propositadamente através da janela. Os únicos sons ouvidos eram a respiração ofegante dos dois e o clique baixo do micro system quando a música chegou ao fim.
~*~*~*~
- Você me beijou. - disse ela enquanto apanhava as garrafas vazias do chão, tentando joga-las em um saco de lixo, mas tão tonta que metade delas caiam acabavam caindo de volta ao solo.
- Eu te beijei. - ele confirmou em um estado não muito melhor que o dela.
- E o que isso quer dizer?
- Quer dizer que eu tive vontade de te beijar e fiz isso.
- Ou quer dizer que você gosta de mim. - disse Kagome com um sorriso estranho.
Inuyasha ergueu a sobrancelha curiosamente.
- Eu posso saber o que você está pensando?
- Que eu gosto de você, você gosta de mim e deveríamos casar.
Ela sorriu radiantemente e ele deu um passo para trás, apoiando-se na cama.
- Tudo bem, Kagome, essa foi muito boa. Mas, olha, eu não te fiz nem uma proposta indecente para você me assustar dessa maneira.
- Inuyasha! - ela gritou, zangada. - Eu pensei que fossemos esquecer as regras e nos divertir. Eu nunca casei antes e é uma coisa que eu gostaria de fazer.
Ela gargalhou sonoramente.
- Kagome, você está mais bêbada do que eu pensei. - disse Inuyasha, acompanhando-a no riso.
- O que me diz?
- Tiramos na sorte? Se eu ganhar, a gente pede mais bebida, se você ganhar, eu caso.
Os dois colocaram as mãos direitas para trás e a trouxeram para frente ao mesmo tempo, gritando jan-ken-po, em um movimento muito rápido.
- Pedra quebra a tesoura, eu ganhei! - gritou Kagome.
- Tudo bem, a gente casa.
~*~*~*~
Inuyasha e Kagome saíram do cassino rindo como loucos, ainda mais bêbados do que estavam quando saíram do quarto.
- O que foi mesmo que aquele homem disse? - perguntou Kagome.
- Qualquer coisa sobre na saúde e na doença, até que a morte os separe... Eu acho.
- E o que isso quer dizer?
- A gente pesquisa outra hora, eu estou morrendo de vontade de voltar lá para cima. - disse Inuyasha com um sorriso perverso, entregando a Kagome um papel e caminhando direto para os elevadores.
- E esse papel? - ela perguntou e tentou ler, mas estava muito tonta pela bebida para entender qualquer coisa. - Tem os nossos nomes...!
- É, aí diz que você me pertence. - disse Inuyasha apertando o botão do elevador. - Então vem logo!
Ela caminhou para junto dele e os dois seguiram em silêncio até o andar que ocupavam. Ao chegarem ao quarto, abriram a porta e entraram rapidamente, fechando-a atrás de si.
~*~*~*~
FIM DO FLASH BACK
TEMPO PRESENTE
- Eu lembro de ter trocado de roupa, de ter comido chocolate, embora não faça idéia de onde vieram, mas não de onde foram parar as garrafas e todo o mais. Acho que arrumaram tudo durante nossa ausência.
Kagome disse a última coisa que se lembrava e concentrou-se em olhar fixamente para o chão. Agora que pensara bem, estava com medo de que algo mais tivesse acontecido, especialmente de Inuyasha se lembrar dessa parte e ela não.
- Pelo menos eu poderei dormir tranqüilo o resto da minha vida sabendo que a brilhante idéia não foi minha. - disse Inuyasha, pouco sincero, alheio aos pensamentos de Kagome.
Os dois ficaram em silêncio, cada um fitando alguma parte indefinida do quarto até que Kagome perguntou, quebrando o clima pouco à vontade:
- Está furioso comigo?
Inuyasha abriu a boca para dizer que sim, mas acabou mudando de idéia. Kagome tinha sido tão prejudicada quanto ele e ainda havia a herança. O plano que ele havia concebido durante os últimos dias e que tinha consumido sua mente pelas últimas noites agora parecia tão impossível quanto voltar no tempo só pela força da vontade e impedir-se de entrar naquele cassino. Como ele pudera ser tão idiota? Como pudera chegar a ficar desesperado a ponto de jogar tudo fora por um dia longe de sua rotina - se é que podia dizer que tinha uma.
- Não, Kagome, eu não estou furioso com você. - ele respondeu como se estivesse tentando tranqüilizar uma criança que acabara de quebrar a escultura favorita do pai. - Fui eu quem disse "vamos tirar na sorte", não? É preciso duas pessoas para fazer algo assim, você mesma falou. Eu sou tão culpado quanto você.
A expressão dela pareceu aliviar-se e ela olhou para ele mais uma vez, interrogativamente. Ele torceu para que ela não falasse sobre o beijo ou qualquer coisa do gênero que pudesse ter acontecido. Até agora ainda não entendia o que o levara a fazer aquilo - embora pela quantidade de bebida que ingerira, não precisasse de explicação melhor - e a última coisa que precisava era ter que dar uma resposta definitiva sobre como as coisas entre eles mudariam depois daquela noite, independente do papel com seus nomes.
Mas, para o alívio dele, não era isso o que ela queria saber. Tampouco algo que ele pudesse responder.
- Inuyasha, o que vamos fazer agora?
Ele balançou a cabeça e olhou mais uma vez para os nomes deles escritos no certificado em cima da mesa.
- Eu não sei. A única coisa que eu posso te dizer é que estamos
indubitavelmente casados.
-
-
CONTINUA
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Eu tenho muita coisa a dizer sobre esse capítulo, mas essas notas ficariam enormes, então vou tentar resumir o máximo... Desde o começo eu sabia que cedo ou tarde que, nessa história, Inuyasha e Kagome se meteriam em um cassino por um motivo qualquer e se casariam completamente bêbados. O que nunca pensei foi em escrever o capítulo dessa maneira: mais centrado nos diálogos, com quase nenhuma descrição psicológica e com uma cronologia tão fora de ordem.
Nessas últimas duas semanas eu tentei escrever o capítulo nove e publicar antes desse para ganhar tempo enquanto continuava pensando e repensando se o publicaria, mas ele não saiu de jeito nenhum e este capítulo sempre voltava a minha cabeça...
Bom, podem encara-lo com O CAPÍTULO ESPECIAL QUE FOI ESCRITO PARA COMPLICAR TUDO. Eu espero que tenha rendido alguns minutos de diversão pelo menos. Se for assim, já me sentirei feliz.
As músicas usadas são "How Deep is Your Love" dos Bee Gees (é de domínio público que em matéria de música eu sou uma completa leiga. Sei as traduções de uma meia dúzia de músicas dos Bee Gees e outra meia dúzia do Bryan Adams, que, junto com The Eagles e uns poucos compositores clássicos, é praticamente tudo o que escuto... u_u) e I Finally Found Someone, interpretada pelo Bryan Adams e Barbra Streisand. As duas foram escolhidas mais pela letra que pelo ritmo, essa última em especial, tenho planos futuros para ela... Quanto as traduções, peguei em sites especializados. O gato da minha avó sabe mais inglês do que eu... ~__~
Só mais uma coisa... Eu sou terrível com cenas românticas, eu admito, então sejam bonzinhos comigo, é a primeira vez que faço jus - ao menos um pouquinho - ao 'Romance' que coloquei lá no gênero. *sorriso amarelo* Desculpem-me também pelos erros. Estou terminando isso hoje, cinco horas da manhã de sexta feira, e não vou poder revisar mais nada imediatamente. Tentarei revisar todos os capítulos no futuro.
Agora, meus agradecimentos a essas pessoas que deixaram seus comentários na última atualização:
Kisamadesu: (Ok Ok, você venceu. Estou quase vendo o sorrisinho de triunfo no seu rosto. ¬_¬ Eu mudei apenas sutilmente algumas coisas, mas que cambiaram radicalmente a forma do Inuyasha encarar os fatos. É, acabei ficando com esse capítulo mesmo para o oito... estou começando a concordar com a Chibi que sou um ser dramático... u_u Milagre, não deletei nada!! Muito obrigada pelo comentário e por quase me convencer que este capítulo ficou bom. ^_~ Espero que com as mudanças tenha ficado um pouco melhor);
Kagome-chan 4ever: (Olá, Kagome-Chan! Verdade, esteve sumida. Muito obrigada por comentar, espero que continue gostando. No próximo capítulo voltarei ao 'normal'. Ah, e espero mais capítulos do seu fanfics "O Que Vem Depois do Amor?" . Beijos);
Sayo Amakusa: (Hahahaha, verdade, pobre advogado desonesto o Kouga é. Ainda vou me divertir um bocado fazendo o coitado sofrer... (que maldade...). Obrigada pela correçãozinha, eu tenho que tirar um tempo para revisar esse fanfics, mas acredito que só quando escrever o esperado - pelo menos por mim - FIM. Obrigada!!);
Daiane: (Muito obrigada pelo review e pelo E-mail, adorei ambos. Fico muito feliz que esteja gostando dessa história, isso faz com que a dor de cabeça que ela me dá às vezes vala a pena. ^_^ Beijos);
Dai: (Você também deve estar rindo porque eu fiz drama e acabei mudando no final das contas. Hahahaha. Bom, eu já disse que não sirvo para escrever romance, escrevo de atrevida, mas eu espero que o capítulo tenha ficado melhor assim que do outro jeito, pelo menos 1%, já é um ganho. Eu ainda não sei exatamente como vão ficar o Miroku e a Sango, esse fanfics ainda vai render alguns bons capítulos, mas espero não decepcionar. Muito obrigada por continuar lendo, você sabe que a sua opinião é muito importante para mim. ^___^);
Tomoyo-chan D.: (Puxa, três vezes cada capítulo? Fico muito feliz que você tenha gostado dessa história. Muito obrigada pelos comentários);
Chibi-lua: (Você estava querendo ler este capítulo, não? Eu espero não ter decepcionado... muito. ^_^;;; Mil desculpas pelo muito que reclamei dele no seu ouvido... ^////^ E muito obrigada pelo review);
Morganna: (Sim, o Inuyasha estava sendo sincero. Crise de consciência,
sabe como é... ^_^ Hahahaha, o coração dele não é coisa que se admire, mas ele
tem sim! Eu não deletei nada desta vez. *orgulhosa* Muito obrigada pelo
comentário!).
Esses comentários ficaram enormes... @_@ Por favor, continuem me deixando saber sua opinião!! Muito obrigada por ler, o próximo certamente sairá mais 'normal'. ^_^
spooky_rae@terra.com.br
